Mostrando postagens com marcador recursos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador recursos. Mostrar todas as postagens

5 de nov. de 2009

O Twitter na nova Educação

Texto Luciana Maria Allan

Um olhar crítico sobre os recursos tecnológicos disponíveis deve ser uma prática permanente na nova Educação


Foto: O @colband segue especialistas e repassa para os alunos as últimas tendências

O @colband segue especialistas e repassa para os alunos as últimas tendências

O Twitter é uma ferramenta de microblogging que permite a troca de mensagens, com até 140 caracteres. Provavelmente, você já leu esta definição em dezenas e dezenas de artigos. Muitos deles ensinando como redigir o conteúdo a ser compartilhado; outros questionando as funcionalidades desta rede social.

A nova Educação, calcada principalmente nos elementos humanos e na real troca de experiência, exige um planejamento preciso. Dessa forma, um olhar crítico sobre os recursos tecnológicos disponíveis deve ser uma prática permanente. Portanto, entender as funcionalidades e sua essência é requisito básico. Caso contrário, não se tem eficácia. Parece óbvio, mas poucos fazem desta forma!

Na maioria das vezes, no Twitter, mensagens sem propósitos povoam as páginas; usuários seguem outros sem qualquer critério; e links são postados sem acrescentar conteúdo. Na área de Educação, por exemplo, é comum lermos mensagens questionando a qualidade do ensino ("O ensino no Brasil tem qualidade?") ou defendendo a sua importância ("Educação é fundamental"). Mas poucas apresentam soluções ou caminhos a serem seguidos para obter resultados significativos. Talvez isso ocorra porque poucos conhecem a verdadeira utilidade das ferramentas sociais: propagar discussões e, ao mesmo tempo, oferecer elementos para o aprimoramento contínuo.

Neste contexto, as poucas ações sérias e de qualidade merecem destaque. O Colégio Bandeirantes, por exemplo, utiliza o Twitter para divulgar informações dos departamentos, curiosidades e convites. Com mais de 500 seguidores, o @colband, além de noticiar informações institucionais, segue especialistas e repassa para os alunos as últimas tendências.

Com uma proposta clara ("o nosso propósito de formação integrada valoriza o desenvolvimento de potencialidades intelectuais e afetivas dos nossos alunos"), o Twitter do Colégio Bandeirantes foi estruturado após muito planejamento e é decorrência de uma ampla pesquisa da instituição para a escolha do conteúdo a ser propagado. O resultado: alunos seguem, propagam as informações divulgadas pelo @colband e têm a oportunidade de enviar mensagens diretas para o Twitter, tirando dúvidas e fazendo considerações.

Outras instituições de ensino também estão se relacionando de forma efetiva no Twitter – embora com mais timidez do que o @colband: Parthenon (@tparthenon), com 157 seguidores; Bilac (@colegiobilac), com 90 seguidores; e Dante Alighieri (@colegiodante), com 270 seguidores.

No Brasil, ações eficazes como estas e do Colégio Bandeirantes são muito limitadas. Já no exterior, são mais evidentes. Além dos colégios aderirem à ferramenta para propagar informações, os próprios alunos estão sendo incentivados a utilizá-la. O The Guardian noticiou, recentemente, que ensinamentos relacionados ao Twitter farão parte do currículo das escolas primárias do Reino Unido.

No Brasil, essa revolução deve demorar para acontecer. Por aqui, começou, recentemente, o debate de estudos antigos, como, por exemplo, o "Can we use Twitter for educational activities?" ("Podemos usar o Twitter para atividades educacionais?", em português). Detalhe: o documento foi lançado pelas pesquisadoras Gabriela Grosseck e Carmen Holotescu em 2008, atestando, de certa forma, a falta de agilidade brasileira.

O estudo defende, por exemplo, a necessidade de se twittar dentro das salas de aulas, promovendo a rápida discussão de temas, e reforça a necessidade do Twitter ser utilizado como ferramenta educacional. Outras dicas interessantes: compartilhamento de vídeos de aprendizagem; reenvio de tweets interessantes e divulgação de mensagens com os links do site, blog ou podcast da instituição de ensino.

Não esqueça: faça enquetes, abra discussões, troque experiências com os alunos e aproveite a oportunidade para despertar o senso crítico e o poder de síntese dos discentes – uma das competências mais privilegiadas hoje no mercado de trabalho.

Mais importante do que divulgar informações é fazer com que a mensagem seja compreendida de forma clara, simples e sintética! No próximo artigo, falaremos sobre as outras ferramentas que discutem as novas tecnologias aplicadas à Educação. Enquanto isso, explore o NING. Lá, há comunidades interessantes sobre Educação, novas tecnologia e inclusão digital. Aproveite!

(*) Luciana Maria Allan é diretora do Instituto Crescer Para a Cidadania e doutoranda na Faculdade de Educação da USP. E-mail: luciana@institutocrescer.org.br

Fonte: http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/twitter-educacao-507544.shtml

1 de nov. de 2009

22 maneiras para usar o Twitter na sala de aula

Para quem precisa de inspiração para usar o Twitter como recurso educacional vai gostar dessa apresentação "Twenty-Two Interesting Ways* to use Twitter in the Classroom" . Aos poucos o Twitter que parecia ser uma ferramenta tola começa a mostrar utilidade no processo na disseminação de informação no ciberespaço.

Para tirar o máximo de proveito do Twitter é importante ter uma boa ferramenta para postar e acompanhar os posts de sua rede. Eu aconselho as seguintes ferramentas:

Twitter Fox - É uma extensão para o navegador Firefox que permite a postagem e o acompanhamento dos posts de sua rede a partir do próprio navegador.


Spaz - Este é como se fosse a versão do MSN para o Twitter. Muito bacana! Funciona independente de navegador e roda em qualquer sistema operacional.



Twitter Deck
- Este é o mais rico em recursos. Possui várias funcionalidades, como criação de grupos, favoritos, conexão com o Facebook, dentre outras. Para quem quer uma coisa mais simples pode se sentir um pouco perdido no começo, mas é uma excelente opção para aqueles que desejam tirar o máximo do Twitter.


Eu tenho os 3 instalados, mas uso mais o Twitter Fox e o Spaz.

Obs.: recomendo o blog do @tombarrett http://edte.ch/blog/interesting-ways/ que esta cheio de material interessante sobre educação e como usa-lo

Fonte: http://webparaeducadores.blogspot.com/2009/04/22-maneiras-para-usar-o-twitter-na-sala.html

25 de mar. de 2009

WebGincanas: melhorias no modelo

By jarbas

ESTRUTURA DE UMA WEBGINCA PADRÃO HOJE

Faz algum tempo que defini, com a colaboração do Carlos Seabra, três possibilidades de organização de uma WebGincana. Para facilitar colaboração entre autores e garantir certa unidade na produção do modelo, estabelecemos que seria conveniente trabalhar com as seguintes alternativas:

  • WebGincanas curtas, com dez questões.
  • WebGincanas longas, com vinte questões.
  • WebGincanas padrão, com quinze questões.

Além do número de questões, estabelecemos outras orientações para cada uma das três alternativas. Não vou entrar em detalhes. No momento quero abordar as WG’s padrão, sugerindo algumas inovações no modo de conceber e propor questões.

Numa WebGincana padrão é preciso criar quinze questões para desafiar os alunos a encontrarem respostas na rede mundial de computadores (Web). Tais questões devem requerer respostas curtas (nada muito além de três itens (palavras, imagens, sons ou símbolos). Mas, elas não devem se assemelhar àquelas perguntas que tanto nos atormentaram nos questionários do velhos livros didáticos, ou a provas de professores que ficam apenas no quantos são, quando foi, cite dois exemplos etc. As questões precisam desafiar os respondentes a encontrarem, às vezes de maneira interpretativa, o que importa em textos, imagens e sons disponíveis na grande rede.

Autores de WebGincanas devem ser criativos e imaginosos para que as questões propostas tenham algumas das seguintes qualidades:

  • Humor.
  • Surpresa.
  • Encantamento.

Outra coisa. As perguntas devem ser redigidas para driblarem os mecanismos de busca (Google, Yahho etc). Ou seja, precisam ser escritas de maneira a evitar que os mecanismos de busca achem a resposta automaticamente. O que se quer numa WebGincana é que os alunos leiam ou examinem a fonte de informação para nela encontrar a resposta procurada. WebGincana não é uma atividade para treinar competência no uso de mecanismos de busca. É um desafio para que as pessoas encontrem informação exercendo suas capacidades de leitura das palavras escritas ou faladas, dos sons, das imagens, dos mapas, dos gráficos.

Além das questões que requerem uso de recursos da Web, dois complementos dão ao modelo uma uma cara mais nítida de gincana: atividades e missões. As atividades são ações que devem envolver o grupo em alguma produção simples:

  • desenhar à mão,
  • colorir imagens,
  • copiar figuras num álbum eletrônico,
  • recortar figuras,
  • fotografar um objeto,
  • etc.

ou em uma apresentação

  • cantar um música,
  • declamar um poema num jogral,
  • dramatizar um pequeno texto
  • etc.

As missões são algo bem gincaneiro, propondo para o grupo busca de de objetos, de pessoas que possam fornecer de viva voz alguma informação. Eis aqui alguns exemplos de missões:

  • Façam contato via celular com pessoa que tem sotaque de gaúcho e transfiram-na para falar com o professor ou professora.
  • Tragam até o local da WebGincana pessoa que calça quarenta e quatro ou mais.
  • Encontrem pessoa que fale sueco; gravem a voz de tal pessoa falando aquela língua escandinava; apresentem a gravação para a classe.
  • Encontrem na biblioteca o um livro de Josué Guimarães e tragam-no até a sala da WebGincana.

Relacionei alguns exemplos para dar uma idéia do que pode ser feito em missões. Espero que os autores sejam bastante criativos e inventem coisas muito mais interessantes.

Quero ressaltar um ponto importante: atividades e missões complementam resposta encontrada na Web. Não são ações independentes. Precisam estar vinculadas a um conteúdo previamente encontrado pelos alunos. Dou um exemplo. Veja o caso que segue

  • Missão. Encontrem, na biblioteca, uma outra obra do autor do romance ambientado numa cidade com nome de estrela e traga a obra até a sala da WebGincana.

Tal missão deve estar vinculada a uma questão como a que segue.

  • Questão. Encontrem nome de duas ou mais obras do escritor gaúcho que escreveu um romance que se passa numa cidade que tem nome de estrela.

O mesmo tipo de cuidado vale para as atividade. Veja aqui uma possível atividade.

  • Atividade. Ensaiem e apresentem um jogral de um poema do escritor brasileiro cujo sobrenome corresponde a um símbolo da pátria.

Essa atividade deve estar vinculada a uma questão como a que segue.

  • Questão. Ele foi um dos maiores poetas brasileiros e carregava no sobrenome um símbolo da pátria.

Numa WebGincana padrão é preciso criar três atividades e duas missões. Cabe ao autor decidir que questões merecem complemento na forma de atividade ou missão. Espero que interessados na elaboração de WebGincanas percebam que atividades e missões tem diversas finalidades. Listo aqui algumas delas.

  • Criar maior interesse e dinâmica no estudo do tema escolhido.
  • Integrar outras fontes de informação, sobretudo as ambientais, ao trabalho.
  • Ativar certas habilidades necessárias como consultar a biblioteca, apresentar-se em público, entrevistar pessoas, reparar em detalhes do ambiente em que vive.

UM CAMINHO DE MUDANÇA

Descrevi até aqui orientações elaboradas há uns três anos. Elas surgiram com base em pressupostos que privilegiam informações escritas. De um lado pagam tributo a uma educação muito centrada em textos. De outro, são bastante congruentes com as fontes disponíveis na Web, majoritariamente textuais. Mas a rede mundial de computadores está incorporando, cada vez mais, informações imagéticas e sonoras a seu acervo. Além disso, muitas fontes de informação são interativas; o usuário pode manipulá-las de alguma forma.

A fartura de imagens e sons, assim como a possibilidades interativas de alguns sites, sugerem tratamento mais rico das questões que as orientações originais que descrevi. Acho que podemos experimentar algumas mudanças. Sugiro inicialmente que das quinze questões de uma WebGincana padrão, seis exijam leitura/interpretação de imagens, obtenção de informação em fonte sonora e algum tipo de intereção em sites nos quais isso for possível.

Exemplifico possibilidades de questões que não exijam apenas leitura e interpretação de texto. Para tanto, vou considerar uma WebQuest hipotética sobre a Américado Sul.

  • Questão. Em Geography Zone, há um desafio para apontar num mapa países do continente. Vocês devem jogar o jogo e obter na segunda tentativa pelo menos 80% de acertos. Para entrar no desafio Países da América do Sul, cliquem aqui.
  • Questão. Descubram o nome das moedas dos países da América do Sul que tem mais de um idioma oficial. Os dados necessários podem ser pesquisados no site Países, no qual vocês chegam com um clique aqui.
  • Questão. Vejam as fotos do Brsil feitas por Jeff, ciclista que atravessou a nossa América do de sul a norte. Selecionem e copiem uma foto do Jeff sobre o rio Madeira. Encontrem em mapa do site do próprio Jeff, trecho do rio Madeira nas proximidades de Porto Velho. Chamem o professor para mostrar o achado de vocês na tela. Ah! Aqui está o site do Jeff.

Paro por aqui. Começarei a experimentar essas e outras mudanças com meus alunos deste ano.

Fonte: http://jarbas.wordpress.com/2009/03/20/webgincanas-melhorias-no-modelo/

15 de fev. de 2009

Uma estorinha de "mudança"

Por Professor Simão Pedro Marinho

Um diretor de uma escola brasileira - só pode ser particular, já que na rede pública o professor é "imexível" - demitiu um professor extremamente tradicional, que ali lecionava há 30 anos. Não porque não gostasse dele. Era boa gente, atencioso, frequente, pontual.

Mas o diretor queria mudar o formato do ensino na escola e, por isso, contratou um recém- egresso da universidade.

Era jovem, deveria ter uma formação mais moderna, mais de acordo com o que deve ser preciso em uma escola do Século XXI.

Seguramente o novato aprendera coisas sobre didática, psicologia, tecnologia educacional que o antigo professor sequer ouvira quando estava na universidade.

O desejo do diretor de oferecer um ensino inovador era mesmo enorme e naquele professor recém-formado estava essa chance.

E o diretor, sedento por ver a rápida mudança acontecer, decidiu acompanhar o novo professor em seu trabalho. Ele seria o modelo para a mudança dos demais.

Percebeu que a arrumação da sala se mantinha como antes. As carteiras continuavam enfileiradas, cada aluno assentado atrás de outro.

Contudo, pensou, isso é o de menos. Mais importante que alterar o aspecto das salas, o essencial seria modificar as aulas.

Uma nova didática, novo ensino, uma educação moderna, ainda que as carteiras estivessem enfileiradas.

Acompanhou então uma primeira aula do professor novato.

Ele usava o computador e o projetor multimídia. Enquanto falava, mostrava aos alunos uma série quase infindável de slides.

Eram tantos que as luzes só se acenderam no final da aula. E o professor prometeu aos alunos, jovens que sem dúvida gostam de usar o computador, que enviaria a apresentação por e-mail.

Isso era a modernidade, pensou o diretor.

Mas, depois de algumas aulas, viu que eram todas iguais. A dinâmica em todas era a mesma. Aulas expositivas, alunos silentes, slides projetados em uma tela.

O diretor constatou, com enorme tristeza, que afinal era a mesma forma de abordar o conteúdo adotada pelo professor que demitira. Não fosse pelo computador, era a mesma aula.

As provas, verificou depois, permaneciam do mesmo jeito, cobrando aos alunos a matéria que deviam decorar.

O diretor, incomodado, resolveu abordar o professor recém-chegado.

Questionou-o sobre as aulas, sobre o ensino. Afinal, tudo permanecia na mesma.

O professor, recém-formado, repetia o que o demitido fizera por anos e anos na escola, três décadas para sermos exatos.

"Por que nada mudou?", perguntou então o diretor, em uma conversa reservada com o professor novato

Do novato ouviu uma resposta: “Desculpe-me, mas a minha educação básica foi feita assim, em todas as escolas que frequentei, ao longo de onze anos. Depois foram mais quatro anos na universidade. Tudo era dessa mesma maneira."

E, encerrou o professor novato, desculpando-se: "Não sei como fazer isso diferente”.

Foi demitido na hora, apesar de toda a honestidade que foi imediatamente reconhecida pelo diretor.

Logo depois aquele novo desempregado foi chamado para ser professor em uma universidade. Agora podia realizar o que era seu grande sonho: formar novos professores.

Fonte: http://tdeduc.zip.net/arch2009-02-08_2009-02-14.html

14 de dez. de 2008

"Blogueiros" na sala de aula

CARTA CAPITAL
por André de Oliveira


O blog é uma ferramenta fácil, barata e que permite uma comunicação escrita dinâmica entre seus alunos

Os bloggers surgiram no fim da década de 1990 e nos últimos anos tiveram crescimento acentuado. São criados, no mundo, 120 mil blogs por dia, 1,4 por segundo. O blog é o espaço pelo qual muitos adolescentes interagem, trocam informações e revelam suas aspirações e gostos pessoais. Este recurso se limita, na maioria das vezes, a um espaço alternativo de produção cultural; no entanto, existem algumas experiências de uso de blog em sala de aula que se revelaram eficientes e úteis na aprendizagem da escrita e troca de informações. Por se constituírem em um espaço de multiplicação e renovação cultural, os blogs criaram um novo léxico entre os usuários, que se apropriam de termos do inglês para criar sua própria linguagem.

Por exemplo, o dono do blog é o "blogueiro" e o texto inserido por ele é um post. A palavra foi transformada em "postar", ou também, "postagem", que é o ato de publicação. No entanto, os novos termos não devem assustar o professor que está interessado em levar o blog para a sala de aula; isso é o que mostra a experiência da professora Márcia Vescovi Fortunato, que vem utilizando o recurso há dois anos e tem obtido ótimos resultados. Fortunato ministra uma oficina de prática de leitura e escrita no curso de Pedagogia do Instituto Superior de Educação Vera Cruz, em São Paulo. O projeto consiste na criação de um blog por aluno. Cada estudante deve publicar suas impressões pessoais acerca de um livro ou autor. Desse modo, diversas habilidades são desenvolvidas, como o ganho de intimidade com o texto escrito e a familiarização com maiores cargas de leitura. Ana Carolina Guimarães Abrão, aluna do curso de Pedagogia, diz em seu post: "Sempre achei que iria ter muita dificuldade em escrever, mas vejo que não, o que está me aborrecendo é ter que ler tanta coisa para a faculdade. Eu gosto do que leio, mas o fato de haver prazos me atrapalha".

"Esse exercício de escrita no blog é muito bom, acho que estou melhorando mesmo... Quem sabe tenha o mesmo processo com a leitura. Quanto mais se lê, mais se tem vontade de ler!" Para que as produções dos alunos não possam ser encontradas em ferramentas de busca, como o Google, Fortunato utiliza um recurso que impede a circulação dos blogs em "buscadores"; no entanto, isso não impede que os internautas tenham acesso aos blogs.

Ferramenta para textos curtos

Márcia Fortunato usa o blog, com seus alunos, como uma espécie de bloco de anotações que servirá para a confecção de um futuro trabalho. A professora acredita que seu método aumenta o interesse do aluno, pois utiliza uma ferramenta moderna e dinâmica que permite a interação entres os estudantes. A cada publicação semanal que os alunos fazem, a professora interfere, dando sugestões e demonstrando sua opinião. Além disso, os estudantes podem interagir entre si, fazendo apontamentos ou opinando sobre o que foi escrito.

Existe, também, a manutenção de um blog pela professora, que aprofunda questões discutidas em aula, além de servir como uma espécie de ponto de encontro dos blogs dos alunos. Fortunato ressalta que o blog é uma ferramenta que preza textos curtos e de fácil manipulação. Sendo assim, um trabalho que demande grandes pesquisas e textos mais elaborados não deve utilizar o recurso.

O blog pode trazer diversos benefícios para a aprendizagem, como o aumento do espírito crítico dos alunos, a melhora na produção escrita e a maior familiaridade com a leitura e interpretação de textos informativos, literários e teóricos. Porém, o ponto alto é, talvez, a criação de uma maior intimidade do aluno com aquilo que ele produz. Na medida em que a produção do estudante é algo pessoal, o blog ajuda a ressaltar esse aspecto. Ao ser questionada se seria boa idéia fazer o uso da metodologia em turmas de Ensino Fundamental e Médio, Fortunato diz que sim: "O espírito do blog é o de uma ferramenta fácil, barata e que favorece a comunicação entre os estudantes, estimulando-os por meio da criação de um espaço pessoal". A professora conclui dizendo que a metodologia pode ser aplicada a qualquer disciplina escolar, em qualquer instituição.

O blog no Ensino Médio

Maria Luiza Aburre, coordenadora de Língua Portuguesa da Escola Comunitária de Campinas e autora de livros didáticos para o Ensino Médio, é uma incentivadora de projetos que envolvam tecnologia e educação. Defendendo postura semelhante à de Márcia Fortunato, Aburre acredita que a experiência feita no Instituto Vera Cruz poderia, muito bem, ser aplicada no Ensino Médio e Fundamental. "O blog é um espaço interessante para o professor de Ensino Médio que tenha como preocupações não apenas desenvolver o texto, mas fazer com que o aluno esteja informado sobre questões da atualidade. Você pode, por exemplo, propor um tema de discussão por semana e fazer com que os alunos o discutam no blog", diz Maria Luiza.

Temas da atualidade e livros pedidos nas listas dos principais vestibulares do Brasil poderiam virar o centro de diversas discussões via internet. A única ressalva feita por Aburre é de que a criação do blog de cada aluno acarreta a exposição na internet do texto do estudante e, principalmente, sua exposição aos colegas de classe. Para isso, é oferecida uma opção: a criação de um blog para a sala inteira; deste modo, o professor poderia controlar de perto o que é produzido pelos seus alunos, mantendo a seriedade do método. Caberia ao educador criar um tópico de discussão por semana e selecionar alunos para serem redatores e mediadores das discussões decorrentes do tema. Ao final da semana, os estudantes poderiam criar um texto acerca do assunto discutido no blog e os melhores textos seriam publicados, evitando, desse modo, a exposição dos textos de todos os alunos. No entanto, Maria Luiza não recusa a idéia de Márcia, apenas diz que a criação de um blog e a subseqüente publicação de temas dependem de um compromisso e maturidade que, talvez, os alunos do Ensino Médio não tenham. Isso cabe ao professor definir.

O blog, usado como recurso didático tem muito a contribuir para o aprendizado escolar, conforme as professoras constatam. O que deve ser entendido pelo educador é que "a ferramenta mudou, mas a natureza da habilidade que precisa ser construída nos alunos, não. O professor deve ser o responsável por criar um senso crítico no aluno; assim como faz com livros, deve fazer também com a internet. Nem todos os livros são bons, nem tudo o que está presente na internet tem qualidade, mas ao contrário do que se pensa, existe muita coisa boa na rede. Por isso o professor não pode se abster desse mundo virtual", diz Maria Luiza Aburre. O blog, ela acredita, é um bom começo para se iniciar uma aproximação com a internet e aumentar o interesse dos estudantes.

Fonte: http://www.linearclipping.com.br/cnte/detalhe_noticia.asp?cd_sistema=93&codnot=574417