Mostrando postagens com marcador era. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador era. Mostrar todas as postagens

20 de jun. de 2010

Oral, escrita e digital: as três eras cognitivas

As eras cognitivas são fruto da forma como armazenamos o conhecimento. A tecnologia é neutra por fora, mas agente por dentro. Já cabe um novo campo de estudo, a filosofia da tecnologia.

Por Carlos Nepomuceno

As novas possibilidades de criação coletiva distribuída, aprendizagem cooperativa e colaboração em rede oferecidas pelo ciberespaço colocam novamente em questão o funcionamento das instituições e os modos habituais de divisão do trabalho, tanto nas empresas como nas escolas.

Pierre Lévy, da minha coleção de frases.

O problema básico da humanidade sempre foi repassar o conhecimento da geração atual e passada para as futuras.

Cada pessoa que nasce precisa chegar ao mundo e receber a “óstia do conhecimento” para ir daqui em diante e não voltarmos para trás.

Ou seja, a humanidade é dependente da forma que essa passagem é feita para sobreviver e resolver os problemas que cada vez mais gente na terra provocam.

Começamos com a memória, passamos ao papel (e adjacências) e depois para o suporte digital.

Cada uma dessa passagens mudou a maneira de produzir e receber conhecimento. Fez com que nossos cérebros se adaptassem a esse suporte. Assim, a tecnologia cognitiva é aparentemente neutra por fora, mas modeladora por dentro.

Essas passagens nos obrigam a mudar o jeito que organizamos internamente esse ato de conhecer e produzir conhecimento, marcando eras distintas da Civilização.

Tudo começa com uma tecnologia, que molda nosso cérebro que, por sua vez, a partir desse novo molde, molda a sociedade. (Pela primeira vez, li sobre o termo “Filosofia da Tecnologia”, que estuda como pensamos sobre elas. Isso é importante, pois vai nos dar a possibilidade de entender tudo isso melhor. Aguardem, falarei mais sobre isso.)

Tivemos, portanto, três grandes eras cognitivas, nas quais nossos cérebros foram radicalmente mudados:

  • oral, com suporte na memória;
  • escrita, com suporte em papel e adjacências;
  • digital, com suporte no computador.

Cada passagem, guarda características em comum:

A meu ver essas passagens se tornam maduras em função do aumento da população, que cria a cama na qual a nova era vai deitar. E, quando vêm, gera consequências profundas em nossos cérebros. E têm particularidades específicas, que temos que estudar, pois são elas que criam as novidades pelas quais iremos moldar a nova sociedade.

A chegada da era digital, numa grande rede de computadores conectados, nos traz de novo que as outras eras não permitiram, entre outros:

  • A interação muito para muitos a distância. Exemplo: chats, comunidades do Orkut, listas de discussão.
  • O registro destas interações, disponível a todos. Exemplo: texto do que acontece nas interações que ficam disponíveis;
  • A alteração de registros de forma volátil a distância. Exemplo: Wikipédia.
  • A complementação do registro no mesmo ambiente. Exemplo: comentários de um usuário em um post em determinado blog.
  • E o registro da interação entre o usuário e a informação. Exemplo:
    uma revista online pode saber quantos, como e quem acessou cada uma das páginas.

Esse conjunto de novas possibilidades de receber e produzir conhecimento é o que está permitindo a revolução da era digital e não a tecnologia, que é apenas a motivadora da passagem, uma ponte entre duas cidades que não se falavam.

Isso vai implicar na mudança geral da sociedade. Ou seja, como lidamos com o conhecimento do jeito “A” para o “B”. Uma civilização que vai também do “A” para o “B”.

Que dizes?

Diário de blog: o tema já existia no blog, mas o que avançou foi a ideia que as eras são fruto da forma como armazenamos o conhecimento, a mudança do suporte, que implica em várias passagens cognitivas.

É novo o conceito de que a tecnologia é neutra por fora, mas agente por dentro. E o novo campo de estudo “Filosofia da Tecnologia”. [Webinsider]

Sobre o autor

Carlos Nepomuceno (carlos@nepo.com.br) é professor, pesquisador e co-autor do livro Conhecimento em Rede (Editora Campus), diretor da Pontonet, editor do blog Nepo.com.br e também está no Twitter.

Fonte: http://webinsider.uol.com.br/2010/06/02/oral-escrita-e-digital-as-tres-eras-cognitivas/

23 de mai. de 2010

Era do Conhecimento ou da Competência?

Marcelo Antônio Aguilar (*)

Há mais de 20 anos que se fala em economia do conhecimento e era do conhecimento, porém, só a partir dos anos 90 é que esta preocupação começa realmente a incomodar. Este incomodo começa principalmente pela indefinição de COMO as organizações irão viver (ou, simplesmente sobreviver a) esta era.

O que se vê hoje é uma multiplicidade de receituários, de fórmulas, que dizem O QUE deve ser feito, porém o COMO deixa a desejar.

Mesmo com esta indefinição existe a convergência em um único ponto, em todas as fórmulas apresentadas pelos filósofos e profetas, o que nos leva a crer que não é uma variável qualquer e sim uma constante. Os físicos que me perdoem, mas esta é uma constante universal; constante esta que não rege o mundo astrofísico ou quântico, mas com certeza rege o mundo organizacional. Esta constante é a EDUCAÇÃO.

O discurso é único: PRECISAMOS DE EDUCAÇÃO; e, pelo receituário do professor Carl Dahlman do Banco Mundial, o Brasil precisa de dois “remédios” urgentes, que são:

1) uma revolução PELA educação,
2) uma revolução NA educação.

"A maior falácia, no entanto, é acreditar que a educação é a mera aquisição do conhecimento e que este é a solução de todos os problemas. Isto é muito cartesiano e induz a um erro grosseiro.

Conhecimento é nada, ou quase nada, se não soubermos usá-lo adequadamente, apropriadamente e corretamente nas mais variadas situações da vida pessoal e profissional. Isto é competência.

Não existe competência sem o devido conhecimento para ser usado, mas existe conhecimento sem a devida competência para usá-lo, o que, de qualquer forma, é péssimo."

Adaptando as palavras do professor Rubens Portugal, especialista em educação, o que todo empresário deseja é um profissional que REFLITA-NA-AÇÃO que está desempenhando, porém que vá muito além da simples reflexão e que se torne um ARTISTA-NA-EXECUÇÃO, ou seja, o desejado é um profissional que se não possui um conhecimento específico, reflita e busque-o, e, assim que o adquirir use-o adequadamente, apropriadamente, corretamente e artisticamente.

Aqui, o uso da palavra “artisticamente” significa que a pessoa incorporou o conhecimento adquirido e desenvolveu a competência de usá-lo a tal nível que estes se tornam inconscientes; se tornam tácitos.

Poucas propostas na área de educação formal, ou corporativa, hoje, promovem esta incorporação de conhecimento e desenvolvimento de competências, e quando o fazem, o fazem de forma limitada, atuando somente em uma ou outra área do conhecimento aliada a uma ou outra competência.

O QUE fazer, penso que está claro, e, o COMO fazer, é por intermédio do resgate das funções das Universidades e do conceito de Universidade Corporativa.

Não este conceito que está sendo popularizado por diversos consultores que nada mais é do que a reformulação do programa de treinamento das empresas, ou no máximo a reedição das Universidades dentro das organizações. Estamos falando do conceito original de Universidade Corporativa; aquele que não compete com a Universidade atual, a Universidade Erudita, mas complementa as suas funções.

A função da Universidade Erudita é desenvolver os conhecimentos científicos, metodológicos e eruditos. A função da Universidade Corporativa é adaptar o profissional aos tempos e desenvolvê-lo para as tendências no futuro.

O que está ocorrendo hoje é uma corrida das Universidades Eruditas para o desenvolvimento de MBA’s que prometem o desenvolvimento de competências, mas a maior “revolução” que estes apresentam na tecnologia educacional é a substituição do quadro negro pelo projetor multimídia, de resto continuam sendo aulas meramente informativas. Do outro lado, algumas Universidades Corporativas resolveram desenvolver suas propostas cometendo erros de gerar programas eruditos ou científicos demais. Muitas Universidades Eruditas e outras tantas Corporativas devem se reformar para incorporar novas metodologias e tecnologias educacionais e promover a revolução NA educação dentro de suas funções.

É necessário que se entenda que a Universidade Corporativa deve trabalhar competências utilizando-se de conhecimentos práticos, aplicados às organizações ou a segmentos profissionais, e, estes conhecimentos são mutáveis, voláteis, mas são necessários naquele tempo. E que, também, podem trabalhar este conceito em parceria com as Universidades Eruditas, mas respeitando suas funções na Sociedade do Conhecimento.

Considerando todos esses pontos, como desenhar, então, um programa de educação corporativa ?

Um bom início vem da UNESCO, que nos dá as dicas de algumas competências e conhecimentos desejados quando seus especialistas nos definem as 8 características do trabalhador do Século XXI:

1. Ser flexível e não especialista demais

2. Ter mais criatividade do que informação


3. Estudar durante toda a vida


4. Adquirir habilidades sociais e capacidade de expressão


5. Assumir responsabilidades


6. Ser empreendedor


7. Entender as diferenças culturais


8. Adquirir intimidade com as novas tecnologias


Porém, antes de darmos início ao planejamento, devemos entender as diferenças entre competências (transversais e verticais) e conhecimento, para só então pesquisar quais são as competências necessárias para cada organização e quais os conhecimentos relevantes ao negócio atual e futuro.

As competências transversais são aquelas que devem permear toda a organização, do funcionário mais simples ao presidente da organização. São aquelas que dão sustentação às características organizacionais, às suas políticas e estratégias que a diferenciam no mercado. Em alguns casos são dependentes do tipo do negócio e estão calcadas nos valores organizacionais.

De uma forma geral, as competências transversais não são tantas assim, mas não é possível trabalhar em todas simultaneamente. O que deve ser feito é buscar trabalhar poucas competências transversais, as que relacionam melhor entre si e, assim que estas estiverem desenvolvidas dentro de um determinado nível aceitável, reformula-se o programa de capacitação em serviço para atuar em outras competências transversais desejadas.

Isto quer dizer que devemos esquecer as competências transversais trabalhadas anteriormente? Obviamente que não, porém a frequência de trabalhos diminui, mas não pode ser completamente esquecido ou eliminado. O custo de manutenção preventiva é muitas vezes menor que o custo de recuperação e, isto é lei de custos administrativos.

Só isso ? Não. Aqui a coisa complica um pouco, mas só um pouco.

Vamos utilizar a quarta característica apontada pela UNESCO como exemplo, 4. Adquirir habilidades sociais e capacidade de expressão, aponta para duas competências básicas que são: saber interagir e saber se comunicar, e, considerando que estas competências têm que permear toda a organização, desde o funcionário mais simples até o presidente, obriga que a proposta de educação corporativa contemple programas diferenciados para todos os níveis hierárquicos e intelectuais. Não é difícil, mas exige planejamento adequado.

E as competências verticais ? São as que dão sustentação ao negócio da organização, qualquer que seja ele, privado ou estatal, lucrativo ou filantrópico.

As competências verticais são as estacas, são os pilares que, associadas a conhecimentos específicos e relevantes ao negócio da organização, dão a sustentação ao próprio negócio. Utilizando a oitava característica apontada pela UNESCO como exemplo, 8. Adquirir intimidade com as novas tecnologias, não podemos imaginar, hoje, um economista que tenha a competência vertical de saber analisar riscos sem dominar uma planilha de cálculo informatizada que o permita testar os indicadores dentro de fórmulas complexas de matemática ? Ou seja, para hoje ser considerado competente em análise de riscos significa ter a capacidade de análise desenvolvida aliadas aos conhecimentos de economia, matemática fundamentados em planilhas de cálculo informatizadas, que ampliam a abrangência e velocidade de análise.

Diferente das competências transversais, as competências verticais necessárias dentro de qualquer organização são muitas e modificam-se com maior frequênciado que as primeiras, pois estão associadas ao negócio que varia de acordo com as tendências do mercado.

Esta modificação frequente exige maior dinamicidade do plano de educação corporativa e uma atenção redobrada de seus planejadores que devem trabalhar bem sincronizado com todos os departamentos da organização, mas principalmente com as áreas que possuem relacionamento externo com o cliente, ou diretamente com os mesmos, pois muitos dos indicadores para um bom planejamento das competências verticais residem lá.

Finalmente, chegamos ao conhecimento, que é o combustível da competência e, como todo combustível, é volátil.

Esta é uma analogia bastante interessante que podemos expandir, pois existem motores (competências) que queimam (se utilizam de) qualquer tipo de combustível (conhecimento), porém o rendimento (eficiência) não é o mesmo. Ou seja, quanto melhor o combustível (conhecimento), melhor será o rendimento (eficiência) do motor (competência). Mas, ao mesmo tempo, o combustível (conhecimento) é volátil, e, perde sua função se não utilizado, inclusive, evapora.

Penso que está claro que não se deve trabalhar conhecimento sem trabalhar competência e não se pode trabalhar competência sem trabalhar conhecimento. Portanto, o planejamento de um programa de educação corporativa deve buscar trabalhar os conhecimentos em conjunto com as competências verticais. De acordo com a UNESCO, esta é a terceira característica, 3. Estudar durante toda a vida.

Basta, então, uma educação que desenvolva os conhecimentos e as competências para usá-los ? A resposta é não, pois o professor Eugênio Mussak, médico fisiologista e especialista em educação, nos informa que a boa educação deve, também, promover e estimular o indivíduo a querer utilizar estas competências e conhecimentos adquiridos.

O professor Mussak profere a tríade psicológica, pensamento-atitude-sentimento, que possui 6 possibilidades de combinação distintas, com relação ao momento que elas surgem, e cada uma destas gera um resultado psicológico diferente. Temos que somente duas destas combinações possuem o pensamento em primeiro lugar, ora, um bom programa de educação é aquele que promove e estimula o indivíduo a pensar (refletir), agir (querer) e sentir (regozijar-se). O interessante é que esta afirmação vem corroborar com o postulado do professor Portugal de reflexão-na-ação e arte-na-execução.

Segundo Protágoras: o homem é a medida de todas as coisas, o que nos induz a concluir que as coisas só evoluem se evoluirmos o homem e, o homem só evolui por intermédio da educação, onde educação desejada é aquela que alia o conhecimento com a competência para usá-lo e, estimula a usá-los.

(*) Engenheiro, doutorando em educação e diretor da Qualiware - marcelo@qualiware.com.br

Fonte : http://www44.bb.com.br e http://307.to/khL

27 de nov. de 2008

Aprendizado na era da informação

Não gosto de dizer que vivemos em uma época de excesso de informações. Me incomoda esta aplicação da palavra excesso, prefiro dizer que vivemos em uma época de fácil acesso e divulgação de informações. A evolução ampliou a quantidade de informações que chegam até nós e é comum que tenhamos de lidar com diversos fatos irrelevantes ao nosso cotidiano.

city1.jpg

Não tem como ficar intangível ao excesso de informações que somos expostos.

Com as diversas mídias que temos hoje (TV, rádio, jornais, revistas e mais especificamente internet), aprendemos a filtrar essas informações à nossa maneira priorizando aquilo que nos apetece.

info.jpg

E aí, qual informação você vai seguir?

Essa liberdade, esse filtro que fazemos das informações, deixa-nos satisfeitos devido à facilidade com que assimilamos cada assunto. A parte ruim, é que essa satisfação resulta muitas vezes, numa falsa sensação de domínio do tema. É óbvio que se estivermos falando de acontecimentos (Big Brother Brasil ou futebol por exemplo) basta reunir informações para se tornar um especialista no assunto ( sem preconceitos por favor). Mas se tratarmos de conceitos maiores, o simples ato de filtrar e assimilar informações pode não ser suficiente.

O que eu quero dizer com isso? Digamos que João é aficcionado por ilustração e passa o dia lendo blogs e portais sobre o assunto. O fato de manter-se informado sobre os conceitos e acontecimentos da área não vai torná-lo um ilustrador de sucesso. Ele precisa se esforçar para que isso aconteça, ou seja, aprender a desenhar cada vez melhor.

A metáfora do arroz (sic)

Digamos que você precisa, sabe como fazer, mas nunca cozinhou arroz. Basicamente basta colocá-lo na água em fogo baixo e esperar a água secar. Mas, existem alguns pontos como tempo de cozimento, qualidade do arroz e tempero, que somente fazendo você vai aprender a lidar com cada um. Depois de pronto, você pensa o que pode ser mudado(ou não) para o arroz ficar mais gostoso na próxima vez.

arroz.jpg

Depois de pronto é que você vai dizer que realmente sabe cozinhar arroz.

Concorda que, antes de iniciar, você achava que sabia como cozinhar e na verdade você só sabia como começar? Depois de fazer algumas vezes, você pode se dar ao luxo de dizer que é um especialista(sic). Agora encare esse arroz como outra coisa. Você não pode garantir um arroz de sucesso se nunca nunca tentou cozinhá-lo.

Já disse, o arroz é uma metáfora, você pode substituí-lo por termos como empreendedorismo, design, desenvolvimento web, cotidiano com clientes e inúmeras áreas e casos.

chef.jpg

Consegue entender porque algumas empresas só contratam pessoas com experiência?

Ao colocar em prática o seu conhecimento, você esbarra com problemas que não haviam sido previstos e precisa resolvê-los e é nesse ponto que você está efetivamente aprendendo.

A prática leva à perfeição (ou quase lá)

Após aprender, é necessário aperfeiçoar e, nesse ponto, o ciclo recomeça pois sempre há algo que pode ser melhorado.

infografico.jpg

No fim das contas, o que realmente importa não é o quanto você é informado sobre determinado assunto, mas sim o quanto você já aprendeu aplicando essa informação.

Fonte: http://blog.nagueva.com/aprendizado-na-era-da-informacao/

26 de nov. de 2008

Ensinando na Era da Informação

Laura Coutinho

COOMBS, Norman. "Teaching in the Information Age". EDUCOM Review, v.27, n.2, 28-31, march-april 1992.


Norman Coombs é professor de História no Rochester Institute of Technology. Ele foi premiado com uma bolsa de estudos Fulbright para estudar na Inglaterra no período de 1959-60 e um auxílio da National Endowrnet for the Humanities para se tornar proficiente em outra área, a de estudos sobre os negros, em 1969-70. Dr. Coombs e coordenador do Projeto EASI Online Resource Working Group do Programa de EDUCOM de Usos Educacionais da Tecnologia da Informação (EUIT), que está desenvolvendo uma base de dados de documentos relacionados as questões de acesso em uma área de FTP na Universidade de Michigan. Obteve seu Ph.D. na Universidade de Wisconsin em 1961.

A informação sempre foi a ingrediente principal na educação. O uso de redes de alta velocidade, com fibras óticas ou conexões via satélite para acessar rapidamente as grandes bibliotecas eletrônicas expansíveis e bases de dados fornece a base para uma potencial revolução no aprendizado. A combinação destes recursos com um computador pessoal dá aos estudantes acesso a grandes quantidades de informações, e moverá o locus do poder do professor para o aprendiz. As comunicações via computador, por exemplo, a conexão de computadores pessoais a servidores "mainframe" via redes de dados, pode criar ambientes educacionais altamente interativos.

Uma Revolução no Aprendizado

O computador pessoal colocou um poder inimaginável nas mãos dos aprendizes individuais. Ele pode permitir que os aprendizes trabalhem de suas próprias maneiras, em velocidades variadas. Por muito empo, a educação tem feito promessas infundadas para atender as necessidades únicas dos indivíduos e ensiná-los de que maneira aprender. O adventos da era da informação juntamente com o advento dos computadores pessoais tornam esta meta mais significativa .

Tipicamente, as salas de aula tradicionais têm fileiras de estudantes, sentados lado a lado, encarando bem em frente um professor, que é o fornecedor do conhecimento. Quaisquer diferenças entre os estudantes são explicadas como medidas da inteligência individual. Esta estrutura espelha os sistemas de linhas de montagem da sociedade industrial e reflete a mentalidade da revolução industrial que certa vez guiou os caminhos de nossa sociedade. A era da informação de hoje necessita de um novo modelo para a educação; por isso, existe o potencial para uma revolução no aprendizado.

Uma mudança no Foco Instrutivo

Em 1985, a RIT colocou como meta instrucional usar comunicação mediada por computador para fornecer as mesmas experiências educacionais de alta qualidade que estavam disponíveis aos alunos do campus para os aprendizes de fora do campus. Usando o correio eletrônico (e-mail) e os sistemas de conferência via computador, comecei a trabalhar nessa meta dentro de uma estrutura de uma telecurso tradicional na história americana. Anterior a essa mudança metodológica, o curso utilizou serviço de correio e telefones tradicionais, que forneceram interatividade não satisfatória. O serviço de correio eletrônico serviu para substituir com sucesso o papel do telefone, e a conferência via computador forneceu interações grupais similares aquelas das salas de aula. As discussões em grupo previamente ao telecurso falharam, e a conferência via computador não só forneceu uma estrutura para perguntas e respostas, mas também serviu como uma plataforma para compartilhar opiniões e percepções diferentes sobre o conteúdo do curso. Os estudantes aprenderam uns dos outros e foram capazes de medir seus progressos baseados nos comentários dos colegas de classe.

Além disso, como esperado, as mudanças criaram verdadeiro ambiente "de aprendizado flexível", permitindo aos estudantes se conectarem via residência ou trabalho, de acordo com sua conveniência, usando microcomputadores e modems. Os estudantes mostraram que gostaram de ter o curso adaptado as sua necessidades individuais. Através de registros de distribuição de vídeos e do uso das conferências por computador para discussão, os aprendizes puderam montar seus próprios horários e puderam progredir num passo ótimo. Tais resultados foram subseqüentemente relatados por muitos educadores .

Uma mudança no Foco das Salas de Aula

Gradualmente, me dei conta de que o uso desta tecnologia estava alterando meu pensamento sobre o ensinar. Observei que relações mais próximas entre os participantes eram formadas e que o conteúdo do curso se tornou "real" para os estudantes. A vasta carga de interação de grupo mediada por computador foi acompanhada usando o VAX Notes, como um substituto para discussões em sala de aula. Inserindo comentários, periodicamente, nas discussões, estimulei e direcionei seu fluxo e forneci um senso de envolvimento contínuo como moderador da discussão. Também enviei mensagens pessoais semanalmente para cada estudante, o que constituiu –se mais num contato pessoal do que o contato que eu tinha com eles na sala de aula. As mensagens eram geralmente curtas, mas elas permitiam um contato significativo sem ter um estudante sentado e batendo papo em meu gabinete por uma hora! Finalmente, compreendi que os telecursos individuais dos estudantes eram melhores do quer se eu tivesse aqueles estudantes em meus cursos regulares. Eles, por sua vez, disseram que me acharam mais acessível do que seus professores na sala de aula.

Os estudantes não só estavam desenvolvendo um componente afetivo com o aprendizado, mais também discutiam os tópicos com uma abertura que não era típica de outras experiências em sala de aula. Os estudantes estavam ligando o que estudamos sobre história as experiências pessoais ou estórias aprendidas de suas famílias. Ao invés de meramente ensina-los sobre a Grande Depressão ou sobre os horrores dos linchamentos raciais, tornei-me consciente de como os eventos históricos os tocavam pessoalmente. Cada estudante estava aprendendo o material dentro do seu próprio contexto.

Por exemplo, após assistir um vídeo sobre saúde, os estudantes responderam via conferência de computador a questões que coloquei com relação as necessidades e problemas de saúde. Após alguns "replies" sobre os conteúdos tradicionais, as respostas de um estudante abriu uma discussão muito franca entre os membros da classe. Este nível de fraqueza provavelmente não teria ocorrido numa sala de aula.

Percepção dos Estudantes

Os estudantes reconheceram que estavam interagindo diferentemente via conferência computacional do que faziam nas salas de aula. "As pessoas têm a possibilidade de escrever seus sentimentos numa forma um pouco anônima," observou um estudante, "deixando-as com a possibilidade de dizer o que realmente sentem:" A mensagem continuou. "Não acho que as pessoas teriam respondido da mesma maneira se fosse uma discussão face a face na sala de aula."

Outro participante comentou: "Não sou um bom orador, dai a conferência me ajuda apor ordem em meus pensamentos e me permite expressá-los melhor sem enrolar a língua." Vários estudantes disseram que cooperam mais neste telecurso do que nas aulas padrões. Outros relataram que algumas vezes hesitam em falar abertamente nas salas de aula. Estes estudantes se sentiram mais livres para falar o que pensam, porque o meio é menos amedrontador.

Muitos membros da classe me agradeceram especificamente por usar esta tecnologia e também expressaram sua apreciação a seus colegas por usá-la (tecnologia) tão livremente. "Também concordo com todos sobre como foi boa a idéia de usar esta conferência," e um outro membro da classe ainda comentou, chamando a atenção que "as barreiras de comunicação diárias são evitadas. Se a barreira de audição está sendo reduzida, seja negro, branco ou verde, seja tímido ou não fale bem, ou o que quer que seja, estas diferentes de comunicação e muitas outras estão sendo resolvidas."

Percepção do Instrutor

Como professor, achei-me desenvolvendo uma consciência dual em seguir nossas discussões: era tanto um observador/professor como um participante/aprendiz.

Por uma lado, fui capaz de observar uma conferência cheia de participantes, como li através das discussões. Por outro, quando um comentário em particular detinha minha atenção, eu podia responder via "e-mail" para aquele indivíduo por algum tempo, sem colidir com outros estudantes.

Como observador/professor, eu sabia que todos os estudantes estavam estudando o mesmo conteúdo material. Como participante/aprendiz, eu estava ciente de que cada estudante, como indivíduo, trouxe suas necessidades e discernimentos únicos para a informação.

Através destas interações, desenvolvi um entendimento muito profundo da singularidade de cada aprendiz. Estudantes diferentes aprendiam o mesmo material de formas diferentes, cada um trazendo uma quantidade variada de informações prévias sobre o assunto e tendo diferentes necessidades de informação.

Adaptando as Necessidades do Aprendiz

Como resultado deste discernimento, penso menos em mim como um condutor de informação bem embalada e mais como um facilitador para guiar cada aprendiz único. Ainda é necessário ter um corpo padrão de materiais para ser aprendido, mas, devido a nenhum aprendiz ser padrão, as metas educacionais podem ser melhor seguidas através de rotas individuais.

A característica individual e única que pode ser adaptada, usando técnicas tais como as incorporadas neste telecurso, não só incluem as técnicas para populações dominantes, mas, com a ajuda de computadores especialmente equipados, pode também abranger pessoas com deficiência.

Sou totalmente cego. Durante o outono de 1991, dei um curso "on-line" que se supriu uma variedade de necessidades dos aprendizes. Metade da classe era de estudantes com audição reduzida da Gallaudet University, em Washington, D.C: outro quarto de estudantes surdos do National Technical Institute of the Deaf, em Rochester Institute of Tevhinology ( RIT ); e o restante eram estudantes mais velhos do RIT. Este curso poderia Ter facilmente incluído participantes com outras deficiências físicas.

A Definição da Revolução do Aprendizado

A relação no aprendizado não chegou aqui ainda. Suas ferramentas estão sendo agrupadas e requer mentes criativas para dirigi-las e aplica-las. A medida que a riqueza das informações eletrônicas se expande, os professores deveriam carregar menos e menos informações; a partir daí, eles deveriam funcionar como guias para aprendizes que buscam por informações relevantes.

O ensino no futuro deveria se deter mais em ajudar o estudante a saber que questões perguntar, onde achar a informação e como estudar a informação uma vez encontrada. As partes mais difíceis do ensino estarão em saber como motivar e desafiar os estudantes e como encoraja-los a desenvolver o requisito de auto disciplina para o aprendizado. Após usar conferências de computador para ensinar os cursos de história Americana e Afro-Americana, estou mais consciente de tentar motivar os estudantes a se tornarem aprendizes ativos.

Meu papel na revolução do aprendizado atualmente esta limitado, em parte pela escassez de materiais disponíveis "on-line" para suprir minhas necessidades particulares, e em parte pela minha propila falta de idéias criativas sobre o uso do que já esta disponível. Estou explorando menos mais criativos de usar as ferramentas que estão por vir.

Um sistema de conferência modificado para que tivesse capacidades de hipertexto e um dos tais sonhos. Um sistema de conferência de hipertexto, "on-line" e interativo poderia permitir ao professor estruturar os materiais do curso, e ainda capacitar estudantes individuais a escolher seus próprios caminhos para digerir estes materiais. Isto parece ser um próximo passo obvio, porque os microcomputadores já são usados como ferramentas de apresentação de multimídia. Espera-se que estas características estejam logo disponíveis nas redes e se tornem prontamente acessáveis por grupos educacionais.

O Futuro

Se tal revolução de aprendizado ocorrer, fará, como observado anteriormente, mover o centro do controle do professor para o aprendiz. As pessoas resistem ferozmente ao poder de renunciar e os professores são notoriamente conservadores sobre educação.

Na Idade Média, os professores liam de seus manuscritos para suas classes. A máquina de impressão ameaçou aquele modelo educacional. Entretanto, foi descoberto subseqüentemente que, se os estudantes tivessem disponíveis os professores poderiam expandir-se em seus textos e fornecer outras explicações que aumentam o aprendizado. Numa tendência semelhante, muitos educadores sentem medo agora de que o computador faça com que os estudantes se tornem máquina de busca e pesquisa tão poderosas que a faculdade se torna redundante. Assim como a máquina de impressão liberou o ensino a mover-se para um nível mais alto de conceptualização, também a educação na era da informação transcendera o que tem sido comum em nosso tempo. Bons professores não serão substituídos pelos assistentes de ensino e ajudantes de professores, mas liberados para definir a educação em termos mais excitantes e criativos.

Fonte: http://edutec.net/Textos/Alia/PROINFO/prf_txtie03.htm