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22 de ago. de 2009

As TICs precisam ser explicadas na mídia


Paula Villela
Jornalista

Apesar do termo TICs - Tecnologia da Informação e Comunicação - ser muito citado em matérias que abordam inclusão digital, em muitos casos ele vem sendo utilizado como ferramentas contra o desemprego e aquecimento da economia nas matérias divulgadas na imprensa. Porém, de acordo com a Coordenadora-Executiva da ONG Rede Mulher de Educação, Vera Vieira, no site do grupo, “as TICs podem ser definidas como tecnologias e instrumentos usados para compartilhar, distribuir e reunir informação, bem como para comunicar-se umas com as outras, individualmente ou em grupo, mediante o uso de computadores e redes de computadores interconectados”.

Função das TICs e da mídia
As TICs também têm outras funções. De acordo com o presidente da assembléia geral do PSL-Empresas (projeto de organização das empresas de Software Livre), Ricardo Filipo, “as TICs funcionam interferindo na forma como as informações fluem nos meios físico, social e psíquico de um ambiente humano, abrangendo portanto o contexto dos equipamentos, eletrônicos, sonoro, visual, sensitivo e o contexto humano dos relacionamentos”. Portanto, parte-se do princípio de que o governo e a sociedade civil precisam saber verdadeiramente do que se tratam as TICs para poder participar ativamente da construção da sociedade da informação. Infelizmente, somente uma parcela desses grupos, em especial a sociedade civil, possui esse tipo de conhecimento. Caberia à mídia então, conscientizar, participar, divulgar essas tecnologias, assim como as ferramentas de inclusão digital.

Como o assunto é abordado
Analisando matérias saídas em jornais e na Internet percebe-se que as TICs são, de uma maneira geral, tratadas com superficialidade, fazendo parte de pautas como datas de eventos (sem que ninguém explique a importância daquele congresso e qual o diferencial em relação à sociedade), decisões governamentais (com o mesmo tipo de enfoque do anterior) e novidades tecnológicas. Trata-se de um problema geral das mídias, que precisam correr contra o tempo e lidar com excesso de informações que chegam às redações. Porém, isso não justifica abordar as TICs como se estivesse falando de samba. Enquanto esse último assunto faz parte do inconsciente coletivo da sociedade brasileira e é cultural, as TICs são assuntos relativamente novos, o qual poucos possuem o acesso real (de tocar, saber mexer, conhecer) e naturalmente, desconhecem o seu sentido. Então, quando os jornais e a Internet só fazem referências às vantagens como a inclusão digital, por exemplo, como sendo ferramenta contra desemprego, a população tende a só enxergar as TICs como tal.

Importância da divulgação
Segundo Filipo, “a única importância de se divulgar as TICs é torná-las conhecidas e logo utilizáveis. Mas isto só terá valor para aqueles indivíduos que ainda não conseguem praticar a tepatia. Na outra ponta estão os (..) excluídos digitais. Não basta apenas divulgar as TICs”. Para ele, é uma crueldade caso não se possua infra-estrutura de Tecnologia de Informação. As mídias acabam favorecendo então, aos dominantes (em geral mais ricos), que vêem a visibilidade promovida pelas TICs como forma de que seus produtos apareçam mais. Ao mesmo tempo, Filipo complementa: “a meu ver deveriam ser publicadas e alardeadas as TICs éticas, abertas e que possam trazer melhorias para a vida das pessoas, sem favorecer quaisquer empresas ou grupo em particular. Na prática eu acredito que outros “lobbies” tenham preferência, o que é lamentável ou no mínimo terrivelmente trágico para nós humanos”.

Realmente, é bem trágico quando se pensa que a atuação dessas tecnologias no fluxo das informações acabam formando idéias, contextos, culturas e a abordagem sobre elas estão sendo distorcidas por alguns. Felizmente, ainda podem ser encontradas matérias em informativos temáticos, que se propõem a explicar as TICs ou a Cúpula Mundial da Sociedade da Informação, sem classificá-las em uma categoria ou limitá-las a um determinado aspecto. Não se faz necessário um artigo ou um texto monstruoso para falar sobre o assunto em questão, mas basta consciência e preocupação com o resultado que uma informação, ou a falta dela, poderá causar na sociedade.

Fonte: http://www.comunicacao.pro.br/setepontos/20/ticsnamidia.htm

2 de dez. de 2008

Diretor defende brincadeira coletiva na exposição de 'Rebobine, Por Favor'

Por Victor Bianchin, colaborador do Yahoo! Brasil

Para diretor francês, a graça da mostra é poder se divertir em grupo, e não fazer cinema amador

Os fãs do diretor francês Michel Gondry finalmente podem comemorar: o filme "Rebobine, Por Favor", que entrou em cartaz em fevereiro nos EUA e já até foi lançado em DVD por lá, finalmente estreará nas salas do Brasil a partir do dia 12 de dezembro, trazido pela distribuidora Europa Filmes.

A demora tem motivo: o filme acompanha a estréia de "Rebobine, Por Favor - A Exposição", mostra que será aberta nesta terça-feira (2) no MIS (Museu da Imagem e do Som) em São Paulo e que traz treze cenários a partir dos quais os visitantes poderão encenar seus próprios filmes.

Funciona assim: o visitante se cadastra, junto a um grupo de amigos, pelo site da exposição. Depois, comparece no dia e hora marcados e passa por um workshop, no qual são definidos o nome do vídeo, o roteiro e as funções de cada membro do grupo. Em seguida, começa a gravação em si, e o vídeo final, com até 20 minutos de duração, fica disponível na locadora do evento para os visitantes da exposição assistirem.

"Essa atividade não tem o objetivo de fazer arte e nem de ensinar técnicas de filmagem pra quem quer emprego na área", resume Gondry, que concedeu entrevista coletiva na última sexta-feira (28/11) para falar sobre a exposição. "É uma chance de mostrar às pessoas a diversão de filmar cenas em grupo", explica ele. "Nessa atividade, nós tiramos os obstáculos que impedem as pessoas de fazer filmes e deixamos que elas façam o que queiram".

O diretor explica que imaginou o conceito original há mais de duas décadas, ao observar alguns cinemas menores de Paris esvaziados por causa da concorrência com as salas maiores e seus filmes blockbuster. A idéia que ele tinha era de improvisar uma dessas salas como estúdio e dar câmeras nas mãos das pessoas para que elas gravassem seus próprios filmes, do jeito que quisessem. Após anos com a idéia colocada de lado, Gondry viu em seu novo filme uma oportunidade transformá-la em realidade - a exposição foi realizada pela primeira vez no começo deste ano, na galeria Deitch Projects, em Nova York.

Curiosamente, Gondry diz não ser um defensor do YouTube e da moda de filmes caseiros. Ele acredita que, fazendo seus vídeos trancadas no quarto, as pessoas podem se distanciar da parte física da produção. "Juntar as pessoas num mesmo espaço estimula a participação, tira elas de suas casas", afirma o diretor. "Quando chamei meu filho para morar comigo, disse a ele que não teria videogame, e depois também tirei a TV. Isso nos ajudou a ficar mais criativos. É importante controlar o que você vê, ou você será controlado por isso", sentencia o diretor.

Rebobine, Por Favor - A Exposição

Onde: Museu da Imagem e do Som (MIS); Avenida Europa, 158, São Paulo
Quando: de 2 de dezembro de 2008 a 11 de janeiro de 2009
Preço: gratuito (é preciso se cadastrar previamente pela internet para participar dos workshops e gravar o vídeo)
Horário: de terça a sábado das 12h às 21h; domingos e feriados das 11h às 20h
Contato: (11) 2117-4777, contato@cinnamon.com.br
Site: www.rebobineporfavorexposicao.com.br

Fonte: http://br.noticias.yahoo.com/s/01122008/48/entretenimento-michel-gondry-defende-brincadeira-coletiva.html

24 de nov. de 2008

Mostra 'Olhares', sobre exploração sexual, se espalha pela cidade

RIO - Entre os dias 24 e 28 de novembro acontece a mostra "Olhares", com o objetivo de aproximar a população carioca do III Congresso Mundial de Enfrentamento da Exploração Sexual da Criança e do Adolescente, no Riocentro. A proposta é conscientizar a população e incentivar a denúncia. O tema será analisado e discutido ao longo da semana, com a participação de cineastas, roteiristas, estudiosos do assunto e ONGs.

Os filmes selecionados serão exibidos no Odeon, no Espaço de Cinema, na Laura Alvim e no Ponto Cine, com entrada gratuita. Na abertura (24.11), às 20h30m, no Odeon, haverá a pré-estréia, para convidados, do documentário "Cinderelas, lobos e um príncipe encantado", de Joel Zito.

Serão exibidos sete longas, além de curtas de diferentes nacionalidades. Um fórum de debates ocorrerá no Ponto Cine, e um caminhão-cinema da Petrobras ficará estacionado no Riocentro para que os participantes do Congresso também possam assistir aos filmes selecionados.

Confira abaixo a seleção de filmes e suas sinopses:

"Desaparecidos" (Trade): Dos bairros pobres da cidade do México até um secreto leilão de escravos sexuais na internet, Ray e Jorge tentam desesperadamente encontrar Adriana, 13 anos, irmã de Jorge, seqüestrada por traficantes sexuais, antes que ela seja vendida e desapareça para sempre nesse submundo de onde poucas vítimas retornam.

"Lilya para sempre" (Lilya 4-ever): Garota de 16 anos é abandonada pela mãe que vai viver com o namorado nos EUA. Lilya é convidada pelo namorado para morar na Suécia e vê na viagem a chance para mudar de vida. Mas acaba sendo enganada pelo namorado e vendida para uma rede de prostituição.

"Na captura dos Friedmans" (Capturing the Friedmans): Os Friedman parecem uma família típica: o pai é um professor premiado, a esposa, dona-de-casa, e juntos criam 3 filhos numa cidadezinha de Long Island. No feriado de Ação de Graças, a família é surpreendida enquanto se preparam para jantar. A polícia invade a casa vasculhando tudo. O pai e o filho mais velho são presos acusados de pedofilia. Começa então uma investigação perturbadora para toda a comunidade.

"Nascidos em bordéis" (Born into brothels): Mostra a vida de crianças do bairro da Luz Vermelha em Calcutá, Índia. Os documentaristas procuram essas crianças e as presenteiam com câmeras pedindo que elas façam retratos de tudo o que lhes chama à atenção. Os resultados são emocionantes e enquanto as crianças vão descobrindo essa nova forma de expressão, os cineastas lutam para mostrar a elas que existe mais do que seguir na vida de prostituição e miséria.

"Por trás da fé" (Our fathers): As estruturas da Igreja Católica parecem cada vez mais frágeis com as sucessivas denúncias de abusos. Com a entrada da imprensa em um processo aberto por duas vítimas que não conseguem apagar da memória os abusos sofridos na infância, a rivalidade entre a Igreja e a Justiça torna-se uma calorosa disputa pelo poder. Vitimas, advogados e instituições estão com ânimos à flor da pele. E em meio a isso tudo, uma mãe desesperada clama por justiça.

"Anjos do Sol": Maria é comprada num leilão de meninas virgens e enviada para um prostíbulo localizado numa pequena cidade vizinha a um garimpo na floresta amazônica. Após meses sofrendo abusos, Maria consegue fugir e atravessa o Brasil na carona de um caminhão.

"Baixio das bestas": Menina de 13 anos explorada pelo avô, um moralista ambíguo, que em tudo vê falta de autoridade, mas ganha dinheiro explorando a sexualidade da neta. O filme também retoma o universo das usinas de cana-de-açúcar envolto em exploração não só em relações de trabalho.

"Canto de cicatriz": Cercada por pactos de silêncio, a violência sexual contra meninas é mostrada sem tabus, a partir de depoimentos de vítimas, especialistas, enquetes, filmes de ficção e dos versos do escritor e psiquiatra infantil Celso Gutfreind.

"Cinderelas, lobos e um príncipe encantado": Viajando pelo Brasil e também pela Europa, na Itália e Alemanha, o diretor discute o sonho de várias mulheres brasileiras de encontrar um marido europeu. Muitas delas imigram, tornam-se dançarinas em shows de samba ou ritmos ligados ao Brasil. Sem estudo ou formação profissional, algumas se transformam, ainda, em prostitutas e raramente realizam o sonho. Entretanto, no filme, também há finais felizes.

"Deserto feliz": Jéssica mora em Deserto Feliz no sertão nordestino. Violentada pelo padrasto sob o olhar silencioso e cúmplice da mãe, a menina foge para Recife para salvar-se de sua própria destruição. Ao chegar à cidade grande, cai nas armadilhas do turismo sexual e se depara com algo inesperado: o afeto nos braços de um turista alemão.

"Filhos da dor": Abuso e exploração sexual são os temas centrais do filme, desenvolvido a partir do depoimento fictício da prostituta Sheila. Quando menina, depois de violentada em casa, ela é obrigada a fugir e entrar no mundo da prostituição. O filme é recheado de depoimentos de agressores, vítimas e profissionais ligados à questão, mostrando como esse doloroso processo vem acontecendo em nossa sociedade e todos os males aí implicados.

1ª Mostra Internacional de Cinema - Olhares sobre a exploração sexual de crianças e adolescentes @ Odeon BR. Abertura com "Cinderelas, lobos e um príncipe encantado". Segunda-feira (24.11). 20h30m

25.11

"Anjos do Sol" @ Odeon. 15h

"Nascidos em bordéis" @ Espaço de Cinema. 20h

"Na captura dos Friedmans" @ Estação Laura Alvim. 19h

"Cinderelas, lobos e um príncipe encantado" @ Ponto Cine. 14h

"Lilya para sempre" @ Ponto Cine. 18h

26.11

"Deserto feliz" @ Odeon. 15h

"Nascido em bordéis" @ Odeon. 21h

"Anjos do Sol" @ Espaço de Cinema. 20h

"Lilya para sempre" @ Laura Alvim. 19h

"Canto de cicatriz" / "Baixio das bestas". Ponto Cine. 14h

"Desaparecidos". Ponto Cine. 18h

27.11

"Cinderelas, lobos e um príncipe encantado" @ Odeon. 15h

"Desaparecidos" @ Espaço de Cinema. 20h

"Baixio das bestas" @ Laura Alvim. 19h

"Deserto feliz" @ Ponto Cine. 14h

"Filhos da dor" / "Nascidos em bordéis" @ Ponto Cine. 18h

28.11

"Anjos do sol" @ Ponto Cine. 14h

"Por trás da fé" @ Ponto Cine. 18h

Fonte: http://oglobo.globo.com/cultura/rioshow/mat/2008/11/23/mostra_olhares_sobre_exploracao_sexual_se_espalha_pela_cidade-586518880.asp