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6 de abr. de 2009

BlindTube - O primeiro Portal de Entretenimento com Acessibilidade.

Olá Amigos

Hoje a dica é da minha amiga Flávia do NTE de Macaé, com quem compartilho uma afinidade única. Gostar de vídeos e suas aplicações educacionais são um dos grandes filões da educação e quando uma dica vem contribuir nessa vertente já bem legal, mas quando essa dica une acessibilidade então ela se torna imperdível.

Para quem não conhece, o Blindtube, é o novo portal de entretenimento em favor da acessibilidade e o site tem vídeos (curtas) com áudio descrição (descreve os detalhes silenciosos entre as falas dos atores). Um recurso que permite, por exemplo, a uma pessoa sem visão, maior autonomia ao participar da exibição de um filme.

A produtora Lara Pozzobon merece todos os créditos por estar facilitando o acesso de pessoas com deficiência às artes, seja através do site Blindtube, mas numa entrevista ao repórter Mauro Ventura que pode ser lida no blog DizVentura intitulada Se ele fosse portador deixava em casa ela descreve a forma correta de se referir a uma pessoa com deficiencia.

Aqui transcrevo um trecho da postagem:

Conversamos para a coluna Dois Cafés e a Conta, e eu comentei que nós, jornalistas, ficamos cheios de dedos na hora de tocarmos no assunto. Perguntei se podíamos usar a palavra "deficientes".

- Não.

- E "necessidades especiais"?

- Não se usa mais - ela esclareceu.

- E "portador de deficiência"?

- Também não. Afinal, como diz o Marco Antônio de Queiroz, o MAC (que é cego e especialista em acessibilidade digital), "se eu fosse portador deixava em casa e vinha sem".

- E qual é o certo?

- Pessoa com deficiência.

O problema, disse eu, não é nem questão do politicamente correto. É que os títulos das reportagens são muito pequenos, e muitas vezes não comportam a expressão "pessoas com deficiência". Daí o uso recorrente de "deficientes". Ela entendeu, mas insistiu na forma correta de se referir.

É o delicado equilíbrio entre a falta de espaço e maneira mais digna de dizer as coisas.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

7 de fev. de 2009

Os Invisíveis da Modernidade

Bela Crônica Extraída do Jornal Metro Point,
São Paulo, terça, 27 de janeiro [ link ]

À Paulista

Carroças

A carroça para ao lado do carro. Restos de ferro velho retorcido, papelão, latinhas de alumínio.
Um cavalo e o ágil condutor, camisa do futebol espanhol modelo piratão do camelódromo e a coragem desafiando o trânsito urbano em algum subúrbio do Rio de Janeiro. Uma imagem perdida no tempo. Carroças puxadas por um cavalo ou até mesmo um jumento.

Carroças que andam por entre veículos moderníssimos e seus quatro airbags e DVD embutido.
Carroças como as de antigamente, andando pelas ruas cheias de monóxido de carbono. Estamos no século 21 e as carroças também. Pode ser na quebrada de alguma marginal, pode ser perto do Ceagesp, carroças carregadas de frutas. Em extinção. Mas elas ainda estão por aí, pelas cidades.
Não é cena corriqueira, mas no Rio, na zona norte e na oeste, a gente ainda vê. Em São Paulo, me digam vocês.

Podem estar pelas ruas do Recife ou de Juiz de Fora. Li no jornal dia desses que em alguma metrópole se não me falha a memória, Porto Alegre o governo pretendia criar regras para abolir, em uma década, todas as carroças do trânsito da cidade. E assim, triste e melancolicamente, todos os carroceiros também.

Neste final de semana, li uma crônica de Jorge Luis Borges sobre inscrições em coches - nossas carroças - na antiga Buenos Aires, parte das memórias do seu bairro de infância. E aqui reproduzo um pequeno trecho, se me permitem. Importa que meu leitor imagine um coche.

Não custa imaginá-lo grande, as rodas traseiras mais altas que as dianteiras, como se fosse reserva de força, o cocheiro crioulo robusto como a construção de madeira e ferro em que esta, os lábios distraídos num assobio ou com ordens paradoxalmente suaves aos cavalos puxadores as parelhas seguidoras e a montaria dianteira (proa insistente para os que precisam de comparação).

Carregado ou não dá no mesmo, salvo que voltando vazio está menos preso a seu uso e mais entronizada à boléia, como se a conotação militar que os coches tiveram no império de Átila permanecesse nele. no mesmo final de semana rural, revi “Crianças Invisíveis” ( >> trailer AQUI ) , filme composto de pequenos curtas sobre a infância em diversos países.


Entre eles, o nosso, com um delicado (e um dos melhores) episódio de Kátia Lund, que conta a história de duas crianças em São Paulo catadoras de material para reciclagem. Bilu e João, que decidem alugar uma carroça e sair por aí, recolhendo tudo. Sem cavalo, nem jumento. Só eles mesmos e a carroça. E a cidade de São Paulo, toda ali, toda linda, toda confusa, toda cruel.

Jô Hallack é jornalista e escritora. Ama São Paulo, mas ainda prefere morar no Rio.

" MEU TRABALHO É HONESTO, E O SEU ? "

[ Link Foto ]


Fonte: http://metropoint.metro.lu/20090127_MetroSaoPaulo.pdf

28 de nov. de 2008

A criança construida pelo consumo.

Victor Zacharias

A influência da propaganda no dia a dia da criançada é mostrada de maneira especial no documentário "Criança, a alma do negócio", de Estela Renner e Marcos Nisti, que foi lançado em setembro no II Fórum Criança e Consumo realizado pelo Instituto Alana em São Paulo.
No filme, do qual colocamos aqui uma boa amostra, a criança expressa naturalmente a maneira como vê o mundo e como age no seu cotidiano.

Coisas impressionantes como reconhecer marcas, mas não saber nome de frutas comuns são comprovados em várias cenas.

Assista e entenda porque a televisão tem promovido o consumo mais do que a cidadania, valorizando o ter e não o ser, isso você verá na primeira cena.
Hoje a televisão educa pela mensagens e pela sua repetição e esta dentro da casa de mais de 98% dos brasileiros. Você já parou para pensar que tipo de mensagem de vida a televisão tem mostrado para seus filhos ou para as crianças deste país?



"O Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, combate qualquer tipo de comunicação mercadológica dirigida às crianças por entender que os danos causados pela lógica insustentável do consumo irracional podem ser minorados e evitados, se efetivamente a infância for preservada em sua essência como o tempo indispensável e fundamental para a formação da cidadania. Indivíduos conscientes e responsáveis são a base de uma sociedade mais justa e fraterna, que tenha a qualidade de vida não apenas como um conceito a ser perseguido, mas uma prática a ser vivida.

"Seja a mudança que você deseja ver no mundo" - Gandhi

Fonte: http://ongpoint.blogspot.com/2008/11/criana-construida-pelo-consumo.html

12 de nov. de 2008

Oficina Cine-Escola

Olá Amigos

Você já foi a uma aula no cinema?

Conheça o Oficina Cine-Escola, programa educativo permanente do Grupo Estação, e descubra como sua aula pode ser transferida para uma sala de cinema. Atendemos escolas públicas e privadas, grupos comunitários, ONGs, bem como instituições de atendimento especial.

Passeios pelos bastidores das salas de exibição, sessões especiais para a terceira idade e aniversários no cinema são algumas de nossas atividades. Desde a sua inauguração, em 1985, o Grupo Estação mantém o programa permanente com o objetivo de desenvolver ações que explorem o cinema como instrumento educativo.

As sessões são realizadas nas várias salas do Circuito Estação com exibição de filmes e distribuição de textos de apoio pedagógico, seguidas de debate ou outra atividade complementar. O planejamento é totalmente flexível, apoiado sempre nas necessidades dos educadores.

Todas as atividades visam aproximar público e cinema, fortalecendo cinema-educação como ferramenta presente na prática pedagógica da sala de aula.

Objetivos da Oficina Cine-Escola

• Despertar o interesse pela arte cinematográfica e estimular a criação artística;
• Apresentar filmografias de diversas origens com diferentes linguagens, ampliando horizontes de informação sobre as ciências, artes e tecnologias;
• Promover o desenvolvimento do senso crítico e estético;
• Utilizar o cinema como veículo para a conscientização da cidadania, fomentando o debate de idéias e opiniões;
• Estimular o hábito de freqüentar o cinema como fonte de lazer e informação;
• Estimular a formação de novas platéias para o cinema, principalmente, o nacional.

Leve sua turma ao cinema!!!

Educação e cinema: faça parte desse filme!

Contato: Luiza Brettas - email- oce@grupoestacao.com.br ou por Telefone.: 21 2266-9900

28 de out. de 2008

A Escola Vista pelo Cinema


Prof. Dr. Amaury Cesar Moraes

FEUSP

1. Por que cinema?

À primeira vista, parece não aconselhável que tratemos de um tema da educação - A Escola - a partir de um referencial não estritamente técnico - O cinema -, mas sim daquele consagrado - As Ciências da Educação. Para nós, entretanto, o cinema cumpre esse objetivo de modo interessante. Os filmes têm sido tratados mais como meios (recursos) e menos como objetos de ensino quando trazidos à escola básica. Raramente são explorados no seu potencial de veículo das representações sociais. Menos ainda no que se refere à pesquisa sobre o imaginário social. (TURNER, 1997)

Para nós, os filmes são uma fonte importante de conhecimento da realidade, porque de algum modo se propõem a “reconstruir” essa realidade – de modo realista, naturalista, surrealista, alienante, engajado etc. Para além da ilustração que podemos recortar nos filmes, vemos também os pressupostos dessa ilustração.(SERRANO apud BITTENCOURT, s./d.)

É nesse sentido que tomamos a expressão “empresa epistemológica” de Xavier (1983) para enformar nossa perspectiva. Entendemos que tomando os filmes que tratam de escola e que têm o professor como protagonista, podemos de certo modo recolher informações sobre as “representações sociais” sobre a escola, ou o que aqui para nós dá na mesma, como o imaginário social representa a escola e a atividade docente.

Poderíamos recolher tais dados em entrevistas com pais, alunos, professores e outras pessoas; poderíamos tomar as leis para delas extrair uma visão sobre docência e escola; poderíamos ir até a literatura e fazê-lo; poderíamos ir até os chamados filósofos da educação e recortar em suas filosofias o “dever ser” para a educação e o educador. Ou seja, poderíamos percorrer as mais variadas formas do discurso pedagógico e nelas encontrar concepções sobre educação, escola e professores. Nosso caminho é outro: não são diretamente as pessoas que compõem esse “social”, nem são as ciências e filosofia da educação tampouco. É um modo, digamos, oblíquo, meio de esguelha, mas acreditamos tão válido ou tão fecundo como qualquer outro.

Não são documentários nem são filmes “de arte”. São filmes bastante comuns, alguns muito convencionais, cheios de “clichês” e soluções também bastante óbvias para os problemas tratados. Raramente avançam por uma via radical. Permanecem em limites suportados pelo público. São filmes de padrão americano e nisso está toda a vantagem – o que para outros pode parecer desvantagem. São filmes, como dissemos, do circuito comercial e por isso, parece-nos, representam melhor esse imaginário social. De certa forma – e isso é nossa hipótese – são condicionados pelo público bastante heterogêneo, não especialista e que assiste a esses filmes como a qualquer outro: de ação, comédias, dramas, suspense etc.. Ora, podemos dizer que há uma solidariedade entre os elementos que compõem os filmes – categorias, conceitos, valores, expectativas, comportamentos – e os que compõem o imaginário social. Os filmes sobre escola estão relacionados com a visão que esse público tem da escola. E aqui adianto um ponto: mesmo nós que vivemos e refletimos sobre esse fenômeno – a educação -, somos surpreendidos ao perceber como compartilhamos certos esquemas, valores, estereótipos e expectativas presentes nos filmes, com o público não especializado e, portanto, “menos crítico”.

A linguagem cinematográfica possui alguns recursos, digamos assim, que permitem que essas relações entre filmes e imaginário social se efetivem. Por exemplo, é possível reconhecer uma identificação entre a vida dos personagens e a nossa vida, ou uma oposição entre os valores de alguns personagens - os vilões, por exemplo - e os nosso valores – ou os recomendados socialmente.(MORIN, 1970) Assim, o filme pode ser uma reconstrução da realidade e o cinema aparece como uma “janela” que nos torna testemunhas da ação. Observem que esta é uma leitura da linguagem cinematográfica, não é a única nem a verdadeira. Tal leitura ainda não existe.

Por outro lado, o cinema opera segundo uma impressão de realidade (METZ, 1972) que favorece aquela identidade ou oposição. Essa impressão de estarmos diante da janela e testemunharmos a ação reforça ou é reforçada pela impressão de realidade que caracteriza os filmes. Quanto mais convencionais tanto mais forte é essa impressão. Observe-se que até os documentários são “construídos” segundo essa impressão de realidade e deles “perdemos” toda a “verdade” da montagem que, se exposta, poderia desfazer ou impedir o mergulho na história. Mesmo o tempo real é usado como recurso pelo cinema, servindo para reforçar aquela impressão de realidade e os sentimentos decorrentes: tensão, angústia, esperança, identificação, oposição.

Outra linha de interpretação poderia dizer, ainda, que o cinema é feito do mesmo material que nossos sonhos. E que essas categorias que aqui apresentamos para compreender os filmes, decorrem primeiro da estrutura dos próprios sonhos. E os sonhos vieram antes do cinema. Ou prenunciaram-nos. Mas aí é toda uma teoria que não exploraremos e nem temos condições de tratar dela, por não ser nossa especialidade.

2. Os filmes

Temos escrito ou participado de eventos que tratam das relações entre educação e meios de comunicação, sobretudo cinema. Aqui vamos apresentar alguns pontos e não trataremos exaustivamente de cada filme ou de todos os possíveis aspectos destacáveis dessas relações. É um grande trabalho e aqui faremos uma introdução ao tema. Uma leitura preliminar, quase exercício ainda.

Para essa breve análise escolhermos quatro filmes que podem ser agrupados dois a dois. Primavera de uma Solteirona e Sociedade dos Poetas Mortos são filmes que tratam de professores que tentam influenciar seus alunos, mas acabam fracassando no seu intento: são demitidos. São professores de carreira. Ao Mestre com Carinho e Sementes de Violência são filmes que tratam da luta de professores contra alunos indisciplinados, que acabam vencendo e continuando na carreira. São não-professores que se tornam professores.

a) A Primavera de uma Solteirona: o título não é bom, parece preconceito. Prime é apogeu, auge, talvez a última primavera, que prenuncia o início dos invernos. É um filme aparentemente simples: trata-se de uma louca que é professora e conduz suas alunas marcada pelo romantismo. Mas não é tão simples assim. Há muita contradição, o que obriga a uma análise mais cuidadosa. O ano é de 1932 e o cenário é uma escola de meninas em Edimburgo. A professora Brodie é comprometida, quer fazer de suas alunas cidadãs, mulheres do século XX, romper com as tradições impostas pela escola, pelos padrões e convenções que fazem da mulher um ser a ser submetido, preparado para o casamento. Brodie propõe o amor para além das convenções sociais – ela não quer se casar, mas manter o seu relacionamento sem compromissos. Mas Brodie é também doutrinadora: “- Faça o que mando e não faça o que faço.”; dona da verdade: “- Quem é o maior pintor italiano?” “- Leonardo Da Vinci, Miss Brodie?” “- Errado, a resposta correta é Giotto!” Quer fazer de cada aluna o reflexo de cada uma de suas facetas: de uma escritora, de outra modelo e amante, de outra qualquer coisa (Mary MacGregor), de outra, que é fria e confiável, agente secreta. Além disso, Miss Brodie é fascista, defende as ações de Mussoline e Franco. Ora se diz oleira que vai moldando suas alunas; ora se diz educadora que vai conduzindo para fora – educar (ex-duco) – as potencialidades que estão dentro das alunas. Talvez o problema seja o sinal ou a direção - para a direita. Mas se fosse outro sinal e outra direção – para a esquerda – e aí nossa identificação seria maior com Miss Brodie? Observe-se que ela está em luta contra uma educação tradicional; e o fascismo ainda representava uma certa expectativa de modernidade contra os velhos regimes e a fraqueza das democracias liberais.

b) Sociedade dos Poetas Mortos: esse filme passou a ser um paradigma para se pensar o professor em luta contra padrões tradicionais de educação. Mas pouca diferença tem (e para pior em termos de clichês) em relação ao anterior. A concepção de poesia do Prof. Keating é discutível. Ele não aceita outras formas de interpretação da poesia que não seja a sua. Pede aos alunos que o chamem de “Meu capitão”. O que isso significa? A formação que ele teve na escola foi condição da sua competência presente? Como pensar essas relações? Por que ele não prepara o aluno Neil para fazer a ruptura? Miss Brodie podia ser confusa porque era romântica, mas o Prof. Keating não é romântico. Mas é também um doutrinador. Isso escapa a quem apenas apresenta o filme com o intuito de combater a chamada escola tradicional. Observe-se que cada um quer ver algo no filme – não tudo, nem as contradições -, mas algo que quer reforçar. Esse filme pode servir para esse propósito. Nós o vemos para outros: por que reviver a Sociedade dos Poetas Mortos se devemos aproveitar o dia? O prof. Keating quer retornar a sua juventude a partir da retomada da Sociedade dos Poetas Mortos pelos seus alunos. É certo que a escola vive no passado. É certo também que todo professor é um vampiro: mantém-se jovem pelo contato com os jovens. Mas o que é formar os outros? É reproduzir-se nos outros?

c) Ao Mestre com Carinho: esse era o filme paradigma anterior ao aparecimento de Sociedade.... O Prof. Thackeray reunia elementos bastante idealizados para nos comover. Não bastasse isso, vinha ainda a música “To sir with Love” para completar o sonho. Fazer de jovens ingleses, em plena era da contestação (1967), jovens conscientes e comportados, úteis socialmente era tarefa difícil. Mas o professor tinha recursos extras: era negro, vinha de uma colônia britânica da América, era engenheiro e não propriamente professor. Tomemos esse último senão transformado em vantagem: por não ser professor de carreira, ele não estava submetido a padrões de comportamento esperados de professores – não fala mal dos alunos, não reclama do salário, não toma educação como um fim -; por ser um profissional do “mundo externo” à escola, ele pode ver a escola como um meio, preparando os alunos para a vida – chega a ensinar-lhes a fazer salada -, nega-lhes a imagem de um professor tradicional, trata-os como adultos e não crianças: inspira-lhes responsabilidade. Mas, como dissemos, o filme é prisioneiro de uma época, é marcado pelo tempo. Nesse sentido, Sociedade... , que retrata uma época anterior, é menos comprometido com o tempo real, trata-se de uma abstração em que o tempo é acidente e não essência. Ao Mestre... não escapa do tempo em que foi feito, perde com isso boa parte da impressão de realidade...

d) Sementes de violência: é a história de um professor, ex-soldado que retorna ao país e busca um emprego numa escola pública do subúrbio. São os anos ’50 e a juventude está passando por um processo de mudança de comportamentos: é o rock’n’roll, são os blue jeans, é o consumo de bebidas, são as experiências sexuais, é a contestação ao sistema representado pela escola e professores. A “indisciplina escolar”, como em nossos dias, talvez seja a expressão que sintetize esses comportamentos ditos desviantes. O momento também marca uma das etapas de implantação de “políticas de inclusão” das populações marginalizadas: negros e latino-americanos. Os jovens se ressentem de uma educação escolar diversa daquela que recebem em seus lares. Lá, na vida privada, as políticas de inclusão não são reconhecidas como naturais na democratização de oportunidades, mas, simplesmente, como desgoverno. Algo semelhante se passa entre os professores: as políticas de inclusão – ou de democratização do ensino – não passam de mecanismos de controle social da violência dos jovens, transferidos da família ou da polícia para os professores. “- A escola é uma grande lata de lixo da sociedade e nossa função é sentarmo-nos sobre a tampa para que o lixo não transborde” ou “- Nós mantemos esses jovens delinqüentes na escola para que as senhoras, mães de família, possam andar em paz pelas ruas da cidade”, diz o professor experiente, em fim de carreira.O professor recém-contratado, Dadier, traz uma novidade consigo: ele não está animado pelos velhos preconceitos nem pensa na escola como um fim em si mesmo. Apesar dos muitos conflitos que vive, consegue vencer: de um lado, combate a liderança negativa – West, um jovem irlandês, envolvido com bebidas e roubo de carros – e valoriza a liderança positiva – Miller, um jovem negro que trabalha como mecânico para ajudar em casa. Ele vence também porque pensa na escola como meio, sobretudo de preparação para a vida. Pois bem, um dos recursos que utiliza para alterar suas relações com a classe é justamente a projeção de filmes, a partir dos quais mantém debates sobre a vida: o certo e o errado, o justo e o injusto, o bem e o mal etc.. Mas o filme, desde o início, desde o discurso lido por um locutor, objetiva o combate à delinqüência juvenil em tom de nacionalismo e militarismo. O professor que foi combater um inimigo externo, volta e deve combater um inimigo interno. O uso do mastro da bandeira no último conflito do filme é emblemático: com ele imobiliza-se o inimigo e restabelece-se a paz e a ordem necessária.

Bibliografia Básica

METZ, C. A significação no cinema, São Paulo: Perspectiva, 1972.

MORIN, E. O cinema ou o homem imaginário, Lisboa: Moraes, 1970.

SERRANO, J. Epitome de História Universal, Rio de Janeiro: Francisco Alve, 1912, apud BITTENCOURT, C. Cinema, vídeo e ensino de história, São Paulo: mimeo, s/d.

TURNER, G. Cinema como prática social, São Paulo: Ed. Summus, 1997.

XAVIER, I. (org.) A experiência do cinema, Rio de Janeiro: Graal/Embrafilme, 1983.

Filmes

1) Sementes de Violência ( The Blackboard Jungle, 1955), D.: Richard Brooks, com Glenn Ford;

2) Ao Mestre com Carinho (To Sir with Love, 1967), D.: James Clavell, com Sidney Poitier;

3) Primavera de uma Solteirona (The Prime of Miss Jean Brodie, 1968), D.: Ronald Neame, com Maggie Smith;

4) Sociedade dos Poetas Mortos (Dead Poets Society, 1989), D.: Peter Weir, com Robin Williams.

Fonte: http://www.hottopos.com/videtur21/amaury.htm

23 de out. de 2008

And The Oscar Goes To...

Olá Amigos

É incrível o quanto as animações encantam pessoas de qualquer idade, e mais ainda o quanto a Coca Cola é poderosa no seu Marketing. O comercial da Coca devia estar na categoria de filme curta-metragem e não em propaganda!!!

Não tenho como avaliar os filmes tecnicamente, só por gosto e gosto de coisas mais sutis, mais artísticos ao meu ver.

O do Rock Band também me impressionou por mal se notar que é animação no começo. Só que vai ter gente dizendo que os jovens fazem loucuras no carro por causa da propaganda!

Ah! O da MTV para salvar a Terra também está lindo. O melhor comercial, e não curta, deveria ser o da MTV. O da MTV achei que cumpriu todos os objetivos de forma linda, agradável e no final, com a trilha, impactante.

O comercial do Audi só me incomoda não ver o carro. Me pareceu lindo, artístico, me relaxa, mas não me vendeu nada no fim.

O comercial da Olay é também surpreendente. Ninguém poderia imaginar um filmete tão curioso com uma animação que não fala nada de rugas nem de cosméticos mas conta uma aventura — e no final tem o trocadilho. Fim da linha. Fim das rugas. Só na língua inglesa e com a sensibilidade inglesa a gente entende a mensagem. Bárbaro.

É uma lista merecedora na minha leiga opinião.

Mas e a sua opinião, gostou?

Não gostou?

Então comente.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

Os melhores comerciais de animação de 2007

comerciais.jpg

Sabem como é final/começo de ano, são listas e mais listas de “melhor de…”, “piores de ….” e a assim por diante, ao infinito e além. Felizmente, uma revista digital britânica, a “The First Post”, fez um top 10 que nos interessa \o/. Eles escolheram os melhores comerciais de animação de 2007. Deixo aqui disponível os anúncios “premiados” para serem vistos e comentados (cliquem aí embaixo para continuar o post). Em ordem decrescente (para gerar mais expectativa)…. tan-tan-tan!

10. The End of Lines; Suzanne Deakin



9. MTV Switch; Picasso Pictures

8. Naturally Juicy; FFL París

7. Yop Dem Bone; Therapy Films

6. Raise them on Robinsons; BBH

5. Creature Discomforts; Aardman Animations

4. EA Games Rock Band; Passion Pictures

3. Audi A5 Rhythm of Line; BBH & The Mill

2. Marmite Paddington Bear; Tandem Films

1. Coca-Cola’s Happiness Factory II; Pysop

Dica: Ziggy, via Llámame Lola.

Fonte: http://smellycat.com.br/2008/01/18/os-melhores-comerciais-de-animacao-de-2007/