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1 de ago. de 2009

E vale a pena ser professor?


João Ruivo| 2009-02-04

O novo milénio atribui aos professores funções e competências indispensáveis ao desenvolvimento da sociedade do conhecimento. O futuro tem que ser construído com os professores e as suas organizações. Nunca contra, ou apesar deles.

Claro que vale. E muito! Ser professor é a mais nobre dádiva à humanidade e o maior contributo para o progresso dos povos e das nações. E, como ninguém nasce professor, é necessário aprender-se a ser. Leva muitos anos de estudo, trabalho, sacrifício, altruísmo e até dor.

Um professor tem que aprender o que ensina, o modo de ensinar e tudo (mesmo tudo) sobre os alunos que vão ser sujeitos à sua actividade profissional. Mas não se iludam: depois de tudo isso um professor nunca está formado. Tem que aprender sempre. Um professor carrega para toda a vida o fardo de ter que ser aluno de si próprio. De se cuidar, de estar sempre atento, ter os pés bem postos no presente e os olhos bem focados no futuro.

Ser professor obriga a não ter geração. Professor tem que saber lidar com todas elas, as que o acompanham durante quatro décadas de carreira. É pai, mãe e espírito santo. E, para o Estado, ainda é um funcionário que, zelosamente, se obriga a cumprir todas as regras da coisa pública.

Por tudo isso, professor é obra permanentemente inacabada. É contentor onde cabe sempre mais alguma coisa. O professor é um intelectual, mas também é um artesão; é um teórico, mas que tem que viver na e com a prática; é um sábio, mas que tem de aprender todos os dias; é um cientista que tem que traduzir a sua experimentação para mil linguagens; é um aprendente que ensina; é um fazedor dos seres e dos saberes; mas é também um homem, ou uma mulher, como todos nós, frágil, expectante e sujeito às mais vulgares vulnerabilidades.

O professor contenta-se com pouco: alimenta a sua auto-estima com o sucesso dos outros (os que ensina), e tanto basta para que isso se revele como a fórmula mágica que traduz a medida certa da sua satisfação pessoal e profissional. Por isso é altruísta e, face ao poder, muitas vezes ingénuo e péssimo negociador.

O professor vive quase todo o tempo da sua carreira em estádios profissionais de enorme maturidade e de mestria. São estádios em que a maioria dos docentes se sentem profissionalmente muito seguros, em que trabalham com entusiasmo, com serenidade e com maturidade, e em que, num grande esforço de investimento pessoal, se auto conduzem ao impulsionar da renovação da escola e à diversificação das suas práticas lectivas.

Infelizmente, de onde devia partir o apoio, o incentivo e o reconhecimento social, temos visto aplicar medidas políticas, e expressar pensamentos, através de palavras e de obras, que menorizam os professores, que os denigrem junto da opinião pública, no que constitui o maior ataque à escola e aos professores perpetrado nas últimas três décadas do Portugal democrático.

Um ataque teimoso, persistente, vitimador e injustificado que tem levado o grande corpo da classe docente a fases profissionais negativas, de desânimo, de desencanto, de desinvestimento, de contestação, de estagnação, e de conformismo, o que pressagia a mais duradoura e a mais grave conjuntura profissional de erosão, mal-estar e de desprofissionalização.

Se não for possível colocar um fim rápido a estas políticas de agressão profissional, oxalá uma década seja suficiente para repor toda uma classe nos trilhos do envolvimento, do empenhamento e do ânimo, que pressagiem o regresso ao bem estar e à busca do desenvolvimento pessoal.

Importante, agora, será a persistência na ilusão. Os professores são uma classe única e insubstituível. A sociedade já não sabe, nem pode, viver sem eles. O Estado democrático soçobraria sem a escola. O novo milênio atribui aos professores funções e competências indispensáveis ao desenvolvimento da sociedade do conhecimento. O futuro tem que ser construído com os professores e as suas organizações. Nunca contra, ou apesar deles.

Ser professor é, portanto, tudo isto e muito mais. É uma bênção, é um forte orgulho e uma honra incompreensível. Quem é professor ama o que faz e não quer ser outra coisa. Mesmo se, conjuntural e extemporaneamente, diz o contrário. Fá-lo por raiva e revolta contra os poderes que, infamemente, o distraem da sua missão principal e, injustamente, o tentam julgar na praça pública, com cobardia e sempre com grave falta ao rigor e à verdade.

Como diria a minha colega Alen, ao longo da história mais recente a sociedade já precisou que os professores fossem heróis para que assegurassem o ensino nos momentos mais difíceis e nas condições mais adversas; já necessitou que fossem apóstolos para que aceitassem ganhar pouco; que fossem santos para que nunca faltassem, mesmo quando doentes; que se revelassem sensíveis, para que garantissem as funções assistenciais e se substituíssem à família e ao Estado; e que, simultaneamente, se mantivessem abertos e flexíveis para aceitarem todas as novas políticas e novas propostas governamentais. Mesmos as mais ilógicas e infundadas.

Porém, agora é bom que os mantenhamos lúcidos para que possam ultrapassar com sucesso este desafio, esta dura prova a que todos os dias se têm visto sujeitos e para que possam ver ficar pelo caminho as políticas e os políticos que os quiseram humilhar.

Fonte: http://www.educare.pt/educare/Opiniao.Artigo.aspx?contentid=5ADDDF5F682A0375E0400A0AB8002BC1&channelid=5ADDDF5F682A0375E0400A0AB8002BC1&schemaid=&opsel=2

9 de jul. de 2009

Novos tempos, novos profissionais


Alexandre Mendes

Um assunto que gosto muito de conversar é sobre o impacto das novas tecnologias em nossas vidas, sobre o que estamos vivenciando no dia-a-dia e não nos damos conta, sobre a transposição de uma linha imaginária entre passado e futuro, bastando para isto ver como mudaram as comunicações e a sociedade, por exemplo. O mundo está mudando, ele diminuiu, e muitos conceitos mudaram, como o trabalho, o tempo e o espaço.

Neste ritmo rápido de mudanças, quantos nomes surgem em nossa mente: século XXI, Internet, relações comerciais diferenciadas, globalização, diferenciação, a "nova empresa" ou empresa “inteligente”, automatização, voz do Cliente.

Hoje vemos profissionais trabalhando sem o esquema tradicional de alocação e sim com tarefas a serem cumpridas, sem a obrigatoriedade de horários rígidos e dias previamente acordados. Este profissional trabalha em seu microcomputador, via Internet, em conjunto com outro colega de sua equipe, sem problemas de horário (fuso horário) e de local (um em cada país, por exemplo), desenvolvendo mais um projeto para a empresa.

O profissional agora precisa ter outra mente, postura e atitude, procurando o tal diferencial. Por outro lado a empresa quer um funcionário versátil, que compartilha o seu conhecimento pensando no todo. Agora eles passam a ser "sócios", ficando claro para ambos que existe uma forte dependência , que deverá ser tratada da melhor maneira. Hoje as empresas sabem que precisam gerenciar o seu ativo mais precioso e mais cobiçado - o conhecimento.

Há muito se investe em pesquisa do perfil do cliente, de forma a conquistá-lo seja através de ofertas, prêmios, descontos ou novos produtos. A empresa, ao ter em suas mãos informações do cliente, passa a tratá-lo como um valioso bem. Ela quer retê-lo o maior tempo possível e sabe que isto não é das tarefas mais fáceis. O importante agora não são só os dados pessoais, mas também seus gostos, preferências e estilo. É preciso conhecê-lo, surpreendê-lo, conquistá-lo.

Mas afinal, o que é conhecimento? Pelo o que vimos até agora, fica claro que ele toma importante papel na Organização e o momento atual é de criar, descobrir, pesquisar. Mas como lapidar tal "diamante"? Como transformar informação em conhecimento? Como disponibilizar este conhecimento de forma que um outro indivíduo possa facilmente acessá-lo? Podemos separar informação e indivíduo?

Até!

Fonte: http://imasters.uol.com.br/artigo/3684/tendencias/novos_tempos_novos_profissionais/

9 de jun. de 2009

Eu, professora, me confesso?


Maria Helena Ramalho| 2008-05-20

Ainda acalento o sonho de "ser professora de...", de ser parte integrante e integrada de uma comunidade que quer construir algo de positivo e que sabe dizer não a farsas!

Eu, professora com 50 anos de idade e no 29.º ano de serviço, me confesso "transportada" repentinamente para um tempo e um contexto que não são os meus.

Um tempo, algures entre um passado, que felizmente já não vivi como docente (o de ditadura), e um futuro ainda muito confuso, em que tudo parece acontecer a um ritmo alucinante e com trajectórias pautadas pela irregularidade e imprevisibilidade.

Um contexto, em que as condições materiais e espaciais escolares são das menos favoráveis de toda a minha carreira (apesar do tão falado "choque tecnológico"), em que a estrutura educativa e escolar está de tal modo verticalizada e a cadeia de transmissão de informação tão extensa e difusa que os fenómenos de entropia marcam o quotidiano, abrindo caminho a uma opacidade nada favorável a ambientes construtivos e colaborativos.

Eu, professora por opção e vocação, confesso colocar em causa o meu papel na escola de hoje. Por temperamento e circunstâncias diversas, sempre tive uma postura discreta (excessivamente, segundo alguns), sempre me bastou o carácter sedutor e gratificante de cada aula, de cada encontro pedagógico com os meus alunos. Quando o mérito era reconhecido por pares e por superiores hierárquicos melhor, mas nunca foi (nem é) essa a preocupação da minha vida profissional. Hoje, as circunstâncias do encontro pedagógico estão tão condicionadas e são, por vezes, tão violentas, que dificilmente se consegue fruir o momento, se consegue encantar e ser encantado. Quanto ao reconhecimento do mérito por terceiros, o clima que se está a instalar na(s) escola(s) leva-me a recear que não só tenha menos probabilidade de acontecer como, pior ainda, possa a subserviência vir a ser considerada `mérito'.

Eu, professora, confesso saber ler, interpretar, detectar incongruências... pensar. Confesso saber (no sentido, também, de `estar convencida') que o ensino-aprendizagem para qualquer ser humano (aluno, professor...) tem de ser faseado e tem de fazer sentido, sob pena de não ocorrer verdadeira aprendizagem. Assim, ninguém vive dignamente a sua profissão numa cadência desenfreada de alterações profundas, num sistema top-down e em cascata, com a agravante das incongruências se sucederem ao mesmo ritmo das orientações/determinações superiormente emanadas. Na melhor das hipóteses sobrevive-se à custa de manipulação de dados e de subversão de princípios.

Eu, professora, me confesso (ainda) disposta a lutar para que a escola se paute pela seriedade e dignidade, pelo binómio ensinar-aprender, num contexto de formar e crescer. Ainda acalento o sonho de "ser professora de...", de ser parte integrante e integrada de uma comunidade que quer construir algo de positivo e que sabe dizer não a farsas!

Eu, professora, me questiono...
- Contribuí para este estado da situação? Espero que não.
- Fui conivente com ele? Talvez em parte, por omissão e desorientação nos primeiros meses do meu "reencontro" com a escola.
- Posso alterá-lo? Quero acreditar que sim, certa de que só o poderei fazer se não estiver isolada. Afinal, a escola somos nós (também) que a fazemos!

Fonte: http://www.educare.pt/educare/Actualidade.Noticia.aspx?contentid=4DAC20983055309EE04400144F16FAAE&opsel=1&channelid=0

31 de mai. de 2009

Precisando se atualizar, professor?

Profissão Mestre

Site-Profissao-Mestre

www.profissaomestre.com.br

Uma das maiores dificuldades vividas pelos professores se refere à falta de oportunidades para obter informações a respeito da profissão que exerce. O intercâmbio que ocorre em boa parte das escolas é insuficiente para que se saiba o que ocorre entre as paredes de uma única instituição, imagine então em relação ao que ocorre em outras.

Cabe a cada escola incentivar uma comunicação mais freqüente entre os professores e integrar as ações de profissionais que trabalham com diferentes disciplinas e níveis de aprendizagem (educação infantil, ensino fundamental, ensino médio). É ferramenta importantíssima essa integração e troca de informações, para a efetivação de uma educação adequada, inclusive, aos Parâmetros Curriculares Nacionais. Espera-se que as escolas consigam articular projetos, unindo diferentes áreas do conhecimento e integrando seus estudantes ao mundo que os cerca, de forma a conceder-lhes condições para melhor lidar com as condições que os esperam como cidadãos e profissionais.

Se os professores não estiverem bem preparados, a repercussão de seus trabalhos pode reverter negativamente para seus pupilos.

Para aumentar suas possibilidades, além daquilo que podem obter com a troca de informações dentro do próprio ambiente escolar onde trabalham, os professores devem ler livros específicos de suas áreas de formação ou relacionados à pedagogia, informar-se através de jornais e revistas, assistir filmes na televisão e no cinema e navegar pela internet a procura de artigos, materiais de apoio, dicas e orientações para o exercício de sua profissão.

Em termos de internet, um dos sites voltados para a informação do professor é Profissão Mestre (www.profissaomestre.com.br). Trata-se de um site que disponibiliza artigos voltados especificamente para os profissionais da educação, onde há orientações para questões relacionadas às estratégias de aula, disciplina dos alunos, dicas quanto ao uso de tecnologia, motivação para o trabalho e outras temáticas que povoam o dia a dia escolar.

De visual simples e descomplicado, o que a princípio pode afastar os visitantes que anseiam por grandes efeitos visuais, o site Profissão Mestre tem na parte alta de sua homepage os canais de acesso a seu material (letras em preto, com fundo verde), onde encontramos as sessões Em Foco, O Novo Professor, Novas Tecnologias e Sala de Aula.

Cada uma delas trabalha uma área específica de interesse, sendo que, a sessão Em Foco dá destaque as questões de maior interesse no presente momento, podendo abordar temas que pertençam aos outros segmentos do site.

No Em Foco, são apresentadas matérias como:
- Professor nota dez – que lista as qualidades fundamentais para que um professor seja bem sucedido em seu trabalho.
- 7 dicas para dar aulas melhores.
- Definindo metas – onde o professor fica sabendo que para seu trabalho dar certo é necessário estabelecer prioridades.
- Maneiras de aumentar a participação de seus alunos nas aulas.
- Educando para a realidade.
- O que eles procuram – que fala sobre as características procuradas pelas empresas para o profissional do futuro.

No setor Novo Professor, há artigos que orientam os professores quanto a caminhos que ele pode seguir para melhorar seu rendimento no trabalho, sentir-se melhor nas aulas, adaptar-se aos novos tempos e prosperar na profissão. Entre os títulos destacados, selecionei os seguintes para que se tenha uma idéia do conteúdo desse link:-
- Quatro fatores para o sucesso.
- Só aprende quem faz.
- Adapte-se (aos novos tempos, as mudanças da educação).
- Construa sua competência e trajetória pessoal.
- Tarefa de Casa – que orienta na organização do trabalho escolar que deve ser desenvolvido em casa.

Ao entrar no setor destinado as Novas Tecnologias, encontram-se novas matérias, dessa vez voltadas para o uso de equipamentos que tem invadido a sala de aula e as conversas de nossos alunos, principalmente, o computador e sua principal aliada, a Internet. São artigos como:-
- Internet para viagem – que explora a onda da internet, através dos telefones celulares.
- Novas Mídias – em que se comenta sobre os novos equipamentos a disposição, que integram funções (computador, DVD, telefone, rádio,...).
- Regras para o ensino a distância (dentro das novas tecnologias).
- Literatura à distância – que fala sobre o uso do computador para um curso a distância sobre literatura destinado aos professores.

No último setor disponível, chamado de Sala de Aula, temos material voltado para metodologia de aula, relação aluno-professor, projetos,...
Veja alguns dos artigos:-
- Ganhe mais tempo (para administrar melhor o seu cotidiano).
- Dicas para se tornar um professor mais criativo.
- Jogo de memória (estratégia de aula).
- Sexo, drogas e Rock and Roll. E outros assuntos difíceis para se tratar em sala de aula.
- Registro de projetos.

Professores, vale conferir as dicas do Profissão Mestre. Com elas suas aulas podem ficar ainda melhores.

Fonte: http://www.planetaeducacao.com.br/novo/artigo.asp?artigo=139

8 de abr. de 2009

Você é um Professor digital?

Junho 30, 2008
by profjc
Por José Carlos Antonio

Na foto acima, o professor Suez confronta a velha “papeleta de notas” com a moderna planilha de notas eletrônicas em um projeto de informatização desenvolvido na EE Neuza Maria Nazatto de Carvalho.

Quando comecei a escrever sobre informática educacional, lá pelos idos de 1998, me lembro que meu primeiro artigo abordava a importância do uso dos computadores como ferramenta de ensino-aprendizagem. Nele, eu tentava mostrar que os computadores e a Internet poderiam ser ferramentas poderosas para pesquisa, aprendizagem, interatividade e autoria.

Na foto ao lado, o professor Suez confronta a velha “papeleta de notas” com a moderna planilha de notas eletrônicas em um projeto de informatização desenvolvido na EE Neuza Maria Nazatto de Carvalho.

De lá para cá muita coisa mudou no mundo da informática e dos computadores. Mas, no âmbito da escola, notamos um descompasso entre o ritmo da evolução tecnológica e o da evolução de nossos processos educacionais. O que, de certa forma, sabemos que não é novidade para ninguém: a escola implementa mudanças de uma forma mais lenta, ainda que, paradoxalmente, seja uma instituição que se propõe a ser um fator gerador de mudanças. É por isso que os professores devem considerar as oficinas de capacitação para o uso pedagógico dos computadores e da Internet como oportunidades valiosas de aprendizagem de novas metodologias e técnicas de ensino-aprendizagem.

Mas só isso não basta. É preciso mais. Já não basta perder o medo do computador. É preciso saber para que ele serve se pretendemos fazer bom uso da máquina. Professores que só usaram computadores para bater papo na Internet, jogar games ou, quando muito, digitar um texto mal formatado no Word, estão deixando de aproveitar a chance de serem verdadeiros “professores digitais”.

Na rede pública de ensino há ainda uma demanda enorme de computadores para equipar centenas de escolas que não dispõem de uma Sala de Informática funcional. Em outras tantas escolas os computadores já estão ultrapassados e não dão mais conta de rodarem sistemas operacionais modernos ou mesmo de lidar com a Internet midiática atual. É preciso suprir essas demandas. As máquinas mudaram, o mundo mudou, embora na maior parte das escolas os professores continuem quase os mesmos. Mas é preciso fazer também, e urgentemente, um “upgrade nos professores” e não apenas nas Salas de Informática. Precisamos de “professores digitais”.

Um professor digital é aquele que possui habilidades para fazer um bom uso do computadores para ele mesmo e, por extensão, é capaz de usá-lo de forma produtiva com seus alunos.

As “habilidades” que listarei a seguir podem ser discutíveis e em número limitado. Arrisco-me, no entanto, a afirmar que quantas mais forem as habilidades possuídas, mais perto se chegará do perfil de um professor digital. Vejamos>

1. Possuir um endereço de e-mail e utilizá-lo pelo menos duas vezes por semana (o ideal seria fazê-lo diariamente);

2. Possuir um blog, um site ou uma página atualizável na Internet onde regularmente se produz, socializa e se confronta seu conhecimento com outras pessoas;

3. Participar ativamente de um ou mais “grupos de discussão”, fórum ou comunidade virtual ligada à sua atividade educacional;

4. Possuir algum programa de troca de mensagens on-line, como o MSN, com, no mínimo, dois colegas de profissão em sua “lista de contatos” e usá-lo para fins profissionais pelo menos uma vez por semana, em média;

5. Assinar algum periódico on-line (mesmo que gratuito) sobre notícias e novidades relacionadas à educação ou à sua disciplina específica, e lê-lo regularmente;

6. Preparar rotineiramente provas, resumos, tabelas, roteiros e materiais didáticos diversos usando um processador de textos (como o Word, por exemplo), uma planilha eletrônica (como o Excel) ou um programa de apresentações multimídia (como o PowerPoint);

7. Fazer pesquisa na Internet regularmente com vistas à preparação de suas aulas (no mínimo) e, preferencialmente, manter um banco de dados de sites úteis para sua disciplina e para a educação em geral. Melhor ainda seria compartilhar esse banco de dados com colegas e alunos;

8. Preparar pelo menos uma aula por bimestre sobre um tema de sua disciplina onde os alunos usarão os computadores e a Sala de Informática de forma produtiva e não apenas para “matar o tempo”;

9. Manter contato com o computador por, pelo menos, uma hora diária, em média;

10. Manter-se atento para as novas possibilidades de uso pedagógico das novas tecnologias que surgem continuamente e tentar implementar novas metodologias em suas aulas.

Note que na lista acima não foi incluída em nenhum item a necessidade de se “possuir um computador”, porque de fato não é preciso possuir algum para ser um professor digital, ou mesmo para incluir-se digitalmente. No entanto, muitos professores que conheço possuem computadores e acesso à Internet, mas não chegam a ter nem três das dez habilidades listadas acima.

As habilidades acima envolvem o “fazer”, o agir, a inclusão efetiva do professor no mundo digital. Nenhuma oficina de capacitação ou curso de computação, por si só, traz nenhuma das habilidades acima, pois todas elas demandam o “uso regular do computador e da Internet”.

Aproveite e faça você mesmo o teste para medir o quanto você se enquadra no perfil do professor digital. Some um ponto para cada item dessa lista que se aplicar a você. Caso você some mais que cinco pontos, já pode se considerar como parte da vanguarda dos professores digitais.

Fonte: http://professordigital.wordpress.com/2008/06/30/voce-e-um-professor-digital/

30 de dez. de 2008

Tenho orgulho de ser professor

João Luís de Almeida Machado

Desenho de um homem ajudando uma mulher a escalar uma montanha

Quando resolvi cursar história recebi o apoio de meus pais apesar de suas evidentes preocupações quanto ao meu futuro. Pensavam eles a respeito da desvalorização profissional pela qual passavam todos aqueles que resolviam trilhar essa carreira ao longo de suas vidas. Percebiam com clareza que os professores já não possuíam a mesma consideração e respeito de outrora e que, também, os salários estavam cada dia mais achatados...

Arrisquei minhas fichas todas nesse caminho e digo, com total certeza, que não me arrependo das opções que fiz. Pelo contrário, afirmo categoricamente que tenho o maior orgulho de ser professor, de atuar na educação. E porque venho a público afirmar a plenos pulmões essa satisfação? Pelas notícias que temos lido nos jornais e que nos contam do abandono da profissão, da baixa concorrência nos vestibulares nas áreas que formam professores e também pela crença geral de que a educação pode e deve semear o futuro de nosso país.

Trabalho a praticamente vinte anos nessa profissão, já tive a oportunidade de lecionar para praticamente todos os níveis e séries (exceto a educação infantil e turmas de primeira a quarta séries do ensino fundamental). Tive experiências marcantes com a terceira idade, educação de adultos, ensino de línguas, crianças, jovens e em especial, adolescentes.

Atualmente estou lecionando apenas na universidade, mas já dei aulas de história, geografia, filosofia, inglês e algumas outras disciplinas que nem mais existem (como OSPB – Organização Social e Política do Brasil – ou EMC – Educação Moral e Cívica).

Tive dificuldades como todos aqueles que trabalham numa sala de aula. Experimentei estratégias, realizei planejamentos, pensei possibilidades para as aulas que desejava desenvolver e, em alguns casos, não fui tão feliz quanto desejava nos resultados obtidos. Apesar disso, posso afirmar com certeza, que se nesses infortúnios não atingi o que objetivava, em tantos e tantos outros fui vencedor. Além de que, com meus erros, pude aprender muitas coisas...

E se fui um vencedor é porque contava com o apoio e o trabalho árduo e dedicado dos alunos com os quais estive. É nesse ponto que me detenho para exaltar o que considero nevrálgico para o sucesso profissional em educação. Temos que formalizar parcerias, conquistar o apoio de nossos estudantes, contar com sua energia positiva para realizar qualquer um dos gols que pretendemos em nosso desempenho profissional.

Imagino que os sucessos na educação derivam de muito esforço, preparação, estudo constante e, sobretudo, dessa necessária parceria com nossos estudantes. Sempre contei com o apoio da maioria dos estudantes para dar vida aos projetos que desenvolvíamos. Não eram meus projetos, pelo contrário, eram nossos. Se era minha competência conceber ou pensar nas alternativas pedagógicas, aos estudantes cabia dar alma, dar vida...

Considero, porém, que nada poderia ter acontecido se não tivesse estudado e me preparado muito. Como poderia ter ajudado alguém a educar-se em qualquer uma das áreas nas quais lecionei se não tivesse lido, feito cursos, criado uma bagagem cultural ou contado com o auxílio de prestimosos mestres que me ajudaram em minha formação?

Acredito, enquanto aluno, que temos que valorizar o trabalho de nossos professores e, além disso, que devemos literalmente fazer a nossa parte. Devemos sacrificar algumas horas de nosso lazer ou de nosso descanso com a finalidade de realizar nossos projetos, trabalhos, tarefas e estudos. Parece fácil dizer isso agora, quando sou o professor, no entanto esclareço que sou também, nesse momento de minha vida, estudante na PUC de São Paulo, no programa de doutorado em Educação: Currículo...

Tive a felicidade de contar com alunos que se mostraram sempre generosos no que tange a trabalhar mesmo quando isso significava abdicar de algumas horas se divertindo. Eles são diferentes de qualquer estudante com o qual você já trabalhou? Não, em absoluto. São adolescentes ou jovens que precisavam apenas de estímulo, respeito e credibilidade.

Queriam escutar nossas orientações, mas também sentiam a necessidade de afirmar seus pensamentos sem que fossem ridicularizados, desprezados ou desdenhados por quem os ouvia. Muitos deles careciam apenas de alguns momentos de atenção durante nossas aulas para que viessem a desabrochar e demonstrar seus talentos e melhores qualidades.

Catalisei muitas energias desses contatos. Cresci e aprendi talvez até mais do que eles podem imaginar a partir de nossos encontros. Penso que vivemos algumas estações do ano em nossos convívios. Mais primaveras e verões do que outonos e invernos. O tempo sempre me pareceu mais quente e aprazível enquanto estivemos juntos do que nublado e chuvoso...

Fui e sou feliz porque sei que de alguma forma contribuo para a formação presente e futura desses adolescentes e jovens. Não me considero melhor do que ninguém e nem ao menos me percebo como exemplo a ser seguido. Apenas acredito que tenho que fazer na minha profissão a diferença a favor de um mundo melhor e que, por isso, tenho que dedicar-me a dar o máximo de mim enquanto estiver numa sala de aula.

Vejo educação nos filmes que assisto, nos livros que leio, nas músicas que escuto, no movimento das marés, na luz do sol, no brilho das estrelas, nos olhos de nossos alunos que nos pedem silenciosamente que façamos algo pela escola para torná-la mais e mais sedutora, interessante e inteligente.

Acredito que a única forma de superar os desmazelos da vida cotidiana, recheada de escândalos e problemas (corrupção, violência, desestruturação familiar, drogas,...), passa pela criação de possibilidades melhores para o amanhã das pessoas. E o melhor caminho para a efetivação dessa vida com perspectivas de crescimento e progresso passa necessariamente pela escola, por nossas salas de aula, pelo nosso trabalho...

É isso tudo que me faz sentir que trabalho na profissão mais importante que existe e que me deixa sempre com um sorriso no rosto quando afirmo que sou, com orgulho, um professor...

João Luís de Almeida Machado Editor do Portal Planeta Educação; Doutorando em Educação pela PUC-SP; Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP); Professor Universitário e Pesquisador; Autor do livro "Na Sala de Aula com a Sétima Arte – Aprendendo com o Cinema" (Editora Intersubjetiva).

Fonte: http://www.planetaeducacao.com.br/novo/artigo.asp?artigo=981

1 de nov. de 2008

Projeto Cinema no Caldeirão


Olá Amigos

O filme de hoje no Projeto Cinema no Caldeirão é o chinês Nenhum a Menos do diretor Zhang Yimou. O Caldeirão de Idéias recomenda com louvor o filme, pois ele também trata de um tema bastante discutido hoje em dia: a formação inicial.

Nenhum a menos é um filme que faz o expectador pensar sobre questões sociais e suas conseqüências na formação educacional das pessoas. Propõe a reflexão sobre o motivo que leva um educador a se envolver com seus alunos e a compreender o seu papel na instituição de ensino. Faz uma crítica aos governos que pouco investem em educação.

Companheirismo, solidariedade e perseverança são a marca do filme de Zhang Yimou, que demonstra preocupação com as crianças de seu país. Uma história sem fronteiras políticas ou territoriais, pela universalidade do tema. O dilema de se manter alunos na escola.

O filme emociona com uma história simples que no início pouco promete, mas que no decorrer envolve pela poesia e realidade colocadas frente a frente numa perspectiva humana renovadora. Este filme é uma evidência de quanto nós , professores, temos que traçar uma meta ao entrarmos dentro duma sala de aula (que nem sempre é fácil) mas, se lutarmos com toda a nossa força e amor alcançaremos nossos objetivos. E que esses objetivos inclui , em especial, desenvolver as tão esquecidas virtudes nos nossos alunos (respeito, amor, solidariedade, coleguismo, ....)

E a famosa "Pedagogia do Exemplo" que meu amigo José Antônio Klaes Roig do Letra Viva do Roig tanto fala. Educa-se mais pelo exemplo do que com palavras.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

Nenhum a Menos

Compromisso com a Educação

O professor Gao de uma escola multi-seriada de uma pequena aldeia chinesa chamada Shuiquan tem que se ausentar das aulas para cuidar de sua mãe doente. O presidente da aldeia, por falta de opção, escolhe uma garota de 13 anos chamada Wei Minzhi para substituí-lo nas atividades docentes. Tanto o professor quanto o presidente da aldeia advertem Wei que se ela deixar algum aluno abandonar a escola, deixará de receber seus honorários.

O diretor do filme, Zhang Yimou, ousou na forma de produzi-lo, pois os atores eram pessoas do próprio local, com perfil psicológico similar aos dos personagens e utilizando seus próprios nomes. A história se passa num local extremamente pobre da China, onde permanecer na escola é um grande desafio para as crianças e sua famílias, pois muitas acabam desistindo de estudar para trabalhar na cidade e ajudar na sobrevivência da família.

A instituição de ensino encontra-se numa situação precária, sem recursos, com as instalações prejudicadas por falta de investimento. Os alunos dormem na Escola juntamente com o professor. É um tipo de escola-casa em que as relações educacionais entre alunos e docente acontecem em tempo integral.

Aulas
Wei Minzhi tenta fazer-se respeitar.

A adolescente Wei é pouco mais velha que muitos dos estudantes e se vê numa situação extremamente difícil, pois pouco tinha a oferecer aos seus alunos. Iniciou suas atividades num clima de conflitos e a única coisa que sabia fazer era transcrever textos na lousa para simples cópia.

Nesse ambiente hostil, a garota atravessa situações em que os estudantes colocam a prova sua autoridade e capacidade para lidar com aquele universo complexo. A grande preocupação de Wei era receber seu salário, pois ela se encontrava praticamente na mesma situação de seus alunos. A sobrevivência era o principal, nem que para isso tivesse que usar de autoritarismo.
Para desespero da garota um dos alunos abandona a Escola e vai trabalhar na cidade. Wei percebe que não será recompensada pelos serviços prestados. Decide então trazê-lo de volta a qualquer custo. Mas a situação é tão difícil que ela não tem dinheiro nem para pagar o ônibus até a cidade. É o momento que junto com os alunos, ela começa a traçar estratégias para conseguir o dinheiro da passagem para buscar o menino evadido.

Sua relação com os alunos sofre uma transformação, pois ao discutir as necessidades do grupo para trazer de volta o colega, suas aulas se tornam mais humanas e contextualizadas. Para conseguir o dinheiro eles terão que fazer cálculos do número de dias trabalhados em uma olaria carregando tijolos. É um momento muito especial do filme em que os alunos mostram-se muito interessados em ajudar a solucionar o problema da ausência do aluno. A matemática é o recurso essencial para traçar o plano de ação do grupo e conseguir a quantia necessária para que Wei vá até a cidade. Suas aulas se tornam maravilhosas e com significado.

Espera

A personagem de Wei passa por uma renovação atitudinal ao perceber qual é o sentido de trazer de volta um estudante para a escola. Os colegas do menino também sofrem uma transformação profunda quando percebem que existe alguém que se preocupa com eles, no caso a jovem professora.

Evitar que nenhum aluno saia da escola sempre foi o objetivo de Wei, no início por egoísmo, por sobrevivência, e agora por um ideal, por convicção de que a presença do garoto na escola importa muito aos colegas e a ela própria.

O ponto alto da história acontece na cidade, com a chegada de Wei em busca do menino perdido. É um momento em que o expectador compreende o verdadeiro papel de um educador, o esforço para oferecer educação a todos a qualquer custo.

Nenhum a menos é um filme que faz o expectador pensar sobre questões sociais e suas conseqüências na formação educacional das pessoas. Propõe a reflexão sobre o motivo que leva um educador a se envolver com seus alunos e a compreender o seu papel na instituição de ensino. Faz uma crítica aos governos que pouco investem em educação.

Viagem

O filme emociona com uma história simples que no início pouco promete, mas que no decorrer envolve pela poesia e realidade colocadas frente a frente numa perspectiva humana renovadora. Este filme é uma evidência de quanto nós , professores, temos que traçar uma meta ao entrarmos dentro duma sala de aula (que nem sempre é fácil) mas, se lutarmos com toda a nossa força e amor alcançaremos nossos objetivos. E que esses objetivos inclui , em especial, desenvolver as tão esquecidas virtudes nos nossos alunos (respeito, amor, solidariedade,coleguismo,....)

Nenhum a Menos foi o segundo triunfo de Yimou, 49, em Veneza. Em 93, ele recebeu o Leão de Ouro por A História de Qiu Ju. Antes dele, apenas dois cineastas franceses, Andre Cayatte, nos anos 50, e Louis Malle, nos 80, haviam acumulado duas vitórias no festival.


Ficha Técnica

Título Original: Yige dou buneng shao
País de Origem: China
Ano: 1998/1999 (DVD)
Duração: 106min
Diretor: Zhang Yimou
Elenco: Wei Minzhi, Zhang Huike, Tian Zhenda, Gao Enman, Sun Zhimei
Distribuidora: Columbia Tristar Film.

Links

http://www.terra.com.br/cinema/drama/nenhum.htm

http://neteducacao.globo.com/site/usenet/filmespararevisao.jsp

Videos-Relacionados



Abraços

Equipe NTE Itaperuna

27 de out. de 2008

A identidade do professor

Maria Antonia Carballo Dominguez*

Os indivíduos são formados por um processo de identificação que acaba por projetar-se em suas identidades pessoais e culturais, tornando estas mais provisórias, variáveis e problemáticas. Em tempos passados, era visto como um sujeito unificado, com uma presença estável no meio social.

O indivíduo pós-moderno é composto não só de uma identidade unificada, mas de várias.

O indivíduo tenta descobrir suas potencialidades, dentro de situações construídas ou reconstruídas ao longo de sua trajetória enquanto ser que pensa e atua em uma sociedade também plena de transformações.

A percepção dos indivíduos quanto aos seus saberes, fazeres e ações é que estes se constroem a partir de contextos sócio-históricos e culturais, que por sua vez estão interligados a questões políticas, ideológicas e teóricas. Assim sendo, determinam dentro de valores e verdades quem pode falar em nome do outro e a quais interesses servem.

A identidade do professor constrói-se a partir da relevância que cada profissional dá a sua própria atividade docente, através de valores, atuação no mundo, das representações de vida, saberes, sentimentos, expectativas presentes no seu cotidiano, com as relações estabelecidas enquanto seres como um todo, dentro das escolas, sindicatos e também as relações entre os próprios professores.

Além de todos os discursos, existe a experiência de vida que influi na formação da identidade. A realidade existente se mostra através de situações veiculadas na sociedade tais como: baixa remuneração, salas de aula com alunos turbulentos e em alguns casos falta de material didático.

É certo que variados problemas se aglomeram nas instituições de ensino, onde o embate se faz presente através das diversas manifestações onde impera um descontentamento por parte dos profissionais em educação de um modo geral. Por outro lado precisamos munir-nos de energia para poder enfrentar as adversidades que se apresentam.

Ser professor nos dias atuais é mais que uma profissão, é algo além do salário que se recebe no fim do mês, é ao menos tentar sentir-se motivado dia após dia para seguir adiante na certeza de poder estar fazendo o melhor possível dentro das possibilidades educacionais que fazem parte do nosso cotidiano escolar.

Faz-se necessário observar a nossa responsabilidade no desenvolvimento do educando, na sua formação e preparo do seu desempenho para atuar em um mundo que por vezes se apresenta contraditório nos mais variados aspectos seja de ordem social, política ou econômica.

Precisamos (re) pensar nossa prática todos os dias, pois é através da reflexão e do constante aprimoramento intelectual que poderemos melhorar cada vez mais tornando-nos uma das peças fundamentais na formação de jovens e adultos.

*Professora

Fonte: http://www.jornalagora.com.br/site/index.php?caderno=27&noticia=56862

21 de out. de 2008

Os professores e a regra de três

Claudio de Moura Castro

"Nossos professores não aprenderam a ensinar e, como conseqüência, nossos alunos não aprendem o que deveriam aprender"


Ato I. Oitocentos professores no auditório. Peço que levantem a mão aqueles que aprenderam a ensinar "regra de três" na faculdade de educação. Surpresa! Nem uma só mão levantada. Ou seja, não aprenderam como ensinar a mais útil das ferramentas matemáticas.

Ilustração Atômica Studio


Ato II.
Três mil professores no auditório. Falo com eles sobre a importância de receberem material didático bem detalhado, de forma a melhorar suas aulas e facilitar sua vida. Sou aplaudido de pé. Choram de decepção, ou de raiva, os fundamentalistas antilivros presentes ao evento. Para eles, o professor precisa inventar sua aula em vez de usar o bom material existente.

Ato III. Eu em conversa com algumas professoras. Como elas não aprenderam na faculdade a dar aula, admitem que seus alunos servem de cobaias, enquanto elas aprendem – processo que pode durar até cinco anos. É como se num curso de cirurgia os alunos estudassem apenas a psicogênese do ato cirúrgico. Ao se formarem, teriam de inventar maneiras de operar seus pacientes, já que não as haviam aprendido no curso. Pouco a pouco, aumentaria o número de sobreviventes entre seus pacientes.

Os exemplos acima não têm foros de evidência científica. Contudo, refletem a direção tomada pelos cursos que formam nossos professores. Alguns diretores de escolas públicas falam com nostalgia do velho curso Normal, no qual se aprendia a dar aula. Foi substituído por faculdades de Educação, para formar orientadores nas escolas, e pelos Institutos Normais Superiores, para formar os professores de sala de aula. Mas essas últimas instituições não eram do agrado dos gurus da nossa pedagogia. Usando seus potentes decibéis, conseguiram o seu bloqueio pelo MEC.

O resultado é trágico. Hoje são formados nas faculdades de Educação não apenas os orientadores, mas a esmagadora maioria dos que vão ser professores de sala de aula. Nessas faculdades eles ouvem falar dos livros de muitos autores, vivos e defuntos, nenhum dos quais ensina a dar aula. Em compensação, estudam as mais exaltadas teorias, tais como a luta de classes, a exploração do homem pelo homem, o imperialismo cultural, os intelectuais orgânicos e a psicogênese do conhecimento. É como se a inclusão de algum fragmento de sapiência fosse condicionada a não ter nenhuma aplicabilidade na sala de aula. Piaget não ensina a alfabetizar. Portanto, isso não se aprende nessas faculdades. Resultado: os professores se sentem perdidos diante dos seus alunos.

O educador chileno Ernesto Schiefelbein diz que um médico pode abrir um livro de cirurgia e ficar sabendo dos procedimentos aconselhados para uma apendectomia. Um educador deveria ter também um livro que pudesse consultar quando quisesse saber como ensinar a regra de três. Só que há resistência a livros tão específicos. Para nossos gurus, é errado explicitar como se ensinam tais detalhes, embora haja ampla pesquisa mostrando que isso dá bons resultados.

Entalado na controvérsia está o construtivismo, uma formulação teórica acerca da epistemologia do aprendizado. Aceitemos ou não as suas formulações, elas nada dizem sobre como os livros devem ser nem como usá-los. A subsecretária de Educação da cidade de Nova York é construtivista ferrenha e confessa. E insiste nos materiais escritos que especificam, nos mínimos detalhes, como conduzir a sala de aula. No Brasil, dizem-se construtivistas os gurus furiosos contra livros detalhados. Ou seja, o uso do livro nada tem a ver com o construtivismo. Mas tem muito a ver com o bom aprendizado. A receita é simples, precisamos de livros detalhados, em mãos de professores que aprenderam a usá-los e a dar aula. Assim se faz no mundo inteiro.

O resultado de não preparar professores para dar aula e fazer campanha contra livros é que nem a metade dos alunos da 4ª série é funcionalmente alfabetizada (todos deveriam saber ler ao final da 1ª série). O Pisa (uma prova internacional de aproveitamento escolar) nos mostrou que 23% dos nossos alunos nem sequer atingem o nível 1, o mais baixo. No total, 86% estão abaixo do mínimo esperado. A lógica é inapelável: como os professores não aprenderam a ensinar, os alunos não aprendem o que deveriam aprender.

Fonte: http://arquivoetc.blogspot.com/2008/10/claudio-de-moura-castro-os-professores.html

20 de out. de 2008

Minha lista de professores inspiradores


Olá Amigos

A postagem abaixo fala de 2 listas feitas pela Revista Time sobre os 15 melhores e piores professores na historia do cinema. Fiquei pensando muito pra montar a minha lista, coloquei e retirei vários nomes uma porção de vezes.

Para conseguir fazer a lista precisei criar um critério para conseguir faze-la: deixei o cinema europeu e asiático de fora da lista. Mas mesmo assim não consegui 15 e sim 20. A minha lista não está em ordem de preferência e sim aleatória.

  1. Sidney Poitier em Ao Mestre com Carinho
  2. Laurence Fishburne em Prova de fogo
  3. Robbie Williams em Sociedade dos poetas mortos
  4. Morgan Freeman em Meu mestre minha vida
  5. Julia Robert em Sorriso da Mona Lisa,
  6. Jack Black em Escola de Rock...
  7. Michelle Pfeifer em Mentes perigosas
  8. Jerry Lewis em Um Professor Aloprado...
  9. Kevin Kline em O Clube do Imperador
  10. Ryan Reynolds em Escola da Vida
  11. Kevin Space em Corrente do Bem
  12. Hillary Swank em Escritores da Liberdade
  13. Arnold Schwarzenneger em Um Tira no Jardim de Infância
  14. Edward James Olmos em O Preço do Desafio
  15. Yoda em Guerra nas Estrelas
  16. Stellan Skarsgard em Gênio Indomável
  17. Laura Dern em O Céu de Outubro
  18. Peter O'Toole em Adeus, Mr Chips
  19. Glenn Ford em Sementes da Violência
  20. William Holden em Nascida Ontem
Não vou falar dos professores "malas" do cinema pois a lista seria interminável, por isso vou ficar só com os "gente boa". Agora me fala qual é a sua lista? Ou quem ficou de fora e você gostaria de incluir? Comente.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

18 de out. de 2008

Projeto Cinema no Caldeirão

Olá Amigos

Essa semana fomos homenageados no blog Letra Viva do Roig do meu amigo José Antonio Klaes Roig com uma postagem falando sobre o Projeto Cinema no Caldeirão intitulada "Cinema, educação e vida: Projeto Cinema no Caldeirão" . Como tenho dito as pessoas que visitam o Caldeirão de Idéias, como amante inveterado da sétima arte e da educação, juntar o útil ao agradável foi um passo fácil.

Tenho como grande referência no assunto o Profº João Luís Almeida Machado do Planeta Educação, onde indico a todos uma visita obrigatória para desfrutar do seu conteúdo maravilhoso. Como essa semana foi a semana do dia do professor e das crianças, o filme escolhido essa semana foi o "Clube do Imperador" com Kevin Kline.

O filme “O Clube do Imperador” nos coloca diante de um professor que persegue um sonho de forma abnegada. O sonho de transformar nossas crianças e jovens em pessoas que saibam o quanto é importante valorizar a vida, estimular o progresso, perceber o mundo em que vivem, amar o conhecimento, gostar de conviver com outras pessoas (e com as diferenças), enfim, crescer em busca da harmonia, do amor e da paz.

Tenho certeza que só isso já é suficiente para que você se interesse em saber mais e assista ao filme... Boa diversão!

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

11 de out. de 2008

Dando seqüencia ao Projeto Cinema no Caldeirão

Olá Amigos

Estamos novamente aqui postando outro filme fantástico para ser trabalhado na sala de aula. O filme em questão é Céu de Outubro, o filme além de mostrar a influencia de um bom professor na vida de um aluno, mostra que quantas vezes não vemos jovens abdicando de suas escolhas profissionais por conta de intervenções de seus pais.

Outro ponto legal do filme é o tal "elo social e familiar" que eu tenho falado aos meus alunos. Muitos de nossos alunos estão presos ao que eles chamam de destino ou carreira familiar: pai pedreiro, filho pedreiro, pai mecânico, filho mecânico, etc... e eu sempre pergunto a eles:

_ Pedreiro? hum... legal, mas por que não Engenheiro? Arquiteto?

Quantos não são os casos de garotos e garotas que escolheram uma determinada profissão por conta das possibilidades financeiras desse tipo de trabalho, abdicando da satisfação profissional de trabalhar numa área que lhes fosse mais interessante e prazerosa?

Que tipo de profissional surge numa situação em que a escolha profissional é orientada pelos pais ou por motivações como salários?

Eles acham que, ou perderam a capacidade de sonhar e isso no filme é bem legal ele sonhou construir foguetes e lutou por isso mesmo ficando contra o seu destino na mina de carvão.

Recomendo o filme com louvor, principalmente para, aqueles que assim como eu, os amante das exatas.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

3 de out. de 2008

Web 2.0 - Repensar, Ressignificar

Olá Amigos

A definição de Web 2.0 é "a rede no tempo de uma Sociedade da Autoria, onde cada internauta se torna (co)autor ou (co)produtor e compartilha - com os demais indivíduos imersos numa cibercultura – a sua produção. Assim, os internautas deixam de ser apenas leitores isolados ou tão somente coletores de informações; agora passam a colaborar na criação de grandes repositórios de informações".

Educar em tempos da convergência de mídia e da Web 2.0: ampliam-se os desafios aos professores. Os aplicativos e recursos que compõem o que se está chamando Web 2.0 deverão ter um impacto importante na escola que utiliza recursos da tecnologia digital. A escola, com estratégias para ensino e aprendizagem, estará onde estiver um computador com acesso à Internet. É o mesmo movimento que caracteriza o chamado escritório “on-line”.

Os potenciais impactos dos recursos da Web 2.0 não estarão limitados à educação on-line, na sala de aula virtual ou sala de bits. Eles poderão – ou deverão – estar também na educação chamada de presencial, na sala de aula de tijolos. Esses aplicativos quase certamente influenciarão profundamente com os ambientes de ensino presenciais – ou fechados, como alguns preferem denominar. Muitos deles já estão influenciando a vida dos alunos, fora da escola.

Muitos já estão sendo trazidos para dentro da escola recursos. É o caso de blogs, rss, escrita colaborativa, enciclopédias on-line e outros. Haveria uma forte tendência por ambientes colaborativos de aprendizagem, com a formação e incremento de redes, que de certa forma descentralizam os processos de ensino e aprendizagem, avançando sobre os muros da escola, ultrapassando-os, e criando uma nova dimensão para os tempos escolares. Conseqüentemente, os conteúdos a serem tratados, as possibilidades de interação, questões como a da autoria, individual e coletiva, a distinção público/privado deverão estar sendo (re)pensados pelos educadores.

Capacidade de análise crítica, a ética, os valores individuais e coletivos, a moral serão alguns dos elementos obrigatórios nesse “coquetel” que vai além das tecnologias do ciberespaço. Esse (re)pensar se articula a uma necessária ressignificação do que seria ensinar e aprender numa escola do século XXI

E existem ainda recursos que serão importantes na gestão na escola e no trabalho integrado de professores, que devem abandonar a solidão que tem sido uma marca forte de sua profissão.
Essa é uma visão perturbadora de como uma nova revolução da informática está redefinindo os negócios, a sociedade e a cultura.

A intransigência em relação a tudo quanto é novo é um dos piores defeitos do homem. E, inversamente, perceber a realidade pelos meios não convencionais é o que mais intensamente deveria ser buscado [nas escolas]. Porque isso é capacidade de invenção em estado puro: cultivar o devaneio, anotar seus sonhos, escrever poesias, criar imageticamente o roteiro de um filme que ainda vai ser filmado.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna