5 de dez de 2006

Fui Afalbetizada(o) e Não Falo Miguxês

Substantivo
mi.gu.xês masculino(Brasil) Forma ortográfica do português em que se troca o "s" pelo "x" e o "r" pelo "l", utilizada, geralmente por jovens, especialmente meninas, em meios de comunicação baseados na Internet.

Miguxês é o termo utilizado em alguns lugares do Brasil para se referir à forma de escrita comum utilizada por algumas adolescentes em mensagens trocadas pela Internet ou em blogs. O termo é proveniente de miguxa, variante de "amiga", que é uma forma polida usada no tratamento entre duas adolescentes.
As características mais particulares do miguxês em relação ao que se costuma chamar de internetês é a permutação do "o" em final de palavras por "u" e do "e" por "i", a grafia genérica das fricativas dentais surdas como "x" e a permuta do "r" intervocálico por "l". Diferentemente do internetês não tem como propósito abreviar palavras para facilitar a escrita, mas, sim, ornamentar as palavras para lhes dar um aspecto mais pueril.
Na forma falada, esse termo é conhecido como tatibitáti, e é mais utilizado para comunicar-se com bebês e crianças. Acredita-se em geral que recorrência de um tom de voz mais fino, e troca das letras, conforta, estimula, faz com que o bebê ou criança sinta-se amparado, menos irritado e mais confiante com seu interlocutor, embora alguns psicopedagogos argumentam que essa forma de falar com crianças possa retardar seu aprendizado da linguagem correta.

Por que as pessoas quando estão na Net escrevem axim, vc, xau, bju, kct, fds?????

Imagina nossos pais e avós tendo que ler um texto com aquele estranho dialeto usado por adolescentes em chats e fotologs repleta de palavras abreviadas e corruptelas como "fzr" (fazer), "cmg" (comigo) e "9dades" (novidades). A intenção dos jovens é fazer uma revolução mais "antenada" (odeio essa palavra) com o público.
Quem já estudou lingüística já deve ter ouvido o papo de que não existe certo ou errado na língua. Segundo essa abordagem, o domínio das normas cultas deve ser analisado como um fato de dimensões sociais, que no fundo só serve para ressaltar a superioridade arbitrária de um grupo sobre outro. Segundo esse ponto de vista, os gramáticos seriam espécies de ditadores, sobrepondo sua visão sobre os demais. Mas o problema é o seguinte: sem a imposição de determinadas regras, a língua portuguesa torna-se uma barafunda, uma anarquia na qual vale tudo, até mesmo iXcReVeR dExXi jeItU intragável de se ler.
Ok, línguas são como organismos vivos que evoluem de acordo com os tempos, recebendo influências de outras culturas e idiomas, e acolhendo novos vocábulos criados pelas mudanças sociais e tecnológicas. É assim que incorporamos palavras surgidas relativamente há pouco tempo em nosso dia-a-dia, como "blog", "teleconferência", "apê", "downsizing" e "metrossexual", enquanto outras estão fadadas a cair paulatinamente no oblívio, como "vitrola", "soviético" e "malufar". Mas será que a melhor resposta à propagação desse dialeto já praticado por cerca de 7 milhões de internautas é, simplesmente, incorporá-lo ao nosso dia a dia?
O fato é que, uma vez chocado o ovo da serpente, o bicho torna-se indomável. Eu, pessoalmente, gosto de ver o debate sobre pessoas que adotam as grafias alternativas criadas pelos internautas, mas ao mesmo tempo sei que é uma postura estéril, uma vez que não há como se controlar a difusão do "miguxês" - línguas se modificam naturalmente, por mais que legisladores e gramáticos tentem impor regras normativas.
Vale a pena, de qualquer modo, acompanhar os apaixonados debates travados na internet. Mais do que os previsíveis embates entre internautas indignados com a "imbecilização da humanidade", e outros que chamam os detratores da iniciativa de "fascistas" (palavra tão banalizada) e "tiranos da língua", chamo a atenção para aqueles que abordam o assunto da maneira como qualquer crítica deveria ser feita: com bom humor. Destaco aqui as sugestões de Gabriel Tacchi, de criar novas atrações como a Sessão Mussum (pra quem é fãnzis do saudoso trapalhãozis consumidorzis de mé) ou a Sessão Língua do Pê, e de Régis Felipe Schorr, que propôs a exibição de filmes legendados em "fanhês" (afinal "fanho também é gente"), mas não em "gaguês", porque senão o filme acabaria muito antes das legendas...

Quem sabe um dia iremos falar uma lingua mista ou quem sabe uma totalmente nova.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

Um comentário:

Júnia Ramalho disse...

Olá NTE de Itaperuna

Adorei o Blog: informações atualizadas e bastante úteis para o professor, em especial para os OTs e CPs!
Abraço
Júnia Ramalho - NTERJ10