22 de fev de 2009

Aprendizado ao Longo da Vida, Aberto e Voltado para Competências

Antonio Mendes Ribeiro

As características atuais do conhecimento, como ele é trabalhado (a sociedade do conhecimento) aliadas a outras tendências como a globalização, a evolução das tecnologias da informação, a explosão demográfica, a individualização em coletivos conectados, colocam desafios nunca antes vivenciados em termos educacionais. Os conhecimentos em redes e as competências são cada vez mais essenciais para a evolução do nosso mundo. Em vários países e em especial na comunidade européia ocorrem grandes discussões e têm sido feitos investimentos significativos na chamada Aprendizagem ao Longo da Vida, que é vista como um componente básico de seu modelo social. Existe uma grande dificuldade de sua implantação, principalmente considerando a necessidade de integração da educação formal inicial, da educação de adultos e da formação no trabalho, num único enquadramento político, relacionado com objetivos comuns, não só educacionais, mas também econômicos e sociais.


Aprendizagem ao Longo da Vida

Toda a atividade de aprendizagem em qualquer momento da vida, com o objetivo de melhorar os conhecimentos, as aptidões e competências, sejam formais, não formais ou informais, no quadro de uma perspectiva pessoal, cívica, social e/ou relacionada com o emprego

Uma pessoa em qualquer tipo de situação na sua vida, uma ocupação, um hobby, um esporte, necessita de um número diferente de competências. Muitas pessoas depois de um período longo da vida precisam até readquirir e aprimorar competências básicas, como se alimentar correta e saudavelmente, como se sentar adequadamente. Um conjunto de capacidades diferentes e necessárias, num contexto da realidade de uma pessoa, é chamado de perfil de competências. Durante a nossa vida desenvolvemos e mantemos diferentes perfis de competência, em vários níveis de proficiência, para cada uma das situações enfrentadas.



Competência

A capacidade e o potencial de uma pessoa, grupo ou organização para agir de forma efetiva de forma que permita que esteja disposta para enfrentar e dê conta de certos problemas, eventos ou tarefas numa situação do seu dia a dia

Classes de Competência

Cognitiva (conhecimento)
Funcional (habilidades)
Atitudes (ética, visão crítica, ..)
Pessoal (inteligências múltiplas, abertura,autonomia,..)

A competência é por natureza contextualizada (situada), corresponde a um relacionamento entre um indivíduo, uma equipe, ou uma organização e os eventos e práticas no seu ambiente. Outra característica é que ela não é mensurável. O que se consegue ver são as atividades que uma pessoa é capaz ou não de realizar e os artefatos desenvolvidos a partir das mesmas. A sua definição deve ser determinada pelos envolvidos regularmente com o exercício dessa competência, isto é, por uma comunidade de prática, virtual ou não. Qual é o perfil de competência de um mediador de comunidades virtuais? Por mais que existam especialistas e professores no assunto capazes de defini-lo, esse perfil deve ser validado e consolidado pelos próprios mediadores, pela experiência nessa prática. Não existem perfis globais das profissões, cada situação, cada país, cada região, tem características próprias, mesmo que sejam usados os mesmos instrumentos ou realizadas os mesmos tipos de tarefas.

Uma das competência que precisamos assumir no mundo de hoje é a própria admistração de competências. Elas precisam ser administradas em vários níveis, desde um jovem, tentando progredir na vida, até órgãos de representação profissional, tentando manter a qualidade dos serviços profissionais de seus filiados. Essa é uma tarefa complexa, normalmente as metodologias e ferramentas disponíveis para essa tarefa não estão na mão das pessoas diretamente interessadas, mas de instituições voltadas para exames de certificação, organizações profissionais ou educacionais, empresas que dominam tecnologias específicas, departamentos de RH de empresas, agências de emprego. Isso faz que para uma pessoa seja muito difícil ou mesmo impossível administrar o seu próprio processo de desenvolvimento de competências. O projeto TenCompetence da Comunidade Européia tenta reverter a situação atual, criando recursos de informação para o desenvolvimento de competências (perfis, caminhos, atividades) e ferramentas adequadas que coloquem na mão das pessoas a possibilidade de administrar o desenvolvimento de seu próprio perfil de competência.

Processo pessoal de Administração de Competências

Achar um local que defina o perfil de competência na área de atuação desejada

Mapear o seu perfil atual no perfil de competência identificado e desejado

Identificar as oportunidades de desenvolvimento de sua competência existentes na sociedade

Selecionar e realizar o conjunto necessário de programas de desenvolvimento

Apresentar para a sociedade, professores e empregadores o seu perfil de competência alcançado

A educação formal existente atualmente no nosso mundo, não somente no nosso país, está muito distante e insensível à necessidade de criar competências voltadas para a aplicação dos conhecimentos por ela transmitidos em situações de prática, que tragam benefícios para o sistema produtivo e a empregabilidade. A competência deve se tornar o foco para o desenvolvimento de currículos e processos de capacitação, principalmente em áreas técnicas e ciências exatas. Na medida em que o nosso mundo se caracteriza pela abertura, flexibilidade, mudanças constantes e necessidade de respostas rápidas, essa tendência se amplia para as áreas humanas e sociais, e para o próprio ensino superior. Os perfis de competência podem auxiliar os professores nos seus cursos, serão uma fonte de reflexão e direcionamento para os alunos, além de facilitar a interação entre instituições educacionais e o mercado de trabalho no processo de aprendizado ao longo da vida.



A realidade do mundo de hoje tem feito que as pessoas desejem e necessitem estudar em qualquer lugar, no tempo e no ritmo de sua escolha, de acordo com suas necessidades e competências. As pessoas estão cada vez mais envolvidas com as tecnologias da informação e sem tempo para se afastar de suas atividades do dia a dia do trabalho. A palavra de ordem é flexibilidade, cursos pré-planejados, com conteúdos programáticos rígidos têm cada vez menos sucesso.Os alunos desejam que as suas competências existentes sejam consideradas e que os cursos se adaptem às mesmas. Para isso devemos ter um processo de aprendizado aberto, ao longo da vida e voltado para competências, onde é oferecido uma versão de curso (caminho) diferente para cada aluno, centrada no desenvolvimento do perfil de competência do mesmo, e disponível sob sua demanda, de acordo com suas necessidades imediatas no trabalho ou no estudo. Por outro lado esse ambiente de aprendizado exige um aluno com suficiente autonomia, com potencial de auto-direção, de se envolver ao mesmo tempo em atividades formais e informais. Essas atividade de aprendizado devem ocorrer em diferentes domínios do conhecimento humano, em ambientes populados por participantes com diferentes níveis de competência, sejam iniciantes ou especialistas de alto nível, com focos diferentes, sejam voltados para a prática , para pesquisas acadêmicas ou para o desenvolvimento de produtos para o mercado.



A utilização das últimas tecnologias da informação permitem a criação de espaços mais adequados para esse novo tipo de ecologia do conhecimento e aprendizado. Ambientes de colaboração (redes sociais, blogs, wikis), ambientes de comunicação interativa (chamadas de áudio e vídeos, mensageiros), ferramentas pessoais (editores multimídia, de escritório) tem características adequadas às demandas do aprendizado aberto ao longo da vida e voltado para competências. A nossa sociedade caminha de forma acelerada para esses ambientes, as crianças hoje já nascem vivenciando-os no seu dia a dia, o que é uma das justificativas para o seu perfil de maior autonomia, na medida que facilita a comunicação com seus amigos e a publicação de seus próprios conteúdos. Não se trata somente de um processo de apropriação de tecnologias. São desafios para todos nós, ambientes onde se podem viabilizar mudanças educacionais e profissionais, baseadas em abertura, autonomia, conexão, contextualização e diversidade.

Fonte: http://www.peabirus.com.br/redes/form/post?topico_id=14571

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