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22 de dez. de 2008

A guerra dos alfabetizadores

"Vós,investigadores, não deveis confiar em autores que, apenas pelo emprego da imaginação, se fazem intérpretes entre a natureza e o homem, mas somente naqueles que exercitaram seu intelecto com os resultados de experimentos."
Leonardo da Vinci

Antes mesmo de Francis Bacon, Da Vinci já mostrava o caminho da ciência experimental, cujos avanços mudaram a face da Terra. Alguns ramos da ciência embarcam em naves espaciais. Mas, entre nós, há educadores que, nessa matéria, continuam refestelados em seus uivantes carros de boi. As discussões sobre como alfabetizar uma criança ainda não seguiram os conselhos de Da Vinci: se há dúvidas, é preciso buscar os "resultados de experimentos". Os vôos da imaginação só cobrem a decolagem do processo científico. A aterrissagem é no solo do mundo real.

Circulam pelo menos quatro escolas de pensamento. Há uma que afirma ser a leitura um processo global. Aprende-se a ler frases inteiras, blocos de palavras. Ao lidar com um assunto palpitante, tudo dá certo. Esse é o método exaltado pelos gurus e adotado quase universalmente. Outra escola afirma que o melhor é metodicamente aprender sons e letras. É o método fônico, neto do velho bê-á-bá. Uma terceira seita fica entre as duas anteriores. Adota o processo fônico, mas acha necessário contar uma história interessante, em paralelo à tarefa mecânica de aprender a associar sons e garranchos no papel. Por último, há um grupo agnóstico, que afirma que, não importa o método, tudo depende do professor. Cada grupo cita seu guru favorito, e a discussão patina.

Como a capacidade de ler e entender é algo eminentemente mensurável, estamos falando de números. Por sorte, há números em abundância. Isso porque, como os Estados Unidos e a Inglaterra passaram por dilema semelhante, foi criado um Literacy Panel, encarregado de juntar todas as pesquisas sérias feitas sobre o tema (veja-se Diane McGuinness, O Ensino da Leitura, editora Artmed). Apareceram cerca de 100 000 artigos científicos. Passando o pente-fino, sobreviveram menos de quarenta. Pelas mesmas razões que não é necessário ser engenheiro automobilístico para ver quem chegou em primeiro numa corrida, podemos medir qual método alfabetiza melhor sem entender suas teorias.

Os resultados são bastante claros e se aplicam ao português – por ser também uma língua fonética. Nem uma só pesquisa confiável mostrou vantagens para o método global. A disputa foi entre variantes do método fônico. A combinação do fônico com uma contextualização ou enredo não mostrou bons resultados. Ao que parece, a historinha que acompanha o aprendizado de letras e sons desvia a atenção e consome tempo dos alunos. É melhor primeiro aprender a ler bem e depois dedicar-se a entender o que está escrito. Observou-se também que, quanto mais fraco o aluno, mais o método fônico traz vantagens. Tais resultados puseram uma pá de cal na controvérsia. Todos os países de Primeiro Mundo que haviam abandonado os métodos fônicos voltaram a adotá-los. Faz pouco, o ministro francês Gilles de Robien proibiu o global.

As pesquisas mostram vantagens sistemáticas para o fônico. Portanto, a hipótese dos agnósticos é negada. De fato, se o método fosse irrelevante, tais diferenças não existiriam. Mas os agnósticos podem ter alguma razão quando se comparam professores que não conhecem bem nem um método nem outro. Nesse caso, as comparações não mostram nada.

Em ciência não há conclusões definitivas ou finais. Mas, até que se refutem as conclusões do Literacy Panel, o que sabemos hoje nos obriga a aceitar a superioridade do método fônico. A sociedade brasileira tem o direito de fazer duas exigências aos que recebem salário (pago pelos contribuintes) para cuidar de alfabetização. Que superem suas cruzadas ideológicas e se ponham de acordo. Que para isso se valham dos princípios da ciência empírico-dedutiva, que, desde Bacon, todos os cientistas aceitam (ou seja, o que valida uma hipótese são experimentos, não os gritos de seus defensores).

Claudio de Moura Castro é economista
(Claudio&Moura&Castro@cmcastro.com.br)

Fonte: http://veja.abril.com.br/120308/ponto_de_vista.shtml

27 de nov. de 2008

Aprendizado na era da informação

Não gosto de dizer que vivemos em uma época de excesso de informações. Me incomoda esta aplicação da palavra excesso, prefiro dizer que vivemos em uma época de fácil acesso e divulgação de informações. A evolução ampliou a quantidade de informações que chegam até nós e é comum que tenhamos de lidar com diversos fatos irrelevantes ao nosso cotidiano.

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Não tem como ficar intangível ao excesso de informações que somos expostos.

Com as diversas mídias que temos hoje (TV, rádio, jornais, revistas e mais especificamente internet), aprendemos a filtrar essas informações à nossa maneira priorizando aquilo que nos apetece.

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E aí, qual informação você vai seguir?

Essa liberdade, esse filtro que fazemos das informações, deixa-nos satisfeitos devido à facilidade com que assimilamos cada assunto. A parte ruim, é que essa satisfação resulta muitas vezes, numa falsa sensação de domínio do tema. É óbvio que se estivermos falando de acontecimentos (Big Brother Brasil ou futebol por exemplo) basta reunir informações para se tornar um especialista no assunto ( sem preconceitos por favor). Mas se tratarmos de conceitos maiores, o simples ato de filtrar e assimilar informações pode não ser suficiente.

O que eu quero dizer com isso? Digamos que João é aficcionado por ilustração e passa o dia lendo blogs e portais sobre o assunto. O fato de manter-se informado sobre os conceitos e acontecimentos da área não vai torná-lo um ilustrador de sucesso. Ele precisa se esforçar para que isso aconteça, ou seja, aprender a desenhar cada vez melhor.

A metáfora do arroz (sic)

Digamos que você precisa, sabe como fazer, mas nunca cozinhou arroz. Basicamente basta colocá-lo na água em fogo baixo e esperar a água secar. Mas, existem alguns pontos como tempo de cozimento, qualidade do arroz e tempero, que somente fazendo você vai aprender a lidar com cada um. Depois de pronto, você pensa o que pode ser mudado(ou não) para o arroz ficar mais gostoso na próxima vez.

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Depois de pronto é que você vai dizer que realmente sabe cozinhar arroz.

Concorda que, antes de iniciar, você achava que sabia como cozinhar e na verdade você só sabia como começar? Depois de fazer algumas vezes, você pode se dar ao luxo de dizer que é um especialista(sic). Agora encare esse arroz como outra coisa. Você não pode garantir um arroz de sucesso se nunca nunca tentou cozinhá-lo.

Já disse, o arroz é uma metáfora, você pode substituí-lo por termos como empreendedorismo, design, desenvolvimento web, cotidiano com clientes e inúmeras áreas e casos.

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Consegue entender porque algumas empresas só contratam pessoas com experiência?

Ao colocar em prática o seu conhecimento, você esbarra com problemas que não haviam sido previstos e precisa resolvê-los e é nesse ponto que você está efetivamente aprendendo.

A prática leva à perfeição (ou quase lá)

Após aprender, é necessário aperfeiçoar e, nesse ponto, o ciclo recomeça pois sempre há algo que pode ser melhorado.

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No fim das contas, o que realmente importa não é o quanto você é informado sobre determinado assunto, mas sim o quanto você já aprendeu aplicando essa informação.

Fonte: http://blog.nagueva.com/aprendizado-na-era-da-informacao/