16 de out de 2012

Lugar de estudar é na biblioteca?


“Lugar de aluno estudar é a biblioteca...”: eu ouvi essa frase na minha sala de aula diante de alunos que assistiam à cena com os olhos muito arregalados. Quem a proferiu foi alguém com formação em Educação. Na época, eu usava a rede social Ning para realizar algumas  tarefas com em uma de minhas turmas e aquele nosso novo  jeito de  estudar promovia uma mudança comportamental: os meninos atrasavam-se menos,  faltavam menos e estavam  mais participativos.  A partir daquela “invasão” em minha sala de aula, eu comecei a pensar se, de fato, a biblioteca era o único espaço possível para aquisição de conhecimento, se eu estava errada ou  se era apenas falta de visão da profissional  que  fez o  comentário.



Eu cresci em uma família em que era natural acumular livros, jornais e revistas que, no futuro, seriam transformados em  material de pesquisa escolar. Na graduação e na pós-graduação,  eu  passava horas na  biblioteca da UERJ  buscando  informações para o  meus trabalhos. Eu me formei em 1997 e, naquela época, uma meia dúzia de universitários tinha computador em casa – eu não fazia parte desse grupo! Eu fui aluna no século XX; vivemos no século XXI. Os estudantes de hoje têm pressa, ansiedade, computadores e celulares com acesso à internet; os professores, medo de usar novas ferramentas. É preciso acertar esse discurso. Se a informação está virtualmente à nossa disposição, por que, então, desconsiderar a web como um ambiente adequado de aprendizagem?


Considerar que a sala de aula e a biblioteca são os únicos espaços possíveis para a educação é um tremendo equívoco! Vivemos em uma sociedade informatizada e abundante em informações. Cabe lembrar aqui que, antes da popularização da internet, a educação a distância era feita por carta, rádio e televisão – meios que, por suas características, não permitiam a interação entre aluno e professor ou esta era feita de modo muito lento. Barros e Crescitelli (2008, p. 76), lembram que “o professor  não está em uma sala de aula para exercer poder sobre seus interlocutores, mas para ensinar, o que não pode ser feito sem a colaboração do aluno, ou seja, o aluno também tem  bastante poder”. O ambiente virtual de aprendizagem promove uma nova distribuição de poder, uma vez que a web oferece novas condições de interação e participação dos alunos. Nesse novo paradigma educacional, o professor precisa rever suas práticas, adequar o uso de TICs aos seus conteúdos curriculares  (e não o inverso!) e favorecer ao  seu aluno a possibilidade de amadurecer de  tal modo  que ele consiga aprender de  forma  autônoma.

Sugestões de leitura:

AMARAL, L. H.; C. L. C. Tecnologias da comunicação aplicadas à educação. In: MARQUESI, S. (org). Interações virtuais: perspectivas para o ensino de língua portuguesa a distância.  São  Carlos: Claraluz, 2008. p. 11 – 20
BARROS, K. S. M; CRESCITELLI, M.F. Interação em ambientes virtuais para ensino e aprendizagem. In: MARQUESI, S. (org). Interações virtuais: perspectivas para o  ensino de língua portuguesa a distância.  São Carlos: Claraluz, 2008. p. 73 - 92 
MENEZES, V. L. Interação e aprendizagem em ambiente virtual. Belo  Horizonte: UFMG, 2010.
SILVA, M. Educação on ine: teorias, práticas, legislação, formação corporativa. 2.ed. São Paulo: Loyola,  2006.


Sobre a autoraAndréa Motta, professora de Língua Portuguesa e Literaturas, pós-graduada em Teoria Literária pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro; mestranda em Estudos da Linguagem pela Universidade Federal Fluminense. Blog: Conversa de Português http://conversadeportugues.com.br/ ; E-mail: andreamotta@conversadeportugues.com.br ; Twitter: @AndreaMotta / @CPortugues ; Facebook: motta.dea / CPortugues

Um comentário:

Andréa Motta disse...

Robson, eu deixei meu agradecimento pelo seu convite no outro blog e só hoje vi que o texto está aqui também. Por conta disso, divulguei o outro link.

Um abraço!