6 de mai de 2008

Não é faroeste, é vida real

Cléia Kattwinkel

Imagine se a cada manhã você acordasse pensando que deveria cantar "jingle bells" para algum brutamonte, ou que talvez fosse o escolhido para entrar de cabeça numa cesta de lixo ou em um vaso sanitário. Imagine o riso debochado de todos seus colegas naquele momento, sem que você pudesse reagir. E imagine se isto se repetisse a cada dia, durante três anos.

Estas são algumas das cenas do filme Bang bang, você morreu, dirigido por Guy Ferland, que descreve o drama de Trevor Adams (Ben Foster), um excelente aluno, que depois de ser humilhado por um dos jogadores do time de futebol da escola, ameaça explodir o prédio durante o período de aulas, porém usa uma bomba de mentira. Depois disto, mais deslocado do que antes, sofrendo a constante desconfiança dos colegas e sendo mal compreendido pela maioria dos professores, Trevor está pronto para cometer algo realmente violento contra seus colegas.

Preocupado com a crescente violência na escola e sensível à situação vivida por Trevor, Mr. Duncan (Tom Cavanagh), professor de cinema e teatro, o convida para ser o ator principal da peça que dá nome ao filme - Bang bang, você morreu - que o leva a encarar sua situação e as conseqüências de agir motivado pela vingança. Mas a peça é mal compreendida por pais e professores, que entendem que ela pode estimular a violência e é censurada pela direção da escola.

"Um empurrãozinho diante de outros garotos, é algo muito relevante... especialmente, quando você sabe que vai acontecer todos os dias. Você fica quase aliviado quando acontece..." Esta é parte de uma das cenas mais marcantes do filme, quando Trevor faz, em uma de suas produções cinematográficas secretas, um desabafo que deveria nos levar a refletir sobre o efeito que atos aparentemente insignificantes exercem na vida de um garoto ou garota.

Embora existam muitas teorias sobre como lidar com os adolescentes, é praticamente impossível prever o que realmente passa na mente deles e qual é a lógica de seus atos e pensamentos. Embora alguns professores questionem os efeitos que este filme poderia exercer sobre os alunos - ironicamente, o filme foi censurado em algumas escolas pelo mesmo motivo que a peça foi vetada em Bang-bang - esta é uma excelente opção para ser analisada por professores e alunos sobre a importância de um tratamento digno para com o semelhante.

Já na superfície, encontramos questões para serem analisadas pelos professores, tais como a maneira de encarar a violência na escola, preconceito contra "alunos-problema" e a diferença que um gesto de confiança por parte do professor pode fazer na vida de um aluno. Para os alunos, traz a questão das brincadeiras de mau gosto que são comuns na escola, e o que a falta de respeito para com o semelhante pode trazer como conseqüência para a vida de uma comunidade.

A peça, também intitulada Bang bang, você morreu, que inspirou a produção do filme de Ferland, estreou em 7 de abril de 1999 em Eugene, Oregon, e de acordo com a própria produção do filme, já foi copiada do site (www.bangbangyouredead.com) mais de 100.000 vezes e reproduzida em escolas, igrejas, e centros comunitários dos Estados Unidos e do mundo.

Fonte: Canal da Imprensa

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