22 de nov de 2008

Eu, Christiane F., drogada, prostituída,...

No inferno das drogas

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Quando o livro foi lançado, na década de 1980, ainda adolescente tive a oportunidade de ler em primeira mão. Tratava-se de um depoimento forte, marcante, digno de ser lido apesar de toda a crueza da vida daqueles jovens alemães e de seu envolvimento com drogas pesadas. Fiquei assustado e, apesar de não ter me envolvido com cocaína, maconha e outros entorpecentes (até por conta de minhas atividades esportivas, que me garantiram uma vida das mais saudáveis), passei a abominar ainda mais qualquer tipo de droga.

Todos os anos vemos campanhas e mais campanhas que tentam afastar os jovens (principalmente) do uso de drogas. No geral elas são pouco efetivas e, não garantem uma real diminuição no número de usuários. Recentemente, em virtude de uma campanha veiculada através de uma novela da Rede Globo, tivemos informações de um expressivo crescimento na procura por tratamento verificou-se em várias instituições de todos os estados do país. O tratamento dado ao tema nessa novela foi de choque, com cenas fortes mobilizando alguns dos personagens e, sendo intercaladas com depoimentos emocionados e assustadores de usuários e familiares de drogados.

Tanto o livro quanto o filme "Eu, Christiane F., drogada, prostituída,..." tem como grandes atributos o fato de trabalharem de uma forma semelhante a da produção global. Examinando o universo das drogas de quem transitou pelas bocas onde se encontrava qualquer tipo de entorpecente, de quem utilizou-se de cigarros de maconha (os tais tapinhas que não doem, mas que causam consequências perigosas para o organismo) ou cheirou cocaína, de pessoas que injetaram drogas em seus corpos ou que se venderam nas ruas para obter recursos e comprar a maldição em forma de ácidos lisérgicos, heroína ou cocaína.

Das dificuldades vividas dentro de casa ao contato com as drogas, da escola para as ruas de Berlim, de um quarto fétido a banheiros imundos de locais públicos. Todo esse itinerário vivido pela adolescente Christiane é apresentado de forma nua e crua, seja na obra literária, seja no filme. As sequências descritas no papel, em que ela tenta traduzir as sensações de seu corpo ao entrar em contato com os entorpecentes ou os momentos em que estava se drogando, são capazes de nos enojar e, ao mesmo tempo, nos despertam um grande questionamento, relativo a nossa incapacidade de compreender o que move um ser humano a fazer isso consigo mesmo.

Dos cenários deprimentes aos momentos de dor e sofrimento com as crises de abstinência sofridas pelas pessoas, do emagrecimento (e consequente infecção por doenças) a morte dos jovens, da perda da auto-estima ao fundo do poço da prostituição, nada parece escapar da narrativa de Christiane e das lentes do diretor alemão Ulrich Edel.

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Fica então a dúvida, o que fazer? Como ajudar nossos jovens a escapar dessa jornada sem volta? Que caminhos seguir para evitar o sofrimento das famílias? A dependência pode ser revertida posteriormente? Que seqüelas podem surgir do consumo dessas drogas? Que reações elas provocam no organismo?

São dúvidas que os pais, professores e interessados em geral costumam ter e que, muitas vezes não conseguem responder. Uma das constatações a que podemos chegar, ao entrar em contato com um filme como "Christiane F" é que, apresentar os fatos, da forma como os conhecemos, sem maiores delongas ou firulas, para os jovens pode auxiliar. As consequências nefastas para a vida de cada um deles, visualizada na figura de pessoas como Christiane ou Detlef, pode assustá-los, amedrontá-los e, dessa forma, afastá-los das drogas.

O problema é que, com o passar dos anos, o número de jovens envolvidos não diminuiu. Há uma série de outros problemas que contribuem para isso, como a falta de perspectivas futuras, a ausência de diálogo e compreensão em casa, o imobilismo dos educadores e campanhas bem intencionadas porém pouco efetivas. Some-se a isso a falta de informação e a quantidade de dinheiro envolvida no tráfico e começamos a entender os motivos da proliferação das drogas. O primeiro caminho é buscar a informação e, de preferência, acompanhado de seus filhos!

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Obs.: Como o filme aborda uma temática forte, ele não é aconselhável para crianças ou adolescentes desacompanhados de seus pais. Sugiro que respeite-se uma idade mínima de 15 ou 16 anos para assistir esse filme.

Ficha Técnica

Eu, Christiane F., drogada, prostituída,...

País/Ano de produção: Alemanha, 1981
Duração/Gênero: 123 min., Drama
Disponível:- VHS e DVD
Direção de Ulrich Edel
Roteiro de Hermann Weigel
Elenco: Thomas Haustein, Natja Brunckhors, Jens Kuphal, Christiane Reichelt.

Link
- http://us.imdb.com/Title?0082176 (em inglês)

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João Luís de Almeida Machado Editor do Portal Planeta Educação; Doutorando em Educação pela PUC-SP; Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP); Professor Universitário e Pesquisador; Autor do livro "Na Sala de Aula com a Sétima Arte – Aprendendo com o Cinema" (Editora Intersubjetiva).

Fonte: http://www.planetaeducacao.com.br/novo/artigo.asp?artigo=31

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