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24 de jun. de 2009

O Mais é Nada

“Navegue, descubra tesouros, mas não os tire do fundo do mar, o lugar deles é lá.
Admire a lua, sonhe com ela, mas não queira trazê-la para a terra.
Curta o sol, se deixe acariciar por ele, mas lembre-se que o seu calor é para todos.
Sonhe com as estrelas, apenas sonhe, elas só podem brilhar no céu.
Não tente deter o vento, ele precisa correr por toda parte, ele tem pressa de chegar sabe-se lá onde.
Não apare a chuva, ela quer cair e molhar muitos rostos, não pode molhar só o seu.
As lágrimas? Não as seque, elas precisam correr na minha, na sua, em todas as faces.
O sorriso! Esse você deve segurar, não deixe-o ir embora, agarre-o!
Quem você ama? Guarde dentro de um porta jóias, tranque, perca a chave!
Quem você ama é a maior jóia que você possui, a mais valiosa.

Não importa se a estação do ano muda, se o século vira e se o milênio é outro, se a idade aumenta; conserve a vontade de viver, não se chega à parte alguma sem ela.

Abra todas as janelas que encontrar e as portas também.
Persiga um sonho, mas não deixe ele viver sozinho.
Alimente sua alma com amor, cure suas feridas com carinho.
Descubra-se todos os dias, deixe-se levar pelas vontades, mas não enlouqueça por elas.

Procure, sempre procure o fim de uma história, seja ela qual for.
Dê um sorriso para quem esqueceu como se faz isso.
Acelere seus pensamentos, mas não permita que eles te consumam.
Olhe para o lado, alguém precisa de você.
Abasteça seu coração de fé, não a perca nunca.
Mergulhe de cabeça nos seus desejos e satisfaça-os.
Agonize de dor por um amigo, só saia dessa agonia se conseguir tirá-lo também.
Procure os seus caminhos, mas não magoe ninguém nessa procura.
Arrependa-se, volte atrás, peça perdão!
Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.

Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se achá-lo, segure-o!
“Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala. O mais é nada”.

(Fernando Pessoa)

2 de jun. de 2009

A escola "daquele tempo"

Antônio Gois

É muito comum ouvir alguém com mais de 40 anos dizer, com tom nostálgico, que a escola pública "do meu tempo" tinha qualidade, que os professores ensinavam para valer, que os alunos tinham disciplina ou que as escolas particulares eram uma opção apenas para os alunos mais fracos.

Muitas dessas afirmações são verdadeiras, outras exageradas. O fato é que não se pode comparar a escola pública de hoje e a "daquele tempo" sem levar em conta que, no passado, essa escola era para poucos.

Uma pesquisa divulgada nesta semana pelo IBGE (www.ibge.gov.br) dá bem uma noção de como a escola pública era um privilégio de poucos no passado.

Segundo o IBGE, em 1940, o Brasil tinha 3,3 milhões de estudantes no primário, secundário e técnico (equivalentes hoje ao ensino fundamental e médio). O número de brasileiros em idade para estudar em um desses níveis de ensino, no entanto, era muito maior: 15,5 milhões de pessoas de 5 a 19 anos de idade.

Isso significa que os estudantes efetivamente na escola representavam apenas 21% da população em idade escolar. Em 1960, essa porcentagem subiu para 31%, mas continuou muito baixa. Somente em 1998 o país chegou próximo de ter todos os jovens e crianças na escola: 86%.

Para não ficar só nos números, qualquer pessoa pode comparar o elitismo da escola pública no passado comparando fotos. Reparem só como as fotos de escolas públicas do passado apresentam apenas crianças de cor branca, bem vestidas, com uniformes impecáveis.

Hoje, felizmente, a escola pública, pelo menos no ensino fundamental, se massificou. Nela, há pobres, pretos, filhos de analfabetos, enfim, crianças que não encontravam lugar na escola "daquele tempo".

Apesar de não haver estatísticas que possam comprovar essa tese, é bem provável que a escola pública tenha mesmo perdido qualidade. Isso aconteceu quando ela teve que abrir as portas para a população mais pobre. Quando ficou democrática, do ponto de vista do acesso, ela perdeu também em qualidade.

Hoje, o grande desafio é garantir qualidade para todos. Impedir, por exemplo, que as crianças cheguem à quarta série sem saber ler e escrever. E antes que alguém coloque a culpa no sistema de ciclos (onde não há reprovação todo ano), vale dizer que ele existe apenas a partir da década de 90 e representa existe em pouco mais de 10% do total de escolas. Nossas crianças não estão aprendendo, seja em ciclos, seja em sistemas seriados, seja em qualquer outro sistema que tenha sido massificado.

A comparação com o passado é desejável quando se acredita que é possível voltar a ter qualidade na escola pública. É preciso tomar cuidado, no entanto, para não deixar de considerar que estamos comparando duas escolas bem diferentes. Uma que, no passado, atendia aos ricos e outra que, atualmente, atende a todos.

Para resumir, eu simplificaria a questão dizendo que nosso sistema público melhorou muito porque passou a atender a todos, mas falhou ao não conseguir manter para esses novos estudantes a mesma qualidade do ensino que dava aos filhos da elite no passado.

Nota sobre o autor: Antônio Gois é repórter da Folha de S.Paulo.

Fonte: http://www2.uol.com.br/aprendiz/n_colunas/a_gois/index.htm

11 de mar. de 2009

Projeto Hoje é Dia de Poesia - 11/03


Olá Amigos

O poema escolhido hoje para o Projeto Hoje é Dia de Poesia é o poema Palíndromo Amoroso do meu querido amigo José Antônio Klaes Roig editor dos blogs Letra Viva do Roig, ControlVerso , GPS - Global Poets Society, Olhar Virtual, Rápido Movimento do Olhar (REM), RPG - Role Poetic Games e do Xadrez Literário , autor do Livro Realidade Virtual, que recomendo com louvor a leitura, advogado, professor, mestrando, pai, marido e servidor público. O cara consegue estar em mil projetos ao mesmo tempo. Desconfio eu que ele inventou a máquina do hiperlink pra ele.

O poema por ser de construção simples, mas mensagem universal, sem falar que é criado a partir da figura chamada palíndromo, que é uma frase que pode ser lida do inicio por fim e vice-versa. Algum professor de língua portuguesa poderia trabalhar com essa questão. O poema original se encontra em http://rapido-olhar.blogspot.com/2009/01/palndromo-amoroso.html.

O curioso desse poema, é que a ideia surgiu por acaso, nada intencional. Surgiu de uma conversa entre duas pessoas que estavam proximas a ele e falavam sobre como viver junto durante anos não garante o conhecimento do proximo. Pronto. Esse comentário ficou martelando a mente dele.

E quando estava revisando um postagem para o RPG Literário, que tratava da figura do palíndromo, as coisas se fundiram e o texto poético saiu de uma vez só. E curioso, por sua estrutura, é o único poema (dos mais de 1.000 que ele já escreveu, desde os 17 anos) que ele sabe de cor.

Também pudera, sua estrutura simples contém uma mensagem universal.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

Palíndromo Amoroso



Eram estranhos...
Conheceram-se.
Por sete anos viveram juntos.
Separam-se.
Por sete anos ficaram distantes.
Reencontraram-se.
Eram estranhos...

José Antônio Klaes Roig

11 de fev. de 2009

Projeto Hoje é Dia de Poesia - 11/02

Olá Amigos

O poema escolhido hoje para o Projeto Hoje é Dia de Poesia, não é uma poesia simples e uma música que é uma poesia por si só. A música/poema escolhida é Alegria, Alegria do Caetano Veloso. Eu escolhi essa música/poema pois li uma noticia em que a atriz Penélope Cruz revela em um artigo publicado pelo jornal britânico The Sunday Times, que o músico e compositor Caetano Veloso a faz chorar. Segundo a atriz, a música é a chave que abre as portas de seus sentimentos e o brasileiro, que ela descreve como “um dos melhores músicos do mundo”, a leva às lágrimas. “Ele é um belo poeta e muito talentoso”, afirma Penélope. Além da poesia de Caetano, Penélope diz que gosta de ouvir ópera, música flamenca e o grupo inglês de rock Radiohead.

"Alegria, Alegria" é uma canção da autoria de Caetano Veloso que foi um dos marcos iniciais do movimento tropicalista em 1967. Caetano Veloso, em parte inspirado pelo sucesso de A Banda, de Chico Buarque, que havia concorrido no Festival de música da Record do ano anterior, quis compor uma marcha assim como a canção de Chico. Ao mesmo tempo, queria que fosse uma música contemporânea, pop, lidando com elementos da cultura de massa da época.

Caetano interpretando no Festival da MPB a sua marchinha Alegria, Alegria
Caetano interpretando Alegria, Alegria, no Festival da MPB de 1967

A letra possui uma estrutura cinematográfica, conforme definiu Décio Pignatari, trata-se de uma "letra-câmera-na-mão", citando o mote do Cinema Novo. Caetano ainda incluiu uma pequena citação do livro As Palavras, de Jean-Paul Sartre: "nada nos bolsos e nada nas mãos", que acabou virando "nada no bolso ou nas mãos". Em sua caminhada vadia (“Por entre fotos e nomes / os olhos cheios de cores”), desprezando signos e convenções (“Sem lenço, sem documento”), ele deseja somente viver a aventura da liberdade sem limites (“Nada no bolso ou nas mãos /eu quero seguir vivendo / amor/eu vou / por que não? por que não?”).

Como a idéia do arranjo incluía guitarras elétricas, Caetano e seu empresário na época, Guilherme Araújo convidaram o grupo argentino radicado em São Paulo Beat Boys. O arranjo foi fortemente influenciado pelo trabalho dos Beatles.

Apresentada pela primeira vez no Festival da Record daquele ano, a canção chocou os chamados "tradicionalistas" da música popular brasileira devido a simples presença de guitarras. No ambiente político-cultural da época, setores de esquerda classificavam a influência do Rock como alienação cultural, o que também foi sentido por Gilberto Gil quando apresentou Domingo no Parque no mesmo festival.

Apesar da rejeição inicial, a música acabou conquistando a maior parte da platéia. Acabou se tornando uma das favoritas, com as manifestações favoráveis superando as facções mais xenófobas. A música acabou chegando em quarto lugar na premiação final.

Com o improvável sucesso de Alegria, Alegria, Caetano se tornou de imediato um popstar, febre que só passou após alguns meses, embora a música tenha lançado Caetano para a fama, e sua carreira posterior só confirmado sua popularidade.


Caetano Veloso e os Beat Boys apresentam Alegria, alegria no Festival da Record em outubro de 1967
fonte: http://www.febf.uerj.br/tropicalia/tropicalia_historico_1.html

Caetano é tradução de riqueza musical, poesia e renovação. Sua poesia é um vinho branco e requintado e para entender a sua poesia é necessário sensibilidade. Acredito que Caetano e Chico sempre serão tudo para os que têm sensibilidade, conhecimento musical e que tem respeito pela música brasileira. Sua diversidade musical traduz sua antena conectada que respeita e entende o novo e respeita a nossa cultura. Ele é uma aula da música atual e de nossa história musical e da música do mundo inteiro. Nossa pobreza cultural e de história musical me faz temer que por falta de respeito com nossos grandes músicos que um dia pessoas não entendam nada da obra de Cartola, Braguinha e ícones nossa música.



Também é uma forma de homenagear o meu amigo Franz Kreuther Pereira editor do blog Este Blog e' Minha Rua, que além de companheiro de NTE é uma amante da boa música.

Abraços Alegres, Livres e Poéticos

Equipe NTE Itaperuna

Alegria, Alegria


Composição: Caetano Veloso

Caminhando contra o vento
Sem lenço e sem documento
No sol de quase dezembro
Eu vou...

O sol se reparte em crimes
Espaçonaves, guerrilhas
Em cardinales bonitas
Eu vou...

Em caras de presidentes
Em grandes beijos de amor
Em dentes, pernas, bandeiras
Bomba e Brigitte Bardot...

O sol nas bancas de revista
Me enche de alegria e preguiça
Quem lê tanta notícia
Eu vou...

Por entre fotos e nomes
Os olhos cheios de cores
O peito cheio de amores vãos
Eu vou
Por que não, por que não...

Ela pensa em casamento
E eu nunca mais fui à escola
Sem lenço e sem documento,
Eu vou...

Eu tomo uma coca-cola
Ela pensa em casamento
E uma canção me consola
Eu vou...

Por entre fotos e nomes
Sem livros e sem fuzil
Sem fome, sem telefone
No coração do Brasil...

Ela nem sabe até pensei
Em cantar na televisão
O sol é tão bonito
Eu vou...

Sem lenço, sem documento
Nada no bolso ou nas mãos
Eu quero seguir vivendo, amor
Eu vou...

Por que não, por que não...
Por que não, por que não...
Por que não, por que não...
Por que não, por que não...

4 de fev. de 2009

Projeto Hoje é Dia de Poesia - 4/2

Olá Amigos

Hoje o poema escolhido é o "Versos Escritos N'Água" de Manoel Bandeira, em homenagem a minha amiga Tatiane Martins do blog "Mulher é desdobrável. Eu sou." . O Manoel Bandeira tinha uma frase que eu adoro, que diz o seguinte "Todo mundo deveria ter um poeta predileto e dizer isso a todo mundo". Demais.

Manuel Carneiro de Souza Bandeira Filho ou Manuel Bandeira, poeta e ensaísta brasileiro que nasceu em Recife, Pernambuco, era uma cara de bem com a vida, que amava as mulheres e os prazeres da vida. Sua prosa conserva a variedade criadora do parnasianismo e está marcada pela paixão de viver, expressada em forma lírica e intimista.

Esse poema esta publicado no livro "ESTRELA DA VIDA INTEIRA - POESIAS REUNIDAS" (7a. edição - 1979 - Livraria José Olympio Editora). Algumas obras estão com datas inteiras; outras consta apenas o ano, a maioria, nada. Manuel Bandeira não era uma galinha de carimbar ovos, diria Mário Quintana.

O livro A Cinza das Horas, título bastante significativo de sua primeira fase como poeta, colocado sob o signo da morte e do desalento e de nítida influência parnasiano-simbolista.
Entre 1916 e 1920, enquanto lutava contra a tuberculose, perde a mãe, a irmã e o pai, passando a viver solitariamente, apesar dos amigos e das reuniões na Academia Brasileira de Letras, para a qual foi eleito em 1940. Devido a todas essas desilusões, Manuel Bandeira tinha todos os motivos do mundo para ser um sujeito mal-humorado. Não era. Ele sempre teve um sorriso simpático e, apesar da miopia e de ser "dentuço", adorava "ser fotografado, traduzido, musicado...". Apesar de ser um homem apaixonado por mulheres, nunca se casou, ele dizia que "perdeu a vez".

Mais uma vez vamos levar essa maravilha para nossos filhos, amigos, alunos e todos que gostam do que é belo que é a poesia.

Poesia é vida, luz e paixão.
Poesia é dor, sofrimento e solidão.
Poesia é tudo, nada e imensidão.
Poesia é sonho, realidade e dedicação.
Poesia é viver, morrer e reencarnação.
Poesia é...

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

Versos Escritos N’água


Manoel Bandeira
(1886-1968)

Os poucos versos que aí vão,
Em lugar de outros é que os ponho.
Tu que me lês, deixo ao teu sonho
Imaginar como serão.

Neles porás tua tristeza
Ou bem teu júbilo, e, talvez,
Lhes acharás, tu que me lês,
Alguma sombra de beleza...

Quem os ouviu não os amou.
Meus pobres versos comovidos!
Por isso fiquem esquecidos
Onde o mau vento os atirou.

21 de jan. de 2009

Projeto Hoje é Dia de Poesia

Olá Amigos

Hoje estamos dando sequência aqui no Caldeirão de Idéias ao Projeto "Hoje é Dia de Poesia". Esta semana estamos postando um poema do poeta brasileiro Moaci Alves Carneiro, para que possamos continuar levando aos nosso alunos um pouco da beleza que só um poema consegue mostrar.



CARNEIRO, Moaci Alves. A escola sem paredes.
São Paulo: Escrituras, 2002. p. 13 a 31.
FONE: (11) 5082-4190 http://www.escrituras.com.br

O poema escolhido é o poema "A Escola sem Paredes", na poesia de Moaci Alves Carneiro, uma ode à escola ideal. A poesia do Moaci Alves Carneiro faz o leitor querer voltar a estudar, mas estudar nessa escola descrita por ele. Muito legal a abordagem dada a escola perfeita.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

A Escola sem Paredes



Moaci Alves Carneiro

A escola sem paredes
não parece escola, não.
Trabalha com arte e ofício,
como na voz de Vinicius:
"Era uma casa
Muito engraçada
Não tinha teto
Não tinha nada".


A escola sem paredes
não parece escola, não.
Tem vida, tem alegria,
tem boa pedagogia!

A escola sem paredes
não parece escola, não.
Investe no encantamento,
que a vida é sentimento.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
Tem razão, tem poesia,
tem canto, tem melodia.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
Seu tijolo: a alegria.
Seu trabalho: a criação.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
Tem teto: o experimento.
Tem vigas: a emoção.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
O cimento é a semente
do sonho feito lição.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
O giz é a alegria
nas asas da fantasia.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
A casa, reconstruída,
é do tamanho da vida.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
Em lugar de ter janelas,
tem cores de aquarela.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
Em asa-delta, o aluno
voa livre e tem visão.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
Não tem forma nem tamanho.
Sua partitura: o sonho.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
Os conteúdos diários
navegam no imaginário.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
O mestre vai pilotar,
ensina e aprende a voar.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
O professor, comandante,
é também iniciante.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
Aqui, quem “dá” a lição,
dá a significação.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
Constrói a proficiência
nas linguagens, na ciência.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
Tem vida, tem poesia,
tem mais que pedagogia.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
A competência querida
alimenta-se da vida.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
Quem surfa é o raciocínio,
na prancha do tirocínio.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
Cada lição ensinada
é vida, vivenciada.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
Cada lição aprendida
é repertório para a vida.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
A criação é plural,
transcende o convencional.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
O aluno, em vez de medo,
entretece seu enredo.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
Há vida em cada instante,
tudo é interessante.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
Cada um faz seu caminho,
sem rotas em desalinho.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
As vias são sempre abertas,
com os sinais em alerta.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
É uma via sem fronteira,
como é a vida inteira.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
Nela, tudo, como a gente,
é único, é diferente.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
A lição é como a vida:
um valor tão sem medida!

A escola sem paredes
não parece escola, não.
Seu currículo é integrado,
sem grades ou cadeado.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
O aluno, desde cedo,
já se sente cidadão.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
Tem arte, tem ousadia,
ao longo de todo o dia.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
A biblioteca inspira,
alimentando a ação.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
Seu teto é infinito,
sua voz é mais que um grito.

A escola sem paredes
parece a vida da gente,
fluindo na amplidão,
cada dia diferente.

Na escola sem paredes,
o que seduz e fascina
é que o bom, o normal,
é não buscar ser igual.

Os mestres são como antenas
captando vibrações.
Esquadrinhando os problemas,
criando as soluções.

Em cada laboratório,
a lição assimilada
integra o repertório
da vida reencontrada.

As aulas já não precisam
de salas, o espaço é aberto.
Adequando-se à escala,
não há nem longe, nem perto.

Tem tudo o que uma escola
oferece de verdade.
Mas sem correntes ou peias,
só lições de liberdade.

Casa de livros e livres,
fonte de cidadania.
A escola sem paredes
constrói a democracia.

Escola, minha escola,
com prazer e sedução,
de ti o sonho decola:
a vida é a grande lição.

14 de jan. de 2009

Projeto Hoje é Dia de Poesia

Hoje estamos dando sequência aqui no Caldeirão de Idéias ao Projeto "Hoje é Dia de Poesia". Esta semana estamos postando um poema do maravilhoso poeta chileno Pablo Neruda, para que possamos continuar levando aos nosso alunos um pouco da beleza que só um poema consegue mostrar.

O poema escolhido é o poema "É Proibido", um dos mais tocantes poemas do Pablo Neruda.
Pablo Neruda foi um dos mais importantes poetas chilenos do século XX e os momentos importantes de sua vida foram a sua atuação política e literária, seus livros, suas poesias e poemas e o Prêmio Nobel de Literatura. A beleza dos poemas do Pablo Neruda é a sua sensibilidade para olhar o humano das situações. Recomendo o livro "El río invisible. Poesía y prosa de juventud" que há somente uma palavra para descreve-lo: Fantástico.

Gostaria de ilustrar o que eu falo com um trecho do poema Saudade que Pablo Neruda escreveu:

"...Saudade é amar um passado que ainda não passou, É recusar um presente que nos machuca, É não ver o futuro que nos convida...".

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

É Proibido

Pablo Neruda
(1904-1973)



É proibido chorar sem aprender,

Levantar-se um dia sem saber o que fazer

Ter medo de suas lembranças.

É proibido não rir dos problemas

Não lutar pelo que se quer,

Abandonar tudo por medo,

Não transformar sonhos em realidade.

É proibido não demonstrar amor

Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.

É proibido deixar os amigos

Não tentar compreender o que viveram juntos

Chamá-los somente quando necessita deles.

É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,

Fingir que elas não te importam,

Ser gentil só para que se lembrem de você,

Esquecer aqueles que gostam de você.

É proibido não fazer as coisas por si mesmo,

Não crer em Deus e fazer seu destino,

Ter medo da vida e de seus compromissos,

Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.

É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,

Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se desencontraram,

Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.

É proibido não tentar compreender as pessoas,

Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,

Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.

É proibido não criar sua história,

Deixar de dar graças a Deus por sua vida,

Não ter um momento para quem necessita de você,

Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.

É proibido não buscar a felicidade,

Não viver sua vida com uma atitude positiva,

Não pensar que podemos ser melhores,

Não sentir que sem você este mundo não seria igual.

11 de jan. de 2009

A Transdisciplinaridade da Vida

Nildo Lage

TransdisciplinaridadeA vida é uma ciência...
É preciso falar a língua dos homens,
a gramática do próximo...
... o idioma dos deuses...
para entender a cultura dos povos,
a origem das coisas,
os valores da vida...
... a lei da coexistência...
dominar a língua universal,
perceptível a todos os corações:
a linguagem do amor.
A vida é uma ciência...
É preciso entender as operações da matemática da vida
para dividir sonhos,
somar vitórias,
multiplicar horizontes
e subtrair problemas...
para uma vida contabilizada,
sem perdas e ganhos exagerados.
A vida é uma ciência...
É preciso conhecer a história do existir,
transitar pelas entrelinhas do nada...
chegar à origem dos fatos...
... à verdade da razão...
para descobrir o porquê da própria existência...
sem se afastar das origens primitivas...
A vida é uma ciência...
É preciso sensibilidade, tato...
conhecer a geografia dos sonhos,
os traços dos devaneios...
... chegar ao ponto de partida do homem...
para desenhar o mapa do viver em paz,
em harmonia com o semelhante...
... consigo mesmo...
para não desviar da rota das realizações
A vida é uma ciência...
É preciso ciências
para distinguir os germes que contaminam a alma,
os vírus que infestam o espírito...
... as bactérias que afetam o ego...
os parasitas que abatem a alma...
para extinguir os males
que atingem a humanidade
e enfraquecem os homens.
A vida é uma ciência...
É preciso química
para prever as reações do coração,
os impulsos primitivos do instinto...
... os desejos ardentes do corpo...
... as ansiedades da alma...
para não ser surpreendido
e arrastado pelas correntezas da inconsciência...
... Mas...
a língua dos homens;
a matemática da vida;
a história do existir;
a geografia dos sonhos;
as ciências para distinguir;
... a química humana...
são simplesmente referências...
caminhos entrelaçados que nem sempre
levam a um lugar seguro...
porque as ciências criam suas teorias...
explicam tudo...
e nem os seus avanços...
que dão vida ao inexistente...
compreendem o espírito...
criam linguagens avançadas,
traçam novas trajetórias,
descobrem novas técnicas...
... novas fórmulas...
têm tanta precisão
... quanto a ciência da vida...
que rege a lei da convivência,
aponta a solução...
mostra a saída...
... indica o caminho...
E, nessa transdisciplinaridade,
conhecer a ciência da vida...
é a regra.
Respeitar o semelhante
é o limite.
Compreender a si mesmo
é o preço cobrado para a felicidade.


Fonte: http://www.construirnoticias.com.br/asp/materia.asp?id=1204

7 de jan. de 2009

Projeto Hoje é Dia de Poesia

Olá Amigos

Hoje estamos lançando aqui no Caldeirão de Idéias um projeto há muito tempo acalentado por mim, que é o Projeto "Hoje é Dia de Poesia". Toda semana estaremos postando um poema para que possamos levar aos nosso alunos um pouco da beleza que só um poema consegue mostrar.

O poema escolhido como lançamento do projeto é o poema "Canção do primeiro do ano", um dos mais belos poemas de Mario Quintana. Tenho alguns livros do Mario quintana que são verdadeiras maravilhas, livros como Poesias, Antologia Poética, Pé de Pilão, Esconderijos do Tempo, Nova Antologia Poética, Velório sem Defunto são provas irrefutáveis do talento inigualável do Mario Quintana.

Sempre achei que muito pouca poesia é trabalhada nas escolas e que somente abrindo esse mundo maravilhoso para nossas crianças e jovens e que teremos um nação verdadeiramente livre e culta. Para ilustrar o que eu falo, termino com o que escreveu Mario Quintana:

"Amigos não consultem os relógios quando um dia me for de vossas vidas... Porque o tempo é uma invenção da morte: não o conhece a vida - a verdadeira - em que basta um momento de poesia para nos dar a eternidade inteira".

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

Canção do primeiro do ano

Mario Quintana
(1906-1994)

Anjos varriam morcegos
Até jogá-los no mar.

Outros pintavam de azul,
De azul e de verde-mar,
Vassouras de feiticeiras,
Desbotadas tabuletas,
Velhos letreiros de bar.

Era uma carta amorosa?
Ou uma rosa que abrira?
Mas a mão correra ansiosa
- Ó sinos, mais devagar! -
À janela azul e rosa,
Abrindo-a de par em par.

Ó banho de luz, tão puro,
Na paisagem familiar:
Meu chão, meu poste, meu muro,
Meu telhado e a minha nuvem,
Tudo bem no seu lugar.

E os sinos dançam no ar.
De casa a casa, os beirais,
- Para lá e para cá -
Trocam recados de asas,
Riscando sustos no ar.

Silêncios. Sinos. Apelos. Sinos.
E sinos. Sinos. E sinos. Sinos.
Pregoeiros. Sinos. Risadas. Sinos.
E levada pelos sinos,
Toda ventando de sinos,
Dança a cidade no ar!