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22 de set. de 2009

Ser leitor


Celso Antunes

- Não sei ler nem escrever, a vida não me propiciou essas regalias. A ausência desses saberes, entretanto, não impediu a construção de alguma felicidade. Tenho família, tenho emprego e embora o que eu ganhe permita que minha família não passe fome, bem sei que o que posso oferecer aos meus filhos não os impede de cobiçar vitrines, com olhos gulosos. Agora estou freqüentando um curso de alfabetização de adultos e, segundo minha professora, em pouco tempo saberei conhecer as letras, decifrar marcas, saber o que os letreiros dos ônibus falam e, até mesmo, olhar os remédios na prateleira da casa de meu sogro, identificando o nome de um ou de outro. Sabendo ler, creio que ganharei um pouco mais, mas mesmo assim, ainda olharei com inveja o mundo das pessoas que sabem mais, muito mais que eu.

- Eu sou um leitor. Tenho família, tenho emprego e embora o que eu ganhe não permita que minha família passe fome, bem sei que o que posso oferecer os meus filhos não os impede de cobiçar vitrines, com olhos gulosos. Mas, se a riqueza material fica distante de meus sonhos, os livros sempre me fizeram cavaleiro das cruzadas, gladiador de Roma, pescador de almas. Com eles, percorri vielas medievais, viajei em fantásticas naves rumo ao amanhã e como saltimbanco, andei por terras que nunca vi, conversei com pessoas que minha admiração se transformou em amor. Sou amigo íntimo de Bradbary, converso sempre com Conam Doyle, jogo palavras de afeto para Clarice e Machado e, com Castro Alves, até em Navios Negreiros andei. Estou esperando uma promoção, sei que não vou ganhar muito, mas as bibliotecas irei usufruir, pelo doce fascínio de passear pelo ontem e pelo amanhã. Sou feliz em meus sonhos e essa felicidade, divido com todos quantos nesta vida fizeram-se leitor.

Eu tenho um cão, chama-se Negus. Meu cachorro não sabe ler, mas é capaz de pensar. Pode com seus ganidos avisar-me que a hora da comida chegou e pode com seus olhos doces transmitir a afeição que sente por mim. Posso dar um osso e dar afagos a Negus, jamais poderei, entretanto ampliar os limites de seus pensamentos. Escravo de um limite biológico inerente a sua espécie, aprenderá um pouco mais, mas nunca fará desse saber um instrumento para aprender outros aprenderes. Não creio que seja muito difícil adestrá-lo, mostrando-lhe como ficar sentado ou dar-me sua pata dianteira, mas, jamais poderei fazer de Negus um sonhador, jamais minha ação de professor poderá ajudá-lo a ser arquiteto de seus próprios sonhos.

Como professor posso também ensinar uma pessoa a ler. Mostrar-lhe como decodificar símbolos, descobrir sílabas e soletrar palavras. Sei que se assim agir estarei ajudando-o. Estarei fazendo algo não muito diferente do que premiar Negus com um osso.

Mas, sei também que como professor posso fazer de um aluno, um leitor. Ler é bem mais que decodificar símbolos; é atribuir sentido ao texto, é compreender, é interpretar. è também descobrir que a língua, tal como roupa que se usa, pode servir-nos em situações diferentes, assumindo formas alternativas.

Fazer de um aluno um leitor é como lhe mostrar um osso e, aos poucos, vê-lo transformando-se em nave espacial, vagando pelo encanto do imaginário, dançado em uma valsa de Strauss. Fazer de um aluno um leitor é, entre outros, apresentá-lo a Arthur Clark e fazê-lo amigo de Stanley Kulbrich.

Fonte: http://www.celsoantunes.com.br/pt/textos_exibir.php?tipo=TEXTOS&id=23

24 de jun. de 2009

O Mais é Nada

“Navegue, descubra tesouros, mas não os tire do fundo do mar, o lugar deles é lá.
Admire a lua, sonhe com ela, mas não queira trazê-la para a terra.
Curta o sol, se deixe acariciar por ele, mas lembre-se que o seu calor é para todos.
Sonhe com as estrelas, apenas sonhe, elas só podem brilhar no céu.
Não tente deter o vento, ele precisa correr por toda parte, ele tem pressa de chegar sabe-se lá onde.
Não apare a chuva, ela quer cair e molhar muitos rostos, não pode molhar só o seu.
As lágrimas? Não as seque, elas precisam correr na minha, na sua, em todas as faces.
O sorriso! Esse você deve segurar, não deixe-o ir embora, agarre-o!
Quem você ama? Guarde dentro de um porta jóias, tranque, perca a chave!
Quem você ama é a maior jóia que você possui, a mais valiosa.

Não importa se a estação do ano muda, se o século vira e se o milênio é outro, se a idade aumenta; conserve a vontade de viver, não se chega à parte alguma sem ela.

Abra todas as janelas que encontrar e as portas também.
Persiga um sonho, mas não deixe ele viver sozinho.
Alimente sua alma com amor, cure suas feridas com carinho.
Descubra-se todos os dias, deixe-se levar pelas vontades, mas não enlouqueça por elas.

Procure, sempre procure o fim de uma história, seja ela qual for.
Dê um sorriso para quem esqueceu como se faz isso.
Acelere seus pensamentos, mas não permita que eles te consumam.
Olhe para o lado, alguém precisa de você.
Abasteça seu coração de fé, não a perca nunca.
Mergulhe de cabeça nos seus desejos e satisfaça-os.
Agonize de dor por um amigo, só saia dessa agonia se conseguir tirá-lo também.
Procure os seus caminhos, mas não magoe ninguém nessa procura.
Arrependa-se, volte atrás, peça perdão!
Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.

Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se achá-lo, segure-o!
“Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala. O mais é nada”.

(Fernando Pessoa)

11 de mar. de 2009

Projeto Hoje é Dia de Poesia - 11/03


Olá Amigos

O poema escolhido hoje para o Projeto Hoje é Dia de Poesia é o poema Palíndromo Amoroso do meu querido amigo José Antônio Klaes Roig editor dos blogs Letra Viva do Roig, ControlVerso , GPS - Global Poets Society, Olhar Virtual, Rápido Movimento do Olhar (REM), RPG - Role Poetic Games e do Xadrez Literário , autor do Livro Realidade Virtual, que recomendo com louvor a leitura, advogado, professor, mestrando, pai, marido e servidor público. O cara consegue estar em mil projetos ao mesmo tempo. Desconfio eu que ele inventou a máquina do hiperlink pra ele.

O poema por ser de construção simples, mas mensagem universal, sem falar que é criado a partir da figura chamada palíndromo, que é uma frase que pode ser lida do inicio por fim e vice-versa. Algum professor de língua portuguesa poderia trabalhar com essa questão. O poema original se encontra em http://rapido-olhar.blogspot.com/2009/01/palndromo-amoroso.html.

O curioso desse poema, é que a ideia surgiu por acaso, nada intencional. Surgiu de uma conversa entre duas pessoas que estavam proximas a ele e falavam sobre como viver junto durante anos não garante o conhecimento do proximo. Pronto. Esse comentário ficou martelando a mente dele.

E quando estava revisando um postagem para o RPG Literário, que tratava da figura do palíndromo, as coisas se fundiram e o texto poético saiu de uma vez só. E curioso, por sua estrutura, é o único poema (dos mais de 1.000 que ele já escreveu, desde os 17 anos) que ele sabe de cor.

Também pudera, sua estrutura simples contém uma mensagem universal.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

Palíndromo Amoroso



Eram estranhos...
Conheceram-se.
Por sete anos viveram juntos.
Separam-se.
Por sete anos ficaram distantes.
Reencontraram-se.
Eram estranhos...

José Antônio Klaes Roig

11 de fev. de 2009

Projeto Hoje é Dia de Poesia - 11/02

Olá Amigos

O poema escolhido hoje para o Projeto Hoje é Dia de Poesia, não é uma poesia simples e uma música que é uma poesia por si só. A música/poema escolhida é Alegria, Alegria do Caetano Veloso. Eu escolhi essa música/poema pois li uma noticia em que a atriz Penélope Cruz revela em um artigo publicado pelo jornal britânico The Sunday Times, que o músico e compositor Caetano Veloso a faz chorar. Segundo a atriz, a música é a chave que abre as portas de seus sentimentos e o brasileiro, que ela descreve como “um dos melhores músicos do mundo”, a leva às lágrimas. “Ele é um belo poeta e muito talentoso”, afirma Penélope. Além da poesia de Caetano, Penélope diz que gosta de ouvir ópera, música flamenca e o grupo inglês de rock Radiohead.

"Alegria, Alegria" é uma canção da autoria de Caetano Veloso que foi um dos marcos iniciais do movimento tropicalista em 1967. Caetano Veloso, em parte inspirado pelo sucesso de A Banda, de Chico Buarque, que havia concorrido no Festival de música da Record do ano anterior, quis compor uma marcha assim como a canção de Chico. Ao mesmo tempo, queria que fosse uma música contemporânea, pop, lidando com elementos da cultura de massa da época.

Caetano interpretando no Festival da MPB a sua marchinha Alegria, Alegria
Caetano interpretando Alegria, Alegria, no Festival da MPB de 1967

A letra possui uma estrutura cinematográfica, conforme definiu Décio Pignatari, trata-se de uma "letra-câmera-na-mão", citando o mote do Cinema Novo. Caetano ainda incluiu uma pequena citação do livro As Palavras, de Jean-Paul Sartre: "nada nos bolsos e nada nas mãos", que acabou virando "nada no bolso ou nas mãos". Em sua caminhada vadia (“Por entre fotos e nomes / os olhos cheios de cores”), desprezando signos e convenções (“Sem lenço, sem documento”), ele deseja somente viver a aventura da liberdade sem limites (“Nada no bolso ou nas mãos /eu quero seguir vivendo / amor/eu vou / por que não? por que não?”).

Como a idéia do arranjo incluía guitarras elétricas, Caetano e seu empresário na época, Guilherme Araújo convidaram o grupo argentino radicado em São Paulo Beat Boys. O arranjo foi fortemente influenciado pelo trabalho dos Beatles.

Apresentada pela primeira vez no Festival da Record daquele ano, a canção chocou os chamados "tradicionalistas" da música popular brasileira devido a simples presença de guitarras. No ambiente político-cultural da época, setores de esquerda classificavam a influência do Rock como alienação cultural, o que também foi sentido por Gilberto Gil quando apresentou Domingo no Parque no mesmo festival.

Apesar da rejeição inicial, a música acabou conquistando a maior parte da platéia. Acabou se tornando uma das favoritas, com as manifestações favoráveis superando as facções mais xenófobas. A música acabou chegando em quarto lugar na premiação final.

Com o improvável sucesso de Alegria, Alegria, Caetano se tornou de imediato um popstar, febre que só passou após alguns meses, embora a música tenha lançado Caetano para a fama, e sua carreira posterior só confirmado sua popularidade.


Caetano Veloso e os Beat Boys apresentam Alegria, alegria no Festival da Record em outubro de 1967
fonte: http://www.febf.uerj.br/tropicalia/tropicalia_historico_1.html

Caetano é tradução de riqueza musical, poesia e renovação. Sua poesia é um vinho branco e requintado e para entender a sua poesia é necessário sensibilidade. Acredito que Caetano e Chico sempre serão tudo para os que têm sensibilidade, conhecimento musical e que tem respeito pela música brasileira. Sua diversidade musical traduz sua antena conectada que respeita e entende o novo e respeita a nossa cultura. Ele é uma aula da música atual e de nossa história musical e da música do mundo inteiro. Nossa pobreza cultural e de história musical me faz temer que por falta de respeito com nossos grandes músicos que um dia pessoas não entendam nada da obra de Cartola, Braguinha e ícones nossa música.



Também é uma forma de homenagear o meu amigo Franz Kreuther Pereira editor do blog Este Blog e' Minha Rua, que além de companheiro de NTE é uma amante da boa música.

Abraços Alegres, Livres e Poéticos

Equipe NTE Itaperuna

Alegria, Alegria


Composição: Caetano Veloso

Caminhando contra o vento
Sem lenço e sem documento
No sol de quase dezembro
Eu vou...

O sol se reparte em crimes
Espaçonaves, guerrilhas
Em cardinales bonitas
Eu vou...

Em caras de presidentes
Em grandes beijos de amor
Em dentes, pernas, bandeiras
Bomba e Brigitte Bardot...

O sol nas bancas de revista
Me enche de alegria e preguiça
Quem lê tanta notícia
Eu vou...

Por entre fotos e nomes
Os olhos cheios de cores
O peito cheio de amores vãos
Eu vou
Por que não, por que não...

Ela pensa em casamento
E eu nunca mais fui à escola
Sem lenço e sem documento,
Eu vou...

Eu tomo uma coca-cola
Ela pensa em casamento
E uma canção me consola
Eu vou...

Por entre fotos e nomes
Sem livros e sem fuzil
Sem fome, sem telefone
No coração do Brasil...

Ela nem sabe até pensei
Em cantar na televisão
O sol é tão bonito
Eu vou...

Sem lenço, sem documento
Nada no bolso ou nas mãos
Eu quero seguir vivendo, amor
Eu vou...

Por que não, por que não...
Por que não, por que não...
Por que não, por que não...
Por que não, por que não...

21 de jan. de 2009

Projeto Hoje é Dia de Poesia

Olá Amigos

Hoje estamos dando sequência aqui no Caldeirão de Idéias ao Projeto "Hoje é Dia de Poesia". Esta semana estamos postando um poema do poeta brasileiro Moaci Alves Carneiro, para que possamos continuar levando aos nosso alunos um pouco da beleza que só um poema consegue mostrar.



CARNEIRO, Moaci Alves. A escola sem paredes.
São Paulo: Escrituras, 2002. p. 13 a 31.
FONE: (11) 5082-4190 http://www.escrituras.com.br

O poema escolhido é o poema "A Escola sem Paredes", na poesia de Moaci Alves Carneiro, uma ode à escola ideal. A poesia do Moaci Alves Carneiro faz o leitor querer voltar a estudar, mas estudar nessa escola descrita por ele. Muito legal a abordagem dada a escola perfeita.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

A Escola sem Paredes



Moaci Alves Carneiro

A escola sem paredes
não parece escola, não.
Trabalha com arte e ofício,
como na voz de Vinicius:
"Era uma casa
Muito engraçada
Não tinha teto
Não tinha nada".


A escola sem paredes
não parece escola, não.
Tem vida, tem alegria,
tem boa pedagogia!

A escola sem paredes
não parece escola, não.
Investe no encantamento,
que a vida é sentimento.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
Tem razão, tem poesia,
tem canto, tem melodia.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
Seu tijolo: a alegria.
Seu trabalho: a criação.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
Tem teto: o experimento.
Tem vigas: a emoção.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
O cimento é a semente
do sonho feito lição.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
O giz é a alegria
nas asas da fantasia.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
A casa, reconstruída,
é do tamanho da vida.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
Em lugar de ter janelas,
tem cores de aquarela.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
Em asa-delta, o aluno
voa livre e tem visão.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
Não tem forma nem tamanho.
Sua partitura: o sonho.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
Os conteúdos diários
navegam no imaginário.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
O mestre vai pilotar,
ensina e aprende a voar.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
O professor, comandante,
é também iniciante.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
Aqui, quem “dá” a lição,
dá a significação.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
Constrói a proficiência
nas linguagens, na ciência.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
Tem vida, tem poesia,
tem mais que pedagogia.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
A competência querida
alimenta-se da vida.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
Quem surfa é o raciocínio,
na prancha do tirocínio.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
Cada lição ensinada
é vida, vivenciada.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
Cada lição aprendida
é repertório para a vida.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
A criação é plural,
transcende o convencional.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
O aluno, em vez de medo,
entretece seu enredo.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
Há vida em cada instante,
tudo é interessante.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
Cada um faz seu caminho,
sem rotas em desalinho.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
As vias são sempre abertas,
com os sinais em alerta.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
É uma via sem fronteira,
como é a vida inteira.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
Nela, tudo, como a gente,
é único, é diferente.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
A lição é como a vida:
um valor tão sem medida!

A escola sem paredes
não parece escola, não.
Seu currículo é integrado,
sem grades ou cadeado.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
O aluno, desde cedo,
já se sente cidadão.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
Tem arte, tem ousadia,
ao longo de todo o dia.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
A biblioteca inspira,
alimentando a ação.

A escola sem paredes
não parece escola, não.
Seu teto é infinito,
sua voz é mais que um grito.

A escola sem paredes
parece a vida da gente,
fluindo na amplidão,
cada dia diferente.

Na escola sem paredes,
o que seduz e fascina
é que o bom, o normal,
é não buscar ser igual.

Os mestres são como antenas
captando vibrações.
Esquadrinhando os problemas,
criando as soluções.

Em cada laboratório,
a lição assimilada
integra o repertório
da vida reencontrada.

As aulas já não precisam
de salas, o espaço é aberto.
Adequando-se à escala,
não há nem longe, nem perto.

Tem tudo o que uma escola
oferece de verdade.
Mas sem correntes ou peias,
só lições de liberdade.

Casa de livros e livres,
fonte de cidadania.
A escola sem paredes
constrói a democracia.

Escola, minha escola,
com prazer e sedução,
de ti o sonho decola:
a vida é a grande lição.

14 de jan. de 2009

Projeto Hoje é Dia de Poesia

Hoje estamos dando sequência aqui no Caldeirão de Idéias ao Projeto "Hoje é Dia de Poesia". Esta semana estamos postando um poema do maravilhoso poeta chileno Pablo Neruda, para que possamos continuar levando aos nosso alunos um pouco da beleza que só um poema consegue mostrar.

O poema escolhido é o poema "É Proibido", um dos mais tocantes poemas do Pablo Neruda.
Pablo Neruda foi um dos mais importantes poetas chilenos do século XX e os momentos importantes de sua vida foram a sua atuação política e literária, seus livros, suas poesias e poemas e o Prêmio Nobel de Literatura. A beleza dos poemas do Pablo Neruda é a sua sensibilidade para olhar o humano das situações. Recomendo o livro "El río invisible. Poesía y prosa de juventud" que há somente uma palavra para descreve-lo: Fantástico.

Gostaria de ilustrar o que eu falo com um trecho do poema Saudade que Pablo Neruda escreveu:

"...Saudade é amar um passado que ainda não passou, É recusar um presente que nos machuca, É não ver o futuro que nos convida...".

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

É Proibido

Pablo Neruda
(1904-1973)



É proibido chorar sem aprender,

Levantar-se um dia sem saber o que fazer

Ter medo de suas lembranças.

É proibido não rir dos problemas

Não lutar pelo que se quer,

Abandonar tudo por medo,

Não transformar sonhos em realidade.

É proibido não demonstrar amor

Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.

É proibido deixar os amigos

Não tentar compreender o que viveram juntos

Chamá-los somente quando necessita deles.

É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,

Fingir que elas não te importam,

Ser gentil só para que se lembrem de você,

Esquecer aqueles que gostam de você.

É proibido não fazer as coisas por si mesmo,

Não crer em Deus e fazer seu destino,

Ter medo da vida e de seus compromissos,

Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.

É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,

Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se desencontraram,

Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.

É proibido não tentar compreender as pessoas,

Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,

Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.

É proibido não criar sua história,

Deixar de dar graças a Deus por sua vida,

Não ter um momento para quem necessita de você,

Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.

É proibido não buscar a felicidade,

Não viver sua vida com uma atitude positiva,

Não pensar que podemos ser melhores,

Não sentir que sem você este mundo não seria igual.

7 de jan. de 2009

Projeto Hoje é Dia de Poesia

Olá Amigos

Hoje estamos lançando aqui no Caldeirão de Idéias um projeto há muito tempo acalentado por mim, que é o Projeto "Hoje é Dia de Poesia". Toda semana estaremos postando um poema para que possamos levar aos nosso alunos um pouco da beleza que só um poema consegue mostrar.

O poema escolhido como lançamento do projeto é o poema "Canção do primeiro do ano", um dos mais belos poemas de Mario Quintana. Tenho alguns livros do Mario quintana que são verdadeiras maravilhas, livros como Poesias, Antologia Poética, Pé de Pilão, Esconderijos do Tempo, Nova Antologia Poética, Velório sem Defunto são provas irrefutáveis do talento inigualável do Mario Quintana.

Sempre achei que muito pouca poesia é trabalhada nas escolas e que somente abrindo esse mundo maravilhoso para nossas crianças e jovens e que teremos um nação verdadeiramente livre e culta. Para ilustrar o que eu falo, termino com o que escreveu Mario Quintana:

"Amigos não consultem os relógios quando um dia me for de vossas vidas... Porque o tempo é uma invenção da morte: não o conhece a vida - a verdadeira - em que basta um momento de poesia para nos dar a eternidade inteira".

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

Canção do primeiro do ano

Mario Quintana
(1906-1994)

Anjos varriam morcegos
Até jogá-los no mar.

Outros pintavam de azul,
De azul e de verde-mar,
Vassouras de feiticeiras,
Desbotadas tabuletas,
Velhos letreiros de bar.

Era uma carta amorosa?
Ou uma rosa que abrira?
Mas a mão correra ansiosa
- Ó sinos, mais devagar! -
À janela azul e rosa,
Abrindo-a de par em par.

Ó banho de luz, tão puro,
Na paisagem familiar:
Meu chão, meu poste, meu muro,
Meu telhado e a minha nuvem,
Tudo bem no seu lugar.

E os sinos dançam no ar.
De casa a casa, os beirais,
- Para lá e para cá -
Trocam recados de asas,
Riscando sustos no ar.

Silêncios. Sinos. Apelos. Sinos.
E sinos. Sinos. E sinos. Sinos.
Pregoeiros. Sinos. Risadas. Sinos.
E levada pelos sinos,
Toda ventando de sinos,
Dança a cidade no ar!

12 de out. de 2008

Carta aos Adultos


1. As minhas mãos são pequenas: por favor não esperem a perfeição ao fazer a cama, desenhar, atirar e agarrar uma bola.As minhas pernas são pequenas: por favor abrandem para eu vos poder acompanhar.


2. Preciso de encorajamento para crescer. Por favor sejam brandos nas vossas críticas. Lembrem-se: podem criticar o que faço sem me criticarem a mim.


3. Os meus olhos não vêem o mundo do mesmo modo que os vossos. Por favor deixem-me explorá-lo em segurança. Não me impeçam de o fazer sem necessidade.


4. Os meus sentimentos ainda estão tenros. Não impliquem comigo o tempo todo. Tratem-me como desejariam ser tratados.


5. As tarefas domésticas estão sempre a precisar de ser feitas. Só sou pequeno por pouco tempo. Por favor percam tempo a explicar-me as coisas deste fantástico mundo em que vivemos e façam-no de boa vontade.


6. Por favor não vão "fazer por cima" tudo o que eu faço. Isso dá-me a ideia de que os meus esforços nunca alcançam as vossas expectativas.Sei que é difícil, mas não me comparem a outras crianças.


7. A minha existência é uma dádiva. Cuidem de mim como é esperado, responsabilizando-me pelas minhas acções, dando-me linhas de orientação e disciplinem-me de um modo afectuoso.


8. Por favor não tenham medo de ir passar fora um fim-de-semana. Os filhos precisam de férias dos pais como os pais precisam de férias dos filhos. É uma bela maneira de mostrarem como a vossa relação é especial.


9. Por favor dêem-me a liberdade para tomar decisões que me dizem respeito. Deixem-me falhar, para que eu possa aprender com os meus erros. Assim, um dia estarei preparado para tomar as decisões que a vida me exigirá.


10. Por favor dêem-me todas as oportunidades para eu aprender e bons exemplos para eu seguir. Assim poderei tornar-me numa pessoa verdadeira, recta e humana.

Ou Isto ou Aquilo


Ou Isto ou Aquilo
Cecília Meireles


Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

Você criança


Lauro Kisielewicz

Você criança,
que vive a correr,
é a promessa
que vai acontecer...
é a esperança
do que poderíamos ser...
é a inocência
que deveríamos ter...

Você criança, de qualquer idade,
vivendo entre o sonho e a realidade
espargem pelas ruas da cidade,
suas lições de amor e de simplicidade!

Criança que brinca,
corre, pula e grita
mostra ao mundo,
como se deve viver
cada momento, feliz,
como quem acredita
em um mundo melhor
que ainda vai haver!

Você é como uma raio de luz
a iluminar os nossos caminhos,
assemelhando-se ao Menino Jesus,
encanta-nos com todo teu carinho!

Você é a criança,
que um dia vai crescer!
É a promessa,
que vai se realizar!
É a esperança
da humanidade se entender!
É a realidade
que o adulto precisa ver...
e também aprender a ser...

Ser criança


Sandra Mamede

Ser criança
Não é somente ter pouca idade
E sim esquecer a idade física
A nossa verdadeira idade está na mente
É o que se sente.

Ser criança
É perseguir a felicidade
Sem se importar com a idade.

É esquecer um pouco das responsabilidades
Sem contudo ser irresponsável.

É viver intensamente o presente
Não viver condicionado ao futuro
Nem ruminando o passado

É amar intensamente
E viver essa paixão sem precedentes

É sempre sorrir
Sempre estar aberto para o novo

Ser criança
É nascer de novo a cada dia...