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22 de abr. de 2009

Escola de vidro

Olá Amigos

Esse conto abaixo foi uma indicação da minha amiga Suely professora e editora do blog Ufa! Bloguei! lá de Uruguaiana - RS. Ela fez uma postagem imperdível intitulada Escolas de Vidro? falando sobre esse conto da Ruth Rocha abaixo.

Como sempre a Ruth Rocha é fantástica na elaboração dos seus contos, mas ela se superou neste. Não sei se ele vem de encontro ao que estamos debatendo por aqui, mas que é pertinente ah isso ele é. Estamos vivendo como no conto da Ruth Rocha, em nossas escolas de vidro e que precisamos urgentemente do Firuli, um menino pobre, para quem não há vidro que o impeça de ser quem ele é.

Espero que o prazer da leitura eleve ainda mais a discussão. Não deixem de ler as postagem da Jenny Horta, do Sergio Lima, da Elisângela Zampieri . Estou esperando o retorno de mais postagens para indicarmos aqui.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

29 de jan. de 2009

Voltamos

Olá Amigos

Chegou ao fim o descanso desse editor depois da maratona Campus Party e do Prêmio Best Blogs Brasil 2008. Aproveitamos para uma parada merecida após uma correria danada atrás de votos.

Escrevi vários post falando sobre o Campus Party e o Best Blogs Brasil 2008, vou colocando devagar para não ficar muito repetitivo e cansativo. A postagem abaixo fala da magia da noite da chegada e da premiação no Campus Party. Uma noite realmente mágica e inesquecível.

A todos que vieram nos visitar neste período de recesso e não havia nada de novo minhas sinceras desculpas e prometemos um ano repleto de coisas novas aqui no nosso Caldeirão de Ideias.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

Uma noite mágica

Ola amigos

Ontem foi realmente uma noite mágica, não apenas por estar recebendo o Prêmio Best Blogs Brasil 2008 na categoria Corporativo no qual o Caldeirão de Idéias foi vencedor, mas estar num evento da magnitude do Campus Party.

Falar da dimensão do local com suas 4 mil barracas, do seu pavilhão liberado aos visitantes onde as empresas com seus estandes, tentavam mostrar ao público uma pequena ponta do iceberg tecnológico que estava no por trás do portal que dividia a feira em duas: um mundo que existe e um que ainda vai existir.

A quantidade de inovações, projetos, conceitos e sonhos expostos lá dentro era algo inesquecível. Tive a oportunidade de fazer 6 oficinas, participar de um debate sobre liberdade da internet e do que circula nela (propriedade intelectual), ver que a geração que esta chegando gosta de meter a mão na massa e construir o futuro.

Ver robôs duelando, sendo montados e programados bem na sua frente mostra que nem tudo esta perdido na educação brasileira. A quantidade de jovens que se divertia e aprendia um com os outros, como alias deve ser o modelo de educação, era fantástico e animador em todos os sentidos.

Os games tão criticados pelos conservadores e alarmistas estavam por toda parte, não apenas divertindo, mas também ensinando. Os tão contestados games serão um aliado forte da educação. Hoje em dia os programadores de jogos educativos deixam de lado um aliado importante do aprendizado: a diversão. Quem separar a diversão do conteúdo educativo ou não incluí-la estará fadado ao fracasso como ferramenta educacional.

Quando vi eles escrevendo jogos online e interativos me lembrei do meu amigo Zé Roig editor do blog Letra Viva do Roig, e a sua oficina de Kilk and Play. Ele relatava que as crianças construíam seus jogos seguindo a lógica da diversão e com isso traçavam objetivos e metas a serem alcançados no jogo. Isso é vida estudar, planejar e construir. Os games ensinam conceitos que os alunos vão usar a vida inteira. Nos games eles aprendem que devem seguir regras e respeita-las, planejar e traçar objetivos, lutar para conseguir o planejado e construir seus sonhos e com isso eles aprendem conceitos que vão levam vida afora.

Agora uma coisa que não há nada que pague são os contatos que fazemos nesses lugares. Trocar informações, conhecimentos com pessoas especialistas em suas áreas é realmente impagável. Tiver a oportunidade de estreitar amizade com amigos que só conhecia virtualmente e agora fazem parte do rol dos amigos “reais” e que possibilitou o aceno de uma parceria conjunta num projeto interessantíssimo.

O prêmio em si foi importante demais, não só para mim, mas para toda educação do Estado do Rio de Janeiro, onde a equipe da Coordenação de Tecnologia Educacional desenvolve um trabalho fantástico, onde as equipes de NTEs e de PTEs mostram toda a força de união e comprometimento de nossa equipe.

Essa integração pode ser vista no Campus Party durante a premiação por todos que estavam presentes. A contagiante alegria da nossa equipe que estava lá, foi brilhantemente representada por Antônio Carlos Silva De Carvalho, Valéria Calvo, Rosângela Pinheiro, Beatriz Pinheiro e Luiza Helena e este humilde editor. Nossa alegria foi comentada por todos e também foi elogiado a quantidade de professores de um mesmo estado reunidos num evento de tal magnitude.

A minha fantástica equipe do NTE de Itaperuna que me apoiou e possibilitou a minha ida ao evento, a direção do CE 10 de Maio com o empenho e competência que lhe são peculiar e a CDTE da minha queridíssima Yolanda Franco e sua competência e alegria contagiante e sua equipe o meu eterno muito obrigado. Mas gostaria de contar uma historia que se passou lá pelos anos 70 com esse editor que mudou a minha vida inteira e me fez ser o que sou hoje: um sonhador.

Um dia na minha sala, apois uma discussão iniciada por causa do vestibular, um professor de física (Dalton) me disse:

-Você pode!

Eu repondi que não podia e ele me perguntou:

-Por que não?

Retruquei:

-Mas eu nunca sonhei com isso.

Então ele me respondeu:

- Então sonhe! Menino, só existe lugar para quem sonha, para quem acredita e que faz acontecer.

Então amigos isso mudou a minha vida e eu venho sonhando, acreditando e fazendo acontecer todos os dias.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

21 de dez. de 2008

O capital quer uma nova escola. A atual já não serve

A escola que teve o incentivo dos poderes hegemônicos da sociedade e serviu muito bem a eles durante anos, conforme protestou Paulo Freire, agora dá uma guinada. Os interesses do capital estão mudando.

Por Carlos Nepomuceno

Estive lá no Descolagem #3. Vários blogueiros bateram post. Destaco os do Frederick e do Sergio Lima com textos, fotos e vídeos.

Os palestrantes eram evangelistas. No Wikipedia em português ainda não tem uma definição para o termo. Trata-se da pessoa que incentiva os outros com novas idéias. (Se me lembrar ou alguém puder dar uma arrumada por lá, seria bom.)

Do blog do Sergio Lima tiro os seguintes trechos da palestra da Diretora Pedagógica da Escola Parque Patrícia Konder.

Palestra

(A foto tirei do blog dele.)

Ela diz, “A tecnologia determina, de certo modo, como a sociedade se organiza, mas a Escola ainda é quase a mesma nos últimos 200 anos. A Escola precisa mudar paradigmas, mas isto é muito complicado porque é necessário romper com nossas referências. É dificil, mas é preciso começar do zero”.

Ela defendeu, ainda usando o blog do Sérgio como referência:(…), redesenhar a “geografia da escola”! Nova organização dos alunos (não necessariamente por idade)… organizar os alunos por problemas! (…) espaço para se aprender a problematizar, pensar e resolver problemas (relevantes e significativos)! (…).

Fim.

O que fiquei a pensar sobre essa discussão. Se a escola está aí há 200 anos, perguntaria o professor, por que não vai ficar mais 200 anos do mesmo jeito?

Talvez esta seja uma questão central, pois se tudo nunca mudou por que haveria de mudar “justamente agora que eu estou aqui?”

Tenho percebido nos lugares que vou, que a dimensão das mudanças pelas quais passamos não está suficientemente clara. Tivemos mudanças iguais a essa atual poucas vezes na história!

Quando começamos a escrever e passamos do modo interativo - um-um para um-muitos; quando passamos a publicar livros e jornais - quando expandimos tremendamente o um-muitos, seguido, bem depois pelo rádio e televisão. E agora, com a possibilidade do muitos para muitos.

Leiam Cibercultura do Lévy. Ou o primeiro capítulo do meu livro e do Marcos.

Mudamos nessas rupturas a maneira pela qual produzimos informação, nos comunicamos em escala maior e, portanto, na forma de obter conhecimento.

Concordando e reafirmando o que disse a palestrante: “A tecnologia determina, de certo modo, como a sociedade se organiza”…complemento: ainda mais as ligadas ao conhecimento, que mudam profundamente a sociedade e esta se adapta ao novo modelo.

Note que a escola sempre foi um replicador do status quo.

Servia bem ao sistema, da fase industrial, na qual o aluno deveria sair para apertar parafuso e não pensar.

Ou seja, quem defendia o contrário, queria modificar o sistema.

A grande mudança de paradigma é de que o novo ambiente de conhecimento - no atual modelo de troca de informação cada vez mais rápida - ganha dinheiro em torno das idéias, criatividade e inovação.

A escola que serviu e teve o incentivo dos poderes hegemônicos da sociedade e serviu muito bem a eles durante anos, conforme protestou Paulo Freire, agora dá uma guinada, pois os interesses do capital estão mudando.

Não se quer mais apertadores de botão, mas pensadores.

E justamente por causa disso que a Escola que já era obsoleta vai bater de frente com a demanda das empresas e do mercado de trabalho.

Ou dito de outra forma: do jeito que está, não serve mais aos interesses de ninguém, principalmente do capital cada vez mais intelectual e menos industrial.

Isso vai acontecer de forma gradual e lenta, pois é uma instituição antiga, mas o processo já se iniciou.

Um aluno formado sem criatividade está sendo educado para o século passado e terá dificuldade em se colocar na indústria criativa do século XXI. Vai ser o aluno bumerangue: baterá no mercado de trabalho e voltará para um curso de criatividade na esquina.

Basta ver o ambiente de trabalho hoje do Google e da Microsoft.

Ali, está não só o germe da nova escola, mas das novas empresas, na qual a criatividade é o ar que se respira.

E me parece esse um grande incentivo para que os professores possam parar um pouco para pensar, a despeito dos 200 anos de não-mudança.

Não mudou, mas agora tende a mudar.

O ambiente de conhecimento é outro, repito, o capital que vale agora é a massa cinzenta, para produzir bens intangíveis.

Novas regras, novo jogo.

Assim, do que fica do papo do sábado chuvoso, se a escola muda, mudam as empresas, como muda a sociedade.

Moral do post: a escola vai mudar, não só por que já está velha e caquética, desde que eu me sentei por lá, mas será outra, pois o sistema, agora quer e vai criar fortes demandas para isso.

As escolas inovadoras serão procuradas pelo mercado e incentivadas a se proliferarem.

É o início neo-Paulo Freirismo, revisitado.

O debate da Descolagem foi show, estarei lá nos próximos…

Anotem: o lugar vai ficar pequeno. Alguns pontos que ficam para outras descolagens…ou as questões que ainda me inquietam sobre tudo isso.

Como será esse novo trabalhador do conhecimento diante das injustiças corporativas? Até quando ele terá que pensar e com terá que se conformar? Será ainda empregado ou acionista? Empreendedor ou empreendido?

Que me dizes…

Fonte: http://webinsider.uol.com.br/index.php/2008/11/26/o-capital-quer-uma-nova-escola-a-atual-ja-nao-serve/