31 de mai. de 2008

Soluções aprovadas

Mesmo sem computadores na escola, professores incluem a informática no planejamento, favorecendo o ensino e a aprendizagem
Gisela Blanco
A maioria das escolas brasileiras não está informatizada, e vai demorar até que todas tenham laboratórios com equipamentos conectados à internet. As tentativas de prover as instituições com recursos tecnológicos são muitas, mas as questões envolvendo licitações e liberação de recursos do Estado tendem a demorar para se concretizar. Alguns professores usam essa realidade para justificar o fato de não prever o uso da tecnologia no planejamento. Outros arregaçam as mangas, procuram conhecer as ferramentas disponíveis e as utilizam em favor do ensino e da aprendizagem.

Bárbara Dieu, uma das pioneiras no uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) no Brasil e dona de cinco prêmios internacionais, como o Global SchoolNet de 2003, afirma: “Para aprender a utilizar os recursos, basta buscar informações, perguntar a quem sabe e insistir em aprender”. Nesta reportagem, você vai conhecer a história de cinco educadores que, sozinhos ou com a ajuda de amigos, encontraram soluções na própria rede mundial de computadores e fizeram uma revolução na vida dos jovens em lugares onde micros ainda são raridade.

Edson Ruiz

FORA DA ESCOLA - Mônica, de Salvadorm, sugere aos alunos que não têm internet que pesquisem em lan-house

Online na lan-house

As maneiras de resolver o problema da falta de recursos são bem criativas. Mônica Sepúlveda Fonseca, professora de História do CE Monsenhor Manuel Barbosa, em Salvador, conseguiu que suas turmas de 5ª e 6ª séries pesquisassem sobre a cultura baiana e publicassem os resultados em um site, mesmo com os oito computadores da escola sem acesso à rede (o modem aparelho que permite a conexão já foi solicitado à Secretaria de Educação do Estado). "A garotada topou freqüentar uma lan-house próxima à escola", conta Mônica, que dava orientações em classe e, no contraturno, monitorava os trabalhos online. "Os meninos aprenderam que pesquisa é mais que imprimir textos", conta, orgulhosa.

Bárbara Dieu

Foto: Emilia Brandão

Como foi o início na tecnologia?
Comecei a usar o micro para enviar e-mails. Navegando, fucei muito nos programas e busquei ajuda em listas e fóruns. Depois passei a montar e alimentar sites e blogs, gravar podcasts e participar de redes sociais.

O que é preciso para usar a informática na Educação?
Ter persistência e aproveitar tudo que as instituições oferecem. O acesso à internet está cada vez mais fácil, e existem muitas ferramentas gratuitas.

Como se pode acabar com o medo de tecnologia?
Só o uso diário derruba esse temor. Para quem está começando, recomendo participar de programas estruturados para iniciantes.

E quando a escola não incentiva o uso do computador?
É preciso apresentar um projeto e levar exemplos de experiências de sucesso. É assim que se ganha a confiança da direção, para depois ousar.

Quais são seus projetos atuais?
Abasteço o wikieducator.org, site que disponibiliza livros de direitos autorais livres, e coordeno o sistema de blogs Dekita, que coloca em contato alunos do mundo inteiro.

Já o professor de Ciências Ivan Tavares Scotelari de Souza, de São José do Rio Preto, a 440 quilômetros de São Paulo, conseguiu simular a navegação na internet em classe assim que a EE Celso Abade Mourão ganhou micros, em 1998. Ele se esforçou para aprender a usar as máquinas, pois tinha certeza de que a novidade seria importante em sala de aula: "Um dia, sem querer, cliquei com o botão direito do mouse em um site e descobri como gravar conteúdos offline. Salvei as páginas num disquete, que levei para a sala de aula, mostrando às crianças como surfar na rede mundial", relembra Scotelari. Hoje ele utiliza animações em flash, formulários de provas online e jogos virtuais, tudo de sua autoria.

Informatização no fim do túnel

O Ministério da Educação prometeu investir neste ano 400 milhões de reais em programas de inclusão digital. “Em 2008, devemos implantar 25 mil laboratórios de informática”, promete o secretário de Educação a Distância, Carlos Eduardo Bielschowsky, responsável pelo Programa Nacional de Informática na Educação (Proinfo). A meta é que as 55 mil escolas com pelo menos 50 alunos (80% do total) tenham máquinas conectadas à internet de banda larga até 2010. Já o programa Um Computador por Aluno, que distribuiria laptops de baixo custo, está parado. A aquisição das máquinas foi cancelada em fevereiro, e não há data marcada para nova concorrência.

Começo com e-mails

Diferentemente da experiência do professor paulista, a de Almerinda Borges Garibaldi envolveu formação. Ela fez um curso na organização não-governamental Partners of America e percebeu o potencial do mundo virtual. Mas no Centro Interescolar de Línguas de Taguatinga, cidade-satélite do Distrito Federal, onde leciona Inglês, existem três computadores para 4 200 alunos e a conexão de internet passa longos períodos fora de serviço.

Para iniciar um trabalho interativo, ela aprendeu a usar navegadores e e-mails. Encontrou os projetos didáticos no site Iearn.org. A proposta de trabalho é simples: basta escolher uma atividade, realizá-la em classe e enviar o resultado para a página, na qual educadores e estudantes de outros países podem fazer comentários, sempre em inglês. Os garotos começaram a compreender a dimensão do mundo, afirma Almerinda, que digita em casa a produção textual realizada em sala de aula e a publica na rede.

O entusiasmo dela envolveu colegas como Isabel Teixeira, que já utilizou o computador de uma aluna para participar do programa. Hoje ela forma grupos na sala de aula em que o coordenador, com micro em casa, se responsabiliza por digitar e publicar os escritos dos membros da equipe. Neste ano, a professora viajará ao Japão com dois estudantes a convite do Iearn.org. Eles vão elaborar, junto com jovens de outros países, um documento em inglês para os representantes do G8 - grupo que reúne os sete países mais industrializados e a Rússia - sobre a preocupação com os problemas ambientais e sugerindo soluções para eles.

Daniel Madsen

EM CASA - Usando seu próprio laptop, Almerinda, de Brasília, publica os textos dos alunos

Nas ondas da web

Nas escolas de Planaltina, também na periferia de Brasília, o aparelho de som e os alto-falantes eram usados pela garotada para ouvir música na hora do recreio. Até que um grupo de professores da região, com o apoio da rádio Utopia e da Universidade de Brasília (UnB), criou o programa Diversidade. No ano passado, seis unidades aderiram ao projeto, entre elas o CEF 04. Lá a professora de Arte Rejane Araújo de Oliveira envolveu 40 estudantes de 6ª a 8ª séries para produzir um programa de rádio ao vivo que era transmitido apenas por ondas de FM. Somente quem morasse num raio de 1 quilômetro da escola poderia ouvir a transmissão não fosse a parceria com o site Dissonante, criado por ex-alunos da UnB, que disponibiliza gratuitamente um servidor para a criação de rádios virtuais e ensina como usá-lo. "Para muitos jovens, o computador da rádio é o único com o qual têm contato", revela a professora. Os assuntos tratados no programa são os mesmos trabalhados em sala. "Como eles sabem que existem ouvintes, sentem-se motivados a pesquisar e produzir conteúdos de qualidade."

Daniel Madsen

DO ESTÚDIO - O programa de rádio feito com orientação de Rejane, de Brasília, vai ao ar pela Legenda da foto


Quer saber mais?

Contatos

Bárbara Dieu, beeonline@gmail.com

CE Monsenhor Manoel Barbosa, Conj. Guilherme Marback, s/n°, Quadra 1, 41710-050, Salvador, BA, tel. (71) 3371-2012

CEF 04, Setor Educacional, Lote D, 73310-100, Planaltina, DF, tel. (61) 3901-4543

Centro interescolar de Línguas de Taguatinga, QSB 02/03, A/E 3/4, 72015-520, Taguatinga Sul, DF, tel. (61) 3901-6771

EE Celso Abade Mourão, R. Jesus Cristo, 1041, 15044-545, São José do Rio Preto, SP, tel. (17) 3236-3789

Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/edicoes/0211/aberto/mt_274557.shtml

28 de mai. de 2008

O Professor do Futuro

Por Gabriel Perissé


"Para ensinarmos um aluno a inventar precisamos mostrar-lhe que ele já possui a capacidade de descobrir" (palavras do filósofo-poeta Gaston Bachelard).

O professor, como os artistas, provoca o amor pelo conhecimento, um amor que já existia em nós, mas estava adormecido.

O professor, como os profetas, desencadeia um processo de descoberta pessoal que, por sua vez, ativa nosso poder criador.

Desencadear é retirar o cadeado.

O professor liberta seu aluno. E os melhores alunos largam as mãos do mestre, depois de descobrir sua capacidade de andar sozinhos, de correr sozinhos, de voar mais alto.

Muitos estudantes andam presos, e por isso deixam de andar. Estão paralisados pelo medo, pela falta de horizontes. Estão perplexos, olhando sem ver, ouvindo sem escutar, falando sem dizer, lendo sem entender, escrevendo sem pensar.

Muitos estudantes estão na cadeia do desânimo, não sabem abrir caminhos com a força dos seus passos.

Muitos estudantes são vítimas de uma reação em cadeia. Não agem, só reagem. Mal se defendem do mal. Passam de ano sem passar. Passam sem pensar. São passados para trás. Sem saber por quê, e por quem. Passam mas não ficam. Ou passam e continuam presos ao passado.

O professor do futuro (e do sempre) deve ensinar, no presente, não o método que passa (e até faz passar...), mas a alma que permanece.

Deve ensinar, não a única resposta certa em meio à múltipla desescolha, mas a capacidade de cometer erros criativos, de ver que um fracasso, didaticamente, vale mil sucessos.

Ensinar, não a opção correta, a única porteira pela qual a boiada passa, de cabeça baixa, para o matadouro, mas a coragem de pular no escuro (se for preciso), e com os olhos abertos.

Transmitir, não o conhecimento mastigado, a ração, mas despertar no aluno a vontade de mastigar por conta própria, de usar a razão, de saborear conhecimentos tradicionais e inéditos.

O professor do futuro ensina, não o caminho das pedras, mas o amor às pedras que existem em todos os caminhos.

O verdadeiro professor é um inspirador.

Suas aulas são poéticas, proféticas.

Não hipnotizam, acordam. Não cansam, desafiam. Não anestesiam, fazem refletir.

O professor inspira confiança, inspira o desejo de chegarmos a ser deuses.

O professor do futuro torna o futuro mais real que a banal ilusão... desilusão que alguns chamam de realidade.

Gabriel Perissé é autor dos livros "LER, PENSAR E ESCREVER" e o "LEITOR CRIATIVO"

Fonte: http://intervox.nce.ufrj.br/~edpaes/prof-fut.htm

25 de mai. de 2008

Homenagem

Olá Amigos

Hoje gostaria de hoje homenagear o meu colega e amigo José Francisco da Silveira Júnior, ou simplesmente conhecido como Junior. Ele trabalha no NTE de São Pedro da Aldeia - NTE RJ10, e trabalha como técnico e é o Projetista e Diretor de Desenvolvimento responsável pela ferramenta de gerenciamento de todos os NTEs do Estado do Rio de Janeiro.

Ele criou o SAPI - Sistema de Administração e Publicação de Informações. Com características de um Software de Gestão Empresarial (ERP – Enterprise Resources Planning), o SAPI integra todas as funções da CTED - Coordenação de Tecnologia Educacional, com a finalidade de melhorar a qualidade, produtividade e efetividade dos serviços públicos prestados.

Se ele não for à melhor que eu já conheci, está entre as melhores. Ele engloba varias funções muito importantes para as tomadas de decisões que fazem da CTED uma das coordenações estaduais mais dinâmicas.

Isso prova o valor do meu amigo Junior que idealizou e realizou um sonho, coisa que poucos sabem fazer. Além do profissional competente e eficiente, ele é uma pessoa maravilhosa como ser humano.

Todos nos que trabalhamos com o SAPI sabemos da importância dele no nosso dia a dia, sabemos que ele sempre está melhorando e que sempre vem sendo acrescentado novos recursos. Quem já não deu o seu “pitaco” para melhorar o sistema.

E como ele mesmo fala “O fato é que 'agora temos um sistema de informações' que 'roda nos computadores das escolas públicas do nosso Estado', atendendo a todas as principais demandas da CTED e apresentando como uma de suas características o fato de funcionar sempre e nunca estar pronto.”.

Parabéns ao colega e amigo Junior por tornar o nosso dia a dia mais fácil.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

24 de mai. de 2008

Competências necessárias para usar tecnologia em sala de aula

Quais as competências e conhecimentos necessários para usar tecnologia (internet), em sala de aula? Se você é professor ou professora, já deve ter se perguntado isso. Se você já usou alguma ferramenta como o Google Earth nas suas aulas, deve estar se perguntando como melhorar? E para quem nunca teve essa oportunidade, deve estar mais “perdido” ainda, sem saber como começar.

Essa é uma das perguntas que me fazem com freqüência, professores querendo usar internet e tecnologia como apoio nas suas aulas, mas sem saber como fazer para implementar os recursos e organizar o seu plano de ensino. Até pouco tempo atrás, bastava saber montar as aulas no PowerPoint que era suficiente, mas hoje a demanda está muito maior!

pilotexhibition

Então, compilei uma pequena lista com os recursos que devem ser evidenciados no seu estudo:

  • Usar de maneira eficiente uma ferramenta de busca: Quando você precisa pesquisar material para aulas, muito provavelmente deve recorrer ao Google. Saiba que a busca no Google, pode ser melhor executada com o uso de operadores de pesquisa, que filtram de maneira surpreendente os resultados e podem trazer conteúdo interessante para as suas aulas. Qualquer professor que precise preparar material para aulas, deveria conhecer e aplicar esses operadores, na busca por material para ilustrar e enriquecer suas aulas. Além disso, existem opções como o próprio Google Acadêmico.
  • Conhecer e usar redes sociais: As redes sociais podem trazer ainda mais conteúdo para quem precisa estar sempre pesquisando. Redes como o del.icio.us permitem que você pesquise pelos favoritos que outros usuários com interesses semelhantes aos seus, salvaram e acham importante. Esse tipo de pesquisa trás resultados diferentes da pesquisa do Google. Ainda temos uma infinidade de redes, que já foram abordadas aqui no Blog como o SlideShare e TeacherTube.
  • Saber como funcionam Blogs e Wikis: Os responsáveis por boa parte do conhecimento gerado no meio acadêmico são professores e pesquisadores que publicam comentários e atualizações sobre suas pesquisas, nas mais variadas áreas em Wikis e Blogs. Um professor que queira usar internet como apoio, deve saber como usar esses sistemas em proveito das suas aulas, quem sabe até usar ele como ponte para trazer o pesquisador para a sua sala de aula, mesmo que de maneira virtual.
  • Conhecer e usar RSS: O RSS é uma ferramenta extremamente poderosa para quem gera conteúdo! Os professores que usam com eficiência esse recurso podem acompanhar atualizações em web sites de maneira automática. Assim você estará sempre atualizado nos assuntos relacionados a sua aula.
  • Saber como funciona e internet: Não leve essa recomendação ao pé da letra, você não precisa conhecer os protocolos de transmissão de dados, mas sim a maneira como as coisas acontecem na internet e como ela revoluciona a educação. Por exemplo, saber o que são os sistemas LMS como o Moodle, podem evitar que você seja surpreendido quando a sua instituição de ensino comece a usar ensino semipresencial. Muitos docentes ainda ficam distantes do computador como ferramenta de estudo, se limitando apenas a usar o e-mail. Se esse é o seu caso, mude a sua mentalidade o mais rápido possível!

Bem, acho que isso resume bem as competências e conhecimentos necessários para os professores que queiram usar tecnologia como apoio em suas aulas. Repare que as recomendações levam para a criação do ambiente pessoal de aprendizagem, que já havia sido comentado aqui no Blog.

Pronto! Agora você já sabe por onde começar. Agora é só colocar a mão na massa e adaptar o seu plano de ensino, para usar tecnologia.

Lembre que o número de alunos que usa internet, pelo menos para entretenimento está crescendo. O avanço da economia está fazendo com que cada vez mais pessoas comprem seu primeiro computador. Em pouco tempo, isso será sentido em sala de aula. Basta um professor começar a usar internet como apoio, que os alunos começam a perguntar para os outros professores “Por que sua aula não está na internet também?”. Qual será a resposta do professor?

Fonte: http://www.colaborativo.org/blog/2008/05/21/competencias-necessarias-para-usar-tecnologia-em-sala-de-aula/

22 de mai. de 2008

Cursos PROINFO 2008

Olá Amigos

Estamos iniciando mais uma etapa no processo de transformação da educação brasileira. Vamos começar os cursos do PROINFO, que tem por objetivo contribuir para a inclusão digital dos profissionais de educação básica dos sistemas públicos de ensino (professores e gestores).

Os cursos tem também a intenção de promover a reflexão sobre o impacto das transformações provocadas pela evolução das mídias e da tecnologia na sociedade e, a partir do uso de recursos tecnológicos do computador, dinamizar as praticas pessoais e pedagógicas.


Esses são os cursos oferecido pelo NTE Itaperuna-RJ08

Curso de Introdução a Educação Digital - 40H presenciais
Curso Tecnologias na Educação: Ensinando e Aprendendo com as TICs - 100h - Semi-presenciais

As inscrições podem ser feitas no site da da CTED - Coordenação de Tecnologia Educacional, basta apenas você se cadastrar e se matricular.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

Blog pedagógico: é possível visualizar um novo horizonte?

Blog e Flog como recursos de aprendizagem

Tânia Maria Moreira

Antes de ler este texto, pare, pense e tente responder a algumas perguntas. Há quanto tempo ouvimos e dizemos que a educação brasileira necessita de mudanças para podermos sobreviver na sociedade da informação e comunicação em que estamos inseridos? Há quanto tempo lemos que os profissionais da educação precisam mudar a forma de ensinar e aprender? Há quanto tempo falamos que o professor e o aluno necessitam estabelecer relações dialógicas verdadeiras no contexto de aprendizagem? Há quanto tempo escrevemos que o educando necessita assumir um papel ativo no processo de aprendizagem, enquanto o educador necessita assumir outras funções, como a de orientador da aprendizagem? Há quanto tempo sonhamos com mudanças concretas na educação? Há quanto tempo buscamos alternativas para conquistarmos, na prática, algumas mudanças? O que estamos fazendo para tentar tornar reais nossos discursos? Como estamos agindo? Que resultados estamos obtendo?

Agora, adentre no texto e tente perceber em que medida nossas idéias se aproximam ou se opõem 2 . Para facilitar a nossa interação, considero importante informar que pretendo relatar, nesse texto, experiências pedagógicas envolvendo o uso da ferramenta weblog ou blog. Inicialmente, apresentarei as vivências pessoais realizadas nas três etapas de um curso a distância e breves informações acerca de blog; em seguida, descreverei as vivências desencadeadas em uma perspectiva social, logo após o término do curso, buscando formar uma comunidade virtual voltada para a aprendizagem e, por último, apresentarei algumas considerações provisórias sobre as experiências da comunidade em construção.

Blog: minha caminhada inicial e constatações provisórias

Acredito que para ‘inovar', conforme cita Fagundes (1999), e/ou ‘transformar' práticas educacionais, como menciona Freire (1986), é necessário ampliar a rede conceitual dos profissionais que atuam na educação. Em função disso, passei a interagir com algumas instituições de ensino superior do Brasil, que já vêm desenvolvendo ações aliadas às descobertas tecnológicas disponíveis na nossa sociedade. A UFRGS, por exemplo, através dos professores que atuam no Laboratório de Estudos Cognitivos (LEC) e do Laboratório de Educação a Distância (LE@D), tem possibilitado a participação de professores em cursos de formação continuada, na modalidade presencial e a distância, dando prioridade às ações voltadas para a reflexão crítica e a transformação de práticas pedagógicas.

Convicta de que cada professor precisa aprender, permanentemente, e que cada profissional pode contribuir para concretizar algumas mudanças e vislumbrar um novo horizonte no sistema educacional, desde 1999, participo não só de cursos, oficinas, seminários presenciais e a distância, promovidos por profissionais dos referidos laboratórios, mas também da lista de discussão da Comunidade Proinfo e Rede Jovem Paz. O último curso 3 em que participei, em 2004, oriundo da Comunidade Proinfo, "Weblog e Fotolog como recursos pedagógicos de comunicação e interação” gerou grandes contribuições no campo pessoal, profissional e social, as quais podem ser confirmadas, ou não, mais adiante.

Na primeira etapa do curso, comecei meu primeiro blog com a seguinte idéia: Nasceu meu blog! Esse espaço foi aberto para descrever as percepções e ações, decorrentes do Curso Blog, que podem contribuir na construção de um novo horizonte em termos de educação.

Com essa idéia implícita, eu deixava transparecer certo desconforto não só com relação às ações dos colegas e alunos nos momentos de aprender, mas também com o que eu fazia nos cursos ou nos projetos que coordenava. Explicitamente, tornava público o meu des-conhecimento sobre blog, a vontade de descobrir possíveis soluções para problemas detectados no sistema educacional, a intenção de passar por um processo que me permitisse explorar e constatar se o uso do blog poderia contribuir para promover inovações na escola, conforme o objetivo do curso.

Na segunda etapa, descrevi, no meu blog, os procedimentos de estudos que adotei para tentar me apropriar da ferramenta, para descobrir as suas vantagens para fins pedagógicos e o processo de aprendizagem que realizei. Nele, registrei as observações acerca das atividades do curso, como resolver o que estavam solicitando no prazo previsto do curso e dentro do tempo disponível que tinha no Núcleo de Tecnologia Educacional (NTE) e, ainda, a decisão de identificar algumas categorias para definir quais as características do gênero ou da ferramenta blog. Paralelamente, fazia algumas buscas na Internet, lia artigos e projetos sobre blog.

Ao colocar em prática a minha estratégia de trabalho, comecei a formar uma idéia, uma concepção sobre blog, a concluir 4 que se tratava de uma ferramenta fácil de usar, rica para estabelecer comunicação, que permitia a publicação de mensagens individuais ou comunitárias e que as produções não precisariam seguir uma única e rígida estrutura textual. Naquele momento, inferi porque a nova versão de página da internet mobilizava milhares de pessoas, de diferentes idades, a escrever. Descobri que cada sujeito que se dispusesse a ‘gerar' e ‘alimentar' um blog poderia ter voz própria e descrever seus sentimentos, pensamentos, crenças, ações, descobertas, publicar informações e vincular outros blogs ao seu e formar redes de blogs e de pessoas, que poderiam mais tarde formar uma comunidade. Naquele estágio do curso, percebi que as interações entre colegas e professores eram mais intensas do que em outros cursos a distância de que havia participado. Isso poderia indicar que a ferramenta era eficiente para estabelecer comunicação entre parceiros. Entretanto, como não acreditava que apenas as ferramentas tecnológicas pudessem gerar mudanças, comecei a pensar que algumas crenças minhas começavam a ser alteradas 5 . Posso dizer, por exemplo, que comecei a ter mais consciência do que é aprendizagem e como ela se efetiva em qualquer modalidade de curso.

Na terceira etapa do curso, tomei algumas decisões sobre formas de usar o blog e fiz algumas projeções 6 para discutir uma proposta e desenvolver um trabalho com alguns estudantes e professores do magistério. Busquei , ainda, informação sobre criatividade, tema de um dos fóruns do curso, observei o processo de construção dos blogs dos alunos, e as publicações dos aprendizes. Com isso, novas dúvidas, novos problemas foram surgindo e exigindo novos estudos e algumas vantagens sobre o uso da ferramenta começaram a se confirmar. Não tinha mais dúvida de que o blog era um instrumento poderoso de comunicação que propiciava o acompanhamento de reflexões e conhecimentos subjetivos, bem como o desenvolvimento da criatividade e da autoria. Meu desejo passou a ser o de descobrir como trabalhar com blog comunitário.

Ao término do curso, em função dos bons frutos gerados e dos questionamentos que permaneciam comigo, constatei que tinha chegado ao início da idade adulta, tinha conquistado alguma autonomia e decidi continuar estudando sobre a ferramenta, mantendo contato com orientadores do curso blog e participando de listas de discussão, onde este recurso era um dos temas tratados.

No final de 2004, comecei a fazer estudos para desenvolver uma nova experiência pedagógica, para tentar resolver alguns problemas que me inquietavam. Mais uma vez fui desafiada, desta feita pela Coordenadora do Projeto Rede Jovem Paz 7 , a desenvolver um projeto pedagógico. Meu objetivo de estudo passou a ser, então, descobrir como organizar e desenvolver projetos pedagógicos inovadores e/ou transformadores em escolas públicas, em uma comunidade virtual via blog.

Blog e formação de comunidade virtual de aprendizagem: um atalho a percorrer

Em novembro de 2004, convidei uma professora do Setor Pedagógico da 8ª Coordenadoria Regional de Educação e docente de Língua Inglesa do Instituto Padre Caetano, para desenvolvermos um projeto envolvendo recursos tecnológicos, na disciplina de Inglês.

Passado algum tempo, não conseguimos gerar um projeto de interesse comum. Comecei, então, a observar mais as falas da professora e constatei que ela tinha um envolvimento muito grande com trabalhos tradicionalistas, pois fazia parte do Departamento Tradicionalista do Instituto Pe. Caetano, há muito tempo. Na oportunidade, escutava atentamente o que ela dizia até ter a oportunidade de perguntar o que pensava sobre a possibilidade de desenvolvermos um projeto envolvendo tradicionalismo, aprendizagem de línguas, blogs e Rede Jovem Paz. A professora ficou em silêncio por alguns segundos, mas logo abriu um sorriso, e disse que achava ótima a idéia.

Alguns dias depois, fiquei a pensar em elementos que poderiam constituir-se em entraves no desenvolvimento do projeto, ou que poderiam fazer com que evoluísse. À medida que pensava, registrava algumas idéias e fazia algumas leituras complementares. Em dezembro, quando nos reencontramos, apresentei as anotações feitas, trocamos algumas idéias, fizemos algumas alterações, marcamos uma reunião com alunos, pais e professores do Departamento Tradicionalista mencionado, para apresentarmos e discutirmos as idéias iniciais do projeto.

Em janeiro de 2005, nasceu a Comunidade Virtual Tradicionalista (CVT), formada pela comunidade escolar do Instituto Estadual Pe. Caetano: um pai, um aluno, dois professores, equipe diretiva, assim como por profissionais do Núcleo de Tecnologia Educacional de Santa Maria e do Setor de Eventos da 8ª Coordenadoria Regional de Educação de Santa Maria, RS. Esse grupo surgiu tendo como objetivos: formar uma comunidade de "blogueiros" tradicionalistas, para trocar idéias sobre como a cultura, a arte e o folclore rio-grandense são vivenciados em diferentes comunidades, usar a Língua Portuguesa, Francesa, Espanhola e/ou Inglesa nas interações e desenvolver propostas pedagógicas virtuais, orientadas por uma visão interacionista.

Com base nessas decisões, a primeira atividade da CVT consistiu em criarmos e desenvolvermos uma oficina de construção de blog para pais e professores, pois essa ferramenta era desconhecida do grupo. Enquanto desenvolvíamos a oficina, nossos laços se solidificavam, nossas idéias se fortaleciam, os nossos conhecimentos sobre comunidade virtual, blog e tradicionalismo se ampliavam e fomos definindo as suas características, as próximas ações e parcerias da CVT 8 .

Atualmente, estamos desenvolvendo uma oficina de blog para alunos do Instituto Padre Caetano, contamos com a adesão voluntária de uma jornalista colaboradora que mora em Brasília, um professor residente em Bagé e com interações de professores de diferentes estados do Brasil. Temos, também, contatos iniciais com tradicionalistas que vivem nos EUA, Uruguai, e professores do Ceará e Amapá. No quadro que se segue, podemos visualizar melhor os parceiros e como está se configurando a nossa comunidade.


O que vislumbramos até aqui?

Constato que o blog é uma ferramenta que possibilita a formação de comunidades de blogueiros tradicionalistas, mas estamos percebendo que:

• essa idéia precisa ser construída entre nossos blogueiros e isso demanda um tempo que não pode ser previsto no início do projeto, pois boa parte dos alunos e pais da escola pública utiliza apenas os computadores do laboratório da escola durante, no máximo duas horas semanais;

• os blogueiros da CVT apresentam diferentes estágios de conhecimento relativos ao uso dos recursos tecnológicos (a maior parte não tem nenhum conhecimento básico sobre navegação na internet, uso do correio eletrônico, uso de chat, enquanto outros apresentam um conhecimento básico).

• há a necessidade de um orientador para dialogar e identificar o que o blogueiro pretende realmente fazer no seu blog, para identificar o estágio de conhecimento do aprendiz com relação ao desenvolvimento dos projetos nos blogs para, a partir disso, orientar os trabalhos no sentido de oferecer subsídios e desafios para o desenvolvimento dos aprendizes.

Para a equipe núcleo da CVT, o projeto está em um processo inicial, mas permite concluir, provisoriamente, que:

• o projeto está mexendo com algumas estruturas e crenças fortemente arraigadas na escola, pois pais, alunos de diferentes idades e professores trocam informações, editam e publicam textos, assim como discutem problemas relacionados com o espaço e tempo de uso do laboratório de informática no Instituto Pe. Caetano;

• os aprendizes assumem um papel ativo ao construírem seus blogs. Em momentos diferenciados, eles conseguem identificar temas de interesse, planejam o que escrever, buscam informações na comunidade, na rede, em livros e redigem pequenos textos;

• os professores trocam idéias sobre como desafiar os aprendizes na oficina, procuram identificar as necessidades dos blogueiros e discutem ações para tentar orientar na redução ou solução das mesmas;

• as interações estabelecidas, os comentários postados nos blogs contêm questionamentos, mensagens de incentivo, dicas de sites, orientações sobre como proceder para resolver um problema;

• entre os adolescentes, há dificuldades em trocar mensagens com internautas, estabelecendo um diálogo mais prolongado.

Podemos dizer que hoje as nossas curiosidades consistem em descobrir como:

• manter viva a comunidade. Acreditamos que precisamos investir em um novo projeto de ação que vise inserir na CVT outras escolas estaduais e buscar a interação, de fato, via blog, com gaúchos que vivem atualmente em outros países;

• identificar os tipos de blog que estão sendo gerados na CVT;

• desenvolver a criatividade no trabalho com blogs e

• administrar questões relacionadas ao uso de língua materna.

Para finalizar, apresentamos a relação de endereços de blog da nossa comunidade. É importante salientar que são criações dinâmicas, em constante construção logo, a cada vez que forem acessados, estarão em um estágio diferenciado de trocas.

Pais

http://licoesdetradicionalismo.zip.net/ http://anaterraguerreira.zip.net/ http://amoratradicao.zip.net/ http://mensageirodopago.zip.net/

ex-alunos

http://xirusnanet.zip.net

alunos

http://camperiandopelarede.zip.net/ http://gauchosnafita.zip.net/ http://adamadojogo.zip.net/ http://dancasgauchas.zip.net/ http://culturadosul.zip.net/ http://lendasdatradicao.zip.net/ http://meudiariogaucho.zip.net/ http://poesiasdatradicao.zip.net/ http://reciclandonossastradicoes.zip.net/ http://chargeserabiscos.zip.net/
professores

http://timbauva.zip.net/ , http://tradipaz.zip.net/ , http://indiomissioneiro.zip.net/ , http://novohorizonte.zip.net/ , http://poesiasdatradicao.zip.net/ , http://gauderiodebage.zip.net/

parceiros tradiciona-listas

http://oclarimcampeiro.zip.net/
http://mariagaucha.zip.net
http://gauderiodebage.zip.net/
http://Termosregionais.blogspot.com ,

Blogs e flogs de parceiros que interagem com blogueiros da CVT

http:// www.cascudeando.zip.net
http://lead.cap.ufrgs.br
http://opiniaotecnicoadm.zip.net
http://vidassecascolbachini.zip.net/
http://paginas.terra.com.br/educacao/Gutierrez
http://vamosblogarbr.blogspot.com/
http://niqueleira.zip.net/
http://quemfaz.blogspot.com/
http://aescolanasondasdoradio.myflog.com.br
www.refletindoasnoticias.weblogger. terra.com.br
http://www.fractoscopio.tk
www.pedagogia.zip.net
http://caicmariano.blogdrive.com

Referências bibliográficas

- FAGUNDES, L., SATO, I., MAÇADA, D. Aprendizes do Futuro: As Inovações Começaram! – disponível no endereço:
<>.

- FREIRE, P. e SHOR, I. Medo e ousadia – O cotidiano do professor. Tradução de Adriana Lopez. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986.


Notas

1- Professora Multiplicadora do Núcleo de Tecnologia Educacional de Santa Maria, Especialista em Informática na Educação e Mestre em Letras.

2- Se desejares trocar idéias, terei o maior prazer de te encontrar no http://novohorizonte.zip.net.

3- Maiores informações sobre o curso podem ser obtidas no endereço: http://www.eproinfo.mec.gov.br/fra_eProinfo.php?opcao=3 ou no blog http://novohorizonte.zip.net/arch2004-11-01_2004-11-30.html .

4- Editei e publiquei no endereço http://novohorizonte.zip.net/arch2004-09-01_2004-09-30.html três ‘posts’ sobre: Como definir blog? Blog, a ferramenta e Como criar um blog é a sua maior dúvida?

5- Tais reflexões, também foram divulgadas no meu blog com o título Interações.

6- A proposta de trabalho pode ser encontrada em http://novohorizonte.zip.net/.

7- Maiores informações no endereço http://www.redejovempaz.cap.ufrgs.br.

8- Maiores informações podem ser obtidas no blog da CVT - http://comunidadevirtualtradicionalista.zip.net - ou no blog Por um novo horizonte http://novohorizonte.zip.net.



SALTO PARA O FUTURO / TV ESCOLA
WWW.TVEBRASIL.COM.BR/SALTO

Fonte: http://www.tvebrasil.com.br/SALTO/boletins2005/nfa/tetxt3.htm

20 de mai. de 2008

As inovações tecnológicas a serviço da educação

Ivônio Barros
Presidente da Associação Brasileira de Tecnologia Educacional (ABT)


Desde fins do século XIX, as grandes invenções ou inovações tecnológicas do mundo das comunicações têm sido associadas ao seu potencial de uso pela educação. Primeiro foi o telégrafo, depois o telefone, em seguida o cinema, e assim por diante. Essa era a idéia que inventores e visionários tinham tanto da tecnologia como da educação. Juntavam uma a outra, porque as valorizavam ao máximo e desejavam ver suas invenções produzindo benefícios para toda a humanidade.

Nem tudo, ou muito pouco, do que se imaginou nos primórdios do século passado, com relação a essa ligação tecnologia-educação, foi posto em prática. Há explicações de toda ordem. O professor Lauro do Oliveira Lima, em seu livro Para que sevem as escolas (ed. Vozes, 1996), nos fez refletir a partir de seu instigante e polêmico posicionamento sobre o lugar que tem o educador no processo de formação do cidadão e nos afirma que a educação foi a área que menos se benefciou dos avanços científicos dos últimos séculos, por resistência dela própria.

Se quisermos absolutizar essa questão, certamente iremos encontrar inúmeros exemplos que venham a nos desmentir, não só aqueles que sejam representativos da criatividade e da investigação de pesquisadores e pensadores como J. Piaget, mas também os exemplos práticos de escolas que buscam superar os modelos tradicionais. Contudo, em geral, é muito difícil dizer que o professor Oliveira Lima csteja equivocado. O modelo de educação que se aplica hoje, do ponto de vista da relação ciência‑educação, é muito mais próximo do modelo educacional desenvolvido a partir da evolução da prática dos mosteiros medievais (séculos XII e XIII) do que de algo que possa representar a síntese do conhecimento humano na medicina, psicologia, eletrônica, comunicação etc.

Comparando os métodos de ensino praticados àquela época e os em vigor hoje, é certo que diferenças haverá, mas dificilmente se poderá imaginar que houve revoluções que transformaram substancialmente a prática pedagógica e, principalmente, o uso de recursos para a aprendizagem. O espaço fisico, a forma de organização de turmas, a sala de aula, o quadro-negro, a separação dos horários, os exercícios, os estímulos, o currículo escolar, o credenciamento, o formalismo etc. estão presentes desde pelo menos há 600 anos com características primárias muito semelhantes.

Nesse processo, talvez o que tenha marcado mais as mudanças no ensino não seja a forma de ensinar nem de aprender, as técnicas e os métodos usados, mas sim as questões de caráter social, ideológico e ético. As mulheres, hoje, são maioria, por sua própria competência, luta e obstinação, nos sistemas de ensino, como alunas e mestras. O castigo físico foi incluido e, depois, excluído do processo pedagógico. A Igreja Católica não é mais a instituição de maior responsabilidadc pela educação, que passou a ser uma função do Estado. Isso não significa, de modo algum que a história da educação não seja rica; ela o é tanto quanto a história das idéias e do processo civilizatório.

Contudo, ainda permanece, como característica de nossas sociedades, certa dificuldade em encontrar outra forma de disseminar os saberes acumulados e de construir o processo da socialização inteligente por meio de forma diversa daquela adotada desde mais de um milênio, com a aplicação de tecnologias diferentes das utilizadas naqueles tempos.

A tecnologia tem assumido, porém, um papel de elemento de pressão sobre os processos de ensino e de aprendizagem:

Quarenta anos depois que Gutenberg converteu um antiga prensa de lagar em máquina impressora, com tipo móvel, havia imprensa em 110 cidades de seis diferentes países. Cinqüenta anos depois que a imprensa foi inventada, mais de oito milhões de livros haviam sido impressos, quase todos eles cheios de informação que antes era inacessivel à média das pessoas. Havia livros sobre direito, agricultura, política, exploração, metalurgia, botânica, lingüística, pediatria e até sobre boas maneiras. [...] Assim. tanta informação nova, dos tipos mais diversos, foi gerada, que os impressores já não podiam mais usar o manuscrito do copista como modelo do livro. Em meados do século XVI. os impressores começaram a experimentar novos formatos, sendo que entre as inovações mais importantes estava o uso dos algarismos arábicos para numerar as páginas

A impressora de Gutenberg, em razão do processo social e econômico que dava origem à nova ordem capitalista, serviu para disseminar conhecimentos, potencializar o poder das idéias. A palavra poderia, então, caminhar mais rapidamenlc que o autor. Não se tratava somente de infomação que fluía, mas de bases para a construção de novos conhecimentos que se disseminava. O estudante podia ter acesso, talvez com a mesma facilidade que o mestre, aos conhecimentos, às idéias e às informações que estavam sendo tratados na escola ou na universidade.

A reação não tardaria, podem dizer alguns:

A invenção do que é chamado de currículo foi o passo lógico para organizar, limitar e discriminar as fontes de informação disponíveis. As escolas tornaram-se as primeiras burocracias seculares da tecnocracia, estruturas para legitimar algumas partes do fluxo de informação e para desacreditar outras. Resumindo, as escolas eram um meio de governar a ecologia da informação.

Nesse caso, usando novamente um conceito amplo de tecnologia, o currículo é uma tecnologia de organização do processo de ensino, formada sob a base de uma determinada cultura que, por um lado, podia estar preocupada em sistematizar e orientar o processo didático para a melhor forma de se transmitir determinado conhecimento, como também poderia ser um meio (ideológico) de controlar essa transmissão de conhecimentos e valores.

Provavelmente a forma mais acertada de se entender a resistência da escola e dos agentes educacionais seja a de perceber esse comportamento como não sendo impeditivo do desenvolvimento de novas metodologias e técnicas pedagógicas ou mesmo como sendo incapaz de promover a negação absoluta da incorporação de novas tecnologias ao ato educativo, mas, antes de tudo, como uma resistência que retarda a incorporação dessas inovações, até mesmo, em certos casos, como manifestação de precaução de cautela diante dos modismos passageiros.

Contudo, o importante é saber e compreender que o processo de formalização do ato educativo é algo com caracteristicas históricas, é construído a partir dos anseios, dos desejos, das realidades sociais, econômicas e políticas, das relações culturais, dos conflitos e dos acordos, enfim, tanto a educação em geral como suas instituições e mesmo as teorias, as metodologias e as técnicas são criações das sociedades, dos homens e das mulheres. E, assim, têm começo, meio e fim; ou, melhor dizendo, podem mudar, transformar-se em outras formas de se educar ou de possibilitar a construção individual e social do conhecimento.

O mais importante é ter a mente aberta ao novo. Não como modismo, mas como meio de achar meios para cumprir melhor a missão dos educadores, buscando formas de ampliar o acesso de jovens e adultos à educação, quer na forma do ensino regular formal, quer como educação continuada ou educação permanente.

Melhor ainda se essa ampliação das oportunidades de acesso estiver acompanhada da elevação da qualidade da educação.

Abrir a mente à mudança, ao novo, neste momento, mais que ficar correndo atrás de tecnologias de última geração, significa pensar formas de flexibilizar o sistema de ensino, imaginar processos que ajudem a construir o caminho que os cidadãos vão trilhar nos próximos anos, com a adoção de currículos mais adaptados às exigências no mundo moderno (e do futuro de incertezas) ou com a introdução de novos conteúdos, mas principalmente que venha no sentido de olhar o aluno como sujeito que deve ser capaz de pensar com criatividade, que tenha auto-estima, que possa enfrentar mudanças profissionais e de valores.

Nos casos de dificuldades materiais, orçamentárias e políticas para se mobilizar o que tem de mais avançado em tecnologia material, deve-se mobilizar a criatividade tecnológica que está em cada um, fazendo com que mudanças possam operar no seio do jeito tradicional da se fazer educação.

Fonte: Tecnologia Educacional, ano XXXI, n. 161/162, abr./set. 2003.
Fonte: http://www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/tecnologia/tec08.htm

19 de mai. de 2008

Basic Linux + Soluções para micros antigos


Olá Amigos

A dica de hoje é do meu colega Guel Rezende, do NTE de Niterói, onde ele atua como suporte técnico do NTE. Ele postou na lista dos NTEs do RJ essa dica maravilhosa, pois tem muita escola jogando fora aquele micrinho já meio velho que funcionar, funciona mas não serve mais pois tem muito pouco tudo (memoria, hd, etc...).

Ele apresenta abaixo varias soluções para se aproveitar aquela maquina que ia ser descartada e agora pode voltar ao laboratório em grande forma.

Aqui tem uma distibuição Linux capaz de rodar em disk 1.44 ou no Modo DOS, em micros da série 386 com menos de 4MB RAM.

DOS VERSION 3.50 FLOPPY VERSION 3.50
Esta versão vem como um arquivo zip 2,8 mb.
Descompacta para um diretório na unidade C:
BL3 arranca a partir do DOS e roda em um arquivo loop.
Requisitos mínimos
Intel 386 ou compatível
3 MB de RAM
DOS (Windows 95/98 ou no modo DOS)
Esta versão vem como um arquivo zip 2,8 mb.
Ele contém dois arquivos que são copiadas para disquetes.
Os disquetes BL3 rodam em um ramdisk.
Requisitos mínimos
Intel 386 ou compatível
12 MB de RAM
dois disquetes 1,44 MB
DOWNLOAD
DOWNLOAD

Outras soluções em:

* muLinux Parece mentira, mas ele só ocupa 2MB.
* Damn Small Linux Ocupa apenas 50MB e roda até em 486 com 16MB
* Feather Linux Roda em pendrive de 128MB
* Slax ocupa 190MB
* GoblinX mini Ocupa 150MB e já vem com Firefox, Gimp e outras aplicações.
* Lamppix Com 200MB já vem com apache, php, mysql, etc.
* XFLD com interface XFCE
* Xubuntu É uma versão leve do umbutu
* Vector Linux Usa interface XFCE4 e vem com diversos aplicativos
* Zenwalk Possui 4 versões diferentes para cada necessidade.
* Dreamlinux Baseada no debian e vem com muitos aplicativos.
* SAM Linux Completa distribuição com interface XFCE4.4 , 3D Beryl+Emerald
* [KateOS] Roda até em 486 com 32MB
* Austrumi Com 50MB roda em pentium com 128mb
* Puppy Linux Também roda direto no CD ou no pendrive.
* eLiveCD Baseada no Debian roda com processador de 100mhz e 64MB de ram
* Fluxbuntu Baseado no umbutu
* GParted Ocupa apenas 45MB
* BackTrack Distribuição focada na segurança.
* Guadalinex Mini Roda em pentium 100MB com 32MB de ram

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

17 de mai. de 2008

Festa Digital


Olá Amigos

Hoje é o Dia Mundial da Internet. A data foi criada com o aval das Nações Unidas, ela foi idealizada pela Associação dos Utilizadores de Internet espanhola e é assinalado com a promoção de vários eventos relacionados com a Internet, mas os eventos se espalham pelo mundo afora.

Ela é uma iniciativa que pretende promover a reflexão sobre as potencialidades das novas tecnologias na vida dos cidadãos. o objetivo contribuir com a organização de eventos que promovam a utilização da Internet e a exploração das suas capacidades

Dá para imaginar que a internet nasceu como um projeto militar para assegurar as comunicações em caso de ataque nuclear mas essa situação nunca aconteceu e a Internet, cujo Dia se celebra este sábado, tornou-se numa ferramenta imprescindível na vida de milhões de pessoas.

A noticia abaixo fala "que pela primeira vez na historia desse pais" a venda de computadores ultrapassou a venda de televisores. Que isso é histórico ninguém pode negar. Estamos realmente caminhando para uma sociedade digital e mante-la livre é nosso maior desafio.

Você está “A um clique do mundo”.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

Brasil chega a 50 milhões de PCs. Vc vive sem o seu?

A previsão de aumento nas vendas é de 28% só este ano

Cada vez mais os brasileiros adquirem computadores para uso pessoal, e dessa vez até os aparelhos televisores ficaram pra trás. Neste mês, a base instalada de PCs no País chegou a 50 milhões, o que indica um crescimento vertiginoso nas vendas de microcomputadores. Se as condições do mercado forem mantidas, o País deve alcançar 100 milhões entre 2011 e 2012.

Câmbio favorável, ampliação do financiamento, ganhos de escala e incentivos tributários, foram os fatores que contribuíram para a venda de 10,5 milhões de unidades em 2007, um crescimento de 42% sobre o ano anterior, segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas.

“Pela primeira vez, foram vendidos mais computadores no Brasil do que televisores”, afirmou o coordenador da pesquisa, Fernando Meirelles. Para este ano, é previsto o crescimento de 28% nas vendas. Dessa maneira, o número de computadores pode chegar a 13,4 milhões. (Com informações de O Estado de S. Paulo)

Sexta-feira, 09 de maio de 2008, 10h20 - Atualizado às 14h58

Fonte: http://www.limao.com.br/noticias/tecnologia/tec35890.shtm

15 de mai. de 2008

Professor, use o blog para interagir com seus alunos


Cibele Gandolpho

Imagine a cena: a professora está na sala de aula, passando aos alunos uma discussão sobre as guerras. Ao final da aula, ela passa a lição de casa e faz um comentário: “Hoje, vou escrever um post no blog sobre o assunto de que falamos hoje. Gostaria que todos vocês deixassem comentários para que, na aula que vem, continuássemos o debate”. Cenas como essa são cada vez mais comuns nas instituições de ensino. Os professores têm percebido, nos últimos anos, que o computador se tornou uma ferramenta fundamental para o seu dia-a-dia, e o advento da Internet trouxe muitos benefícios que facilitam o trabalho, tanto no campo administrativo como no pedagógico. A relação professor e tecnologias de informação tem sido desmistificada.

Mas, afinal, o que é blog? Para quem ainda não sabe, blog é uma abreviação de weblog, ou seja, páginas pessoais na Internet que têm mecanismos de interação e permitem manter conversas entre pessoas ou grupos. Chamado de diário on-line, o blog é escrito por uma ou mais pessoas. O leitor poder enviar links de notícias publicadas em outros veículos, fazer comentários sobre cada texto ou apenas ler os temas abordados. Desde que surgiram no mundo virtual, os blogs deixaram de ser apenas diários on-line para assumir funções muito mais significativas no processo de comunicação. Esse dinamismo e a possibilidade de ampliar a difusão de idéias fazem do blog um aliado para professores no processo de aprendizagem e ensino.

Na educação, o blog tem levado muitos professores e alunos a debater temas diversos, pois esse tipo de comunicação se tornou muito popular entre os jovens, que transformaram o ciberespaço em seus diários pessoais. Algum tempo depois do surgimento dessa febre, os blogs conquistaram repórteres e editores de vários países, passando a servir de ferramenta para um novo gênero de jornalismo: o que aborda notícias do ponto de vista opinativo, a fim de propor um contato direto entre leitores e jornalistas.

Cautela é bom
No entanto, tudo pode parecer muito legal, mas é preciso cuidado. “O professor não pode escrever o que bem entender no blog. Não dá, por exemplo, para chamar a atenção de um aluno ou publicar fotos da escola e dos estudantes sem autorização prévia, mesmo que seja de uma festinha da turma. Apesar de ser um diário on-line, muita gente confunde liberdade de expressão com falta de responsabilidade”, aconselha o consultor de tecnologia e informática educacional Marco Aurélio Nunes.

O professor pode utilizar o blog com seus alunos de duas formas. A primeira é como um diário pessoal, com comentários sobre assuntos diversos a fim de estabelecer indiretamente um vínculo com os alunos e estimulá-los à leitura, ao uso da Internet, ao ensino a distância, entre outros benefícios. Na segunda possibilidade, o professor utiliza-o como complemento pedagógico para atividades didáticas. “É interessante os educadores tomarem consciência de que é preciso quebrar o paradigma de que a educação a distância se trata de um aprender mecânico, sem calor humano, sem debates”, diz Nunes.

Eficiência da aplicação
Pesquisas mostram que muitas escolas já têm obtido sucesso com a aplicação de blogs nos trabalhos coletivos. “Não há como fugir, os alunos deste século já estão seduzidos pela tecnologia e, se instituições de ensino e educadores não tomarem consciência disso e das grandes possibilidades que essa ferramenta proporciona, estarão fadados ao insucesso. E não é só blog. Tem Orkut, grupos de discussão, chats, YouTube e tantas outras modernidades”, avalia o consultor. Para Nunes, o professor deve se propor a aprender tecnicamente sobre essas tecnologias para criar depois projetos pedagógicos, trabalhos coletivos e atividades.

A educadora Flávia Aidar, autora da concepção pedagógica do Yahoo! Busca Educação, também é a favor do uso de blogs como instrumentos pedagógicos. “Falar em blog hoje já não causa tanto estranhamento, dispensa as aspas e os parênteses explicativos. Por outro lado, corre-se o risco de pensar que por trás dele há um grupo de adolescentes ávido por trocar experiências através da publicação de seus diários. Propomos formar uma comunidade de aprendizagem colaborativa, disponibilizando por meio desse blog um conjunto de informações, notas, dicas e sugestões de atividades para serem desenvolvidas por professores e seus alunos em sala de aula”, diz.

Flávia também ressalta, para quem está iniciando, a diferença entre site e blog. “O site pressupõe autorias e não a co-autoria como o blog sugere. Supõe-se que o site disponibilize informações organizadas, já um blog propõe a construção de conhecimento a partir das informações selecionadas e eleitas por seus participantes. A concepção de blog favorece o trabalho do professor que se pensa um orientador de processos de aprendizagem e um co-autor na busca e elaboração de conhecimento”, avalia a educadora.

Já Heloíza Lanza, coordenadora dos cursos de educação a distância do Senac-SP e professora de Tecnologia Educacional nas Faculdades Sumaré e no Uninove (Centro Universitário Nove de Julho), optou em escrever um blog para discutir o uso desses diários on-line como tecnologia educacional. Para conferir, o endereço é http://botecoead.blog.terra.com.br.

Experiências comprovadas
Muitos professores já descobriram essas vantagens, como é o caso de Andrea Toledo. Em seu blog, acessado pelo endereço http://professoraandrea.blogspot.com, ela se dedica ao prazer de escrever e divulgar suas idéias. “Crio as postagens com assuntos que julgo interessantes e só escrevo o que tenho vontade e me faz feliz. Não sou profissional e por isso não me desculpo antecipadamente por eventuais desvios”, conta. A professora leva ao blog temas diversos e alguns também ligados à educação, como a polêmica do “Control C, Control V”, que muitos alunos utilizam para copiar informações da Internet e reproduzir sem nenhuma alteração em trabalhos escolares.

Em um post, Andrea questiona o fato de muitas escolares bloquearem o acesso a blogs, comunicadores instantâneos e Orkut. “A Internet vem sendo alvo de restrições desde o seu ingresso em empresas e escolas. E principalmente na escola, que é meu foco de observação. Atitudes como essas vêm restringindo a uma dimensão indescritível o trabalho de professores e alunos. Blogs, MSN, YouTube e o famigerado Orkut são tidos como grandes causadores e limitadores da aprendizagem por profissionais da educação e da informática. Existem exemplos de escolas em que técnicos em informática bloqueiam até sites educacionais infantis, com a alegação de que podem conter vírus, mesmo que o sistema operacional usado seja o Linux, famoso por sua segurança e estabilidade. Para mim, são argumentos falhos para ações infundadas... Prefiro pensar que as limitações acontecem pelo fato de os que restringem desconhecerem métodos eficazes de sua utilização em favor da educação de qualidade. Somos avisados dos perigos de vírus que invadirão nossos sistemas destruindo artigos, roubando senhas e que pessoas de má-fé aliciarão nossas crianças, perturbando a tão almejada paz. É claro que sei que tudo isso pode acontecer, mas não seria melhor informar, em vez de “proteger”?”, argumenta a professora em seu blog.

A professora de Geografia Geise Dias mantém um blog exclusivamente para seus alunos e não divulga o endereço para outros fins. Ela utiliza a ferramenta para dar dicas aos estudantes de sites interessantes para pesquisas e também discutir assuntos ligados às aulas. “Eu acho que a Internet surgiu como uma importante ferramenta para a ampliação dos conhecimentos das pessoas. Em alguns cliques nos sites de busca, qualquer um pode encontrar milhares de informações sobre qualquer assunto. O difícil é conseguir ler tudo. Acredito que hoje os alunos muito mais carregados de informações do que antigamente. Antes, só tínhamos os livros”, conta.

Para ela, o professor consegue ampliar sua aula por meio dos blogs. “Alunos interessados podem aproveitar a oportunidade para pensar mais um pouco sobre o tema discutido anteriormente e ainda permitir que os próprios estudantes vejam os trabalhos dos colegas de classe para comparar idéias”, diz. Geise, que utiliza muitos cartazes com mapas colados na lousa, começou a usar ferramentas como o site de vídeos YouTube para criar seus projetos e apresentações. “Fazia tudo e depois postava o link no blog da turma. Os alunos adoraram porque têm recursos tecnológicos. Minhas aulas ficaram mais dinâmicas porque eles passaram a participar mais, o que me deixou mais motivada.”

A professora Andréa Toledo também destaca a importância das pesquisas. “Coloquei um post no meu blog falando do site Yahoo! Busca Educação. Eles criaram, em 2005, um manual que facilita as buscas nas pesquisas escolares. Nele, você encontrará subsídios para pesquisar na Internet, formar um aluno pesquisador, além de maneiras de preparar, realizar e apresentar a pesquisa. Vale a pena consultar. A Internet possibilita ao aluno participar, intervir, usar conceitos de bidirecionalidade (contidos nos hiperlinks), usar uma multiplicidade de conexões (os hipertextos), aprender por meio de simulações, ter autonomia na organização dos conteúdos, ter acesso a conteúdos em diversos formatos (som, texto, imagem, vídeo, etc.) e, claro, participar ativamente como produtor de conhecimento utilizando-se dos recursos da Web 2.0”, diz. Web 2.0 é um novo conceito da Internet em que o internauta interage com o site. Um bom exemplo é o YouTube, no qual os visitantes inserem vídeos e conteúdos.

Já o professor Atilio de Oliveira criou um blog para comentar atualidades. Pelo endereço http://oilita.blogspot.com, ele fala de Mercosul, trabalho escravo, reciclagem, temas ligados à política e à economia, e ainda inclui vídeos, fotos, links para sites de notícias, entre outros.

Criando um blog
Uma das vantagens de criar um blog é que não é preciso ter conhecimentos de informática para fazê-lo. Todos os sites de criação de blogs dão o passo-a-passo completo, preenchendo apenas as páginas já pré-desenvolvidas. Tecnicamente falando, o blog é um sistema de publicação rápido e fácil que permite atualizar um site pela Internet sem precisar editar uma única linha de código. “Você pode publicar o que você quiser: notícias, fotos, links comentados, resenhas de cinema, artigos, poesias, reflexões filosóficas e outra infinidade de coisas”, afirma o consultor Nunes. “A facilidade de publicação dos comentários é que impulsiona os chamados blogueiros, pessoas que têm blogs. A web já está repleta de blogueiros, cada um falando para todo mundo sobre tudo.”

Existem várias ferramentas on-line para fazer um blog. As mais comuns e em português são Weblogger (http://weblogger.terra.com.br), BliG (http://blig.ig.com.br), UOL Blog (http://blog.uol.com.br) e Blogger (www.blogger.com.br). Nesse último, por exemplo, basta ir ao site e clicar no link “Sign Up” para preencher o cadastro. Escolha o nome de usuário e a senha que preferir e confirme. Na tela seguinte, digite seu nome, escola, e-mail e clique na tecla “Concorde” com os termos de uso. Pronto, você já pode começar a criar o seu blog. Agora é preciso configurar o blog. Clique em “Create a New Blog” e dê um título ao seu blog, explique sobre o que ele será (no campo Description) e escolha se será público na Internet ou não. Blog público é aquele disponível para qualquer pessoa ver através do site do Blogger. Caso contrário, apenas as pessoas que tiverem o endereço poderão vê-lo. Isso é interessante para professores que só desejam que seus alunos leiam o blog.

Depois, você pode hospedar gratuitamente sua página de blog num domínio pertencente ao próprio Blogger ou fazer o Blogger mandar a página para um servidor de FTP de sua preferência. Se já não tiver um, o StarMedia e o Terra são dois provedores que oferecem hospedagem gratuita e permitem FTP. A vantagem em manter o blog no próprio site em que ele foi criado é a velocidade de publicação da página, bem maior do que se usar outro servidor, o que faz uma boa diferença para quem escreve freqüentemente. Agora é só escolher uma “cara” para seu blog. A maioria já tem layouts disponíveis. Escreva a sua mensagem e publique o blog. Fácil! Anote o endereço da sua página que será informado pelo site.

Para começar a inserir comentários – os chamados posts – você pode escolher em colocá-los em ordem cronológica direta ou inversa. Na janela de publicação existem alguns botões. O Settings (Configuração) é composto por quatro partes: Basics (Básica), Formatting (Formatação), Archiving (Arquivo) e Browse Shortcuts (Atalhos para o navegador). Basics é para as informações básicas, como o nome do blog, endereço do servidor FTP, descrição, etc. Rename não deve ser selecionada, a pedido do Blogger. É que assim evita-se perder arquivos. Em Formatting, você pode determinar quantas mensagens serão visualizadas de cada vez e por quantos dias. Em Archiving, escolha com que freqüência deseja arquivar os blogs, por semana ou por mês. Por fim, o Settings é para configurações.

O professor também pode criar um blog em parceria com outros educadores. Blogs coletivos têm várias aplicações, como organizar um projeto conjunto, um grupo de estudos ou um fórum. Para isso, uma boa alternativa é o Blogueiros (www.blogueiros.blogspot.com), um blog gigantesco com centenas de membros. Lá, o passo-a-passo também está disponível.

Fonte: http://www.profissaomestre.com.br/php/verMateria.php?cod=3888

14 de mai. de 2008

Homens, Mulheres, Crianças e Novas Mídias

Novas tecnologias, novas mídias. Novas humanidades. Como sempre, aliás.

Choveu. Muito. E ainda chove, pouco. Nada que consiga piorar o caos do trânsito do Rio, que saiu do caos-alegre dos cariocas para o caos-caótico que só vejo em São Paulo em seus piores dias. Túneis fechados são o mínimo. Pior é que todos os carros estavam indo para onde eu queria ir, e havia ido sempre, sem tanta companhia. Perdi o vôo das 21h, que deveria me fazer dormir em casa e estou, às 2h do dia seguinte, esperando -- num Galeão vazio de serviços, onde nem água se vende a esta hora -- esperando meu novo vôo das 3:25h, que já me disseram que só sairá às 6h, se sair. Mas a última consideração é minha, ninguém me disse. Nem dirá. Desinformação é a norma.

Estranhamente, estou em paz. Combinação do que Padma Samten me fez aprender em alguns poucos encontros, quando tratávamos de coisas sobre as quais não temos nenhum controle (choveu, o avião não pôde voar de X para Y antes e só vai chegar aqui às 5:20h... fazer o quê?), com o sentimento de aprendizado e gratidão por ter participado de um debate na Academia Brasileira de Letras, sobre “O Homem e as Novas Mídias". O acadêmico Arnaldo Niskier fez a exposição inicial e os comentários foram de Marcos Troyjo, Mônica Dias Pinto e Regina Casé, além de mim mesmo.



O homem e as mulheres e as crianças sempre estiveram e viveram em eras de novas tecnologias, que habilitaram, por sua vez, novas mídias. As tecnologias da TV criam as possibilidades de uma mídia que nos acostumamos a chamar de... TV, e que Niskier, olhando para a proximidade da TV digital no Brasil, entende que vai -- ou poderia, muito provavelmente -- revolucionar a televisão em Pindorama. Sei não.

O que define os usos sociais de uma tecnologia qualquer não são suas possibilidades intrínsecas, mas os modelos de negócio ao seu redor. No caso do Brasil, tomamos decisões, lá atrás, quando da escolha do que vamos querer da TV digital, que visam manter os modelos de negócio praticados desde os primórdios da TV analógica. Imaginar que a tecnologia, por si só, vire o mercado de cabeça para baixo, quando ela continuará fechada e limitada nas mãos de poucos... não é exatamente um bom sinal de revoluções à vista.

A provocação de Niskier gerou um belo debate sobre centro, periferia e inclusão (digital ou não), concluído brilhantemente por Regina Casé descrevendo o que ela tem visto e ouvido mundo afora. Partindo do seu avô, entregador de rádios (os aparelhos, grandes, de outrora... a nova tecnologia da época) que originou gerações de “midiáticos” até o fantástico caso do lugar mais remoto do mundo (pelo menos para ela), nos confins de Moçambique, onde nem português se falava.

Achando que havia encontrado um lugar realmente remoto, Regina começa a filmar a rotina da tribo local, até que um celular começa a tocar e a senhora que lhe parecia mais rude e hostil do pedaço atende a chamada e desfia um rosário interminável de conversa... e estraga para sempre o barato de filmar “o lugar mais remoto do mundo”.

O mundo -- quase todo -- está se incluindo rapidamente nas novas tecnologias que, por sua vez, habilitam novas mídias e modos de comunicação. Que falta gente, falta. Mas o problema é muito menor do que nós, que temos muito -- e tudo, às vezes -- costumamos pensar. Douglas Adams, do Guia do Mochileiro das Galáxias, costumava dizer que “tudo o que já existe no mundo quando nascemos é normal. O que acontece até completarmos trinta anos é inovador, instigante e, com sorte, é capaz de fazermos uma carreira nisso. E tudo o que rola depois dos nossos trinta anos é o fim do mundo”.

Enquanto pensamos -- pelo menos os mais velhos -- que as “novas mídias” possam ser um problema, o mundo, principalmente seus jovens, descobrem muito rapidamente que elas são, na verdade, solução... para problemas com os quais nem sonhamos. Como usar Google para verificar a ortografia do português, problema que por sinal poderia ser muito melhor resolvido usando o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa , da Academia, que tem 360 mil vocábulos, referência oficial de como deveríamos, se soubéssemos, escrever a língua de Machado de Assis e Ariano Suassuna.

Fonte: http://www.silviomeira.globolog.com.br/

13 de mai. de 2008

Eles estão chegando

Olá Amigos

Postei abaixo uma noticia sobre a Geração NET que esta chegando ao poder agora, comandando os destinos de empresas e governos. São os primeiros filhos da internet, do mundo digital, das TICs.

Diante do nível de globalização atual, a informação e a comunicação farão a diferença num futuro próximo. Com a educação não vai ser diferente eles já estão atualmente a nossa frente, e muitos de nos ainda pensando que podemos competir com a internet e com todos os apetrechos eletrônicos (ipod, celular, gameboy, mp3, mp4, etc) que fazem parte do dia a dia deles.

Postei alguns dias atrás uma postagem falando sobre a Geração C e tem um vídeo que fala sobre o Rafinha e de sua geração, que é a geração da comunicação e do conhecimento, de uma olhada no vídeo e veja se você ainda pode ficar sentado esperando mais.

Mas olha aqui amigo professor: Eles estão chegando, é você vai chegar ou não?

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

Geração Net a caminho do Poder

Nasceram entre 1977 e 1996 e os modernos economistas encaixam-nos na Geração Net (termo criado por Don Tapscott e tornado público em 1997 no livro Growing Up Digital).Trata-se da primeira geração de humanos a crescer na era digital.

Estima-se que atualmente sejam já 2 mil milhões de indivíduos (entre crianças e jovens adultos) mas está a expandir-se a um ritmo alucinante. Por exemplo, já existem mais jovens naquela faixa etária que usam a internet na China do que nos Estados Unidos onde 90% dos adolescentes se servem regularmente da internet.

Ao contrário dos pais que passavam (passam) 24 horas por semana a ver TV, os jovens da Geração Net crescem a interagir uns com os outros através da Net e dos celulares.

Geralmente, estes jovens não conseguem imaginar uma vida em que as pessoas não tinham estas tecnologias para se comunicarem, trocarem opiniões e ideias, jogarem, interagirem intensamente.Por exemplo, enquanto os pais eram (são) consumidores passivos da comunicação social, os jovens atuais são criadores ativos de conteúdos.

É a primeira vez na história da humanidade em que os filhos são as autoridades numa matéria realmente importante. A forma de atuar da Geração Net é a ligação em rede. Os seus "membros" dominam muitas das enormes comunidades on-line, do Orkut, Facebook ao MySpace onde milhões de jovens se socializam e colaboram para fazerem tudo e mais alguma coisa.

Danah Boyd, uma socióloga da Universidade de Berkeley que tem estudado a Geração Net, tem vindo a alertar para algo que nem todos os pais se aperceberam de forma clara: "Não tendo controlo em casa, muitos adolescentes não a encaram como o seu espaço privado". Os seus espaços privados encontram-se agora e cada vez mais on-line, onde os jovens se reunem em massa, se ligam em rede com os pares e criam espaços partilhados próprios.

Através do site MySpace podem convidar, por exemplo, mil amigos para entrar no seu espaço privado virtual! Os locais de encontro dos jovens é pois, cada vez mais, a internet à medida que os espaços exteriores são menos atraentes e onde os adultos controlam tudo (da casa à escola e à maior parte dos espaços de atividades).

Entretanto, a segunda Geração Net (crianças nascidas a partir de 1997, ver foto) está, entretanto, a dar os seus primeiros passos. Elas nasceram num mundo já totalmente familiarizado com as novas tecnologias de informação.

Comunicam-se intensamente através de celulares, aprendem rapidamente a dominar os novos aparelhos, o computador é-lhes acessível e a internet começa a fazer parte do seu dia-a-dia.

Fonte: http://www.wikinomia.biz/2007/11/gerao-net-caminho-do-poder.html

10 de mai. de 2008

Across The Universe - Uma viagem a uma era de ouro


Olá Amigos

Como defensor ferrenho das TICs a favor da educação e como amante de boa musica e cinéfilo de carteirinha, postei abaixo 2 textos muito bons sobre o uso dos filmes na sala de aula. Mas o que me levou a postar foi o filme que assisti neste final de semana chamado Across The Universe.

Nas letras das canções mais famosas dos Beatles uma história que nunca foi contada... Inusitados encontros proporcionam a Sadie, JoJo, Prudence e aos irmãos Lucy e Max, singulares experiências que não aconteceriam se não fosse a iniciativa do jovem estivador Jude (Jim Sturgess) de deixar Liverpool em busca do pai, um ex-soldado que constituiu família nos Estados Unidos.

A lista de musicas vão de Girl, Helter Skelter, Hold Me Tight, All My Loving, I Want To Hold Your Hand, With A Little Help From My Friends, It Won't Be Long, I've Just Seen A Face, Let It Be, Come Together, Why Don't We Do It In The Road, If I Fell, I Want You, Dear Prudence, Flying, Blue Jay Way, I Am The Walrus,The Benefit Of, Mr. Kite, Because, Something, Oh Darling, Strawberry Fields, Revolution, While My Guitar Gently Weeps, Happiness Is A Warm Gun, Blackbird, Hey Jude, Don't Let Me Down, All You Need Is Love ate Lucy In The Sky With Diamonds.

Across the Universe é um musical revolucionário de rock, com amores, diferenças ideológicas, sociais e belíssimas canções que recria, com delicadeza e psicodélica criatividade, a América do turbulento período do fim da década de 60.

Aconselho aos amantes do bom cinema, fora do padrão pipoca de Hollywood, e amantes da boa música (não está incluso neste categoria qualquer coisa que não tenha letra, melodia, harmonia, arranjo e não venha acompanhada de creu e cachorras) a assistir o filme que em breve estrá nas locadoras.

Aproveitem as dicas abaixo e boas aulas com bons filmes.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

Refletindo sobre o uso de filmes na escola

Eliane Candida Pereira*

Uso de vídeos na educaçãoÉ inegável a necessidade de integrar diferentes linguagens nas aulas em todos os níveis de ensino. Nesse contexto, filmes são recursos que mais facilmente são incorporados à rotina escolar. No entanto, faz-se necessária a reflexão: que estamos fazendo com eles?

O cinema e a TV são dotados de linguagem própria e compreendê-los vai além da simples apreciação de imagens e sons, assim como ler é mais do que decodificar palavras.

Desse ponto de vista, não basta levar os alunos ao cinema como um passeio, ou apresentar um vídeo para substituir a fala do professor sobre um determinado assunto. É preciso propor a leitura reflexiva desses meios, em um determinado contexto, com sua linguagem peculiar, sua manifestação cultural, bem como possibilitar o espaço da criação usando essa linguagem, extrapolando o papel passivo da recepção da imagem e do som. Soma-se a isso a possibilidade de criar o diálogo entre as diferentes mídias, comparando-se características e informações obtidas em cada uma delas. É preciso educar para se viver a ( e na) Sociedade da Informação, com toda a sua gama de produção cultural.

Somente a prática reflexiva traz novas perspectivas aos processos educativos. Nós educadores precisamos constantemente buscar referenciais, discutir práticas, propor novas reflexões. Espaços de interação voltados aos educadores são caminhos importantes nessa busca reflexiva. Com essa intenção, vale destacar a iniciativa do site Porta Curtas. O site cataloga três mil títulos de curtas metragens brasileiros, contando com mais de 350 filmes disponíveis para apreciação, promovendo, assim, acesso e difusão da produção cultural nacional por meio da Internet

Considerando que o trabalho em sala de aula requer reflexão constante sobre a prática, reflexão essa que se amplia por meio da socialização de opiniões e da interação, criou-se, na página de cada filme, o espaço Curta na escola. Lá se encontra uma indicação de aplicabilidade pedagógica, apontando-se faixa etária, nível de ensino e disciplinas ou temas transversais; publicação de Pareceres de uso Pedagógico e comentários de educadores sobre os filmes, possibilitando um fórum permanente.

Propostas de trabalho como a apresentada pela educadora Grace Luciana Pereira**, para o filme Kinocopa, podem ser lidas, comentadas e ampliadas por outros educadores no site. Para comentar qualquer filme, receber informativos e participar dessa rede reflexiva sobre o uso dos filmes em sala de aula, basta que se faça um cadastro no site como professor

É importante que possamos cada vez mais explorar espaços de troca e reflexão para incorporarmos múltiplas linguagens em nossa prática... Que possamos abrir as portas de nossas salas de aula às mídias, com muita propriedade.

Conheça na próxima página uma sugestão de Grace Luciana para o trabalho com o vídeo Kinocopa, uma proposta bem interessante e atual para discussão sobre a copa do mundo. Veja também pareceres de outros educadores que estão contribuindo com o projeto curtas na escola.

* Eliane Candida Pereira atua na formação de professores da rede pública de São Bernardo do Campo, SP e é responsável pelo projeto Curta na escola, uma iniciativa do site Porta Curtas, patrocinado pela Petrobrás.

Refletindo sobre o uso de filmes na escola Sugestão de aplicabilidade pedagógica do filme Kinocopa

Grace Luciana Pereira **

Gênero : Documentário

Diretor : Chico Serra, Igor Cabral

Elenco : Godot Quincas

Ano: 2003

Duração: 21 min

Cor :Colorido

Bitola :vídeo

País :Brasil

Disponível no site Porta Curtas

Assista o kinocopa

A comoção toma contas dos brasileiros que se unem na esperança de vencer, momentaneamente esquecem-se dos índices de analfabetismo, fome, e desemprego do país. Eis a Copa do Mundo, uma alegria que a cada 4 anos toma conta da maioria dos brasileiros.

O curta utiliza os bastidores da Copa de 2002 para levantar uma série de questionamentos que nos fazem ter um outro olhar para a Copa do Mundo. O personagem começa entrevistando pessoas nas quais nem pensamos durante a euforia da Copa, moradores de abrigo e de rua, os excluídos sociais, para os quais ser penta, hexacampeão não faz muita diferença.

“O Futebol, ópio do povo” de acordo com o depoimento de um dos entrevistados. O que significa isso? O povo fica inebriado pela possibilidade de vencer e esquece de sua realidade por um tempo? E porque esse sentimento ufanista não aparece nas eleições?

Não há respostas únicas para estas questões, são respostas multifacetadas que apresentam uma série de dimensões, mas se não pensarmos sobre elas, talvez a relação entre futebol e política fiquem sempre desconexas para a maioria de nossos alunos.

Algumas aplicabilidades em Educação

Público: Ensino Fundamental

Objetivos:

Ciências sociais:

  • Discutir um fenômeno social e a forma como a mídia aborda o mesmo.

Temas transversais

  • Proporcionar aprendizagens de conteúdos e desenvolvimento de capacidades para que os alunos possam intervir e transformar a comunidade de que fazem parte. (PCN- Temas Transversais, pg.59)

Reflexões que o Curta propõe O que esperamos pra 2006 é só o hexacampeonato?

  • O que é Excludência social?
  • Os pobres só torcem pelo Brasil na Copa do Mundo?
  • A elite que controla o futebol?
  • “Sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor...” Aonde mais esse sentimento é demonstrado, além do futebol?
  • Após a Copa do mundo o que fica para o povo? Quais são as melhorias?
  • O brasileiro só é solidário na copa?
  • O brasileiro vive de alegrias momentâneas?

1. Partindo das reflexões propostas pelos filmes, inicia-se um debate.
2. Propor aos alunos que durante a Copa do Mundo, façam um gráfico das notícias divulgadas em 2 principais Telejornais, que serão escolhidos pela classe;
3. Dividir a classe em grupos de 4 a 5 crianças para que todos possam contribuir na coleta de dados
4. Eleger um dia da semana em que os grupos se reunirão para compararem os dados coletados;
5. Ficha de Analise – pode conter os seguintes elementos: reportagens abordadas, duração das reportagens e qual o destaque que elas receberam.
6. Discutir sobre o impacto da Copa nas notícias dos telejornais, estimulando um olhar crítico;
7. Promover a socialização dos dados finais colhidos pelos grupos após o término da Copa;
8. Montar um gráfico da trajetória das notícias para facilitar a visualização dos dados;
9. Elaborar um mapa textual das datas e noticias, explorando uma outra forma de registro.
10. Construir um documentário do mesmo gênero do Kinocopa, mas abordando as conclusões que a classe chegou com a pesquisa fazendo um paralelo com as reflexões propostas após verem o curta.
11. Exibir o documentário das crianças para a comunidade e promover um debate sobre o seu conteúdo.

Conheça outros pareceres para uso pedagógico dos curtas

A Casa por Rubia Armelin

Bichos urbanos por Beatriz Rizek

Aquarela por Luzenário Cruz

Enquanto a tristeza não vem por José Manuel Moran e Grace Luciana Pereira

Historietas Assombradas (para crianças mal-criadas) por Teresinha Garbin

Ilha das Flores em por Josete Maria Zimmer, Luzenário Cruz, Maria Salete Prado Soares e Sintian Schmidt

O Paradoxo do Passarinho por José Manuel Moran

Uma História de Futebol por Said Tadeu Nolli

** Grace Luciana Pereira é formadora de educadores para TICs e colaboradora do Porta Curtas, publicando Pareceres de uso Pedagógico para filmes disponíveis no site.

Fonte: Vivência Pedagógica

Os filmes na sala de aula

Algumas novas idéias para usar a Sétima Arte na Escola

Trabalhar com filmes em sala de aula pode ser extremamente gratificante, pois invariavelmente os resultados alcançados superam as expectativas dos professores. Para que isso aconteça é necessário que planejemos detalhadamente cada passo dessa iniciativa. Já tivemos a oportunidade de apresentar algumas das etapas desse planejamento em artigos disponibilizados pelo Planeta Educação. No presente texto retomamos a temática explorando especificamente algumas idéias e encaminhamentos que podem (e devem) facilitar ainda mais a ação dos professores interessados nesse poderoso e eficiente recurso. Para facilitar a leitura e a utilização dessas sugestões, organizamos sua apresentação em tópicos. Espero realmente que venham a ser de utilidade para muitos e muitos educadores que, como eu, apreciam a sétima arte e percebem em produções cinematográficas uma ferramenta e subsídio cultural valiosíssimo. Tenham um ótimo proveito em sua leitura e aulas...

• Os próximos passos quanto ao uso dos filmes em sala de aula referem-se à estruturação das estratégias e metodologias que orientarão parte das aulas. O que se quer, a princípio, é que as aulas sejam dinâmicas e atraentes para os estudantes. Para que isso ocorra é necessário que se organizem atividades que façam com que o educando participe ativamente dos procedimentos. Trabalhar com pequenos grupos e em situações de simulação da realidade são quesitos importantes para que os filmes possam ser discutidos e gerem produção escrita. Organização é outra palavra fundamental quando pretendemos trabalhar com grupos de estudantes; todos os detalhes de encaminhamento das atividades têm que ser apresentados antecipadamente para os estudantes. Aulas expositivas são importantes antes do filme ser mostrado ou logo depois da apresentação dos mesmos.


Trabalhar em pequenos grupos possibilita a troca de idéias, estimula a
cooperação, auxilia na resolução de dúvidas, incentiva a criatividade e
leva a melhores resultados finais apresentados aos professores.

• Aulas expositivas que são apresentadas antes do uso dos filmes têm o propósito de traçar um panorama geral do período histórico que está sendo estudado. Através desse perfil de época apresentado em aula o educando tem condições de comparar textos utilizados, informações apresentadas pelos professores, artigos de revistas especializadas, referências de jornais ou revistas de grande circulação com os filmes. O professor tem o compromisso de disponibilizar os recursos e mobilizar os alunos não apenas através de seminários, centralizando as ações, mas também atribuindo responsabilidades e mobilizando os alunos através de atividades que se desenvolvem durante as aulas que antecedem o uso dos filmes.


Os professores devem dar todas as orientações para que os trabalhos
sejam feitos da melhor forma possível; além disso, sempre que houver
a necessidade de novos esclarecimentos ou a resolução de dúvidas
deve ocorrer o pronto atendimento por parte dos mestres.

• Quando os filmes antecedem as aulas expositivas, a função do uso das películas é diferenciada em relação ao caso anteriormente apresentado. Os filmes são utilizados como recurso de chamamento dos educandos ao tema, tem o propósito de despertá-los para os temas em questão, introduzem o assunto em aulas. Mesmo nesse caso torna-se necessário que os professores procurem orientar as atividades no tocante ao filme, pedindo maior atenção quanto a determinados aspectos da história representada ou intercedendo nos momentos que considere apropriados (se necessário, parando a apresentação do filme em vídeo ou DVD). Não é recomendável que os estudantes façam anotações durante a apresentação do filme, isso dispersa a atenção dos mesmos para os detalhes da trama, do cenário, dos figurinos e de outros elementos representativos que podem ser utilizados pelo professor em suas atividades posteriores. As aulas expositivas que transcorrerem depois da apresentação devem ser utilizadas para referendar os pontos importantes disponibilizados pelo filme, aprofundar o assunto e introduzir idéias que tenham passado sem que tenham sido mencionadas; novamente cabe ao professor utilizar os recursos complementares para que as aulas sejam elucidativas, interessantes e para que a atenção e a participação dos educandos seja contínua.


Ambientar as aulas em situações como uma redação de jornal, uma
estação de rádio ou ainda como uma dramatização teatral pode
motivar os estudantes e levar a produção de trabalhos de ótimo nível.

• Se necessário, os trechos mais importantes podem ser apresentados uma segunda ou terceira vez, depois que as discussões e debates, assim como a redação sobre o material fílmico, já estiverem em curso durante as aulas.

• A proposta de trabalho em pequenos grupos tem o objetivo de fazer com que os educandos troquem idéias entre si, despertem uns nos outros a atenção quanto a aspectos que não foram percebidos, discutam questões propostas pelo professor e escrevam sobre o que viram. Existem vários trabalhos publicados quanto à utilização de técnicas e métodos de trabalho em aula, entre os quais destaco o livro “Manual de técnicas de dinâmica de grupo”, de Celso Antunes.

• A idéia de simulações como proposta de ação nas aulas do pós-apresentação do filme tem o propósito de aproximar os temas apresentados nos filmes da realidade em que vivem os alunos, tornando o assunto em questão ainda mais pulsante e vivo para os mesmos. Ambientar as aulas em situações como uma redação de jornal, uma estação de rádio, uma organização não-governamental ou uma secretaria de governo podem estimular os estudantes e fazer com que o resultado final dos trabalhos seja ainda mais interessante.


João Luís Almeida Machado

Doutorando pela PUC-SP no programa Educação:Currículo; Mestre em Educação, Arte e História da Cultura
pela Universidade Presbiteriana Mackenzie-SP; Professor universitário e Pesquisador atuando no
Centro Universitário Senac em Campos do Jordão; Editor do Portal Planeta Educação

Fonte: Planeta Educação