11 de nov de 2008

Estamos chegando perto do ‘Minority Report’

Olá, leitores.

Este post é um passeio por idéias e devaneios sobre as tecnologias, do passado e do futuro. Creio que os leitores nunca me viram escrevendo desta forma, mas hoje será diferente. Espero que gostem.

Estava pensando que há pouco mais de 12 anos eu usava um pager, aparelho que permitia apenas receber mensagens curtas de texto. Na época,

já era uma evolução, pois os primeiros pagers apenas apitavam, e seus donos ligavam para uma central de atendimento para pegar o recado. Depois de um tempo eles evoluíram e você recebia um numero de telefone na tela, para poder discar para quem lhe procurava. Uma insanidade, não?

Então comprei meu primeiro celular, era novidade aqui no Brasil. Era da famosa ‘banda B’, um aparelho da Nokia que mais parecia um tijolo, com três baterias, uma mais grossa para viagens, uma “fina” que de fina não tinha nada e uma que vibrava quando o telefone tocava. Essa última era o máximo em tecnologia. O telefone ligava e armazenava contatos.

E eu era feliz com isso.

A tecnologia, e a dependência que temos dela no dia-a-dia cresceu vertiginosamente nos últimos 10 anos. Contei a história do pager e do meu primeiro celular para ilustrar o surgimento do dispositivo que nos tornamos dependentes e é o maior representante desta evolução: o celular.

Eu não gosto de falar de sua evolução, e sim dizer que ele é o dispositivo da convergência. Explico: é um aparelho que nasceu com o propósito simples, que é facilitar a comunicação entre as pessoas.

Só que a comunicação é muito mais do que simplesmente falar. É ler, ouvir, assistir, compartilhar, interagir e muito mais. E foi nesse “aglomerado” que os fabricantes o tornaram. Hoje, muitos celulares simples vêm com câmera digital, sendo possível gravar e enviar vídeos e fotos.

A tecnologia 3G está entrando com força no mercado, trazendo mais interatividade e possibilidades aos celulares, e de certa forma, nos deixando mais dependentes.
Outro ponto importante de ser mencionado é o barateamento dos smartphones, trazendo para qualquer pessoa a possibilidade de ter em suas mãos um equipamento com os principais recursos de um computador convencional, conectado em tempo integral com a internet.

Percebam o que um futuro super próximo nos aguarda: equipamentos portáteis e pessoais, conectados à grande rede, com capacidade de processamento caminhando para o patamar de computadores domésticos – alguns celulares atuais são mais poderosos que o PC que eu usava há oito anos. Com sistema de captação do sinal digital de televisão e podendo fazer uso dos recursos de interatividade que a TV digital oferece. Além de tudo isso, ele ainda faz ligações telefônicas…

As possibilidades são muitas, tantas quantas são as que esbarram em princípios de privacidade e de legalidade:

Por meio do número de identificação do aparelho, é possível conhecer seu dono. Com o recurso de GPS, é possível saber sua localização. Com o cruzamento de dados entre as empresas e as operadoras de telefonia, é possível enviar anúncios para os celulares, personalizados para aquele cliente, anunciando um produto ou serviço que está próximo a ele. Este é apenas um exemplo de aplicabilidade para esta integração.

Outra aplicação plausível seria usar o celular como leitor de códigos de barras – prática comum há anos no Japão - para coletar preços e detalhes dos produtos em um supermercado. O telefone conecta-se a um sistema de pesquisas, informando um comparativo de preços do produto em outros estabelecimentos. É possível até somar os produtos selecionados e ver no final da compra se o consumidor não poderia economizar se fizesse a compra no concorrente.

São apenas duas idéias bem básicas de como as coisas poderão ser dentro em breve, e isso pensando apenas nos celulares.

Saindo um pouco deste mundo, me chamou a atenção em um passado não muito distante, uma cena no filme Minority Report, estrelado pelo Tom Cruise, onde seu personagem manuseia uma tela enorme movendo os arquivos com as mãos, organizando e mesclando informações. Achei aquilo espetacular, e no meio do ano passado a Microsoft apresentou o Surface, que é justamente um sistema rudimentar do que apresentou a ficção de Steven Spielberg.

Podemos observar este mesmo tipo de sistema nos celulares iPhone da Apple ou o LG Viewty, e parece ser uma tendência, eliminando teclados e botões.

O Surface é, de certa forma, tosco, pois o formato de mesa não é algo tão prático, mas o conceito de funcionamento - como manuseio de fotos, transferência automática de filmes e imagens de câmeras e celulares através de conexões Bluetooth - torna a tecnologia do dispositivo algo interessantíssimo para ser aplicado em outros tipos de dispositivos, como TVs de LCD e monitores. Uma aplicação real é demonstrada neste vídeo no Youtube, inclusive anterior ao surgimento do Surface.

Colocar a câmera sobre a mesa, as fotos serem descarregadas automaticamente, você escolhe um de seus álbuns, abre, e vai colocando as fotos nas páginas do álbum e depois mostra as imagens em um slide show diretamente em sua TV… Este cenário é totalmente possível e não me parece distante.

O conceito de fotos e vídeos digitais atualmente está muito atrelado a PCs, as pessoas tiram fotos e fazem filmes em suas câmeras ou celulares e logo pensam em conectá-las a um PC, descarregar,para colocar no Flickr, Orkut ou Youtube. Este cenário irá mudar com dispositivos semelhantes ao Surface.

Claro que por trás dele existe um computador, mas a evolução dos sistemas operacionais e dos conceitos de usabilidade vai fazer parecer que você não está sentado diante de um PC, como está agora neste momento que lê este post.

Até mesmo a forma de assistirmos TV vem mudando muito. Hoje não usamos uma das principais características da TV Digital, sua interatividade. A possibilidade de não sermos meros espectadores e efetivamente participarmos do que ocorre nos programas. Enquetes em tempo real, compra de produtos que aparecem nos programas entre outras serão realidade em breve também.

Falando em TV, existem pessoas pesquisando formas de termos sensação de 3D em TVs convencionais, ou seja, termos a percepção de 3 dimensões em um ambiente de duas. Vejam este vídeo de Johnny Chung Lee, publicado no YouTube há cerca de um ano, onde ele mostra este sistema.

Por fim, pensando em nossas residências, sistemas eletrônicos de controle da casa já são realidade para muitas famílias de classe alta. Controle de luminosidade, controle eletrônico de temperatura, integração com sistemas de segurança online, com a possibilidade de vigilância pela internet, dentre outras funcionalidades de casas realmente inteligentes.

Eu enxergo um futuro muito interessante, onde ficaremos cada vez mais cercados de tecnologias, provavelmente todas embarcadas neste “cara” que hoje chamamos de celular. Enxergo também uma reflexão nas questões éticas e de privacidade, sendo necessário um amplo debate da sociedade sobre os limites de invasão destas novas tecnologias e suas potenciais possibilidades.

E você leitor, o que pensa desta enxurrada de tecnologias, cada vez mais presentes em nossas vidas, Mudando nossa forma de viver e de conviver? Conte sua experiência, e o que pensa para o futuro. Comente agora!

Postado por Fernando Panissi em 15 de Julho de 2008 às 14:48

Fonte: http://colunas.g1.com.br/tiraduvidas/2008/07/15/estamos-chegando-perto-do-minority-report/

3 comentários:

José Antonio Klaes Roig disse...

Oi, Robson. Estou indicando teu blog aos colegas aqui do RS. Um abraço, Zé.

Tati Martins disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Tati Martins disse...

Oi, Robson!
Mais uma bela postagem. Vou indicar lá no meu blog.
Beijinhos