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29 de mar. de 2009

Eu Apaguei as Luzes - Foi lindo de ver

Olá Amigos

Foi lindo ver as pessoas se mobilizando aqui na minha rua para manter as luzes apagadas e convencer os vizinhos de apagarem as suas luzes. Jovens, pessoas de mais idade, pessoas de diferentes classes sociais envolvidas na proposta. Pena que a companhia de luz elétrica aqui da minha cidade (AMPLA) não se mobilizou também.

As crianças são realmente as mais conscientizadas pela salvação do planeta. Elas estão sempre fazendo a diferença e cobram dos adultos uma postura responsável com relação ao desperdício e a conservação do planeta. Até minha filha estava na rua convencendo as pessoas a apagar as luzes.

No mundo todo os monumentos e símbolos urbanos tiveram suas luzes apagadas. Dos países que integram o G20, que se reúne quinta-feira (2) em Londres, apenas Japão e Arábia Saudita não apoiaram a iniciativa da Ong WWF, cujo objetivo é pressionar os líderes mundiais que participarão da conferência sobre mudança climática que acontecerá em dezembro em Copenhague (Dinamarca).

A campanha também busca incentivar a população a trocar suas lâmpadas por outras de baixo consumo e a economizar energia diminuindo seu ar condicionado ou seu aquecedor.

É por isso que eu acredito na salvação do planeta, pois as gerações que estão chegando ao poder em breve tem um compromisso maior com a vida, com o planeta.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

10 de fev. de 2009

Dia da Internet Segura 2009


Olá Amigos

Hoje é o Dia da Internet Segura e neste dia varias ações para manter a internet segura para os pequenos e também por que não dizer, os adultos . Os mesmos cuidados que temos em qualquer situação envolvendo nossos filhos e alunos diante da televisão onde são mostradas imagens ofensivas ou violentas, games violentos ou impróprios, pessoas ou grupos que apóiem ou divulguem a violência, a discriminação ou segregação racial, sexual ou religiosa devem ser os mesmos. O Dia da Internet Segura 2009 Brasil é um dia para promover o uso responsável da Internet no Brasil. Dicas de como usar a Internet com consciência, desenhos para colorir, vídeos e animações para comentar estão programados o dia todo hoje.

Apresentação do Dia da Internet Segura - Brasil - 2009

O Dia da Internet Segura (“Safer Internet Day”) é uma iniciativa anual da INSAFE, rede de organizações patrocinada pelo programa Safer Internet Plus, da Comissão Européia. O objetivo geral da rede e da data é promover o uso ético e seguro da Internet e outras tecnologias, por meio da difusão de informações, recursos e guias de boas práticas.

Em 2008, 56 países participaram do evento. Neste ano, no dia 10 de fevereiro, ocorrerão atividades educativas e de prevenção em 65 países.

No Brasil, a organização do evento está sob a responsabilidade da SaferNet Brasil e do Ministério Público Federal, os quais vêm buscando outras instituições interessadas em participar da rede, por meio do desenvolvimento de atividades de prevenção e da divulgação de informações.

A proposta do evento é a responsabilidade compartilhada entre governos, educadores, pais, ONGs, veículos de mídia, indústria e outros atores relevantes na proteção dos direitos dos cidadãos no que se refere ao uso das novas tecnologias. Os organizadores acreditam que a parceria entre esses atores é fundamental para garantir o uso positivo dessas novas tecnologias, bem como reduzir os riscos decorrentes de comportamentos perigosos ou abusivos.

Objetivo

Envolver os diferentes atores institucionais, públicos e privados, na promoção de atividades de conscientização em torno do uso seguro e responsável das novas tecnologias de informação, especialmente por crianças e adolescentes. O dia 10 de fevereiro concentrará o maior números de atividades e será também uma oportunidade para a formação e consolidação de parcerias em torno do tema.

Atividades propostas para o Dia da Internet Segura:
  • Campanhas de conscientização na mídia (inserção do tema na programação regular, produção e veiculação de campanhas informativas, anúncios, websites, comunidades, blogs).‏
  • Concursos e games envolvendo crianças
  • Seminários com pesquisadores, provedores, pais e jovens
  • Coletivas de imprensas
  • Gincanas em escolas
  • Chats com especialistas
Participe! Confira as atividades já confirmadas.

Agora assistam aos vídeos feitos para divulgar o evento. Alem desses há um canal próprio no You Tube (http://www.youtube.com/diainternetsegura) onde há mais vídeos sobre o dia.




Abraços

Equipe NTE Itaperuna

7 de fev. de 2009

Projeto Cinema no Caldeirão - 07/02

Olá Amigos

O filme de hoje no Projeto Cinema no Caldeirão é o " Crianças Invisíveis" que é uma produção encomendada pela Unicef e realizada pelas mãos hábeis de oito diretores consagrados de diferentes nacionalidades. Nomes como os do inglês Ridley Scott e de sua filha Jordan Scott, da brasileira Katia Lund (co-diretora de Cidade de Deus), do norte-americano Spike Lee, do chinês John Woo, do italiano Stefano Veneruso, do bósnio Emir Kusturica e do argelino Mehdi Charef emprestam sua visão para essa obra imperdível.

Esse filme é uma ode ao otimismo! O filme “Crianças Invisíveis” é um misto de documentário, com romance, com motivação e denúncia. Tudo junto! Realmente um filme que nos coloca em várias realidades vividas por crianças de várias parte do mundo. Realidades de Guerra Civil, de abandono, de injustiça social e de inocência. Ele não é um filme piegas que fica colocando a criança como coitadinha, mas é um filme que nos leva a ver como a criança tem grandes vantagens sobre nós adultos!

Vocês tem que assistir este filme para entender como enfrentar demandas cotidianas com a inocência de uma criança! No entanto, as crianças (principalmente as deste documentário) tem uma enorme vantagem sobre nós: como elas não tem capacidade de planejar o futuro elas vivem o presente intensamente. Elas não se rendem aos desafios do presente. Elas resistem e reinam sobre o presente porque não pensam nas coisas do futuro. Vivem um dia de cada vez. Não se lamentam, mas reagem para viver. Incrível! Este vídeo me deixou muito empolgado e creio que vai deixar você também!

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

Crianças Invisíveis

A infância perdida

Imagens-de-varias-criancas

Crianças Invisíveis é uma produção encomendada pela Unicef e realizada pelas mãos hábeis de oito diretores consagrados de diferentes nacionalidades. A realidade dos continentes tem recortes de suas crianças transpostos para as telas a partir do olhar sensível e diferenciado de nomes como os do inglês Ridley Scott e de sua filha Jordan Scott, da brasileira Katia Lund (co-diretora de Cidade de Deus), do norte-americano Spike Lee, do chinês John Woo, do italiano Stefano Veneruso, do bósnio Emir Kusturica e do argelino Mehdi Charef.

Há, evidentemente, para cada diretor uma produção. O filme é, então, uma colcha de retalhos que nos coloca a cada momento num paralelo específico, a observar o que está acontecendo, nesse exato momento, com algumas crianças em seus respectivos países/continentes. A qualidade dos trabalhos é marcada pela instabilidade. Mesmo levando-se em conta o currículo recheado dos cineastas que estão envolvidos no projeto, alguns filmes são melhores e mais tocantes enquanto outros parecem carecer de um pouco mais de brilho e empenho de seus realizadores.

Há histórias que nos atingem mais profundamente e nos fazem sentir a dura realidade das crianças ali retratadas como se estivéssemos no lugar delas. Outras são um pouco mais frias e distantes, mas também se prestam a denunciar irregularidades, erros, descaminhos e problemas que abreviam a infância e forçam muitas e muitas crianças a amadurecer prematuramente às custas de grandes sofrimentos.

Sem patriotadas é possível definir o filme de Kátia Lund como a melhor realização entre os curta-metragens que compõem Crianças Invisíveis. Parecemos caminhar pelas ruas de São Paulo ao lado das crianças que protagonizam o filme. Cada detalhe das ruas paulistanas parece muito familiar aos espectadores brasileiros, mesmo para aqueles que moram no Rio de Janeiro, Salvador, Porto Alegre, Belo Horizonte ou Recife.

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O episódio de John Woo confronta a infância

rica e a pobre da China contemporânea.

A decepção maior fica por conta do trabalho do oscarizado Ridley Scott, em parceria com sua filha Jordan Scott. A Grã-Bretanha dos Scott não nos parece real, como também as crianças que ali aparecem. O projeto poderia ter uma resposta melhor se a questão das minorias étnicas fosse o foco do projeto de cineastas europeus como Scott. Questões primordiais relativas a esse tema têm sido discutidas em nações prósperas e socialmente bem estabelecidas como a França, a Alemanha e a própria Inglaterra e seriam enriquecedoras caso incluídas no filme.

O filme sobre a Itália também decepciona e se mostra frágil em seus argumentos ao destacar a marginalidade dos adolescentes e seu envolvimento com cigarros e drogas ilícitas. Seria possível explorar dentro do universo europeu o envelhecimento de sua população e a solidão das crianças que vivem em países com PIB elevado e seguridade social garantida. Que infância têm esses meninos e meninas?

A inclusão da África e de suas guerras civis, o episódio norte-americano falando sobre a exclusão a que estão submetidos os aidéticos (com um olhar particularmente devotado a comunidade negra, bem ao estilo de Spike Lee), os reformatórios na Bósnia-Herzegovina e na Sérvia a nos colocar em contato com as crianças marginalizadas e violentas (o que pode nos fazer lembrar da Febem...) e o contraste da infância rica e da pobre na China dos novos tempos (num ótimo trabalho de John Woo) nos permitem uma ampla e interessante visão global da infância perdida.

Ficamos órfãos, no entanto, de uma voltinha pela Oceania, pelos cantos do Oriente Médio, de tão competentes cineastas, e pelas cercanias da Índia (e sua prolífica Indústria Cinematográfica, que poderia nos legar capítulos interessantes nesse volume). Quem sabe essas histórias não ficaram para uma nova e necessária versão do filme, uma continuação que valeria a pena fazer...

Precisamos abrir os olhos e dar mais atenção a essa infância desperdiçada, violentada e desesperançada. Tem nos faltado a devida sensibilidade para que essa nobre causa ganhe mais e mais defensores em todo o planeta. O filme certamente queria abrir não só os nossos olhos, mas também os nossos corações,...

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Ao desnudar São Paulo e seus caminhos tortuosos acompanhamos as crianças
que vivem pelas ruas das metrópoles brasileiras ao lado da cineasta Kátia
Lund num belo e sensível retrato da infância perdida em nosso país.

O Filme

Os morros africanos nos introduzem nas mazelas das crianças e nos transportam para as disputas políticas que geram as guerras civis africanas. Crianças travestidas de soldados que se escondem no meio de plantações à espreita de soldados que representam ditadores e opressores que controlam tudo a mão de ferro. O medo não parece acompanhar os meninos. O ódio, por sua vez, é ingrediente que nutre cada um de seus passos sem lhes dar um só instante de trégua...

Como num passe de mágica, que só o cinema nos permite, viajamos milhares de quilômetros e atravessamos o Atlântico para chegar às ruas da Grande São Paulo. Acompanhamos os passos de duas crianças pelas ruas da opressora metrópole. Catadores de papelão, latinhas e sucatas em geral, os irmãos João e Bilú, sofrem com o trânsito, a disputa por espaço em seu “mercado de trabalho”, a violência e o desdém com que são tratados por tantas pessoas e até mesmo com o clima e a poluição. Tudo isso sem perder a esperança, a fé e o bom humor...

Do norte do continente migramos para os bairros de Nova Iorque. Não é o lado rico e charmoso da cidade que nos acolhe. São os bairros mais simples, que para muitas cidades do mundo pobre seriam considerados até mesmo privilegiados diante da tamanha miséria em que vivem. Dentro de um desses apartamentos acompanhamos a triste realidade de uma menina aidética e de seus pais viciados. Há luz no fim do túnel para essas pessoas?

Da América vamos para a Europa, chegamos num reformatório Bósnio. Meninos que burlaram a lei estão todos reunidos sob a tutela de um pretenso educador/diretor de instituição correcional. Será possível reverter a história desses meninos marginalizados pela sociedade e pelos desmandos de suas próprias famílias?

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A África das guerras civis que transformam meninos em
soldados também está presente em “Crianças Invisíveis”.
Onde está o Oriente Médio? E a Índia?

Ainda na Europa passeamos pela Inglaterra e os traumas das crianças que sobrevivem às guerras na orfandade. Com os pais mortos nos conflitos e a economia de seus países arruinada pelas bombas lançadas dos céus, que destino existe para essas crianças e adolescentes?

Na Itália o nosso foco passa a ser o desvio provocado pelos vícios e pela desestruturação familiar. Crianças, pré-adolescentes e adolescentes que perambulam pelas ruas atrás de vítimas distraídas que possam ter suas carteiras furtadas ou relógios caros roubados. De suas rápidas desventuras surge o necessário dinheiro para pagar os vícios do cotidiano...

O episódio mais tocante fica, porém, para o final. Para tanto migramos para a China. A opulenta economia chinesa e seus altos índices de crescimento nos colocam em contato com uma emergente parcela de sua sociedade que tem automóveis de luxo, casas amplas e dinheiro suficiente para comprar muitos brinquedos para suas crianças. Do outro lado da cidade, em casebres lúgubres que nos lembram os cortiços de Aluísio de Azevedo, vivem milhões de pessoas que lutam somente para sobreviver. Sua busca não é pela riqueza, mas pelo pão de cada dia. Entre elas há muitas crianças...

Cada história traz várias imagens fortes. A tristeza no rosto das crianças é uma das mais marcantes. Nos diferentes países há uma evidente amargura expressa na face desses menores. Apesar disso o que mais me tocou com profundidade foram as lições de esperança dos protagonistas das histórias brasileira e chinesa. Seus exemplos e otimismo parecem nos dizer que ainda dá tempo de virar o jogo.

Apesar da irregularidade dos episódios, Crianças Invisíveis é um gol de placa da Unicef. Pena que a distribuição do filme nos cinemas e nas locadoras tenha sido tão restrita. Temos que levar a produção para as salas de aula e despertar nossos alunos para o flagelo que devora as infâncias de tantas e tantas crianças mundo afora...

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A aids que atinge as crianças em virtude da contaminação de seus pais
viciados ou promíscuos também é tema de“Crianças Invisíveis”.
O que está sendo feito para resgatar essas crianças?

Para Refletir

1- Apresente o filme a seus alunos. Depois disso inicie uma discussão com os estudantes sobre a infância. O que é? Como deve ser vivida? De que forma pode ser feliz? Quais são as histórias da infância de cada um deles? O que foi inesquecível (pontos positivos e negativos)? Faça gravações das conversas e debates para criar um arquivo. Transforme esses depoimentos em textos. Promova o surgimento de um Site, Blog ou Fotoblog sobre o tema.

2- Leiam a declaração universal dos direitos das crianças e adolescentes. Comparem com o filme. Façam uma atualização dos itens previstos nessa declaração. O que poderia ser reformulado? Como melhorar esse documento? Elaborem um documento da escola sobre o assunto.

3- Estimule os alunos a conhecer projetos de ONGs que se articulam em favor de crianças desfavorecidas. Verifiquem com as autoridades públicas o que está sendo feito em favor dessas crianças abandonadas a própria sorte em sinais de trânsito, sem escola, a mendigar ou que são exploradas no trabalho escravo. Mexam-se, não há tempo a perder...

4- Depois de discutir o tema, busque fomentar ações que modifiquem a triste realidade da infância, ao menos em sua comunidade. Arregimente seus alunos e crie forças-tarefa para visitar bairros menos favorecidos ou orfanatos; arrecadem alimentos, roupas ou remédios para doar; cedam parte de seu tempo para ajudar essas crianças/adolescentes. Muitas vezes a presença, as palavras e a atenção são os ingredientes vitais para que vidas possam ser salvas...

Ficha Técnica

Crianças Invisíveis
(All the invisible children)

País/Ano de produção: Itália, 2005
Duração/Gênero: 116 min., Drama
Direção de Kátia Lund, Spike Lee, Ridley Scott, Jordan Scott,
Stefano Veneruso, John Woo, Mehdi Charef e Emir Kusturica
Roteiros de Mehdi Charef, Diogo da Silva, Stribo Kusturica, Kátia Lund
Cinqué Lee, Joie Lee, Spike Lee, Qiang Li, Stefano Venerusco, Jordan Scott
Elenco: Francisco Anawake, Maria Grazia Cucinotta, Damaris Edwards, Vera Fernandez, Hazelle Goodman, Hannah Hodson, Zhao Ziann, Wenli Jiang, David Thewlis, Jake Ritzema, Kelly Mcdonald, Rosie Perez, Andre Royo, Qi Ruyi, Lanette Ware.

Links

- http://www.adorocinema.com.br/filmes/all-the-invisible-children/all-the-invisible-children.asp
- http://epipoca.uol.com.br/filmes_ficha.php?idf=11402

Videos-Relacionados

João Luís de Almeida Machado Editor do Portal Planeta Educação; Doutor em Educação pela PUC-SP; Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP); Professor Universitário e Pesquisador; Autor do livro "Na Sala de Aula com a Sétima Arte – Aprendendo com o Cinema" (Editora Intersubjetiva).

Fonte: http://www.planetaeducacao.com.br/novo/artigo.asp?artigo=648

Os Invisíveis da Modernidade

Bela Crônica Extraída do Jornal Metro Point,
São Paulo, terça, 27 de janeiro [ link ]

À Paulista

Carroças

A carroça para ao lado do carro. Restos de ferro velho retorcido, papelão, latinhas de alumínio.
Um cavalo e o ágil condutor, camisa do futebol espanhol modelo piratão do camelódromo e a coragem desafiando o trânsito urbano em algum subúrbio do Rio de Janeiro. Uma imagem perdida no tempo. Carroças puxadas por um cavalo ou até mesmo um jumento.

Carroças que andam por entre veículos moderníssimos e seus quatro airbags e DVD embutido.
Carroças como as de antigamente, andando pelas ruas cheias de monóxido de carbono. Estamos no século 21 e as carroças também. Pode ser na quebrada de alguma marginal, pode ser perto do Ceagesp, carroças carregadas de frutas. Em extinção. Mas elas ainda estão por aí, pelas cidades.
Não é cena corriqueira, mas no Rio, na zona norte e na oeste, a gente ainda vê. Em São Paulo, me digam vocês.

Podem estar pelas ruas do Recife ou de Juiz de Fora. Li no jornal dia desses que em alguma metrópole se não me falha a memória, Porto Alegre o governo pretendia criar regras para abolir, em uma década, todas as carroças do trânsito da cidade. E assim, triste e melancolicamente, todos os carroceiros também.

Neste final de semana, li uma crônica de Jorge Luis Borges sobre inscrições em coches - nossas carroças - na antiga Buenos Aires, parte das memórias do seu bairro de infância. E aqui reproduzo um pequeno trecho, se me permitem. Importa que meu leitor imagine um coche.

Não custa imaginá-lo grande, as rodas traseiras mais altas que as dianteiras, como se fosse reserva de força, o cocheiro crioulo robusto como a construção de madeira e ferro em que esta, os lábios distraídos num assobio ou com ordens paradoxalmente suaves aos cavalos puxadores as parelhas seguidoras e a montaria dianteira (proa insistente para os que precisam de comparação).

Carregado ou não dá no mesmo, salvo que voltando vazio está menos preso a seu uso e mais entronizada à boléia, como se a conotação militar que os coches tiveram no império de Átila permanecesse nele. no mesmo final de semana rural, revi “Crianças Invisíveis” ( >> trailer AQUI ) , filme composto de pequenos curtas sobre a infância em diversos países.


Entre eles, o nosso, com um delicado (e um dos melhores) episódio de Kátia Lund, que conta a história de duas crianças em São Paulo catadoras de material para reciclagem. Bilu e João, que decidem alugar uma carroça e sair por aí, recolhendo tudo. Sem cavalo, nem jumento. Só eles mesmos e a carroça. E a cidade de São Paulo, toda ali, toda linda, toda confusa, toda cruel.

Jô Hallack é jornalista e escritora. Ama São Paulo, mas ainda prefere morar no Rio.

" MEU TRABALHO É HONESTO, E O SEU ? "

[ Link Foto ]


Fonte: http://metropoint.metro.lu/20090127_MetroSaoPaulo.pdf

22 de jan. de 2009

Construindo o Saber


O ato de ler pertence aos elementos essenciais do universo. Segundo Paulo Freire, todos somos leitores e só a partir dessa certeza é que tudo o mais no mundo cria-se e recria-se. Através da leitura, o homem forma conceitos e questiona sentidos, generaliza palavras e particulariza idéias, comunica verdades e desconstrói hipóteses.

Sem a leitura, nada no universo da linguagem é possível, e “tudo” só é possível pelo viés do universo da linguagem.

Quando um professor conta histórias em sala de aula, ele consegue levar ao seu aluno. Um dos elementos mais necessárias ao desenvolvimento do ser humano: a ação de criar, recriar, imaginar, ir além do real e conseguir ser mais sensível, mais feliz. Na verdade, todo professor deve ser um leitor, pois só assim poderá auxiliar na formação de leitores.

A seguir
, sugerimos, através do texto de Linda Campbel “alguns tópicos” que servirão à reflexão sobre o assunto ora abordado.

Os professores como contadores de histórias

Quando os recursos não estão prontamente disponíveis, ou quando um professor deseja explorar o conteúdo do ensino de várias maneiras, contar histórias oferece uma opção que encanta tanto ouvintes jovens quanto adultos. Qualquer assunto ou tema adquire vida quando é narrado como u
ma história. Além disso, pessoas de todas as idades acham mais fácil reter uma informação quando ela é codificada em uma história. Mesmo que muitos entre nós aleguem não ser contadores de histórias, todos realmente o somos! Cada um de nós tem histórias de sua vida que gosta de compartilhar, muitos gostam de contar piadas, narrar sonhos ou até fazer “fofoca” sobre os outros - uma prática que pode ser a base para futuros contos populares ou lendas.

Histórias Temáticas

De onde podemos extrair histórias para a sala de aula? De nos-sas próprias experiências de vida. A lembrança de suas próprias reações quando criança ao se deparar com as disciplinas escolares pode proporcionar ao professor histórias da vida real para compartilhar com os alunos que estão aprendendo um conteúdo semelhante. Reelaborar um conteúdo temático como uma história é outra opção que é mais fácil do que de início pode parecer. Um enredo pode ser rapidamente
criado identificando-se os personagens principais e algum desafio com os quais eles se confrontam. Os professores podem refletir sobre o conteúdo que planejam ensinar e considerar quais personagens e enredo aparecem como possibilidades para a narração de histórias. Além disso, os alunos estão quase sempre ansiosos para criar e contar histórias que incorporem o conteúdo escolar.

As Dimensões Culturais da Narração de Histórias

Contar histórias é também uma maneira poderosa de proporcionar aos alunos um insight sobre a história e sobre culturas diferentes. Os alunos podem interessar-se por saber que a narração de histórias é mais antiga do que a história escrita. Antes da leitura e da escrita serem comuns, as narrativas transmitiam a história oral de uma cultura - incluindo as esperanças, os medos, os valores e as realizações de seu povo.

Por exemplo, durante a época da escravidão nos Estados Unidos, as histórias assumiram também um outro propósito. Como os escravos não tinham permissão para se reunir em grupos com mais de cinco pessoas, nem falar ou escrever em seus idiomas africanos nativos, nem escrever em inglês, eles inventaram histórias de animais para criar um sentido de comunidade que lhes era negado. O animal que escolheram para muitas de suas histórias foi o coelho - um ser tão impotente quanto os escravos, mas que também sabia de tudo o que acontecia a seu redor, embora por necessidade per-manecesse silencioso. O coelho chamava-se Coelho Brer. Escutando as histórias do Coelho Brer, os alunos podem desenvolver empatia com os escravos que o criaram como personagem central do seu folclore.

Recursos Multiculturais da Narração de Histórias

Há muitos recursos disponíveis para o professor que deseja apresentar os alunos a outras culturas, em parte contando histórias. Quando são contadas histórias multiculturais, os professores podem pedir aos alunos que escutem e reúnam informações sobre várias culturas. Depois de escutar uma história, os professores e os alunos podem discutir a estrutura e a sua mensagem, além de suas implicações culturais. As sugestões propostas incluem:

Qual é o local da história?

Que valores a história transmite?

Como a linguagem é usada na história?

A história reforça alguns estereótipo
s?

A história diminui alguns estereótipos sobre essa cultura?

Os bibliotecários da escola e do município geralmente conhecem muitos recursos para a narração de histórias e estão prontos para identificar histórias para acompanhar qualquer estudo cultural.

Os alunos como contadores de histórias

Alguns alunos irão alegr
emente apresentar-se como voluntários para contar histórias para os colegas. Outros acharão a idéia assustadora. Escutar histórias envolve várias habilidades de escuta, enquanto contar histórias requer habilidades lingüísticas. Contar histórias, uma forma divertida e importante de comunicação lingüística, ensina aos alunos o ritmo, o tom e as nuances da linguagem. Os educadores interessados em estimular a narração de histórias em suas salas de aula podem considerar as seguintes diretrizes:

Diretrizes para a Narração de Histórias:

1. Exemplifique você mesmo a narração da história.

2. Identifique contadores de histórias locais para visitar sua classe. Você pode descobrir se há uma associação de contadores de histórias perto de você ou talvez, como na Filadélfia, um contador de histórias oficial da cidade.

3. Ajude os alunos a encontrarem histórias - a partir do conteúdo das aulas, de sonhos, acontecimentos familiares ou escolares, histórias que eles já conhecem, antologias ou entrevistas com pessoas mais velhas

4. Ensine aos alunos algumas habilidades da narração de histórias, tais como:

. começar com uma
abertura interessante;

. não aumentar muito o número de personagens;

. certificar-se de que a história contém imagens que os ouvintes podem “ver” ou imaginar;

. estimular o uso de comparações e metáforas;

. animar os pontos-chave da história com efeitos sonoros, voz, gestos e movimentos corporais;

. manter a voz clara, expressiva e compassada;

. fazer contato visual com os ouvintes;

. considerar se deve ou não haver participação dos ouvintes.

5. Praticar a narração de histórias com toda a classe. O professor pode selecionar uma história e lê-la parte por parte, para a class
e, pedindo aos alunos que façam sugestões pra torná-la mais viva e interessante. A classe pode ser dividida em grupos, e pode ser designada a cada grupo uma parte da história para ser aprendida e depois contada em seqüência.

6. Para contadores de histórias iniciantes, pode-se aliviar a ansiedade fazendo os alunos contarem suas histórias para pequenos grupos de quatro ou cinco colegas, em vez de contá-la para a classe toda. Os alunos que se oferecem como voluntários podem contar suas histórias para grupos maiores. Contar histórias para crianças menores, em geral, também alivia a tensão desnecessária..

CAMPBELL, Linda

Ensino e Aprendizagem por meios das Inteligências Múltiplas / Linda Campbell, Bruce Campbell e Dee Dickinson; 2. ed. trad. Magda França Lopes - Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.

Fonte: http://www.construirnoticias.com.br/asp/materia.asp?id=200

16 de dez. de 2008

Pedagogia do Fingimento

Nildo Lage

É impossível falar de educação sem voltar os olhos para o passado. É mais impossível ainda fazer educação sem se apossar de heranças filosóficas, tendências... porque, desde os tempos remotos, a história é escrita por aqueles que a determinavam. E narrada por aqueles que tentam fazê-la.

Inácio de Loiola trouxe a novidade com a Companhia de Jesus, alarmado com a expansão do luteranismo na Europa. Não funcionou. A única saída foi a Reforma Pombalina da Educação, que descartou o Sistema Jesuítico... Daí por diante, a história foi se desfigurando, gerando “estórias”. E, há tempos, a sala de aula está perdendo a originalidade, deixando de ser um local de aprendizagem, reflexão, troca de conhecimentos, de experiências... Porque está se convertendo num campo de batalhas: professores desmotivados travam uma guerra com alunos impregnados de armas sociais — violência doméstica, urbana, psicológica, drogas, abandono social — que chegam com o intuito de brincar, se divertir para passar o tempo. O professor, menos preocupado ainda, passa por breves instantes pela sala para dar uma “espiada” e cumprir um contrato de trabalho, sem se incomodar com a aprendizagem e as experiências dos alunos.

Nesse jogo do faz-de-conta, princípios didáticos, filosóficos e éticos estão enfraquecendo no infértil terreno do conhecimento, porque violência, agressões, desrespeito mútuo estão consumindo a espécie-símbolo: o diálogo, que é o elo do relacionamento professor–aluno. A troca, a parceria, a afetividade estão abaladas, cada vez mais ausentes.

Nessa guerra na busca do saber, professores lançam conteúdos frívolos garganta abaixo e não cobram resultados. Alunos digerem o prato do dia e se sentem fartos... Uma avaliação para cumprir o protocolo, e lá se foi um bimestre. Um problema a menos. “Colões” e “decorebas” se dão bem. Os “menos espertos” fazem um “trabalhinho extra” para recuperar a nota, o tempo perdido... e lá se vão... O novo bimestre os espera.

Com tantas veias de escape, aprendizagem, conhecimento e saber nunca se encontram. Treinamento e capacitação trilham caminhos diferentes, e a essência da educação vai se esvaindo, perdendo originalidade pelos rincões do construtivismo, do sociointeracionismo, das tendências pedagógicas que surgem num piscar de olhos: Vygotsky, Piaget, Vallon, Ferreiro, Freire... De filosofia em filosofia, de pensamento em pensamento, a nova tendência “Crítica Social” vai surgindo, com o sonho de chegar para ficar.

Se não for puxado o freio de mão, em breve, teremos que escrever a nova “História da Educação”, porque os grandes pensadores terão as suas idéias ultrapassadas. Perderão espaço para os megaempreendedores que estão fazendo da educação um negócio da China, imbecilizando alunos, assolando a meta de formar cidadãos atuantes, críticos e participantes, convertendo-os em profissionais sem iniciativas, que decoram conteúdos e não são preparados para o mercado de trabalho, para encararem os desafios de um mundo que exige cada vez mais. A escola que temos é repleta de reentrâncias, preenchidas por rupturas, ranços, intrigas políticas, disputas pessoais, inúmeras bifurcações que conduzem analfabetos letrados por caminhos que se perdem nos atalhos para se chegar a uma educação de excelência, cujos condutores julgam estar no caminho certo.

Com isso, o conhecimento está se tornando um animal raro, porque, na educação da era digital, as fontes interdisciplinares da informação jorram, a cada passo, numa velocidade alucinante. E os alunos, na rota de colisão, são bombardeados pelo excesso de informações, muitas fúteis, e mantidos nas dependências da escola do novo tempo, como cobaias bitoladas, onde são polidos para se encaixar nos moldes de uma educação impositiva; aprendem três comandos: Ctrl+T, Ctrl+C e Ctrl+V. Capa, contracapa... Uma breve introdução para dissimular... “A minha pesquisa ficou perfeita”. O professor, mais perfeito ainda, dá um 10. Esse aluno é o CDF. Porque professor investigador — que leva seus alunos a descobrirem o novo, reavaliarem o velho, ampliarem os horizontes do conhecimento — está cada vez mais escasso, um mito nos corredores das escolas. O importante é não reprovar; que, ao final de cada ano, todos passem.

Com essas façanhas, cumpre-se mais uma meta: a estabelecida pela ONU para combater o analfabetismo nos países emergentes; e, sem receio de errar, o governo dispara em todas as direções: Educação a Distância, Educação de Jovens e Adultos (EJA), Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja), Programa Universidade para Todos (Prouni), Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE)... São tantos caminhos que professores e alunos se chocam, se confundem, se perdem, não se entendem; e a verdadeira educação vem perdendo terreno para a educação burocrática que se agiganta em escolas de muralhas, de grades... De professores virtuais, de alunos onipresentes. O professor, centralizador do conhecimento, foi murchando, obrigado a ceder o espaço para o professor mediador, que, na verdade, medeia o tempo na sala de aula, à espera do passar do próprio tempo.

E o objetivo da verdadeira educação?
Ainda é a aprendizagem? A quem importa?

É hora de repensar os métodos traçados, os moldes pré-fabricados... Destruir a fórmula que determina o que deve ser ensinado e como deve ser aprendido. É hora de tirar a viseira de professores privados de buscar, de trabalhar a realidade de seus alunos e de construir o próprio conhecimento para reavaliar a sua prática e colocar a lente de educador, para ver o mundo além da sala de aula ou de uma janela cibernética.

É hora do negro e do índio terem os seus valores respeitados, a sua história resgatada, pois resgatá-la é resgatar a cultura, a história do País e da própria educação no Brasil. Respeitar as diversidades regionais, etnias, opiniões, culturas, porque, nos pavilhões e nas galerias do presídio do saber, as relações interpessoais estão deixando de existir. Existem apenas regras. E a educação, hoje, escreve uma história com dois finais: um para a minoria que tem recursos financeiros para pagar por uma educação de qualidade e outro para aqueles que são atirados pela janela das escolas públicas e são obrigados a se acomodar em salas superlotadas, sem recursos didáticos, sem carteiras, com professores despreparados, onde o autoritarismo se converteu em lei e está substituindo a Lei de Diretrizes e Bases (LDB). O eu roubou o espaço do nós, e, se não voltarmos a ser nós, a sala de aula será exatamente o que eu (o sistema) quero: muita informação e pouca aprendizagem.

É hora do Sistema de Ensino voltar-se para o eu desse aluno que sai da favela, do campo... Porque ainda acreditam que a educação é o caminho que leva à realização e é hora de polir esse eu, nos moldes dos sonhos, da vontade de ser e de existir de cada eu.

É preciso estreitar os laços de relacionamento entre escola, ensino, educação e família para que o aluno compreenda o mundo em que vive e se proponha, como cidadão, a mudá-lo. É como já dizia Freire: “Não é na resignação, mas na rebeldia frente às injustiças que nos afirmamos”. Porque professor é um título que se conquista com um diploma comprado ou conquistado, mas ser educador é uma singularidade exclusiva; essência rara que se desprende daqueles que fazem do ofício de ensinar a arte de formar cidadãos. É preciso que leis deixem de ser meros projetos constitucionais, que as camadas conquistem a igualdade e que a educação seja prioridade.

E, então, quando a política deixar de ser uma transição entre a campanha e a eleição, as armas sociais serão recolhidas pelos jovens e pelo professor. O prazer de ensinar se refletirá no de aprender, e aí, sim, haverá melhorias na educação. E a educação cumprirá a sua missão, porque terá uma verdadeira história para contar.

8 de dez. de 2008

Jovem e grávida... E agora?

Para especialistas, adolescente grávida precisa de apoio familiar.
Não adianta culpar nem condenar. Falta de maturidade requer apoio da família


Por Fabiana Caso


São Paulo, 04 (AE) - Quando a gravidez acontece na adolescência, não adianta culpar nem condenar os responsáveis: a falta de maturidade requer o apoio dos familiares, especialmente da mãe. O suporte e as orientações da avó são fundamentais para cumprir os desafios da maternidade precoce. Esse drama, vivido por milhares de famílias, é retratado, inclusive, na novela "A Favorita", da TV Globo, pelas personagens Mariana (Clarice Falcão), a filha, e Catarina (Lilia Cabral), a mãe.

O consultor em educação sexual e autor do livro "Adolescente: um Bate-Papo sobre Sexo" (Editora Moderna), Marcos Ribeiro, reforça a necessidade de "educar para as novas responsabilidades". "Esse aprendizado é importante para que o jovem casal entenda que não está brincando de casinha." Mas isso não quer dizer que os pais devam assumir as responsabilidades dos adolescentes.

"A mãe pode ensinar à sua filha como cuidar de si e do bebê, como um exercício. E, em seguida, pedir para a garota fazer a tarefa e deixar claro que a partir de cada lição ela será responsável pela execução", comenta Marcos. "A mãe deve lembrar que está ensinando, e que aquele compromisso com o bebê é da filha e do pai da criança."

Nada impede, porém, que a avó conviva bastante com a criança. "Esse convívio pode trazer grandes benefícios tanto para a criança como para a avó. Mas tal situação deve ser bem administrada, com os limites necessários e respeitando o papel de cada um, o que pode ser resolvido por meio de conversa", aconselha. "E mesmo sendo adolescentes, os avós devem respeitar os pais da criança. Não devem desautorizá-los diante do netinho."

O psicólogo especializado em relacionamentos, Alexandre Bei, reforça que é importante não condenar nem menosprezar a jovem. "Ela ainda não é adulta e precisa muito do apoio e do afeto dos pais", pondera. "O melhor é a avó participar do processo, sem julgar."

Já a psicóloga Magdalena Ramos, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), tem um ponto de vista diferente. Com o pediatra Leonardo Posternak, escreveu o livro "E Agora, o que Fazer?" (Ágora), sobre a arte de criar filhos. "Uma adolescente ainda não tem maturidade suficiente para criar um filho, não se amadurece por decreto", exclama. "E se fosse fazer isso, teria que parar de estudar e trabalhar. Acho que a avó deve ajudar o máximo possível para que a filha possa continuar estudando. Após alguns anos, quando aprender a caminhar com as próprias pernas, talvez possa assumir a situação plenamente."

Avós Precoces

A jovem avó Silvia Nunes Telles, de 36 anos, foi pega de surpresa quando sua filha Tamires, na época com 16 anos, engravidou. "No começo, fiquei em choque. Minha preocupação era que ela continuasse os estudos", lembra. O pai de Tamires ficou tão bravo que não quis mais falar com a filha, só há pouco tempo retomaram o relacionamento.

Silvia nem bem teve tempo de se estruturar e teve novas surpresas: Tamires ficou doente, com caxumba. "Dei todo o apoio", conta. "A maior preocupação passou a ser a doença, mas felizmente ela se recuperou bem." Cuidou da filha, forneceu todas as orientações, a acompanhou no pré-natal e comprou roupinhas para a pequena Beatriz, que hoje tem 1 ano e 6 meses.

O pai da criança, de 19 anos, sugeriu que Tamires fosse morar com ele, mas Silvia a desaconselhou por causa do temperamento instável do rapaz. E insistiu para que Tamires continuasse estudando: ela só parou de ir à escola por um mês. "Eu e as amigas dela ajudamos nos trabalhos escolares e ela passou em tudo. Agora está no terceiro ano do ensino médio", conta.

Hoje, aos 18 anos, Tamires continua morando com a mãe, o padrasto e os irmãos. "Nosso relacionamento é muito bom." Há pouco mais de um mês, voltou a trabalhar com telemarketing durante o dia, e continua estudando à noite. Pensa em fazer faculdade de administração. "No começo, acho que minha mãe pensou sobre o que os outros iriam dizer, depois tirou de letra", conta.

A história da contadora Lucia Morita, de 45 anos, envolveu dissidências familiares. Sua filha única, Andressa, ficou grávida aos 18 anos, na época em que morava com a mãe, a avó e as tias maternas. À primeira suspeita de gravidez, Andressa se abriu com a mãe. "Fui com ela fazer o teste", lembra Lucia. "Ela chorou muito, ficou muito preocupada com o futuro. Falei que o importante era cuidar da própria saúde e do bebê, o resto tinha menos importância."

Lucia encarou com tranqüilidade a notícia. Apesar de a gravidez não ter sido planejada, apoiava o namoro da filha com o pai da criança. Estavam juntos há poucos meses, mas se conheciam há anos. Desde o princípio, ele assumiu suas responsabilidades. "É engraçado que tinha acabado de fazer um plano de saúde. Ofereceram uma opção que incluía o serviço de maternidade, e eu falei que era muito jovem para ser avó. E foi o que aconteceu", diverte-se.

Também ensinou tudo para a filha sobre como cuidar do bebê. Curiosamente, o problema maior de Lucia e Andressa foi com o resto da família. Suas tias não receberam bem a notícia e fizeram uma série de cobranças ao pai da criança. A solução encontrada foi a mudança de Andressa para a casa da família do namorado durante a gravidez. "Sentia muita falta dela e ia visitá-la todos os dias após o trabalho", lembra Lucia.

Hoje seu netinho, Marcelo, tem 2 anos e oito meses. Pouco antes de ele nascer, os pais encontraram uma casa própria. E a convidaram para morar com eles. Ela aceitou. Hoje, trabalha durante o dia, mas curte o neto à noite. Marcelo fica com os avós paternos enquanto os pais trabalham.

Andressa tem hoje 22 anos. Concluiu o ensino médio e voltou a trabalhar quando o filho completou 1 ano e meio. "Foi muito importante ter contado com o apoio da minha mãe."

Fonte: http://br.noticias.yahoo.com/s/04122008/25/entretenimento-especialistas-adolescente-gravida-precisa-apoio.html

1 de dez. de 2008

Pesquisa Interessante

Olá amigos

Na postagem abaixo há um texto que se refere a uma pesquisa muito interessante e que eu já sabia, alias desconfiava. Crianças devem jogar online, quem é privado não desenvolve habilidades técnicas e é excluído socialmente.

Como hoje as Tribos Urbanas definem socialmente quem são os nossos jovens, a interação online é fator primordial para a aceitação social dos nossos jovens.

Na faixa mais a abaixo os miúdos, com a palavra a Jenny, são realmente mais espertos e desenvolvidos os que jogam e interagem nas atividades online, não somente jogos.

E você é contra ou a favor? Comente ... interaja.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

Crianças devem jogar online, diz estudo

Por Raphaela Maia

Um estudo organizado pela MacArthur Foundation revela que games online e interação com outras pessoas na Web trazem benefícios às crianças, ensinando-as como se portar socialmente e as ajudando a desenvolver habilidades técnicas básicas.

Conforme publicado no site SFGate , o projeto contradiz a idéia de muitos educadores e pais de que as crianças deveriam ser proibidas de interagir com a rede ou brincar com games multiplayer, que permitem a usuários de diferentes locais jogarem juntos.

De acordo com Mizuko Ito, um cientista do UC Irvine's department of informatics que liderou o estudo, as crianças que não têm acesso às diversões mais populares da Web correm o risco de serem excluídas socialmente e de não desenvolverem algumas das habilidades básicas para sobreviver na era da internet.

"Para a minoria das crianças, o uso ocasional das mídias sociais serviu como um trampolim para que eles que ganhassem perícia tecnológica", afirmam os pesquisadores.

Existem casos de crianças que aprenderam a editar vídeos e a montar hardwares de computador perguntando aos amigos ou obtendo ajuda de pessoas que conheceram em grupos on-line, por exemplo.

E já que as chamadas "mídias sociais servem como inspiração para aprender, as escolas deveriam abandonar sua hostilidade e dar suporte às crianças quando elas quiserem aprender coisas mais sofisticadas do que simplesmente criar sua página no Facebook", diz o estudo.

Segundo o relatório, os pais mistificam a realidade digital porque isso não existia em suas infâncias. "Mas impedir as crianças disso [usar a rede], elimina uma importante atividade social e recreacional e poderia levá-los à ignorância sobre como interagir não somente em sua juventude, mas também potencialmente em sua vida profissional", explicam os pesquisadores.

A pesquisa, chamada Digital Youth Project (algo como Projeto Juventude Digital), teve início em 2005 e conta com entrevistas de 800 crianças, além das cinco mil horas de observação da atividade online dos adolescentes.

O texto original integral está disponível na rede em PDF. É possível visualizá-lo por meio do atalho tinyurl.com/5p8qnk ou visualiza-lo abaixo.

Dml Ethnog Whitepaper

Fonte: http://br.noticias.yahoo.com/s/28112008/7/tecnologia-negocios-criancas-devem-jogar-online.html

28 de nov. de 2008

A criança construida pelo consumo.

Victor Zacharias

A influência da propaganda no dia a dia da criançada é mostrada de maneira especial no documentário "Criança, a alma do negócio", de Estela Renner e Marcos Nisti, que foi lançado em setembro no II Fórum Criança e Consumo realizado pelo Instituto Alana em São Paulo.
No filme, do qual colocamos aqui uma boa amostra, a criança expressa naturalmente a maneira como vê o mundo e como age no seu cotidiano.

Coisas impressionantes como reconhecer marcas, mas não saber nome de frutas comuns são comprovados em várias cenas.

Assista e entenda porque a televisão tem promovido o consumo mais do que a cidadania, valorizando o ter e não o ser, isso você verá na primeira cena.
Hoje a televisão educa pela mensagens e pela sua repetição e esta dentro da casa de mais de 98% dos brasileiros. Você já parou para pensar que tipo de mensagem de vida a televisão tem mostrado para seus filhos ou para as crianças deste país?



"O Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, combate qualquer tipo de comunicação mercadológica dirigida às crianças por entender que os danos causados pela lógica insustentável do consumo irracional podem ser minorados e evitados, se efetivamente a infância for preservada em sua essência como o tempo indispensável e fundamental para a formação da cidadania. Indivíduos conscientes e responsáveis são a base de uma sociedade mais justa e fraterna, que tenha a qualidade de vida não apenas como um conceito a ser perseguido, mas uma prática a ser vivida.

"Seja a mudança que você deseja ver no mundo" - Gandhi

Fonte: http://ongpoint.blogspot.com/2008/11/criana-construida-pelo-consumo.html

1 de nov. de 2008

Projeto Cinema no Caldeirão


Olá Amigos

O filme de hoje no Projeto Cinema no Caldeirão é o chinês Nenhum a Menos do diretor Zhang Yimou. O Caldeirão de Idéias recomenda com louvor o filme, pois ele também trata de um tema bastante discutido hoje em dia: a formação inicial.

Nenhum a menos é um filme que faz o expectador pensar sobre questões sociais e suas conseqüências na formação educacional das pessoas. Propõe a reflexão sobre o motivo que leva um educador a se envolver com seus alunos e a compreender o seu papel na instituição de ensino. Faz uma crítica aos governos que pouco investem em educação.

Companheirismo, solidariedade e perseverança são a marca do filme de Zhang Yimou, que demonstra preocupação com as crianças de seu país. Uma história sem fronteiras políticas ou territoriais, pela universalidade do tema. O dilema de se manter alunos na escola.

O filme emociona com uma história simples que no início pouco promete, mas que no decorrer envolve pela poesia e realidade colocadas frente a frente numa perspectiva humana renovadora. Este filme é uma evidência de quanto nós , professores, temos que traçar uma meta ao entrarmos dentro duma sala de aula (que nem sempre é fácil) mas, se lutarmos com toda a nossa força e amor alcançaremos nossos objetivos. E que esses objetivos inclui , em especial, desenvolver as tão esquecidas virtudes nos nossos alunos (respeito, amor, solidariedade, coleguismo, ....)

E a famosa "Pedagogia do Exemplo" que meu amigo José Antônio Klaes Roig do Letra Viva do Roig tanto fala. Educa-se mais pelo exemplo do que com palavras.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

30 de out. de 2008

Você domina a tecnologia ou a tecnologia domina você?

Olá Amigos

Hoje encontrei esse vídeo que ilustra o que está postado no artigo O dilema da primeira infância no século XXI do Professor João Luís de Almeida Machado onde ele questiona se devemos presentear nossas crianças com Brinquedos ou Computadores.

O vídeo levanta uma questão importante: "Quando você chega em casa, o que geralmente faz primeiro? Liga a televisão? Liga o computador? Uma resposta simples e rápida à estas perguntas pode te mostrar sua mínima relação com a tecnologia no seu dia a dia. Acredito que a maioria das respostas seria a televisão e, hoje em dia, o crescente aumento da relação humana com o computador. Alguém pegaria um livro?"

O vídeo estava ilustrando a postagem A Invenção Da Criatura Ou Do Criador? do blog Soprando.net do Professor Wolney Honório Filho da Universidade Federal de Goiás Campus de Catalão-GO. A postagem merece ser lida e discutida pois levanta questões muitos proprias a dependência tecnológica.

Assistam o vídeo, reflitam e depois critique e comente aqui.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna



Fonte: http://www.soprando.net/c/a-invencao-da-criatura-ou-do-criador e http://www.planeta.sitedaescola.com/modules/planet/view.article.php?7817

27 de out. de 2008

A identidade do professor

Maria Antonia Carballo Dominguez*

Os indivíduos são formados por um processo de identificação que acaba por projetar-se em suas identidades pessoais e culturais, tornando estas mais provisórias, variáveis e problemáticas. Em tempos passados, era visto como um sujeito unificado, com uma presença estável no meio social.

O indivíduo pós-moderno é composto não só de uma identidade unificada, mas de várias.

O indivíduo tenta descobrir suas potencialidades, dentro de situações construídas ou reconstruídas ao longo de sua trajetória enquanto ser que pensa e atua em uma sociedade também plena de transformações.

A percepção dos indivíduos quanto aos seus saberes, fazeres e ações é que estes se constroem a partir de contextos sócio-históricos e culturais, que por sua vez estão interligados a questões políticas, ideológicas e teóricas. Assim sendo, determinam dentro de valores e verdades quem pode falar em nome do outro e a quais interesses servem.

A identidade do professor constrói-se a partir da relevância que cada profissional dá a sua própria atividade docente, através de valores, atuação no mundo, das representações de vida, saberes, sentimentos, expectativas presentes no seu cotidiano, com as relações estabelecidas enquanto seres como um todo, dentro das escolas, sindicatos e também as relações entre os próprios professores.

Além de todos os discursos, existe a experiência de vida que influi na formação da identidade. A realidade existente se mostra através de situações veiculadas na sociedade tais como: baixa remuneração, salas de aula com alunos turbulentos e em alguns casos falta de material didático.

É certo que variados problemas se aglomeram nas instituições de ensino, onde o embate se faz presente através das diversas manifestações onde impera um descontentamento por parte dos profissionais em educação de um modo geral. Por outro lado precisamos munir-nos de energia para poder enfrentar as adversidades que se apresentam.

Ser professor nos dias atuais é mais que uma profissão, é algo além do salário que se recebe no fim do mês, é ao menos tentar sentir-se motivado dia após dia para seguir adiante na certeza de poder estar fazendo o melhor possível dentro das possibilidades educacionais que fazem parte do nosso cotidiano escolar.

Faz-se necessário observar a nossa responsabilidade no desenvolvimento do educando, na sua formação e preparo do seu desempenho para atuar em um mundo que por vezes se apresenta contraditório nos mais variados aspectos seja de ordem social, política ou econômica.

Precisamos (re) pensar nossa prática todos os dias, pois é através da reflexão e do constante aprimoramento intelectual que poderemos melhorar cada vez mais tornando-nos uma das peças fundamentais na formação de jovens e adultos.

*Professora

Fonte: http://www.jornalagora.com.br/site/index.php?caderno=27&noticia=56862

26 de out. de 2008

O dilema da primeira infância no século XXI

Brinquedos ou Computadores?

Imagem-de-duas-criancinhas-brincando-com-tintas

Imagine a cena: Uma criança de quatro anos entra num cômodo qualquer, nesse espaço ela encontra alguns brinquedos [como quebra-cabeças, jogos variados e multicoloridos, bonecas, bolas, carrinhos...], revistas em quadrinhos e livros infantis, todos amontoados no lado esquerdo dessa sala. À Direita, sozinho, numa mesa, repousa um computador com impressora conectado à Internet. Para qual lado essa criança irá pender, para os brinquedos ou para o computador?

Ficou em dúvida? Não sabe se para a criança os brinquedos serão mais atraentes que o computador? Já vivenciou uma situação como essa? O que aconteceu afinal?

Por experiência própria, como pai, professor, pesquisador, articulista e editor de um portal de educação na Internet [Planeta Educação], não teria dúvidas em assinalar a preferência da criança pelo computador. Os brinquedos e jogos, inanimados, podem até atrair a curiosidade da criança em questão caso ela tenha sido estimulada pela família a utilizar e se divertir com tais recursos em sua experiência de vida anterior, mas invariavelmente os jogos, cores, sons, recursos multimídia, o teclado, o mouse, a possibilidade de apertar botões e acionar programas, abrir janelas e variar as brincadeiras irão fazer com que o computador ganhe a disputa.

Isto me motiva - sempre que estou em contato com pais, professores e comunidade em geral, em palestras e oficinas - a orientá-los [ou aconselhá-los] a não inserir o computador na vida de nossas crianças antes dos cinco anos de idade. Foi, inclusive, o que eu e minha esposa fizemos com nossos filhos, somente permitindo que eles tivessem acesso a videogames ou computadores depois que tivessem brincado em tanques de areia, jogado bola, se divertido com jogos próprios para suas faixas etárias, desenhado e colorido muitas folhas de caderno, escutado canções e dançado ao som delas, imaginado outros mundos ao manejar carrinhos e bonecas...

Imagem-de-uma-crianca-pequena-usando-computador

Tenham certeza, os computadores farão parte da vida de nossos filhos num futuro muito próximo. Quando ingressarem no Ensino Fundamental já estarão sendo orientados ao uso dessa ferramenta. Por esse motivo, por que antecipar essa utilização, queimar etapas da formação em que se preconiza e prevê o uso de elementos concretos [como bolas, bonecas, jogos, lápis de cor...] ou então impedir que a imaginação desses pequenos se desenvolva se a eles e com eles não contarmos histórias, cantarmos, dramatizarmos?

Costumo dizer a todas as pessoas que posso que, no futuro, não será o conhecimento e uso dos computadores que fará a diferença na vida pessoal e profissional de quem quer que seja, mas o fato destas terem experimentado e vivenciado o encontro com os brinquedos, as leituras, as músicas, os filmes... Essas crianças crescerão mais saudáveis e, certamente serão mais felizes e criativas. Quanto a aprender a lidar com os computadores, isso será facilmente logrado por elas depois, garanto a vocês!

João Luís de Almeida Machado Editor do Portal Planeta Educação; Doutorando em Educação pela PUC-SP; Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP); Professor Universitário e Pesquisador; Autor do livro "Na Sala de Aula com a Sétima Arte – Aprendendo com o Cinema" (Editora Intersubjetiva).

Fonte: http://www.planetaeducacao.com.br/novo/artigo.asp?artigo=1288

21 de out. de 2008

Os professores e a regra de três

Claudio de Moura Castro

"Nossos professores não aprenderam a ensinar e, como conseqüência, nossos alunos não aprendem o que deveriam aprender"


Ato I. Oitocentos professores no auditório. Peço que levantem a mão aqueles que aprenderam a ensinar "regra de três" na faculdade de educação. Surpresa! Nem uma só mão levantada. Ou seja, não aprenderam como ensinar a mais útil das ferramentas matemáticas.

Ilustração Atômica Studio


Ato II.
Três mil professores no auditório. Falo com eles sobre a importância de receberem material didático bem detalhado, de forma a melhorar suas aulas e facilitar sua vida. Sou aplaudido de pé. Choram de decepção, ou de raiva, os fundamentalistas antilivros presentes ao evento. Para eles, o professor precisa inventar sua aula em vez de usar o bom material existente.

Ato III. Eu em conversa com algumas professoras. Como elas não aprenderam na faculdade a dar aula, admitem que seus alunos servem de cobaias, enquanto elas aprendem – processo que pode durar até cinco anos. É como se num curso de cirurgia os alunos estudassem apenas a psicogênese do ato cirúrgico. Ao se formarem, teriam de inventar maneiras de operar seus pacientes, já que não as haviam aprendido no curso. Pouco a pouco, aumentaria o número de sobreviventes entre seus pacientes.

Os exemplos acima não têm foros de evidência científica. Contudo, refletem a direção tomada pelos cursos que formam nossos professores. Alguns diretores de escolas públicas falam com nostalgia do velho curso Normal, no qual se aprendia a dar aula. Foi substituído por faculdades de Educação, para formar orientadores nas escolas, e pelos Institutos Normais Superiores, para formar os professores de sala de aula. Mas essas últimas instituições não eram do agrado dos gurus da nossa pedagogia. Usando seus potentes decibéis, conseguiram o seu bloqueio pelo MEC.

O resultado é trágico. Hoje são formados nas faculdades de Educação não apenas os orientadores, mas a esmagadora maioria dos que vão ser professores de sala de aula. Nessas faculdades eles ouvem falar dos livros de muitos autores, vivos e defuntos, nenhum dos quais ensina a dar aula. Em compensação, estudam as mais exaltadas teorias, tais como a luta de classes, a exploração do homem pelo homem, o imperialismo cultural, os intelectuais orgânicos e a psicogênese do conhecimento. É como se a inclusão de algum fragmento de sapiência fosse condicionada a não ter nenhuma aplicabilidade na sala de aula. Piaget não ensina a alfabetizar. Portanto, isso não se aprende nessas faculdades. Resultado: os professores se sentem perdidos diante dos seus alunos.

O educador chileno Ernesto Schiefelbein diz que um médico pode abrir um livro de cirurgia e ficar sabendo dos procedimentos aconselhados para uma apendectomia. Um educador deveria ter também um livro que pudesse consultar quando quisesse saber como ensinar a regra de três. Só que há resistência a livros tão específicos. Para nossos gurus, é errado explicitar como se ensinam tais detalhes, embora haja ampla pesquisa mostrando que isso dá bons resultados.

Entalado na controvérsia está o construtivismo, uma formulação teórica acerca da epistemologia do aprendizado. Aceitemos ou não as suas formulações, elas nada dizem sobre como os livros devem ser nem como usá-los. A subsecretária de Educação da cidade de Nova York é construtivista ferrenha e confessa. E insiste nos materiais escritos que especificam, nos mínimos detalhes, como conduzir a sala de aula. No Brasil, dizem-se construtivistas os gurus furiosos contra livros detalhados. Ou seja, o uso do livro nada tem a ver com o construtivismo. Mas tem muito a ver com o bom aprendizado. A receita é simples, precisamos de livros detalhados, em mãos de professores que aprenderam a usá-los e a dar aula. Assim se faz no mundo inteiro.

O resultado de não preparar professores para dar aula e fazer campanha contra livros é que nem a metade dos alunos da 4ª série é funcionalmente alfabetizada (todos deveriam saber ler ao final da 1ª série). O Pisa (uma prova internacional de aproveitamento escolar) nos mostrou que 23% dos nossos alunos nem sequer atingem o nível 1, o mais baixo. No total, 86% estão abaixo do mínimo esperado. A lógica é inapelável: como os professores não aprenderam a ensinar, os alunos não aprendem o que deveriam aprender.

Fonte: http://arquivoetc.blogspot.com/2008/10/claudio-de-moura-castro-os-professores.html

18 de out. de 2008

Projeto Cinema no Caldeirão

Olá Amigos

Essa semana fomos homenageados no blog Letra Viva do Roig do meu amigo José Antonio Klaes Roig com uma postagem falando sobre o Projeto Cinema no Caldeirão intitulada "Cinema, educação e vida: Projeto Cinema no Caldeirão" . Como tenho dito as pessoas que visitam o Caldeirão de Idéias, como amante inveterado da sétima arte e da educação, juntar o útil ao agradável foi um passo fácil.

Tenho como grande referência no assunto o Profº João Luís Almeida Machado do Planeta Educação, onde indico a todos uma visita obrigatória para desfrutar do seu conteúdo maravilhoso. Como essa semana foi a semana do dia do professor e das crianças, o filme escolhido essa semana foi o "Clube do Imperador" com Kevin Kline.

O filme “O Clube do Imperador” nos coloca diante de um professor que persegue um sonho de forma abnegada. O sonho de transformar nossas crianças e jovens em pessoas que saibam o quanto é importante valorizar a vida, estimular o progresso, perceber o mundo em que vivem, amar o conhecimento, gostar de conviver com outras pessoas (e com as diferenças), enfim, crescer em busca da harmonia, do amor e da paz.

Tenho certeza que só isso já é suficiente para que você se interesse em saber mais e assista ao filme... Boa diversão!

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

17 de out. de 2008

Mundos paralelos: tecnologia e educação



O incrível vídeo acima, da banda Radiohead intitulado All I Need que eu assisti no blog do meu amigo José Antônio Klaes Roig, editor do Letra Viva do Roig pela primeira vez ontem é uma paulada.

É simplesmente visceral o videoclipe. O vídeo que mostra a vida de duas crianças e seus mundos paralelos, tão diferentes, tão opostos. Como o José Roig cita é "um vídeo para refletir sobre a vida e os dois mundos distantes que existem no planeta Terra: dos que consomem e dos que são consumidos...

Hoje todos nós, ao nascermos estamos sujeitos a viver em um desses mundos, dependendo do lar que nos acolha, do poder aquisitivo dos pais que nos geram ou nos criam... Podemos ser o menino loiro ou o oriental, dependendo da roleta-russa que é nascer no Terceiro Planeta deste sistema solar - uma pequena bola de gude azul no céu tão escuro...

A letra, a música e as imagens são fantásticas, para serem vistas e revestidas. Penso, logo existo; penso logo insisto... Penso, logo resisto!

Hoje, existem dois mundos paralelos também no que tange a tecnologia: os que possuem condições de uso dos multimeios (computador e internet, principalmente) e os que são considerados "analfabetos digitais". Há ainda muitas pessoas, em analogia com o livro, que sabem ler mas não sabem interpretar um texto; ou sabem usar um computador e internet, mas não conseguem dar a eles um significado e uma significância educacional - inclusive muitos professores. Para isso, tentar mudar essa visão, é que existe a tecnologia educacional. Mostrar como "podemos humanizar a máquina e não robotizar as pessoas".
"

Hoje há claramente a questão dos dois mundos que existem atualmente: o tecnológico e o sem a tecnologia. Hoje, o celular, a TV a cabo, internet se incorporaram na vida cotidiana de muitos, enquanto que para milhares e milhões de pessoas, isso é um mundo distante e desconhecido.

Em outra parte da postagem do José Roig, ele cita que há "também dois mundos paralelos: o de cursista (aluno) e o de multiplicador (professor). O que me faz ter sempre essa visão abrangente das coisas é justamente conviver periodicamente entre dois mundos, me colocando na posição do outro, para a partir dessas observações, trazer as visões de cada mundo para o seu paralelo, e isso me auxilia e muito na minha prática pedagógica e vida. Sou um eterno aprendiz. Quem dera todos os professores, vez em quando reciclassem não apenas o lixo, mas também algumas idéias e ideais descartados pela vida, procurando ser aluno novamente, e/ou colocar-se na posição de aluno, avaliando e se auto-avaliando inclusive. Eu faço isso, dia sim, dia também, e isso me ajuda e muito a superar desafios, obstáculos e estabelecer parcerias com professores e alunos: dois mundos paralelos que precisam se aproximar mais e mais sempre, pois ambos têm na esocla a sua intersecção..."

O título da postagem é referencia a postagem original do José Roig, editor do Letra Viva do Roig intitulada Mundos paralelos: tecnologia e educação que eu recomendo a leitura na integra.

Abaixo a letra traduzida da musica do vídeoclip.

Tudo Que Necessito


Eu sou o ato seguinte
Esperando nas asas
Eu sou um animal
Prendido em seu carro quente
Eu sou todos os dias
Que você escolhe ignorar

Você é tudo que eu necessito
Você é tudo que eu necessito
Eu estou no meio de seu retrato
Deitado na grama

Eu sou uma mariposa
Quem quer apenas compartilhar de sua luz
Eu sou apenas um inseto
Tentando sair da noite

Eu só fico com você
Porque não há nenhuma outra

Você é tudo que eu necessito
Você é tudo que eu necessito
Eu estou no meio de seu retrato
Deitado na grama

Está tudo errado
Está tudo certo
Está tudo errado


Abraços

Equipe NTE Itaperuna

Fonte: http://www.lyricstime.com/radiohead-all-i-need-tradu-o-lyrics.html e Letra Viva do Roig

12 de out. de 2008

O Menino Maluquinho

Infância feliz

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Um fenômeno literário nacional. Não há como definir melhor o livro "O Menino Maluquinho", de Ziraldo. Essa conquista (vendagem e grande popularidade) não foram obtidas sem verdadeiros méritos, pelo contrário, a obra tem um encaminhamento singular, único, num tema em que todos se julgam grandes conhecedores que é a infância. Muito já se escreveu sobre essa importante fase da vida de todas as pessoas, há vários trabalhos que tiveram grande repercussão e reconhecimento por parte da crítica ou dos leitores, no entanto, falar diretamente as crianças sobre o que significa a infância e, atingir também aos jovens e aos adultos com sucesso, é tarefa para poucos.

O respaldo obtido pelo livro junto a seus leitores deve-se muito ao fato de Ziraldo nos falar sobre o "ser criança" de uma forma alegre, descompromissada como a própria infância, partindo do ponto de vista das próprias crianças, vivenciando experiências do mundo infantil e, o melhor de tudo, sem fazer com que os personagens principais dessa trama sejam tratados de forma desrespeitosa ou infantilizados demais. A inteligência de meninos e meninas é vista como uma coisa natural, esperada e que deve ser respeitada pelos adultos.

Além disso, a representação de um universo onde são apresentados os melhores momentos da vida de uma criança (como jogar bola, colecionar figurinhas, brincar na rua com os amigos, desenhar nos cadernos escolares, ter o carinho dos pais e avós,...) não deixa de fora os dramas do universo infantil, as pequenas (porém significativas) dores e ressentimentos. Ao ler o livro, recheado de ilustrações de traço rápido e objetivo, aparentemente tão simples em sua concepção, mas, sobretudo enriquecedor e extremamente terno, acabamos nos lembrando de momentos de nossa infância. Isso talvez explique um pouco do sucesso dessa obra de Ziraldo.

Contando com um público tão fiel e cativo, a produção de um longa-metragem baseado no livro era apenas questão de tempo. As dificuldades próprias do mercado cinematográfico no Brasil acabaram adiando o projeto para a década de 1990, mas, o resultado compensou. O mais importante era não perder a essência da obra literária e, os roteiristas e o diretor conseguiram manter o espírito na transposição para as telas do autêntico maluquinho.

Contaram com um elenco que se mostrou à vontade nos papéis principais, especialmente o menino Samuel Costa como Maluquinho e os atores Roberto Bontempo e Patrícia Pillar protagonizando os pais do personagem principal e o veterano Luiz Carlos Arutincomo o avô.

As músicas também colaboraram para criar uma atmosfera das mais agradáveis, principalmente os trabalhos de Rita Lee e Milton Nascimento. As locações escolhidas para a filmagem, reproduzindo uma calma rua onde as crianças conseguiam brincar tranqüilamente após a volta da escola estão de acordo com a trama do livro, assim como as brincadeiras e travessuras que os meninos aprontam uns com os outros, além das paqueras com as meninas.

Criancas-brincando

Outros importantes momentos da história se referem à escola e a casa dos avós. Uma professora caricata (Vera Holtz) e aulas aparentemente bem tradicionais marcam a vida escolar de Maluquinho e de seus colegas; por outro lado, a viagem para a casa dos avós, a mesa farta e a vida tranqüila no campo, o carinho e a atenção dispensados pelos avós em relação às crianças, as disputas travadas com os meninos que moram na cidade mais próxima e o jogo de futebol que reúne todos os amigos fazem as delícias de quem vê o filme e recorda a infância.

Infância gostosa, com sabor de quero mais, marcada por corridas de carrinhos de rolimã, brincadeiras de esconde-esconde, subidas nas árvores para pegar goiabas ou mangas, bolos de fubá ou chocolate e amizades inesquecíveis. Parece coisa de outros tempos, que não voltam mais. Hoje a criançada só quer saber de videogames, internet ou brinquedos eletrônicos. Uma boa parte do tempo é passada na frente da televisão, a babá eletrônica. Quanto à alimentação, nem se diga, substituíram-se as frutas, os bolos da vovó ou a sopa de legumes reforçada por hambúrgueres, salgadinhos e refrigerantes.

Pode-se dizer que tudo isso é apenas saudosismo e que a modernidade trouxe outras possibilidades que podem ser aproveitadas por todos, como os computadores e a transmissão de programas via satélite. Mas, que é muito triste constatar como nossas crianças tem deixado prematuramente a infância, isso é!

"O Menino Maluquinho" é um filme que pode dar base para um estudo diferenciado da história e da geografia, nos deslocando para ambientes familiares e práticas ou hábitos do cotidiano do período atual e comparando-as com o tempo de nossos pais ou avós. Peça aos alunos que façam levantamentos sobre como eram os brinquedos e as brincadeiras no passado, de que forma a cidade onde moram mudou, se existem fotos daquela época, como as crianças se vestiam, se as ruas e casas sofreram grandes transformações,...

Esse trabalho pode e deve ser feito em associação com português, literatura, filosofia e mesmo matemática. Pode-se verificar os planos e mapeamentos da cidade, os projetos das casas, textos podem ser escritos sobre essa experiência de reviver o passado comparando-o com o presente,...

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Boa sorte e, mãos à obra!

Ficha Técnica

Menino Maluquinho

País/Ano de produção:- Brasil, 1995
Duração/Gênero:- 83 min., Infantil/Comédia/Aventura
Disponível em vídeo
Direção de Helvécio Ratton
Roteiro de Maria Gessy, Alcione Araújo, Helvécio Ratton e Ziraldo
Elenco:- Patrícia Pillar, Samuel Costa, Roberto Bontempo, Luiz Carlos Arutin,
Vera Holtz, Tonico Pereira e Hilda Rebello.

Link

- http://www.adorocinema.com/filmes/menino-maluquinho/menino-maluquinho.htm

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Fonte: http://www.planetaeducacao.com.br/novo/artigo.asp?artigo=67