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25 de nov. de 2010

Que pedagogia queremos para o futuro?

Olá amigos

Achei esse vídeo na internet é ele vem complementar aquilo que venho debatendo com os meus colegas. Que tipo de pedagogia estaremos usando nessa sociedade de informação e conectividade.

Assistam ao vídeo:



Demais não. Fez pensar, né?

Então comenta ai.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

19 de set. de 2009

Para professor enrolão, seminário é a solução

girafales

Fui estudante de graduação entre os anos de 1990 e 1994, e um dia desses estava me lembrando dos seminários que tive que apresentar em sala de aula. Lembro-me com detalhes, pois isso aconteceu em apenas duas ocasiões.

Semestre passado perguntei a um formando do mesmo curso, qual teria sido a quantidade de seminários, e este me confidenciou que não sabia ao certo. Encontrou-me posteriormente, e disse que foi contar, e que teria apresentado por volta de 40 seminários. Em algumas disciplinas chegou a apresentar 3 trabalhos, em um mesmo semestre.

É preciso pensar com cuidado o que isso significa. E principalmente em que momento esta virada aconteceu com tanta força.

É inegável que um bom trabalho de pesquisa com apresentação pode agregar muito valor ao aluno, tanto em relação ao aprendizado quanto ao desenvolvimento pessoal, já que no cotidiano profissional será necessário fazer apresentações em público.

Mas quando observamos que em grande parte das disciplinas os conteúdos são ministrados por estudantes, alguma coisa está errada.

Em algumas disciplinas é normal a apresentação e orientação de trabalhos, como por exemplo, as disciplinas de Metodologia, ou mesmo de pesquisa. Em outros casos são seminários para conclusão, com poucas horas-aula, justificando pela motivação que pode gerar nos alunos, além do conteúdo que pode ser trabalhado.

Mas o que dizer quando são disciplinas teóricas, do tronco principal da grade de ensino, com mais da metade da carga horária sendo de seminários? Ou ainda quando o próprio livro-texto é dividido entre os alunos para que estes apresentem o conteúdo?

Um aluno de direito me relatou o caso de um professor de Processo Civil que chegou no primeiro dia de aula com o código, dividiu o mesmo em capítulos, e avisou aos alunos que a partir da próxima aula seriam chamados em ordem alfabética para apresentarem o texto durante as duas horas.

Uma parte dos professores acredita que o aluno pode ter um bom desempenho na apresentação de seminários, mas para outra parte, o seminário “comendo” parte significativa das horas-aula de uma disciplina é apenas um pretexto para esconder sua incompetência em desenvolver 60 horas-aula de estudo por completo.

A verdade é que uma parte dos professores se esconde terceirizando suas aulas aos alunos, até porque não têm leitura e didática suficientes para enfrentar 60/70 alunos durante o semestre inteiro.

Outros acabam repassando a forma de ensinar nos programas de pós-graduação, onde a dinâmica é totalmente diferente, e pouco se importam se os estudantes estão ou não aprendendo o conteúdo obrigatório.

Nos cursos de administração e direito a situação é mais dramática, pois no país houve grande expansão do número de faculdades e alunos, sem que a formação de professores acompanhasse este ritmo.

Por exemplo, há 15 anos eram 5 mil professores de administração no Brasil. Hoje existem por volta de 30 mil profissionais. É simplesmente impossível multiplicar por 6 o número de bons profissionais em tão pouco tempo. O resultado está aí.

Como as Federais possuem pacotes mais atrativos (salário e estabilidade), é natural que consigam os melhores professores, mas o que dizer no caso das demais?

E se para o aluno que perguntei, os 40 seminários apresentados por ele foram em uma Universidade Federal, o que dizer do restante das instituições?

Como sou um professor “antiquado”, utilizo minhas 60 horas da melhor forma possível, dando todas as aulas e aplicando as provas, pois ainda não consegui encontrar um método mais adequado de avaliação. Mesmo reconhecendo que o mundo está mudando rapidamente, e que será preciso uma nova metodologia, ainda não mudei minha forma de ensinar.

Talvez o errado seja eu.

* Post publicado originalmente às 23h55 de ontem.

Autor: Pierre Lucena - 27/08/09

Fonte: http://acertodecontas.blog.br/educacao/para-professor-enrolo-seminrio-a-soluo/

1 de jul. de 2009

As Tecnologias de Informação e Comunicação na escola e os Centros de Recursos Educativos. Algumas reflexões.


Leonel Melo Rosa (Universidade Aberta)

Comunicação apresentada no painel “Centro de Recursos: um espaço de aprendizagens múltiplas”, II Encontro de Nacional de Centros de Recursos Educativos, Escola Secundária Emídio Navarro,

Almada, 28 de Outubro de 1999.

1- Introdução

Com a enorme influência das TIC sobre os meios de produção e comunicação, a escola precisa absolutamente de as integrar se não quer ficar definitivamente isolada. Porém, não podemos ser ingénuos ao ponto de pensar que as TIC poderão ser a panaceia para uma escola em crise, pois elas não passam de ferramentas de ensino e, como tal, tanto podem ser usadas para novas práticas pedagógicas baseadas nas pedagogias activas, centradas no aluno, como podem servir apenas para transmitir conhecimentos, seguindo um modelo tradicional, em que o professor e os conteúdos programáticos ocupam o centro do processo educativo.

Como diz Jacques Tardif, “o desenvolvimento exponencial das TIC, assim como a sua força, impedirão que a escola as trate com ligeireza e duma maneira superficial, exigindo reflexões sérias sobre as modalidades e o grau de integração (Tardif, 1998)” (1) .

2- As TIC e a “Educação para os Media”

Sou dos que acreditam que a “educação para os media” está intimamente ligada à integração das TIC na educação, pelo que gostaria de partilhar algumas reflexões.

Como diz René de la Borderie “saber informar-se e compreender os mecanismos de produção e de difusão da informação exige uma formação específica a que se convencionou chamar educação para os media”. Esta consiste na “aprendizagem dos mecanismos de funcionamento dos media, sobretudo aquele que mais influencia os jovens - a televisão - e deveria constituir uma das prioridades da nossa prática pedagógica (Borderie, 1997)” (2) .

Em todas as disciplinas, deveria ser implementada uma prática transversal da educação para os media, duma forma planeada, ampla e sistemática, do mesmo modo que deveria haver uma prática transversal da educação para o ambiente e da educação para a cidadania.

Todos os alunos de todos os níveis de ensino deveriam ser abrangidos por uma educação para os media pois, “se acreditamos que a educação para os media constitui uma das condições para a formação do espírito crítico e para o desenvolvimento da autonomia no mundo da comunicação, então é preciso que ela comece a ser realizada desde os primeiros anos de escolaridade (Borderie, 1997) (3) ”.

O mesmo se passa em relação às TIC. A sua integração deve ser feita logo no ensino pré-escolar. Para as crianças destas idades, o CD-ROM, por exemplo, pode contribuir decisivamente para o desenvolvimento das capacidades de observação e reflexão, de coordenação psico-motora ou para o despertar dos sentidos. As potencialidades do multimédia tornam-no um instrumento quase insuperável já que reúne em simultâneo a imagem, a cor, o som e ainda todos os efeitos visuais e sonoros que conseguem prender a atenção da criança. Porém, há que ter cuidado com “as ambiguidades do ludo-educativo” (Carrier, 1997) (4) , etiqueta frequentemente usada pelo marketing para atrair as crianças (ludo) e os pais (educativo) e que muitas vezes tem muito do primeiro e pouco do segundo.

Para uma maior eficácia da educação para os media, deverá haver uma coordenação entre os centros de recursos educativos, centros de documentação, bibliotecas, mediatecas (caso não estejam todos reunidos em apenas um centro de recursos), clubes, todos devidamente articulados com as estruturas directivas da escola (sobretudo na sua vertente pedagógica) de modo a que todas as acções desenvolvidas estejam devidamente integradas no Projecto Educativo da Escola.

3- Novas aprendizagens – novas práticas pedagógicas

3-1. As potencialidades pedagógicas das TIC

As práticas pedagógicas que utilizam as TIC duma forma planeada e sistemática permitem:

- o desenvolvimento de uma competência de trabalho em autonomia (fundamental ao longo da vida), já que os alunos podem dispor, desde muito novos, de uma enorme variedade de ferramentas de investigação. “Se é verdade que nenhuma tecnologia poderá jamais transformar a realidade do sistema educativo, as tecnologias de informação e comunicação trazem dentro de si uma nova possibilidade: a de poder confiar realmente a todos os alunos a responsabilidade das suas aprendizagens (Carrier, J.-P., 1998)” (5) .

- um acesso à informação com rapidez e facilidade (um dos seus principais trunfos);

- uma prática de confrontação, verificação, organização, selecção e estruturação, já que as informações não estão apenas numa fonte. As inúmeras informações disponíveis não significarão nada se o utilizador não for capaz de as verificar e de as confrontar para depois as seleccionar. A recolha de informações sem limite pode muito bem provocar apenas uma simples acumulação de saberes.

- o desenvolvimento das competências de análise e de reflexão.

- a abertura ao mundo e disponibilidade para conhecer e compreender outras culturas;

- a organização do seu pensamento;

- o trabalho em simultâneo com um ou mais colegas situados em diferentes pontos do planeta.

- a criação de sites (em colaboração com os colegas e professores da sua ou de outras escolas), a qual vai permitir que os alunos realizem:

- um trabalho de estruturação das suas ideias;

- uma organização espacial;

- uma apresentação com cuidados estéticos;

- um trabalho de descrição e apresentação que proporcionará uma pesquisa histórica, geográfica e cultural sobre a escola, o local e a região onde habitam e estudam;

- um registo de sons e imagens (fotografia e vídeo);

- uma tradução em várias línguas.

Todas estas actividades pressupõem um profundo trabalho de interdisciplinaridade cujo espaço de realização pode ser o CRE.

3-2. O papel dos CRE

Do que ficou dito atrás sobre as potencialidades pedagógicas das TIC, é fácil concluir que os CRE podem criar as condições para proporcionar que as TIC se tornem de facto numa ferramenta que contribua para práticas pedagógicas inovadoras.

A ausência de um programa escolar limitador e de momentos periódicos de avaliação e a possibilidade de uma relação mais informal entre o professor responsável pelo CRE e o aluno constituem algumas das vantagens dos CRE. Todas estas condições permitem pôr em prática com mais facilidade do que na sala de aula todas as actividades atrás indicadas. Para além das actividades já sugeridas, os CRE podem ainda desenvolver outras actividades:

É no CRE que estão reunidos, analisados e postos à disposição da comunidade escolar todos os documentos em suportes variados (verbais, icónicos, ou gráficos). Pôr estes recursos à disposição dos intervenientes no processo educativo implica que o aluno seja ajudado na sua utilização. ”Só temos boas razões para pensar que o CRE é, na escola, um laboratório de comunicação onde as imagens e os média constituem não só uma fonte pedagógica para os trabalhos na sala de aula mas também um objecto de estudo, condição essencial para uma utilização correcta como meio de ensino e de aprendizagem (Borderie, 1997) (6) ”.

1- É indispensável uma formação técnica nos campos a) das ferramentas de navegação; b) do tratamento de texto; c) da recolha de dados.

2- A formação do aluno para uma pesquisa documental multimédia implica também uma formação no campo da “construção de saberes” (Carrier; Lafage 1997) (7) . Para isso, o aluno deve aprender a:

- construir uma pesquisa a fim de obter documentos pertinentes;

- organizar e relacionar os documentos recolhidos;

- verificar a origem dos documentos;

- formular opiniões críticas;

- confrontar estas informações com as de outras fontes;

- realizar um documento de síntese.

É claro que neste trabalho de formação do aluno, o professor tem um papel decisivo. No CRE, mas também na sala de aula equipada com as TIC, cabe ao professor:

- orientar o aluno, dando-lhe pistas e objectivos concretos;

- estabelecer com o aluno uma relação baseada na confiança, no conselho e no acompanhamento;

- propor o reforço de certas noções abordadas nas aulas;

- propor a realização de projectos de investigação documental informatizada, para desenvolver a sua motivação, associar o domínio de ferramentas informáticas à procura de informações precisas, e finalmente, melhorar a sua competência de leitura.

- abordar projectos baseados na análise crítica e comparativa dos media (televisão, imprensa e Internet) de parceria com os professores de cada disciplina.

A confrontação de suportes diversos, tais como os documentos obtidos na Internet, artigos da imprensa, livros e outros documentos, permite ao aluno escolher em função da sua pesquisa, o documento que lhe parece mais adaptado. Porém, a tarefa do aluno torna-se cada vez mais complexa, com tanta variedade de fontes de informação. Por isso, uma ideia é propor-lhe a comparação dos vários suportes tendo em conta critérios de rapidez de acesso à informação, riqueza do conteúdo e validade das informações, o que lhe permitirá desenvolver o seu espírito crítico.


Além de contribuir para formação dos alunos, o CRE também pode (e deve) ser um espaço privilegiado para a formação de professores. Para que os professores deixem de “ter vergonha” (8) de utilizar as TIC, devem aproveitar os CRE para efectuarem a sua formação quer em acções de formação quer com uma prática sistemática, que poderá ser apoiada pelo(s) professor(es) responsável(eis) pelo CRE e, porque não, pelos próprios alunos.

Conclusão

Como ficou claro, a integração das TIC nos processos de aprendizagem pode constituir um factor de inovação pedagógica, proporcionando novas modalidades de trabalho na escola. Porém, a escola tem de acompanhar as transformações sociais. A escola, por natureza lenta, analítica e virada para o passado, tem de ser capaz de se tornar mais atraente, diminuindo o fosso que a separa do mundo exterior onde o aluno vai absorver grande parte das informações que lhe interessam. Cabe à escola transformar-se de simples transmissora de conhecimentos em organizadora de aprendizagens e reconhecer que já não detém o monopólio da transmissão dos saberes, proporcionando ao aluno os meios necessários para aprender a obter a informação, para construir o conhecimento e adquirir competências, desenvolvendo simultaneamente o espírito crítico.

Para possibilitar um acesso igual à informação, a escola tem de conseguir combater as desigualdades existentes à partida, dando a todos os alunos “a possibilidade de recolherem, seleccionarem, ordenarem, gerirem e utilizarem essa mesma informação” (9) .

O simples fornecimento de equipamento informático às escolas não contribui automaticamente para atingir este objectivo.

Tal como aconteceu, em muitos casos, com a utilização pedagógica do audiovisual, se não forem preenchidas certas condições, a integração das TIC no sistema educativo poderá mesmo contribuir para agravar as desigualdades sociais. E, entre outras, essas condições são:

- uma correcta e actualizada formação dos professores;

- uma utilização das TIC devidamente planeada, inserida numa ampla estratégia educativa centrada no aluno;

- uma transformação da atitude da escola (e dos professores).

Esta transformação vai exigir que os professores reconheçam que já não são os detentores da transmissão de saberes e aceitem que as novas gerações têm outros modos de aprendizagem, baseados em estruturas não lineares, completamente diferentes da estrutura sequencial em que assentam os saberes livrescos tradicionais.

Além desta inevitável mudança de atitude da parte da escola (e dos professores), termino com as palavras de Geneviève Jacquinot: “Os media só podem servir de fonte de acesso ao conhecimento se forem integrados, dentro ou fora da escola, no quadro de um projecto ou de uma metodologia. (…) É urgente definir uma nova função da escola na sociedade actual. A questão mais importante é a de saber como vamos fazer uma educação democrática para todos ou, pelo menos, para uma maioria. (…) Devemos construir um discurso sobre a nova função da escola na sociedade tecnológica e criar práticas novas. Uma “educação para os media” bem controlada, exigente, pode ajudar-nos muito nessa tarefa (Jacquinot, 1995)” (10) .

_____________________

Notas

(1) Tardif, Jacques (1998) Intégrer les nouvelles technologies de l'information. Quel cadre pédagogique?, Paris, ESF.

(2) Borderie, René de la (1997) Education à l’image et aux médias, Paris, Nathan.

(3) Borderie, René de la, op. cit.

(4) Carrier, Jean-Pierre (1997)”Les cédéroms dans le biberon : le multimédia et l’éveil des tous-petits.”, Apprendre avec le multimédia. Où en est-on?, Paris : Retz, CEMEA , p. 69.

(5) Carrier, Jean-Pierre (1998) “S’informer et communiquer”, Vers l’Education Nouvelle, nº 487, 7.

(6) Borderie, René de la, op. cit.

(7) Carrier, Claire; Lafage, Claire ”Le CDI à l’heure du multimédia”, Apprendre avec le multimédia. Où en est-on?, Paris, Retz, pp 39-41.

(8) Um estudo recente efectuado pela Universidade de Aveiro, revela que a principal dificuldade dos professores na utilização das TIC em ambiente escolar é a “vergonha”. Vergonha de demonstrar perante os alunos a escassa habilidade no uso de computadores e afins. A amostra deste estudo foram 101 professores no distrito de Aveiro, dos quais apenas um tinha usado o computador para “navegar “ na Internet, sendo que os restantes só usavam computadores para tarefas administrativas. (In Correio da Educação, nº 14, 18/10/99, p. 4.)

(9) Livro Verde da Sociedade da Informação , Ministério da Ciência e Tecnologia.

(10) Jacquinot, Geneviève (1995) “De la nécessité de rénover l’éducation aux médias”, revue Communication, 16, Québec, Univ. Laval.



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Fonte: http://www.univ-ab.pt/~porto/textos/Leonel/Pessoal/tic_cre.htm

17 de mai. de 2009

6º Séminario Intermunicipal de Educação de Campos dos Goytacazes

Olá Amigos

Hoje retomamos as nossas atividades, após uma para obrigatória de ordem pessoal e profissional. Mas estamos fazendo um resumo do que foi esses dias fora. O pessoal do Distrito - DTE de Itaperuna, que é composto pelo NTE de Itaperuna e dos Pólos de Tecnologia - PTE, participaram do 6º Seminário Intermunicipal de Educação em Campos dos Goytacazes, com o título interessante "Vale nota Professor?".

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A lista de palestrantes foi muito boa, com feras do quilate do José Carlos Libâneo, Pedro Demo, Celso Vasconcelos, Emília Cipriano, entre outros. A organização do evento a cargo da WTC RECURSOS HUMANOS do professor Wainer Teixeira de Castro, tudo estava maravilhosamente organizado, além do já tradicional atraso inicial que provocou um atraso no primeiro dia, coisa que não se repetiu depois.

O evento teve a seguir uma pontualidade britânica. Uma coisa que ficou a desejar foi não disponibilizar acesso sem fio ao pessoal que ia trabalhar no evento (assim como esse humilde editor) mas que o pessoal de apoio do evento teve a maior boa vontade em resolver. O meu muito obrigado a todos.

Tive acesso aos palestrantes para entrevista-los para o Portal Conexão Professor e pude entrevista-los em separado antes de suas apresentações. Algumas palestras foram além do esperado e outras bem abaixo. O José Carlos Libâneo foi bem abaixo dos seus textos, o Celso Vasconcelos e a Emília Cipriano foram muito bons mas o grande destaque do evento foi o Professor Pedro Demo.

O cara destruiu geral. Fez uma reflexão tipo "me culpa" entre os professores presentes sobre a nossa inercia profissional e contra um sistema ineficiente, obsoleto e ultrapassado de educação.

E uma referencia boa dessa palestra foi uma definição do jornalista Rodrigo Lara Mesquita em seu artigo no jornal Folha de São Paulo: "O sistema de educação com o qual convivemos nasceu e amadureceu em função da era industrial. Foi um salto em relação ao passado e foi útil para o amadurecimento desta era. Mas assim como a linha de produção, é segmentado, compartimentado e instrucionista. Contribui para anular a possibilidade da criança aprender a aprender, aprender a pensar e refletir na flor da idade do início de uma nova era da História da humanidade que exige o aprendizado contínuo e não a acumulação enciclopédica de dados. "

Exatamente isso que o Professor Pedro Demo falou e mais ainda sobre como o professor deve ser autoral. Deve ter o seu blog, interagir, estar preparado para usar as ferramentas de WEB 2.0, conectado. Filmei as entrevistas, as palestras e em breve as disponibilizaremos por aqui (via YouTube). Abaixo um artigo de como os jovens ensinam a usar o Twitter. Bem interessante.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

11 de mai. de 2009

As Habilidades de Ensino

Profa. Dra. Sílvia Pereira Doutora em Ciência da Educação

A atitude do educador em sala de aula é decisiva para a conquista da confiança dos alunos e para o fluxo tranqüilo das atividades desenvolvidas.

O que significa aprendizagem e ensino? Durante anos, as investigações sobre aprendizagem dominaram o cenário das pesquisas. Os estudos sobre as questões de ensino não tiveram o mesmo tratamento. Hoje, se faz necessário investigar com mais rigor o ato de ensinar. Através de situações reais de sala de aula, poderemos compreender melhor como se dá o fenômeno da aprendizagem.

A aprendizagem é um ato cognitivo fundamental ao qual podemos chegar por inferência e que não podemos observar no lócus onde ela se realiza. Psicólogos cognitivos e interacionistas, como Piaget, Bruner, Ausubel e Vygotsky, mostraram que muitos fatores contribuem para que a aprendizagem ocorra e devem ser levados em consideração pelos educadores, como, por exemplo, a quantidade e a qualidade do conhecimento acumulado que constituem a estrutura cognitiva do ser que aprende; o conteúdo que vai ser ensinado e a forma como ele está organizado; as maneiras como ele será disponibilizado para o aluno; as interações que o indivíduo manteve e mantém na vida.

Para ser um bom professor ou um instrutor de programas de treinamento, não basta dominar um determinado conteúdo. É preciso saber como transmiti-lo. Para isso, chamo a atenção para um dos fatores mais importantes, que é conhecer a estrutura cognitiva dos seus alunos. A estrutura cognitiva é o conjunto de imagens, conceitos, princípios e proposições que cada ser humano possui e a forma como esse conjunto está organizado. Dessa forma, indivíduos que vivem numa mesma cultura possuem, na sua estrutura cognitiva, aspectos comuns a outras pessoas e também aspectos profundamente pessoais. Algumas perguntas devem estar na mente de quem se aventura a ensinar, tendo em vista o conteúdo que quer transmitir e quais os conceitos que já estão disponíveis na mente dos alunos. Que conceitos eles precisam saber para que se possa ensinar esse determinado conteúdo com sucesso? Que relações entre conceitos podem ser estabelecidas de modo a facilitar a aprendizagem? Quem se dispõe a ser um educador deve estar convencido de que o ato de ensinar exige certos cuidados sem os quais não se atingirá o objetivo maior do ensino, que é a aprendizagem.

Anna Maria Carvalho identifica as principais habilidades de ensino, que nada mais são do que os conjuntos de comportamentos do professor, quando este está face a face com seus alunos, possíveis de serem definidos, observados e quantificados. Dentre as muitas habilidades de ensino definidas por vários autores, selecionamos cinco — as habilidades de introdução, de variação, de questionamento, de reforço e de ilustrar com exemplos — , que, a nosso ver, são as mais importantes quando o foco central do curso de formação de professores é aumentar a interação professor– aluno em sala de aula.

Anna Maria ainda destaca, além dessas cinco habilidades, conhecidas e definidas em todos os livros de microensino, uma outra habilidade que, a nosso ver, é essencial para que as demais tenham sentido — a de olhar para o aluno.

1 Habilidade de Olhar para os Alunos

Observamos que um dos comportamentos que aparece com uma freqüência muito aquém da esperada é o de olhar para a classe, olhar para os alunos. O professor, no início de sua carreira, fica tão preso ao conteúdo da aula, ao quadro ou ao material didático que preparou que acaba dando uma aula para ele mesmo, e não para seus alunos. É comum o professor desabafar nas conversas após o término da aula, já na sala dos professores: “Estava tão nervoso que não consegui ver ninguém”.

O ver o aluno, o distinguir quem está entendendo daquele que está em dúvida e, principalmente, o olhar para aquele aluno que quer falar, quer perguntar, mas não está com coragem, são comportamentos primordiais na formação de um bom professor.

Durante a elaboração de uma pergunta ou de uma explicação, é necessário retirar da fisionomia dos alunos a certeza de que eles entenderam o que se está perguntando ou explicando. Quantas vezes não existe resposta por parte dos alunos, não porque estes não saibam o assunto, mas porque não entenderam a pergunta e o professor não conseguiu perceber esse fato? E de que adianta o professor saber fazer perguntas claras e bem-feitas se não der oportunidade a alguém de respondê-las? O incentivar a classe com um olhar, procurando quem possa ou quem queira responder a pergunta feita, é um comportamento totalmente diferente, em termos de participação, de um olhar vago ou fixo em um ponto à espera da resposta de um aluno qualquer.

Quando o professor responde a um aluno em particular, o seu olhar deve abranger toda a classe, pois é importante ver se os outros alunos estão entendendo e interessados no debate. Esse feedback é essencial, pois o professor necessita saber se continua ou se precisa cortar esse diálogo.

Sem dúvida alguma, o comportamento de não olhar para os alunos é o mais inibidor numa sala de aula, por isso mesmo o treino dessa habilidade deve ser feito com carinho e com capricho, com todos os alunos.

2 Habilidade de Introdução

A habilidade de introdução correlaciona-se com a maneira como um professor inicia sua aula ou mesmo uma unidade dentro da aula.

No início da unidade de ensino, é tarefa do professor ganhar a atenção dos alunos e motivá-los para o conteúdo que ele pretende ensinar. É preciso também que o professor estruture, de maneira clara, as tarefas necessárias para o desenvolvimento do trabalho, bem como relacione o que vai ser apresentado com o que o aluno já sabe. Grande parte do sucesso de uma aula advém do uso correto da habilidade de introduzir o tema que será ensinado aos alunos.

Segundo Trott e Strongman (1979), essa habilidade pode ser subdividida em quatro componentes, todos de “vital importância em estabelecer a harmonia necessária no início de cada episódio de ensino”. São eles:

- Ganhar atenção: o professor usa voz, gestos e contatos visuais; utiliza recursos audiovisuais; muda o padrão de interação professor–aluno.

- Motivar: o professor conta uma história, introduz um elemento-surpresa, mostra um fenômeno concreto; principalmente, tem, em relação ao conteúdo apresentado, uma atitude entusiasmada, pois o que mais desmotiva uma aula é a falta de interesse do próprio professor para com o assunto que ele está ensinando.

- Relacionar: o professor dá e pede exemplos relacionados com a vida diária dos alunos; relaciona o conteúdo que está sendo apresentado com a aula anterior (ou com conteúdos já vistos pelos alunos); faz uma pequena revisão da aula anterior antes de estruturar a presente aula; compara, contrasta com coisas que os alunos já sabem.

- Estruturar: o professor limita, de maneira clara, a tarefa que os alunos deverão fazer; fala sobre os objetivos a que a tarefa se propõe, sugere ou faz uma série de perguntas induzindo os procedimentos de como executar a tarefa.

3 Habilidade de Variação

A habilidade de variação está relacionada com a capacidade do professor de variar os estímulos oferecidos aos alunos durante a apresentação de um conteúdo. Ela se baseia no fato de que a atenção dos alunos é mais intensa e se mantém durante mais tempo quando existe uma variação de estímulos. Além disso, essa habilidade está relacionada com o fato de ser o professor o grande “ator” dentro de uma sala de aula, e, por isso, ele precisa estar consciente da utilização de sua própria pessoa como uma fonte de variação e estímulo. Essa conscientização é necessária, não para limitar a sua atuação, mas, ao contrário, para libertá-lo, para que pense sobre os seus comportamentos e a potencialidade pessoal que pode ser aproveitada, respeitando, é claro, o estilo individual que cada professor tem ao dar uma aula.

Para podermos analisar melhor essa habilidade, vamos subdividi-la em três componentes: a participação do professor, o estilo de interação professor–aluno e a pausa.

Participação do professor

O professor deve jogar com vários fatores pessoais para que sua aula não se torne monótona. Entre esses fatores, podemos citar:

- Movimentos: um simples componente dessa habilidade é o professor se movimentar pela classe. O fato de ir até as carteiras dos alunos ou passear entre as fileiras pode tornar os alunos mais atentos à lição. Entretanto, deve-se tomar cuidado para não distrair os alunos em vez de fazê-los prestarem mais atenção.

- Gestos: os gestos de cabeça e corpo tornam a apresentação de um professor mais expressiva. Muitas vezes, a gesticulação do professor não só é desejável, como também necessária, por exemplo, quando precisa chamar a atenção para um determinado ponto de um esquema, de uma fórmula, de um aparelho. A combinação de voz e gestos nesses casos é imprescindível para os alunos acompanharem a explicação.

- Variação no padrão da exposição: o professor varia a velocidade e o volume da voz. Varia também a maneira de falar, principalmente introduzindo perguntas.

Estilo de interação professor–aluno

Um fator muito importante para dinamizar uma exposição é a introdução da participação do aluno. A variação no estilo de participação dos alunos numa aula, assim como a própria participação do aluno, promove um maior interesse deste pelas aulas. Essa interação professor–aluno pode ser induzida de três diferentes maneiras:

- O professor faz perguntas para a classe de maneira geral, podendo a pergunta ser respondida por qualquer um dos alunos.

- O professor faz a pergunta dirigindo-se de antemão para um determinado aluno.

- O professor pode estimular a interação aluno–aluno.

Pausa

A pausa é uma figura muito usada, não só por conferencistas, como por atores, para aumentar a atenção de quem ouve. A pausa deve ser estimulada no treinamento dos professores, pois ela:

- Separa blocos de informações dentro de um conteúdo estruturado.

- Capta atenção, promovendo uma mudança nos estímulos apresentados e, conseqüentemente, uma maior atenção por parte dos alunos.

- Causa tensão, o que acarreta uma busca de solução, pelos alunos, para aliviar a tensão.

A partir disso, é importante que o professor saiba dosar as pausas, não ficando aflito, “correndo” sem parar para cobrir todo o tempo da aula. A pausa também ensina.

No treino dessa habilidade de variação dos estímulos, o professor precisa tomar alguns cuidados, tendo em vista que, procurando a atenção dos alunos, ele pode distraí-los. Para observar esse fato, o professor deve prestar muita atenção nos seus alunos. Estes são os melhores feedbacks de sua atuação em classe.

4 Habilidade de Questionar

A habilidade de formular perguntas é, talvez, a mais complexa das habilidades desenvolvidas pelo professor em sala de aula e, sem dúvida alguma, a mais difícil de ser treinada.

Existem evidências (KRASILCHIK, 1980) de que o professor não faz, nem em número nem em nível, as perguntas necessárias para promover o desenvolvimento dos processos mentais dos alunos. Se levarmos em conta que a quase totalidade das aulas em nossas escolas é expositiva e que a principal “atividade mental” dos alunos nessas aulas é responder perguntas, e lembrando que a aprendizagem é função da atividade do aluno, vemos a importância fundamental de treinar o futuro professor nessa habilidade.

Além de promover o desenvolvimento intelectual dos alunos, o questionamento proporciona ao professor o feedback necessário para se certificar se eles estão acompanhando-o no desenvolvimento da matéria ensinada. Sem esse perguntar e responder, é bem possível, mesmo freqüente, que o professor chegue ao fim da aula sozinho, ou com um número muito pequeno de alunos acompanhando-o; o restante da classe foi ficando para trás em diversos instantes, em diversas etapas. A esses alunos, resta muito pouco a fazer em classe, além da indisciplina.

Para facilitar o treino na habilidade de questionar, vamos estudá-la sob dois pontos de vista: quanto à utilização dada pelo professor e quanto ao nível de complexidade.

Em relação à utilização dada pelo professor, podemos classificar as perguntas em:

- Perguntas esclarecedoras: são as que têm por objetivo avaliar a eficiência do ensino levando o aluno a reformular aquilo que está aprendendo. Estão também nessa categoria as perguntas sobre assuntos já tratados, mas relacionados com o atual. O objetivo fundamental das perguntas esclarecedoras é proporcionar feedback ao professor.

- Perguntas estimuladoras: são as elaboradas visando levar o aluno a uma descoberta, a um determinado fim. Estimulam o pensamento criativo dos alunos, envolvendo-os em situações problemáticas. Na maioria das vezes, são elaboradas em seqüência, de tal forma que as respostas dos alunos à primeira provocam a pergunta seguinte e assim sucessivamente, até o professor chegar a um ponto predeterminado. Os exemplos mais felizes dessa seqüência de perguntas estimuladoras encontram-se no livro Convite ao Reacionário, de Schwab (1972).

- Perguntas sem sentido: são as que não levam a parte alguma (infelizmente, as mais comuns). São geralmente feitas pelo professor no início ou no fim de um assunto e nunca obtêm resposta dos alunos; ao contrário, os inibem. Exemplos típicos de perguntas sem sentido: Vocês entenderam o que acabei de explicar? Quem tem dúvidas? Quem não entendeu? Vocês lembram como expliquei na aula passada?

A dificuldade no treinar o estagiário é fazer com que ele transforme todas as perguntas sem sentido em perguntas esclarecedoras.

Em relação ao nível de complexidade, o mais freqüente é classificá-las de acordo com os níveis apresentados por Bloom (1973). Assim, temos questões de:

- Recordação: o professor faz perguntas que exigem apenas a lembrança do material já estudado.

- Compreensão: o professor faz perguntas que testam o entendimento dos alunos.

- Aplicação: o objetivo dessas questões é dar a oportunidade aos alunos de fazerem uso dos conhecimentos já adquiridos em novas situações.

- Análise: são perguntas que requerem que os alunos façam deduções, organizem e exprimam seus pensamentos, examinem e interpretem evidências, etc.

- Síntese: são questões que envolvem o aluno em atividades criativas.

- Avaliação: o professor faz perguntas que requerem de seus alunos um julgamento e as razões que suportam esse julgamento.

A principal dificuldade na análise dessa habilidade é que quase 100% das perguntas feitas pelos estagiários (e esse número reflete também os professores nas escolas) são de recordação. O problema no treino é a elevação do nível de complexidade das perguntas. Depois da constatação, vendo e medindo através do videoteipe o nível das questões feitas, uma proposta é dada ao estagiário (ou à classe para ser discutida em conjunto): como transformar as mesmas questões de recordação em questões de compreensão? Ou de aplicação?

5 Habilidade de Reforço

A habilidade de reforçar os alunos durante o decorrer de uma aula é a que, teoricamente, oferece menos resistência por parte dos professores em geral, mas nem por isso, quando percorremos as escolas, encontramos em sala de aula professores que elogiem seus alunos com alguma freqüência.

Todas as teorias de aprendizagem, de Skinner a Piaget, mostram que o elogiar e o aceitar as idéias dos alunos fazem com que estes participem mais no trabalho em classe. Inúmeras pesquisas empíricas chegaram também a esse mesmo resultado: o comportamento do professor em aceitar as idéias dos alunos é um dos fatores do crescimento cognitivo desses mesmos alunos (BROPHY, 1979, 1981; e FLANDERS, 1967). Entretanto, o que encontramos com uma freqüência assustadora nas escolas é o reforço negativo, isto é, a crítica direta aos alunos ou a rejeição de suas idéias, seja através de palavras, seja — mais disfarçadamente, mas nem por isso menos percebida — por meio de gestos ou caretas.

Vamos subdividir a habilidade de reforçar em reforço positivo — comportamentos do professor: (1) elogiar seus alunos quer verbalmente, quer por meio de gestos e acenos de cabeça; e (2) aceitar as idéias dos alunos, repetindo-as com suas palavras para a classe, por exemplo, “O que o José quis dizer é... , e está perfeitamente correto”, ou escrevendo-as no quadro — e reforço negativo, pelo qual entendemos toda a crítica aos alunos, quer aos seus comportamentos em aula, quer à sua participação intelectual.

O treinamento dessa habilidade deve ser feito em duas etapas: fazer com que os professores passem a elogiar e aceitar as idéias dos alunos e também que deixem de criticá-Ios.

A primeira fase é fácil. Basta que o professor assista pelo videoteipe à sua aula e conte quantas vezes poderia dizer “Ótimo”, “Muito bem”, “Você está certo”, etc. Assistindo à sua segunda microaula, quando ele propositadamente elogiou os alunos, e observando agora a expressão alegre destes ao serem elogiados ou ao verem aceitas suas idéias, essa impressão se torna muito forte e faz com que os elogios e as aceitações das idéias apareçam normalmente nas outras aulas.

A segunda fase é mais difícil, pois, se um aluno fala alguma coisa errada, instintivamente o professor diz: “Não, isto está errado”, e, quando vamos discutir esse comportamento, ele sinceramente acha que estava certo — como professor, seu dever é ensinar o que é certo e o que é errado.

Fazer o professor entender que pode ensinar o certo sem precisar agredir e que ele pode e deve utilizar o conflito de idéias para tirar as dúvidas, não sobrepondo a “[...] certeza do professor às idéias que nascem nos alunos”, é uma tarefa difícil. É difícil mesmo fazer com que o professor preste mais atenção ao aluno que erra do que àquele que acerta. O que acerta merece um elogio, mas o que erra merece atenção, uma procura de onde ele raciocinou errado, uma busca para trazê-lo ao mesmo nível dos outros.

Um aluno realmente aprende quando tem condições de discutir suas idéias, de compará-Ias com outras, isto é, de “agir intelectualmente” sem precisar acertar o que o professor fala.

É importantíssimo fazer com que o professor sinta que a resposta “Não” não ensina nada e que perguntas como: “Por que você pensou assim?”, “Não entendi seu raciocínio, explique para nós”, “Talvez você esteja certo, mas eu não entendi bem o que você quis dizer” podem levar a um entendimento muito melhor da matéria pelo aluno e do aluno pelo professor.

6 Habilidade de Ilustrar com Exemplos

Essa é uma habilidade que o professor necessita apenas sistematizar, pois o problema de exemplificar uma regra ou um conceito ou uma lei é natural em quase todos os estagiários que vão dar aulas, pois todos nós sabemos que, relacionando o que queremos ensinar com o dia-a-dia dos alunos, estes prestam mais atenção, entendem melhor nossas idéias e, conseqüentemente, têm uma aprendizagem mais eficiente.

O importante no treinamento dessa habilidade é relacioná-Ia com a habilidade de fazer perguntas, pois os exemplos não devem ser dados só pelo professor, mas também pelos alunos. Lembramos que um bom método de verificar se eles entenderam o que explicamos é ver se são capazes de exemplificar as idéias apresentadas.

Essa habilidade, então, deve ser entendida nos dois sentidos: o professor exemplifica para os alunos, que, por sua vez, são capazes também de exemplificar para ele (ou para a classe). Podemos notar que essa habilidade está muito interligada à habilidade de proporcionar feedback.

Tradicionalmente, o exemplificar em sala de aula tem dois enfoques básicos:

O dedutivo, quando:

- Introduz-se um conceito (lei, princípio, etc.).

- Exemplifica-se ou pedem-se exemplos para os alunos com a finalidade de esclarecer, tornar fáceis as idéias mais complexas e verificar o entendimento dos alunos.

- Retoma-se o conceito explicado, deixando clara a conexão deste com os exemplos dados.

O intuitivo, quando:

- Parte-se dos exemplos (eventos, fatos, acontecimentos do dia-a-dia, experiências de demonstração, etc.).

- Tiram-se inferências, conclusões, a partir dos exemplos, sistematizando conceitos, leis ou princípios.

- Pede-se aos alunos mais exemplos para verificar se eles entenderam os conceitos.

Não há pesquisas suficientes que mostrem que um enfoque produz uma melhor aprendizagem do que outro. As variáveis individuais de cada professor e a dificuldade do próprio conteúdo é que vão determinar a escolha do enfoque dedutivo ou do indutivo. O importante é que os exemplos facilitem o entendimento dos conceitos pelos alunos e que o professor torne sempre clara a conexão exemplo–idéia.

Transcrição do texto As Habilidades de Ensino (CARVALHO, Anna Maria Pessoa de. Prática de Ensino: os Estagiários na Formação do Professor. São Paulo: Pioneira,
1989. p. 49–60).

Sobre a autora:
Sílvia Pereira é professora da Universidade Federal Rural de Pernambuco – UFRPE/Educação.

Fonte: http://www.construirnoticias.com.br/asp/materia.asp?id=1330

7 de mai. de 2009

Professor, você utiliza ou gostaria de utilizar a internet em sala de aula?

Professor, você se sente à vontade para usar a internet na sala de aula? As novas tecnologias facilitam ou prejudicam o aprendizado da turma? “Um projeto de mudança curricular do ensino primário na Inglaterra quer que a tecnologia seja a "espinha dorsal" do currículo e que os alunos menores de 11 anos estejam aptos a usar ferramentas como Twitter, blogs e Wikipédia, dando-lhes a mesma importância de matérias como história ou matemática.”

“Para a pesquisadora Rosária Nakashima, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), o futuro da escola depende da abertura para os novos recursos tecnológicos que estão surgindo”, os quais “podem ser usados de forma pedagógica”.

Contudo, embora “a escola ainda seja o lugar mais habitual para a navegação pela rede”, no Brasil, a internet ainda é pouco usada em salas de aula: “cerca de 50% dos professores não utilizam nem recomendam a internet como recurso útil para os estudos”.

Você acha que a internet é útil para a realização dos estudos? Você utiliza ou gostaria de utilizar a internet em sala de aula? Comente.

Fonte: http://forum.educacao.blog.uol.com.br/arch2009-04-05_2009-04-11.html#2009_04-06_11_54_23-8953204-0

3 de mai. de 2009

Rever o quê, mudar por quê

Olá Amigos

Cada dia eu me surpreendo com a quantidade de informação disponível ( e olha que tem professor achando que pode mais, coitado) na internet. Numa dessas andanças eu encontrei essa maravilha de texto intitulada "Rever o quê, mudar por quê" do Luiz Carlos de Menezes, físico ( mais um do ramo Sergio) e educador, é professor da Universidade de São Paulo, no Instituto de Física e no programa de pés-graduação da Faculdade de Educação.

Nesse texto ele cita:

"O que é necessário rever? Segundo o autor, o Projeto Pedagógico da Escola.
Por quê? Porque assim como o mundo mudou, o público da escola e a função que ela deveria assumir também mudaram. Mas, nem sempre, os Projetos Pedagógicos das escolas refletem tais transformações.
Vencer a resistência à mudança e ancorar-se na esperança é tarefa imprescindível para que a escola enfrente, de maneira corajosa, os problemas que lhes são colocados.
Não há mais como lamentar e esperar que todas as dificuldades se resolvam para que a escola realize sua função com sucesso: fazer com que todos os alunos aprendam.
Para isto, é preciso mudar o "velho Projeto Pedagógico", marcado principalmente pela centralidade do aspecto cognitivo na tarefa educativa. Conceber um "novo Projeto Pedagógico" voltado para o desenvolvimento de competências e para a promoção de valores humanos e éticos, bem como comprometido com saberes práticos.
Mas, para a construção deste Projeto Pedagógico não existem modelos ou regras; ele deve ser feito por e para cada escola.
Enfim, é preciso realizar uma revisão efetiva da escola para que, se transformando, ela possa, de fato, assumir sua função neste mundo também transformado."

Clique aqui para ler o texto na íntegra. Para isso você precisa ter o programa Acrobat Reader.

Esse texto é um artigo da Revista Acesso: revista de educação e informática n. 14. São Paulo: FDE, dez. 2000. Páginas: 29-34

Não deixe de ler.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

30 de mar. de 2009

A Tecnologia no ensino presencial e a Distância

Olá Amigos

A minha amiga Jenny Horta editora do blog PC e a Criança que está fazendo especialização pelo CEDERJ, ela neste semestre está tendo a disciplina Educação a Distância - EAD. Ela comenta que "ao assistir este vídeo, refletiu sobre como o uso da tecnologia é primordial nesta modalidade de ensino, mas observou que mesmo dentro do ambiente escolar tradicional, a presença das tecnologias e a forma como a utilizamos deve ser amplamente avaliada".

Segundo a Jenny Horta "Não basta montar a parafernália de última geração, é preciso avaliar e elaborar constantemente a metodologia empregada.". Com essa definição vamos ao vídeo:



Agora que você assistiu o vídeo me diga uma coisa: Ela está correta ou você pensa diferente?

Opine, Comente

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

24 de mar. de 2009

Vídeo - A Vision of K-12 Students Today

Olá Amigos

Encontrei essa dica de vídeo lendo um artigo do Pedro Demo intitulado Educação e Novas Tecnologias - Sonhos e Pesadelos no blog dele. O texto alem de ser uma pedrada, o vídeo então nem se fala. Vamos ao vídeo.

Sem Legenda


Com Legenda


Este vídeo foi criado para inspirar os professores a utilizar tecnologia na educação e desenvolver maneiras de ajudar os estudantes a pensar competências. Igualmente importante, que serve para motivar os líderes a nível municipal, estadual e federal fornecer professores com as ferramentas e formação para o fazer tecnológico.

O vídeo trás algumas mensagens muito importantes para os professores que ainda relutam em adotar uma nova forma de ensinar. os jovens vivem num mundo totalmente globalizado, onde o virtual se mistura ou real, onde os limites são tênues. Os professores que ainda acreditam que esse modelo de escola conteudista e avaliativa como meta e não o foco na aprendizagem e crescimento intelectual para o fazer, pensar, construir, dividir e colaborar estará com os seus dias contados.

Isso é que é chamar a reflexão. E você professor como se vê dentro desse turbilhão?

Comente. Opine.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

6 de mar. de 2009

Pedagogia de Projetos e a Aprendizagem Baseada em Problemas

Mônica Alves de Faria

Através da pedagogia de projetos possibilita- se a pesquisa, o aproveitamento das vivências dos alunos como forma de motivar o aluno a descobrir e interessar-se por novos conhecimentos. Inicia-se o trabalho pelo senso comum até atingir um conteúdo sistematizado.

Nesta proposta o necessário que o professor tenha uma postura progressista e que se aproxime do aluno (escute-o), considere-se um aprendiz constante, e pense que pode aprender muito com seus alunos.

Poucos professores estão preparados para integrar esses diferentes domínios na sua ação pedagógica, isso implica maior compromisso na sua formação. Por isso, a formação do professor envolve muito mais do que provê-lo com conhecimento técnico sobre computadores. Deve-se criar condições para o professor construir conhecimentos sobre os aspectos computacionais; compreender as perspectivas educacionais subjacentes aos softwares em uso, isto é, as noções de ensino, aprendizagem e conhecimento implícito no software, e entender por que e como integrar o computador na sua prática pedagógica.

Deve proporcionar ao professor as bases para que possa superar barreiras de ordem administrativa e pedagógica, possibilitando a transição de um sistema fragmentado de ensino para uma abordagem integradora de conteúdo e voltada para a elaboração de projetos temáticos do interesse de cada aluno.

Finalmente, deve criar condições para que o professor saiba recontextualizar o aprendizado e a experiência vivida durante sua formação na sala de aula, compatibilizando as necessidades de seus alunos e os objetivos pedagógicos que se dispõe a atingir. professor não só estará adquirindo habilidades e competências técnicas e pedagógicas, mas tornando-se um verdadeiro educador. Educar, nessa nova concepção significa saber criticar e criar novos conhecimentos.

O Quadro Cognitivo (sugerido pela Lea Fagundes) pode ser elaborado facilmente com os alunos juntamente com os professores ou em grupos, ou duplas, para para facilitar a elaboração de projetos. Nele faz-se as seguintes perguntas: O que sabemos?, O que queremos saber?, Como vamos saber? O que vamos fazer? Quando vamos fazer? .

Para a montagem do projeto a introdução deve conter a contextualização, a justificativa, a problematização e os objetivos. Na contextualização o faz-se a apresentação do tema, os sujeitos envolvidos, o local e a data, além da exposição da necessidade de fazer a pesquisa sobre esse determinado tema. Na problematização o três questões básicas devem ser levantadas (O que já sabemos?, O que queremos saber e Como vamos saber?). Após as respostas destes questionamentos através da pesquisa vem o desenvolvimento do projeto quando deverá ser respondido: O que vamos fazer após ter colhido os dados pesquisados? Quando vamos fazer?

Ou seja, quanto tempo será realizado esse projeto, e por último a avaliação. Devemos observar se os objetivos foram atingidos positivamente ou não, devem ser justificados e apresentado na escola através de um mural, ou de uma exposição. No início, os trabalhos não saem maravilhosos, mas com a prática e vários profissionais aplicando a mesma metodologia, as chances são enormes. Professores e alunos precisam de um tempo para aprenderem juntos a elaborarem projetos, e os executarem sucessivamente.

Infelizmente alguns professores resistem em aderir a esta inovação e insistem em continuar trabalhando apenas com aulas expositivas, apagador e giz, cobrando de seus alunos a repetição e memorização dos conteúdos, mas vivemos numa democracia e precisamos respeitar a diversidade. O mediador é importantíssimo nesse processo porque tem que sensibilizar seus colegas com argumentos muito bem fundamentados. É fácil compreender essa resistência pois o avanço da tecnologia tem se dado tão rapidamente que amedronta os mais velhos a se inserirem nesse novo mundo digital que a cada dia faz mais parte do cotidiano da sociedade.

Fonte: http://www.abed.org.br/revistacientifica/Revista_PDF_Doc/2007/2007_EaD_o_professor_e_a_inovacao_Monica_Faria.pdf

25 de fev. de 2009

Pedagogias para a Web 2.0

Antonio Mendes Ribeiro

Hoje existe um descompasso entre a geração de jovens que nasceram com a Internet (chamados nativos digitais ou geração Y) e a escola convencional (com seus professores imigrantes digitais). Veja em Nativos versus Imigrantes Digitais. Alguns estudos e observações mostram que esses novos alunos não estão se dando bem na sua vida escolar. Veja uma discussão sobre esse assunto aqui no Peabirus: A Internet educa? .


Fica claro que a nossa escola não está preparada para lidar com essa geração e trazê-la para o “ bom caminho”. O desafio para os pais e professores no mundo de hoje é se apropriarem das tecnologias existentes e criarem condições para que os jovens dominem as diversas linguagens necessárias, não somente a digital. Como as tecnologias podem contribuir nesse sentido se elas nos fazem ficar perdidos num mundo de informação, nos induzem a ações rápidas e superficiais?



A experiência da nova geração na Internet, favorecendo o relacionamento com os amigos, a utilização de ferramentas fáceis de usar, deu-lhes uma habilidade que está acima do simples domínio da tecnologia. Além da facilidade de comunicação, eles têm a abertura para enfrentar e resolver problemas de uma forma diferente, mais experimental (sem ler os manuais, sem se achar incapaz de fazê-lo). Essas características são essenciais no mundo de hoje e fazem falta a todas as gerações. A maior parte das pessoas e principalmente os professores, tem muito a aprender com eles.

Para a viabilização de processos de capacitação mais abertos, mais voltados para a realidade de nosso mundo, que contribuam para trazer os imigrantes digitais para o mundo dos nativos digitais ( e vice-versa), temos um caminho longo pela frente, capaz de permitir que alcancemos as respostas a questões como:

Como mapear as diversas tecnologias, sejam ambientes de colaboração (blogs, twitter, wiki) ou ferramentas pessoais (editores de texto, vídeo), de forma a viabilizar posturas e participações adequadas ao meu processo de aprendizagem?

Como as teorias de aprendizagem atuais contribuem para que a viabilização de participações efetivas nas redes digitais?

Quais são as estratégias de aprendizagem que permitem a efetivação de práticas pedagógicas adequadas à realidade de meu processo de capacitação desenvolvido através do uso das tecnologias atuais?

Os especialistas e as pessoas envolvidas com a Educação precisam verificar o que as diversas teorias da área têm a ver com as práticas possíveis na web atual. Como as tecnologias podem ser utilizadas baseadas no que se pode chamar de “ boas pedagogias”. A autora Gráinne Conole, da Open University da Inglaterra, no seu artigo New Schemas for Mapping Pedagogies and Technologies, nos oferece alguns esquemas que podem nos ajudar nesse sentido. As teorias de aprendizado mais atuais enfatizam mais os benefícios do social e do aprendizado situado, em detrimento do aprendizado individualizado, voltado para resultados, mais valorizado pelas teorias como o comportamentalismo. A nova era da Internet, a web 2.0, caminha também nesse sentido, permitindo práticas mais coletivas e colaborativas em rede. Em algumas áreas os efeitos dessas tecnologias já são bastante visíveis, como no caso do Marketing. Na Educação certamente esses efeitos ainda levarão algum tempos para serem sentidos de forma significativa.

As tecnologias atuais permitem a criação de ambientes de aprendizado baseados em pedagogias que valorizam princípios básicos cada vez mais importante no mundo de hoje, como abertura, conexão, autonomia, contextualização e diversidade. Veja em Aprendizado Aberto: uma possibilidade atual . Processos de capacitação contínuos, que não retirem as pessoas adultas de seu ambiente de trabalho são possíveis de serem realizados baseados nesses princípios com apoio das tecnologias da web 2.0. Veja o curso Connectivism & Connective Knowledge sendo realizado na Universidade de Manitoba no Canadá que está sendo chamado de um curso aberto online para as massas.

Fonte: http://www.peabirus.com.br/redes/form/post?topico_id=14378

2 de jan. de 2009

Você está pronto para treinamento via e-Learning?

Olá Amigos

Hoje visitando os blogs dos amigos vi esse vídeo fantástico no blog da minha amiga Tatiane Martins editora do blog "Mulher é desdobrável. Eu sou." e escritora do livro Poeme-se. O vídeo remete ao questionamento de que se estamos prontos para uma educação online definitiva. Assista abaixo o vídeo e reflita.


Vídeo "teaser" sobre o crescimento do e-learning ou EAD, retirado do site da ADL, detentora do padrão SCORM (www.adlnet.gov). Legendas em português por Juliano Magalhães - Connection e-Learning/EAD corporativo (www.mmconnection.com.br).

Eu sinceramente não acredito ainda nessa afirmação por causa de um monte de motivos, sendo o principal deles a transformação do processo de aprendizagem individual para colaborativa e coletiva estar ainda muito no começo ou mal aplicada. Veja esse vídeo abaixo agora.


Vídeo Aprendizagem Colaborativa. Moodle Brasil - By Júlio Mouro - Set/2006

O que achou? Você aposta na educação online definitiva? Opine e Comente aqui.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

22 de dez. de 2008

A guerra dos alfabetizadores

"Vós,investigadores, não deveis confiar em autores que, apenas pelo emprego da imaginação, se fazem intérpretes entre a natureza e o homem, mas somente naqueles que exercitaram seu intelecto com os resultados de experimentos."
Leonardo da Vinci

Antes mesmo de Francis Bacon, Da Vinci já mostrava o caminho da ciência experimental, cujos avanços mudaram a face da Terra. Alguns ramos da ciência embarcam em naves espaciais. Mas, entre nós, há educadores que, nessa matéria, continuam refestelados em seus uivantes carros de boi. As discussões sobre como alfabetizar uma criança ainda não seguiram os conselhos de Da Vinci: se há dúvidas, é preciso buscar os "resultados de experimentos". Os vôos da imaginação só cobrem a decolagem do processo científico. A aterrissagem é no solo do mundo real.

Circulam pelo menos quatro escolas de pensamento. Há uma que afirma ser a leitura um processo global. Aprende-se a ler frases inteiras, blocos de palavras. Ao lidar com um assunto palpitante, tudo dá certo. Esse é o método exaltado pelos gurus e adotado quase universalmente. Outra escola afirma que o melhor é metodicamente aprender sons e letras. É o método fônico, neto do velho bê-á-bá. Uma terceira seita fica entre as duas anteriores. Adota o processo fônico, mas acha necessário contar uma história interessante, em paralelo à tarefa mecânica de aprender a associar sons e garranchos no papel. Por último, há um grupo agnóstico, que afirma que, não importa o método, tudo depende do professor. Cada grupo cita seu guru favorito, e a discussão patina.

Como a capacidade de ler e entender é algo eminentemente mensurável, estamos falando de números. Por sorte, há números em abundância. Isso porque, como os Estados Unidos e a Inglaterra passaram por dilema semelhante, foi criado um Literacy Panel, encarregado de juntar todas as pesquisas sérias feitas sobre o tema (veja-se Diane McGuinness, O Ensino da Leitura, editora Artmed). Apareceram cerca de 100 000 artigos científicos. Passando o pente-fino, sobreviveram menos de quarenta. Pelas mesmas razões que não é necessário ser engenheiro automobilístico para ver quem chegou em primeiro numa corrida, podemos medir qual método alfabetiza melhor sem entender suas teorias.

Os resultados são bastante claros e se aplicam ao português – por ser também uma língua fonética. Nem uma só pesquisa confiável mostrou vantagens para o método global. A disputa foi entre variantes do método fônico. A combinação do fônico com uma contextualização ou enredo não mostrou bons resultados. Ao que parece, a historinha que acompanha o aprendizado de letras e sons desvia a atenção e consome tempo dos alunos. É melhor primeiro aprender a ler bem e depois dedicar-se a entender o que está escrito. Observou-se também que, quanto mais fraco o aluno, mais o método fônico traz vantagens. Tais resultados puseram uma pá de cal na controvérsia. Todos os países de Primeiro Mundo que haviam abandonado os métodos fônicos voltaram a adotá-los. Faz pouco, o ministro francês Gilles de Robien proibiu o global.

As pesquisas mostram vantagens sistemáticas para o fônico. Portanto, a hipótese dos agnósticos é negada. De fato, se o método fosse irrelevante, tais diferenças não existiriam. Mas os agnósticos podem ter alguma razão quando se comparam professores que não conhecem bem nem um método nem outro. Nesse caso, as comparações não mostram nada.

Em ciência não há conclusões definitivas ou finais. Mas, até que se refutem as conclusões do Literacy Panel, o que sabemos hoje nos obriga a aceitar a superioridade do método fônico. A sociedade brasileira tem o direito de fazer duas exigências aos que recebem salário (pago pelos contribuintes) para cuidar de alfabetização. Que superem suas cruzadas ideológicas e se ponham de acordo. Que para isso se valham dos princípios da ciência empírico-dedutiva, que, desde Bacon, todos os cientistas aceitam (ou seja, o que valida uma hipótese são experimentos, não os gritos de seus defensores).

Claudio de Moura Castro é economista
(Claudio&Moura&Castro@cmcastro.com.br)

Fonte: http://veja.abril.com.br/120308/ponto_de_vista.shtml

19 de dez. de 2008

Professor do Futuro e Reconstrução do Conhecimento

RESUMO DO LIVRO: PROFESSOR DO FUTURO E RECONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO.

Esse livro traz uma visão renovadora do papel do professor inserido em todo o contexto educacional enfocando principalmente a aprendizagem do aluno. Pedro Demo faz algumas reflexões que considera relevantes para o processo ensino-aprendizagem.

Ele fala que a escola é o mais importante caminho para a construção de conhecimento, é nela, que o nosso cérebro é estimulado a trabalhar com o CONHECIMENTO que possuímos anteriormente de freqüentarmos uma instituição escolar, porém, esse processo somente obterá êxito se o aluno realmente compreender o tema e a sua importância, de modo que ele possa tornar-se um não apenas um sujeito integrante, mas também interativo.

O autor ressalta que não é possível promover aprendizagem em sala de aula se o professor não tiver total domínio do conteúdo, sem precisar recorrer constantemente nos livros didáticos que apresentam respostas prontas e únicas para os exercícios, também afirma que: quem estuda com quem não estuda jamais aprenderá estudar.

Demo diz que o livro didático suprime a voz e as inquietudes do aluno não deixando revelar o cidadão que queremos. O poder do livro didático como discurso de verdade, enfatiza o conteúdo a distanciada como um exercício de reprodução e não de formação e/ou criação. Então ele fala que é preciso proporcionar ao aluno atividades que possibilitem estimular seu raciocínio, trazendo as atividades mais perto possível da realidade do educando.

Pedro Demo também faz uma classificação significativa de nove requisitos básicos para que o professor construa o perfil do professor do futuro, ele deve ser:

1) pesquisador;
2) formulador de proposta própria;
3) capaz de por em prática a teoria e teorizar a prática;
4) permanente atualizado em seu conhecimento;
5) aperfeiçoar-se também nos meios tecnológicos;
6) torna-se interdisciplinar;
7) deve ter mestrado;
8) engajado com a cidadania;
9) Professor do futuro é aquele que sabe fazer o futuro.

Estes são os noves requisitos apresentados por Pedro Demo para formar um professor do futuro, e fundamenta suas teorias dizendo que: fizeram futuro as sociedades que souberam pensar, as sociedades que souberam produzir e usar de modo inteligente as energias de conhecimento, a versatilidade autopoética da aprendizagem, a indocilidade da educação.

Fonte: http://www.netsaber.com.br/resumos/ver_resumo_c_45489.html

16 de dez. de 2008

Pedagogia do Fingimento

Nildo Lage

É impossível falar de educação sem voltar os olhos para o passado. É mais impossível ainda fazer educação sem se apossar de heranças filosóficas, tendências... porque, desde os tempos remotos, a história é escrita por aqueles que a determinavam. E narrada por aqueles que tentam fazê-la.

Inácio de Loiola trouxe a novidade com a Companhia de Jesus, alarmado com a expansão do luteranismo na Europa. Não funcionou. A única saída foi a Reforma Pombalina da Educação, que descartou o Sistema Jesuítico... Daí por diante, a história foi se desfigurando, gerando “estórias”. E, há tempos, a sala de aula está perdendo a originalidade, deixando de ser um local de aprendizagem, reflexão, troca de conhecimentos, de experiências... Porque está se convertendo num campo de batalhas: professores desmotivados travam uma guerra com alunos impregnados de armas sociais — violência doméstica, urbana, psicológica, drogas, abandono social — que chegam com o intuito de brincar, se divertir para passar o tempo. O professor, menos preocupado ainda, passa por breves instantes pela sala para dar uma “espiada” e cumprir um contrato de trabalho, sem se incomodar com a aprendizagem e as experiências dos alunos.

Nesse jogo do faz-de-conta, princípios didáticos, filosóficos e éticos estão enfraquecendo no infértil terreno do conhecimento, porque violência, agressões, desrespeito mútuo estão consumindo a espécie-símbolo: o diálogo, que é o elo do relacionamento professor–aluno. A troca, a parceria, a afetividade estão abaladas, cada vez mais ausentes.

Nessa guerra na busca do saber, professores lançam conteúdos frívolos garganta abaixo e não cobram resultados. Alunos digerem o prato do dia e se sentem fartos... Uma avaliação para cumprir o protocolo, e lá se foi um bimestre. Um problema a menos. “Colões” e “decorebas” se dão bem. Os “menos espertos” fazem um “trabalhinho extra” para recuperar a nota, o tempo perdido... e lá se vão... O novo bimestre os espera.

Com tantas veias de escape, aprendizagem, conhecimento e saber nunca se encontram. Treinamento e capacitação trilham caminhos diferentes, e a essência da educação vai se esvaindo, perdendo originalidade pelos rincões do construtivismo, do sociointeracionismo, das tendências pedagógicas que surgem num piscar de olhos: Vygotsky, Piaget, Vallon, Ferreiro, Freire... De filosofia em filosofia, de pensamento em pensamento, a nova tendência “Crítica Social” vai surgindo, com o sonho de chegar para ficar.

Se não for puxado o freio de mão, em breve, teremos que escrever a nova “História da Educação”, porque os grandes pensadores terão as suas idéias ultrapassadas. Perderão espaço para os megaempreendedores que estão fazendo da educação um negócio da China, imbecilizando alunos, assolando a meta de formar cidadãos atuantes, críticos e participantes, convertendo-os em profissionais sem iniciativas, que decoram conteúdos e não são preparados para o mercado de trabalho, para encararem os desafios de um mundo que exige cada vez mais. A escola que temos é repleta de reentrâncias, preenchidas por rupturas, ranços, intrigas políticas, disputas pessoais, inúmeras bifurcações que conduzem analfabetos letrados por caminhos que se perdem nos atalhos para se chegar a uma educação de excelência, cujos condutores julgam estar no caminho certo.

Com isso, o conhecimento está se tornando um animal raro, porque, na educação da era digital, as fontes interdisciplinares da informação jorram, a cada passo, numa velocidade alucinante. E os alunos, na rota de colisão, são bombardeados pelo excesso de informações, muitas fúteis, e mantidos nas dependências da escola do novo tempo, como cobaias bitoladas, onde são polidos para se encaixar nos moldes de uma educação impositiva; aprendem três comandos: Ctrl+T, Ctrl+C e Ctrl+V. Capa, contracapa... Uma breve introdução para dissimular... “A minha pesquisa ficou perfeita”. O professor, mais perfeito ainda, dá um 10. Esse aluno é o CDF. Porque professor investigador — que leva seus alunos a descobrirem o novo, reavaliarem o velho, ampliarem os horizontes do conhecimento — está cada vez mais escasso, um mito nos corredores das escolas. O importante é não reprovar; que, ao final de cada ano, todos passem.

Com essas façanhas, cumpre-se mais uma meta: a estabelecida pela ONU para combater o analfabetismo nos países emergentes; e, sem receio de errar, o governo dispara em todas as direções: Educação a Distância, Educação de Jovens e Adultos (EJA), Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja), Programa Universidade para Todos (Prouni), Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE)... São tantos caminhos que professores e alunos se chocam, se confundem, se perdem, não se entendem; e a verdadeira educação vem perdendo terreno para a educação burocrática que se agiganta em escolas de muralhas, de grades... De professores virtuais, de alunos onipresentes. O professor, centralizador do conhecimento, foi murchando, obrigado a ceder o espaço para o professor mediador, que, na verdade, medeia o tempo na sala de aula, à espera do passar do próprio tempo.

E o objetivo da verdadeira educação?
Ainda é a aprendizagem? A quem importa?

É hora de repensar os métodos traçados, os moldes pré-fabricados... Destruir a fórmula que determina o que deve ser ensinado e como deve ser aprendido. É hora de tirar a viseira de professores privados de buscar, de trabalhar a realidade de seus alunos e de construir o próprio conhecimento para reavaliar a sua prática e colocar a lente de educador, para ver o mundo além da sala de aula ou de uma janela cibernética.

É hora do negro e do índio terem os seus valores respeitados, a sua história resgatada, pois resgatá-la é resgatar a cultura, a história do País e da própria educação no Brasil. Respeitar as diversidades regionais, etnias, opiniões, culturas, porque, nos pavilhões e nas galerias do presídio do saber, as relações interpessoais estão deixando de existir. Existem apenas regras. E a educação, hoje, escreve uma história com dois finais: um para a minoria que tem recursos financeiros para pagar por uma educação de qualidade e outro para aqueles que são atirados pela janela das escolas públicas e são obrigados a se acomodar em salas superlotadas, sem recursos didáticos, sem carteiras, com professores despreparados, onde o autoritarismo se converteu em lei e está substituindo a Lei de Diretrizes e Bases (LDB). O eu roubou o espaço do nós, e, se não voltarmos a ser nós, a sala de aula será exatamente o que eu (o sistema) quero: muita informação e pouca aprendizagem.

É hora do Sistema de Ensino voltar-se para o eu desse aluno que sai da favela, do campo... Porque ainda acreditam que a educação é o caminho que leva à realização e é hora de polir esse eu, nos moldes dos sonhos, da vontade de ser e de existir de cada eu.

É preciso estreitar os laços de relacionamento entre escola, ensino, educação e família para que o aluno compreenda o mundo em que vive e se proponha, como cidadão, a mudá-lo. É como já dizia Freire: “Não é na resignação, mas na rebeldia frente às injustiças que nos afirmamos”. Porque professor é um título que se conquista com um diploma comprado ou conquistado, mas ser educador é uma singularidade exclusiva; essência rara que se desprende daqueles que fazem do ofício de ensinar a arte de formar cidadãos. É preciso que leis deixem de ser meros projetos constitucionais, que as camadas conquistem a igualdade e que a educação seja prioridade.

E, então, quando a política deixar de ser uma transição entre a campanha e a eleição, as armas sociais serão recolhidas pelos jovens e pelo professor. O prazer de ensinar se refletirá no de aprender, e aí, sim, haverá melhorias na educação. E a educação cumprirá a sua missão, porque terá uma verdadeira história para contar.