23 de nov de 2008

Tecnologia Educacional Humana

Escrito por Sérgio Marcelo

ImageMuito se ouve a respeito das tecnologias educacionais. No entanto a maior tecnologia educacional já existe há muitos anos - o ser humano. Com isso afirmo que as tecnologias educacionais são subservientes aos interesses de cada um.

Cabe ao educador, pessoa interessada e habilitada no ensino do próximo, capacitar-se. Eis o grande “Bug” do milênio. O século XXI chegou para alguns poucos educadores. Então paramos para refletir: em que reside o problema afinal?

“O sistema não funciona! Nunca funciona! É complexo demais...” As reclamações não param por aí, e continuamos a empurrar com a barriga esperando que as tecnologias educacionais, sem o nosso domínio ou consenso, se convertam em tradutores de pensamentos com ação própria para a execução das atividades educacionais afins.

A práxis do educador já não é mais mesma, aliás, nunca foi. O processo evolutivo humano, capacidade própria de aprender e de desenvolver de cada indivíduo, é um processo interno, tal qual a motivação para ensinar. Transpõe o mundo pessoal do professor antes de chegar até o real dos que assim se predispõe a aprender.

Tecnologia Educacional Humana é uma competência imprescindível para o educador que não têm mais a tutela do ensino. O conhecimento é universal. Esta em todos os lugares, e possui muitas direções.

É chegado o momento de entendermos o verdadeiro sentido da tecnologia educacional. Ela é subserviente aos interesses humanos. Suas afinidades com esses interesses são incessantes e tornam-se, a cada dia, o maior apoiador do processo de ensino e aprendizagem.

Trata-se de um aperfeiçoamento contínuo, que evolui ao passo que nosso conhecimento nas tecnologias também. Alguns termos como usabilidade, navegabilidade, convergência, qualidade entre outros fazem parte desse processo. Não são somente as funcionalidades das tecnologias que as tornam usáveis.

Essa evolução é assustadora. Sim, também fico assustado com o enorme avanço das tecnologias. Mas, por favor, não se deixe enganar pelas propagandas subliminares da “Última Tecnologia” tal qual o esteticismo ou a videotice e suas finalidades comerciais nada implícitas.

Não é a escolha da melhor tecnologia, se física ou lógica, que irá nos deixar confiante quanto ao seu uso. A maior escolha é a nossa escolha. É dela que se depende. Pode-se interagir com ela, e de todas as formas possíveis, estaremos interagindo com nós mesmos.

Já ouviram falar do processo de aprendizagem homem-máquina? Pois bem, explico. Enquanto para uns isso é quase uma robotização, ou mesmo nossa subserviência à máquina e seu sistema, para outros, e na grande maioria, é um processo de auto-reflexão.

Experimente sentar em frente ao computador e realizar uma pesquisa na internet, ou mesmo em um curso online. O processo de interiorização é muito grande, principalmente quando se interage nas comunidades virtuais de aprendizagem, pois ora se é professor, ora se é aluno, o que leva a um processo contínuo de ensino e de aprendizagem.

Isso parece reflexivo? Tome como referência educacional aquela de uns 5 ou 10 anos atrás. As pessoas buscavam no professor o conhecimento que precisavam. Os educadores tinham a grande responsabilidade de ensinar para o bem-comum, servindo a todos os gostos e aptidões. O professor era o único centro do processo educacional.

E, deixamos de ser a referência? Não, aquela velha busca ainda existe. No entanto, a humanidade em seu todo, enfrenta a maior mudança de paradigmas de todos os tempos. Nossos pais, avós, bisavós, tataravós - até os dinossauros - sem nenhuma analogia, deixaram-nos de herança essa referência educacional - imprevisíveis quanto as novas metodologias e tecnologias educacionais hoje existentes.

Podemos sair em alto mar, e passearmos pelos quatro cantos do mundo. A globalização é um convite aberto em cada porto, e a informação sopra para todos os lados tal qual o vento. Dizer que o barco deve ficar ancorado, parado no tempo, é retrógrado.

Somos inseridos em novo processo educativo mediado pelas tecnologias. Navegamos em um mar de informações muitas das quais sem precedentes, e corremos o sério risco de virarmos naúfragos. É nesse exato momento que surgem as tecnologias educacionais humanas, e seu comandante maior – o professor.

Tecnologia Educacional Humana não se trata da melhor escolha tecnológica e sim do interesse do profissional-educador em desenvolver-se, assim como sua práxis educativa, exercendo a função de facilitador no processo de ensino e de aprendizagem.

Qualquer que seja a tecnologia encontrará sempre o potencial que existe dentro de si mesmo, pois disso dependem muitos outros aspirantes ao conhecimento.

Fonte: http://www.college.com.br/index.php/Colunistas/Colunistas/Tecnologia-Educacional-Humana.html

2 comentários:

Tati Martins disse...

Oi, Robson!
Excelente esse texto. Queria destacar o penúltimo parágrafo: "Tecnologia Educacional Humana não se trata da melhor escolha tecnológica e sim do interesse do profissional-educador em desenvolver-se, assim como sua práxis educativa, exercendo a função de facilitador no processo de ensino e de aprendizagem."

É isso que precisamos. Professores que busquem a renovação de si mesmos e de suas práticas.

Beijinhos

Robson Freire disse...

Olá Tati

Aqui no cabeçalho do blog tem uma citação do meu amigão José Roig do Letra Viva do Roig que eu acho que completa o que você selecionou.

"Modernas devem ser as idéias e suas práticas libertárias e emancipadoras, e não apenas os equipamentos e máquinas controladores de tudo e de todos..."

Estamos precisando de idéias e praticas modernas para que possa facilitar a expansão tecnológica.

Abraços