10 de set de 2007

Vôo United 93 - No olho do furacão

Onde você estava quando as torres gêmeas foram atingidas em 11 de Setembro de 2001? Aquele acontecimento mudou a história do planeta e definiu novos rumos não apenas para os Estados Unidos, mas para todos os demais países do globo. Não foram atingidas apenas as torres do World Trade Center e o Pentágono. A segurança mundial sofreu um revés sem precedentes a partir da ação orquestrada pela Al Qaeda de Osama Bin Laden.

Nunca mais nos sentimos realmente seguros...

Passamos a ter medo de andar de avião. Ficamos temerários de nossa sorte até mesmo em solo firme. O som de aviões cruzando os céus na proximidade dos prédios que habitamos ou nos quais trabalhamos também passou a nos dar arrepios. Olhamos desconfiados para os lados, como se a todo o momento estivéssemos sendo espreitados por alguém suspeito...

Aumentamos a sensação de desconforto em relação ao outro lado do mundo e as culturas ali abrigadas e residentes há tantos séculos. Se já não nos entendíamos bem historicamente com os mulçumanos, foram criados motivos suficientes para que esse ódio irracional se tornasse ainda maior e que muitas pessoas pacíficas fossem adicionadas em sua ira insana ao Corão e aos seus seguidores.

Não compartilho esse rancor acumulado com essas pessoas. Estendo minha solidariedade e respeito a todos aqueles que sofreram perdas diretas com os atentados. Entendo, porém, que a reação extremada do governo norte-americano e das forças de coalizão contra o Afeganistão e o Iraque não amenizaram em nada o sofrimento, muito pelo contrário, tornaram mais abertas e evidentes as feridas surgidas em setembro de 2001...

Outras tantas vidas foram e continuam sendo sacrificadas em virtude de radicalismos praticados por ambos os lados. Soldados americanos e ingleses, civis afegãos e iraquianos, cidadãos de diferentes nacionalidades e crenças, adultos e crianças, jovens e idosos, não há um perfil exato a ser apresentado para as inúmeras vítimas desse sangrento conflito que ainda hoje prossegue.

O diálogo também pereceu em virtude dos atentados. Não há voz capaz de apaziguar a guerra em andamento. A Organização das Nações Unidas (ONU) foi desprezada pela superpotência norte-americana e pela prepotência sem fim de seu principal líder, o presidente George W. Bush, e de mãos atadas nada pôde fazer para brecar o avanço das tropas da coalizão contra o “Eixo do Mal” (nomenclatura criada por Bush para falar dos “inimigos da democracia” no mundo em que vivemos).

O clamor popular e a manifestação pública de autoridades, intelectuais, estudantes, religiosos e de profissionais notórios das mais diversas áreas, todos de diferentes nacionalidades, em pouco ou nada alterou o cenário cinzento que passou a fazer parte dos horizontes da humanidade a partir daquele 11 de Setembro...

E ainda hoje estamos ouvindo os ecos das explosões dos aviões comerciais se chocando contra as edificações da maior potência mundial. Novas histórias estão sendo reveladas ao mundo. Livros relatam os acontecimentos, ensaios dissecam o ocorrido, críticas ponderam as conseqüências para o amanhã.

O cinema também está atento aos acontecimentos e tem produzido filmes que tentam de alguma forma sensibilizar os espectadores para toda a dor, sofrimento e angústia provocados pelos atentados terroristas daquele ano de 2001 que poucos conseguem esquecer.

“Vôo United 93” é uma das produções que procurou nos posicionar quanto aos fatos ocorridos em Boston, Nova Iorque, Washington e no estado da Pensilvânia. Trata-se de um filme poderoso, que toca profundamente o público e que procura de forma bastante fidedigna e provocativa nos colocar no olho do furacão daqueles acontecimentos. Para assistir e rever várias vezes! Não perca!
O Filme

O crescimento do setor aéreo em nível mundial foi impressionante nos últimos 30 anos. O segmento teve que modernizar-se rapidamente para que pudesse dar conta da demanda avassaladora por novos vôos. Os jatos tornaram-se mais confortáveis e inúmeros serviços passaram a ser oferecidos a bordo para tornar as viagens ainda mais atraentes e fidelizar os clientes para as companhias aéreas, em sua competição acirrada nesse mercado apetitoso.

Por trás das cortinas ficavam os controladores de vôo e todo o sistema que operacionaliza e procura normatizar e racionalizar as idas e vindas de tantas aeronaves. A vida dos passageiros relaciona-se não apenas a astúcia e a habilidade dos pilotos e co-pilotos, mas também a dos técnicos e engenheiros que diariamente controlam das torres dos aeroportos esse intenso tráfego aéreo.

Nos Estados Unidos a dimensão dos acontecimentos no setor é ainda maior quando comparada com os demais países do mundo. Nesse sentido é necessário salientar que nem todas as medidas básicas de segurança para os vôos que saíam de aeroportos americanos haviam sido tomadas até 11 de setembro de 2001...

E é a partir dos controladores de vôo de Boston, do aeroporto de onde saíram as aeronaves que seriam utilizadas como mísseis tripulados e com passageiros contra o pentágono e as torres do World Trade Center, que passamos a ter uma visão geral das dificuldades pelas quais passam os trabalhadores do setor e também do caos, conturbação e pânico que se estabelecem quando alguns vôos somem dos radares, cortam contato com os controladores ou ainda que dão indícios de que foram vítimas de seqüestros no ar...

Em “Vôo United 93”, o diretor e roteirista Paul Greengrass nos coloca nas torres de controle (ou seriam de descontrole?) de Boston e de outros aeroportos diretamente afetados pelos acontecimentos, nos setores de monitoramento de vôos da aeronáutica dos Estados Unidos e também dentro do vôo 93 da United Airlines, o único dos aviões que não atingiu o alvo previsto pelos terroristas...

E vamos acompanhando, com os nervos à flor da pele, em crescente tensão, o desenrolar dos acontecimentos que colocaram os Estados Unidos e o mundo todo em polvorosa, à beira de ataques de nervos, com um barril de pólvora prestes a explodir a qualquer momento em várias partes do planeta...

“Vôo United 93” provoca ainda mais os espectadores por colocá-los em contato com uma história que não é ficção. As pessoas retratadas na produção realmente existiram e lutaram por suas vidas e pelas de tantas outras pessoas. Ao medo e a insegurança adicionam-se a bravura e a coragem dos passageiros daquele vôo que evitaram uma tragédia ainda maior e que, com suas vidas, deixaram para nós um exemplo inesquecível de audácia, força e valentia...

Para Refletir

1- Ainda vivemos as tensões e o medo surgidos a partir do 11 de Setembro de 2001. E é importantíssimo que não se generalizem as responsabilidades pelos atos atrozes daquele acontecimento entre toda a comunidade islâmica. A covardia e o barbarismo do terrorismo relacionam-se a grupos radicais como a Al Qaeda, em relação aos quais a maioria dos mulçumanos não concorda e pelos quais não estão dispostos a morrer ou defender como pensam tantos ocidentais. Nesse momento é importante falar sobre aqueles acontecimentos com isenção, sem preconceitos, analisando os fatos e estudando com o necessário distanciamento das emoções as possibilidades para um mundo em que se estabeleça novamente a paz a partir do diálogo...

2- Não somos iguais aos mulçumanos ou aos judeus, nem aos sul-africanos ou aos mexicanos, tampouco aos orientais como os chineses e japoneses... E a despeito do que pensam muitos, isso não é ruim. Pelo contrário, a diversidade étnica é a maior riqueza que possuímos. A composição de diferentes culturas, crenças, valores e realizações humanas ao redor do globo nos tornam mais ricos e não mais pobres... Pena que tanta gente ainda não tenha compreendido isso e continue a advogar o ódio, a separação, o distanciamento e a guerra. Temos que perceber que a diferença é uma grande riqueza e que a partir da mesma podemos compartilhar soluções e não problemas para o mundo em que convivemos...

3- O “eixo do mal” ao qual se refere o patético presidente Bush dos Estados Unidos existe apenas a partir da vontade de lideranças esquizofrênicas que tentam colocar em prática suas megalomanias e que, em detrimento de milhões de pessoas, acabam colocando em risco a segurança mundial e também a própria existência de seus países. Seria interessante propor um estudo da geopolítica mundial para perceber os contrastes entre os países (com especial destaque aos componentes do “eixo do mal”), as disputas econômicas em vigência no planeta, a consolidação de blocos de apoio econômico e político,...

4- Assistir aos filmes relacionados ao 11 de Setembro, fazer um esmerado levantamento de artigos de jornais e revistas publicados desde aqueles acontecimentos até o dia de hoje, buscar referências na Internet e procurar livros publicados sobre o tema pode ser um exercício deveras interessante para compor uma mostra aberta, reunindo escola e comunidade, sobre o tema e discutir alternativas para a obtenção da tão sonhada paz...

João Luís Almeida Machado
Editor do Portal Planeta Educação; Doutorando pela PUC-SP no programa
Educação:Currículo; Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela
Universidade Presbiteriana Mackenzie(SP); Professor universitário e Pesquisador.

Ficha Técnica

Vôo United 93
(United 93)

País/Ano de produção: Estados Unidos/Inglaterra/França, 2006
Duração/Gênero: 111 min., Drama
Direção de Paul Greengrass
Roteiro de Paul Greengrass
Elenco: Christian Clemenson, Trish Gates, Polly Addams, Cheyenne Jackson, Opal Alladin, Gary Commock, Nancy McDoniel, David Alan Basche, Richard Bekins.

Links

Site Oficial: www.united93movie.com
http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/filmes/voo-united-93/voo-united-93.asp
http://epipoca.uol.com.br/filmes_zoom.cfm?id=11582
http://www.cinemaemcena.com.br/frm_filme.aspx?cod_filme=4666
http://www.cineclick.com.br/criticas/index_texto.php?id_critica=9388

Trailer Oficial

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