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26 de ago. de 2009

Uma viagem visual e sonora

Olá Amigos

Essa dica de hoje é pára os amantes de um bom filme e de uma maravilhosa trilha sonora. A dica é o filme “Naqoyqatsi – O Mundo em Guerra”, que para os fãs de cinema é uma viagem auditiva e visual, que será exibido pela primeira vez no Brasil.

O canal de assinatura da HBO é quem nos trará esse belo presente nesta quinta feira (27/8). “Naqoyqatsi – O Mundo em Guerra” é o terceiro filme da trilogia dirigida pelo documentarista Godfrey Reggio e que foi iniciada com “Koyaanisqatsi - Uma Vida Fora de Equilíbrio ” nos anos 80 e seguida por “Powaqqatsi - Vida em Transformação” nos 90, todos igualmente maravilhosos.

Nesta nova produção, imagens digitalmente modificadas se fundem com a música de Philip Glass num estimulante documentário sobre a globalizada e violenta sociedade contemporânea, em que a tecnologia alterou de todas as formas possíveis a experiência humana.

No elenco do longa-metragem, Marlon Brando, Elton John, Julia Louis-Dreyfus, Bhagwan Mirchandani e Steven Soderbergh, que fazem depoimentos e lêem textos que pontuam as impressionantes imagens.

Eu assisti as versões "alternativas" dos filmes e fiquei simplesmente maravilhado e impactado com o que vi e ouvi. Os filmes são maravilhosos!!! Mas especialmente com o filme “Naqoyqatsi – O Mundo em Guerra”, pela atualidade e modernidade do tema. Para ilustrar o que eu disse olhe o que cita o Nivaldo Ribeiro: “Naqoyqatsi” é uma experiência e além de qualquer palavra que mescla a força das imagens com a música e atinge em cheio o coração hiperacelerado da aldeia global digitalizada do século XXI. Ao misturar imagens cotidianas alteradas através de efeitos digitais de última geração, o documentário hipnotiza o espectador que, mesmo sem querer, se deixa levar pela sonoridade de Philip Glass."

Como todos sabem adoro filmes com mensagens não verbais, e apesar da natureza não verbal do filme, o grande lance em “Naqoyqatsi – O Mundo em Guerra”, é fazer com que as pessoas falem a respeito de como a tecnologia afeta nosso dia-a-dia, alterando as formas de mídia, arte, entretenimento, política, esportes, medicina, ética e a cara da natureza humana. É um absurdo de bom, aínda mais se o som for Dolby digital…

Recomendo ver a Trilogia Qatsi, alugar, comprar pois os filmes são daquelas experiências imperdíveis da vida. Nesta mesma linha de filme Baraka (indicação do Paulo Bicarato do Alfarrábio) é outra viagem maravilhosa. Essa dica vai especialmente para os queridos amigos Sérgio Lima e José Roig.

Recomendo

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

11 de abr. de 2009

Projeto Cinema no Caldeirão - 11/04

Olá Amigos

O filme de hoje no Projeto Cinema no Caldeirão é o “Blade Runner” do fantástico diretor Ridley Scott. Independente de o filme ser cult ou não ele toca numa questão que foi tema de um debate na lista de Blogs Educativos. O debate começou com a minha amiga Jenny Horta do blog PC e a Criança, sugerindo um texto para leitura intitulado A web 3.0 será a rede dos robôs? . Mais a frente a minha amiga Elisângela Zampieri do blog Sobre Educação fez um comentário na lista, que alem de altamente pertinente ela citava um texto indicado pelo nosso amigo José Roig do blog Letra Viva entre outros blogs.

O texto falava de um robô que foi programado para simular emoções humana, e que depois de passar 24 horas junto com uma pesquisadora o robô pirou. O robô ficou na frente da porta impedindo a pesquisadora de sair e ficou emitindo sons animalescos e só depois de desligado e que ela conseguiu sair.

Agora fico eu cá pensando com os meus botões onde isso vai dar? A Elisângela Zampieri cita no seu comentário:"de que pelo andar da carruagem em algum tempo conviverão civilizadamente, homens robotizados e robôs humanizados. Sinceramente, me pergunto: Pra que isso? Será que a solidão do ser humano chegou ao ponto de se submeter ao amor de um robô?”. Depois olhando o blog da Elisângela Zampieri encontrei um outro texto intitulado Inteligencia Artificial que vem acrescentar mais molho ao debate.

Baseado na novela "Do Androids Dream of Electric Sheep?" de Philip Kindred Dick, escrita em 1968 e dirigido por Ridley Scott em 1982. No ano de 2019 o mundo é um lugar caótico controlado por grandes corporações. Deckard (Harrison Ford) é um ex- blade runner (caçador de andróides, uma unidade especial da polícia) que é forçado a voltar à ativa após um grupo de replicantes (androides) se rebelar e fugir das colônias espaciais para Terra.

O filme toca em aspectos filosóficos sobre a natureza humana e tem uma vasta visão tecnológica de um futuro próximo, das condições políticas e sociais da Terra nesse tempo. Toca constantemente em temas como Inteligência Artificial (A.I) e Engenharia Genética. Tem cenários detalhados e efeitos visuais excelentes, além de personagens bem desenvolvidos, com diálogos ricos que mantém a trama mais viva e real. Para quem gosta de cinema e sci-fi é um filme indispensável.

A fotografia cheia de sombras e a grande maioria de cenas durante a noite indicam um futuro obscuro para a humanidade. Ainda nas perspectivas, é possível perceber no filme a grande influência dos povos orientais na sociedade de América do Norte, com muitos luminosos e o mandarim fluente em Los Angeles – isso que se começou a tratar agora em nossa realidade da ascendência de países como a China e o Japão no resto do mundo.

Na caracterização do filme, aspectos como o envolvimento da mocinha, que no caso é uma Replicante, com o protagonista e o clima noir remetem imediatamente à histórias de detetive. Diferente das outras películas do gênero, Blade Runner apresenta uma sociedade sem muitas extravagâncias, a não ser por cenas nas ruas em que, talvez como reflexo do ápice da globalização, é possível perceber Judeus, Krishnas e Islâmicos se esbarrando amigavelmente na multidão.

No que diz respeito aos Replicantes, estes pouco se assemelham a andróides, pois são cópias geneticamente melhoradas, de carne e sangue, de humanos. Eles estariam mais para os clones, tão pouco falados na época e tão famosos hoje em dia. É interessante perceber que esse debate ético com esse tipo de cobaias é permanente, inclusive no cinema, como visto recentemente no filme A Ilha (The Island, 2005) – filme que pode ser considerado um “Replicante” do universo de Blade Runner, no que diz respeito à roteiro.

Robôs e cinema são uma combinação fantástica. Filmes como O Dia em que a Terra Parou, Eu, Robô, Minority Report, AI – Inteligencia Artificial, O Homem Bicentenário, entre outros mostram um futuro onde homens e maquinas conviverão, nem sempre harmoniosamente. Se vamos estar vivos para vivenciar isso eu não sei mas que eu queria um Rose igualzinha a dos Jetsons eu queria muito.

Blade Runner é o filme de ficção perfeito. Não deixe de assistir e de ler as indicações pois esse debate é bem legal. Pois com o desenvolvimento atual da tecnologia, que cada vez nos aproxima mais desse momento, e, se alguma vez lá chegarmos teremos de encarar o fato de que não apenas nós somos capazes de pensar. E será a inteligência e a capacidade de raciocínio apenas aquilo que nos distingue da máquina, ou haverá algo mais que uma máquina nunca conseguirá ter, a “alma”.

Afinal você é um replicante ou não?

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

14 de mar. de 2009

Projeto Cinema no Caldeirão - 14/03

Olá Amigos

O Projeto Cinema no Caldeirão apresenta hoje o filme "O Show de Truman - O Show da Vida", dirigido pelo consagrado Peter Weir (de "Mestre Dos Mares" e "Sociedade dos Poetas Mortos"). A escolha do filme em questão se deu atraves de um debate sobre privacidade e realtys shows que assolam a TV brasileira com os seus BBB e derivados.

O filme para mim, trata-se de um filme altamente poético, fantasiosamente improvável e realisticamente palpável. Ele dá margem à inúmeras abordagens, suscita muitas perguntas, enfim, nos faz pensar.

Os reality shows têm um espaço significativo na televisão atualmente. É um tipo de programa que atrai grandes audiências, o que faz com que produtores invistam cada vez mais nesse formato. Mas afinal, o que eles têm de especiais para tamanho sucesso? Será o espectador tão curioso assim pela vida alheia, ou será que eles somente gostam de assistir a algo real, sem a dramatização dos filmes ou das novelas?

De acordo com "O Show de Truman – O Show da Vida" (EUA – 1998), a resposta para isso é uma junção dessas duas teorias. A mídia é mostrada no filme de forma manipuladora, usando o seu poder para seduzir e iludir massas, além de vender produtos. A propósito, "O Show de Truman" satiriza a publicidade na televisão, com os personagens fazendo propaganda de produtos de uma forma bastante artificial.

Outra questão levantada no filme é sobre a veracidade e ética dos reality shows. No Brasil, programas como Big Brother e Casa dos Artistas são conhecidos justamente por mostrarem a vida real, e são divulgados como programas sem roteiro. Entretanto, assim como em "Show de Truman", discute-se a questão de que há sim um roteiro por trás desses programas de realidade, afinal, há dinheiro envolvido no processo, e os produtores não podem correr o risco de terem prejuízo com histórias enfadonhas, que não atrairiam o público.

Quando o Céu é de Mentira

Isso é abordado logo no início do filme, quando Cristof diz que "Não há roteiro. Não há intromissões. Não é sempre Shakespeare, mas é genuíno". Percebe-se posteriormente no filme que isso é mentira, já que é ele mesmo que monta o roteiro da vida de Truman. Através dessa prática, o filme critica a mídia e seu poder sobre a população.

Com isso, "O Show de Truman" é um filme ousado e ambicioso, e mostra uma característica louvável para qualquer produto audiovisual atualmente: a originalidade.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

O Show de Truman - O Show da Vida

A TV e o show da vida

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Muito antes dessa onda de shows televisivos que invadem a privacidade de pessoas anônimas ou de celebridades (refiro-me a Casa dos Artistas e ao Big Brother) tomarem conta da televisão foi lançado um filme nos cinemas (que fez grande sucesso) cuja temática explora, justamente essa questão tão essencial a todos nós, a privacidade.

Era "O Show de Truman", do competente diretor Peter Weir (o mesmo de "A Testemunha" e "Sociedade dos Poetas Mortos", filmes que merecem ser conferidos), estrelado pelo careteiro Jim Carrey (em seu melhor papel até aquele momento).

Truman (Jim Carrey), o sujeito do tal show, é um inocente, cuja vida tem sido transmitida ao vivo e em cores para os Estados Unidos inteiro em canal de TV paga. Desde o seu nascimento, até o momento em que a história se desenvolve, tudo o que se refere ao personagem de Carrey aparece na TV 24 horas por dia.

O problema é que ele é o único personagem dessa novela da vida real que não sabe o que está acontecendo, tudo o que ocorre ao seu redor é fictício, seu emprego é uma criação, seu casamento uma farsa (assim como foram o romance, a sedução e o namoro com sua esposa), seus amigos estão junto dele por estarem cumprindo um contrato como atores da rede que transmite o "Show de Truman".

Todos e tudo que o cerca são, literalmente, artificiais. Cenários compõe a cidade da vida de Truman, os carros são sempre os mesmos, cumprindo o ritual de rodar a cidade e dar a impressão de que a vida segue seu rumo, sua normalidade. Quando vai ao supermercado e adquire um produto, as imagens de Truman segurando e comprando determinados produtos viram marketing para as mercadorias adquiridas.

Nesse ambiente de mentiras, Truman desperta ao quase ser acertado por uma câmera que despenca do alto dos cenários. Seria Deus tentando alertá-lo ou seria apenas um acidente dos "deuses" da mídia televisiva que o colocam no ar todos os dias?

A partir desse incidente, sua relação com o mundo que o cerca muda completamente, ele passa a desconfiar de tudo e de todos, inicia uma procura incessante pelos olhos eletrônicos que estão a monitorá-lo todo o tempo, começa a duvidar da seriedade dos amigos e da esposa, percebe que o mundo ao seu redor repete-se com uma insistência irritante!

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Numa época como a nossa, quando a discussão acerca dos direitos das pessoas é uma constante nos cenários nacional e internacional, a questão da privacidade sendo invadida por câmeras de televisão merece uma discussão acalorada em sala de aula. Muitos se perguntam os motivos que levam pessoas a enfrentar, conscientemente, o desafio de serem vistos diariamente por milhões de pessoas como o que ocorre com os já citados programas veiculados por canais abertos e fechados. Alguns, cedem a tentação da fama instantânea, conseguida graças a superexposição na mídia mais procurada por todas as classes sociais, a TV. É um tiro certeiro, as pessoas são reconhecidas nas ruas, tornam-se familiares a milhões de desconhecidos por invadirem seus lares através das telinhas e, com maior ou menor habilidade, conseguem ficar em evidência por mais alguns meses mesmo depois do programa terminar. Outras pessoas arriscam o espaço, a individualidade e, em muitos casos, correm o sério risco de se exporem ao ridículo movidas pelos prêmios milionários dados aos vencedores dessas verdadeiras maratonas.

Mas, e no caso de Truman, levado ao estrelato sem consulta prévia, na mais pura inocência, desconhecedor de sua própria história de vida? Não há dinheiro movendo suas ações, assim como, no seu cotidiano ele não consegue imaginar a repercussão de seus atos e o montante de popularidade por ele obtidos junto ao grande público que acompanha sua "novela da vida real".

Os direitos aos quais temos acesso não terminam quando começam os dos outros? A manipulação da rede de televisão que controlava o "Show de Truman" não consistia portando um desrespeito a um dos direitos essenciais da cidadania? Em que consiste a cidadania senão na consideração pelos outros e por suas dignidades? Não deve existir (e pelo que sei, já existe) por parte das emissoras de televisão um código de ética que não os faça lesar a integridade física e moral das pessoas que são apresentadas em seus programas? O próprio conceito de ética, foi criado para ser violado ou tem valor real e deve, por isso ser respeitado?

Discussões como essas podem nos levar a fomentar aulas interessantes em história, relacionando com o surgimento das Declarações dos Direitos Humanos em diferentes contextos, como no da Revolução Francesa ou no do final da 2ª Guerra Mundial (na época da criação da ONU); pode alimentar interessantes debates para a área de redação, com o adendo de que, o professor pode se utilizar de textos extraídos de jornais ou revistas que façam um contraponto, um termo de arguição e aprofundamento; pode servir como indicador de caminhos para aulas de filosofia e pode gerar o questionamento da questão da própria ética na sociedade em que estamos inseridos.

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Por outro lado, o filme nos lança uma situação das mais interessantes ao afirmar a vida cotidiana como o maior dos espetáculos. Momentos tão desprezados de nossas existências quando realçados pelo brilho dos refletores das câmeras de TV parecem ganhar em vigor, fôlego e graça. Um abraço numa criança, a reunião com os amigos depois do expediente, ler um livro ou dar um beijo na mulher amada ganham contornos de grandes acontecimentos. Será que nós não estamos deixando essas cenas da vida real passarem sem dar a elas o verdadeiro reconhecimento e valor que elas merecem?


Ficha Técnica

O Show de Truman
(The Truman Show)

Direção: Peter Weir Produção:
País: EUA
Ano da Produção: 1998
Duração: 102 minutos
Gênero: Drama
Elenco: Jim Carrey, Ed Harris, Laura Linney, Noah Emmerich, Natascha McElhone.

Links

- www.trumanshow.com - Site oficial
- http://epipoca.uol.com.br/filmes_detalhes.php?idf=1900

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João Luís de Almeida Machado Editor do Portal Planeta Educação; Doutor em Educação pela PUC-SP; Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP); Professor Universitário e Pesquisador; Autor do livro "Na Sala de Aula com a Sétima Arte – Aprendendo com o Cinema" (Editora Intersubjetiva).

Fonte: http://www.planetaeducacao.com.br/novo/artigo.asp?artigo=98

7 de mar. de 2009

Projeto Cinema no Caldeirão - 07/03

Olá Amigos

O filme escolhido hoje para o projeto Cinema no Caldeirão é o "Encontrando Forrester" do fantástico, polêmico e talentosíssimo diretor Gus Van Sant, o mesmo diretor de outros filmes igualmente polêmicos como "Drugstore Cowboy" e "Garotos de Programa" entre outros.

O papel Sean Connery como mestre norteador e F. Murray Abraham como o professor preconceituoso e arrogante já valem a indicação do filme. O enredo do filme está basicamente estruturado sobre três personagens.

O primeiro é Jamal Wallace, um negro de dezesseis anos que mora no Bronx e que se dedica a jogar Basquete. Aluno de escola pública, Jamal recebe uma bolsa para estudar em um colégio freqüentado pelas elites, em Manhattan.

O segundo é William Forrester, escritor consagrado pela crítica e pelo público após publicar seu primeiro e único livro. Desiludido com a incompreensão da sua obra, Forrester desenvolve uma fobia social, isola-se em seu apartamento, também no Bronx, onde divide espaço com os livros que lê.

O terceiro é Crawford, professor de literatura na escola de Manhattan, e escritor frustrado. Destes três personagens, o único negro é Jamal; Forrester e Crawford são brancos.

Jamal Wallace, como já dissemos, é negro, pobre e mora no subúrbio de Nova York. Seus amigos são também negros e pobres, identificados com a cultura do Bronx e empregam o tempo ocioso jogando basquete de rua, esporte em que se destaca Jamal. No filme a bola de basquete parece imantada às mãos de Jamal, e serve como elo entre este e sua cultura de origem. No entanto, o personagem é profundo conhecedor de literatura e língua inglesa, e deseja também ser um escritor de qualidade. Sua postura identitária é permanentemente conflituosa: da mesma forma como se reconhece um negro pobre do Bronx, necessita se fazer aceito junto aos brancos. Jamal deseja ser reconhecido como igual entre os brancos.

No outro extremo temos o professor de literatura Crawford, um escritor frustrado e reconhecido pelos seus alunos como autoritário e vingativo. Crawford assumirá para si a função de preservar uma suposta pureza cultural, representada no filme pela literatura.

Como outro personagem temos o escritor William Forrester. Forrester publicou apenas um romance, no entanto, é um autor consagrado pelo público e pela crítica. Apesar de todo o seu sucesso, resolve se recolher a uma vida solitária em seu apartamento, no alto de um velho prédio, também no Bronx. Seu único contato com o mundo exterior é através do seu secretário, e da janela do seu apartamento, Forrester tem a visão da quadra onde Jamal e seus amigos jogam basquete. O filme retrata o escritor através de um clássico clichê: o artista anti-social e quase inatingível. É este o caso de William Forrester: o escritor amargurado que despreza seus leitores e escreve para suprir uma necessidade pessoal, alcoólatra, sociofóbico e que mora no alto de uma torre.

A discussão que o filme propõe a respeito da literatura e da figura do escritor é vasta, e não há espaço para discutirmos aqui. Cabe-nos sim observar que a despeito de toda a sua introspecção, Forrester tem a função de facilitar o diálogo entre Jamal e a cultura do "outro", representada, neste caso, pela literatura e pela aceitação plena no colégio em Manhattan. É o escritor que convida Jamal para entrar em seu apartamento, é ele que propõe o diálogo através da leitura crítica dos textos do adolescente que almeja escrever bem; sua função é mediar dois mundos, tornando possível o trânsito de Jamal por estes, ou seja, cabe a William Forrester o papel de mestre.

Ao contribuir com a resolução do impasse entre Jamal Wallace e Crawford, entre protagonista e antagonista, Forrester também se transforma, também cede em suas posições, também recicla sua subjetividade. Tanto Jamal quanto Forrester, por aceitarem o diálogo, posicionam-se em áreas fronteiriças. No caso destes dois personagens, a identidade pode ser compreendida enquanto fronteira, o que não acontece com o professor Crawford; que está enraizado em seus preconceitos e, assim, este personagem é o único que não se desenvolve, terminando ultrapassado e desmoralizado.

Assim, o que o filme Encontrando Forrester propõe é justamente a importância do diálogo interétnico, e a compreensão de que identidades são constituídas na mobilidade, e móveis devem permanecer. Proposta interessante para um tempo de pouco dialogo entre os seres humanos e aos fantasmas da xenofobia, sempre presentes.

A relação entre criador e criatura não é nada profunda, no começo. Os diálogos dos dois são o forte do filme. "Essa não é uma pergunta sobre sopa" é o código usado por eles, quando a pergunta era de cunho mais pessoal. O mais rico do filme “Encontrando Forrester” parte de uma relação entre dois indivíduos antagônicos, que dividem o amor pela literatura e pela arte de escrever. Jamal vê seus trabalhos revisados pelo ilustre autor e a medida em que os encontros entre mestre e aprendiz ocorrem, tanto se desperta uma amizade inusitada, na qual Jamal encontra um guia para ajudá-lo a desenvolver seu talento, como Forrester também encontra ajuda para se libertar da sua condição de ermitão.

A produção realça a amizade dos personagens, a importância da presença de Jamal na reclusão de Forrester. Ele acreditava que tudo já estava definido em sua vida, que não havia mais nada a ousar. Por isso, ''Encontrando Forrester'' emociona. E como.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

Encontrando Forrester

Novos Mapas, Novos Caminhos

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"Encontrando Forrester" é indicativo de caminhos que podemos (e devemos) percorrer, serve como um autêntico mapa a indicar alguns dos melhores percursos para todos. No caso do filme, essa orientação ambienta-se num ambiente ainda mais propício a atitudes que norteiem e apresentem soluções de continuidade para as pessoas, ou seja, numa escola. O que, a princípio, poderia parecer o óbvio, a estruturação de uma relação entre professor, literalmente escolado pela vida e sustentado pelo conhecimento adquirido através de seus estudos, e aluno (ou seu coletivo), tem um deslocamento de eixo, uma transposição de ordem, com os professores e a escola funcionando no sentido inverso daquilo que dela esperamos.

Mas, afinal, o que esperamos da(s) escola(s)?

O filme de Gus Van Sant nos mostra um pouco daquilo que as escolas se tornaram e nos faz refletir se estamos vivendo uma prática educacional que possa ser realmente apreciada e aproveitada por alunos e professores. Um momento de reflexão sobre a educação proposto por um filme, mesmo que tratando de uma realidade que não é a nossa, brasileira, mas a de um país com o qual temos relações tão próximas (assim como todo o mundo e a cultura ocidentais), é um indício de que há qualidades que devem ser examinadas no todo da película.

Mas, voltando a questão, a escola deve ser um ambiente proporcionador de possibilidades de aprendizagem, deve permitir aos educandos o acesso ao conhecimento, deve fazer com que a relação estabelecida entre os estudantes e o que a eles é oferecido por cada matéria seja sedimentada pela curiosidade (pelo estímulo, pelo prazer), deve ser um ambiente que permita a participação e a interação (a troca de experiências entre os alunos e os professores), deve promover projetos e práticas que envolvam os alunos coletivamente, entre tantas outras alternativas de pensar educação que encontramos hoje em dia, essas me parecem ser aceitas por um contingente respeitável de educadores e, admitidas por pessoas que trabalham educação com extrema seriedade.

No filme, o professor (o experiente F. Murray Abraham, vencedor do Oscar de melhor ator, por sua interpretação de Salieri, no ótimo e imperdível "Amadeus", de Milos Forman, sobre a vida de Mozart) defronta-se com uma situação inusitada para seus vários anos de prática educacional ao encontrar em sua sala de aula, numa escola particular frequentada eminentemente por brancos provenientes de uma camada social mais abastada, um aluno negro de origem humilde (chamado no filme de Jamal), alçado a uma melhor possibilidade de estudos em virtude de suas grandes habilidades atléticas (trata-se de um ótimo jogador de basquete) e de seu surpreendente rendimento escolar.

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O preconceito racial e social não permitem que o professor seja capaz de perceber o grande potencial do referido aluno, fazendo com que o mesmo se feche a qualquer possibilidade de admitir que os trabalhos e textos produzidos por esse aluno possam mesmo ter sido produzidos por ele.

Jamal passa então a viver uma relação conturbada na escola, onde o professor procura provas de que os trabalhos produzidos por ele tenham sido escritos por uma outra pessoa.

O que faz com que possamos perceber os novos caminhos citados no início do texto é a existência de um terceiro personagem importante na trama, o escritor William Forrester vivido por Sean Connery (de tantos grandes filmes e de imenso talento), autor de um clássico da literatura americana, que depois da publicação e do reconhecimento do livro pela crítica especializada, retirou-se, aposentando-se prematuramente, escondendo-se no Bronx, o bairro onde vive Jamal. Por acidente, os dois acabam se conhecendo e, a relação tempestuosa de início, amadurece de forma a trazer bons resultados para ambos. Além de grande jogador de basquete (o que lhe permite obter o reconhecimento e maior proximidade com os alunos da escola particular onde estuda), Jamal tem grande sensibilidade literária, lê com grande frequência, seleciona suas leituras e, além disso, escreve mesmo quando não há pedidos da escola. Essa insistência, essa persistência de Jamal em ler e estudar, fazem com que Forrester acabe se interessando por ele e o auxilie, troque idéias, aperfeiçoe suas próprias concepções (justamente o que esperamos de nossos professores) e, acabe por influenciá-lo do alto de sua experiência (omitindo a maior parte do tempo sua identidade e, obviamente, sua eminência devido a sua produção literária celebrada).

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Não é isso que estamos procurando? Diálogo, troca de experiências, aprendizado por parte dos alunos e também dos professores, respeito e consideração pela maturidade e aperfeiçoamento que o tempo trouxe aos mais velhos, leitura de livros independentemente da obrigatoriedade e das imposições escolares? "Encontrando Forrester" abre canais para que esses temas sejam discutidos, tempera essa discussão com outros temas paralelos de grande interesse (como as diferenças étnicas e sociais, a valorização dos livros clássicos e a necessidade de fazer com que se equilibre a atividade física e intelectual nas escolas) e, além de tudo, é um grande divertimento. Filme de temática séria, nos emociona, nos faz pensar, cativa pela força de seus personagens e pela abordagem sensível do diretor Van Sant (o mesmo diretor de filmes polêmicos como "Drugstore Cowboy" e "Garotos de Programa").

Ficha Técnica

Encontrando Forrester
(Finding Forrester)

País/Ano de produção:- EUA, 2000
Duração/Gênero:- 136 min., drama
Disponível em vídeo e DVD
Direção de Gus Van Sant
Roteiro de Mike Rich
Elenco:- Sean Connery, F. Murray Abraham, Anna Paquin, Robert Brown,
Michael Nouri, April Grace, Matt Damon, Busta Rhymes.

Links

- http://www.adorocinema.com/filmes/encontrando-forrester/encontrando-forrester.htm
-http://epipoca.uol.com.br/filmes_detalhes.php?idf=1580

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João Luís de Almeida Machado Editor do Portal Planeta Educação; Doutor em Educação pela PUC-SP; Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP); Professor Universitário e Pesquisador; Autor do livro "Na Sala de Aula com a Sétima Arte – Aprendendo com o Cinema" (Editora Intersubjetiva).

Fonte: http://www.planetaeducacao.com.br/novo/artigo.asp?artigo=46

21 de fev. de 2009

Projeto Cinema no Caldeirão - 21/02

Olá Amigos

O filme de hoje no projeto Cinema no Caldeirão é o filme " O Enigma de Kaspar Hauser ". O filme foi uma indicação do Professor Ancarlos Araujo editor do blog Profº Ancarlos Araujo, o qual eu recomendo a visita. O filme é lindo, é tocante e real, Kaspar Hauser é uma personagem cativante, com toda sua pureza e ingenuidade.

Cada um por si e Deus contra todos" é o título original que o diretor Werner Herzog tirou de "Macunaíma", de Mario de Andrade, e fala mais sobre o filme do que o neutro título nacional, "O Enigma de Kaspar Hauser".

Herzog, um dos grandes nomes do cinema alemão, usou a história real de Kaspar Hauser, infeliz rapaz afastado da sociedade (supõe-se que tivesse origem nobre e que havia sido escondido por problemas de sucessão ou bastardia) e que tenta desajeitadamente compreende-la, para refletir sobre a incerteza de tudo diante dos golpes do destino e sobre a artificialidade do que chamamos de normalidade.


Hauser enfrenta com perplexidade as convenções sociais, os dogmas religiosos, as certezas científicas, vendo tudo com olhos virgens e puros e, portanto, desabituados a enxergar como normal o que assim foi estabelecido. Daí surgem momentos geniais, como seu embate com o professor de lógica, com os clérigos, a discussão sobre a vida das maçãs, o circo de aberrações.

Herzog, que gosta de personagens que não se sentem à vontade no mundo e procuram mudá-lo, conduz o filme no limite entre o cômico e o trágico, muito ajudado pela peculiar interpretação de Bruno S., que não era ator profissional. Ele passou toda sua juventude em instituições para doentes mentais e foi visto por Herzog em um documentário. Fez apenas mais um filme, "Stroszek", novamente com o diretor (que tinha um infinito trabalho para fazê-lo interpretar), e um curta-metragem obscuro.

Talvez por isso seu Kaspar Hauser é tão digno e seguro, um ser humano puro e sonhador. Sua atuação marcante, o clima onírico e atemporal criado por Herzog e as idéias que o filme discute tornam-no uma pequena obra-prima, imperdível. Ganhou o prêmio especial do júri em Cannes.

O pianista cego é interpretado por Florian Fricke, líder do grupo Popol Vuh, habitual colaborador de Herzog.Em seu leito de morte, Kaspar diz que quer contar uma história que ele inventou, mas que ele só sabe o começo, não sabe como termina. Ele então conta a história, que resumo agora. “Uma caravana atravessa um deserto em direção a uma cidade, mas se depara com várias montanhas. O líder da caravana, um cego, pega um pouco de areia e come. Ele diz então aos outros que aquelas montanhas são uma ilusão, que elas não estão ali. Eles continuam o caminho, e chegam à cidade.” Kaspar, então, finaliza dizendo (com outras palavras): “eu não sei o final da história, só sei até quando eles chegam na cidade. O que acontece na cidade, eu não sei.” O enigma de Kaspar Hauser, mesmo depois de sua morte, continua, mas o que acontece depois que ele morre não interessa. A história não acaba, mas não precisa continuar a ser contada.

Mas para mim, que me senti um pouco Kaspar, o que mais chama atenção é o fato de quererem te enquadrar, classificar e rotular a todo momento e o pior: muitas vezes somos nós quem buscamos este enquadramento.

Queremos ser incluídos na sociedade, ser aceitos em grupos, ser rotulados como cool ou hype ou cult ou in, bi, hetero, homo, de direita, de esquerda, ultra-esquerda, super-ultra-mega-master-super-esquerda, agnóstico, crente, ateu, atoa, marxista, trotiskista, reformista, feminista quando no fundo, de verdade mesmo, somos todos pseudos...

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

31 de jan. de 2009

Projeto Cinema no Caldeirão - 24 e 31/01

Olá Amigos

Escolhi hoje o filme "Eu, Robô" do diretor Alex Proya, que tem como referencia o livro de Issac Assimov, que é uma das minhas referencias literárias o "ilustre editor" aqui se encontrava no Campus Party, que é o maior evento de tecnologia da América do Sul.

Mostrar um mundo onde robôs e humanos convivem lado a lado pode parecer para alguns apenas uma peça de ficção cientifica. Mas acontece o seguinte, quem anda por aqui no Campus Party e lê com frequência sobre os avanços tecnoló gicos da ciência robótica sabe que esse "futuro distante" esta ai na porta.

A interpretação do Will Smith não compromete o filme, mas seu sentimento entre ser .... nossa quase contei. O filme mostra varias nuances que saber lidar com esse futuro exige muito mais que apenas tecnologia, coisas como amor, amizade, ética e verdade mesmo que antigas continuam na moda.

Vale lembrar que o filme vai passar na TV Globo, segunda-feira na Tela Quente.

Bom filme e boa diversão

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

3 de jan. de 2009

Projeto Cinema no Caldeirão - 03/01

Olá Amigos

O filme de hoje indicado para o projeto Cinema no Caldeirão é "Munique" de Steven Spielberg. O filme foi escolhido por causa dos conflitos entre israelenses e palestinos, que continuam a se matar numa guerra intolerante e sem sentido (palavras de minha filha).

Uma das imagens mais significativas do século vinte é um homem com a cabeça coberta por uma meia, na sacada do apartamento da delegação israelense nas olimpíadas de Munique em 1972. Ele era um dos membros do grupo Setembro Negro que, com a ação de seqüestrar os atletas judeus em solo alemão, pretendia chamar a atenção do mundo para a causa palestina. Pela libertação dos reféns, pediam em troca que Israel libertasse palestinos presos, mas o governo de Golda Meier não aceitava negociação.

A impassibilidade de ambas as partes somou-se à inépcia total da polícia alemã e a tragédia estava montada: todos os onze reféns foram mortos, a maioria na desastrosa ação de resgate no aeroporto. Todos os seqüestradores também morreram, com exceção de três deles, presos e depois libertados pelos alemães em troca de reféns que outro grupo palestino havia feito, semanas mais tarde.

“Munique” fala sobre a reação de Israel ao assassinato de toda a delegação olímpica daquele país por terroristas palestinos em 1972, durante os jogos de Munique. Existem dúvidas sobre a veracidade da história. Teriam os israelenses realmente montado um comando secreto para caçar as lideranças palestinas, identificadas como terroristas? Um ex-agente do Mossad, o serviço de inteligência israelense, escreveu um livro dizendo que sim. E é essa história que nos conta Steven Spielberg.

O filme mostra o inicio da politica israelense do "olho por olho, dente por dente", onde para cada israelense morto um palestino deve morrer. O filme serve para mostrar aos alunos entre outras coisas como a intolerância e sua degeneração maior, o ódio religioso pode levar a humanidade. Mostrar aos alunos em como reverter isso através de ações como aceitar e respeitar o próximo apesar de sua cor, raça, credo ou opção sexual podem fazer do mundo um lugar melhor de se viver. O objetivo é mostrar que a paz é o melhor remédio, sempre a favor da vida, da paz e da igualdade entre os povos!!!

Em entrevista à revista Time, o diretor fala a respeito: "Para mim, esse filme é um pedido de paz. Em algum lugar, no meio de toda essa intolerância, há que haver um pedido de paz. Porque o maior inimigo não são os palestinos ou os israelenses. O maior inimigo na região é a intransigência”.

Isso não fica exposto claramente no filme. É preciso pensar para captar alguma coisa, e essa é a maior qualidade que Munique tem.

O filme merece ser usado na sala de aula em todos os segmentos. O Caldeirão de Idéias recomenta.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

Munique

Olho por olho, dente por dente...

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Munique é, certamente, um dos melhores trabalhos assinados por Steven Spielberg. Ao afirmar isso estou declarando mais que uma opinião ou juízo de valor. E estou falando acerca do trabalho de um dos mais celebrados e consagrados produtores e diretores de cinema de todos os tempos. A responsabilidade contida nessa afirmação aumenta ainda mais se levarmos em conta os títulos que constam no currículo de Spielberg, como A Lista de Schindler, Tubarão, Contatos Imediatos do Terceiro Grau, Caçadores da Arca Perdida, A Cor Púrpura, E.T., Parque dos Dinossauros, O Resgate do Soldado Ryan,...

E por que afirmo que a declaração acima não é apenas um juízo de valor ou uma opinião isolada? Penso que Munique nos coloca no meio de uma das mais controversas ações terroristas de todos os tempos, a invasão e o seqüestro de atletas israelenses nos alojamentos destinados aos esportistas que participavam da Olimpíada de 1972, em Munique, na Alemanha.

Não apenas os acontecimentos daquele momento foram polêmicos e violentos ao extremo. Suas circunstâncias serviram para desencadear reações que tornaram ainda menos possível a efetivação de um diálogo apaziguador entre judeus e muçulmanos. Foi muito mais do que um fato isolado, capaz de atrair a atenção do mundo durante a sua realização e desfecho trágico, mas marcou uma ruptura ainda mais pronunciada e severa entre o ocidente e o oriente.

Não é possível circunscrever os acontecimentos daquela ocasião ao embate entre israelenses e árabes radicais. Os estreitos limites da luta entre os seguidores da Torá e do Corão já tinham estendido suas conseqüências mundo afora a partir de partidarismos assumidos pelos governos das potências do Ocidente, especialmente no que se refere à política internacional dos Estados Unidos, francamente favorável ao estado judaico.

Um-homem-e-uma-mulher-conversando-numa-passarela

O estabelecimento do estado de Israel a partir de ação deliberada pela ONU (Organização das Nações Unidas) e respaldada pelos norte-americanos logo depois da Segunda Guerra Mundial promovera o recrudescimento das tensões mundiais e estabelecera prováveis e evidentes conflitos para o futuro das relações entre o Islã e o mundo Cristão...

A terra que gerou o surgimento das três maiores e mais importantes religiões do mundo se tornou, a partir de então, um barril de pólvora que a todo o momento explode a partir das intensas e violentas diferenças existentes entre os cristãos, muçulmanos e judeus que ali vivem. Depois disso o mundo nunca mais foi o mesmo.

Munique foi um emblemático momento para que a comunidade mundial ficasse a par de ações e práticas que se tornariam cada vez mais comuns em várias partes do mundo. Consolidava-se o terrorismo via satélite, que transformava os espectadores de vários países em testemunhas de explosões, homens-bomba, seqüestros, destruição de prédios públicos com inúmeras pessoas inocentes dentro dos mesmos ou ainda do terror que chegava através de simples cartas ou caixas pelo correio.

Celebrizaram-se pelas ondas do rádio ou da televisão regimes ditatoriais e práticas terroristas comandadas por radicais líderes de turbante ou por truculentos militares como Muamar Kadafi, Saddam Hussein, Khomeini e, mais recentemente, Osama Bin Laden. Os israelenses, por sua vez, reagiram invadindo glebas de terras que estavam nas mãos dos árabes e, em nome de sua autonomia, bombardeando zonas militares e civis de nações islâmicas.

A geopolítica mundial passou a ser comandada a partir de uma lógica e de um aparato legal criados também na região do Oriente Médio, quando ainda era conhecida como Ásia Menor. Resgatou-se através do episódio de Munique e de todas as “guerras santas” travadas desde então o célebre Código de Talião, cunhado por Hamurábi na Antiguidade Oriental, que preconiza a idéia de que devemos agir na lei com severidade e rigor e que, portanto, deve prevalecer a tônica do “olho por olho, dente por dente”... O problema é que estamos no 3º milênio, em pleno século XXI. Esperava-se mais inteligência, sanidade e racionalidade a essa altura da história da humanidade...

Por motivos tão fortes quanto a própria história da região, o filme produzido e dirigido por Steven Spielberg torna-se uma importante referência pop para que as discussões acerca desse embate em particular e de todos os que dele derivaram tenham maior alcance e profundidade. Munique ajuda-nos a compreender melhor o alcance dos estragos que ambos os lados estão promovendo para a paz mundial...

O Filme

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A invasão acontece durante a noite. Surpreendendo a todos, alguns militantes de uma organização terrorista islâmica entram na vila olímpica em Munique, na Alemanha e invadem os dormitórios reservados aos atletas israelenses. A notícia logo é veiculada mundialmente e jornalistas de todas as emissoras que cobriam o maior evento esportivo do planeta são deslocados para os alojamentos dos atletas em busca de maiores informações sobre o ocorrido. Estava em curso o Setembro Negro...

O desencontro de informações faz com que as pessoas acreditem em finais felizes e trágicos. Não há certeza quanto a absolutamente nada em relação ao ocorrido. Sabe-se apenas que houve a tomada súbita dos aposentos de atletas judeus e que os mesmos estão nas mãos de milicianos radicais. As negociações evoluem e os alemães aparentemente conseguem demover os sequestradores de seu intento de matar seus prisioneiros em troca de um plano de fuga pelo aeroporto local. Após tantos encontros e desencontros e tendo os terroristas embarcado rumo ao norte da África vem a tona a descoberta e o desfecho da tragédia de 1972 em Munique. Todos os atletas haviam sido mortos.

Israel resolve retaliar antes mesmo do final das negociações na Alemanha e bombardeia territórios muçulmanos matando civis que moravam nessas áreas. Secretamente a primeira ministra do estado judaico, Golda Meir, convoca uma reunião com seus mais leais generais e membros dos serviço secreto israelense, o Mossad. Delineia-se então um plano ultra-secreto que gera a formação de uma pequena milícia que tem como missão o extermínio de todos aqueles que estiveram diretamente envolvidos com o Setembro Negro.

Munique nos coloca em contato com toda a misteriosa e violenta atmosfera do submundo da espionagem e do terrorismo de estado desencadeado por Israel. As ações descritas e apresentadas no filme não foram e nem serão reconhecidas pelo estado de Israel como autêntica e verdadeira descrição de acontecimentos desencadeados a partir de seu comando. Os agentes envolvidos no extermínio dos inimigos eram regiamente pagos e tinham seus custos financiados pelo estado judeu mas também afirmavam autonomia em relação as ações que promoviam...

Ao final da história temos a impressão de que as origens do atentado às torres gêmeas do World Trade Center e o fanatismo islâmico que fomentou recentes invasões ao Afeganistão ou ao Iraque são apenas novos capítulos de uma saga de muito sangue, destruição e mortes que teve em Munique um episódio marcante para o crescimento dos ataques terroristas... Será que algum dia viveremos em paz?

Para Refletir

Sombras-de-pessoas

1- A intolerância e sua degeneração maior, o ódio religioso, parecem pragas fadadas a perpetrar pela eternidade a insegurança e o medo no mundo. A paranóia mundial cresceu fortemente nos últimos anos, especialmente após o 11 de Setembro de 2001. Que passos efetivos foram dados nas últimas décadas na direção de um diálogo entre as lideranças mundiais e religiosas? Quais são as perspectivas que temos para os próximos anos e décadas? Essa questão mundial será solucionada ou estamos mais próximos de novos conflitos e guerras? Façam levantamentos a partir de revistas de informação, sites da internet, jornais e da bibliografia para tentar compreender o que está acontecendo e quais são os próximos passos da aventura humana na terra...

2- Trabalhem com uma linha do tempo para acompanhar a evolução dos problemas mundiais relativos as religiões. Proponham a seus estudantes a produção de uma única linha utilizando várias cartolinas e muita criatividade para apresentar o nascimento do judaísmo, do cristianismo e do islamismo e os encontros e desencontros de seus seguidores.

3- Examinem essas diferentes culturas e religiões e criem quadros através dos quais façam paralelos entre as crenças e hábitos de seus povos e representantes no planeta. Não olhem de forma discriminatória nenhuma das prerrogativas das três grandes religiões do planeta. Procurem entender seus diferentes contextos e analisar a diversidade como enriquecedora. Para tanto entrem em contato com líderes dessas comunidades, religiosos e também com a embaixada ou o consulado de nações que advoguem esses preceitos e práticas.

4- Promovam a paz através de encontros em que pessoas de diferentes religiões e origens possam falar aos demais sobre suas histórias de vida de forma a esclarecer as diferenças e os caminhos de cada povo, nacionalidade e religiosidade. A tolerância religiosa é uma das mais prementes necessidades para o estabelecimento da paz no mundo. Grande parte dos conflitos que estão em curso no planeta decorrem da falta de diálogo, respeito e consideração pelas diferenças...

Ficha Técnica

Munique
(Munich)

País/Ano de produção: EUA, 2005
Duração/Gênero: 164 min., Drama
Direção de Steven Spielberg
Roteiro de Tony Kushner, Eric Roth e George Jonas
Elenco: Eric Bana, Daniel Craig, Ciarán Hinds, Mathieu Kassovitz, Hans Zischler,
Ayelet Zurer, Geoffrey Rush, Gila Almagor, Michael Lonsdale, Lynn Cohen.

Links

http://www.adorocinema.com.br/filmes/munique/munique.asp

http://epipoca.uol.com.br/filmes_detalhes.php?idf=11423

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João Luís de Almeida Machado Editor do Portal Planeta Educação; Doutorando em Educação pela PUC-SP; Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP); Professor Universitário e Pesquisador; Autor do livro "Na Sala de Aula com a Sétima Arte – Aprendendo com o Cinema" (Editora Intersubjetiva).

Fonte: http://www.planetaeducacao.com.br/novo/artigo.asp?artigo=664

8 de dez. de 2008

Projeto Cinema no Caldeirão - 06/12

Olá Amigos

Hoje dando seqüencia ao projeto Cinema no Caldeirão, que deveria ir ao ar no sábado mas não foi por problemas técnicos, é o filme Juno.

O filme Juno é um dos melhores filmes lançados esse ano. O filme levanta a questão da gravidez na adolescência e a questão da sexualidade precoce. Como deve ser importante o debate e a discussão do assunto em todos os segmentos educacionais, pois somente discutindo poderemos melhorar os índices de gravidez da adolescência.

Logo abaixo da postagem do Juno há duas postagens que abordam o tema e dão subsídios para a aplicação do tema na sala de aula. Eles levantam que sem o apoio familiar, assim como no filme, o processo é dificílimo para os jovens.

Espero receber relatos e comentários sobre o tema que pode ajudar outros colegas na sua implementação. O filme Juno ganhou Oscar de melhor roteiro original. Imperdível.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

2 de dez. de 2008

Diretor defende brincadeira coletiva na exposição de 'Rebobine, Por Favor'

Por Victor Bianchin, colaborador do Yahoo! Brasil

Para diretor francês, a graça da mostra é poder se divertir em grupo, e não fazer cinema amador

Os fãs do diretor francês Michel Gondry finalmente podem comemorar: o filme "Rebobine, Por Favor", que entrou em cartaz em fevereiro nos EUA e já até foi lançado em DVD por lá, finalmente estreará nas salas do Brasil a partir do dia 12 de dezembro, trazido pela distribuidora Europa Filmes.

A demora tem motivo: o filme acompanha a estréia de "Rebobine, Por Favor - A Exposição", mostra que será aberta nesta terça-feira (2) no MIS (Museu da Imagem e do Som) em São Paulo e que traz treze cenários a partir dos quais os visitantes poderão encenar seus próprios filmes.

Funciona assim: o visitante se cadastra, junto a um grupo de amigos, pelo site da exposição. Depois, comparece no dia e hora marcados e passa por um workshop, no qual são definidos o nome do vídeo, o roteiro e as funções de cada membro do grupo. Em seguida, começa a gravação em si, e o vídeo final, com até 20 minutos de duração, fica disponível na locadora do evento para os visitantes da exposição assistirem.

"Essa atividade não tem o objetivo de fazer arte e nem de ensinar técnicas de filmagem pra quem quer emprego na área", resume Gondry, que concedeu entrevista coletiva na última sexta-feira (28/11) para falar sobre a exposição. "É uma chance de mostrar às pessoas a diversão de filmar cenas em grupo", explica ele. "Nessa atividade, nós tiramos os obstáculos que impedem as pessoas de fazer filmes e deixamos que elas façam o que queiram".

O diretor explica que imaginou o conceito original há mais de duas décadas, ao observar alguns cinemas menores de Paris esvaziados por causa da concorrência com as salas maiores e seus filmes blockbuster. A idéia que ele tinha era de improvisar uma dessas salas como estúdio e dar câmeras nas mãos das pessoas para que elas gravassem seus próprios filmes, do jeito que quisessem. Após anos com a idéia colocada de lado, Gondry viu em seu novo filme uma oportunidade transformá-la em realidade - a exposição foi realizada pela primeira vez no começo deste ano, na galeria Deitch Projects, em Nova York.

Curiosamente, Gondry diz não ser um defensor do YouTube e da moda de filmes caseiros. Ele acredita que, fazendo seus vídeos trancadas no quarto, as pessoas podem se distanciar da parte física da produção. "Juntar as pessoas num mesmo espaço estimula a participação, tira elas de suas casas", afirma o diretor. "Quando chamei meu filho para morar comigo, disse a ele que não teria videogame, e depois também tirei a TV. Isso nos ajudou a ficar mais criativos. É importante controlar o que você vê, ou você será controlado por isso", sentencia o diretor.

Rebobine, Por Favor - A Exposição

Onde: Museu da Imagem e do Som (MIS); Avenida Europa, 158, São Paulo
Quando: de 2 de dezembro de 2008 a 11 de janeiro de 2009
Preço: gratuito (é preciso se cadastrar previamente pela internet para participar dos workshops e gravar o vídeo)
Horário: de terça a sábado das 12h às 21h; domingos e feriados das 11h às 20h
Contato: (11) 2117-4777, contato@cinnamon.com.br
Site: www.rebobineporfavorexposicao.com.br

Fonte: http://br.noticias.yahoo.com/s/01122008/48/entretenimento-michel-gondry-defende-brincadeira-coletiva.html