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9 de ago. de 2009

Reciclar sonhos conscientemente


Olá Amigos

Hoje acordei já pensando nas tantas e simples coisas que preciso pro café da manha e acabei me assustando ao perceber que a lista era bem maior do que eu precisava.
Pensei nos anos, dias e meses da minha jornada, afinal, não é todo dia que se faz aniversário.
Percebi que a lista era materialista demais, então ...

rasguei tudo, ...
deletei e repensei

Olhei minha filha,
Olhei minha mulher,
Lembrei dos amigos,
Então refiz a lista
Escrevi três letras

Pão

E de uma forma que não posso transcrever devido a dimensão, pão me foi suficiente pra sair e ir ao mercado. Claro que acabei me perdendo diante das trocentas opções e acabei levando mais que previ, mas de forma consciente paguei pelo que escolhi. Não para mostrar a ninguém nada de nada.

Eu sou a prova de que posso tudo, mas nem tudo convém. Com esse olhar comecei a observar as pessoas no mercado, e tudo me parecia a própria torre de Babel, então me senti livre.
Eu sabia que tinha um caminho, mas acabei com produtos a mais, mas me impressionou a forma como a falsa ideologia de consumismo absorve, entranha e nos faz diferentes.
Então me apeguei novamente a lista.

Pão

Tentei voltar a ela e me desfiz de alguns produtos. É preciso repensar nossa postura sempre e repetidamente para que a lógica de funcionamento da mudança de que tanto falamos, mas pouco (confesso) praticamos seja real.
Não vou negar que sai com mais produtos que o necessário, mas saí com a mente aberta pra uma nova proposta de postura urgente e necessária, e por que não, global?

O consumo consciente ou sustentável é um conceito bem mais aberto, que hoje está além da direção da economia, dos direitos do consumidor e da reciclagem de lixo. Não é uma postura reativa, mas leva o consumidor a se identificar como um protagonista dentro desse amplo contexto social, político e cultural.

Mas temos que muda-lo.

Percebi que é primordial um consumo consciente , sustentável, que embora voltado para o campo econômico, deve se perfazer numa postura delicada de cada um de nós. Não bastam os direitos do consumidor, nem as tantas leis, basta olhar a Ana , a Larissa, e perceber que os gestos simples ao longo dos dias são essenciais pra formar uma nova postura dessa galerinha que vem e que já vê na reciclagem um instrumento para a conservação do universo, ou ao menos
da Terra, planeta água.

Somos protagonistas de nossas histórias e que tal pararmos um pouquinho e fazer aos poucos
pequenos gestos em prol de um mundo sustentável?

Participem da blogagem coletiva sobre Consumo Consciente para discutirmos e divulgarmos ações que levem a um cotidiano de consumo sustentável.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

24 de nov. de 2008

Mostra 'Olhares', sobre exploração sexual, se espalha pela cidade

RIO - Entre os dias 24 e 28 de novembro acontece a mostra "Olhares", com o objetivo de aproximar a população carioca do III Congresso Mundial de Enfrentamento da Exploração Sexual da Criança e do Adolescente, no Riocentro. A proposta é conscientizar a população e incentivar a denúncia. O tema será analisado e discutido ao longo da semana, com a participação de cineastas, roteiristas, estudiosos do assunto e ONGs.

Os filmes selecionados serão exibidos no Odeon, no Espaço de Cinema, na Laura Alvim e no Ponto Cine, com entrada gratuita. Na abertura (24.11), às 20h30m, no Odeon, haverá a pré-estréia, para convidados, do documentário "Cinderelas, lobos e um príncipe encantado", de Joel Zito.

Serão exibidos sete longas, além de curtas de diferentes nacionalidades. Um fórum de debates ocorrerá no Ponto Cine, e um caminhão-cinema da Petrobras ficará estacionado no Riocentro para que os participantes do Congresso também possam assistir aos filmes selecionados.

Confira abaixo a seleção de filmes e suas sinopses:

"Desaparecidos" (Trade): Dos bairros pobres da cidade do México até um secreto leilão de escravos sexuais na internet, Ray e Jorge tentam desesperadamente encontrar Adriana, 13 anos, irmã de Jorge, seqüestrada por traficantes sexuais, antes que ela seja vendida e desapareça para sempre nesse submundo de onde poucas vítimas retornam.

"Lilya para sempre" (Lilya 4-ever): Garota de 16 anos é abandonada pela mãe que vai viver com o namorado nos EUA. Lilya é convidada pelo namorado para morar na Suécia e vê na viagem a chance para mudar de vida. Mas acaba sendo enganada pelo namorado e vendida para uma rede de prostituição.

"Na captura dos Friedmans" (Capturing the Friedmans): Os Friedman parecem uma família típica: o pai é um professor premiado, a esposa, dona-de-casa, e juntos criam 3 filhos numa cidadezinha de Long Island. No feriado de Ação de Graças, a família é surpreendida enquanto se preparam para jantar. A polícia invade a casa vasculhando tudo. O pai e o filho mais velho são presos acusados de pedofilia. Começa então uma investigação perturbadora para toda a comunidade.

"Nascidos em bordéis" (Born into brothels): Mostra a vida de crianças do bairro da Luz Vermelha em Calcutá, Índia. Os documentaristas procuram essas crianças e as presenteiam com câmeras pedindo que elas façam retratos de tudo o que lhes chama à atenção. Os resultados são emocionantes e enquanto as crianças vão descobrindo essa nova forma de expressão, os cineastas lutam para mostrar a elas que existe mais do que seguir na vida de prostituição e miséria.

"Por trás da fé" (Our fathers): As estruturas da Igreja Católica parecem cada vez mais frágeis com as sucessivas denúncias de abusos. Com a entrada da imprensa em um processo aberto por duas vítimas que não conseguem apagar da memória os abusos sofridos na infância, a rivalidade entre a Igreja e a Justiça torna-se uma calorosa disputa pelo poder. Vitimas, advogados e instituições estão com ânimos à flor da pele. E em meio a isso tudo, uma mãe desesperada clama por justiça.

"Anjos do Sol": Maria é comprada num leilão de meninas virgens e enviada para um prostíbulo localizado numa pequena cidade vizinha a um garimpo na floresta amazônica. Após meses sofrendo abusos, Maria consegue fugir e atravessa o Brasil na carona de um caminhão.

"Baixio das bestas": Menina de 13 anos explorada pelo avô, um moralista ambíguo, que em tudo vê falta de autoridade, mas ganha dinheiro explorando a sexualidade da neta. O filme também retoma o universo das usinas de cana-de-açúcar envolto em exploração não só em relações de trabalho.

"Canto de cicatriz": Cercada por pactos de silêncio, a violência sexual contra meninas é mostrada sem tabus, a partir de depoimentos de vítimas, especialistas, enquetes, filmes de ficção e dos versos do escritor e psiquiatra infantil Celso Gutfreind.

"Cinderelas, lobos e um príncipe encantado": Viajando pelo Brasil e também pela Europa, na Itália e Alemanha, o diretor discute o sonho de várias mulheres brasileiras de encontrar um marido europeu. Muitas delas imigram, tornam-se dançarinas em shows de samba ou ritmos ligados ao Brasil. Sem estudo ou formação profissional, algumas se transformam, ainda, em prostitutas e raramente realizam o sonho. Entretanto, no filme, também há finais felizes.

"Deserto feliz": Jéssica mora em Deserto Feliz no sertão nordestino. Violentada pelo padrasto sob o olhar silencioso e cúmplice da mãe, a menina foge para Recife para salvar-se de sua própria destruição. Ao chegar à cidade grande, cai nas armadilhas do turismo sexual e se depara com algo inesperado: o afeto nos braços de um turista alemão.

"Filhos da dor": Abuso e exploração sexual são os temas centrais do filme, desenvolvido a partir do depoimento fictício da prostituta Sheila. Quando menina, depois de violentada em casa, ela é obrigada a fugir e entrar no mundo da prostituição. O filme é recheado de depoimentos de agressores, vítimas e profissionais ligados à questão, mostrando como esse doloroso processo vem acontecendo em nossa sociedade e todos os males aí implicados.

1ª Mostra Internacional de Cinema - Olhares sobre a exploração sexual de crianças e adolescentes @ Odeon BR. Abertura com "Cinderelas, lobos e um príncipe encantado". Segunda-feira (24.11). 20h30m

25.11

"Anjos do Sol" @ Odeon. 15h

"Nascidos em bordéis" @ Espaço de Cinema. 20h

"Na captura dos Friedmans" @ Estação Laura Alvim. 19h

"Cinderelas, lobos e um príncipe encantado" @ Ponto Cine. 14h

"Lilya para sempre" @ Ponto Cine. 18h

26.11

"Deserto feliz" @ Odeon. 15h

"Nascido em bordéis" @ Odeon. 21h

"Anjos do Sol" @ Espaço de Cinema. 20h

"Lilya para sempre" @ Laura Alvim. 19h

"Canto de cicatriz" / "Baixio das bestas". Ponto Cine. 14h

"Desaparecidos". Ponto Cine. 18h

27.11

"Cinderelas, lobos e um príncipe encantado" @ Odeon. 15h

"Desaparecidos" @ Espaço de Cinema. 20h

"Baixio das bestas" @ Laura Alvim. 19h

"Deserto feliz" @ Ponto Cine. 14h

"Filhos da dor" / "Nascidos em bordéis" @ Ponto Cine. 18h

28.11

"Anjos do sol" @ Ponto Cine. 14h

"Por trás da fé" @ Ponto Cine. 18h

Fonte: http://oglobo.globo.com/cultura/rioshow/mat/2008/11/23/mostra_olhares_sobre_exploracao_sexual_se_espalha_pela_cidade-586518880.asp

15 de nov. de 2008

A Língua das Mariposas

Educação e Integridade

Menino-conversando-com-senhor

Ir a escola pela primeira vez é um grande desafio para uma criança. Não importa a idade, independe do país e mesmo do contexto histórico no qual está inserida a criança. A superação da insegurança só acontece após alguns dias, depois de uma plena adaptação, através da qual o menino ou menina conheça seus colegas, compreenda a dinâmica do ambiente escolar e trave o necessário e primordial contato com seu professor.

Nesse aspecto, a figura do professor é definidora não apenas no sentido da ambientação. Os mestres respondem pela própria paixão a ser despertada nos infantes. Parte deles toda a energia vital que, necessariamente, contagia os alunos e faz com que eles não apenas se sintam bem na escola, mas também, que alimentem certa paixão pela aprendizagem, pelo conhecimento, pela pesquisa...

José Luiz Corda, cineasta espanhol, retratou com grande êxito, os primeiros passos do menino Moncho (Manuel Lozano), de sete anos, nessa grande aventura de ingressar na escola, através de seu filme “A Língua das Mariposas”.

A sensibilidade do filme de Corda nos remete a duas outras grandes obras recentes da filmografia européia, as produções italianas “A Vida é Bela”, de Roberto Begnini e “Cinema Paradiso”, de Giuseppe Tornatore. Além disso, a intensa relação que se define entre Moncho e seu velho professor Don Gregório (Fernando Fernán-Gomes) nos fazem lembrar das parcerias estabelecidas entre Giosué e Guido (de “A Vida é Bela”) e entre Totó e Alfredo (de Cinema Paradiso).

Entretanto, diferentemente daqueles filmes, “A Língua das Mariposas” tem como foco a relação professor-aluno. Estabelece a imagem do professor humano, caloroso, próximo e paciente. Nos mostra a atitude do profissional da educação como aquela do erudito, que lê, pesquisa, conversa regularmente com muitas pessoas e é admirado pela comunidade.

O filme nos mostra Don Gregório como uma figura impar dentro do contexto educacional da época retratada (o filme se passa no período brevemente anterior a Guerra Civil Espanhola), fica claro para o espectador que a atitude desse educador contrasta com posicionamentos mais fortes e autoritários dos demais professores da época (Antes de conhecer Don Gregório, o menino Moncho tem medo de ir a escola e fala em fugir para a América; receia que possa ser punido com severidade pelo futuro professor).

Além disso, a preocupação em ensinar e cativar as crianças não se restringe a demonstrar todo o conhecimento obtido a partir de leituras e pesquisas. Don Gregório representa o educador íntegro, que se percebe como referência (e que, nem por isso, se envaidece) e que, ciente de suas responsabilidades a partir de então, se mostra sempre sereno, altivo e elegante.

Mais que teorias, ele ensina a seus alunos novas posturas perante o mundo, onde as pessoas devem se respeitar, ter sensibilidade e jamais abandonar seus ideais...


O Filme

Duas-fotos-de-menino-conversando-com-senhor

Moncho (Manuel Lozano) tem apenas sete anos e se prepara para o maior desafio de sua vida. Está a apenas algumas horas de seu primeiro dia de aula. Alertado por alguns meninos, ele acredita que o professor poderá castigá-lo ao menor erro. O menino pensa, inclusive, em fugir para a América, como alternativa a escola.

O que lhe espera, entretanto, é uma grande surpresa. Seu professor, Don Gregório (Fernando Fernán-Gomes), um senhor próximo da aposentadoria, jamais agiu agressivamente em relação a nenhum de seus alunos. Pessoa de fala mansa, de grande tranqüilidade e de postura elegante, apesar de toda a simplicidade, o professor garante sua credibilidade perante seus alunos a partir do conhecimento que possui e da calma com que resolve os pequenos problemas do cotidiano.

Moncho se apaixona pela escola e passa a se dedicar com grande vontade às tarefas e atividades propostas por Don Gregório. Encanta-se com as histórias contadas pelo velho mestre e se anima ainda mais quando algumas aulas são dadas ao ar livre. Paralelamente a suas realizações escolares, o menino acompanha os acontecimentos da vida cotidiana da pacata cidade onde vive.

Descobre o amor e se percebe no meio de um emaranhado de relações políticas e sociais (mesmo não entendendo exatamente o significado desses acontecimentos), numa época em que a Espanha ferve as vésperas de sua guerra civil. As turbulentas transformações pelas quais passava o país colocam o velho e honrado professor em situação delicada devido a seus posicionamentos políticos. Em quem deve acreditar Moncho?

Fortes emoções tornam “A Língua das Mariposas” filme obrigatório para todos aqueles que acreditam na vida e na educação. Não percam!


Aos Professores

Mesmo-menino-em-três-posições-diferentes-sério-rindo-e-nervoso

• Encantamento é a palavra definidora da relação estabelecida entre Don Gregório e seus alunos (especialmente Moncho). E como se dá essa mágica? Muitos professores me perguntam quando realizo workshops e palestras de que forma conseguimos cativar nossas crianças e adolescentes. Não há fórmulas prontas. Não há “receitas de bolos”. Essencialmente o que caracteriza um trabalho que encanta os estudantes é o amor do professor pelo trabalho que realiza, pelas crianças e jovens com os quais trabalha e pelo conhecimento.

• Outro aspecto relevante do sucesso de vários profissionais que conheço se refere à sensibilidade. Saber ouvir os estudantes quando necessário. Compreender seus problemas. Dar atenção sempre que requisitado. É claro que não podemos e nem devemos abrir mão de nossas demais responsabilidades como educadores. Continuaremos a trabalhar a história, a literatura, a matemática, as ciências e todo o conhecimento que nos cabe proporcionar a nossos alunos. Temos que adicionar a isso a educação das emoções, garantida pela presença, pelo estímulo constante, pela crença na capacidade de todos nossos alunos,...

• “A Língua das Mariposas” destaca outro aspecto muito relevante para o trabalho dos educadores, a necessidade da leitura, da pesquisa, da busca do conhecimento. Isso vale tanto para nossa própria formação quanto para o aperfeiçoamento de nossos estudantes. Temos que ler para saber ler. Temos que mostrar a nossos alunos que ler e pesquisar são essenciais para nosso crescimento, para nossa maturação e melhoria individual. Temos que fazê-los perceber que ler e pesquisar são (mais que necessidades) prazeres!

• Toda e qualquer forma de repressão política, ideológica, social ou cultural representa o que há de mais vil entre os seres humanos. O patrulhamento patrocinado pelo fascismo na Espanha (e em todos os países que, infelizmente, vivenciaram regimes totalitários) fez muitas vítimas. Seus crimes? Pensavam de forma diferenciada em relação ao regime dominante. Levantamentos e pesquisas acerca da Guerra Civil Espanhola e da ditadura fascista que se estabeleceu na Espanha podem ser aprofundados com o exame da obra “Guernica” de Pablo Picasso, com a leitura do clássico “Por quem os sinos dobram” de Ernest Hemingway (que era correspondente de guerra na Espanha na época da guerra) e pela comparação desses recursos (incluindo-se aí o próprio filme “A Língua das Mariposas”) com textos didáticos e paradidáticos.

Obs.: “Por quem os sinos dobram” foi transformado num ótimo filme (produzido em 1943), dirigido por Sam Wood e estrelado por Ingrid Bergman e Gary Cooper. Apesar disso, recomendo que inicialmente se faça a leitura do livro de Ernest Hemingway para que, depois se utilize o filme.


Ficha Técnica

A Língua das Mariposas
(La Lengua de Las Mariposas)

País/Ano de produção: Espanha, 1999
Duração/Gênero:
96 min., Drama
Direção de
José Luis Cuerda
Roteiro de
Rafael Ascona, Manuel Rivas e José Luis Cuerda
Elenco:
Fernando Fernán-Gomes, Manuel Lozano, Úxia Blanco, Gonzalo Uriarte,
Aléxis de los Santos, Jésus Castejón, Guillermo Toledo.

Links

http://epipoca.uol.com.br/filmes_detalhes.php?idf=3625

http://parceiros.cineclick.com.br/cinemateca/ficha_filme.php?id_cine=10228

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João Luís de Almeida Machado
Editor do Portal Planeta Educação; Doutorando em Educação pela PUC-SP; Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP); Professor Universitário e Pesquisador; Autor do livro "Na Sala de Aula com a Sétima Arte – Aprendendo com o Cinema" (Editora Intersubjetiva).


Fonte: http://www.planetaeducacao.com.br/novo/artigo.asp?artigo=211