09/07/2009

Novos tempos, novos profissionais


Alexandre Mendes

Um assunto que gosto muito de conversar é sobre o impacto das novas tecnologias em nossas vidas, sobre o que estamos vivenciando no dia-a-dia e não nos damos conta, sobre a transposição de uma linha imaginária entre passado e futuro, bastando para isto ver como mudaram as comunicações e a sociedade, por exemplo. O mundo está mudando, ele diminuiu, e muitos conceitos mudaram, como o trabalho, o tempo e o espaço.

Neste ritmo rápido de mudanças, quantos nomes surgem em nossa mente: século XXI, Internet, relações comerciais diferenciadas, globalização, diferenciação, a "nova empresa" ou empresa “inteligente”, automatização, voz do Cliente.

Hoje vemos profissionais trabalhando sem o esquema tradicional de alocação e sim com tarefas a serem cumpridas, sem a obrigatoriedade de horários rígidos e dias previamente acordados. Este profissional trabalha em seu microcomputador, via Internet, em conjunto com outro colega de sua equipe, sem problemas de horário (fuso horário) e de local (um em cada país, por exemplo), desenvolvendo mais um projeto para a empresa.

O profissional agora precisa ter outra mente, postura e atitude, procurando o tal diferencial. Por outro lado a empresa quer um funcionário versátil, que compartilha o seu conhecimento pensando no todo. Agora eles passam a ser "sócios", ficando claro para ambos que existe uma forte dependência , que deverá ser tratada da melhor maneira. Hoje as empresas sabem que precisam gerenciar o seu ativo mais precioso e mais cobiçado - o conhecimento.

Há muito se investe em pesquisa do perfil do cliente, de forma a conquistá-lo seja através de ofertas, prêmios, descontos ou novos produtos. A empresa, ao ter em suas mãos informações do cliente, passa a tratá-lo como um valioso bem. Ela quer retê-lo o maior tempo possível e sabe que isto não é das tarefas mais fáceis. O importante agora não são só os dados pessoais, mas também seus gostos, preferências e estilo. É preciso conhecê-lo, surpreendê-lo, conquistá-lo.

Mas afinal, o que é conhecimento? Pelo o que vimos até agora, fica claro que ele toma importante papel na Organização e o momento atual é de criar, descobrir, pesquisar. Mas como lapidar tal "diamante"? Como transformar informação em conhecimento? Como disponibilizar este conhecimento de forma que um outro indivíduo possa facilmente acessá-lo? Podemos separar informação e indivíduo?

Até!

Fonte: http://imasters.uol.com.br/artigo/3684/tendencias/novos_tempos_novos_profissionais/

07/07/2009

Hiperinflação de conteúdo: e se a gente não aguentar mais?


Ana Amélia Erthal

Imagine que não aguentamos mais conviver com tanto conteúdo, que nossa atenção ficou tão reduzida que não conseguimos mais nos concentrar em nada com profundidade, que os estímulos nos interrompendo a todo instante em tantas mídias diferentes eram tantos que ... não conseguimos ler os jornais, acompanhar os twitts, ver os filmes na TV, não respondemos e-mails, não olhamos nossos blogs e portais favoritos, não acompanhamos as séries, não damos mais conta de tanta informação... e, por fim, não resistimos à cultura contemporânea do excesso.

Se esse cenário existisse, a primeira providência seria banir o direito da leitura. Sim, porque afinal de contas, ler faz mal. Ou como diz o nosso caríssimo presidente Lula, "ler dá azia". Claro que tudo isso é uma brincadeira, mas serve pra gente pensar mais um pouco sobre a Era do Excesso de informação, que já esteve nessa coluna algumas vezes.

O filme Fahrenheit 451 faz uma leitura bem legal e mostra exatamente esse cenário em que a leitura é proibida. Ele foi adaptado do livro de Ray Bradbury e conta a história de um tempo no futuro em que o trabalho dos bombeiros era destruir livros. As pessoas "deduram" as outras e os bombeiros vão até as casas, procuram os livros proibidos, juntam tudo e depois incendeiam. Em vez de apagar, os "firemen" acendem o fogo, já é bem curioso. O filme tem esse nome porque é essa a temperatura em que o papel queima e embora seja antigo, tem um roteiro bem inteligente. É engraçado ver a revista/ jornal que mais parece um quadrinho, mas sem nenhuma letra, aliás, não há inscrição nenhuma em todo o filme, a não ser nos livros proibidos.

Outra passagem muito legal é a do comandante dos bombeiros explicando para o operador de lança-chamas porque é que os livros são perigosos para a mente humana e como eles nos tornam diferentes um dos outros. Para efeito de análise, podemos aplicar esse conceito dele para as outras mídias e conteúdos também: como nos diferenciamos por eles?

Eu preparei uma pequena edição de quatro minutos. Na primeira parte há o ritual de queimar livros e na segunda, o discurso do comandante, veja:

Fahrenheit 451

Então, o que achou? Se quiser saber mais sobre cultura do excesso, leia também esse artigo no blog do Encontro de 2 Mundos.

Up the Webwriters!

Fonte: http://imasters.uol.com.br/artigo/13217/webwriting/hiperinflacao_de_conteudo_e_se_a_gente_nao_aguentar_mais/

06/07/2009

Eu vi o Homem na Lua: 40 anos

Olá Amigos

Já fazem 40 anos desde aquele dia em que vi um montão de pessoas na sala da minha casa. Perguntei ao meu pai o que estava acontecendo e ele falou:

- Meu filho o que está acontecendo é história. O homem chegou a lua.

Apollo 11 astronaut Edwin Buzz Aldrin, Jr., the lunar module pilot of the first lunar landing mission, stands on the surface of the moon.
NASA/Newsmakers/Getty Images

Parei e fiquei olhando ali meio incrédulo, pois como o homem pode ir a lua, mas os meus olhos me mostravam que sim. Desde então acalentei o sonho de ser um astronauta, alias sonho de qualquer garoto na infância. Usar aquela roupa maneira, viajar de foguete (ou funete, né mãe?) e poder ir a onde ninguém mais foi.

Apollo 11 lifted off aboard the powerful Saturn V rocket.
Ralph Morse/Time Life Pictures/Getty Images

Em 20 de julho de 1969, aparelhos de televisão em todo o mundo transmitiram a mesma imagem indistinta: Neil Armstrong descendo a escada do Módulo de Pouso Lunar Eagle e tocando a superfície da Lua com sua bota. A frase dele, "um pequeno passo para um homem, um salto imenso para a humanidade", tornou-se uma das mais conhecidas na história. O famoso pouso foi um final triunfante para a corrida espacial.

The lunar landing module Eagle descends onto the surface of the moon, carrying Apollo 11 astronauts Buzz Aldrin and Neil Armstrong.
MPI/Getty Images

Mas aquele momento histórico na superfície da lua foi resultado de muitos anos de esforços dos programas espaciais norte-americano e soviético. Os astronautas que primeiro desceram à superfície da Lua tiveram de viajar 383 mil quilômetros para chegar ao seu destino, sobreviver ao severo ambiente lunar e voltar para casa são e salvo. Não foi uma tarefa fácil.

Virgil I. Grissom, Edward White and Roger Chaffee were killed in a fire inside a practice module for the aborted Apollo 1 mission at Cape Kennedy, Florida.
MPI/Getty Images

Até hoje, apenas 12 pessoas - todas homens e todas integrantes do programa espacial dos Estados Unidos - caminharam na Lua. Mesmo com toda a tecnologia do século 21, a profissão de astronauta ainda é conhecida como carreira para poucos e destemidos bravos. Mas se os astronautas de hoje podem ser considerados homens corajosos, o que dizer daqueles que sem qualquer garantia de sobrevivência, e a troco de quase nenhum dinheiro, deram os primeiros passos da humanidade rumo ao espaço na década de 40?

Os Eleitos - Ed. Especial (DVD Duplo)

Outra emoção sobre o pouso do homem na lua foi o filme "Os Eleitos" (1983) de Philip Kaufman (A Insustentável Leveza do Ser). O filme conta sobre o épico e glorioso sonho americano de conquistar os céus e viajar pelo espaço. Esse sonho também é um marco cinematrográfico que mostra um audacioso piloto de testes, sete valentes astronautas em uma brilhante jornada de heroísmo: Os Eleitos, o espetacular filme de Phillip Kaufman baseado na obra de Tom Wolfe.

http://static.hsw.com.br/gif/homem-na-lua-bg-top.jpg

Vencedor de 4 Oscar, Os Eleitos narra a história do pioneiro programa Mercury e seus astronautas: nomes como Shepard, Grissom, Glenn, Carpenter, Schirra, Cooper e Slayton, os primeiros americanos a viajarem com suas primitivas naves espaciais rumo a uma nova fronteira.

http://static.hsw.com.br/gif/homem-na-lua-bg-bottom.jpg

Antes deles, porém, os livros de histórias falam sobre o lendário Chuck Yeagar, o homem que muito antes das luzes da fama se voltarem para os "espaçonautas", se tornou o primeiro homem a quebrar a barreira do som pilotando o admirável X-1. Sam Shepard (como Yeager), Dennis Quaid, Barbara Hershey, Fred Ward e muitos outros, fazem desta divertida e arrebatadora saga humana, algo tocante e envolvente. Os Eleitos é um entretenimento emocionante, em todos os seus preciosos momentos.

full moon
NASA/Photodisc/Getty Images

A cena deles caminhando todos juntos dentro do galpão é uma das mais bonitas já filmadas. Assista o trailer do filme e depois corra para locadora.



Isso mostra o tão importantes são os sonhos. Eles devem ser sempre alimentados. O mundo é de quem sonha, acredita e realiza.

Mas tem uma coisa que eu gostaria muito de saber:

O que você estava fazendo nesse dia?

Me conte a sua história.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

04/07/2009

Mais Uma Vez ... Prêmio TOP BLOG

Olá Amigos

É com enorme satisfação que venho pedir aos amigos mais uma vez a colaboração e o envolvimento de todos na eleição do Caldeirão de Ideias como o Melhor Blog Corporativo de 2009 no segmento Tecnologia. Ele esta selecionado entre os melhores 100 blogs do Brasil como vocês podem conferir aqui , ele esta lá bem no final da pagina.

Para votar e fácil basta apenas nome e email. Você pode acessar a pagina de votação clicando no selo ao lado da pagina do Caldeirão de Ideias ou clicar aqui para votar e só clicar no botão "votar nesse blog".

Mais corra a votação vai até 10/08/2009, por isso vote e peça muitos votos para o Caldeirão de Ideias.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

03/07/2009

Adedanha on line

Olá Amigos

Hoje a dica é da minha amiga Larissa Lopes, filha da minha irmanzinha Lú Lopes, pois afinal filho de peixe, peixinho é ou será que filha de sereia, sereia é. Ela me indicou um site em que é possível jogar adedanha on line. Lembra daquele jogo que ficávamos jogando com folhas de caderno? E galera agora pode ser jogado on line e é muito fácil jogar.


Para quem não se lembra Adedanha era (ou é) um jogo muito popular no Brasil, conhecido também como Adedonha. A princípio devem ser escolhidos temas para o jogo, que posteriormente servirão como base para a dinâmica do jogo. Exemplos de temas são: Nome, Cor, Animal, entre outros. Uma vez com os temas definidos, será sorteada uma letra entre os jogadores e inicia-se uma rodada.

Todos devem responder cada tema com a letra sorteada no início da resposta. Aquele que responder todos os temas primeiro, aciona "Stop!", fazendo com que todos os outros jogadores parem de responder no exato momento. A validade da resposta para cada tema é conferida, atribuindo-se 0 pontos para uma resposta inválida, 5 para uma resposta válida repetida e 10 para uma resposta válida única.

O processo é repetido até atingir um número de rodadas específico. Para jogar é só clicar na imagem acima ou ir ao site do Stopots (http://www.stopots.com.br/) e diverti-se.

Agora imagina o pessoal de língua portuguesa com isso na mão, grandes possibilidades.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

TIC - Muita gente está comentando, mas você sabe o que é?


Alexandre Mendes

Estamos agora tratando das TICs, tão faladas nestes tempos. Vamos comentar seus conceitos, sua utilização e do seu futuro. Espero que vocês gostem.

Coloquem comentários ou notas no artigo ou fale direto conosco, via e-mail. Então, vamos lá...

TIC - Conceitos

TIC é a abreviação de "Tecnologia da Informação e Comunicação". Pesquisando nas várias definições existentes em livros, textos, Internet, revistas, etc., podemos dizer que TIC é um conjunto de recursos tecnológicos que, se estiverem integrados entre si, podem proporcionar a automação e/ou a comunicação de vários tipos de processos existentes nos negócios, no ensino e na pesquisa científica, na área bancária e financeira, etc. Ou seja, são tecnologias usadas para reunir, distribuir e compartilhar informações, como exemplo: sites da Web, equipamentos de informática (hardware e software), telefonia, quiosques de informação e balcões de serviços automatizados.

Estamos presenciando, já há alguns anos, o uso intenso da Internet por todos os segmentos da sociedade e isto esta fazendo com que inúmeras áreas sofram mudanças radicais em termos como inovação, criatividade, produtividade e conhecimento, por exemplo, estão forçando a procura de novas formas para aplicações tradicionais da área financeira, bancária, educação, segurança, transportes, engenharia, comércio, etc.

Outra área de crescimento do uso de TICs é a dos gestores públicos, nos seus processos administrativos, pois permite transparência e beneficia toda a sociedade. É o surgimento do governo eletrônico, o chamado "e-gov".

Utilização das TICs

Por exemplo, a área da educação pode usufruir as TICs dando pulos de qualidade e criatividade, tudo em nome de uma nova maneira de ver este "mundo" e isto irá fortalecer desde a educação básica às pesquisas científicas, passando pelo ensino à distância (EAD).

Um bom exemplo disso é que as TICs permitem que se ofereça grande quantidade de cursos variados a pessoas em áreas longínquas, principalmente aquelas desprovidas de bons colégios ou faculdades. Ou seja, através do uso de meios eletrônicos para gravação e transmissão de conteúdos educacionais, vários segmentos podem ser beneficiados. Assim, é esperado um aumento da oferta de aprendizado, independente de locais e de horários fixos, ou seja, permitindo se estudar em casa, em uma biblioteca ou até mesmo no local de trabalho no horário mais conveniente ao aluno.

Temos acompanhado o desenvolvimento e o sucesso desta nova modalidade educacional em vários países, que está gerando enormes quantidades de informações na forma digital, com grande potencial de aproveitamento e reutilização. Isto quer dizer que ela propiciará também, em um futuro não muito distante, que instituições de locais geográficos distantes, mas que tenham objetivos e interesses em comum, possam usufruir os mesmos recursos educacionais. Por que não?

Podemos pensar também em planejar grupos de estudos que trabalhem de forma "colaborativa", mesmo estando localizados geograficamente distantes um do outro, mas participando de trabalhos, como se estivessem todos em um ambiente de rede dentro de uma mesma sala de aula.

Conclusão

Penso que, para que as TICs tenham grande participação na sociedade e obtenha sucesso, seja necessário rever, repensar e mudar os modelos que formam a base da educação, em todos os seus níveis, alinhando-os a um mundo moderno, novo, rápido e exigente. E mais, mudar atitudes e concepções.

O cotidiano escolar e a aprendizagem dos alunos são fatores importantes que devem ser levados em consideração no uso justo e correto das TICs. As inúmeras situações em que usamos estas tecnologias devem ser motivos de questionamentos e reflexão sobre quais são as reais contribuições que elas estão trazendo ou de que forma elas podem influenciar na evolução destes processos educacionais.

É esperado um aumento nos programas de formação, tanto de educadores quanto de gestores escolares, incorporando as TICs na escola, fazendo com que tenham contacto permanente com os processos envolvidos, conheçam as inúmeras possibilidades da utilização destas tecnologias no ensino, mudando toda a organização da escola.

Devemos incentivar o desenvolvimento de metodologias de formação voltada para o contexto das escolas, repensar teorias e modelos e principalmente interagir com todos os participantes desta "rede", de forma que se mudem as formas de aprender com esta tão especial tecnologia. Afinal integrar não é somente utilizar estas diversas mídias em conjunto com as atividades dos alunos e sim agrupar os objetivos didáticos existentes `a estas mídias, desenvolvendo novos aprendizados, construindo uma experiência rica e consistente.

Até a próxima...

Fonte: http://imasters.uol.com.br/artigo/8278

02/07/2009

Vídeo aprende a aprender

O vídeo trata da incessante busca pelo conhecimento, por novos conhecimentos advindos através da experimentação de errros e acertos, da persistência, de superação dos medos diante de novas formas de aprendizado. Assim, o saber adquirido, quando construído num ambiente colaborativo, torna-se mais estimulante e desafiador e por fim, torna-se um conhecimento, que paulatinamente vai se solidificando ao mesmo tempo em que encontra-se em permanente construção, ou seja, conceitos que aos serem experimentados várias vezes e comprovada a sua eficácia vão se solidificando enquanto outros ainda vão sendo testados, num constante processo construtivo de novos saberes diante de novos desafios e o resultado, como apresenta o vídeo, numa luminosidade interior, na luz do conhecimento agora parte integrante do ser que se propõe a desafios, quer seja em seu trabalho, em sua família, em seu próprio íntimo.

Eis um grande desafio para a Educação, para os profissionais realmente envolvidos no desejo de contribuir para uma geração de cidadãos capazes de refletir, experimentar, errar e aprender com os erros, criticar com autenticidade. Enfim, a sociedade tem esse papel fundamental, o de contribuir para que essa geração exista. E no âmbito educacional, tem-se a oportunidade de ver, sentir alunos como sementes diversificadas, que, com o devido cuidado, e sobretudo se podadas na medida e tempo certos, acompanhadas em seu processo de evolução e crescimento, darão certamente bons frutos, mas caso sejam abandonadas a sua própria sorte, resultarão no incerto, não darão frutos como as bem cuidadas ou pior ainda, tornar-se-ão ervas daninhas na sociedade.

Que cada um de nós tenha consciência de quão grande é o papel do educador diante das sementes lançadas em suas salas de aula a cada ano letivo... e que cuide, com carinho, com as mãos de delicado jardineiro, dessa fantástica possibilidade de mudar o ambiente escolar de forma positiva e paulatina. Cada gesto reflete no outro uma reação. Que os gestos dos educadores sejam com o olhar na colheita de cidadãos na literalidade do termo, únicos, preciosos, que um dia foram sementes em boas mãos e bons cuidados.

Nas palavras de Khalil Gibran, " as flores desabrocham para continuar a viver, pois reter é perecer".

Essa postagem foi retirada do Blog Tecnologias na Educação da minha irmanzinha Lu Lopes ( http://twitter.com/llulopes ), que tá iniciando com o mundo dos blogs. Vamos prestigiar.

Fonte: http://llucienellopes.blogspot.com/2009/06/video-aprende-aprender.html

01/07/2009

As Tecnologias de Informação e Comunicação na escola e os Centros de Recursos Educativos. Algumas reflexões.


Leonel Melo Rosa (Universidade Aberta)

Comunicação apresentada no painel “Centro de Recursos: um espaço de aprendizagens múltiplas”, II Encontro de Nacional de Centros de Recursos Educativos, Escola Secundária Emídio Navarro,

Almada, 28 de Outubro de 1999.

1- Introdução

Com a enorme influência das TIC sobre os meios de produção e comunicação, a escola precisa absolutamente de as integrar se não quer ficar definitivamente isolada. Porém, não podemos ser ingénuos ao ponto de pensar que as TIC poderão ser a panaceia para uma escola em crise, pois elas não passam de ferramentas de ensino e, como tal, tanto podem ser usadas para novas práticas pedagógicas baseadas nas pedagogias activas, centradas no aluno, como podem servir apenas para transmitir conhecimentos, seguindo um modelo tradicional, em que o professor e os conteúdos programáticos ocupam o centro do processo educativo.

Como diz Jacques Tardif, “o desenvolvimento exponencial das TIC, assim como a sua força, impedirão que a escola as trate com ligeireza e duma maneira superficial, exigindo reflexões sérias sobre as modalidades e o grau de integração (Tardif, 1998)” (1) .

2- As TIC e a “Educação para os Media”

Sou dos que acreditam que a “educação para os media” está intimamente ligada à integração das TIC na educação, pelo que gostaria de partilhar algumas reflexões.

Como diz René de la Borderie “saber informar-se e compreender os mecanismos de produção e de difusão da informação exige uma formação específica a que se convencionou chamar educação para os media”. Esta consiste na “aprendizagem dos mecanismos de funcionamento dos media, sobretudo aquele que mais influencia os jovens - a televisão - e deveria constituir uma das prioridades da nossa prática pedagógica (Borderie, 1997)” (2) .

Em todas as disciplinas, deveria ser implementada uma prática transversal da educação para os media, duma forma planeada, ampla e sistemática, do mesmo modo que deveria haver uma prática transversal da educação para o ambiente e da educação para a cidadania.

Todos os alunos de todos os níveis de ensino deveriam ser abrangidos por uma educação para os media pois, “se acreditamos que a educação para os media constitui uma das condições para a formação do espírito crítico e para o desenvolvimento da autonomia no mundo da comunicação, então é preciso que ela comece a ser realizada desde os primeiros anos de escolaridade (Borderie, 1997) (3) ”.

O mesmo se passa em relação às TIC. A sua integração deve ser feita logo no ensino pré-escolar. Para as crianças destas idades, o CD-ROM, por exemplo, pode contribuir decisivamente para o desenvolvimento das capacidades de observação e reflexão, de coordenação psico-motora ou para o despertar dos sentidos. As potencialidades do multimédia tornam-no um instrumento quase insuperável já que reúne em simultâneo a imagem, a cor, o som e ainda todos os efeitos visuais e sonoros que conseguem prender a atenção da criança. Porém, há que ter cuidado com “as ambiguidades do ludo-educativo” (Carrier, 1997) (4) , etiqueta frequentemente usada pelo marketing para atrair as crianças (ludo) e os pais (educativo) e que muitas vezes tem muito do primeiro e pouco do segundo.

Para uma maior eficácia da educação para os media, deverá haver uma coordenação entre os centros de recursos educativos, centros de documentação, bibliotecas, mediatecas (caso não estejam todos reunidos em apenas um centro de recursos), clubes, todos devidamente articulados com as estruturas directivas da escola (sobretudo na sua vertente pedagógica) de modo a que todas as acções desenvolvidas estejam devidamente integradas no Projecto Educativo da Escola.

3- Novas aprendizagens – novas práticas pedagógicas

3-1. As potencialidades pedagógicas das TIC

As práticas pedagógicas que utilizam as TIC duma forma planeada e sistemática permitem:

- o desenvolvimento de uma competência de trabalho em autonomia (fundamental ao longo da vida), já que os alunos podem dispor, desde muito novos, de uma enorme variedade de ferramentas de investigação. “Se é verdade que nenhuma tecnologia poderá jamais transformar a realidade do sistema educativo, as tecnologias de informação e comunicação trazem dentro de si uma nova possibilidade: a de poder confiar realmente a todos os alunos a responsabilidade das suas aprendizagens (Carrier, J.-P., 1998)” (5) .

- um acesso à informação com rapidez e facilidade (um dos seus principais trunfos);

- uma prática de confrontação, verificação, organização, selecção e estruturação, já que as informações não estão apenas numa fonte. As inúmeras informações disponíveis não significarão nada se o utilizador não for capaz de as verificar e de as confrontar para depois as seleccionar. A recolha de informações sem limite pode muito bem provocar apenas uma simples acumulação de saberes.

- o desenvolvimento das competências de análise e de reflexão.

- a abertura ao mundo e disponibilidade para conhecer e compreender outras culturas;

- a organização do seu pensamento;

- o trabalho em simultâneo com um ou mais colegas situados em diferentes pontos do planeta.

- a criação de sites (em colaboração com os colegas e professores da sua ou de outras escolas), a qual vai permitir que os alunos realizem:

- um trabalho de estruturação das suas ideias;

- uma organização espacial;

- uma apresentação com cuidados estéticos;

- um trabalho de descrição e apresentação que proporcionará uma pesquisa histórica, geográfica e cultural sobre a escola, o local e a região onde habitam e estudam;

- um registo de sons e imagens (fotografia e vídeo);

- uma tradução em várias línguas.

Todas estas actividades pressupõem um profundo trabalho de interdisciplinaridade cujo espaço de realização pode ser o CRE.

3-2. O papel dos CRE

Do que ficou dito atrás sobre as potencialidades pedagógicas das TIC, é fácil concluir que os CRE podem criar as condições para proporcionar que as TIC se tornem de facto numa ferramenta que contribua para práticas pedagógicas inovadoras.

A ausência de um programa escolar limitador e de momentos periódicos de avaliação e a possibilidade de uma relação mais informal entre o professor responsável pelo CRE e o aluno constituem algumas das vantagens dos CRE. Todas estas condições permitem pôr em prática com mais facilidade do que na sala de aula todas as actividades atrás indicadas. Para além das actividades já sugeridas, os CRE podem ainda desenvolver outras actividades:

É no CRE que estão reunidos, analisados e postos à disposição da comunidade escolar todos os documentos em suportes variados (verbais, icónicos, ou gráficos). Pôr estes recursos à disposição dos intervenientes no processo educativo implica que o aluno seja ajudado na sua utilização. ”Só temos boas razões para pensar que o CRE é, na escola, um laboratório de comunicação onde as imagens e os média constituem não só uma fonte pedagógica para os trabalhos na sala de aula mas também um objecto de estudo, condição essencial para uma utilização correcta como meio de ensino e de aprendizagem (Borderie, 1997) (6) ”.

1- É indispensável uma formação técnica nos campos a) das ferramentas de navegação; b) do tratamento de texto; c) da recolha de dados.

2- A formação do aluno para uma pesquisa documental multimédia implica também uma formação no campo da “construção de saberes” (Carrier; Lafage 1997) (7) . Para isso, o aluno deve aprender a:

- construir uma pesquisa a fim de obter documentos pertinentes;

- organizar e relacionar os documentos recolhidos;

- verificar a origem dos documentos;

- formular opiniões críticas;

- confrontar estas informações com as de outras fontes;

- realizar um documento de síntese.

É claro que neste trabalho de formação do aluno, o professor tem um papel decisivo. No CRE, mas também na sala de aula equipada com as TIC, cabe ao professor:

- orientar o aluno, dando-lhe pistas e objectivos concretos;

- estabelecer com o aluno uma relação baseada na confiança, no conselho e no acompanhamento;

- propor o reforço de certas noções abordadas nas aulas;

- propor a realização de projectos de investigação documental informatizada, para desenvolver a sua motivação, associar o domínio de ferramentas informáticas à procura de informações precisas, e finalmente, melhorar a sua competência de leitura.

- abordar projectos baseados na análise crítica e comparativa dos media (televisão, imprensa e Internet) de parceria com os professores de cada disciplina.

A confrontação de suportes diversos, tais como os documentos obtidos na Internet, artigos da imprensa, livros e outros documentos, permite ao aluno escolher em função da sua pesquisa, o documento que lhe parece mais adaptado. Porém, a tarefa do aluno torna-se cada vez mais complexa, com tanta variedade de fontes de informação. Por isso, uma ideia é propor-lhe a comparação dos vários suportes tendo em conta critérios de rapidez de acesso à informação, riqueza do conteúdo e validade das informações, o que lhe permitirá desenvolver o seu espírito crítico.


Além de contribuir para formação dos alunos, o CRE também pode (e deve) ser um espaço privilegiado para a formação de professores. Para que os professores deixem de “ter vergonha” (8) de utilizar as TIC, devem aproveitar os CRE para efectuarem a sua formação quer em acções de formação quer com uma prática sistemática, que poderá ser apoiada pelo(s) professor(es) responsável(eis) pelo CRE e, porque não, pelos próprios alunos.

Conclusão

Como ficou claro, a integração das TIC nos processos de aprendizagem pode constituir um factor de inovação pedagógica, proporcionando novas modalidades de trabalho na escola. Porém, a escola tem de acompanhar as transformações sociais. A escola, por natureza lenta, analítica e virada para o passado, tem de ser capaz de se tornar mais atraente, diminuindo o fosso que a separa do mundo exterior onde o aluno vai absorver grande parte das informações que lhe interessam. Cabe à escola transformar-se de simples transmissora de conhecimentos em organizadora de aprendizagens e reconhecer que já não detém o monopólio da transmissão dos saberes, proporcionando ao aluno os meios necessários para aprender a obter a informação, para construir o conhecimento e adquirir competências, desenvolvendo simultaneamente o espírito crítico.

Para possibilitar um acesso igual à informação, a escola tem de conseguir combater as desigualdades existentes à partida, dando a todos os alunos “a possibilidade de recolherem, seleccionarem, ordenarem, gerirem e utilizarem essa mesma informação” (9) .

O simples fornecimento de equipamento informático às escolas não contribui automaticamente para atingir este objectivo.

Tal como aconteceu, em muitos casos, com a utilização pedagógica do audiovisual, se não forem preenchidas certas condições, a integração das TIC no sistema educativo poderá mesmo contribuir para agravar as desigualdades sociais. E, entre outras, essas condições são:

- uma correcta e actualizada formação dos professores;

- uma utilização das TIC devidamente planeada, inserida numa ampla estratégia educativa centrada no aluno;

- uma transformação da atitude da escola (e dos professores).

Esta transformação vai exigir que os professores reconheçam que já não são os detentores da transmissão de saberes e aceitem que as novas gerações têm outros modos de aprendizagem, baseados em estruturas não lineares, completamente diferentes da estrutura sequencial em que assentam os saberes livrescos tradicionais.

Além desta inevitável mudança de atitude da parte da escola (e dos professores), termino com as palavras de Geneviève Jacquinot: “Os media só podem servir de fonte de acesso ao conhecimento se forem integrados, dentro ou fora da escola, no quadro de um projecto ou de uma metodologia. (…) É urgente definir uma nova função da escola na sociedade actual. A questão mais importante é a de saber como vamos fazer uma educação democrática para todos ou, pelo menos, para uma maioria. (…) Devemos construir um discurso sobre a nova função da escola na sociedade tecnológica e criar práticas novas. Uma “educação para os media” bem controlada, exigente, pode ajudar-nos muito nessa tarefa (Jacquinot, 1995)” (10) .

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Notas

(1) Tardif, Jacques (1998) Intégrer les nouvelles technologies de l'information. Quel cadre pédagogique?, Paris, ESF.

(2) Borderie, René de la (1997) Education à l’image et aux médias, Paris, Nathan.

(3) Borderie, René de la, op. cit.

(4) Carrier, Jean-Pierre (1997)”Les cédéroms dans le biberon : le multimédia et l’éveil des tous-petits.”, Apprendre avec le multimédia. Où en est-on?, Paris : Retz, CEMEA , p. 69.

(5) Carrier, Jean-Pierre (1998) “S’informer et communiquer”, Vers l’Education Nouvelle, nº 487, 7.

(6) Borderie, René de la, op. cit.

(7) Carrier, Claire; Lafage, Claire ”Le CDI à l’heure du multimédia”, Apprendre avec le multimédia. Où en est-on?, Paris, Retz, pp 39-41.

(8) Um estudo recente efectuado pela Universidade de Aveiro, revela que a principal dificuldade dos professores na utilização das TIC em ambiente escolar é a “vergonha”. Vergonha de demonstrar perante os alunos a escassa habilidade no uso de computadores e afins. A amostra deste estudo foram 101 professores no distrito de Aveiro, dos quais apenas um tinha usado o computador para “navegar “ na Internet, sendo que os restantes só usavam computadores para tarefas administrativas. (In Correio da Educação, nº 14, 18/10/99, p. 4.)

(9) Livro Verde da Sociedade da Informação , Ministério da Ciência e Tecnologia.

(10) Jacquinot, Geneviève (1995) “De la nécessité de rénover l’éducation aux médias”, revue Communication, 16, Québec, Univ. Laval.



Referências bibliográficas


BARON, G.-L., BAUDÉ, J., LA PASSARDIÈRE, B. (eds.) (1993) Hypermédias et Apprentissages, AEPI, CUEEP Univ. Lille I, INRP.

BORDERIE, R. de la (1997) Education à l’image et aux médias, Paris, Nathan.

BRAUN, G. (1997) “Ce qu’il ne faut pas attendre du multimédia dans l’enseignement”, Apprendre avec le multimédia. Où en est-on?, Paris, Retz, p. 145-155.

CÁDIMA, F.R. (1999) Desafios dos Novos Media, Lisboa, Editorial Notícias.

CARRIER, C. LAFAGE, C. (1997) ”Le CDI à l’heure du multimédia”, Apprendre avec le multimédia. Où en est-on?, Paris, Retz, p. 39-50.

CARRIER, J.-P. (1997)”Les cédéroms dans le biberon : le multimédia et l’éveil des tous-petits.”, Apprendre avec le multimédia. Où en est-on?, Paris : Retz, p. 61-70.

CARRIER, J.-P. (1998) “Les enjeux pour l’école”, Vers l'Éducation Nouvelle, nº 487, p. 5-7.

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Fonte: http://www.univ-ab.pt/~porto/textos/Leonel/Pessoal/tic_cre.htm