31 de out. de 2009

Repensando A Educação: A Escola Educa?


A educação no Brasil tem enfrentado grandes desafios. Desafios estes que nos remetem a um novo pensar, a uma nova forma de agir e principalmente de educar.

Estamos impregnados de velhos modelos e conservadorismos que não condizem mais com o momento planetário atual. Há a necessidade de repensarmos a educação, de forma que possamos sair da utopia e passar para o plano real. Idealizamos uma educação diferente, uma escola diferente e um mundo melhor, porém, o que fazemos é repetir os velhos modelos de séculos passados ou simplesmente negamos o caos, como se não tivéssemos responsabilidade com o todo.

A partir do entendimento de que educar é fazer o indivíduo sair de dentro de si e integrar-se com a sociedade na qual está inserido, relacionando-se de forma que possa construir o progresso próprio e da comunidade planetária da qual todos fazemos parte, concluo que educar não é uma tarefa fácil, e requer pessoas abertas ao novo e, principalmente, dispostas a buscar conhecer o ser humano na sua complexidade 2. A forma como se dará a relação homem / comunidade planetária depende de uma série de fatores, e a educação é um dos principais responsáveis pelo resultado dessa relação.

É imprescindível que mudemos a nossa forma de educar, mas isso depende de nos reeducarmos. Precisamos aprender a olhar o mundo como um todo, cientes de que tudo está interligado. E, a partir disso, adquirir uma consciência coletiva, sabendo que todas as nossas ações, sejam elas positivas ou negativas, irão refletir no todo.

Os problemas que necessitam ser resolvidos são mundiais. A fome no Brasil não é um problema somente dos brasileiros, assim como a miséria na África não é um problema somente dos africanos. As guerras, a violência, a devastação do meio ambiente, enfim, todas essas crises atuais são globais e não isoladas como pensamos e vemos.

Segundo Capra (1996, p. 23), "quanto mais estudamos os problemas de nossa época, mais somos levados a perceber que eles não podem ser entendidos isoladamente. São problemas sistêmicos, o que significa que estão interligados e são interdependentes".

Se passarmos a visualizar a relação entre homem-meio ambiente-comunidade planetária como matérias interdependentes, poderemos ter mais clareza e ampliar a nossa visão a respeito do que temos feito com nossas crianças e jovens no âmbito escolar.

Atualmente, as crianças e os jovens são levados a estudar uma quantidade de disciplinas que são ensinadas isoladamente, o que não os leva a fazer relações desses conteúdos ensinados em sala de aula com a própria vida. Estamos massacrando a mente de nossos alunos com uma série de conteúdos e pouco nos preocupamos com o ser humano que está recebendo essas informações. Queremos que eles compreendam e aprendam, mas poucos são os educadores que se envolvem com a história de vida do aluno que não consegue aprender e "incomoda" o professor e os colegas em sala de aula.

Cury (2003, p. 106), coloca que" o registro na memória é involuntário".

"(...) As experiências tensas são registradas no centro do inconsciente, e a partir daí serão lidas continuamente. Com o passar do tempo, elas vão sendo deslocadas para a periferia inconsciente da memória, chamada de ME, memória existencial.

Em alguns casos, o volume de ansiedade ou sofrimento pode ser tão grande que provoca um bloqueio da memória.

Normalmente as experiências com alta carga emocional ficam disponíveis para serem lidas e gerarem milhares de novos pensamentos e emoções". (CURY, p. 108)

O professor precisa conhecer o interior de seus alunos, os anseios, os medos, as dificuldades, as ansiedades, enfim, precisa conhecer o ser humano para educá-lo. A partir do momento em que o professor vai conhecendo seus alunos, ele passa a se envolver de maneira mais efetiva com os problemas educacionais e sociais e, conseqüentemente, ele deve tornar-se mais sensível, apto a mudanças, quando necessárias e aberto às novas idéias.

Hoje, consideramos bons professores aqueles que têm uma boa cultura acadêmica, são eloqüentes, têm um currículo exemplar e transmitem o seu conhecimento com segurança. Cremos que não há quem discorde de que todas essas distinções sejam importantes para um professor, mas, certamente, não são mais suficientes para um educador. O educador de hoje, ou melhor, o educador do futuro, deve ultrapassar o seu currículo de vários cursos, de vários idiomas, a sua segurança acerca dos conteúdos que deverão ser ensinados em sala de aula, enfim, o educador do futuro tem como grande desafio conhecer o ser humano.

Cury (2003, p. 57), distingue os bons professores dos professores fascinantes:

Bons professores têm uma boa cultura acadêmica e transmitem com segurança e eloqüência as informações em sala de aula. Os professores fascinantes ultrapassam essa meta. Eles procuram conhecer o funcionamento da mente dos alunos para educar melhor. Para eles, cada aluno não é mais um número em sala de aula, mas um ser humano complexo, com necessidades peculiares.

Os professores fascinantes transformam a informação em conhecimento e o conhecimento em experiência. Sabem que apenas a experiência é registrada de maneira privilegiada nos solos da memória, e somente ela cria avenidas na memória capazes de transformar a personalidade.

Estamos nos defrontando com uma crise de percepção, nossos valores estão invertidos e nos remetem a uma série de crises sociais, econômicas, políticas, psicológicas, ou seja, são vários setores que necessitam de uma mudança radical. Enquanto insistirmos em nos mantermos ligados ao nosso eu e à matéria, buscando satisfazer os nossos desejos mais supérfluos, estaremos caminhando na direção do abismo e certamente deixaremos como herança às gerações futuras a violência, a corrupção, a ganância, a competitividade, enfim, a má educação.

Os educadores devem estar abertos a mudarem seus valores para educar, e não podemos pensar a escola como o centro da educação, pois a escola não educa.

Temos nas escolas do Brasil e do mundo, muitos professores despreparados para lidarem com outros seres humanos. Há muitos professores que não estão dispostos a mudar seus olhares e ampliarem suas visões a ponto de comprometerem-se verdadeiramente com os problemas educacionais e sociais. Nossos líderes pouco ou nada fazem em relação à educação e à saúde. A sociedade está doente; as pessoas, sejam adultos ou crianças, encontram-se nervosas, agitadas, agressivas, impacientes, estressadas, por isso a família tende a responsabilizar a escola pela educação de seus filhos.

Em muitas famílias brasileiras, pais e filhos não conseguem ter uma relação amigável, de entendimento, compreensão e amor. Na escola, os professores estressados perdem a paciência com os alunos que não param em sala de aula, são agressivos ou alienados. Então que tipo de educação iremos construir se o que nos resta são pais estressados e negligentes, e professores desinteressados e estressados?

Precisamos seriamente cuidar uns dos outros. Não teremos a escola que sonhamos e que educa se continuarmos a destruir a nossa qualidade de vida, a qualidade de vida de nossos educadores, pais, crianças ou jovens.

Vejamos o que afirma Capra (1996, p.23) sobre a mudança de paradigma que se faz necessária em nosso tempo:

"Há soluções para os principais problemas de nosso tempo, algumas delas até mesmo simples. Mas requerem uma mudança radical em nossas percepções, no nosso pensamento e nos nossos valores. E, de fato, estamos agora no princípio dessa mudança fundamental de visão do mundo na ciência e na sociedade, uma mudança de paradigma tão radical como foi a revolução copernicana. Porém, essa compreensão ainda não despontou entre a maioria de nossos líderes políticos. O reconhecimento de que é necessária uma profunda mudança de percepção e de pensamento para garantir nossa sobrevivência ainda não atingiu a maioria dos líderes das nossas corporações, nem os administradores e os professores das nossas grandes universidades.

Nossos líderes não só deixam de reconhecer como diferentes problemas estão inter-relacionados; eles também se recusam a reconhecer como suas assim chamadas soluções afetam as gerações futuras".

A mudança de valores é o primeiro passo para começarmos a repensar a educação atual e partirmos em busca da escola do futuro. A escola do futuro exige que cuidemos não somente de nossos alunos, mas também de nossos educadores e, que estes estejam abertos para as novas possibilidades, novos pensamentos e novas visões. Mais do que cuidar de nossos educadores e alunos, é mister que resgatemos o valor e a importância da condição humana.

O homem é o centro da educação, pois ele é o gerador dos problemas atuais, então somente ele poderá e deverá solucionar esses problemas. Somos nós os responsáveis por todas as barbáries que o planeta tem passado, somos nós os devastadores do planeta, então, seremos nós os reconstrutores dessas calamidades.

Morin (2001, p. 47) coloca que há sete saberes que são necessários à educação do futuro e, entre eles, ressalta a condição humana:

"A educação do futuro deverá ser o ensino primeiro e universal, centrado na condição humana. Estamos na era planetária; uma aventura comum conduz os seres humanos, onde quer que se encontrem. Estes devem reconhecer-se em sua humanidade comum e ao mesmo tempo reconhecer a diversidade cultural inerente a tudo que é humano.

Conhecer o ser humano é, antes de mais nada, situá-lo no universo, e não separá-lo dele".

A educação atual está voltada para o conhecimento, mas transmite um conhecimento desconexo, fragmentado. O educando necessita receber as informações de modo que possa adquirir uma visão acerca do mundo em que vive, desenvolvendo a capacidade de refletir sobre sua condição enquanto ser humano.

Os educadores precisam reconhecer-se como seres capazes de educar, precisam despertar suas habilidades adormecidas, utilizando sua criatividade. Segundo Morin (2001, p.32), "necessitamos civilizar nossas teorias, ou seja, desenvolver nova geração de teorias abertas, racionais, críticas, reflexivas, autocríticas, aptas a se auto-reformar".

Os educadores necessitam congregar seus objetivos em relação a educação do futuro. É o momento de criarem projetos inovadores, que ultrapassem a fronteira das teorias. A educação exige que se crie um eixo de estudos e projetos educacionais pragmáticos e ao mesmo tempo humanizados. Hoje há um interesse maior em teorias que centralizem o homem e sua relação com o todo. As preocupações com o meio ambiente tem sido ressaltadas em muitas teses, e isso deve ser uma chave para que possamos pensar uma nova forma de educar o homem.

As instituições educacionais deverão assumir um novo posicionamento perante as dificuldades educacionais para que haja a possibilidade de uma nova geração pensante. Se continuarmos a pensar que educamos, há uma grande chance de não haver educação no futuro.

Temos que estar cientes de que os homens são educados por homens, e que estes homens que educam são seres bipolarizados, assim como seus educandos. Há em nós caracteres antagônicos, ou seja, ora somos racionais, ora irracionais, ora "homo sapiens, ora homo demens" 3, o que faz de nós seres humanos como nossos alunos. O que não podemos deixar de fazer é nos reeducarmos, mudar nossas posturas, rever valores, pedir auxílio, se assim for preciso, mas preparar-nos para adentrar no complexo campo da educação.

Os educadores precisam ter clareza de suas obrigações e assumirem suas responsabilidades como cidadãos, enfrentando os desafios que certamente surgirão. Hoje temos um grande desafio na educação, que é o desafio de conhecer o homem em sua complexidade e a partir daí, torna-se indispensável que ensinemos a nossos educandos a sua condição humana. Tanto os educandos quanto os educadores, precisam compreender-se como seres humanos complexos e que fazem parte de um todo. Devem aprender a enfrentar as incertezas do conhecimento e crescer em conjunto como seres éticos, capazes de gerenciar seus pensamentos e emoções. Os educadores necessariamente deverão deixar de se esconder atrás de um quadro-negro e enfrentarem os desafios de hoje, de forma que possam criar seres felizes, revolucionários e empreendedores.

Titles: Rethink the education: the school educates?

Abstract:

This article intends to bring to the reflection what it is to educate. It will be that we are, educators and pretense educators, looking at for what really it must be looked at?

It is essential that let us open hand of the ideas conservatives and let us start to search clarifications concerning what is truily to educate. Will be we them educators of the future or mere unconscious repeaters of the past?

According to Morin, the education of the future will have to be first and universal education, centered in the condition human being. To know the human being are, before more nothing, to point out it in the universe, and not to separate it of it.

Key-words: to educate - to rethink - new values - school - condition human being

REFERÊNCIAS

BUSARELLO, Raulino. Dicionário Básico Latino-Português. 6.ed. Florianópolis: UFSC, 2003.

CAPRA, Fritjof. A Teia da Vida. São Paulo: Cultrix, 1996.

CURY, Augusto. Pais brilhantes, Professores fascinantes. Rio de Janeiro: Sextane, 2003.

MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à Educação do Futuro. 3.ed. São Paulo: Cortez, 2001.

1 Do latim educere - fazer sair, tirar, criar, conduzir para. In Dicionário Básico Latino-Português

2 Complexus significa, segundo Morin, o que foi tecido junto; de fato há complexidade quanto elementos diferentes são inseparáveis constitutivos do todo (como o econômico, o político, o sociológico, o psicológico, o afetivo, o mitológico), e há um tecido interdependente, interativo e inter-retroativo entre o objeto de conhecimento e seu contexto, as partes e o todo, o todo e as partes, as partes entre si. Por isso, a complexidade é a união entre a unidade e a multiplicidade.

3 Segundo Morin, o ser humano é complexo e traz em si, de modo bipolarizado, caracteres antagonistas: homo sapiens e homo demens (ser humano sábio e ser humano louco).

Flávia Rocha David - Formada em Letras pela FAPA- Faculdades Porto-Alegrenses. Este artigo foi escrito no primeiro semestre de 2006, como instrumento parcial de avaliação da cadeira de Metodologia Científica

Fonte: http://www.webartigos.com/articles/914/1/repensando-a-educacao-a-escola-educa/pagina1.html

30 de out. de 2009

Educação, Tecnologia e seus Caminhos


Por *Divina Salvador Silva

Nos nossos tempos modernos, em que mudanças vertiginosas estão ocorrendo, mais importante que Aprender a Aprender é Aprender a Desaprender. Só que aprender a desaprender é bem mais difícil. Crenças depois de estabelecidas, não podem mais ser apagadas, só enfraquecidas.

O mundo está se transformando, novas descobertas acontecem e a distância entre o presente e o futuro se torna cada vez menor.

É claro que a Tecnologia não é responsável por toda a transformação cultural que ela impulsiona. A mudança tecnológica apenas cria novos espaços de possibilidades a serem, então explorados, (no caso das novas tecnologias da informática seria, rede de computadores, processamento de linguagem, inteligência artificial, linguagens icônicas, hipertextos, multimídia...)

O educador precisa acompanhar a evolução tecnológica, para que o processo-ensino-aprendizagem ocorra de forma eficaz.

Sabemos que para uma planta crescer temos que podá-la.

E como fazer isto com o professor? E com o aluno?

Configura-se que na escola moderna, Aluno aprende com Professor; Professor aprende com Aluno; Aluno aprende com Aluno (este último tem ganhado grande espaço no contexto educacional, quando se trata de Aprendizagem por Projetos) e professor aprende com professor.

Os conteúdos e as aprendizagens são orientações expressas pela atual forma educativa, onde surge uma preocupação pela adequação à realidade inserida. A escola acorda e começa a trilhar em um caminho entre a teoria e a prática e o ensino globalizado.

As dificuldades levam a escola a se “re” organizar, a aprofundar e adotar uma postura diante da questão.
O ponto alvo está em o diretor ouvir os seus especialistas que são os professores, os alunos, os funcionários e juntos então montar uma proposta metodológica, um plano de trabalho, enfim uma trajetória de vida para a escola.

Paulo Freire, deixa claro em seu livro “Pedagogia da autonomia” que somente um método será capaz deste efeito.

"A Ação e o Diálogo".

O diálogo é a base do método de Paulo Freire. Mas o que é o diálogo?

- É uma relação de comunicação de intercomunicação, que gera a crítica e a problematização, uma vez que é possível a ambos o parceiro perguntar "por que?”.

DIA significa ultrapassar e LOGO significa razão.

Diálogo no estudo da raiz da palavra caracteriza por: - ultrapassar para o lado da razão.

O diálogo nutre-se, portanto, da humildade, da simpatia, da esperança, da confiança dos que o realizam, passando sim para o lado da razão, onde o primeiro passo será a "Ação".

O respeito mútuo implica na superação dos próprios pontos de vista e implica em compartilhar com o outro uma escala de valores e juntos definir as metas a serem trabalhadas.

Piaget, Paulo Freire; Maturana e Varela (l982) e outros autores ressaltam que é só na cooperação que a superação da crise se efetiva. O homem isolado não chegaria jamais a conhecimento algum. O fenômeno do amor é que permite a transformação, pois é só vendo-se no outro que se tem coragem de promover a mudança ética. Piaget considera que nas relações cooperativas, o respeito mútuo é uma exigência.

É preciso que o processo educativo não transmita certezas, que ele seja agradável e significativo, privilegie a expressão e a comunicação de todos os participantes, promova o encontro, a convivência e a cooperação.

Divina Salvador Silva - Pedagoga - Especializada em Orientação, Supervisão e Administração Escolar; Profª/Coord. de Informática Educacional.

Fonte: http://www.centrorefeducacional.com.br/edutecnol.htm

29 de out. de 2009

A educação ideal: boa, grátis e sem professor por perto (mas sem diploma também)


Por André Forastieri (@forastieri )

Quando eu estava na faculdade, achava uma chatice ter que ficar fazendo trabalhos idiotas, resumos, “fichamentos” de textos. Ano após ano, os professores pediam as mesmas coisas – ler O Manifesto Comunista, um livrinho da Marilena Chauí, outro texto lá do Walter Benjamin.

Propus só meio humoristicamente que os alunos montassem um banco de dados, com cópias de todos os trabalhos entregues nos quatro anos de jornalismo da Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo.

A ideia era que no ano seguinte, ninguém precisasse fazer mais porcaria nenhuma. Bastava copiar os trabalhos que tiveram as melhores notas.

Os professores jamais iriam perceber. Se não tinham energia para mudar o currículo ano após ano, por que iam ter energia para ler nossos trabalhos com atenção?

Meus colegas não entenderam que não era piada. Isso foi em 1983.

Em 2005, Neery Paharia, ex-consultora na McKinsey, ex-empregada da Creative Commons, fundou uma coisa chamada AcaWiki, uma compilação de resumos de textos acadêmicos, grátis e criada coletivamente.

AS LICENÇAS CREATIVE COMMONS

Faz sentido. A Creative Commons é uma ONG dedicada a reformar o sistema atual de propriedade intelectual. Oferece a criadores de conteúdo a possibilidade de registrar suas obras de maneira diferente das que a lei prevê.

Em vez de “todos os direitos reservados”, geralmente uma licença Creative Commons prevê “alguns direitos reservados”.

Eu acho o Creative Commons muito interessante, e já fundei dois sites de colaboração coletiva que funcionam mais ou menos nesta regras.

São o BIS, blog de música que está dentro da MTV.com.br, e o MOVIE, site irmão da nova revista de cinema da Tambor.

A regra 1 no BIS e no MOVIE é: mande o que quiser, publicamos o que gostamos, damos crédito (e link para seu blog ou site ou post original, se houver).

A regra 2 é: você pode pegar qualquer coisa que estiver dentro do BIS e do MOVIE e publicar onde bem entender, dando crédito e link.

Claro que se você quiser pegar este texto que estou escrevendo neste segundo e colocar no seu blog, não tenho como controlar. Mas se deres o crédito e o link, agradeço. Aproveitando, a reportagem da Fast Company que inspirou este post está aqui.

Agora Paharia começou a Peer2Peer University. Estudantes usam o site para se encontrar, agendar classes, estudar conjuntamente, ensinar uns aos outros. Um “facilitador” voluntário supervisiona o andamento de cada curso e mantém a coisa andando.

Hoje, a P2P University tem dez cursos pilotos e já recebeu um investimento inicial de setenta mil dólares da Hewlett Foundation. Não sou só eu que tenho birra com escola.

Tem gente mais inteligente que eu dizendo que as universidades vão pelo caminho das lojas de disco, das gravadoras e dos jornais: pra lama. E tem gente grande apostando dinheiro alto nisso.

“Por que meu filho não pode estudar robótica em uma faculdade, álgebra em outra e direito numa terceira? Por que não podemos organizar 130 disciplinas diferentes, em escolas diferentes, e dizer que isso justifica um diploma?”

Foi mais ou menos essa a pergunta que o professor David Wiley fez. E que não quer calar. Wiley não é mole. Teve uma visão: depois do open source, o open content.

Co-fundou uma escola grátis, pública e online, que usa conteúdo livre (e grátis) e permite que os estudantes se formem na high school (equivalente deles do médio), estudando de casa.

É sócio de uma nova empresa chamada Flat World Knowledge, que encomenda textos acadêmicos e didáticos para professores e os disponibiliza no site. Eles são grátis para leitura online, US$ 19.95 para download e US$ 29.95 por uma cópia impressa.

A empresa acaba de receber um investimento de oito milhões de dólares. Ou seja: tem grana alta apostando em sistemas alternativos. Se você conhece outras experiências diferentes nessa linha, por favor me avisa.

QUER APRENDER DE GRAÇA?

E as universidades?

Começam a correr atrás do prejuízo. O prestigioso Massachussets Institute of Technology, MIT, já coloca praticamente todo conteúdo de seus cursos disponível online. Apostilas, textos, testes, e bastante áudio e vídeo.

De graça. É o OpenCourseWare. Você pode sair agora deste blog e acessar um curso do que você quiser, preparado por alguns dos maiores gênios do planeta, prêmios Nobel etc. É aqui.

Sabe quantos cursos tem? Mil e novecentos. Só falas português? Não tem problema. Tá cheio de curso em português aqui.

Agora, se você quiser receber um diploma do MIT em qualquer desses cursos – um degree, como dizem lá os gringos – tem que passar por uma peneira desgraçada, mudar para Boston e investir pelo menos uns US$ 200 mil.

Isso faz algum sentido para você? Será que não deveria haver mais graus de cinza entre “formado” e “não-formado”?

Citei o MIT porque é famoso. Mas Yale, Notre Dame, e muitas outras instituições estão indo nessa direção. Várias brasileiras.

Veja a lista dos participantes do consórcio OpenCourseWare aqui.

E se você não está encontrando o curso que quer, pode procurar aqui:

Por enquanto, você não ganha um diploma quando faz um curso desses. Porque, claro, não interessa para as universidades, nem pagas nem públicas.

Mas as coisas mudam e mais rápido do que a gente imagina. Em um país como o Brasil, em que 85% dos jovens de 20 a 25 anos não frequentam faculdade, não é nem previsível: é inevitável.

Fonte: http://blogs.r7.com/andre-forastieri/2009/10/27/a-educacao-ideal-boa-gratis-e-sem-professor-por-perto-mas-sem-diploma-tambem/

28 de out. de 2009

Educação e Tecnologia: uma aliança necessária


por Juracy dos Anjos

“Estamos diante de uma bela demonstração de que a modernização da educação é séria demais para ser tratada somente por técnicos. É um caminho interdisciplinar e a aliança da tecnologia com o humanismo é indispensável para criar uma real transformação. (...) Em síntese, só terá sentido a incorporação de tecnologia na educação como na escola, se forem mantidos os princípios universais que regem a busca do processo de humanização, característico caminho feito pelo homem até então”. (RENATO, Eduardo José. Informática e educação, 1997,05).

“A importância da reforma dos sistemas educativos é apontada pelas organizações internacionais como uma prioridade na preparação dos cidadãos para essa sociedade pós-moderna. Não é à toa que a introdução das novas tecnologias digitais na educação apresentou mudanças para a dinâmica social, cultural e tecnológica.”

Entendidas por especialistas e educadores como ferramentas essenciais e indispensáveis na era da comunicação, as novas tecnologias ganham espaço efetivo nas salas de aula. Computadores ligados à internet, software de criação de sites, televisão a cabo, sistema de rádio e jogos eletrônicos. Estas são algumas das possibilidades existentes e que podem ser aproveitadas no ambiente escolar como instrumentos facilitadores do aprendizado.

Entretanto, apesar de muitas escolas possuírem estas tecnologias, as mesmas não são utilizadas como deveriam, ficando muitas vezes trancadas em salas isoladas e longe do manuseio de alunos e professores. Existem, segundo estudos recentes, professores e escolas que não conseguem interligar estes instrumentos às atividades regulares.

De acordo com o pedagogo Arnaud Soares de Lima Júnior, “o acesso às redes digitais de comunicação e informação é importante para o funcionamento e o desenvolvimento de qualquer instituição social, especialmente para a educação que lida diretamente com a formação humana”.

No entanto, ele ressalta que os modos de viver e de pensar a organização da vida estão em crise. Está em curso uma mudança qualitativa em virtude da rápida transmissão de informações entre as sociedades, rompendo com isso as barreiras geográficas dos países.

“Por isso, cabe à educação uma parcela de responsabilidade tanto na compreensão crítica do(s) significado(s) desta transformação, quanto na formação dos indivíduos e grupos sociais. Estes devem assumir com responsabilidade a condução social de tal virada, provocada, entre outros fatores, pela revolução nas dinâmicas sociais de comunicação e de processamento de informação”, analisa Arnaud.

Modernização - Neste cenário, a importância da reforma dos sistemas educativos é apontada pelas organizações internacionais como uma prioridade na preparação dos cidadãos para essa sociedade pós-moderna.

Não é à toa que a introdução das novas tecnologias digitais na educação apresentou mudanças para a dinâmica social, cultural e tecnológica. Modelos pedagógicos foram quebrados, tornando-se desatualizados frente aos novos meios de armazenamento e difusão da informação. Neste momento mudam também os conteúdos, os valores, as competências, as performances e as habilidades tidas socialmente como fundamentais para a formação humana.

Apesar de tentar responder a estas questões imediatas, muitos educadores salientam que a inserção, no contexto educacional, destas tecnologias ainda é encarada como uma articulação problemática.

“Esta parceria entre educação e tecnologia é muito difícil de ser efetivada. No que se refere às tecnologias digitais, principalmente, os professores têm dificuldades de interação. Eles já até admitem utilizar o computador e a internet para preparar as suas aulas, mas não conseguem ainda utilizar as mesmas nas suas atividades em sala de aula, como instrumento pedagógico”, observa a pedagoga Lynn Alves.

Para Lynn, o uso da tecnologia não deve se restringir a mera utilização ilustrativa ou instrumental da tecnologia na sala de aula. Exemplo disso, segundo a pedagoga são as aulas de informática de colégios particulares e públicos, que assumem apenas o papel de ensinar o uso dos programas.

“O jovem já sabe disso, ninguém precisa ensiná-lo. Por este motivo, estas aulas acabam se tornando um espaço de “desprazer”, porque os estudantes querem utilizar a tecnologia para criar, re-significar, construir e intercambiar saberes. Infelizmente, este potencial todo a escola ainda despreza”, frisa Lynn.

Internet e Educação

“A Internet é muito mais que um mero instrumento. Além de um dispositivo, ela representa um modo diferente de efetivar a comunicação e o processamento social da informação”. Esta observação é feita por Arnaud Soares Júnior, professor do mestrado em educação e tecnologia da Universidade Estadual da Bahia e autor do livro “Tecnologias Inteligentes e Educação: currículo hipertextual”.

De acordo com o educador, neste panorama de efetiva transformação, o uso da Internet não representa grande desafio para que os professores aprendam a sua utilização, porque suas funções mais sofisticadas são acionadas até mesmo por intuição. Isso por causa da expressão “interface amigável”, que viabiliza o manuseio rápido e fácil.

“Para acessar a Internet não se requer nenhum grau mais elevado de operação mental. Mas, discriminar suas características tecnológicas, sua lógica de funcionamento, e sua natureza comunicativa e informacional, de modo crítico, criativo e politicamente engajado, requer um processo de formação mais abrangente e conseqüente. Tal não poderá ser feito, por exemplo, pelos cursos relâmpagos de informática, nem pelos treinamentos em informática básica”, analisa o professor.

Já no que diz respeito a utilizar a internet como meio para atrair a atenção dos estudantes, Arnaud salienta que não basta prender a atenção dos estudantes com a tecnologia, porque isto já acontece naturalmente, em virtude das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) exercerem fascínio nas novas gerações.

“A questão mais importante é como garantir uma educação de qualidade com a utilização das TICs e como definir sua utilização mais pertinente em cada contexto de formação. Para tanto devem ser consideradas as condições e as necessidades inerentes a cada contexto, além das novas tensões sociais que aí se refletem em função do crescente processo de globalização”, explica Arnaud Soares.

Para finalizar, o pedagogo menciona que diferente do que muitas pessoas acreditam, a Internet não é só uma rede meramente técnica e digital. “A Internet dever vista pelos educadores como uma rede de comunicação, de cultura, de socialização e sociabilidade. Ela está relacionada aos interesses políticos e mercadológicos, além de sua dinâmica estar submetida aos efeitos dos desejos e de representações sociais”, conclui Arnaud.

Jogos eletrônicos: ferramenta importante na aquisição do saber

“A presença dos elementos tecnológicos na sociedade vem transformando o modo dos indivíduos se comunicarem, se relacionarem e construírem conhecimentos. Somos hoje praticamente vividos pelas novas tecnologias”.

A partir desta reflexão, Lynn Alves, professora do mestrado em educação e contemporaneidade da Uneb e autora do livro: “Game Over: Jogos Eletrônicos e Violência”, demonstra a importância da tecnologia, em especial os jogos eletrônicos na vida dos jovens contemporâneos.

Encarada por muitos como nocivo e prejudicial ao desenvolvimento cognitivo dos jovens, os jogos eletrônicos vêm ganhando espaço entre vários estudos e demonstram que podem ser mais um instrumento pedagógico no ambiente escolar. Esta reflexão partir da concepção que existe hoje uma geração submerso no mundo da tecnologia, que tem acesso seja através da televisão ou dos vídeos-game ou das LAN house.

De acordo com estes estudos, os sujeitos nascidos na pós-modernidade estão imersos em um mundo altamente tecnológico. Esta geração é defendida pelos estudiosos como os “nativos digitais” ou “geração mídia”. Uma categoria que vem sendo largamente discutida na atualidade.

Com a utilização de alguns jogos eletrônicos, a exemplo do Simcity, Civilizations e RPG, “os professores podem trabalhar o aprendizado em geografia, história, porque nesse jogo desafia os estudantes a administrar recursos, criar cidades, enfrentar catástrofes, fazer escolhas, planejar, entre outras coisas”, comenta a educadora Lynn.

Nesta perspectiva, e através do jogo eletrônico, os estudantes são estimulados a saber quais as conseqüências de colocar uma escola perto de uma fábrica poluente, além de verificarem quais os problemas sociais ou de saúde as ações realizadas durante o jogo podem causar.

De acordo com Lynn, até mesmo nos jogos violentos, tanto crítica por inúmeros pais, podem servir de fonte de aprendizado e estímulo entre o público jovem. “Você pode trabalhar a questão cognitiva, pois estes jogos exigem uma habilidade sensorial e motora muito grande, tomada de decisão e planejamento estratégico”, conclui Lynn.

Fonte: http://www.overmundo.com.br/overblog/educacao-e-tecnologia-uma-alianca-necessaria

25 de out. de 2009

Guia de tecnologias educacionais do Ministério da educação

Quando o assunto é promover a tecnologia educacional em instituições de ensino, a maioria dos gestores e coordenadores dessas instituições se encontra com um pequeno problema nas mãos; qual tecnologia ou projeto escolher? A quantidade de informações e sistemas desenvolvidos em diversas localidades, mesmo em língua portuguesa é muito grande. O que pode realmente atrapalhar na hora da escolha, sem falar na falta de experiência e vivência dos gestores com assuntos relacionados à tecnologia da informação, especialmente se for associada à sala de aula.

Como forma de promover e facilitar a pesquisa dos gestores das diversas instituições de ensino, o ministério da educação elaborou um guia de tecnologias educacionais, voltado de maneira clara para os gestores de instituições públicas, com tecnologias e recursos que podem ser usados como apoio em sala de aula. A maioria das tecnologias foi desenvolvida aqui no Brasil mesmo. O catálogo é de 2007, mas ainda é possível encontrar material interessante para os mais variados fins, desde o ensino das unidades básicas como matemática até o aperfeiçoamento de professores.

Para saber mais sobre o projeto, você pode visitar esse endereço que leva diretamente a página no web site do ministério da educação, com a descrição do guia. O documento pode ser copiado como um arquivo PDF de aproximadamente 60 MB no endereço indicado acima, para as pessoas interessadas em consultar a lista de tecnologias disponíveis é a maneira mais rápida de ter acesso a lista.

guia-tecnologia-educacao.jpg

Uma das coisas que senti falta no guia é um simples sumário com numeração de páginas, o que mostra que faltou um designer de informação para organizar o material! Se você quiser conhecer as tecnologias como um todo, precisa passar por todas as páginas. Até é possível achar alguns dos projetos no guia pelo sumário, mas para descobrir em que página ele está é necessário ir folhando o documento todo, ou então usar o localizar do leitor de arquivos PDF.

Deixando essa parte do sumário de lado, o guia se mostra muito bom na apresentação dos projetos que envolvem tecnologia educacional no Brasil. Os projetos de tecnologia educacional estão organizados nas seguintes categorias:

  • Gestão da educação
  • Ensino-aprendizagem
  • Formação de profissionais da educação
  • Educação inclusiva
  • Portais educacionais

Essa última opção não tem relação alguma com sistemas LMS, mas sim com portais que oferecem algum tipo de conteúdo de apoio a professores e educadores, como o excelente Portal Domínio Público que oferece material livre de direitos autorais que podem ser usados sem restrições na sala de aula.

Se você trabalha de alguma maneira com tecnologias voltadas à educação, recomendo o download e consulta ao material.

Fonte: http://www.colaborativo.org/blog/2009/02/25/guia-de-tecnologias-educacionais-do-ministerio-da-educacao/

22 de out. de 2009

Um dia, seu filho vai se sentir como você se sente


Todas as crianças estão (ou querem estar) na internet e a usam com desenvoltura; daqui para a frente, elas devem transformar esse ambiente

por Bruno Galo, Rafael Cabral e Ana Freitas

"Se pudesse escolher, adoraria ser criança agora", suspira o apresentador e blogueiro Marcelo Tas. Observador da relação dos pequenos com as novas tecnologias, ele se diz fascinado com as possibilidades de interação, participação e expressão do mundo atual.


Para Tas, a linguagem da rede é muito parecida com o universo das crianças: fragmentado, espontâneo e não-linear pela própria natureza."Ao contrário dos adultos, que são mais enquadrados pelos vícios e hábitos de linguagem, com os sentidos mais domesticados, as crianças estão abertas às (novas) experiências, sem preconceito", defende.


Não por acaso, hoje, de um jeito ou de outro, as crianças estão - ou querem estar - na internet. A presença dos pequenos na rede é maciça e não para de crescer. Por aqui, de acordo com uma pesquisa da Turner Brasil Network do ano passado, 51% das crianças e jovens, entre 6 e 14 anos, acessam a web todos os dias. Segundo um estudo recente da Nielsen, nos Estados Unidos, enquanto o número total de usuários cresceu 10% entre 2004 e 2009, o de crianças, entre 2 e 11 anos, subiu 19%.


"Muita gente diz que a internet está nos tornando mais burros. De certa forma, isso é verdade. Desaprendi a decorar telefones, endereços, dados geográficos, datas. Mas tudo bem. Aprendi muitas outras coisas que compensam o que perdi", diz o educador brasileiro Paulo Blinkstein. "Sempre foi assim na história da humanidade. Lembre-se que houve época que não havia escrita, e o que se valorizava era a memorização pura", exemplifica.


"Enquanto o adulto vê a internet como um substantivo, a criança a vê como um verbo. Ou seja, uma ferramenta que permite a ela fazer o que deseja. E hoje, para formar uma frase, todos, não só as crianças, precisamos deste verbo", acredita Volney Faustini, pesquisador da área. Para os pequenos, a tecnologia até parece invisível. O fascínio que elas despertam está muito mais nas suas possibilidades, do que nelas mesmas. Em suma, elas são um meio e não um fim em si. "O adulto é atraído pela ferramentas. A criança, pela história que elas contam", analisa Tas.


Hoje, no entanto, pesquisar na internet, enviar e-mail, criar blog e postar vídeo no YouTube são coisas que as crianças já fazem e aprendem a fazer sozinhas. É preciso, portanto, estimulá-las a extrapolar esse modelo de publicação e de acesso a informação. Para Blinkstein, que é especialista no uso da tecnologia aplicada à educação, a disponibilidade instantânea de informação está tornando a educação tradicional cada vez mais obsoleta, deixando as crianças à deriva. "Infelizmente, elas não aprendem a usar o seu tempo online para atividades mais profundas. A internet se vira só um passatempo, o que é trágico", afirma.


"Usar o computador como uma ferramenta de investigação cientifica profunda não é espontâneo, não se aprende sozinho. É preciso ter um professor muito bem preparado, materiais de qualidade e formas de avaliação aprofundadas. E, principalmente, a tecnologia permite centrar a educação no aluno, e não no professor", explica Blinkstein.

INOVAÇÃO

Ah, sim. Se você chegou até aqui sem entender o porquê do título, responda: você já ficou surpreso - ou até mesmo assustado - com a desenvoltura e naturalidade que seu filho demonstra ao mexer com os equipamentos eletrônicos e o computador na sua casa? Fique tranquilo. Você não está sozinho e nem é o primeiro a ter essa impressão.


"Tudo que existe no mundo antes de nascermos é absolutamente natural. As novidades que surgem enquanto somos jovens são uma oportunidade e, com sorte, uma carreira a seguir. Tudo aquilo que aparece depois que você tem trinta anos, entretanto, é anormal, o fim do mundo como o conhecemos. Isso, até que tenhamos convivido com essa novidade por uns bons dez ou quinze anos, quando, enfim, ela começa a parecer normal", definiu certa vez - e com rara precisão - Douglas Adams, autor inglês do livro O Guia do Mochileiro das Galáxias


URS GASSER, professor

Urs Gasser é professor do centro de Internet e Sociedade da Universidade de Harvard e co-autor do livro Born Digital: Undestanding the First Generation of Digital Natives (Nascidos digitais: entendendo a primeira geração de nativos digitais), amplo estudo sobre aqueles que nasceram após 1980. No geral, o livro é otimista quanto ao futuro da internet, "importante para formar cidadãos globais com espírito de inovação e colaborativismo", mas critica a falta de segurança dos dados das crianças na rede.


Afinal, o que é um nativo digital?

Usamos esse termo em um sentido metafórico. Ele descreve a população de jovens nascidos depois dos anos 1980 e que teve acesso às tecnologias digitais de uma maneira significativa. São as crianças e os adolescentes de hoje, que não conseguem imaginar a vida sem o Google ou a Wikipedia. É importante destacar que nem todas as crianças hoje são nativas digitais, já que existe uma exclusão digital muito grande e nem todas têm a oportunidade (ou a habilidade) de participar do ciberespaço.


A relação da geração pós-Napster com as leis de copyright pode ajudar a atualizar as leis de direitos autorais?

A resposta da Justiça para a cultura de compartilhamento hoje é a repressão. Quando essas crianças envelhecerem, no entanto, essas leis se tornarão mais brandas e se adaptarão a essa nova lógica. A ascensão dos Partidos Piratas na Europa é o começo desse desenvolvimento.


A criatividade das crianças esbarra nos interesses da indústria?

Às vezes. Não sabemos se a internet vai continuar sendo a plataforma aberta que conhecemos hoje, possibilitando a cultura do remix e o compartilhamento, pois há forças significativas que defendem uma versão mais controlada da rede, por causa de seus interesses. Isso sim pode prejudicar a criatividade. Estamos em uma encruzilhada. Não sabemos se a arquitetura da internet continuará a mesma, mas foi ela que propiciou a parte boa da cultura digital.


Com tantas fontes, as crianças digitais são mais críticas com aquilo que consomem?

A criança média, não. Porém, vemos que quanto mais conectada, mais ela está predisposta a checar em mais de uma fonte. Descobrimos uma regra: Quanto mais conectada a criança, mais discernimento ela tem.

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/tecnologia+link,um-dia--seu-filho-vai-se-sentir-como-voce-se-sente-,3048,0.shtm#

21 de out. de 2009

Tutorial Como se Cadastrar no Twitter

Você tem escutado direto a palavra Twitter e não faz a mínima idéia do que significa? Então esse post vai tirar algumas de suas dúvidas, e explicar como fazer para se cadastrar na nova onda mundial.

O Twitter é um micro-blogging, ou seja, é um blog que, literalmente, você escreve “micro”, ou melhor, pouco. O máximo de caracteres que você pode escrever são 140. O legal é que você pode “seguir” todos os seus amigos e saber tudo que eles estão fazendo, além de “seguir” pessoas famosas.

- Por que falo em “seguir”? Por que quando você quer acompanhar o Twitter de alguém, tem que clicar em “Follow” (”Seguir”) na página do Twitter da pessoa.

Confira agora, passo-a-passo, como se cadastrar no Twitter:

1) Assim que entrar na página inicial do Twitter: http://twitter.com, clique em “Get Started – Join!”.

Primeiros passos para o mundo do TWITTER

2) Agora você deve preencher com seu Nome (Full name), Nome de usuário/Apelido (Username – esse é o que irá aparecer no seu endereço – http://twitter.com/USERNAME), senha (Password) e email. Escreva os dois códigos, separados por espaço, onde está escrito “Type the words above“. Quando tiver preenchido clique em “Create my account“.

Preenchendo com dados pessoais

3) Na terceira etapa ele pede para ver se seus amigos estão no Twitter usando sua conta de email, pule essa etapa que depois irá aparecer de novo (clique em “Skip This Step” embaixo do botão “Continue”).

Pulando etapa de adicionar amigos no Twitter

4) Agora ele vai querer adicionar automaticamente algumas pessoas ao seu Twitter. Eu não quis, se você também não quiser, desmarque o quadradinho escrito “Select All” e aguarde pois irá sumir todos os avatares (”fotinhas”) à direita da tela. Atenção: Se você quiser deixar essas pessoas serem adicionadas ao seu Twitter, apenas clique em “Finish“.

Opção automática do Twitter

5) Imagem mostrando a página depois de desmarcar a opção “Select All” (sumiram as fotos na direita e todos os quadradinhos estão desmarcados). Agora clique em “Finish“.

Desmarcada a opção “Select all”

6) Parabéns! Você está cadastrado no Twitter!! Essa será a SUA página do Twitter (Foto 6). Vamos agora procurar seus amigos ou pessoas famosas para segui-las, clique em “Find some friends” (Continua na próxima etapa, antes veja alguns detalhes desta página).

Alguns detalhes desta página:

  • o retângulo escrito “What are you doing?” é para você escrever o que está fazendo (lembre-se, só pode escrever 140 caracteres!)
  • na direita você vê seu nome de usuário e abaixo dele aparecem quantas pessoas você está seguindo (”following _me“), quantas pessoas estão te seguindo (”followers_me“) e quantas vezes você mandou mensagem (”updates“)
Foto 6 – Detalhando SUA página no Twitter
7) Você pode achar seus amigos no Twitter pela sua conta de email (basta colocar sua senha do email em “Email Password“). Ou então procurar pessoas pelo nome, clique na aba escrito “Find on Twitter” (”Achar no Twitter“)
Achando amigos ou famosos no Twitter

No espaço escrito “Who are you looking for?” escreva o nome da pessoa que você quer ver se tem Twitter (por exemplo, eu escrevi o nome que a atriz Demi Moore usa no Twitter (Mrs Kutcher). Você pode procurar pelo nome de usuário, pelo primeiro nome, pelo segundo nome ou pelo nome todo. Em seguida clique em “search“.

Procurando alguém pelo nome no Twitter

9) Na página seguinte você vai ver todo os Twitters que ele achou com o nome que você digitou. O que aparece na foto é mesmo o da Demi Moore, se quiser segui-la, basta clicar em “Follow” ao lado do nome.

Seguindo a pessoa que achou no Twitter

ATENÇÃO! Existem vários Twitters fakes (falsos), principalmente de pessoas famosas. Se quiser ter certeza que é da pessoa famosa que está procurando, tente procurar pela internet algum lugar falando sobre o Twitter dela.

Fonte: http://rainydays.rockerspace.net/ajuda-com-twitter/

20 de out. de 2009

Conectados, multitarefa, radicais, isolados e burros

Visão mais pessimista das crianças de hoje aponta que a navegação aleátória tira delas o tempo necessário para o desenvolvimento intelectual

por Rafael Cabral, Bruno Galo e Ana Freitas

Conectadas de berço, as crianças pensam e agem cada vez mais rapidamente, além de conseguirem realizar várias atividades ao mesmo tempo. Mas quem disse que tudo isso é bom?

"É verdade que elas são multitarefas, mas isso só faz que elas adquiram o que os cientistas chamam de estado de atenção parcial contínua", defende o professor Mark Bauerlein, autor do livro The Dumbest Generation (leia abaixo). Elas pulam de um texto para o outro em poucos segundos, mas quanto deles elas conseguem entender no final?

Por mais que já seja reconhecida a importância do pensamento fragmentado que impera na web, para Bauerlein é ainda "a lógica linear que comanda todas as áreas de pensamento, da Ciência ao Direito" - e nisso as novas tecnologias não teriam muito a contribuir.

Ao permitir uma excessiva personalização do que se consome, o ciberespaço acabaria privando as crianças de alguns conhecimentos básicos e necessários. "O comportamento que veio com a web simplesmente destrói hábitos necessários para o desenvolvimento intelectual, como a atenção e o discernimento", dispara Bauerlein, pessimista.

Além disso, como defendeu recentemente o intelectual Umberto Eco, a abundância de informações (vindas principalmente da web) sobre acontecimentos do presente, sejam eles relevantes ou não, acabam soterrando as pessoas e impedindo-as de compreender seu contexto histórico. Imagine então as crianças navegando sozinhas em meio a esse caótico ciberespaço.

Ao mesmo tempo em que aproxima, o virtual também isola. Entre os pontos negativos do digital está a possibilidade de evitarmos o contato com assuntos importantes (mas que, por um motivo ou outro, escolhemos não acessar).

Uma pesquisa do ano passado feita pela SaferNet mostrou que, por navegarem sem acompanhamento de adultos, 53% das crianças já tiveram contato com conteúdos agressivos ou considerados impróprios para sua idade. O estudo revela também que 64% dos jovens usam a web no próprio quarto e que 87% não têm restrições no uso da internet. Elas podem ler, ouvir e assistir apenas aquilo que lhes interessa - e isso, em vez de abrir suas cabeças, pode torná-las mais radicais em suas crenças e preconceitos, além de aliená-las do oposto. Com a televisão, bem ou mal, éramos obrigados a ver um pouco de tudo.

AJUDA OU ATRAPALHA?

Para o educador Paulo Blinkstein o problema é esperar de tecnologias como os videogames uma solução pronta e ignorar as nuances entre o que ajuda e o que prejudica no desenvolvimento das crianças. "Os games são mídias poderosas para a educação, mas existe uma grande falácia na ideia de que podemos aprender brincando, sem esforço e sentados no sofá. O uso educativo do videogame é limitado pelas suas próprias características. Não há milagre."

Se os jogos podem ajudar no desenvolvimento da noção de espaço e nos reflexos, por sua vez eles podem também prejudicar, a evolução psicomotora dos jovens. "Se a criança ficar bitolada e não se movimentar, explorando seu ambiente físico, isso repercutirá na sua vida futura", explica o neurologista Jairo Werner, professor da Universidade Federal Fluminense - UFF.

REDES SOCIAIS

Para Mark Bauerlein, apesar de os sites de relacionamentos prometerem aos internautas conhecer novos amigos e interagir com pessoas novas, as crianças acabam se fechando ainda mais nos seus grupos quando entram nessas redes. "Apesar de toda a utopia em cima da interação que esses sites propiciam, o papo das crianças acaba sendo uma extensão do grupinho que se encontra na lanchonete do colégio".

De acordo com pesquisa realizada pela Turner International Brasil, 77% das crianças se cadastraram pela primeira vez em uma rede social, como o Orkut ou Facebook, quando tinham entre 5 e 8 anos de idade. 73% delas admitem que seus contatos são formados por amigos do dia-a-dia.

MARK BAUERLEIN, professor


A geração digital é a mais burra de todos os tempos. Essa é a tese central do livro The Dumbest Generation, de Mark Bauerlein, professor da Universidade de Emory, em Atlanta, sul dos EUA. Bauerlein acredita, por exemplo, que as redes sociais prometem muito e cumprem pouco: as conversas acabam reproduzindo a fofoca do colégio e pouco acrescentam no desenvolvimento intelectual das crianças. Além disso, ele defende a importância cada vez maior do pensamento linear em contraposição à fragmentação da internet.

Não é normal que os mais velhos reclamem dos hábitos dos mais novos? A crítica da era digital não é a mesma que foi feita quando surgiu a TV?

Sim. Nós sempre ouviremos os mais velhos reclamando dos mais novos - mas eu não acho que isso invalida a crítica deles. É verdade, aliás, que assistir televisão demais prejudica o desenvolvimento das crianças e, por isso, os pediatras forçaram regras para a programação. É a doutrinação dos mais velhos que forma uma sociedade saudável. Um jovem precisa saber, por exemplo, o que aconteceu em Cuba em 1959 para lembrar que a história não começou quando ele fez seu aniversário de 13 anos.

Por que então você considera essa geração a mais burra de todos os tempos?

Em termos de inteligência pura, eles são tão espertos quanto sempre foram. Mas quando você vê o conhecimento deles de história, literatura, filosofia, eles são completamente ignorantes. Isso porque a maioria do tempo livre dessas crianças é gasto com ferramentas digitais que simplesmente repercutem umas as outras. Eles não leem jornais, eles mexem no Facebook. Eles não leem livros, eles mandam SMS. Isso tira deles o tempo que era destinado para a formação intelectual.

Você vê alguma solução para esse "desvio", agora que o digital se torna onipresente?


Crianças sempre serão crianças, mas antes os pais tinham armas poderosas para limitar o tempo delas. Agora elas podem brigar, fofocar, praticar bullying, amar e odiar na internet. Vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana. Imagine um quarto de criança: antes ele era um espaço de isolamento, agora é um hub. Até que deixemos esse espaço menos ‘social’, as coisas estarão erradas.

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/tecnologia+link,conectados-multitarefa-radicais-isolados-e-burros,3049,0.shtm

18 de out. de 2009

Quando o uso de PowerPoint atrapalha as aulas?

Na grande maioria das instituições de ensino as aulas estão começando a ser preparadas quase que exclusivamente com o uso do PowerPoint. Todos os professores têm seu conteúdo organizado e distribuído entre os alunos no formato de slides, isso inclusive é uma forma de marketing educacional para muitas faculdades que anunciam “todas as salas com datashow”. Até que ponto isso pode ser uma vantagem, ou até mesmo atrapalhar o desempenho dos alunos? Depois de passar um bom tempo observando o comportamento dos alunos, quando as aulas são ministradas totalmente com o apoio dos slides e quando a mesma é feita apenas no quadro, cheguei a seguinte conclusão; não coloque tudo nos slides.

O conteúdo de uma aula completa nos slides acaba sendo uma vantagem para os alunos e para o professor no momento em que o tempo gasto, com a organização do quadro é economizada. Mas, os alunos acabam tendo a tendência natural de não prestar mais tanta atenção que está sendo apresentado, pois depois os mesmos devem ter acesso aos arquivos do professor, com o conteúdo todo pronto no formato PPT. Cheguei a perceber que alunos assistindo aulas apoiadas por slides, acabam perdendo a atenção e se prejudicando depois. Uma coisa que deveria ajudar, acaba atrapalhando.

Por isso, acabei criando uma pequena regra para manter a atenção dos alunos enquanto uma aula ministrada com o apoio de PowerPoint é realizada. A regra é simples; não coloque tudo no PowerPoint.

GSU-library-classroom

A estratégia é simples mas já consegui comprovar nas aulas que é muito eficaz, consiste em trabalhar com conteúdos sem muitos detalhes nos slides, para que seja necessário usar o quadro como apoio eventual durante as aulas. Com isso, quando um assunto que requer explicações extras do professor ganha algumas palavras e comentários no quadro. Assim, os alunos precisam prestar mais atenção ainda para eventualmente copiar ou simplesmente acompanhar as explicações com o material exposto no quadro.

Pode parecer um contraponto, usar o quadro quando temos o PowerPoint disponível para ministrar aulas. Mas, para manter a atenção e interesse de uma turma de alunos, qualquer tipo de artifício é válido. Caso você queira fazer um teste nas suas aulas, recomendo escolher um slide cheio de informação e fazer um “enxugamento” do mesmo. Quando ele for o tópico central da explicação, coloque o material no quadro! Você vai perceber como a atenção dos alunos será redobrada ao longo de toda a aula.

Fundo: http://www.colaborativo.org/blog/2009/02/13/quando-o-uso-de-powerpoint-atrapalha-as-aulas/

17 de out. de 2009

Twitter na escola ajuda?

Existem múltiplas formas de fazer do nanoblog um assistente divertido e eficaz, em sala de aula.

Sergio Amadeu da Silveira

ARede nº51,setembro 2009

O Twitter pode ser uma boa ferramenta para a Educação? Como um nanoblog com 140 caracteres pode apoiar o processo de ensino-aprendizado? O Twitter usado em sala de aula garantirá a múltipla atenção dos estudantes ou simplesmente gerará um processo de dispersão? Quais outras possibilidades de uso educacional do Twitter?

Essas questões são cada vez mais importantes. Isso porque o Twitter não é mais uma atividade de nerds e super-usuários da internet. O Twitter já ultrapassou 1 milhão de participantes, somente no Brasil. A tendência é crescer ainda mais. Além disso, o Twitter permite uma grande versatilidade de uso. Alguns dizem que se presta mais a divulgação de ideias e dicas. Na realidade, o Twitter pode ter usos muito mais variados. Algumas pessoas usam para expressar sentimentos, outras para cobrir eventos e algumas até para denunciar políticas ou políticos que consideram nefastos.

Para aprofundar um pouco as possibilidades de uso do Twitter no ensino formal, traduzi algumas ideias das pesquisadoras romenas Gabriela Grosseck e Carmen Holotescu, que em 2008 escreveram um documento intitulado “Can we use Twitter for educational activities?”, ou, “Podemos usar o Twitter para atividade educaionais?” Gabriela e Carmen exploraram questões pragmáticas sobre o potencial do Twitter como ferramenta educacional, baseando-se em suas próprias experiências. Uma primeira possibilidade é a criação de comunidades de alunos. A ideia é twittar em sala de aula ou fora dela sobre temas de interesse da disciplina.

Explorando a escrita colaborativa, é possível promover atividades de busca de conteúdo na rede e dispor as descobertas para os colegas. Tais buscas podem ser divertidas e as dicussões no próprio twitter podem ser bem proveitosas, mesmo que não sejam realizadas em tempo real. Os alunos podem realizar as suas postagens (twittar), endereçadas aos seguidores do perfil da sua turma, para perguntar e esclarecer dúvidas sobre o tema da pesquisa proposta pelo professor. Também podem refletir conjuntamente sobre a pertinência ou a compreensão coletiva de determinados fatos.

Minha sugestão é trabalhar com as #hashtags ou hashtags, quando se está pesquisando um tema. O processo é bem simples. A turma decide que todos que escreverem sobre aquele tema no início ou no final da postagem coloquem um identificador do assunto, ou seja, uma hashtag. Por exemplo: todo mundo que estiver participando da pesquisa sobre Machado de Assis deve incluir na frase a hashtag #machado. Com isso, depois basta clicar na hashtag para obter as postagens de todo mundo que escreveu algo sobre o autor. Assim, é possível resgatar toda a discussão, dicas, dúvidas e declarações realizadas.

A turma pode, inclusive, usar as postagens feitas no Twitter para editar um blog com um novo ordenamento das informações coletadas. Assim, dá para fazer uma análise crítica de todo o processo e requalificá-lo. A definição do tagueamento ou etiquetagem das postagens pode ser muito útil não só para recuperar informação, mas para definir exatamente o que a turma está procurando. Discutir o nome mais adequado da tag é, em si, um exercício não somente escolar, mas também que ajuda as pessoas a entenderem a importância da web semântica.

De volta às proposições das pesquisadoras romenas, o Twitter serve também para a classe debater com um cientista, personagem ou professor que está em outra cidade. Usando uma hashtag combinada com o convidado, que está à distância, a turma pode transformar o Twitter em “uma sala de conferência”. A dificuldade é coordenar o debate para que não seja uma “gritaria digital”. Mas essa é uma das situações que fazem parte do aprendizado do uso da ferramenta. Depois do debate online, em tempo real, os alunos podem recuperá-lo a partir da hashtag para uma análise posterior mais profunda.

Outro exercício bem interessante e divertido é levar a turma para a sala de internet e combinar que cada um deve imediatamente escrever a continuidade do texto do outro. Mas o tema deve ser aquele que está sendo estudado. Assim, é possível avaliar a compreensão e o desempenho de modo participativo. As sentenças devem fazer sentido para a correta compreensão do problema que está sendo estudado. O professor pode incentivar, postando uma frase ou pergunta inicial e as pessoas têm trinta segundos para escrever, seguindo uma ordem previamente combinada.

Entre as várias possibilidades de uso educacional do Twitter, coloco a do estudo do meio com o uso de celulares que têm câmera fotográfica e envio para o twitpic (http://twitpic.com/) – aplicação que permite expor as imagens que os twitters captaram. Aulas de geografia e jogos narrativos, tais como a história da sua rua ou do bairro, podem ser realizadas pela turma, que irá participar e analisar conjuntamente o processo.

Enfim, o uso do Twitter ou do identi.ca, um microblogging livre, no processo de ensino e aprendizagem, pode melhorar a integração dos alunos e incentivar a autonomia de pesquisa na rede e o compartilhamento de soluções. Sem dúvida, o uso da rede e do próprio nanoblogging
em sala de aula pode gerar dispersão e baixo aproveitamento se não for planejado e bem orientado. Por isso, o professor deve cada vez mais assumir a posição de um navegador experiente. É preciso superar o ensino verticalizado, centrado exclusivamente na hierarquia e encontrar novas formas de aprendizado em rede.

Sergio Amadeu da Silveira é sociólogo, considerado um dos maiores defensores e divulgadores do software livre e da inclusão digital no Brasil. Foi precursor dos telecentros na América Latina e presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação.

Fonte: http://www.arede.inf.br/inclusao/edicao-atual/2268-twitter-na-escola-ajuda

15 de out. de 2009

Meu Mestre, Meu espelho


Olá amigos

Hoje venho homenagear todos os professores (bons ou ruins) que passaram pela minha vida. Passando a limpo todos eles na minha memória, me lembrei de minha professora de 2º ano do primário, a professora Maria Cláudia.

Foi ela que anos mais tarde (bota anos mais tarde nisso) eu reencontrei aqui em Itaperuna. Continua a mesma pessoa maravilhosa e simpática de anos atrás. Dona de um sorriso encantador que por muitas vezes me fez dar o meu melhor. No nosso reencontro lhe contei que havia me formado, casado e tinha 3 lindos filhos, e que eu por um acaso do destino tinha a mesma profissão que ela.

Ela sorriu e me disse que ficava muito feliz em saber tudo o que eu havia conseguido conquistar na minha vida. Sabedora de toda dificuldade que não somente eu, mas muitos de meus colegas teríamos pela frente na vida, por causa da dificuldade social e financeira imposta pela vida a nossa comunidade. Ela no seu intimo sabia que somente a educação poderia abrir aquela porta de um futuro melhor.

E consciente disso, deu o seu melhor a uma gurizada “levada” e “inquieta” que só queria saber de bola e pipa. Fazendo isso ela transformou não somente o meu futuro, mas a minha vida e de meus colegas. De todos os amigos feitos na infância somente 5 estão vivos hoje e desses, 4 estudaram na mesma sala de aula.

Antes de ir embora agradeci a ela por tudo e ela me disse que não havia feito nada demais. Eu discordei e falei: fez sim mestra, você mudou o meu mundo.

Os docentes estão sujeitos a dois grandes desafios: devem, com o seu trabalho, contribuir para elevar o máximo possível o nível de formação e de cultura de toda a população e, ao mesmo tempo, devem ser capazes de fortalecer coletivos capazes de contrariar as políticas que tornam cada vez mais difícil e problemático o cumprimento de tal objetivo profissional e social.

Parabéns a todos os profissionais de educação que dão sempre o seu melhor todos os dias, independente de salário, condição de trabalho, urbano ou rural, bons ou ruins, diurno ou noturno estão lá todos os dias mudando o mundo com seu jeito único de ser.

Feliz Dia dos Professores.

Equipe NTE Itaperuna

13 de out. de 2009

Qual o valor educacional do Twitter?

O ecossistema de tecnologias e recursos em que a maioria dos cursos EAD está envolvido sofre transformações e ajustes constantemente. Sendo que algumas novas tecnologias que parecem revolucionar a maneira com que as pessoas se relacionam na web, sempre resultam em desafios para professores e designers instrucionais na adaptação de aulas e metodologias, para adaptar os cursos aos novos sistemas. Um dos mais recentes ambientes em que os alunos estão inseridos, muito devido a uma exposição excessiva da mídia é o Twitter. O sistema de microblogs está fazendo muito sucesso hoje, sendo mais um canal de comunicação e relacionamentos entre pessoas.

A pergunta que devemos fazer sobre o Twitter é: qual o valor educacional desse sistema? Se é que ele existe.

Como base para comparação, podemos abordar o uso de blogs para educação que já estão inseridos nesse contexto educacional há um bom tempo. Os blogs são ferramentas poderosas para professores e tutores, e muitas pessoas se questionam se é possível migrar para o Twitter e fazer o mesmo tipo de abordagem com os alunos.

Twitter's

Como forma de abordar o uso do Twitter e blogs, podemos fazer uma comparação entre os recursos oferecidos por cada um dos sistemas/ambientes. Para facilitar a comparação, vamos usar os seguintes critérios para análise:

  • Texto
  • Uso de imagens
  • Uso de multimídia
  • Consulta ao histórico
  • Organização e classificação
  • Manutenção
  • Interação e diálogo

O primeiro a ser analisado é o blog:

  • Texto: Os blogs não apresentam nenhum tipo de restrição a quantidade de texto usado pelo professores, o que permite usar o sistema para qualquer tipo de descrição ou explicação envolvendo grandes quantidades de texto.
  • Uso de imagens: O uso de imagens e figuras é livre nos blogs, sendo que até nos sistemas gratuitos é possível enviar imagens para o sistema, sem a necessidade de usar artifícios para hospedar os arquivos em outros locais.
  • Uso de multimídia: Aqui também não há restrição de uso, mas o editor do blog precisa ter conhecimentos de html para colar os códigos necessários para mesclar os conteúdos no texto.
  • Consulta ao histórico: Os textos do blog são organizados em ordem cronológica, o que deixa mais fácil de acompanhar os textos.
  • Organização e classificação: A organização dos conteúdos pode ser realizada por categorias, tags ou mesmo em meses específicos.
  • Manutenção: Dependendo de como o blog é hospedado, a manutenção pode ser um desafio para pessoas sem conhecimentos técnicos.
  • Interação e diálogo: Os textos do blog podem permitir que os leitores publiquem comentários sobre o conteúdo apresentado no texto, se transformando em um mini fórum de discussão.

Agora analisando o Twitter:

  • Texto: Qualquer texto publicado no sistema só pode ter 140 caracteres.
  • Uso de imagens: Por padrão, não é possível usar imagens. Apensa links para lugares que hospedam a imagem de maneira externa.
  • Uso de multimídia: Assim como nas imagens, o material multimídia deve ser indicado por links.
  • Consulta ao histórico: Os textos são organizados em ordem cronológica, mas não há classificação específica. Os leitores podem fazer consultas por pesquisa textual.
  • Organização e classificação: Não há maneira simples de classificação como os blogs.
  • Manutenção: Não é necessária nenhuma manutenção, pois a hospedagem é feita nos servidores do próprio Twitter.
  • Interação e diálogo: Aqui existem uma grande diferença para os blogs. Os usuários podem citar outras pessoas nos comentários, como se fosse um diálogo. Também é possível enviar mensagens privadas entre usuários.

A comparação não tem como objetivo dissecar os serviços, mas mostra que para fins educacionais os blogs ainda não podem ser superados pelo Twitter. Os professores tem muito mais liberdade de organizar e publicar conteúdos do que no serviço de microblogs. O Twitter fica mais como uma ferramenta de comunicação rápida, que serve apenas para isso mesmo. Seria algo como comparar o uso de textos mais longos e trabalhados com o SMS do celular. É uma coisa útil, mas apresenta as suas limitações.

E você já fez a sua conta no Twitter? Se já fez, pode seguir o meu Twitter Allan Brito.

Fonte: http://www.colaborativo.org/blog/2009/09/15/qual-o-valor-educacional-do-twitter/

6 de out. de 2009

Uso pedagógico do giz (do giz???)

By profjc

Giz Colorido

Antes de qualquer coisa é bom lembrar que esse artigo está sendo publicado em um blog que trata do uso pedagógico das TICs e que uma das TICs mais antigas e mais bem conhecidas dos professores é justamente o “giz”. A combinação giz + lousa ainda é o instrumento tecnológico de maior uso no país e continuará a sê-lo por um loooooongo tempo.

Também é evidente que esse artigo tem um “quê” de sarcástico, afinal parece bobagem falar do uso pedagógico desse nosso velho conhecido bastão de gesso, calcário e água. Porém, dada a repercussão de um outro artigo meu, intitulado “E agora, Mestre Giz?” (ou aqui no Caldeirão de Ideias) , e para deixar claro que o uso do giz e da lousa não é algo de todo ultrapassado e que, além disso, exige muito mais “conhecimento pedagógico” do que se pensa, resolvi então levar adiante a tarefa de discutir o uso pedagógico do giz (e, consequentemente, da lousa).

O giz que normalmente utilizamos é obtido de uma mistura de calcário (CaCO3, ou carbonato de cálcio), gesso (CaSO3, ou sulfato de cálcio) e água (H2O). O giz colorido conta também com algum pigmento de cor e o modelo antialérgico conta com camadas plastificadas. Há modelos mais modernos de giz feito com outros componentes, como o talco de silicato hidratado de magnésio, tipos de gesso ortopédicos e outras formulações. O essencial, no entanto, é que todo giz atenda à sua principal função: escrever em uma lousa. Mas escrever o quê? Esta é a grande questão!

Ctrl + Giz ???

Ctrl + Giz ???

Alguns professores imaginam que o giz seja um instrumento de “cópia de textos” e o utilizam intensivamente preenchendo lousas e mais lousas com textos que podem ser encontrados em livros, revistas ou jornais. Mas esse não é um uso pedagógico para o giz e para a lousa, pois o aluno não aprende nada quando copia textos da lousa usando lápis e caderno, tanto quanto também não aprende quando copia da Internet usando Ctrl+C & Ctrl+V. Para acessar textos de consulta o aluno deve possuir material didático, quer seja na forma de livro, apostila, revista, jornal, acesso à Internet ou outras mídias, digitais ou não, à biblioteca da escola ou qualquer outro meio de armazenamento de informações. A lousa e o caderno no aluno não são espaços de armazenamento de informações. Mas o que são então?

Todo professor sabe, ou deveria saber, o conteúdo da disciplina que leciona. Mas o professor não é apenas uma “coletânea de informações” sobre sua especialidade, ele é muito mais que isso, ele é um “organizador e um gerenciador de informações”. Ele não detém apenas a informação, ele detém também as relações entre as informações, os conceitos, competências e habilidades que deseja ver desenvolvidos nos seus alunos. É para isso que serve, essencialmente, o giz, a lousa e o caderno do aluno: para que o professor possa organizar informações de forma didática e com uma seqüencialidade, uma estética e uma logística relacional que permitam ao aluno compreender as relações entre as muitas informações que ele pode acessar por uma infinidade de outros meios.

Embora a frase acima pareça um pouco “sofisticada”, o que ela quer dizer é que o giz serve para fazer esquemas didáticos, anotações, organogramas, tabelas, mapas conceituais, infográficos, fluxogramas, ilustrações, etc., que tornem mais claras as relações entre as muitas informações que os materiais didáticos e o professor trazem para os alunos. A lousa é o espaço natural de “esquematização e representação” do professor e o giz é o meio de “impressão simbólica” de conceitos e relações, nada além disso.

Aula digital

Uma aula de português na EE Paulina Rosa

Se o professor dispõe de um notebook e um datashow, ou uma lousa digital, e preparou uma aula usando uma ferramenta como o CmapTools para criar um mapa conceitual explicando as relações entre folhas, caule e raízes de uma planta, resumiu informações em uma apresntação de slides, fez uma busca no YouTube e encontrou lá um pequeno vídeo ou animação mostrando os caminhos de circulação entre os nutrientes da planta, então ele poderá simplesmente projetar seu mapa conceitual, explicá-lo, ajudar os alunos a compreender essas relações e depois ilustrar isso dinamicamente projetando seus slides e o vídeo. Talvez até lhe sobre tempo para levar uma pequena planta para a sala de aula e então mostrar, ao vivo e a cores, essas diferentes estruturas em um microscópio ou com uma lupa.

Mas se ele não tem nada disso à sua disposição, então terá que ser capaz de desenhar na lousa um esboço de planta, indicar essas relações, usar setas e gizes de diferentes cores para diferenciar seiva bruta de seiva elaborada, “desenhar os seus slides”, etc. Ele também precisará de um mapa conceitual e de ilustrações, só que terá que desenhá-los ele mesmo na lousa. Depois poderá usar sua teatralidade e a imaginação dos alunos para lhes fazer entender como isso se processa dentro de uma planta de verdade. É óbvio que isso é possível e foi assim mesmo que muitos de nós aprendemos sobre esse assunto quando estávamos na escola.

A única diferença é que substituindo o giz e a lousa por um notebook e um datashow, ou uma lousa digital, as coisas ficam mais fáceis, mais rápidas, mais belas, mais claras, mais simples de serem construídas e entendidas e permitem ao professor um tempo maior para ele fazer aquilo que lhe caracteriza como profissional da educação: ajudar o aluno a compreender melhor e despertar-lhe ainda mais o interesse pela aprendizagem, e não meramente atuar como um “copiador de textos na lousa”; o professor é alguém cujo conhecimento vai além do texto didático e dos materiais de apoio, é alguém que pode levar o aluno um passo adiante de onde o aluno pode chegar sozinho.

Então, se você é um professor que ainda está preso unicamente ao uso do giz e da lousa, isso não quer dizer que não poderá ajudar seus alunos a aprenderem, mas apenas que terá um pouco mais (talvez “muito” mais) trabalho para organizar e apresentar informações, conceitos e relações. Terá menos tempo, precisará ser mais teatral, deverá ter algum talento artístico para desenhar bem e terá que dedicar um tempo muito maior na preparação das suas aulas. Mas esse é um preço que nossos professores já pagaram um dia, quando não dispunham de tecnologias digitais, e podemos continuar pagando até dispormos delas ou nos propusermos a usá-las.

Supondo então que você, ao invés de ser um “Professor Digital”, seja um professor “giz&tal”, aqui vão dez dicas que podem lhe ajudar bastante a sobreviver até o dia em que a tecnologia lhe prover outros recursos (a propósito, eu coletei essas dicas ao longo de alguns milhares de quilômetros escritos com giz em lousas comuns):

  1. Use diversas cores de giz e não apenas o giz branco: o giz é uma ferramenta pobre e se você usar apenas giz branco sua lousa será horrivelmente monótona. Procure usar uma padronagem coerente de cores: por exemplo, use sempre as mesmas cores para cada categoria como títulos, subtítulos, destaques, anotações importantes, etc.; procure usar as cores mais berrantes (como aquele “laranja OIÊÊÊÊÊÊÊ!!!!”) para fazer destaques enfáticos e pontuais, não para uso corriqueiro.
  2. Divida corretamente o espaço da lousa: deixe um espaço de meio metro à esquerda da lousa para anotações sobre a pauta da aula, data, capítulo, etc. e mantenha esse pedaço da lousa sem apagá-lo durante toda a aula. Deixe outro meio metro do lado direito da ousa para anotações provisórias (como contas ou outras anotações que poderão ser feitas e apagadas durante a aula). Use sempre uma mesma cor para fazer linhas divisórias (o azul é muito bom, porque raramente presta para alguma outra coisa).
  3. No espaço restante da lousa, procure fazer divisões em retângulos tanto mais próximos quanto possível do “retângulo de ouro”: Quê??? Calma, se sua lousa tem 1 m de altura, faça divisões com comprimentos de 1,6 m cada uma, aproximadamente (ou seja, você deve dividir a lousa em retângulos cujo comprimento seja 1,6 vezes maiores do que a altura. Se quiser saber mais sobre “porque devo fazer isso”, dê uma pesquisada em “proporção áurea”, “retângulo de ouro” e aprenda um pouco mais sobre os princípios básicos das proporções na arquitetura, na arte e na psicologia.
  4. Use letras grandes e traços grossos. Até o aluno de visão mais aguçada ficará grato se não tiver que adivinhar o que foi que você quis escrever com aquela nanoletra ilegível que você mesmo mal enxerga estando a dez centímetros dela; O Joãozinho, que se senta lá no fundão da sala, e que está lá porque justamente não quer aparecer muito, dificilmente copiará sua anotação e se o fizer o fará errado.
  5. Se sua letra for feia, treine muito até que ela fique bonita. Professor não é médico e lousa não é receituário. Ou você escreve de uma forma legível e com letra bonita e caprichada ou passa a usar artefatos tecnológicos que o dispensem disso (como notebooks e datashows, por exemplo). Evidentemente que além de escrever bonito você também deve escrever corretamente e JAMAIS USAR ABREVIAÇÕES. Lousa não é MSN e nem ORKUT e você… bem, você é um professor, não é?
  6. Dê palestras, não “aulinhas”: Use uma vareta ou uma régua de 1 m como apontador para indicar aquilo sobre o que estiver falando durante suas explicações (apontadores laser não funcionam muito bem em lousas escritas com giz) e JAMAIS, NUNCA, EM HIPÓTESE ALGUMA, explique, comente, discorra, faça observações ou qualquer outra coisa ESTANDO DE COSTAS PARA A SALA. Falar de costas para a classe representa uma atitude feia e muito mal educada e, além disso, também é pedagogicamente um fracasso. E, se estando falando de costas para a classe, você receber uma bolinha de papel na cabeça enquanto fala, agradeça, pois só estão lhe retribuindo a gentileza e a boa educação.
  7. Prepare sua aula e o uso da sua lousa. Se você tiver que encher duas ou mais lousas com textos durante sua aula, isso quer dizer que você a preparou muito mal, que tem pouco o que dizer sobre o assunto e que, basicamente, você poderia ser substituído por um texto impresso sem prejuízo para a aprendizagem do aluno. Portanto certifique-se de que colocará na lousa apenas o essencial para organizar as idéias, conceitos e informações que serão apresentadas e trabalhadas em aula. Use a lousa como ferramenta de apoio e não como desculpa para enrolar a classe.
  8. Não seja conivente com a irresponsabilidade. Se sua escola não fornecer giz colorido, apagadores ou lousas onde se possa escrever, escreva um e-mail solicitando em caráter emergencial o que lhe falta e envie para a Secretaria de Educação do seu município ou do seu estado, a cargo da área pedagógica, com cópia para o Dirigente de Ensino da sua Diretoria de Ensino, cópia para o Supervisor da sua escola e cópia para o Diretor e para o Coordenador da sua escola. Provavelmente você passará a ser conhecido como uma “persona nom grata”, mas nunca mais lhe faltará giz colorido, apagador ou lousa. E quando encontrar algum daqueles apagadores horríveis que não apagam mais nada, mas que teimam em deixar na sala de aula, jogue-o no lixo sem pensar duas vezes. Você verá que logo aparecerá outro apagador novo no lugar.
  9. Recolha todas as pontas pequenas de giz que sobrarem depois da aula e leve-as com você. Se a escola não tiver quem as recolha e recicle, jogue-as no lixo da sala dos professores. Isso evita que encontremos pontas de giz espalhadas pelos corredores e aconteçam pequenas guerrilhas coloridas na sala de aula. E, se você for daqueles professores que gostam de ter o próprio apagador, arrume também um “limpador de apagador” e lembre-se de que a parede da sala de aula ou do corredor não é o local mais apropriado para você “bater o apagador”.
  10. Use sempre um creme para as mãos à base de silicone ANTES de usar o giz. O giz resseca a pele da mão, causa ruptura nas cutículas, é horrível para limpar, fica grudado debaixo das unhas (principalmente para quem tem unhas grandes) e se aspirado ao longo de muito tempo seu pó pode causar câncer, enfisema e outras doenças decorrentes da acumulação de seus minerais no pulmão. Evite encostar-se à lousa, pois o giz mancha roupas e é difícil de ser retirado delas. Também evite usar relógios ou manipular aparelhos eletrônicos quando estiver lidando com giz.

Essa charge resume bem o que "nao fazer"

Essa charge resume bem o que "nao fazer"

E está é uma lousa que "ninguém merece"

E está é uma lousa que "ninguém merece"

Por fim, desejo-lhe sinceramente que essas dicas lhe seja de alguma utilidade e que você passe a usar um notebook e um datashow, ou uma lousa digital, assim que puder.

Fonte: http://professordigital.wordpress.com/2009/09/28/uso-pedagogico-do-giz-do-giz/