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11 de fev. de 2009

Projeto Hoje é Dia de Poesia - 11/02

Olá Amigos

O poema escolhido hoje para o Projeto Hoje é Dia de Poesia, não é uma poesia simples e uma música que é uma poesia por si só. A música/poema escolhida é Alegria, Alegria do Caetano Veloso. Eu escolhi essa música/poema pois li uma noticia em que a atriz Penélope Cruz revela em um artigo publicado pelo jornal britânico The Sunday Times, que o músico e compositor Caetano Veloso a faz chorar. Segundo a atriz, a música é a chave que abre as portas de seus sentimentos e o brasileiro, que ela descreve como “um dos melhores músicos do mundo”, a leva às lágrimas. “Ele é um belo poeta e muito talentoso”, afirma Penélope. Além da poesia de Caetano, Penélope diz que gosta de ouvir ópera, música flamenca e o grupo inglês de rock Radiohead.

"Alegria, Alegria" é uma canção da autoria de Caetano Veloso que foi um dos marcos iniciais do movimento tropicalista em 1967. Caetano Veloso, em parte inspirado pelo sucesso de A Banda, de Chico Buarque, que havia concorrido no Festival de música da Record do ano anterior, quis compor uma marcha assim como a canção de Chico. Ao mesmo tempo, queria que fosse uma música contemporânea, pop, lidando com elementos da cultura de massa da época.

Caetano interpretando no Festival da MPB a sua marchinha Alegria, Alegria
Caetano interpretando Alegria, Alegria, no Festival da MPB de 1967

A letra possui uma estrutura cinematográfica, conforme definiu Décio Pignatari, trata-se de uma "letra-câmera-na-mão", citando o mote do Cinema Novo. Caetano ainda incluiu uma pequena citação do livro As Palavras, de Jean-Paul Sartre: "nada nos bolsos e nada nas mãos", que acabou virando "nada no bolso ou nas mãos". Em sua caminhada vadia (“Por entre fotos e nomes / os olhos cheios de cores”), desprezando signos e convenções (“Sem lenço, sem documento”), ele deseja somente viver a aventura da liberdade sem limites (“Nada no bolso ou nas mãos /eu quero seguir vivendo / amor/eu vou / por que não? por que não?”).

Como a idéia do arranjo incluía guitarras elétricas, Caetano e seu empresário na época, Guilherme Araújo convidaram o grupo argentino radicado em São Paulo Beat Boys. O arranjo foi fortemente influenciado pelo trabalho dos Beatles.

Apresentada pela primeira vez no Festival da Record daquele ano, a canção chocou os chamados "tradicionalistas" da música popular brasileira devido a simples presença de guitarras. No ambiente político-cultural da época, setores de esquerda classificavam a influência do Rock como alienação cultural, o que também foi sentido por Gilberto Gil quando apresentou Domingo no Parque no mesmo festival.

Apesar da rejeição inicial, a música acabou conquistando a maior parte da platéia. Acabou se tornando uma das favoritas, com as manifestações favoráveis superando as facções mais xenófobas. A música acabou chegando em quarto lugar na premiação final.

Com o improvável sucesso de Alegria, Alegria, Caetano se tornou de imediato um popstar, febre que só passou após alguns meses, embora a música tenha lançado Caetano para a fama, e sua carreira posterior só confirmado sua popularidade.


Caetano Veloso e os Beat Boys apresentam Alegria, alegria no Festival da Record em outubro de 1967
fonte: http://www.febf.uerj.br/tropicalia/tropicalia_historico_1.html

Caetano é tradução de riqueza musical, poesia e renovação. Sua poesia é um vinho branco e requintado e para entender a sua poesia é necessário sensibilidade. Acredito que Caetano e Chico sempre serão tudo para os que têm sensibilidade, conhecimento musical e que tem respeito pela música brasileira. Sua diversidade musical traduz sua antena conectada que respeita e entende o novo e respeita a nossa cultura. Ele é uma aula da música atual e de nossa história musical e da música do mundo inteiro. Nossa pobreza cultural e de história musical me faz temer que por falta de respeito com nossos grandes músicos que um dia pessoas não entendam nada da obra de Cartola, Braguinha e ícones nossa música.



Também é uma forma de homenagear o meu amigo Franz Kreuther Pereira editor do blog Este Blog e' Minha Rua, que além de companheiro de NTE é uma amante da boa música.

Abraços Alegres, Livres e Poéticos

Equipe NTE Itaperuna

Alegria, Alegria


Composição: Caetano Veloso

Caminhando contra o vento
Sem lenço e sem documento
No sol de quase dezembro
Eu vou...

O sol se reparte em crimes
Espaçonaves, guerrilhas
Em cardinales bonitas
Eu vou...

Em caras de presidentes
Em grandes beijos de amor
Em dentes, pernas, bandeiras
Bomba e Brigitte Bardot...

O sol nas bancas de revista
Me enche de alegria e preguiça
Quem lê tanta notícia
Eu vou...

Por entre fotos e nomes
Os olhos cheios de cores
O peito cheio de amores vãos
Eu vou
Por que não, por que não...

Ela pensa em casamento
E eu nunca mais fui à escola
Sem lenço e sem documento,
Eu vou...

Eu tomo uma coca-cola
Ela pensa em casamento
E uma canção me consola
Eu vou...

Por entre fotos e nomes
Sem livros e sem fuzil
Sem fome, sem telefone
No coração do Brasil...

Ela nem sabe até pensei
Em cantar na televisão
O sol é tão bonito
Eu vou...

Sem lenço, sem documento
Nada no bolso ou nas mãos
Eu quero seguir vivendo, amor
Eu vou...

Por que não, por que não...
Por que não, por que não...
Por que não, por que não...
Por que não, por que não...