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28 de nov. de 2008

A criança construida pelo consumo.

Victor Zacharias

A influência da propaganda no dia a dia da criançada é mostrada de maneira especial no documentário "Criança, a alma do negócio", de Estela Renner e Marcos Nisti, que foi lançado em setembro no II Fórum Criança e Consumo realizado pelo Instituto Alana em São Paulo.
No filme, do qual colocamos aqui uma boa amostra, a criança expressa naturalmente a maneira como vê o mundo e como age no seu cotidiano.

Coisas impressionantes como reconhecer marcas, mas não saber nome de frutas comuns são comprovados em várias cenas.

Assista e entenda porque a televisão tem promovido o consumo mais do que a cidadania, valorizando o ter e não o ser, isso você verá na primeira cena.
Hoje a televisão educa pela mensagens e pela sua repetição e esta dentro da casa de mais de 98% dos brasileiros. Você já parou para pensar que tipo de mensagem de vida a televisão tem mostrado para seus filhos ou para as crianças deste país?



"O Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, combate qualquer tipo de comunicação mercadológica dirigida às crianças por entender que os danos causados pela lógica insustentável do consumo irracional podem ser minorados e evitados, se efetivamente a infância for preservada em sua essência como o tempo indispensável e fundamental para a formação da cidadania. Indivíduos conscientes e responsáveis são a base de uma sociedade mais justa e fraterna, que tenha a qualidade de vida não apenas como um conceito a ser perseguido, mas uma prática a ser vivida.

"Seja a mudança que você deseja ver no mundo" - Gandhi

Fonte: http://ongpoint.blogspot.com/2008/11/criana-construida-pelo-consumo.html

15 de nov. de 2008

A Língua das Mariposas

Educação e Integridade

Menino-conversando-com-senhor

Ir a escola pela primeira vez é um grande desafio para uma criança. Não importa a idade, independe do país e mesmo do contexto histórico no qual está inserida a criança. A superação da insegurança só acontece após alguns dias, depois de uma plena adaptação, através da qual o menino ou menina conheça seus colegas, compreenda a dinâmica do ambiente escolar e trave o necessário e primordial contato com seu professor.

Nesse aspecto, a figura do professor é definidora não apenas no sentido da ambientação. Os mestres respondem pela própria paixão a ser despertada nos infantes. Parte deles toda a energia vital que, necessariamente, contagia os alunos e faz com que eles não apenas se sintam bem na escola, mas também, que alimentem certa paixão pela aprendizagem, pelo conhecimento, pela pesquisa...

José Luiz Corda, cineasta espanhol, retratou com grande êxito, os primeiros passos do menino Moncho (Manuel Lozano), de sete anos, nessa grande aventura de ingressar na escola, através de seu filme “A Língua das Mariposas”.

A sensibilidade do filme de Corda nos remete a duas outras grandes obras recentes da filmografia européia, as produções italianas “A Vida é Bela”, de Roberto Begnini e “Cinema Paradiso”, de Giuseppe Tornatore. Além disso, a intensa relação que se define entre Moncho e seu velho professor Don Gregório (Fernando Fernán-Gomes) nos fazem lembrar das parcerias estabelecidas entre Giosué e Guido (de “A Vida é Bela”) e entre Totó e Alfredo (de Cinema Paradiso).

Entretanto, diferentemente daqueles filmes, “A Língua das Mariposas” tem como foco a relação professor-aluno. Estabelece a imagem do professor humano, caloroso, próximo e paciente. Nos mostra a atitude do profissional da educação como aquela do erudito, que lê, pesquisa, conversa regularmente com muitas pessoas e é admirado pela comunidade.

O filme nos mostra Don Gregório como uma figura impar dentro do contexto educacional da época retratada (o filme se passa no período brevemente anterior a Guerra Civil Espanhola), fica claro para o espectador que a atitude desse educador contrasta com posicionamentos mais fortes e autoritários dos demais professores da época (Antes de conhecer Don Gregório, o menino Moncho tem medo de ir a escola e fala em fugir para a América; receia que possa ser punido com severidade pelo futuro professor).

Além disso, a preocupação em ensinar e cativar as crianças não se restringe a demonstrar todo o conhecimento obtido a partir de leituras e pesquisas. Don Gregório representa o educador íntegro, que se percebe como referência (e que, nem por isso, se envaidece) e que, ciente de suas responsabilidades a partir de então, se mostra sempre sereno, altivo e elegante.

Mais que teorias, ele ensina a seus alunos novas posturas perante o mundo, onde as pessoas devem se respeitar, ter sensibilidade e jamais abandonar seus ideais...


O Filme

Duas-fotos-de-menino-conversando-com-senhor

Moncho (Manuel Lozano) tem apenas sete anos e se prepara para o maior desafio de sua vida. Está a apenas algumas horas de seu primeiro dia de aula. Alertado por alguns meninos, ele acredita que o professor poderá castigá-lo ao menor erro. O menino pensa, inclusive, em fugir para a América, como alternativa a escola.

O que lhe espera, entretanto, é uma grande surpresa. Seu professor, Don Gregório (Fernando Fernán-Gomes), um senhor próximo da aposentadoria, jamais agiu agressivamente em relação a nenhum de seus alunos. Pessoa de fala mansa, de grande tranqüilidade e de postura elegante, apesar de toda a simplicidade, o professor garante sua credibilidade perante seus alunos a partir do conhecimento que possui e da calma com que resolve os pequenos problemas do cotidiano.

Moncho se apaixona pela escola e passa a se dedicar com grande vontade às tarefas e atividades propostas por Don Gregório. Encanta-se com as histórias contadas pelo velho mestre e se anima ainda mais quando algumas aulas são dadas ao ar livre. Paralelamente a suas realizações escolares, o menino acompanha os acontecimentos da vida cotidiana da pacata cidade onde vive.

Descobre o amor e se percebe no meio de um emaranhado de relações políticas e sociais (mesmo não entendendo exatamente o significado desses acontecimentos), numa época em que a Espanha ferve as vésperas de sua guerra civil. As turbulentas transformações pelas quais passava o país colocam o velho e honrado professor em situação delicada devido a seus posicionamentos políticos. Em quem deve acreditar Moncho?

Fortes emoções tornam “A Língua das Mariposas” filme obrigatório para todos aqueles que acreditam na vida e na educação. Não percam!


Aos Professores

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• Encantamento é a palavra definidora da relação estabelecida entre Don Gregório e seus alunos (especialmente Moncho). E como se dá essa mágica? Muitos professores me perguntam quando realizo workshops e palestras de que forma conseguimos cativar nossas crianças e adolescentes. Não há fórmulas prontas. Não há “receitas de bolos”. Essencialmente o que caracteriza um trabalho que encanta os estudantes é o amor do professor pelo trabalho que realiza, pelas crianças e jovens com os quais trabalha e pelo conhecimento.

• Outro aspecto relevante do sucesso de vários profissionais que conheço se refere à sensibilidade. Saber ouvir os estudantes quando necessário. Compreender seus problemas. Dar atenção sempre que requisitado. É claro que não podemos e nem devemos abrir mão de nossas demais responsabilidades como educadores. Continuaremos a trabalhar a história, a literatura, a matemática, as ciências e todo o conhecimento que nos cabe proporcionar a nossos alunos. Temos que adicionar a isso a educação das emoções, garantida pela presença, pelo estímulo constante, pela crença na capacidade de todos nossos alunos,...

• “A Língua das Mariposas” destaca outro aspecto muito relevante para o trabalho dos educadores, a necessidade da leitura, da pesquisa, da busca do conhecimento. Isso vale tanto para nossa própria formação quanto para o aperfeiçoamento de nossos estudantes. Temos que ler para saber ler. Temos que mostrar a nossos alunos que ler e pesquisar são essenciais para nosso crescimento, para nossa maturação e melhoria individual. Temos que fazê-los perceber que ler e pesquisar são (mais que necessidades) prazeres!

• Toda e qualquer forma de repressão política, ideológica, social ou cultural representa o que há de mais vil entre os seres humanos. O patrulhamento patrocinado pelo fascismo na Espanha (e em todos os países que, infelizmente, vivenciaram regimes totalitários) fez muitas vítimas. Seus crimes? Pensavam de forma diferenciada em relação ao regime dominante. Levantamentos e pesquisas acerca da Guerra Civil Espanhola e da ditadura fascista que se estabeleceu na Espanha podem ser aprofundados com o exame da obra “Guernica” de Pablo Picasso, com a leitura do clássico “Por quem os sinos dobram” de Ernest Hemingway (que era correspondente de guerra na Espanha na época da guerra) e pela comparação desses recursos (incluindo-se aí o próprio filme “A Língua das Mariposas”) com textos didáticos e paradidáticos.

Obs.: “Por quem os sinos dobram” foi transformado num ótimo filme (produzido em 1943), dirigido por Sam Wood e estrelado por Ingrid Bergman e Gary Cooper. Apesar disso, recomendo que inicialmente se faça a leitura do livro de Ernest Hemingway para que, depois se utilize o filme.


Ficha Técnica

A Língua das Mariposas
(La Lengua de Las Mariposas)

País/Ano de produção: Espanha, 1999
Duração/Gênero:
96 min., Drama
Direção de
José Luis Cuerda
Roteiro de
Rafael Ascona, Manuel Rivas e José Luis Cuerda
Elenco:
Fernando Fernán-Gomes, Manuel Lozano, Úxia Blanco, Gonzalo Uriarte,
Aléxis de los Santos, Jésus Castejón, Guillermo Toledo.

Links

http://epipoca.uol.com.br/filmes_detalhes.php?idf=3625

http://parceiros.cineclick.com.br/cinemateca/ficha_filme.php?id_cine=10228

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João Luís de Almeida Machado
Editor do Portal Planeta Educação; Doutorando em Educação pela PUC-SP; Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP); Professor Universitário e Pesquisador; Autor do livro "Na Sala de Aula com a Sétima Arte – Aprendendo com o Cinema" (Editora Intersubjetiva).


Fonte: http://www.planetaeducacao.com.br/novo/artigo.asp?artigo=211

1 de nov. de 2008

Nenhum a Menos

Compromisso com a Educação

O professor Gao de uma escola multi-seriada de uma pequena aldeia chinesa chamada Shuiquan tem que se ausentar das aulas para cuidar de sua mãe doente. O presidente da aldeia, por falta de opção, escolhe uma garota de 13 anos chamada Wei Minzhi para substituí-lo nas atividades docentes. Tanto o professor quanto o presidente da aldeia advertem Wei que se ela deixar algum aluno abandonar a escola, deixará de receber seus honorários.

O diretor do filme, Zhang Yimou, ousou na forma de produzi-lo, pois os atores eram pessoas do próprio local, com perfil psicológico similar aos dos personagens e utilizando seus próprios nomes. A história se passa num local extremamente pobre da China, onde permanecer na escola é um grande desafio para as crianças e sua famílias, pois muitas acabam desistindo de estudar para trabalhar na cidade e ajudar na sobrevivência da família.

A instituição de ensino encontra-se numa situação precária, sem recursos, com as instalações prejudicadas por falta de investimento. Os alunos dormem na Escola juntamente com o professor. É um tipo de escola-casa em que as relações educacionais entre alunos e docente acontecem em tempo integral.

Aulas
Wei Minzhi tenta fazer-se respeitar.

A adolescente Wei é pouco mais velha que muitos dos estudantes e se vê numa situação extremamente difícil, pois pouco tinha a oferecer aos seus alunos. Iniciou suas atividades num clima de conflitos e a única coisa que sabia fazer era transcrever textos na lousa para simples cópia.

Nesse ambiente hostil, a garota atravessa situações em que os estudantes colocam a prova sua autoridade e capacidade para lidar com aquele universo complexo. A grande preocupação de Wei era receber seu salário, pois ela se encontrava praticamente na mesma situação de seus alunos. A sobrevivência era o principal, nem que para isso tivesse que usar de autoritarismo.
Para desespero da garota um dos alunos abandona a Escola e vai trabalhar na cidade. Wei percebe que não será recompensada pelos serviços prestados. Decide então trazê-lo de volta a qualquer custo. Mas a situação é tão difícil que ela não tem dinheiro nem para pagar o ônibus até a cidade. É o momento que junto com os alunos, ela começa a traçar estratégias para conseguir o dinheiro da passagem para buscar o menino evadido.

Sua relação com os alunos sofre uma transformação, pois ao discutir as necessidades do grupo para trazer de volta o colega, suas aulas se tornam mais humanas e contextualizadas. Para conseguir o dinheiro eles terão que fazer cálculos do número de dias trabalhados em uma olaria carregando tijolos. É um momento muito especial do filme em que os alunos mostram-se muito interessados em ajudar a solucionar o problema da ausência do aluno. A matemática é o recurso essencial para traçar o plano de ação do grupo e conseguir a quantia necessária para que Wei vá até a cidade. Suas aulas se tornam maravilhosas e com significado.

Espera

A personagem de Wei passa por uma renovação atitudinal ao perceber qual é o sentido de trazer de volta um estudante para a escola. Os colegas do menino também sofrem uma transformação profunda quando percebem que existe alguém que se preocupa com eles, no caso a jovem professora.

Evitar que nenhum aluno saia da escola sempre foi o objetivo de Wei, no início por egoísmo, por sobrevivência, e agora por um ideal, por convicção de que a presença do garoto na escola importa muito aos colegas e a ela própria.

O ponto alto da história acontece na cidade, com a chegada de Wei em busca do menino perdido. É um momento em que o expectador compreende o verdadeiro papel de um educador, o esforço para oferecer educação a todos a qualquer custo.

Nenhum a menos é um filme que faz o expectador pensar sobre questões sociais e suas conseqüências na formação educacional das pessoas. Propõe a reflexão sobre o motivo que leva um educador a se envolver com seus alunos e a compreender o seu papel na instituição de ensino. Faz uma crítica aos governos que pouco investem em educação.

Viagem

O filme emociona com uma história simples que no início pouco promete, mas que no decorrer envolve pela poesia e realidade colocadas frente a frente numa perspectiva humana renovadora. Este filme é uma evidência de quanto nós , professores, temos que traçar uma meta ao entrarmos dentro duma sala de aula (que nem sempre é fácil) mas, se lutarmos com toda a nossa força e amor alcançaremos nossos objetivos. E que esses objetivos inclui , em especial, desenvolver as tão esquecidas virtudes nos nossos alunos (respeito, amor, solidariedade,coleguismo,....)

Nenhum a Menos foi o segundo triunfo de Yimou, 49, em Veneza. Em 93, ele recebeu o Leão de Ouro por A História de Qiu Ju. Antes dele, apenas dois cineastas franceses, Andre Cayatte, nos anos 50, e Louis Malle, nos 80, haviam acumulado duas vitórias no festival.


Ficha Técnica

Título Original: Yige dou buneng shao
País de Origem: China
Ano: 1998/1999 (DVD)
Duração: 106min
Diretor: Zhang Yimou
Elenco: Wei Minzhi, Zhang Huike, Tian Zhenda, Gao Enman, Sun Zhimei
Distribuidora: Columbia Tristar Film.

Links

http://www.terra.com.br/cinema/drama/nenhum.htm

http://neteducacao.globo.com/site/usenet/filmespararevisao.jsp

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Abraços

Equipe NTE Itaperuna

26 de out. de 2008

O dilema da primeira infância no século XXI

Brinquedos ou Computadores?

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Imagine a cena: Uma criança de quatro anos entra num cômodo qualquer, nesse espaço ela encontra alguns brinquedos [como quebra-cabeças, jogos variados e multicoloridos, bonecas, bolas, carrinhos...], revistas em quadrinhos e livros infantis, todos amontoados no lado esquerdo dessa sala. À Direita, sozinho, numa mesa, repousa um computador com impressora conectado à Internet. Para qual lado essa criança irá pender, para os brinquedos ou para o computador?

Ficou em dúvida? Não sabe se para a criança os brinquedos serão mais atraentes que o computador? Já vivenciou uma situação como essa? O que aconteceu afinal?

Por experiência própria, como pai, professor, pesquisador, articulista e editor de um portal de educação na Internet [Planeta Educação], não teria dúvidas em assinalar a preferência da criança pelo computador. Os brinquedos e jogos, inanimados, podem até atrair a curiosidade da criança em questão caso ela tenha sido estimulada pela família a utilizar e se divertir com tais recursos em sua experiência de vida anterior, mas invariavelmente os jogos, cores, sons, recursos multimídia, o teclado, o mouse, a possibilidade de apertar botões e acionar programas, abrir janelas e variar as brincadeiras irão fazer com que o computador ganhe a disputa.

Isto me motiva - sempre que estou em contato com pais, professores e comunidade em geral, em palestras e oficinas - a orientá-los [ou aconselhá-los] a não inserir o computador na vida de nossas crianças antes dos cinco anos de idade. Foi, inclusive, o que eu e minha esposa fizemos com nossos filhos, somente permitindo que eles tivessem acesso a videogames ou computadores depois que tivessem brincado em tanques de areia, jogado bola, se divertido com jogos próprios para suas faixas etárias, desenhado e colorido muitas folhas de caderno, escutado canções e dançado ao som delas, imaginado outros mundos ao manejar carrinhos e bonecas...

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Tenham certeza, os computadores farão parte da vida de nossos filhos num futuro muito próximo. Quando ingressarem no Ensino Fundamental já estarão sendo orientados ao uso dessa ferramenta. Por esse motivo, por que antecipar essa utilização, queimar etapas da formação em que se preconiza e prevê o uso de elementos concretos [como bolas, bonecas, jogos, lápis de cor...] ou então impedir que a imaginação desses pequenos se desenvolva se a eles e com eles não contarmos histórias, cantarmos, dramatizarmos?

Costumo dizer a todas as pessoas que posso que, no futuro, não será o conhecimento e uso dos computadores que fará a diferença na vida pessoal e profissional de quem quer que seja, mas o fato destas terem experimentado e vivenciado o encontro com os brinquedos, as leituras, as músicas, os filmes... Essas crianças crescerão mais saudáveis e, certamente serão mais felizes e criativas. Quanto a aprender a lidar com os computadores, isso será facilmente logrado por elas depois, garanto a vocês!

João Luís de Almeida Machado Editor do Portal Planeta Educação; Doutorando em Educação pela PUC-SP; Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP); Professor Universitário e Pesquisador; Autor do livro "Na Sala de Aula com a Sétima Arte – Aprendendo com o Cinema" (Editora Intersubjetiva).

Fonte: http://www.planetaeducacao.com.br/novo/artigo.asp?artigo=1288

22 de out. de 2008

Respire… enquanto pode

Mickey 3D não é uma animação do Mickey. Muito menos alguma brincadeira criada para o Mickey feio. É uma banda francesa que criou uma animação para o hit de março de 2003, Respire. Dirigido por Jerôme Combe, Stéphane Hamache e André Bessy.

Uma história bem bonitinha, mas que ao mesmo tempo serve como uma denúncia do que estamos fazendo com o meio ambiente, levando-o para sua destruição. Além disso. se você for reparar nas cenas, vai achar que já a viu antes. Isso porque o videoclipe se utiliza de diversas cenas “padrões” de filmes e outros desenhos animados. Mas tudo isso tem um motivo, assista até o final e descubra…

Dica do João Bernardo.

Envie também sua dica de animação para o email@smellycat.com.br




Fonte: http://smellycat.com.br/2008/10/17/respire-enquanto-pode/

17 de out. de 2008

Mundos paralelos: tecnologia e educação



O incrível vídeo acima, da banda Radiohead intitulado All I Need que eu assisti no blog do meu amigo José Antônio Klaes Roig, editor do Letra Viva do Roig pela primeira vez ontem é uma paulada.

É simplesmente visceral o videoclipe. O vídeo que mostra a vida de duas crianças e seus mundos paralelos, tão diferentes, tão opostos. Como o José Roig cita é "um vídeo para refletir sobre a vida e os dois mundos distantes que existem no planeta Terra: dos que consomem e dos que são consumidos...

Hoje todos nós, ao nascermos estamos sujeitos a viver em um desses mundos, dependendo do lar que nos acolha, do poder aquisitivo dos pais que nos geram ou nos criam... Podemos ser o menino loiro ou o oriental, dependendo da roleta-russa que é nascer no Terceiro Planeta deste sistema solar - uma pequena bola de gude azul no céu tão escuro...

A letra, a música e as imagens são fantásticas, para serem vistas e revestidas. Penso, logo existo; penso logo insisto... Penso, logo resisto!

Hoje, existem dois mundos paralelos também no que tange a tecnologia: os que possuem condições de uso dos multimeios (computador e internet, principalmente) e os que são considerados "analfabetos digitais". Há ainda muitas pessoas, em analogia com o livro, que sabem ler mas não sabem interpretar um texto; ou sabem usar um computador e internet, mas não conseguem dar a eles um significado e uma significância educacional - inclusive muitos professores. Para isso, tentar mudar essa visão, é que existe a tecnologia educacional. Mostrar como "podemos humanizar a máquina e não robotizar as pessoas".
"

Hoje há claramente a questão dos dois mundos que existem atualmente: o tecnológico e o sem a tecnologia. Hoje, o celular, a TV a cabo, internet se incorporaram na vida cotidiana de muitos, enquanto que para milhares e milhões de pessoas, isso é um mundo distante e desconhecido.

Em outra parte da postagem do José Roig, ele cita que há "também dois mundos paralelos: o de cursista (aluno) e o de multiplicador (professor). O que me faz ter sempre essa visão abrangente das coisas é justamente conviver periodicamente entre dois mundos, me colocando na posição do outro, para a partir dessas observações, trazer as visões de cada mundo para o seu paralelo, e isso me auxilia e muito na minha prática pedagógica e vida. Sou um eterno aprendiz. Quem dera todos os professores, vez em quando reciclassem não apenas o lixo, mas também algumas idéias e ideais descartados pela vida, procurando ser aluno novamente, e/ou colocar-se na posição de aluno, avaliando e se auto-avaliando inclusive. Eu faço isso, dia sim, dia também, e isso me ajuda e muito a superar desafios, obstáculos e estabelecer parcerias com professores e alunos: dois mundos paralelos que precisam se aproximar mais e mais sempre, pois ambos têm na esocla a sua intersecção..."

O título da postagem é referencia a postagem original do José Roig, editor do Letra Viva do Roig intitulada Mundos paralelos: tecnologia e educação que eu recomendo a leitura na integra.

Abaixo a letra traduzida da musica do vídeoclip.

Tudo Que Necessito


Eu sou o ato seguinte
Esperando nas asas
Eu sou um animal
Prendido em seu carro quente
Eu sou todos os dias
Que você escolhe ignorar

Você é tudo que eu necessito
Você é tudo que eu necessito
Eu estou no meio de seu retrato
Deitado na grama

Eu sou uma mariposa
Quem quer apenas compartilhar de sua luz
Eu sou apenas um inseto
Tentando sair da noite

Eu só fico com você
Porque não há nenhuma outra

Você é tudo que eu necessito
Você é tudo que eu necessito
Eu estou no meio de seu retrato
Deitado na grama

Está tudo errado
Está tudo certo
Está tudo errado


Abraços

Equipe NTE Itaperuna

Fonte: http://www.lyricstime.com/radiohead-all-i-need-tradu-o-lyrics.html e Letra Viva do Roig

12 de out. de 2008

Carta aos Adultos


1. As minhas mãos são pequenas: por favor não esperem a perfeição ao fazer a cama, desenhar, atirar e agarrar uma bola.As minhas pernas são pequenas: por favor abrandem para eu vos poder acompanhar.


2. Preciso de encorajamento para crescer. Por favor sejam brandos nas vossas críticas. Lembrem-se: podem criticar o que faço sem me criticarem a mim.


3. Os meus olhos não vêem o mundo do mesmo modo que os vossos. Por favor deixem-me explorá-lo em segurança. Não me impeçam de o fazer sem necessidade.


4. Os meus sentimentos ainda estão tenros. Não impliquem comigo o tempo todo. Tratem-me como desejariam ser tratados.


5. As tarefas domésticas estão sempre a precisar de ser feitas. Só sou pequeno por pouco tempo. Por favor percam tempo a explicar-me as coisas deste fantástico mundo em que vivemos e façam-no de boa vontade.


6. Por favor não vão "fazer por cima" tudo o que eu faço. Isso dá-me a ideia de que os meus esforços nunca alcançam as vossas expectativas.Sei que é difícil, mas não me comparem a outras crianças.


7. A minha existência é uma dádiva. Cuidem de mim como é esperado, responsabilizando-me pelas minhas acções, dando-me linhas de orientação e disciplinem-me de um modo afectuoso.


8. Por favor não tenham medo de ir passar fora um fim-de-semana. Os filhos precisam de férias dos pais como os pais precisam de férias dos filhos. É uma bela maneira de mostrarem como a vossa relação é especial.


9. Por favor dêem-me a liberdade para tomar decisões que me dizem respeito. Deixem-me falhar, para que eu possa aprender com os meus erros. Assim, um dia estarei preparado para tomar as decisões que a vida me exigirá.


10. Por favor dêem-me todas as oportunidades para eu aprender e bons exemplos para eu seguir. Assim poderei tornar-me numa pessoa verdadeira, recta e humana.

Ou Isto ou Aquilo


Ou Isto ou Aquilo
Cecília Meireles


Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

Você criança


Lauro Kisielewicz

Você criança,
que vive a correr,
é a promessa
que vai acontecer...
é a esperança
do que poderíamos ser...
é a inocência
que deveríamos ter...

Você criança, de qualquer idade,
vivendo entre o sonho e a realidade
espargem pelas ruas da cidade,
suas lições de amor e de simplicidade!

Criança que brinca,
corre, pula e grita
mostra ao mundo,
como se deve viver
cada momento, feliz,
como quem acredita
em um mundo melhor
que ainda vai haver!

Você é como uma raio de luz
a iluminar os nossos caminhos,
assemelhando-se ao Menino Jesus,
encanta-nos com todo teu carinho!

Você é a criança,
que um dia vai crescer!
É a promessa,
que vai se realizar!
É a esperança
da humanidade se entender!
É a realidade
que o adulto precisa ver...
e também aprender a ser...

Ser criança


Sandra Mamede

Ser criança
Não é somente ter pouca idade
E sim esquecer a idade física
A nossa verdadeira idade está na mente
É o que se sente.

Ser criança
É perseguir a felicidade
Sem se importar com a idade.

É esquecer um pouco das responsabilidades
Sem contudo ser irresponsável.

É viver intensamente o presente
Não viver condicionado ao futuro
Nem ruminando o passado

É amar intensamente
E viver essa paixão sem precedentes

É sempre sorrir
Sempre estar aberto para o novo

Ser criança
É nascer de novo a cada dia...

Saiba como surgiu o Dia das Crianças

Dia das Crianças no Brasil

A criação do Dia das Crianças no Brasil foi sugerido pelo deputado federal Galdino do Valle Filho na década de 1920.

Arthur Bernardes, então presidente do Brasil, aprovou por meio do decreto de nº 4867, no dia 5 de novembro de 1924, a data de 12 de outubro como o dia dos pequenos.

O Dia das Crianças só passou a ser comemorado mesmo em 1960, quando a fábrica de brinquedos Estrela fez uma promoção junto com a empresa Johnson & Johnson para lançar a "Semana do Bebê Robusto" e aumentar suas vendas.

A idéia das duas empresas deram tão certo que outros comerciantes resolveram adotar a mesma estratégia. E assim, dia 12 de outubro é dia de criança ganhar presente!

Dia das Crianças no Mundo
Muitos países comemoram o Dia das Crianças em outros dias do ano. Na Índia, é em 15 de novembro. Em Portugal e Moçambique, a comemoração acontece no dia 1º de junho. Na China e no Japão, a comemoração acontece em 5 de maio.

Dia Universal da Criança
A Organização das Nações Unidas, também conhecida como ONU, comemora o dia de todas as crianças do mundo em 20 de novembro. Foi nessa data que os países aprovaram a Declaração dos Direitos das Crianças.

Fonte: http://www.terra.com.br/criancas/diadascriancas2004/comosurgiu.htm

10 de out. de 2008

Manifesto em Favor da Infância

“Quando eu voltar a ser criança”

Cavalinho-e-boneca-de-brinquedos

Há algum tempo temos vivido um fenômeno que se não for devidamente estudado e analisado pode, verdadeiramente, causar resultados nefastos para a infância no Brasil e no Mundo. A infância e a adolescência têm sido “queimadas” como etapas naturais vividas por todo e qualquer ser humano em favor de processos de maturação precoces. As crianças abandonaram as brincadeiras e passaram a se espelhar de forma totalmente prematura no cotidiano dos adultos que as rodeiam.

Não se brinca mais de carrinhos e de bonecas, não se joga mais bola ou pula-se amarelinha como fazíamos nos anos 1960 ou 1970. É certo que os brinquedos se modernizaram e que videogames ou computadores roubaram a cena, também é perceptível a força dos telefones celulares como novos fetiches da garotada, ansiosos por despertar junto a seus pares algum respeito e admiração.

O que não é admissível é a perda de tempo fundamental, de grande valor para a própria estruturação psíquica dos indivíduos, caracterizado pelas brincadeiras, pelos jogos, pelo companheirismo da infância e mesmo pela pureza e ingenuidade típicas de quem tem entre 7 e 12 anos de idade ou, um pouco além, daqueles que estão enfrentando a puberdade e todos os dramas relacionados a ela (e já sofrem antecipadamente em função do mercado de trabalho, do stress dos vestibulares, da pressão dos pais e da sociedade por resultados expressivos,...).

Por esse motivo, gostaria de aproveitar o espaço para lançar um manifesto em favor da infância (posteriormente pensarei em termos apropriados para a adolescência, essa fase tão especial e tão carente de “advogados de defesa”). A esse respeito abro mão de um editorial mais crítico e analítico em favor de um texto um pouco mais poético e engajado. Para tanto, faço uma singela lista de direitos básicos da infância:

Desenho-de-crianças-brincando

- Brincar é o mais sagrado de todos os direitos de qualquer criança do mundo. Espalhar peças de quebra-cabeças pelo chão da sala, chutar bola pelo jardim, montar casinhas imaginárias, brincar de escolinha com os amigos da vizinhança, subir nas árvores do bairro para se esconder ou catar frutas, empinar pipas, jogar videogame,... Tudo isso faz parte de uma infância inesquecível, daquelas que ninguém consegue apagar da memória, do tipo que abastece de felicidade qualquer infante e, de quebra, toda a família.

- Criar amigos e reinos imaginários onde o artista principal é a criança. Quem já não teve a feliz oportunidade de imaginar e dessa feliz ação fazer surgirem desenhos, pinturas, cartinhas e histórias incríveis que serão relembradas por anos e anos pelos pais e irmãos mais velhos? A criatividade que tanto queremos que nossos filhos ou alunos tenham quando chegarem a maturidade é despertada nessa fase, nesse estágio de desenvolvimento. Nem o melhor curso do mundo consegue tirar atrasos nesse quesito.

- Fazer amizades livremente (sem qualquer obstáculo criado pelos adultos). As crianças têm uma capacidade verdadeiramente maravilhosa de estabelecer contato e relações com outras crianças sem se importar com pormenores como situação sócio-econômica, raça, sexualidade, religião ou qualquer outro diferencial. Isso significa, na prática, que quem dificulta os intercâmbios são os adultos...

Mamãe-e-bebê

- Receber e dar afeto. Perdemos a cada dia a nossa capacidade de manifestar sentimentos e emoções, temos que reaprender essa possibilidade a partir de quem ainda carrega no coração os sentimentos desinteressados e puros, as crianças. Tantas e tantas vezes vejo situações em que os pais ou educadores deixam de estender a mão, de fazer um afago ou mesmo de confortar as crianças, deseducando-as, tornando-as frias e distantes, aumentando a indiferença que existe no mundo...

- Experimentar o mundo ao seu redor. A quantidade de oportunidades que existem ao redor de uma criança tende a estimular seus sentidos, alimentar suas esperanças, sedimentar seus conhecimentos. A única alternativa viável para que uma criança se sinta como um autêntico passageiro da nave-mãe que é o nosso planeta advém da possibilidade de explorar o que existe, desvendar o desconhecido, ultrapassar barreiras (especialmente aquelas que nós mesmos criamos para elas).

- Ler, assistir filmes e desenhos animados, se divertir com histórias em quadrinhos ou palavras cruzadas, ir ao teatro infantil, dançar e cantar, ou ainda, pintar quadros e esculpir. Ter acesso ao mundo da cultura, visitar bibliotecas ou exposições artísticas, ir a laboratórios e centros de pesquisa que estimulem a paixão pelas ciências e pelo conhecimento. Toda criança deveria ser incentivada a amar a produção cultural humana desde muito cedo.

Crianças-nadando

- Praticar esportes. Jogar vôlei, futebol e basquete. Aprender a nadar ou jogar xadrez. Correr, pular, saltar, andar de bicicleta. Há tantas possibilidades e, em todas elas, muita energia e saúde. Esporte deveria ser política pública prioritária, evitaria muitos e muitos problemas...

- Se alimentar com equilíbrio e sabor. Comer frutas e verduras. Dar cálcio ao corpo a partir do leite e dos derivados. Usufruir com moderação de alguns doces e carboidratos. De vez em quando comer alguns cachorros-quentes e hambúrgueres com batatas fritas e refrigerantes por que ninguém é de ferro e, pelo que se sabe, se não forem consumidos em excesso, não causam grandes males.

- Estudar e ir a escola também são direitos fundamentais de qualquer criança, ainda mais em um país como o nosso, onde há tantos menores sendo explorados pelas ruas das metrópoles ou em minas e plantações. Agora, faz-se primordial que essa educação seja qualificada e, acima de tudo, interessante e instigante. As crianças não gostam da escola quando essa é repetitiva e fútil, sem graça e sem sabor. Se incentivadas, essas mesmas crianças podem construir seu conhecimento e dar um novo rumo para suas vidas e mesmo para a de seus mestres.

- Para finalizar, diria que todas as crianças devem ter direito a felicidade. Esse último direito é prerrogativa essencial de todos os seres humanos e das crianças em particular. A realização do mesmo passa pelo respeito a sua integridade física, moral e emocional. A consecução da felicidade trafega por todos os direitos citados anteriormente, se consolida com uma estrutura familiar que dê suporte integral e vira realidade plena com a consciência por parte da sociedade quanto à importância e o valor da infância na vida de cada ser humano...

Obs.: Utilizo como subtítulo (“Quando eu voltar a ser criança”) o título de uma obra de referência para quem se importa com a infância e com a educação, da autoria de Janus Korczak.

João Luís de Almeida Machado Editor do Portal Planeta Educação; Doutorando em Educação pela PUC-SP; Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP); Professor Universitário e Pesquisador; Autor do livro "Na Sala de Aula com a Sétima Arte – Aprendendo com o Cinema" (Editora Intersubjetiva).

Fonte: http://www.planetaeducacao.com.br/novo/artigo.asp?artigo=263