26 de nov de 2008

Ensinando na Era da Informação

Laura Coutinho

COOMBS, Norman. "Teaching in the Information Age". EDUCOM Review, v.27, n.2, 28-31, march-april 1992.


Norman Coombs é professor de História no Rochester Institute of Technology. Ele foi premiado com uma bolsa de estudos Fulbright para estudar na Inglaterra no período de 1959-60 e um auxílio da National Endowrnet for the Humanities para se tornar proficiente em outra área, a de estudos sobre os negros, em 1969-70. Dr. Coombs e coordenador do Projeto EASI Online Resource Working Group do Programa de EDUCOM de Usos Educacionais da Tecnologia da Informação (EUIT), que está desenvolvendo uma base de dados de documentos relacionados as questões de acesso em uma área de FTP na Universidade de Michigan. Obteve seu Ph.D. na Universidade de Wisconsin em 1961.

A informação sempre foi a ingrediente principal na educação. O uso de redes de alta velocidade, com fibras óticas ou conexões via satélite para acessar rapidamente as grandes bibliotecas eletrônicas expansíveis e bases de dados fornece a base para uma potencial revolução no aprendizado. A combinação destes recursos com um computador pessoal dá aos estudantes acesso a grandes quantidades de informações, e moverá o locus do poder do professor para o aprendiz. As comunicações via computador, por exemplo, a conexão de computadores pessoais a servidores "mainframe" via redes de dados, pode criar ambientes educacionais altamente interativos.

Uma Revolução no Aprendizado

O computador pessoal colocou um poder inimaginável nas mãos dos aprendizes individuais. Ele pode permitir que os aprendizes trabalhem de suas próprias maneiras, em velocidades variadas. Por muito empo, a educação tem feito promessas infundadas para atender as necessidades únicas dos indivíduos e ensiná-los de que maneira aprender. O adventos da era da informação juntamente com o advento dos computadores pessoais tornam esta meta mais significativa .

Tipicamente, as salas de aula tradicionais têm fileiras de estudantes, sentados lado a lado, encarando bem em frente um professor, que é o fornecedor do conhecimento. Quaisquer diferenças entre os estudantes são explicadas como medidas da inteligência individual. Esta estrutura espelha os sistemas de linhas de montagem da sociedade industrial e reflete a mentalidade da revolução industrial que certa vez guiou os caminhos de nossa sociedade. A era da informação de hoje necessita de um novo modelo para a educação; por isso, existe o potencial para uma revolução no aprendizado.

Uma mudança no Foco Instrutivo

Em 1985, a RIT colocou como meta instrucional usar comunicação mediada por computador para fornecer as mesmas experiências educacionais de alta qualidade que estavam disponíveis aos alunos do campus para os aprendizes de fora do campus. Usando o correio eletrônico (e-mail) e os sistemas de conferência via computador, comecei a trabalhar nessa meta dentro de uma estrutura de uma telecurso tradicional na história americana. Anterior a essa mudança metodológica, o curso utilizou serviço de correio e telefones tradicionais, que forneceram interatividade não satisfatória. O serviço de correio eletrônico serviu para substituir com sucesso o papel do telefone, e a conferência via computador forneceu interações grupais similares aquelas das salas de aula. As discussões em grupo previamente ao telecurso falharam, e a conferência via computador não só forneceu uma estrutura para perguntas e respostas, mas também serviu como uma plataforma para compartilhar opiniões e percepções diferentes sobre o conteúdo do curso. Os estudantes aprenderam uns dos outros e foram capazes de medir seus progressos baseados nos comentários dos colegas de classe.

Além disso, como esperado, as mudanças criaram verdadeiro ambiente "de aprendizado flexível", permitindo aos estudantes se conectarem via residência ou trabalho, de acordo com sua conveniência, usando microcomputadores e modems. Os estudantes mostraram que gostaram de ter o curso adaptado as sua necessidades individuais. Através de registros de distribuição de vídeos e do uso das conferências por computador para discussão, os aprendizes puderam montar seus próprios horários e puderam progredir num passo ótimo. Tais resultados foram subseqüentemente relatados por muitos educadores .

Uma mudança no Foco das Salas de Aula

Gradualmente, me dei conta de que o uso desta tecnologia estava alterando meu pensamento sobre o ensinar. Observei que relações mais próximas entre os participantes eram formadas e que o conteúdo do curso se tornou "real" para os estudantes. A vasta carga de interação de grupo mediada por computador foi acompanhada usando o VAX Notes, como um substituto para discussões em sala de aula. Inserindo comentários, periodicamente, nas discussões, estimulei e direcionei seu fluxo e forneci um senso de envolvimento contínuo como moderador da discussão. Também enviei mensagens pessoais semanalmente para cada estudante, o que constituiu –se mais num contato pessoal do que o contato que eu tinha com eles na sala de aula. As mensagens eram geralmente curtas, mas elas permitiam um contato significativo sem ter um estudante sentado e batendo papo em meu gabinete por uma hora! Finalmente, compreendi que os telecursos individuais dos estudantes eram melhores do quer se eu tivesse aqueles estudantes em meus cursos regulares. Eles, por sua vez, disseram que me acharam mais acessível do que seus professores na sala de aula.

Os estudantes não só estavam desenvolvendo um componente afetivo com o aprendizado, mais também discutiam os tópicos com uma abertura que não era típica de outras experiências em sala de aula. Os estudantes estavam ligando o que estudamos sobre história as experiências pessoais ou estórias aprendidas de suas famílias. Ao invés de meramente ensina-los sobre a Grande Depressão ou sobre os horrores dos linchamentos raciais, tornei-me consciente de como os eventos históricos os tocavam pessoalmente. Cada estudante estava aprendendo o material dentro do seu próprio contexto.

Por exemplo, após assistir um vídeo sobre saúde, os estudantes responderam via conferência de computador a questões que coloquei com relação as necessidades e problemas de saúde. Após alguns "replies" sobre os conteúdos tradicionais, as respostas de um estudante abriu uma discussão muito franca entre os membros da classe. Este nível de fraqueza provavelmente não teria ocorrido numa sala de aula.

Percepção dos Estudantes

Os estudantes reconheceram que estavam interagindo diferentemente via conferência computacional do que faziam nas salas de aula. "As pessoas têm a possibilidade de escrever seus sentimentos numa forma um pouco anônima," observou um estudante, "deixando-as com a possibilidade de dizer o que realmente sentem:" A mensagem continuou. "Não acho que as pessoas teriam respondido da mesma maneira se fosse uma discussão face a face na sala de aula."

Outro participante comentou: "Não sou um bom orador, dai a conferência me ajuda apor ordem em meus pensamentos e me permite expressá-los melhor sem enrolar a língua." Vários estudantes disseram que cooperam mais neste telecurso do que nas aulas padrões. Outros relataram que algumas vezes hesitam em falar abertamente nas salas de aula. Estes estudantes se sentiram mais livres para falar o que pensam, porque o meio é menos amedrontador.

Muitos membros da classe me agradeceram especificamente por usar esta tecnologia e também expressaram sua apreciação a seus colegas por usá-la (tecnologia) tão livremente. "Também concordo com todos sobre como foi boa a idéia de usar esta conferência," e um outro membro da classe ainda comentou, chamando a atenção que "as barreiras de comunicação diárias são evitadas. Se a barreira de audição está sendo reduzida, seja negro, branco ou verde, seja tímido ou não fale bem, ou o que quer que seja, estas diferentes de comunicação e muitas outras estão sendo resolvidas."

Percepção do Instrutor

Como professor, achei-me desenvolvendo uma consciência dual em seguir nossas discussões: era tanto um observador/professor como um participante/aprendiz.

Por uma lado, fui capaz de observar uma conferência cheia de participantes, como li através das discussões. Por outro, quando um comentário em particular detinha minha atenção, eu podia responder via "e-mail" para aquele indivíduo por algum tempo, sem colidir com outros estudantes.

Como observador/professor, eu sabia que todos os estudantes estavam estudando o mesmo conteúdo material. Como participante/aprendiz, eu estava ciente de que cada estudante, como indivíduo, trouxe suas necessidades e discernimentos únicos para a informação.

Através destas interações, desenvolvi um entendimento muito profundo da singularidade de cada aprendiz. Estudantes diferentes aprendiam o mesmo material de formas diferentes, cada um trazendo uma quantidade variada de informações prévias sobre o assunto e tendo diferentes necessidades de informação.

Adaptando as Necessidades do Aprendiz

Como resultado deste discernimento, penso menos em mim como um condutor de informação bem embalada e mais como um facilitador para guiar cada aprendiz único. Ainda é necessário ter um corpo padrão de materiais para ser aprendido, mas, devido a nenhum aprendiz ser padrão, as metas educacionais podem ser melhor seguidas através de rotas individuais.

A característica individual e única que pode ser adaptada, usando técnicas tais como as incorporadas neste telecurso, não só incluem as técnicas para populações dominantes, mas, com a ajuda de computadores especialmente equipados, pode também abranger pessoas com deficiência.

Sou totalmente cego. Durante o outono de 1991, dei um curso "on-line" que se supriu uma variedade de necessidades dos aprendizes. Metade da classe era de estudantes com audição reduzida da Gallaudet University, em Washington, D.C: outro quarto de estudantes surdos do National Technical Institute of the Deaf, em Rochester Institute of Tevhinology ( RIT ); e o restante eram estudantes mais velhos do RIT. Este curso poderia Ter facilmente incluído participantes com outras deficiências físicas.

A Definição da Revolução do Aprendizado

A relação no aprendizado não chegou aqui ainda. Suas ferramentas estão sendo agrupadas e requer mentes criativas para dirigi-las e aplica-las. A medida que a riqueza das informações eletrônicas se expande, os professores deveriam carregar menos e menos informações; a partir daí, eles deveriam funcionar como guias para aprendizes que buscam por informações relevantes.

O ensino no futuro deveria se deter mais em ajudar o estudante a saber que questões perguntar, onde achar a informação e como estudar a informação uma vez encontrada. As partes mais difíceis do ensino estarão em saber como motivar e desafiar os estudantes e como encoraja-los a desenvolver o requisito de auto disciplina para o aprendizado. Após usar conferências de computador para ensinar os cursos de história Americana e Afro-Americana, estou mais consciente de tentar motivar os estudantes a se tornarem aprendizes ativos.

Meu papel na revolução do aprendizado atualmente esta limitado, em parte pela escassez de materiais disponíveis "on-line" para suprir minhas necessidades particulares, e em parte pela minha propila falta de idéias criativas sobre o uso do que já esta disponível. Estou explorando menos mais criativos de usar as ferramentas que estão por vir.

Um sistema de conferência modificado para que tivesse capacidades de hipertexto e um dos tais sonhos. Um sistema de conferência de hipertexto, "on-line" e interativo poderia permitir ao professor estruturar os materiais do curso, e ainda capacitar estudantes individuais a escolher seus próprios caminhos para digerir estes materiais. Isto parece ser um próximo passo obvio, porque os microcomputadores já são usados como ferramentas de apresentação de multimídia. Espera-se que estas características estejam logo disponíveis nas redes e se tornem prontamente acessáveis por grupos educacionais.

O Futuro

Se tal revolução de aprendizado ocorrer, fará, como observado anteriormente, mover o centro do controle do professor para o aprendiz. As pessoas resistem ferozmente ao poder de renunciar e os professores são notoriamente conservadores sobre educação.

Na Idade Média, os professores liam de seus manuscritos para suas classes. A máquina de impressão ameaçou aquele modelo educacional. Entretanto, foi descoberto subseqüentemente que, se os estudantes tivessem disponíveis os professores poderiam expandir-se em seus textos e fornecer outras explicações que aumentam o aprendizado. Numa tendência semelhante, muitos educadores sentem medo agora de que o computador faça com que os estudantes se tornem máquina de busca e pesquisa tão poderosas que a faculdade se torna redundante. Assim como a máquina de impressão liberou o ensino a mover-se para um nível mais alto de conceptualização, também a educação na era da informação transcendera o que tem sido comum em nosso tempo. Bons professores não serão substituídos pelos assistentes de ensino e ajudantes de professores, mas liberados para definir a educação em termos mais excitantes e criativos.

Fonte: http://edutec.net/Textos/Alia/PROINFO/prf_txtie03.htm

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