15 de ago de 2009

Woodstock - Semente da Liberdade

Olá Amigos

Estava a tempos querendo falar sobre cultura livre e comecei a pesquisar, então nessa busca encontrei o berço de todo movimento. Para começar, uma constatação óbvia: Woodstock foi uma moeda que caiu em pé. Os deuses de todos os povos e de todos os tempos parecem ter-se mobilizado para que tudo desse certo durante três dias mágicos, maravilhosos, que seriam para sempre lembrados como uma amostra da perfeição possível neste sofrido planeta.

Sem favor nenhum, posso afirmar que Woodstock foi o evento musical que mais influenciou as artes e os costumes na história da humanidade. E a conjunção de fatores que o transformou em marco e lenda dificilmente se repetirá.


Anos 60 foi à época de todas as mudanças. Logo após o homem chegar à Lua, entre 15 e 18 de Agosto de 1969, realizou-se o Festival de Woodstock, nos Estados Unidos, três dias que abalaram o Mundo. O lendário festival de Woodstock, que em três dias de "paz, amor e música" (ou seria sexo, drogas e rock’n roll) que reuniu mais de 500 mil pessoas. Apresentaram-se por lá artistas do calibre de Jimi Hendrix, Janis Joplin (precisou de apoio para entrar no palco), Santana, The Who, Joan Baez, Joe Cocker (outro que entrou chapado, mas quem não ?), Jefferson Airplane, The Band, 10 Years After, Country Joe & The Fish, John Sebastian, Tim Hardin, Ravi Shankar, Arlo Guthrie, Canned Heat, Sly & The Family Stone, Grateful Dead, Creedence Clearwater Revival, Crosby, Still, Nash & Young, Sha-Na-Na, Paul Butterfield Band e outros que completa 40 anos nesta semana e continua sendo considerado um acontecimento inigualável.







O homem tinha acabado de dar os primeiros passos na Lua e antes, o mundo inteiro viu os estudantes se manifestarem nas ruas de Paris, naquilo que ficou para a História como o Maio de 68. Nos Estados Unidos, a guerra do Vietnam estava no auge e a os protestos em relação ao conflito tornavam-se mais constantes. Numa epoca de acontecimentos que marcaram o mundo como quando os tanques soviéticos invadem Praga para reprimir protestos de aniversário da invasão de 1968, o assassinato de Sharon Tate e de seus amigos pela família Manson, o assassinato de Martin Luther em Memphis, Tenessee, e ainda a morte de Robert Kennedy, também abatido a tiros, foram eventos emblemáticos desse tempo. Uma década de extremos.

O Festival de Woodstock foi uma celebração à chegada da Era de Aquário, e nada representava melhor do que isso, o significado dessa Nova Era. Woodstock teve mais relevância por aquilo que representou do que propriamente pelo aspeto musical. Woodstock é o retrato fiel de uma época e permanece no imaginário coletivo como o lugar no qual o inconformismo e a rebeldia de uma geração castigada pela Guerra do Vietnã deram lugar, apesar da má organização, da chuva e da lama, a três dias de "paz, amor e música" (ou seria sexo, drogas e rock’n roll).

Foi nesta época que a grande maioria dos jovens entrou no universo das drogas, no amor livre, num regime de liberdade nunca antes visto. E Woodstock aconteceu exatamente nesse momento, acabando por ser um imenso ritual libertário para mais de meio milhão de pessoas. O festival foi o ponto alto do movimento da contracultura da década de 60 e da era hippie. Woodstock foi o estopim para que nos anos 70 houvesse uma explosão de reivindicações de minorias étnicas e sexuais, de forma jamais imaginada pela sociedade norte-americana. Revoluções comportamentais, sexo alternativo (com respaldo das pílulas anticoncepcionais).

As características da contracultura são ressaltadas no festival:
  • o amor livre e a desinibição corporal, com o nudismo sendo amplamente praticado, de forma inocente e até singela;
  • a convivência harmoniosa, sem nenhum resquício de preconceito, entre indivíduos de todas as raças, credos e orientações sexuais;
  • o consumo explícito e justificado (por alguns entrevistados, como Jerry Garcia) das drogas que, no entender daquela geração, abriam as “portas da percepção”, que alias começou em 1965, com um estudante de química chamado Owsley Stanley que aprendeu como fabricar ácido lisérgico no porão de sua casa e logo inundou San Francisco com o LSD, impulsionando o surgimento da geração das flores, imortalizada pela bela canção de Scott McKenzie: “Se você vier para San Francisco,/ não se esqueça de colocar/ algumas flores no seu cabelo…” Foi aí que o movimento hippie nasceu, aglutinando jovens que recusavam o american way of life e caíam na estrada, em busca de aventuras e novas experiências;
  • o visual premeditadamente desarrumado do pessoal, com suas roupas coloridas, ponchos e cabeleiras imponentes;
  • a substituição dos laços familiares por uma comunidade grupal (ou, como se dizia então, tribal);
  • a volta à natureza e a redescoberta do lúdico (em vários momentos, vêem-se marmanjos entregues a brincadeiras pueris, sem nenhum constrangimento);
  • a profusão de crianças, pois os hippies mandavam às favas o planejamento familiar, os anticoncepcionais e os abortos, assumindo plenamente o amor e suas conseqüências;
  • o solene desprezo pelas regras e valores dominantes na sociedade, que se evidencia até nas falas dos organizadores do festival, não ligando a mínima para os prejuízos que estavam ameaçados de sofrer.


Na época, o cenário tecnológico que hoje vivemos estava sendo concebido. A contracultura afetou vários segmentos da sociedade inclusive o de pesquisadores e cientistas das universidades pelo mundo afora. No caso da tecnologia, a contracultura influenciou praticamente todos os pilares da atual sociedade da informação: o Sistema Operacional Unix (Berkeley), os primeiros circuitos integrados (”small is beautiful”), o protocolo IP, o microcomputador pessoal (Steve Jobs), a linguagem de programação C e o movimento pelo software livre (na época era o sexo e as drogas). Vai ver era por isso toda esta turma de cientistas era cabeluda, barbuda e vegetariana.

Mas o que foi plantado lá floresceu e se espalhou pelo mundo. Com um mundo globalizado e tecnologicamente dotado a semente da liberdade e da cultura livre ganhou proporções nunca antes vista. Mas o que levaria hoje 3 mil jovens a acampar durante uma semana num festival? Não é sexo, drogas e rock’n’roll. Junte barracas esses “geeks” (nerds ligados em tecnologia) que levarão seus computadores personalizados. Então troque o campo pela cidade, os astros de rock por gurus e evangelistas tecnológicos, o psicodélico das drogas pelo psicodélico das tecnologias (games, simuladores, …) e encontramos então cientistas, programadores, público, tecnologistas, educadores, ativistas com a mesma atitude de Woodstock: mudar o mundo através da tecnologia.

Trata-se do Campus Party, festival de tecnologia que nasceu na Espanha em 1997. Para a turma desse Woodstock da era da internet ver Jon "Maddog" Hall falando é tão eletrizante quanto Jimi Hendrix dedilhando na guitarra o hino americano. E amigos eu não fui a Woodstock, coisa que todo garoto de minha geração sonhou , mas fui a um Campus Party. E lá vi a maior celebração de uma geração que com certeza irá mudar o mundo. O Campus Party foi um evento de conteúdo e de compartilhamento livre.

Mas afinal quais foram as grandes conquistas da Geração Woodstock?

A grande vitória da Geração Woodstock foi ter conseguido criar um ativismo em defesa do meio ambiente e a favor de algumas causas justas, criou a imagem do jovem como centro do universo do consumo, lançou alguns modismos que hoje estão em menor evidência, como o ioga, a macrobiótica, o ocultismo e a agricultura natural (sem defensivos e fertilizantes).

Não durou, entretanto, foi aquela militância política idealista e generosa: as gerações seguintes se desinteressaram de mudar o mundo, voltando a priorizar a ascensão profissional e social. O rock, depois de uma fase intensamente criativa e experimental, voltou aos caminhos seguros do marketing.

As drogas, ao invés de abrirem as portas da percepção, se tornaram instrumentos para a fuga à realidade e a ilusão de onipotência, cada vez mais pesadas, até que se chegou ao pesadelo do crack. E o amor livre degenerou em sexo casual, promiscuidade e Aids.

O sonho acabou? Talvez. Mas, quem partilhou do sonho, só lamenta que tenha durado tão pouco e tenha sido substituído por uma realidade tão cruel quanto sem graça.

Eu prefiro acreditar no ideal que iluminou nossas vidas por um pequeno instante… e marcou-nos para sempre continue a influenciar os jovens de outras gerações com seus ídeais.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

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