| Escrito por Sérgio Marcelo | |
| Cabe ao educador, pessoa interessada e habilitada no ensino do próximo, capacitar-se. Eis o grande “Bug” do milênio. O século XXI chegou para alguns poucos educadores. Então paramos para refletir: em que reside o problema afinal? “O sistema não funciona! Nunca funciona! É complexo demais...” As reclamações não param por aí, e continuamos a empurrar com a barriga esperando que as tecnologias educacionais, sem o nosso domínio ou consenso, se convertam em tradutores de pensamentos com ação própria para a execução das atividades educacionais afins. A práxis do educador já não é mais mesma, aliás, nunca foi. O processo evolutivo humano, capacidade própria de aprender e de desenvolver de cada indivíduo, é um processo interno, tal qual a motivação para ensinar. Transpõe o mundo pessoal do professor antes de chegar até o real dos que assim se predispõe a aprender. Tecnologia Educacional Humana é uma competência imprescindível para o educador que não têm mais a tutela do ensino. O conhecimento é universal. Esta em todos os lugares, e possui muitas direções. É chegado o momento de entendermos o verdadeiro sentido da tecnologia educacional. Ela é subserviente aos interesses humanos. Suas afinidades com esses interesses são incessantes e tornam-se, a cada dia, o maior apoiador do processo de ensino e aprendizagem. Trata-se de um aperfeiçoamento contínuo, que evolui ao passo que nosso conhecimento nas tecnologias também. Alguns termos como usabilidade, navegabilidade, convergência, qualidade entre outros fazem parte desse processo. Não são somente as funcionalidades das tecnologias que as tornam usáveis. Essa evolução é assustadora. Sim, também fico assustado com o enorme avanço das tecnologias. Mas, por favor, não se deixe enganar pelas propagandas subliminares da “Última Tecnologia” tal qual o esteticismo ou a videotice e suas finalidades comerciais nada implícitas. Não é a escolha da melhor tecnologia, se física ou lógica, que irá nos deixar confiante quanto ao seu uso. A maior escolha é a nossa escolha. É dela que se depende. Pode-se interagir com ela, e de todas as formas possíveis, estaremos interagindo com nós mesmos. Já ouviram falar do processo de aprendizagem homem-máquina? Pois bem, explico. Enquanto para uns isso é quase uma robotização, ou mesmo nossa subserviência à máquina e seu sistema, para outros, e na grande maioria, é um processo de auto-reflexão. Experimente sentar em frente ao computador e realizar uma pesquisa na internet, ou mesmo em um curso online. O processo de interiorização é muito grande, principalmente quando se interage nas comunidades virtuais de aprendizagem, pois ora se é professor, ora se é aluno, o que leva a um processo contínuo de ensino e de aprendizagem. Isso parece reflexivo? Tome como referência educacional aquela de uns 5 ou 10 anos atrás. As pessoas buscavam no professor o conhecimento que precisavam. Os educadores tinham a grande responsabilidade de ensinar para o bem-comum, servindo a todos os gostos e aptidões. O professor era o único centro do processo educacional. E, deixamos de ser a referência? Não, aquela velha busca ainda existe. No entanto, a humanidade em seu todo, enfrenta a maior mudança de paradigmas de todos os tempos. Nossos pais, avós, bisavós, tataravós - até os dinossauros - sem nenhuma analogia, deixaram-nos de herança essa referência educacional - imprevisíveis quanto as novas metodologias e tecnologias educacionais hoje existentes. Podemos sair em alto mar, e passearmos pelos quatro cantos do mundo. A globalização é um convite aberto em cada porto, e a informação sopra para todos os lados tal qual o vento. Dizer que o barco deve ficar ancorado, parado no tempo, é retrógrado. Somos inseridos em novo processo educativo mediado pelas tecnologias. Navegamos em um mar de informações muitas das quais sem precedentes, e corremos o sério risco de virarmos naúfragos. É nesse exato momento que surgem as tecnologias educacionais humanas, e seu comandante maior – o professor. Tecnologia Educacional Humana não se trata da melhor escolha tecnológica e sim do interesse do profissional-educador em desenvolver-se, assim como sua práxis educativa, exercendo a função de facilitador no processo de ensino e de aprendizagem. Qualquer que seja a tecnologia encontrará sempre o potencial que existe dentro de si mesmo, pois disso dependem muitos outros aspirantes ao conhecimento. Fonte: http://www.college.com.br/index.php/Colunistas/Colunistas/Tecnologia-Educacional-Humana.html |
23 de nov. de 2008
Tecnologia Educacional Humana
14 de nov. de 2008
Razão e Emoção na Arte de Educar
Estava visitando os blogs dos amigos e encontrei referencia a um artigo maravilhoso. O artigo é da Tânia Porto, professora da Universidade Federal de Pelotas intitulado "As tecnologias de comunicação e informação na escola; relações possíveis... relações construídas". Então, a quem puder interessar, consulte o artigo. Quem indicou o artigo, muito bom na minha opinião, sobre tecnologia de comunicação e informação na escola foi a Andrea Bonette Ferrari.
Uma coisa que me chamou a atenção neste artigo, foi o fato da aprendizagem estar associada não só à razão, a algo lógico, mas também, e quase essencialmente, à sensação, ao emocional. Por isso, muitas vezes, aquilo que nos toca, que causa arrepio quando ouvimos ou lemos ou vemos, é aquilo de que vamos lembrar senão a vida toda, pelo menos por um bom tempo. Lógico, esta é uma pequeníssima parte do artigo, que, repito, é muito bom.
Abraços
Equipe NTE Itaperuna
25 de out. de 2008
Na Natureza Selvagem - Em busca da liberdade que não temos...
Somos cativos e nem ao menos nos damos conta disso. Vivemos atados a compromissos das mais variadas naturezas que nos fazem ir e vir (teoricamente livres) de um lado para o outro a todo o momento. Podemos abdicar de tudo isso a qualquer momento, mas quem, em sã consciência, abre mão dos laços que os unem à família, trabalho, escola, compromissos financeiros, religião, política?
Liberdade, de acordo com o poema clássico de Cecília Meirelles, é uma palavra que “o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique, e ninguém que não entenda”. Até mesmo por isso, a saga do personagem Chris McCandless (Emile Hirsch), apresentada no filme “Na Natureza Selvagem”, do diretor Sean Penn, acaba por nos provocar sentimentos contraditórios e gerar posicionamentos dúbios quanto ao filme e a história de vida do protagonista.
Baseado em fatos reais, “Na Natureza Selvagem” mostra um jovem que resolveu desafiar a lógica estabelecida para sua vida e a de tantos outros promissores rapazes e moças que completam seu curso universitário.
Ao invés de se lançar no mercado e buscar avidamente o tão sonhado emprego numa empresa que lhe garantisse bons proventos e uma vida material para lá de confortável, McCandless – o melhor aluno de sua turma – resolve partir numa longa e imprevisível jornada, com destino conhecido (o Alasca), sem dinheiro no bolso, cortando contatos e relações com o mundo previamente conhecido por ele (inclusive com os familiares) e esperando para ver o que iria lhe acontecer durante o trajeto...
Chris McCandless adota o princípio de seus escritores de cabeceira – Jack Kerouac, Jack London e Henry David Thoreau – e passa a viver um dia de cada vez. Cada emoção – boa ou má – a ser descoberta a partir do nascer do sol, sem qualquer idéia previamente concebida a orientar os passos, as palavras, os olhares, as idéias...
O jovem resgata a tônica da contracultura, do modo de vida Hippie (sem que, com isso, se torne um hippie) – despojado, desvinculado do materialismo, disposto a encontrar-se no mundo, crendo mais no ser do que no ter ou possuir.
Há, evidentemente, outros fatores na história de vida do jovem que o compelem a assumir essa postura libertária radical. São aspectos relacionados à vida em família e ao modo como temos que a todo o momento “aparentar” normalidade, felicidade, cidadania, valores éticos e comportamento exemplar.
A farsa com a qual convive em sua casa – percebida na relação entre seu pai e sua mãe – o mobilizam a essa aventura, a uma autêntica fuga. Os estereótipos sociais o cansaram, esgotaram suas energias. O falsete da normalidade o afastou do sonho de vida padrão, do norte-americano médio - que é o mesmo de praticamente todos aqueles que vivem sob a égide da economia de mercado – e o compeliram a buscar o infinito, a liberdade, ou ainda Deus, na natureza, naquilo que é puro, simples, singelo, constante...
“Na Natureza Selvagem” é um libelo. Filme baseado em fatos reais que não tem medo de ser e se mostrar panfletário, que não quer se esconder sob falsas aparências, bem no espírito do protagonista...
O Filme
“Na Natureza Selvagem” intriga e inebria os espectadores. Desafia a lógica e a sensatez com a história real de um jovem que resolve abandonar tudo e viver como os personagens dos livros de Thoreau, Kerouac e London, que leu durante a sua formação universitária.
A vida marginal, com o pé na estrada, perambulando de um canto a outro do país, sem dinheiro no bolso, dá ao jovem Chris a sensação de liberdade por ele tanto desejada. Despojar-se dos luxos, dormir a céu aberto, alimentar-se do que a natureza lhe oferece, conhecer as pessoas sem que esses relacionamentos sejam direcionados por qualquer interesse específico (como dinheiro, família, emprego…) e explorar o mundo natural eram seus sonhos.
Emile Hirsch (que protagonizou Speed Racer, versão cinematográfica do desenho japonês dirigida pelos irmãos Andy e Larry Wachowsky, da trilogia Matrix) está impecável e mereceria prêmios por sua memorável interpretação como Alexander Supertramp, o codinome do jovem Christopher McCandless.
O elenco de apoio, com Marcia Gay Harden, William Hurt e o veterano Hal Holbrook em comovente atuação (entre outros) é também fator de brilho dessa discreta e soberba produção e direção do talentosíssimo Sean Penn. Um filme para incomodar e provocar a todos! Obrigatório!
Para Refletir
1- O que é liberdade? Que tal buscar o conceito a partir de áreas do conhecimento tão diferentes quanto a filosofia, a história, a política, a religião, o direito ou as ciências sociais? Como as pessoas entenderam o conceito de liberdade ao longo da história? De que forma a literatura registra, em seus expoentes (como a mencionada escritora brasileira Cecília Meireles), a idéia desse vocábulo que encerra em si tantos sonhos dos seres humanos? Liberdade é compreendida da mesma forma no Ocidente e no Oriente, no Hemisfério Sul e no Norte? Sendo tão essencial a todos e a cada um, entender o que é liberdade torna-se um exercício de fundamental importância, não acham?
2- Destacados escritores norte-americanos - Jack Kerouac, Jack London e Henry David Thoreau – são desconhecidos da maioria dos brasileiros. Suas obras – ricas, vastas, geniais, incompreendidas e, em alguns casos, até mesmo consideradas malditas - compelem os leitores a emancipar-se, a sorver o universo (cada uma de suas gotas, de suas partículas), desafiam de forma constante o ser humano a uma constante e necessária revisão, reconstrução e análise. Não preciso dizer mais nada, não é? Que tal colocar esses autores na lista de livros a serem lidos em sua escola?
3- A natureza, soberba e embevecedora, a todo o momento nos brinda com algum espetáculo maravilhoso. E o que fazemos? Ignoramos. Fechamos nossos olhos. Passamos ao largo. Reagimos com pouco caso. E, se não bastasse isso, cerceamos seus espaços, limitamos suas maravilhas. Sensibilizar crianças, adolescentes e jovens quanto à natureza é tarefa básica e elementar da educação. Projetos interdisciplinares que prevejam e estimulem visitas a parques nacionais e áreas silvestres – com o intuito de reconhecer, identificar, mapear e criar um espírito preservacionista são essenciais práticas para toda e qualquer escola. Chega de discurso, é hora da prática!
4- O protagonista do filme “Na Natureza Selvagem”, Chris McCandless (Emile Hirsch), em sua jornada pelos Estados Unidos, passa por diversas localidades e paisagens naturais. Exercício bastante interessante seria mapear seu rumo e fazer um levantamento dos ecossistemas e paisagens com os quais ele teve contato.
5- A sociedade e suas “aparências”, ou seja, as pessoas agindo para vender imagens política e socialmente corretas, como é o caso da família de Chris McCandless no filme “Na Natureza Selvagem” é tema forte e relevante da referida produção. Será que algum dia poderemos realmente falar o que pensamos, sem usar as máscaras que muitas vezes ocultam nossos reais pensamentos? Quando emergirá a verdade, a sinceridade, a honestidade em nossas práticas e relações sociais? Será que tudo ao nosso redor é mascarado e encerra – atrás de encenações – leituras muito diferentes daquilo que realmente ouvimos e vemos? Exercício bastante interessante para a compreensão dessa premissa é a análise do comportamento de pessoas públicas, como políticos, artistas, empresários, atletas ou músicos...
Ficha Técnica
NA NATUREZA SELVAGEM
(Into the Wild)
País/Ano de produção: EUA, 2007
Duração/Gênero: 140 min., Drama
Indicação Etária:12 anos
Direção de Sean Penn
Roteiro de Sean Penn baseado em livro de Jon Krakauer
Elenco: Emile Hirsch, Marcia Gay Harden, William Hurt, Hal Holbrook, Jena Malone, Brian Dierker, Catherine Keener, Kristen Stewart, Zack Kalifianakis, Robin Matthews.
Links
http://epipoca.uol.com.br/filmes_detalhes.php?idf=18282
http://www.adorocinema.com/filmes/na-natureza-selvagem/na-natureza-selvagem.asphttp://www.cinemaemcena.com.br/Ficha_filme.aspx?id_critica=7034&id_filme=5119&aba=critica
Fonte: http://www.planetaeducacao.com.br/novo/artigo.asp?artigo=1255
15 de out. de 2008
Blog Action Day 2008
1) Pondere. Isso significa pensar sobre a pobreza. Entenda seu lugar no mundo e como você pode ajudar a solucionar o problema. Comova-se, entenda, estude. Não guie-se apenas pela sua própria opinião e inteligência sobre o assunto, busque novas abordagens. Entenda o que você pode fazer pela causa.
2) Acredite. Sim, você faz a diferença. Você – e as tantas outras pessoas que passarem pelo seu blog no dia 15 de outubro – irão “mudar o rumo da conversa”, e isso vai se estender pelo mundo todo. Acredite.
3) Sonhe. Estamos desacostumados a pensar sempre na melhor possibilidade. Tire os pés do chão e imagine, como diz John Lennon, todas as pessoas vivendo em paz e dividindo o mundo. Exercite sua imaginação, sua criatividade. Não se tolha nem crie limites imaginários para suas possibilidades. Apenas crie.
4) Aja. Não é porque o Blog Action Day é um evento da blogosfera que você deve se limitar a blogar. Tome iniciativas, planeje, faça a diferença. Saia transformado do dia 15 de outubro – e transforme também.
5) Compartilhe. Além do seu blog, há uma série de meios de compartilhar suas idéias sobre a pobreza. Faça uso de mídias sociais, telefone, carta, pombo-correio, o que quiser! O importante é se comunicar – e fazer do Dia de Ação de Graças da Internet um evento com base no mundo real, é claro.
6) Mude. É uma conseqüência natural, é claro. Mas tente mudar realmente depois de ter visto tantos blogs com iniciativas e pensamentos sobre uma questão de importância tão fundamental no mundo. Leve a sério a pobreza e faça algo a respeito; certamente você terá bastante inspiração depois do dia 15 de outubro
O site Planeta Educação tem um artigo bem legal sobre o combate a pobreza que vale a leitura. Agora assistam o vídeo da campanha, reflitam e façam a parte de vocês.
Blog Action Day 2008 Poverty from Blog Action Day on Vimeo.
Abraços
Equipe NTE Itaperuna
11 de out. de 2008
Dando seqüencia ao Projeto Cinema no Caldeirão
Estamos novamente aqui postando outro filme fantástico para ser trabalhado na sala de aula. O filme em questão é Céu de Outubro, o filme além de mostrar a influencia de um bom professor na vida de um aluno, mostra que quantas vezes não vemos jovens abdicando de suas escolhas profissionais por conta de intervenções de seus pais.
Outro ponto legal do filme é o tal "elo social e familiar" que eu tenho falado aos meus alunos. Muitos de nossos alunos estão presos ao que eles chamam de destino ou carreira familiar: pai pedreiro, filho pedreiro, pai mecânico, filho mecânico, etc... e eu sempre pergunto a eles:
_ Pedreiro? hum... legal, mas por que não Engenheiro? Arquiteto?
Quantos não são os casos de garotos e garotas que escolheram uma determinada profissão por conta das possibilidades financeiras desse tipo de trabalho, abdicando da satisfação profissional de trabalhar numa área que lhes fosse mais interessante e prazerosa?
Que tipo de profissional surge numa situação em que a escolha profissional é orientada pelos pais ou por motivações como salários?
Eles acham que, ou perderam a capacidade de sonhar e isso no filme é bem legal ele sonhou construir foguetes e lutou por isso mesmo ficando contra o seu destino na mina de carvão.
Recomendo o filme com louvor, principalmente para, aqueles que assim como eu, os amante das exatas.
Abraços
Equipe NTE Itaperuna
O Céu de Outubro - Escolhas decisivas
Que perspectiva poderia ter o filho de um mineiro de carvão de uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos? Poderia imaginar-se fora da profissão exercida pelo próprio pai, como funcionário da única empresa instalada no local onde vive? Alimentar sonhos como a universidade e o aprofundamento nos estudos em áreas técnicas e científicas não estariam muito além do que a vida reservava para ele? Como superar o que parecia ser o destino da grande maioria dos jovens que ali viviam?
Perguntas como essas servem de guia condutor na história verídica do filme “Céu de Outubro”, onde Homer Hickam ( personagem do ator Jake Gyllenhall) tem que superar os obstáculos criados pela vida para atingir suas pretensões.
Seu pai, John Hickam (Chris Cooper), um homem extremamente conservador, considera que trabalhar na mina de carvão é ocupação digna que reverte rendimentos certos ao final do mês. Sustentar-se e sobreviver com alguma dignidade lhe parecem os caminhos corretos a serem seguidos pelo jovem Homer. Qualquer devaneio ou fantasia alimentada pelo filho constituem tolices que devem ser a qualquer custo tiradas da cabeça do rapaz.
Na escola, com o apoio incisivo de uma de suas professoras, Frieda Haley (vivida pela atriz Laura Dern), Homer leva adiante o projeto de criar foguetes. Estávamos no fim da década de 1950, a passagem do satélite russo Sputnik e as primeiras viagens ao redor do planeta constituíam os primeiros passos da humanidade rumo ao espaço. Essa temática encantava os adolescentes e fazia com que em suas noites de sono, a viagem interplanetária fosse tão popular quanto o rock and roll, a jaqueta de couro e o cabelo com gel (ou brilhantina, nos conformes da época).
Os foguetes criados pelo jovem Homer com o auxílio de alguns amigos entusiastas vão aos poucos tornando-se referência na cidade. O que, à princípio, era motivo da zombaria alheia, principalmente em decorrência das falhas e explosões, torna-se, aos poucos, uma das atrações da cidade. As experiências começam a ser acompanhadas por alguns dos garotos e garotas da escola e, posteriormente, por uma boa parcela da comunidade.
Apesar dos riscos iminentes e da falta de apoio da família, os jovens transformam a brincadeira em projeto para a feira de ciência da escola. Passam, inclusive, a pleitear a possibilidade de participar da feira estadual de ciência onde ganhariam mais projeção e visibilidade para seus projetos.
O duro cotidiano do pai, calcado numa experiência de vida sem grandes perspectivas, onde as possibilidades restringem-se ao trabalho pesado na produção de carvão, é o maior empecilho entre o sonho e realização do projeto de ciência de Homer. Os conflitos entre pai e filho tornam-se cada vez mais frequentes e a chance de resolver tudo através do diálogo parece cada vez mais distante. Para o pai, seria impossível conciliar estudo com trabalho e, em sua visão estreita de mundo, um bom emprego constituiria uma opção mais acertada do que continuar estudando, buscando uma formação técnica ou universitária, realidades distantes para uma família de pessoas simples como eles.
A vida restringia-se a cidade onde moravam. Os horizontes reduzidos impediam que ele percebesse que ao estudar, o filho poderia estar se garantindo um futuro muito mais promissor do que aquele com o qual ele próprio havia se habituado.
Um acidente na mina de carvão parece definir os rumos da história de Homer. A impossibilidade do pai continuar a trabalhar o leva a abandonar os estudos e se tornar o responsável pelo sustento de sua casa. Tudo levava a crer que ele continuaria o ciclo de vida de gerações de jovens daquela pequena cidade, vivendo modestamente, aspirando pequenas promoções e aumentos de salário e tendo que encarar uma existência profissional miserável, muito distante daquilo que pretendia.
Quantas vezes não vemos jovens abdicando de suas escolhas profissionais por conta de intervenções de seus pais? Quantos não são os casos de garotos e garotas que escolheram uma determinada profissão por conta das possibilidades financeiras desse tipo de trabalho, abdicando da satisfação profissional de trabalhar numa área que lhes fosse mais interessante e prazerosa? Que tipo de profissional surge numa situação em que a escolha profissional é orientada pelos pais ou por motivações como salários?
Homer se encaminhava para uma história de final muito parecido com o de muitos jovens que tiveram que abrir mão de seus sonhos e projetos de vida para se dedicar a existir. Não fosse a obstinação e a garra do jovem, de seus amigos e de sua professora e nem ao menos teríamos a possibilidade de ver esse filme. A virada na vida de Homer e o seu sucesso profissional como engenheiro da Nasa constituem o desfecho de uma história simples e emocionante.
“O sonho não acabou” dizia John Lennon. Todos os dias, ao acordar, as pessoas precisam acreditar nas escolhas que fizeram e vivê-las intensamente. Uma das mais decisivas e importantes opções que fazemos em nossas vidas é a escolha da profissão. Ser conduzido nesse ato por outras pessoas ou fatores alheios aos seus interesses ou ainda não poder optar significa sacrificar uma parcela de tempo, saúde e dignidade muito expressiva. Trabalhar numa profissão que nos satisfaça é importante em todos os sentidos, seja no psicológico, na saúde física, na satisfação pessoal, no equilíbrio emocional e, mesmo, no financeiro e material!
Aos professores cabe participar da orientação dos estudantes, estimular seus interesses através de suas aulas, fomentar feiras de ciências, exposições artísticas, organizar festivais de música, organizar visitas a universidades ou locais de trabalho de vários profissionais, estimular concursos de poesia ou mesmo ajudar com informações sobre cursos e profissões. Ao fazer isso, permitimos que nossos alunos tenham conhecimento e liberdade para fazer suas próprias escolhas!
Ficha Técnica
O Céu de Outubro
(October Sky)
País/Ano de produção: EUA, 1999
Duração/Gênero: 114 min., Drama
Disponível:- VHS e DVD
Direção de Joe Johnston
Roteiro de Lewis Colick
Elenco: Jake Gyllenhall, Chris Cooper, Laura Dern, Chris Owen.
Links
http://www.adorocinema.com/filmes/ceu-de-outubro/ceu-de-outubro.htm
http://epipoca.uol.com.br/filmes_detalhes.php?idf=337
Fonte: http://www.planetaeducacao.com.br/novo/artigo.asp?artigo=30