11 de out de 2008

O Céu de Outubro - Escolhas decisivas

Quatro-jovens-agasalhados-na-neve

Que perspectiva poderia ter o filho de um mineiro de carvão de uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos? Poderia imaginar-se fora da profissão exercida pelo próprio pai, como funcionário da única empresa instalada no local onde vive? Alimentar sonhos como a universidade e o aprofundamento nos estudos em áreas técnicas e científicas não estariam muito além do que a vida reservava para ele? Como superar o que parecia ser o destino da grande maioria dos jovens que ali viviam?

Perguntas como essas servem de guia condutor na história verídica do filme “Céu de Outubro”, onde Homer Hickam ( personagem do ator Jake Gyllenhall) tem que superar os obstáculos criados pela vida para atingir suas pretensões.

Seu pai, John Hickam (Chris Cooper), um homem extremamente conservador, considera que trabalhar na mina de carvão é ocupação digna que reverte rendimentos certos ao final do mês. Sustentar-se e sobreviver com alguma dignidade lhe parecem os caminhos corretos a serem seguidos pelo jovem Homer. Qualquer devaneio ou fantasia alimentada pelo filho constituem tolices que devem ser a qualquer custo tiradas da cabeça do rapaz.

Na escola, com o apoio incisivo de uma de suas professoras, Frieda Haley (vivida pela atriz Laura Dern), Homer leva adiante o projeto de criar foguetes. Estávamos no fim da década de 1950, a passagem do satélite russo Sputnik e as primeiras viagens ao redor do planeta constituíam os primeiros passos da humanidade rumo ao espaço. Essa temática encantava os adolescentes e fazia com que em suas noites de sono, a viagem interplanetária fosse tão popular quanto o rock and roll, a jaqueta de couro e o cabelo com gel (ou brilhantina, nos conformes da época).

Homem-adulto-conversando-com-jovem

Os foguetes criados pelo jovem Homer com o auxílio de alguns amigos entusiastas vão aos poucos tornando-se referência na cidade. O que, à princípio, era motivo da zombaria alheia, principalmente em decorrência das falhas e explosões, torna-se, aos poucos, uma das atrações da cidade. As experiências começam a ser acompanhadas por alguns dos garotos e garotas da escola e, posteriormente, por uma boa parcela da comunidade.

Apesar dos riscos iminentes e da falta de apoio da família, os jovens transformam a brincadeira em projeto para a feira de ciência da escola. Passam, inclusive, a pleitear a possibilidade de participar da feira estadual de ciência onde ganhariam mais projeção e visibilidade para seus projetos.

O duro cotidiano do pai, calcado numa experiência de vida sem grandes perspectivas, onde as possibilidades restringem-se ao trabalho pesado na produção de carvão, é o maior empecilho entre o sonho e realização do projeto de ciência de Homer. Os conflitos entre pai e filho tornam-se cada vez mais frequentes e a chance de resolver tudo através do diálogo parece cada vez mais distante. Para o pai, seria impossível conciliar estudo com trabalho e, em sua visão estreita de mundo, um bom emprego constituiria uma opção mais acertada do que continuar estudando, buscando uma formação técnica ou universitária, realidades distantes para uma família de pessoas simples como eles.

A vida restringia-se a cidade onde moravam. Os horizontes reduzidos impediam que ele percebesse que ao estudar, o filho poderia estar se garantindo um futuro muito mais promissor do que aquele com o qual ele próprio havia se habituado.

Um acidente na mina de carvão parece definir os rumos da história de Homer. A impossibilidade do pai continuar a trabalhar o leva a abandonar os estudos e se tornar o responsável pelo sustento de sua casa. Tudo levava a crer que ele continuaria o ciclo de vida de gerações de jovens daquela pequena cidade, vivendo modestamente, aspirando pequenas promoções e aumentos de salário e tendo que encarar uma existência profissional miserável, muito distante daquilo que pretendia.

Moco-e-moca-conversando

Quantas vezes não vemos jovens abdicando de suas escolhas profissionais por conta de intervenções de seus pais? Quantos não são os casos de garotos e garotas que escolheram uma determinada profissão por conta das possibilidades financeiras desse tipo de trabalho, abdicando da satisfação profissional de trabalhar numa área que lhes fosse mais interessante e prazerosa? Que tipo de profissional surge numa situação em que a escolha profissional é orientada pelos pais ou por motivações como salários?

Homer se encaminhava para uma história de final muito parecido com o de muitos jovens que tiveram que abrir mão de seus sonhos e projetos de vida para se dedicar a existir. Não fosse a obstinação e a garra do jovem, de seus amigos e de sua professora e nem ao menos teríamos a possibilidade de ver esse filme. A virada na vida de Homer e o seu sucesso profissional como engenheiro da Nasa constituem o desfecho de uma história simples e emocionante.

“O sonho não acabou” dizia John Lennon. Todos os dias, ao acordar, as pessoas precisam acreditar nas escolhas que fizeram e vivê-las intensamente. Uma das mais decisivas e importantes opções que fazemos em nossas vidas é a escolha da profissão. Ser conduzido nesse ato por outras pessoas ou fatores alheios aos seus interesses ou ainda não poder optar significa sacrificar uma parcela de tempo, saúde e dignidade muito expressiva. Trabalhar numa profissão que nos satisfaça é importante em todos os sentidos, seja no psicológico, na saúde física, na satisfação pessoal, no equilíbrio emocional e, mesmo, no financeiro e material!

Aos professores cabe participar da orientação dos estudantes, estimular seus interesses através de suas aulas, fomentar feiras de ciências, exposições artísticas, organizar festivais de música, organizar visitas a universidades ou locais de trabalho de vários profissionais, estimular concursos de poesia ou mesmo ajudar com informações sobre cursos e profissões. Ao fazer isso, permitimos que nossos alunos tenham conhecimento e liberdade para fazer suas próprias escolhas!

Ficha Técnica

O Céu de Outubro
(October Sky)

País/Ano de produção: EUA, 1999
Duração/Gênero: 114 min., Drama
Disponível:- VHS e DVD
Direção de Joe Johnston
Roteiro de Lewis Colick
Elenco: Jake Gyllenhall, Chris Cooper, Laura Dern, Chris Owen.

Links

http://www.adorocinema.com/filmes/ceu-de-outubro/ceu-de-outubro.htm

http://epipoca.uol.com.br/filmes_detalhes.php?idf=337

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João Luís de Almeida Machado Editor do Portal Planeta Educação; Doutorando em Educação pela PUC-SP; Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP); Professor Universitário e Pesquisador; Autor do livro "Na Sala de Aula com a Sétima Arte – Aprendendo com o Cinema" (Editora Intersubjetiva).

Fonte: http://www.planetaeducacao.com.br/novo/artigo.asp?artigo=30

Um comentário:

Conceição EJA disse...

"Todos os dias, ao acordar, as pessoas precisam acreditar nas escolhas que fizeram e vivê-las intensamente". Só assim poderemos superar os "erros", e assim como o personagem so filme, seguir adiante... Como professor, apontar os acertos de todo um caminho, onde outros só vêem os erros dos resultados, pode fazer a diferença entre sucesso e fracasso. E eu não estou pensando nas escolhas profissionais, estou pensando em coisas do dia a dia, como ler e escrever...
Bom filme, boa história!