30 de set. de 2008

Filme sobre Bullying - Bang Bang! Você Morreu

Olá Amigos

Tem havido muitas pessoas me perguntando onde achar o filme Bang Bang! Você Morreu, que fala sobre bullying. Hoje fiquei procurando e encontrei ele dublado e legendado, para baixar. O formato do filme é RMVB do Real Player e para assisti-lo você deve ter ele instalado no seu computador.

O tema não pode ser mais atual e há maravilhosos trabalhos sendo feitos nesta área por diversos professores. Um desses trabalhos que merece destaque é o da Profª Gládis do Palavra Aberta, onde esta sendo coletado depoimentos e relatos de pessoas que sofreram bullying ou o que pensam sobre o assunto. Imperdível. Abaixo uma sinopse do filme e os links para baixar.

Sinopse: “Jovens podem ser mais cruéis que todos. Naturalmente cruéis.”
As Palavras de Trevor Adams, que já foi estudante exemplar, refletem suas experiências no colégio. Ele era vítima de tão traumatizante perseguição que ameaçou destruir o time de futebol da escola. Mas a salvação veio através do Sr. Duncan (Tom Cavanagh, astro da série de TV “Ed”), o professor de teatro, que ofereceu a Trevor o papel principal de sua peça, ao lado da bela Jenny Dahlquist.
O Professor e a garota tentam ajudá-lo a manter-se na linha. Mas há um risco: o sombrio enredo sobre assassinos em um playground, combinado com o passado problemático de Trevor, faz com que os pais tentem vetar a peça. Se eles conseguirem é possível que a voz de Trevor jamais seja ouvida e isso pode detonar uma bomba-relógio humana.


FICHA TÉCNICA

Título Original: Bang Bang You’re Dead
Gênero: Suspense
Tempo de Duração: 93 min
Ano de Lançamento: 2003
Qualidade: DVDRip
Formato: Rmvb
Áudio: Inglês
Legenda: Português
Tamanho: 291 Mb

Para baixar/download o filme clique em Legendado ou Dublado para baixa-lo no áudio desejado.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

29 de set. de 2008

Professor 2.0

José Carlos Antônio

02/07/2008

Enquanto alguns professores ainda desenterram velhas desculpas para não utilizarem os computadores e a Internet como ferramentas úteis no processo de ensino-aprendizagem, outros já se lançam a uma nova geração de tecnologias que chegaram e emplacaram: a Web 2.0. Essa nova "versão" de professor é o que estamos chamando aqui de “Professor 2.0”.

Se você ainda é um professor 1.0 ou, talvez, aquele professor 0.1 que ainda está ensaiando os primeiros passos para usar o computador em suas aulas, a boa notícia é que você pode fazer um “upgrade” rapidinho, e com quase nenhum esforço, para essa nova plataforma de oportunidades.

A Web 2.0 é, nas palavras de Tim O’Reilly, que cunhou o termo: “a mudança para uma Internet como plataforma, e um entendimento das regras para obter sucesso nesta nova plataforma. Entre outras, a regra mais importante é desenvolver aplicativos que aproveitem os efeitos de rede para se tornarem melhores quanto mais são usados pelas pessoas, aproveitando a inteligência coletiva”. Mas e para nós, educadores, o que é a Web. 2.0?

A Web 2.0 pode ser vista por educadores como uma “grande caixa de ferramentas atraentes, simples e úteis”. Essas ferramentas têm como algumas de suas principais características:

  • Utilização da Web como plataforma: serviços que antes dependiam de software instalado na máquina, podem ser acessados direto pelo navegador Web, a qualquer momento e de qualquer lugar.
  • Aperfeiçoamento constante: as ferramentas estão cada vez melhores e com mais possibilidades, o que ocorre graças às contribuições dos próprios usuários.
  • Serem total ou parcialmente gratuitas.
  • Permitirem que o usuário utilize a ferramenta para si mesmo ou para compartilhar informações e outros recursos com a coletividade.
  • Permitirem a produção, o armazenamento e o compartilhamento de diferentes mídias (imagens, vídeos, sons, textos, etc.).
  • Permitirem a construção coletiva do conhecimento, de forma que vários atores possam contribuir de forma conjunta e que o usuário da Internet possa ser também autor de conteúdo e não apenas um receptor passivo.
  • Permitirem o uso e a produção compartilhada, de forma que várias pessoas possam editar conjuntamente um texto, produzir e comentar um vídeo ou ajudem a eleger o que deve aparecer na página inicial de um site.
  • Permitirem e estimulam a formação de comunidades virtuais que compartilham interesses comuns.
  • Oferecerem interfaces amigáveis com o usuário, de maneira que ele possa aprender e usar os recursos oferecidos pela ferramenta de forma simples e rápida.

De quais ferramentas estamos falando? Estamos falando de páginas de construção coletiva de conteúdos (como a Wikpédia), dos blogs (há milhares deles), de mapas interativos (como os do Google ou o Frapper), geradores de estórias em quadrinhos (como o ToonDoo), livros virtuais (como o TikaTok), galerias públicas de imagens (Flickr, Picassa, MySpace), vídeos e apresentações (YouTube, SlidShares), bibliotecas virtuais e repositórios de arquivos (RapidShare), avatares falantes (Voki), podcasts, webquests, webnotes, MySpaces, Orkut, SecondLife, EducaRede, etc. etc. etc.

Enfim, estamos falando de uma enormidade de sites que oferecem ferramentas de criação, espaço para armazenamento e compartilhamento e possibilidade de agregar pessoas formando comunidades.

O universo de possibilidades de uso pedagógico dessas ferramentas aumenta de forma exponencial na mesma medida em que as próprias ferramentas se multiplicam e se aperfeiçoam.

O próprio Google, por exemplo, que é uma ferramenta Web 2.0 e, que começou como um simples site de busca, criou uma galeria de outras ferramentas interessantes que inclui até um escritório online, o GoogleDocs, onde é possível usar aplicativos como editores de textos, apresentações e planilhas eletrônicas sem precisar ter softwares de escritório (como o Office, da Microsoft, ou o OpenOffice, por exemplo) instalados no seu computador, documentos que podem ser acessados pela Internet de qualquer lugar, em qualquer momento e que podem ser compartilhados por quaisquer pessoas com quem você queira compartilhar.

Por que mesmo o professor que ainda não utiliza os computadores e a Internet para ensinar regularmente pode fazer um “upgrade” e já começar a usar as feramentas Web 2.0? Porque elas se baseiam fortemente no paradigma que tanto buscamos na Educação: é preciso aprender a aprender.

As ferramentas Web 2.0 são fáceis de serem “aprendidas” e tanto alunos como professores conseguem um domínio rápido sobre elas. Para o professor, aprender a usar uma ferramenta de produção de histórias em quadrinhos, por exemplo, não requer nenhuma oficina de capacitação ou curso específico, basta sentar na frente de computador e dar uma porção de cliques, justamente como os alunos fazem quando querem aprender a usar uma nova ferramenta da Internet. A questão importante para o professor não é “como usar as ferramentas”, e sim “para qual propósito pedagógico usá-las”.

Um bom professor prepara uma boa aula usando todos os recursos que tiver à sua disposição e quanto maior for a gama desses recursos, melhor ele sabe que será sua aula.

Com a Web 2.0 à disposição, o professor não precisa mais se conformar em continuar com sua versão de aula 0.1 ou 1.0, agora ele pode fazer esse upgrade e se tornar também um professor 2.0. O passo mais importante para esse upgrade é experimentar em si mesmo o paradigma que norteia suas ações com os seus alunos: aprender a aprender e continuar aprendendo sempre.

Para saber mais sobre a Web 2.0 acesse:

Para conhecer algumas ferramentas Web 2.0 acesse:

  • As comunidades virtuais de aprendizagem do EducaRede
  • Voki: avatares falantes
  • SlideShare: pesquise, use e compartilhe apresentações de slides
  • YouTube: pesquise, use e compartilhe vídeos
  • Wikipédia: pesquise e colabore na construção de uma enciclopédia online
  • WebNote: compartilhe recados na forma de “Post-it” pela Internet
  • Ferramentas Google: várias ferramentas de pesquisa, criação e compartilhamento
  • Ferramentas Yahoo: várias ferramentas de pesquisa, criação e compartilhamento
  • ToonDoo: ferramenta de criação e compartilhamento de quadrinhos
  • TikaTok: ferramenta de criação e compartilhamento de livrinhos virtuais
  • Flickr: ferramenta de compartilhamento de imagens do Yahoo
  • Picassa: ferramenta de compartilhamento de imagens do Google
  • Blogger: ferramenta de criação de blogs
  • WordPress: ferramenta de criação de blogs
  • RapidShare: pastas de compartilhamento de arquivos de qualquer formato
  • Orkut: site de relacionamento e de criação de comunidades virtuais
  • MySpace: site de relacionamento e de compartilhamento
  • Frappr: mapa interativo
  • WetPaint: ferramenta para criar sites colaborativos como o formato wiki

28 de set. de 2008

'Para criar uma geração de cientistas, temos de ensinar ciência do século 21'

O paulistano disputado por conceituadas instituições dos EUA fala ao ‘Estado’ sobre o uso da tecnologia na educação

Renata Cafardo


Aos 35 anos, o paulistano Paulo Blikstein precisa escolher em qual das conceituadas universidades americanas vai querer trabalhar. Stanford, Berkeley, Carnegie Mellon e Universidade de Nova York começaram há dois meses uma disputa para ter o engenheiro brasileiro como professor. E isso, no mundo acadêmico dos Estados Unidos, quer dizer ofertas e mais ofertas para conquistar o indeciso.

Fora o salário que chega a US$ 10 mil por mês, uma das instituições garante US$ 200 mil para começar seu projeto de pesquisa, outra oferece cobrir despesas com mudança e moradia e todas fazem uma espécie de leilão de metro quadrado do laboratório em que Blikstein poderá trabalhar. Além das quatro, Harvard lhe ofereceu uma bolsa de pós-doutorado, que inclui dar aulas para a instituição.

Formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), Blikstein passou a se interessar por educação e pesquisar sobre como a tecnologia poderia trabalhar a favor do ensino de qualidade. Sua devoção pelo educador Paulo Freire fez com que passasse a defender que a tecnologia fosse usada de maneira relevante para a vida dos estudantes. “Em muitas escolas, usar a tecnologia se resume a buscar dados para um trabalho. Mas é preciso aproveitar toda a motivação incrível que as crianças têm para criar, para mexer com tecnologia”, diz. Para isso, ele desenvolveu uma placa de robótica, com software livre, que pode ser usada em escolas no mundo todo para fazerem experiências de eletrônica e computação.

Blikstein fez mestrado e trabalhou em um grupo sobre aprendizagem no Massachusetts Institute of Technology (MIT), que fez com que testasse boa parte de seus projetos em escolas públicas brasileiras e de outros países em desenvolvimento. Agora, se dedica à criação de modelo computacional que pode prever como as crianças aprendem. “A idéia é que no futuro ele seja parte do treinamento de professores. Do mesmo jeito que um economista, antes de implementar mudanças na economia do país, simula o que pode acontecer.”

O brasileiro tem ainda dez dias para decidir seu futuro. Atualmente, ele vive em Chicago, onde termina seu doutorado na Universidade Northwestern.

Como acabou sendo tão disputado pelas universidades?

A avaliação das universidades é muito objetiva, eles vêem o número de publicações, e eu tenho muitas nesses oito anos que estou nos EUA. Há muitos modismos em pesquisas e eles não gostam do que é a nova moda. Eu fui sempre teimoso, dediquei-me a poucas idéias e persisti com elas, isso foi bom na minha avaliação. Como eu sou brasileiro, estudei na escola da filha do Paulo Freire, convivi intensamente com as idéias dela, isso deu um caráter original para o trabalho com tecnologia. Mas o processo é difícil, as universidades concorrem muito entre si e sabem as propostas umas das outras. Me ofereceram laboratório de 75 metros quadrados e colocam isso no contrato. Se tivesse só uma seria bem mais fácil.

Como você alia Paulo Freire e tecnologia?

É engraçado porque Paulo Freire é mais famoso nos EUA do que no Brasil. Lá tem Pelé, Ronaldo, Gisele Bündchen e Paulo Freire. O que ele falou, entre outras coisas, é que a educação tem de ser relevante para a vida do aluno e tem de ser adaptada ao contexto em que ele vive. Quando ele começou, foi numa vila de pescadores, que tinha aulas de alfabetização convencional em que tentavam ensinar a ler e escrever com palavras como ‘carros’, ‘prédio’. Ele começou a ensinar ‘peixe’, ‘rede’, ‘mar’ e deu certo. Muitas coisas que se faz de tecnologia são para adestrar os alunos dentro do laboratório de informática, se faz um joguinho de matemática, em que se acerta a conta e ganha cinco minutos de tiro ao alvo. Em muitas escolas, usar a tecnologia se resume a buscar dados para um trabalho. Mas é preciso aproveitar toda a motivação incrível que as crianças têm para criar, para mexer com tecnologia. O trabalho que eu faço é usar a tecnologia para construir projetos relevantes para a vida delas. Aquilo que a gente chama de aprender fazendo. Faz um robô, cria um programa, cria um produto, vê que não funciona direito, faz de novo.

E assim a criança produz conhecimento usando tecnologia.

Muita gente acha que produzir conhecimento é escrever um trabalho, mas pode ser criar um robô, um programa para coleta de lixo no seu bairro. Nem todo conhecimento demanda papel. Nem tudo que você faz na escola precisa estar no papel. O que tenho trabalhado em escolas do Brasil é propor para crianças a produção de projetos para resolver problemas da comunidade. Não é importante só criar o robô e sim o trabalho exaustivo durante o processo de criação desses produtos e as conexões que podem ser feitas com o que a criança aprende na escola. Não adianta fazer um projeto de robótica e não conseguir entender como aquilo se conecta com a aula. Fazer é algo muito natural para a criança. Mas é preciso refletir sobre o que está fazendo.

Como?

Essa é a questão fundamental. Em vez de criar um robô, pode-se criar um laboratório de ciências para os experimentos. Mas não um laboratório para você pingar coisas num tubo de ensaio. É preciso criar algo complexo, usando sensores, computadores. Isso une o melhor dos dois mundos, tem o rigor investigativo da ciência e usa a tecnologia. Na verdade, é o que os cientistas fazem hoje em dia. Muita gente fala que devemos formar cientistas para o desenvolvimento do Brasil. Mas o laboratório moderno de pesquisa não tem aquele cara de branco fazendo fumaça, pingando ácido em um tubo de ensaio. É tudo informatizado, com modelos matemáticos. Se a gente realmente quer criar uma geração de cientistas para contribuir para o avanço tecnológico do Brasil, a gente tem de ensinar a ciência do século 21 e não a do século 19.

Mas dá para fazer isso com baixo custo, em escolas públicas?

Tem várias formas de fazer isso muito barato. Quando a gente começou a trabalhar com robótica, usava um kit que custava R$ 1 mil, ninguém queria brincar porque tinha medo de quebrar. Resolvemos criar uma placa barata, de código aberto, qualquer um pode baixar da internet e comprar componentes simples. É algo que você liga de um lado no computador e de outro em motores e sensores. Pode programar esses motores e sensores para fazer o que quiser.

Há pesquisadores que acreditam que o Orkut, o MSN e outras tecnologias atuais emburrecem. Como vê esse tipo de posicionamento?

Se as crianças ficarem à própria sorte com computadores, isso pode acontecer mesmo. A comunicação é da natureza humana. Se você deixar a criança sem nada além disso para fazer, ela pode passar horas e horas nisso. O problema é muito mais o que a gente deixa de colocar no computador das crianças e a dinâmica do uso dos computadores nas casas do que uma crise dos tempos modernos. É preciso colocar o computador na sala e não no quarto da criança, em um lugar privado. Você, ao mesmo tempo, sabe o que está acontecendo e cria um espaço comum para o computador. Além disso, do mesmo jeito que os pais vão para o futebol prestigiar os filhos, tem de fazer o mesmo virtualmente. Se o seu filho conseguiu terminar um jogo, valorize. As famílias também têm de ter projetos juntas no computador, como álbuns de foto, site com entrevistas dos avós, vídeos, fotos. É uma chance de resgatar no seu filho o gosto de criar e de aprender com a tecnologia.

Qual a sua opinião sobre educação a distância?

Há dez anos, quando começou a crescer o e-learning, havia uma idéia de que era uma coisa milagrosa e ia se fazer educação de qualidade, a baixo custo, superar distâncias enormes. Mas percebeu-se que educação consome tempo, precisa de recursos humanos. Educação não é acessar materiais educativos. Você tem de estar em contato com alguém que saiba mais do que você para aprender alguma coisa. O contato pode até ser virtual, mas para poder consumir os produtos de educação a distância é preciso ter o mínimo de formação. Ela só funciona para alguns tipos de conteúdo. Algumas escolas têm formas híbridas, com aulas presenciais e a distância, e acho que esse é o futuro. Nos EUA, muitas transmitem as aulas para os dormitórios dos alunos pela TV. Tem aluno que nem vai à aula, mas ele tem colegas presenciais e, se há dúvida, fala com o professor. Cada pessoa tem um estilo de aprender. O bom da educação a distância é que ela obriga os sistemas tradicionais a se adaptarem ao que as pessoas precisam. Essa diferença entre distância e presencial vai ficar cada vez mais tênue. Mas educação precisa de gente ensinando gente.

Como funciona seu modelo computacional para aprendizagem?

Na educação, as pessoas têm teorias diferentes sobre como as crianças aprendem. Então, você coloca sua idéia de como o aprendizado acontece em um modelo de computador. Isso pode ajudar a entender, por exemplo, se é melhor decorar a matéria ou ensinar com mais tempo. O que se cria é uma rede de conceitos de duas condições, uma delas transmitindo muito rapidamente e em mais quantidade e outra, em menor quantidade e com mais tempo para conexões. Em um sistema de ensino tradicional, o aluno só recebe informações e a rede não tem muito tempo para se organizar, então podem ter conexões erradas, mas haverá mais volume de informação. Em outra condição, com mais tempo, talvez a criança tenha menos informação, mas entenda melhor o contexto.

Você já usou esses modelos em sala de aula?

Estamos no estágio de recolher dados em sala de aula para os modelos. A idéia é que, no futuro, daqui cinco, dez anos, eles sejam parte dos treinamento de professores. Ele pensa se vai criar grupos grandes, pequenos, misturar alunos que sabem pouco com aqueles que sabem muito. Coloca os dados e o modelo fala quais as estratégias melhores. Do mesmo jeito que um economista, antes de implementar mudanças na economia do país ou comprar ações, vê o que vai acontecer. O professor também vai ter ferramentas para que possa simular o que vai acontecer na sala de aula. Não para substituir, mas para complementar o arcabouço de teorias.

Você já declarou que o avanço da tecnologia caminha com a evolução humana. O que quer dizer com isso?

Marshall McLuhan, um dos mais importantes teóricos da comunicação do século 20, diz que nós criamos tecnologias, e as tecnologias nos recriam. Pense em como a vida desmorona em apenas algumas horas quando falta energia elétrica. Descobrimos a eletricidade e ela nos recria como seres humanos, inventamos a internet e imediatamente ela reinventa a vida humana. Nós temos que pensar a escola como um organismo vivo e a tecnologia como um dos elementos dentro desse organismo, como o sangue correndo nas artérias. As escolas onde se faz o melhor uso de tecnologia não têm laboratório de informática isolado, a tecnologia está em toda parte.

Fonte: http://www.estado.com.br/editorias/2008/06/15/ger-1.93.7.20080615.10.1.xml

27 de set. de 2008

A TV digital e a integração das tecnologias na educação


Introdução

Estamos caminhando para uma nova fase de convergência e integração das mídias: Tudo começa a integrar-se com tudo, a falar com tudo e com todos. Tudo pode ser divulgado em alguma mídia. Todos podem ser produtores e consumidores de informação.

A digitalização permite registrar, editar, combinar, manipular toda e qualquer informação, por qualquer meio, em qualquer lugar, a qualquer tempo. A digitalização traz a multiplicação de possibilidades de escolha, de interação. A mobilidade e a virtualização nos libertam dos espaços e tempos rígidos, previsíveis, determinados. O mundo físico se reproduz em plataformas digitais e todos os serviços começam a poder ser realizados física ou virtualmente. Podemos pagar contas numa agência de banco ou na Internet, fazer compras numa loja ou através de lojas virtuais. Há um diálogo crescente, muito novo e rico entre o mundo físico e o chamado mundo digital, com suas múltiplas atividades de pesquisa, lazer, de relacionamento e outros serviços e possibilidades de integração entre ambos, que impactam profundamente a educação escolar e as formas de ensinar e aprender a que estamos habituados.

As mudanças que estão acontecendo na sociedade, mediadas pelas tecnologias em rede, são de tal magnitude que implicam – a médio prazo - em reinventar a educação como um todo, em todos os níveis e de todas as formas.

A TV digital e a integração das tecnologias

As tecnologias começaram e se mantiveram separadas – computador, celular, Internet, mp3, câmera digital e agora a TV – e agora caminham na direção da convergência, da integração, dos equipamentos multifuncionais que agregam valor. O computador fica cada vez mais potente e menor, ligado à internet banda larga, a redes sem fio, à câmera digital, ao celular, aos tocadores de música. O telefone celular é a tecnologia que atualmente mais agrega valor: é wireless (sem fio) e rapidamente incorporou o acesso à Internet, à foto e vídeo digitais, aos programas de comunicação (voz, TV), ao entretenimento (jogos, música-mp3) e outros serviços. A televisão é a última das grandes mídias a tornar-se digital. E agora se insere num mundo de tecnologias já digitais, já mais interativas e integradas e precisa correr atrás para recuperar o espaço perdido, principalmente o das múltiplas escolhas na hora e lugar que as pessoas assim o quiserem.
Com a chegada da TV digital a pressão pela integração tecnológica será muito maior. Infelizmente, ainda demorará a acontecer, porque estamos numa fase de transição do modelo industrial para a sociedade do conhecimento, ainda presos a modelos de empresas de telecomunicações e audiovisuais cartoriais, que defendem áreas já conquistadas, campos de atuação exclusivos e conceitos de propriedade intelectual, que precisam ser revistos com urgência.

Especificamente no Brasil, teremos a TV digital dos grandes eventos ao vivo, como Olimpíadas, passadas em alta definição, com imagem fantástica e inúmeros recursos de som. Teremos canais que transmitirão também em alta definição filmes e novelas para um público mais exigente e com maior poder aquisitivo. Teremos também na TV aberta muitos canais de TV digital de qualidade boa, mas sem ser de alta definição, que passarão noticiários vinte e quatro horas, esporte, vendas, como hoje acontece na TV por assinatura. Serão canais com alguma interação para compras, votações de opinião, etc. E teremos uma outra TV digital on-demand , a la carte , isto é escolheremos em cada momento entre um menu muito diversificado de programas prontos aqueles que nos interessam mais. Uns serão gratuitos, pagos por publicidade, e outros pagos diretamente pelo consumidor.

No começo, a TV digital oferecerá mais canais, mais oferta de conteúdo e alguma interação: escolhas básicas, simples sem muitos recursos complexos. As emissoras tentarão controlar o conteúdo ofertado, que é o mais caro e o que as pessoas mais procuram, mas haverá simultaneamente muitos grupos oferecendo formas novas de produção e divulgação desse conteúdo, ampliando o número de usuários-produtores, como começa a acontecer agora na Internet.

A rapidez da evolução dos serviços na Internet e no celular, com muitas formas de navegação, escolhas e interação obrigará à TV a ser muito mais participativa, a oferecer formas de participação mais abrangentes, a médio prazo, para não perder mercado.

Aplicações da TV digital na educação

Que conseqüências terá a passagem da TV convencional para a digital e a integração com as outras mídias na educação?.

A tecnologia digital baixa custos, a médio e longo prazo. Na educação, teremos muitos canais e recursos para acessar conteúdos digitais de cursos e realizar debates com especialistas e entre alunos. Será fácil também a orientação de pesquisas, de projetos e mostrar (apresentar, disponibilizar) os resultados. Poderemos produzir belas aulas e deixa-las disponíveis para os alunos acessa-las no ritmo que quiserem e no horário que acharem conveniente, com qualidade melhor do que a atualmente conseguida na Internet. Haverá mais realismo na interação a distância, nos programas de comunicação a distância, isto é conseguiremos, mesmo fisicamente longe, ter a sensação de estarmos juntos, de quase tocar-nos fisicamente.

Se estivermos viajando poderemos acessar um canal específico e interagir com os colegas e alunos através do celular ou de um computador portátil.

A TV digital poderá oferecer muitas mais oportunidades de os alunos serem produtores de conteúdos multimídia, como acontece hoje na Internet com o site YouTube: qualquer pessoa pode divulgar um vídeo feito com câmera digital ou celular. Os usuários avaliam o filme pela quantidade de acessos e pelo número de estrelas atribuído. Quando melhor avaliado um vídeo, mais aparece para o público ou na pesquisa do site. A tv digital pode oferecer com mais qualidade a exibição dessas produções feitas pelos usuários e acrescentar recursos de pesquisa e navegação fáceis e hiper-realistas.

Poderemos ter salas de aula abertas para cada grupo, turma, universidade e recriar nelas todo o potencial da comunicação presencial, a distância, mas conectados.

Problemas que enfrentamos com as mídias digitais

O problema do Brasil não é tecnológico, mas de desigualdade estrutural. A interatividade tem muito a ver com poder de compra, com educação de qualidade, com cultura empreendedora. A grande maioria das pessoas depende do modelo passivo de uma TV que dá tudo pronto, aparentemente de graça. Esse modelo fez sucesso. A interatividade pressupõe uma atitude de vida muito mais ativa, investigativa, inovadora.

Sem educação de qualidade, as pessoas têm menos poder de fazer crítica, de realizarem escolhas mais abrangentes. E nossa educação ainda é muito precária. A TV pode ser utilizada de forma muito rica e participativa com a digitalização e integração das mídias, mas sem uma melhoria efetiva na educação e nas condições econômicas correspondentes, a TV continuará ditando o lazer das pessoas, oferecendo mais oportunidades de concorrer a prêmios, de fazer compras - o que convenhamos não é um grande ganho em relação à TV atual.

As tecnologias digitais não atuam no vazio. Elas são utilizadas dentro de contextos educacionais diferentes. Grandes grupos educacionais privados pensam nelas para baratear custos, ganhar escala (aulas para mais alunos, por satélite, por exemplo); vêem a educação como investimento, como negócio e buscam utilizar as tecnologias digitais para conseguir o máximo lucro com a mínima despesa. De um lado introduzem modelos altamente complexos e sofisticados de tele-aulas, de ambientes virtuais com conteúdos disponibilizados e formas de avaliação comuns e simples.

São modelos para grandes grupos, para países inteiros, oferecidos de modo uniforme para todos, com algum apoio de instituições locais. São os modelos oferecidos pelas mega-universidades que estão se consolidando agora, que vêem na TV digital uma forma ideal de realizar este modelo massivo.

De outro lado teremos as instituições que oferecerão propostas educacionais mediadas pelas tecnologias digitais para grupos menores, com mais interação, focadas na aprendizagem, no aluno, em criação de grupos de pesquisa, de projetos e aprendizagem colaborativa.
Entre estes dois modelos extremos, haverá diversas formas de oferecimento de cursos semi-presenciais e a distância, todos mediados por tecnologias digitais simples e mais sofisticadas, com mais ou menos interação. Mas a mediação de tecnologias digitais daqui em diante será comum a todos, pela concorrência, necessidade de adaptação às novas formas de vida nas cidades, pela pressão para diminuir custos e atender aos alunos onde eles estiverem.

Outro fator complicador é o ritmo lento, complexo e descontínuo da gestão pública, com recursos, mas dificuldade na implementação, na continuidade das políticas, sem falar na corrupção, que diminui o impacto dos recursos na ponta, na escola.

As tecnologias dependem também de como cada um, professores, alunos e gestores as utilizam: em contextos e encontros pedagógicos motivadores ampliam a curiosidade, a motivação, a pesquisa, a interação. As tecnologias em contextos e encontros pedagógicos acomodados, rotineiros aumentam a previsibilidade, o desencanto, a banalização da aprendizagem, o desinteresse.

Conclusão

As tecnologias evoluem muito mais rapidamente do que a cultura. A cultura implica em padrões, repetição, consolidação. A cultura educacional, também. As tecnologias permitem mudanças profundas já hoje que praticamente permanecem inexploradas pela inércia da cultura tradicional, pelo medo, pelos valores consolidados. Por isso sempre haverá um distanciamento entre as possibilidades e a realidade. O ser humano avança com inúmeras contradições, muito mais devagar que os costumes, hábitos, valores. Intelectualmente também avançamos muito mais do que nas práticas. Há sempre um distanciamento grande entre o desejo e a ação. Apesar de tudo, está se construindo uma outra sociedade, que em uma ou duas décadas será muito diferente da que vivemos até agora.

Mesmo com tecnologias de ponta, ainda temos grandes dificuldades no gerenciamento emocional, tanto no pessoal como no organizacional, o que dificulta o aprendizado rápido. As mudanças na educação dependem, mais do que das novas tecnologias, de termos educadores, gestores e alunos maduros intelectual, emocional e eticamente; pessoas curiosas, interessantes, entusiasmadas, abertas e confiáveis, que saibam motivar e dialogar; pessoas com as quais valha a pena entrar em contato, porque dele sempre saímos enriquecidos. E isso não depende só de tecnologias, mas programas estruturais que valorizem os profissionais na formação e no exercício efetivo da profissão, com salários e condições dignas, onde eles se sintam importantes. As tecnologias são uma parte de um processo muito mais rico e complexo que é gostar de aprender e de ajudar a outros que aprendam numa sociedade em profunda transformação.

Referências bibliográficas do autor:

MORAN, José Manuel. A educação que desejamos: novos desafios e como chegar lá . Campinas: Papirus, 2007.
Desafios na comunicação pessoal . 3ª ed. revista. São Paulo: Paulinas, 2007.
Página pessoal: www.eca.usp.br/prof/moran
Blog sobre educação inovadora: http://moran10.blogspot.com

José Manuel Moran
Professor de novas tecnologias na USP. Diretor Acadêmico da Faculdade Sumaré-SP.

Texto publicado no boletim 23 sobre Mídias Digitais do Programa Salto para o Futuro. TV Escola - SEED, novembro, 2007.
Disponível em: http://www.tvebrasil.com.br/salto/boletins2007/md/index.htm

26 de set. de 2008

Olhar a frente


Olá amigos

A postagem abaixo mostra que mais de meio mundo já possui celular. Imaginar que o celular não será a ferramenta de inclusão, comunicação, educação e diversão mais poderosa do planeta é a mais completa ilusão. Vão dizer que a tela é pequena, que não pode isso, que não pode aquilo mas nada que uma olhada mais atenta e o avanço tecnológico não resolvam.

Há no mundo diversos estudos sendo publicados ( Google Acadêmico) sobre o uso do celular como ferramenta de educação, sendo o mais interessante o do MIT - Instituto Tecnológico de Massachusetts, onde inclusive já estão desenvolvendo aplicativos educacionais para vários modelos de celular.

Há uma postagem no blog Letra viva do Roig intitulado Da telona à telinha, via celular muito legal que vale a leitura para complementar o tema e também uma noticia de onde foi tirada a foto acima intitulada Tatuagem ativa celular implantado sob a pele do braço, que alias tem um infográfico muito legal.

É pessoal o tempo corre contra nos e se deixarmos a oportunidade de começar a olhar , já hoje, diferente sobre o uso do celular como ferramenta educacional e para que nos não percamos o bonde da história, senão corremos o risco de ... "sua chamada está sendo encaminhada para a caixa postal e após o sinal deixe sua mensagem".

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

Mundo terá 4 bilhões de celulares até final deste ano


Reuters

O número de usuários de celular em todo o mundo deve atingir 4 bilhões até o final deste ano, número que, em tese, fará com que a porcentagem de habitantes do planeta com um telefone móvel alcance os 61% ante 12% em 2000, informa a União Internacional de Telecomunicações (UIT), da Organização das Nações Unidas (ONU).

Segundo dados divulgados nesta quinta-feira pela entidade, economias emergentes em rápido crescimento, como Brasil, Rússia, Índia e China são as que mais impulsionam o crescimento da telefonia celular. Juntas, essas nações deverão somar 1,3 bilhão de usuários de celular neste ano, dos quais 600 milhões estarão apenas na China.

Segundo a UIT, o número de usuários de telefone móvel tem crescido 25% ao ano pelos últimos oito exercícios. Em 2007, ele chegava perto de 3 bilhões e atingia 48% da população. A entidade destaca, entretanto, que o número é de linhas, e não de pessoas, e que por isso pode haver duplicidade, na medida em que alguns clientes possuem mais de um celular, enquanto outros podem dividir uma única linha com outro usuário.

"Apesar dos dados sugerirem um crescimento impressionante, a UIT alerta para a necessidade de os dados serem interpretados com cuidado. Apesar de, em teoria, uma penetração de 61% sugerir que pelo menos a cada segundo uma pessoa esteja usando um celular, isso não é necessariamente o caso. De fato, as estatísticas refletem o número de clientes, não de pessoas", afirma a UIT no levantamento.

Fonte: http://tecnologia.terra.com.br/interna/0,,OI3209609-EI4796,00.html

24 de set. de 2008

Quem tá certo e quem está errado?

Olá Amigos

Ontem recebi esse vídeo que tem tudo haver com o que foi colocado os artigos "A escola no YouTube" do Gabriel Perissé e o no "A consciência de estar sendo observado" postado no Letra Viva do Roig do meu amigo José Antônio Klaes Roig. Vejamos o vídeo.



Assistindo ao vídeo chegamos a seguinte conclusão: todos erraram.

Houve excessos de ambas as partes, mas na minha opinião quem errou mais foi o professor que pegou o celular do aluno e jogou-o no chão. Como pessoa culta e instruída, a atitude do professor não condiz com a postura de um profissional de educação.

Sei também que os alunos tendem a ficar empurrando os limites de nossa "santa paciência" todo santo dia, mas sei também que destruir propriedade alheia é crime.

Os alunos entenderiam uma atitude mais serena, tipo: pegar o celular e desliga-lo e somente entregar ao final da aula ou pedir ao aluno que se retira-se da sala para atender a chamada. Nada justifica atitude do Professor.

Há também um vídeo montado pelo Profº Luiz Mauro do TO, junto com seus alunos baseado no primeiro vídeo postado acima, que ficou bem legal por sinal. A vídeo montagem pode ser visualizada abaixo.



Na postagem "Imagens e práticas pedagógicas no cotidiano das escolas: o celular nas classes de alfabetização" das Profª Solange Castellano Fernandes Monteiro e Tereza Cristina C. Corrêa Teixeira elas citam que:

"Nossas crianças se desenvolvem num mundo digital e o celular é um recurso utilizado por elas, e não devemos negligenciar este fato; portanto, vale a pena observar a influência do celular e do mundo digital no processo de ensino aprendizagem mesmo quando a tecnologia não é usada como recurso pedagógico na sala de aula. Parece que o celular e educação não andam juntos. Nesta nova forma de compreender as possibilidades dos usos do aparelho celular durante a fase escolar, é para se repensado uma vez que o uso dos celulares nas escolas indica novas alternativas de práticas pedagógicas."

Por isso temos como profissionais de educação aprender a resolver e mediar situações desse nível todos os dias, buscando novas formas de ensinar usando o celular, pois cada vez mais o celular vai estar entrando na nossa sala de aula e na nossa vida, pois senão algum dia você será estrela no YouTube.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

23 de set. de 2008

Imagens e práticas pedagógicas no cotidiano das escolas: o celular nas classes de alfabetização


Solange Castellano Fernandes Monteiro
Tereza Cristina C. Correa Teixeira


Temos percebido que os aparelhos celulares com seus múltiplos sons em diferentes espaços da vida cotidiana escolar. Esses aparelhos parecem desejar que todos estejam atentos ao que um novo sistema de trocas de sons-mensagens-imagens apresenta. Desse modo, não importando se o seu valor, tem o significado subjetivo de se fazer comunicar.

Assim como outros meios de comunicação, ele também “impõe” um modo cultural nas escolas e fora delas supostamente unificado pelas normas das novas tecnologias do mundo contemporâneo, desconhecendo, muitas das vezes, o que se passa no espaço-tempo da vida.

Por conseguinte, os conteúdos culturais que o mundo tecnológico vai-nos proporcionando podem estar fornecendo mercadorias e novas formas de vida cotidiana e, provavelmente, pode estar mantendo a classificação segundo mecanismos postulados pelo capitalismo os quais não se importam com a democratização da comunicação. Na medida em que esses produtos podem manifestar através das formas divorciadas da unicidade da vida, podemos indagar:

1- O que pode estar ocorrendo em nossa formação identitária com o uso desses aparelhos?
2- O que estaríamos reforçando em nossas ações diárias?
3- O que emerge que disponibiliza as possibilidades de um mundo mais solidário?
4- Em outras palavras, qual o diálogo cultural que estamos travando no cotidiano das salas de aula e/ou nas escolas com o aparecimento e uso do aparelho celular?

Ligada desse modo à possibilidade de conseguir um celular em prestações pequenas, também podemos estar reforçando quem pode e quem não pode ter diferentes recursos para se comunicar melhor ou, ainda, manusear as novas formas digitais.

Os celulares mais sofisticados com os incitamentos de jogos mais modernos, gravador, internet, aquele som mais novo, a música diferente parecem provocar desejos e valores intermináveis! Tudo se produz como uma maquinação de grande escala. Nestas circunstâncias o desenho da sala de aula vai-se modificando e nos modificando sem, muitas das vezes, percebermos as mudanças éticas das relações que se manifestam diariamente, apesar dos currículos oficiais desconsiderarem os currículos praticados.

As práticas pedagógicas que desempenhamos a partir da telefonia celular são aprendidas fora e, agora também, dentro da escola, sendo, portanto, bases para o diálogo constante e imprevisível com as culturas que permanecem presentes nas escolas. Dito de outra maneira, a cultura escolar que caminha com toda a sua herança baseada na ciência moderna entra em constante diálogo com a lógica que preside o desenvolvimento das ações cotidianas com a lógica que passamos a presidir com o uso da telefonia celular nas salas de aula. Neste caso, o que se pode dizer é que o celular vem dialogando com as culturas as quais possivelmente já estão presentes nas salas de aula e/ou no espaço escolar com uma disposição que pode possibilitar emergir novas culturas e novas práticas pedagógicas.

Estando na riqueza do cotidiano vivido nas salas de aula e nas escolas, prestando atenção ao que ouvimos, sentimos e vemos a partir das ações provocadas por esse minúsculo aparelho que vai invadindo nossas salas de aula, pudemos entender as ações concretas de professores e alunos, viabilizando, a partir disso, uma superação dos modelos que pretendemos explicar as situações de ensino-aprendizagem bem ou mal sucedidas através de elementos genéricos que as caracterizam.

Provavelmente, muitos de nós conhecemos ou vivemos alguma história de escola na qual o celular aparece fazendo-nos desequilibrar de nossas certezas pedagógicas. Os estudos do processo de tessitura do conhecimento em rede nas classes de alfabetização trazem o ato de aprender a ler como um ato complexo cuja compreensão se situa de vários eixos: é atribuir sentido a algo escrito, é questionar algo escrito como tal a partir de uma expectativa real, envolvendo necessidades e prazer, numa verdadeira situação de vida.

Nossas crianças se desenvolvem num mundo digital e o celular é um recurso utilizado por elas, e não devemos negligenciar este fato; portanto, vale a pena observar a influência do celular e do mundo digital no processo de ensino aprendizagem mesmo quando a tecnologia não é usada como recurso pedagógico na sala de aula. Parece que o celular e educação não andam juntos. Nesta nova forma de compreender as possibilidades dos usos do aparelho celular durante a fase escolar, é para se repensado uma vez que o uso dos celulares nas escolas indica novas alternativas de práticas pedagógicas.

Afinal, como já nos referimos, é preciso entender o que acontece no cotidiano da sala de aula que dialoga com as culturas que entram nas escolas, modificando ações e sendo modificadas pelas culturas e representações constitutivas de saberes que circulam, ainda de forma hegemônica, nas salas de aula de professoras em atuação e com professoras em processo de formação.

Nesta perspectiva, tecemos a idéia de que o poder da ação também precisa ser diversificado e a adoção de novas práticas, incluindo as novas tecnologias que invadem as escolas, quer ela queira ou não, é condição para que os alunos e alunas entendam que também podem ensinar, questionar e orientar professores e colegas. Desse modo, a tão sonhada emancipação se torna realidade.

Obs.: resumo do texto apresentado no "IV Seminário Internacional As Redes de conhecimentos e a tecnologia: práticas educativas,cotidiano e cultura", realizado na UERJ de 11 a 14 de junho de 2007.


Fonte: http://www.revistateias.proped.pro.br/index.php/revistateias/article/viewFile/182/18

A escola no YouTube

Por Gabriel Perissé Publicado em 26/6/2007

A presença irreversível do telefone celular na vida cotidiana causa transtornos nas escolas do mundo inteiro. O ministério da Educação italiano chegou a proibir recentemente que os alunos levassem suas infernais maquininhas para a aula, não só por causa das interrupções, mas também porque os usuários se divertem filmando tudo com as câmeras acopladas aos aparelhos.

No Brasil, estamos diante do mesmo fenômeno. Um exemplo entre muitos: a cena abaixo, de uma briga entre dois estudantes no pátio do colégio. A gravação durou 30 segundos, com direito a torcida: "Bate, japonês!". Está no ar há nove meses, e já foi exibida mais de 95 mil vezes. Recebeu dezenas de comentários, como essa preciosidade: "huahasuhsal.... o cara bate com os braço aberto... mto newbie ashuahsa."

Proibir é infrutífero. Quanto mais proibição mais desobediência. Os alunos tornaram-se cineastas com um celular na mão e algumas idéias na cabeça, prontos a registrar momentos engraçados, inofensivos ou constrangedores do ambiente escolar.

O flagrante acima é o de um aluno (vê-se pelo uniforme que freqüenta uma escola particular confessional) pulando nove degraus de uma só vez. São quase 3 minutos de correrias, empurrões, brincadeiras adolescentes no intervalo das aulas.

A diversão consiste em gravar situações curiosas ou bobas, e no mesmo dia inserir no YouTube, comunicando aos amigos que já está no ar a mais nova produção. Alguns simulam ser entrevistadores, outros imitam cantores, e há quem se especialize em colecionar momentos da atuação docente.

O professor está tentando explicar o que é o anarquismo, e se aborrece porque falta ordem dentro da sala: "É a última vez que eu falo! Pô! Caramba!" Mal sabe ele que um anarquista pós-moderno, dentro de algumas horas, levará as imagens da bronca para o maravilhoso mundo do acesso livre.

A solução é integrar o telefone celular e seus recursos à dinâmica do aprendizado. É inútil coibir, e contraproducente reclamar. Se, como educadores, não tirarmos a câmera do celular da clandestinidade, os alunos continuarão experimentando sozinhos as suas mil e uma possibilidades, paralelamente às atividades da escola.

Assim como as histórias em quadrinhos e a TV foram, ainda que lentamente, incorporadas à didática, também a internet, e o que ela possui de interativo, provocador, deverá fazer parte do trabalho escolar. O celular, como objeto e instrumento de estudo, entrando pela porta da frente da escola.


Fonte: http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=439FDS001

Retrato Celular: experimentações da linguagem na televisão

Série Retrato Celular deve retratar através do celular o universo de 34 jovens, entre 21 e 30 anos


07/09/2007

É inegável a presença da tecnologia em nosso cotidiano. E anestesiados pela sublimação do consumo, não percebemos que tais aparelhos vão além do sentido de “extensões do corpo”: eles parecem próteses. Temos a sensação que não mais podemos caminhar, falar, observar, ouvir sem eles. O nosso mundo é a intermediação.

Em forma de aparatos cada vez mais multifuncionais, a avidez do mercado acompanha o mesmo discurso [assim interpretado hoje] daquela charge que criticava a teoria de Darwin de 1859: sempre a última versão, a mais atual, é a melhor.

Evolução

Observando bem, dos cinco seres do desenho, que circula por aí desde 1860, o quarto elemento é quem carrega uma ferramenta [símbolo de inteligência]. Mas é a última “geração”, o Homo sapiens que, curiosamente, não carrega nenhum aparato. Mas ele sim deveria trazer nas mãos alguma coisa que simbolizasse o domínio da selvagem natureza que ficou para trás. Sei lá, com essas mãos vazias, parece lhe faltar um iPod ou um livro que tenha a palavra “segredo” na capa. Mas não. Suas ferramentas estão internalizadas. E sua maior ferramenta aparente é o próprio corpo, desnudo de pêlos e feições animalescas, preparado para a percepção da realidade e para intervir nessa mesma realidade.

Voltemos ao contemporâneo tecnológico. Nossos aparelhos celulares, como próteses, extensões ou qualquer outra qualificação mais teorizada que você queira lhes dar, também faz chamadas telefônicas. Sim, o celular é um exemplo de aparelho que cada vez mais fotografa, grava sons e registra filmes em vários formatos, tempos e qualidades. Sempre tem uma tampa, digo, um celular para cada tipo de bolso.

Uma outra tecnologia que nos acompanha desde 1950 [no Brasil] é a televisão. Afirmar que há muito tempo os hibridismos da linguagem já estão arraigados na televisão já se tornou um lugar-comum. Mas essa mídia ainda consegue surpreender. E não estou falando da TV digital, falo em termos de linguagem. Na TV aberta, poucos são os programas mais “inteligentes”, salvo a programação da TV Cultura. Podemos arriscar em dizer que alguns canais da TV fechada, de fato, possuem uma programação inteligente. E, assim, surpreendente.

A série “Retrato Celular”, que estreou dia 4 de setembro, às 21h45, no canal fechado Multishow, é um programa produzido em parceria entre o canal e a produtora independente Conspiração Filmes, a mesma que produziu Dois Filhos de Francisco e a série Mandrake, entre outros êxitos. Serão oito episódios de 30 minutos, com direção de Andrucha Waddington, jovem diretor e produtor de cinema e publicidade, casado com a atriz Fernanda Torres.

O programa retrata através do celular o universo de 34 jovens, entre 21 e 30 anos. As cidades escolhidas são Porto Alegre, São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. A idéia é trazer à luz discussões como independência, beleza, paternidade, traição, amizade e futuro. As linguagens de documentário e reality-show confabulam para criar o clima de realismo aos personagens e histórias, buscando a diversidade de olhares e comportamentos em 120 horas de material bruto de celular. Outras câmeras foram usadas (HDV) no total de 23 horas de entrevistas.

Jovens que, com idéias na cabeça e celulares em mãos, filmam e são filmados. São o eu e outro fundidos pela tecnologia digital, mediados pela linguagem televisiva. É esse tipo de experimentação que só é possível na mescla de linguagens. Isso torna as tecnologias fascinantes, justamente por nos fazer pensar nas formas emergentes de produzir sentidos na cultura de massas. O maior diferencial do programa é trazer ao público a experiência de tentar perceber quais olhares estão dentro de outros olhares.

O olhar do jovem, através do celular, através da montagem e edição do diretor, através da televisão. As mídias promovem o encontro virtual de jovens de vários pontos do país para depois, organizadas em série e entre um intervalo e outro, serem novamente espalhadas e fragmentadas pelo país via TV por assinatura.

Narcisos, nós? Não. Gostamos de olhar, pois isso faz parte da nossa evolução, da nossa natureza. Somos seres digitais, tecnológicos, mas acima de tudo, imagéticos.

Fonte: http://www.ump.edu.br/metro/colunas.php?id=14&aid=52

Uma idéia na cabeça e um celular na mão

Fernando Eichenberg

Filmes feitos com o uso de telefones celulares deixaram a fase de engatinhar e a marginalidade para conquistar a maioridade e espaços mais prestigiosos. No Brasil, por exemplo, o elogiado Andrucha Washington dirigirá a série Retrato Celular, no Multishow, que vai revelar auto-retratos de jovens de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Belo Horizonte.

Já a MTV produz o seriado Gordo Viaja: oito capítulos em que o apresentador João Gordo mostrará o que filmou com seu celular em viagens por quatro continentes.

Aqui na França, recentemente foi realizada a terceira edição do Pocket Films, festival internacional de filmes feitos com telefones celulares, promovido pelo Forum des Images. Os organizadores selecionaram para a competição 26 dos mais de mil filmes inscritos originados de 30 países, entre os quais representantes do Brasil. No total, 190 filmes foram exibidos nos três dias de festival, no Centro Georges Pompidou, em Paris, para um público de mais de seis mil espectadores (filmes do Pocket Films podem ser vistos no site (http://www.festivalpocketfilms.fr).

Terra Magazine conversou com Laurence Herszberg, diretora do Forum des Images, sobre o festival e a nova safra criativa de filmes feitos com telefones celulares.

Terra Magazine - Qual o balanço do festival deste ano?
Laurence Herszberg - Foi uma edição formidável. Mil filmes inscritos ultrapassa um ensaio, uma tentativa e já começa a se tornar um movimento de expressão, presente em todo o mundo. Foram 30 países representados. Muitos dos inscritos, de diferentes nacionalidades, estiveram presentes, puderam discutir entre si, trocar idéias, saber como cada um filmava. Um turco e um dinamarquês não filmam da mesma maneira. Os japoneses já têm um outro olhar. As pessoas conservam suas especificidades culturais. Mesmo se é o mesmo aparelho de telefone, da mesma marca, o mesmo objeto familiar a todos, o que conta é o olhar e não o instrumento.

Como você definiria o filme feito com o uso do telefone celular?
É complicado dar uma definição. Nos damos conta de que há, antes de tudo, uma espontaneidade, uma liberação. Quem faz diz que há um certa espontaneidade no ato de filmar, que muda o olhar, porque a câmera está todo o tempo no bolso. E também porque não se filma da mesma maneira com essa câmera, se filma de uma maneira mais intuitiva. Muitas vezes não se gruda mais o olho na lente. É liberado o olhar entre quem filma e quem é filmado. Isso se sente. Há ainda filmes experimentais, há documentários, narrações e longas-metragens de mais de uma hora de duração. Há mais do que uma curiosidade do público, pois há pessoas que vêm todos os anos. E há também em uma parte do público a questão: "Será que isso não me permitiria passar a uma forma de expressão artística?". Sabe-se que não é porque alguém tem um telefone celular que vai se tornar um criador, mas, por outro lado, há aqueles que estão na fronteira da criação e que talvez poderão passar a fazer algo.

A qualidade dos filmes melhorou?
Já não se está mais no estágio da aprendizagem do aparelho. Há verdadeiras pesquisas de expressão. É um meio que ainda está em descoberta, mas já há formas de expressão bem particulares. Nota-se um interesse crescente, mas, mais do que isso, todo o mundo se dá conta de que estamos no começo de uma verdadeira revolução, que poderá mudar os meios de produção, de uma parte da escrita cinematográfica.

Na questão da qualidade da imagem, a tecnologia tem proporcionado uma melhora muito rápida.
Alguns não querem uma melhor qualidade, querem continuar com o grão de imagem mais espesso. Para outros isso já é um problema superado, conseguiram obter uma qualidade de imagem ótima. Veja, por exemplo, o filme que foi premiado pelo público, o francês Reverse Love (de Morgan Földi-Möhand, 3min). O filme mostra um jovem e uma jovem que caminham um ao encontro do outro enquanto todas as pessoas ao redor recuam. Filmado com o telefone celular, as imagens dos personagens ficaram bastante fortes e o resto aparece menos detalhado. O resultado foi muito interessante. Gostei muito do filme turco Sorrow (de Deniz Buga e Onur Karaoglu, 6min). A impressão é a de ser cinema, mas se percebe a particularidade da filmagem com o telefone celular.

Há o interesse do público, mas também de diretores reconhecidos.
Sim, os diretores começam a se interessar. Isso não quer dizer que Martin Scorsese vai logo passar a usar o telefone celular, a questão não é essa. Mas, por exemplo, Joseph Morder, um cineasta que fez vários filmes, diz: "É algo que me interessa, que vou continuar usando". Pois há essa espontaneidade no ato de filmar. Mesmo da parte de diretores conhecidos há um interesse. Nós não estamos provocando nada, apenas seguimos o movimento e observamos o que se passa. E sentimos que as pessoas estão na expectativa do que vai acontecer com isso daqui para a frente. Isso abre novos horizontes, algo que nem imaginávamos quando o festival começou há três anos.

Fernando Eichenberg, jornalista, vive há dez anos em Paris, de onde colabora para diversos veículos jornalísticos brasileiros, e é autor do livro "Entre Aspas - diálogos contemporâneos", uma coletânea de entrevistas com 27 personalidades européias.

Fonte: http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI1727626-EI6782,00-Uma+ideia+na+cabeca+e+um+celular+na+mao.html

22 de set. de 2008

O olhar do outro e o efeito Big Brother

Olá Amigos

Ontem estava lendo os blogs dos amigos e encontrei uma postagem intitulada "A consciência de estar sendo observado" no blog Letra Viva do Roig do meu amigo José Antônio Klaes Roig. Um texto que aborda a máxima "sorria você está sendo filmado" e a síndrome dos realitys shows e suas crias pelos universo dos filmes.

Sei que vivemos uma época de "grampos", escutas e câmeras por todo lado que faz com que as pessoas, as vezes, sejam elas mesmas ou usem as suas "mascaras" sociais. Sei também que estamos sendo monitorados na internet e que a privacidade é luxo do passado.

Há vários referenciais ao tema no cinema e na literatura, lembrei de alguns que comentarei.

O livro 1984 de George Orwell, é considerado uma das mais citadas distopias literárias, junto com Fahrenheit 451, Admirável Mundo Novo, Laranja Mecânica e Nós. Nele é retratada uma sociedade onde o Estado é onipresente, com a capacidade de alterar a história e o idioma, de oprimir e torturar o povo e de travar uma guerra sem fim, com o objetivo de manter a sua estrutura inabalada. Vale lembrar que o autor lutou para implantar o comunismo na Espanha e depois de visitar a antiga URSS, voltou de lá assustado e escreveu o livro.

Numa altura em que o Big Brother (vem ai o BBB 9) faz furor na televisão, talvez poucos saibam que a expressão foi tirada deste livro e dos cartazes que ornamentavam as ruas de Londres no romance de George Orwell - uma fotografia do Grande Irmão com a legenda "Big Brother is watching you" (O Grande Irmão está te observando).

A história em quadrinhos, posteriormente adaptada ao cinema, 'V de Vingança' (V for Vendetta), de autoria de Alan Moore e desenhada por David Lloyd se desenvolve em uma sociedade claramente inspirada no romance 1984. Tanto nos quadrinhos quanto no filme, alias produzida pelos Irmãos Wachowski (mais conhecidos pela trilogia Matrix), a estética utilizada, bem como alguns aspectos do próprio governo, em muito se assemelham às descrições de George Orwell. Tanto é verdade, que o personagem V, do filme destacado, apresenta ideais românticos e anárquicos próximos aos desejos de Winston.

No filme Equilibrium temos também uma distopia que apresenta diversos traços de semelhança com a retratada por Orwell em 1984.

Outra obra prima nessa mesma linha e o filme "A vida dos outros" que em termos de paranóia de vigilância, com o Big Brother (não daquela picaretagem da TV, mas da obra de George Orwell). Só que o filme de Florian Henkel von Donnersmark é retrato de realidade política recente e não uma invenção ficcional. O filme se passa na Alemanha Oriental, antes da reunificação, e mostra como a polícia política, a Stasi, vigiava de perto da vida dos cidadãos.

Por sua força, ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro de 2007, entre uma fileira de outros prêmios, como o de melhor filme europeu de 2006. A história é muito atual, em que pese se passar num regime comunista, forma de governo em desuso em quase todo o mundo após a queda do muro de Berlim, em 89, e o fim da União Soviética, em 91.

É que ‘A Vida dos Outros’ fala, em especial, das liberdades individuais e como, de uma forma ou de outra, elas entram em choque com o Estado controlador. Na história, verídica ao que se diz, um agente secreto é incumbido de seguir as atividades de um grupo de artistas, suspeitos de desvios ideológicos e contatos ilegais com a parte ocidental da Alemanha. Quanto mais vigia, mais o policial vai se fascinando com o tipo de vida daquelas pessoas. Abaixo o trailer do filme.


Mas o que interessa é que o filme, como cinema, é bom demais. Tem grandes atuações, suspense, lirismo - e um belo gesto de desprendimento pessoal. Filme para pensar e se emocionar, o que é a melhor combinação para o cinema. Detalhe, a cena em que o agente está lendo Bretch é linda.

As liberdades individuais vão se acabando e com elas nossa privacidade. O projeto de lei do senador Eduardo Azeredo, do PSDB de Minas Gerais, colocou e aprovou um projeto de lei no senado, que simplesmente extingue as liberdades individuais e o direito de privacidade dos usuários de internet no país.

Assim todos que acreditam que a internet deve ser um espaço de liberdades e não uma ditadura policial deve se mobilizar para impedir a votação desse projeto. Para maiores informações consulte o blog do Sérgio Amadeu.

"Liberdade, essa palavra
que o sonho humano alimenta
que não há ninguém que explique
e ninguém que não entenda."

Cecília Meireles, em Romanceira da Inconfidência

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

Obs.: O selo contra o projeto foi tirado do blog do Sergio Amadeu e as imagens retiradas do Flickr.

21 de set. de 2008

Gêneros pedagógicos

Escrito por Gabriel Perissé
15-Set-2008


Há várias formas de lecionar. Não é a mesma coisa, por exemplo, dar aulas e proferir palestras. Uma aula particular é diferente da entrevista concedida diante de um público de 100, 200 pessoas. Ministrar uma oficina requer atitudes específicas; uma aula à distância outras.

Tais gêneros pedagógicos vão entrar em sintonia com o estilo de cada professor. Um professor expansivo terá mais facilidade na palestra multitudinária, e terá de ser mais intimista quando for contratado para dar aulas particulares. Aquele que, mais introspectivo, se sente como peixe fora d’água num estúdio de TV, poderá nadar de braçadas na criação de um livro didático.

Em palestra de duas horas, para número superior a 400 pessoas, com direito a telão e PowerPoint, conclui-se bem se o palestrante mantém o ritmo, passeia "dentro" do tema, combinando conceitos e exemplos, informações e metáforas, pequenas histórias e rápidas indicações de leitura, chistes e recomendações, ironias e "broncas", perguntas retóricas e apresentação de músicas.

Já uma aula particular permite o diálogo, a busca ombro a ombro de enfoques novos. Neste caso, há também subgêneros, dependendo da faixa etária do aluno. O aluno adolescente terá melhor desempenho se a aula trouxer variedade temática. O aluno mais velho provavelmente espera (e cobra) focalização concentrada no assunto previsto.

O professor no ambiente da internet, em chats, por e-mails, usando a webcam e outros recursos, terá de sintonizar-se com a linguagem da Idade Mídia, teclar com rapidez, plugar-se a qualquer hora do dia ou da noite.

Mesa-redonda também ensina. Mas tem de haver divergências, bate-papo animado e bate-boca. O público necessita ver um certo atrito entre os participantes, ou então o debate se transforma em reunião de comadres, muitas sedas rasgadas, perda de tempo. É redonda essa mesa porque "rolam" opiniões provocadoras.

Oficina, etimologicamente, é opus facere, ou seja, fazer uma obra, fazer algo em grupo. O professor trabalha menos para que o trabalho seja melhor. Aprende-se à medida que todos se empenham.

Aulas convencionais não podem ser convencionais. Queixam-se muitos professores da falta de disciplina de suas turmas, da baixa motivação, da ínfima participação. Acreditam que o desinteresse dos alunos nada tenha a ver com aulas desinteressantes.

Não acredito em aulas sem condimento artístico. O argumento de autoridade perdeu autoridade.

Aperfeiçoamento docente implica exercitar-se nesses gêneros. É conveniente, portanto, descobrir suas características, possibilidades e limitações.

Gabriel Perissé é doutor em Educação pela USP e escritor.

Website: http://www.perisse.com.br/

Fonte : http://www.correiocidadania.com.br/content/view/2320/53/

20 de set. de 2008

Três trabalhos atraentes

Escrito por Gabriel Perissé
28-Abr-2008


Ler é trabalho. Eleger um livro, livrar-se do tempo para ter tempo de percorrer suas linhas, penetrar nas entrelinhas. Ler é trabalho trabalhoso. Comer a carne da leitura, sugar-lhe o sangue, roer-lhe o osso. Suportar o que há de insosso até chegar ao poço de água viva. Mais: saborear o insosso. Sentir no insosso o gosto que poderia ter.

Ler dá trabalho. Guardar da leitura a palavra exata, a frase contundente, a imagem certeira, a metáfora nova, a idéia paradoxal, o personagem mais vivo que os próprios vivos. Ler é trabalhar sem salário, sem recompensa material. Ler é trabalho puro, trabalho duro, trabalho divino.

Ler é também trabalho sujo. Ler é lamber os séculos, digerir tudo o que há em outras mentes. Leitura suja. Leitura suja de vida. E por isso é trabalho limpo. Trabalho decente, atraente.

Pensar é trabalho. Raciocinar é pouco, apenas racionar idéias, contar os passos, evitar falácias, economizar processos. Pensar mesmo, que cansa, é transbordamento, perda do tempo que não temos. Pensar é imaginar e relembrar, transgredir e transcender.

Pensar dá trabalho. É virar do avesso o que já estava certo. Pensar é misturar. Bom senso com não-senso, senso prático com senso moral, senso comum com senso estético.

Pensar é trabalhão. Emagrece a alma. É sempre hora extra, hora extensa, hora extrema. Pensar é pensar nas horas mortas e nas horas vivas, nas horas vagas e perdidas, em cima da hora, pela hora da morte.

Escrever é outro trabalho e tanto! Escrever é ser escravo das letras. Trabalhar de sol a sol, de lua a lua, de segunda a segunda, de hora em hora, de chaga em chaga, de ano em ano, tudo e nada, com leitor ou sem, com editora ou sem, com dinheiro ou sem.

Escrever dá trabalho. Dá medo, dá dor, dá dó. Catar palavras nas areias, correr atrás de algumas, que fogem. Ou fugir das que nos perseguem, repetidas, redundantes, replicantes.

Escrever, trabalho braçal, trabalho de cão, trabalho de Hércules, trabalho de Sísifo, trabalho de parto que nos parte ao meio, trabalho forçado que liberta.

Ler, pensar e escrever. Três trabalhos que atraem, subtraem, maltratam e enriquecem. Trabalhos ocultos, solitários. Trabalhos que aumentam a fome de trabalhar. Trabalhos impunes. Trabalhos sem perdão, sem a devida remuneração. Trabalhos que não têm preço. Que não têm fim. Que não têm jeito.

Gabriel Perissé é doutor em Educação pela USP e escritor

Web Site: http://www.perisse.com.br/

Fonte: http://www.correiocidadania.com.br/content/view/1736/53/


Obs.: Precisa dizer mais alguma coisa? Perfeito.

18 de set. de 2008

Leitura cura tudo

Escrito por Gabriel Perissé 30-Jun-2008


Leitura cura tudo. É bom para tudo, tudo ajuda, faz de tudo.

Trabalha todas as dimensões intelectuais. Exercita a atenção, a memória recente, a conexão entre fatos e experiências passadas, a linguagem, a imaginação, a capacidade de prever, a capacidade de interpretar, a intuição.

A leitura nos cura do dogmatismo e do ceticismo, do medo e da temeridade, do sentimentalismo e da insensibilidade, da falta de assunto e da verborragia, da indecisão e do fanatismo, da arrogância e da timidez.

Leitura faz bem para os músculos, para os ossos, para os olhos, para os ouvidos, para a queda de cabelo, para os rins, para os intestinos, para as juntas, para as costas, para as pernas, para os pés, para as mãos, para os dedos, para as unhas, para tudo.

Ler resolve problemas de visão, de solidão, de falta de recreação, de impotência, de sonolência, de implicância, de amargura, de cabeça dura, de alergia a fritura, de incultura, de postura, melhora a temperatura, aumenta a estatura, cola as fissuras, cura qualquer gastura, queima todas as gorduras.

Durante a leitura o leitor esquece as torturas da vida, recupera o amor à vida, dá vida a novas idéias, revive vidas passadas, prevê vidas futuras, comunica vida à vida mesma.

A cada leitura o leitor sai de si, reencontra-se, dá a volta ao mundo, mergulha oceanos, perfura a terra, entra em órbita, engole nuvens, desafia o Sol, abraça a lua... E tudo isso sem sair do lugar.

O leitor que lê bebe o leite, bebe o vinho, bebe o café do vizinho, bebe a cerveja, bebe de todos os rios, bebe cicuta, bebe uísque, bebe muito, bebe e cala, bebe e ouve, bebe tudo e continua sóbrio

Leitura, sobretudo, é remédio para todos os males.

Cura dor de cotovelo, dor aguda, dor cansada, dor surda, dor crônica, dor romântica, dor poética, dor dramática, dor trágica, dor da mente, dor demente, dor da alma, dor de barriga, dor de cabeça, dor de dente, dor de peito, dor que nada respeita, dor difusa, dor confusa, dor fantasma, dor fina, dor grossa, dor incausada, dor ousada, dor para todos os gostos e lamentos.

Leitura cura tudo. E, claro, cura até mesmo o maior de todos os problemas. Cura a própria falta de leitura! Quem lê torna-se incuravelmente leitor. Isto afirmo sem o menor exagero.

Gabriel Perissé é doutor em educação pela USP e escritor.
Website: http://www.perisse.com.br/
Fonte: http://www.correiocidadania.com.br/content/view/2007/53/

Pensando filmes


Escrito por Gabriel Perissé 02-Abr-2007

O bom filme hipnotiza para nos fazer despertar. Educadores precisam ver filmes, pensar filmes, divulgar filmes. Filmes novos ou antigos, tanto faz, contanto que nos façam refletir mais...

El ángel exterminador (1962), de Luis Buñuel, por exemplo. As pessoas presas na mansão, presas a si mesmas, presas ao comodismo, a “paradogmas”, ao inexplicável. Socialmente doentes. Pessoas presas a seitas, a convenções que há muito perderam sua razão de ser, presas a manias, a medos. No final, após grande sofrimento, o grupo vai a uma missa de ação de graças pela libertação... O grupo e os outros fiéis ali presentes voltam a prender-se, desta vez dentro da igreja. E, como desfecho, ovelhas caminhando “inocentemente”.

Somos nós também, ainda presos. Presos a conceitos apodrecidos, a uma imagem de Deus talvez apodrecida.

O filme 21 gramas, de 2003. Inesquecível. Alejandro González-Iñárritu é o diretor. A morte alimentando a vida. Um homem recebe o coração de outro, e se apaixona pela viúva do doador. O coração continua amando. Uma vida que pesa tão pouco — 21 gramas, dizem, é a diferença de peso entre uma pessoa viva e seu cadáver.

Um filme recentíssimo, O labirinto do Fauno (2006). Duas horas de hipnose benéfica, uma história que não decai em nenhum momento. Atores ótimos, elementos míticos que tocam o cerne de cada um de nós: a menina órfã, o labirinto, os testes existenciais, a lua cheia, as gotas de sangue.

Ao contrário do que diz a mãe de Ofelia (a protagonista), magia existe, sim, ou estaremos à mercê da maldade, da nossa maldade. A inocência vencerá, ou não valerá a pena viver, ou não valerá a pena cultivar a esperança.

Outro filme, Ser e ter, de 2002. Filme francês, algo de documentário. Ser paciente, ter responsabilidade; ser professor, ter uma vida; ser atento, ter emoções. Ser e ter, ter e ser. Não se opõem. Complementam-se. Educação é essa complementação.

Um dos alunos está com as mãos sujas, e o professor aproveita para conversar sobre os nomes dos dedos: polegar, anelar, indicador... O pai de outro aluno vai sofrer uma intervenção cirúrgica séria, e o professor conversa serenamente sobre a realidade da dor...O professor ajuda os alunos, os alunos se ajudam, todos conversam, em clima de exigência tranqüila. Há algumas regras, há alegria, há trabalho, há companheirismo, carinho.

Ter uma utopia é começar a ser...

Gabriel Perissé é doutor em Educação pela USP e escritor.

Web Site: www.perisse.com.br

Fonte:: http://www.correiocidadania.com.br/content/view/56/53/

Obs.: imagem retirada do Flickr, detalhe chapéu e sapatos originais do eterno Carlitos de Charles Chaplin em exposição no Museu da United Artists
em Los Angeles.

17 de set. de 2008

Somos todos aprendizes

Professor Silas Corrêa Leite

É interessante o Saber. Mais do que sermos aprendizes, estamos diuturnamente (e para sempre) aprendizes. Se vivêssemos mil anos, lêssemos milhares de livros, fizéssemos dezenas de faculdades, o que saberíamos? Um por cento de tudo, se tanto. Há tanto para se aprender, um infinito de coisas.

A vida é um eterno aprendizado. Um amigo meu diz que, da vida só levamos, o Amor e o Conhecimento. Podemos (podemos?) nos especializar sobre física quântica, fauna marinha, pintura abstrata, rock moderno, pós-modernismo, mas, e os outros zilhões de temas que nunca saberemos?

Para conhecermos a técnica de solar violino, pintar paredes, assar pato selvagem, geologia lunar, astronomia, e milhões de outros assuntos, uma vida só é muito pouco. Há outros novos céus e outras novas terras? Na casa do pai há muitas moradas, diz os Evangelhos.. .

Outros teorizam que, vivemos mesmo 9 meses.
Depois vamos morrendo um pouco. Vivendo e aprendendo. Cada dia, um dia a menos. Instantes, segundos, minutos. Conquistas íntimas, evoluções. Morre-se a cada dia? Ou é morrendo que se nasce (e se ascende) e brilha para a vida eterna? Perdemos a beleza, os cabelos, os dentes, a saúde, os amigos, as pessoas que amamos. O aprendizado da perda. Da ausência. Por isso existem os poetas, as baladas de amor, os pintores, os romancistas.

Tudo é Soma.

O primeiro amor, o primeiro adeus, o primeiro trauma, tudo uma maneira de rirmos desse mundo, e também de evoluirmos, no amor e na dor. Temos que tirar lições de tudo na vida. Dias são aulas. Nossos problemas são nossos professores também? E os nossos melhores amigos são os nossos Mestres. Quem não se dá bem com um Professor, vai se dar bem com quem?A pedra bruta, para se tornar diamante, tem que sofrer o sacrifício do fogo, da perda de um tanto de si. Nascemos para o aprendizado. Sempre. Andamos para frente. Criamos para cima. Produzimos conhecimentos, a vida toda. Descobertas. Canteiros. E vamos semeando os nossos passos, dias, abraços, emoções.

Um Poeta cantou: - Há pessoas que passaram pela vida e perderam a viagem!

Acho que assim é a vida. Ainda velhos, na sabedoria dos tempos, quantas vezes aprendemos um sorriso novo, uma nova forma de ver a vida, uma balada de incêndio, uma técnica de nos reconhecermos em nós? A criança é um poço de pureza. Jovem é energia, busca, sonho, procura. No final da vida, um lastro. Como Educador, aprendo com alunos. Troco com eles. Eles dão-me luz, e eu ofereço técnicas, noções, bases, aprendizados, traquejos. Facilito. Há os que oferecem a vida por uma causa e, ao fim dela, notam, num dia qualquer, que viveram em vão. Uma rua, um mar, um segredo, uma paixão. Tudo um grande livro aberto: o aprendizado da vida. Lemos e nos encontramos. Choramos e crescemos. Sorrimos e criamos elos de luz. Há um Deus. Cada um já deu de per-si, a sua cota de soma para uma vida ética, humanitária, plural?

"É preciso mesmo amar as pessoas como se não houvesse amanhã"

Um filme, uma tempestade, um livro, um site, uma aula, uma vida inteira, são sempre Lições da Viagem de Existir. Sim, somos todos eternos aprendizes. A vida é uma grande lousa. O calendário de nossos dias, são páginas abertas. Vamos dando testemunhos de nós. Aprendizados. Técnicas e lastros. Bagagens e somas. Elos e sabedorias. Como dizia a canção de Caetano Veloso que a Gal Costa cantava: É preciso estar atento e forte!

Claro. Para não perder o filé da essência do verbo EXISTIR.
Quando soubermos todas as lições, VOAREMOS?

Poeta Profº. Silas Corrêa Leite - Itararé-SP Docente de Escola Pública - Pós-graduado em Educação (Mackenzie) e Literatura (USP)

Obs.: Essa maravilha de texto foi uma contribuição do nosso companheiro de lista o Luis Carlos Zuze Dhein editor dos igualmente maravilhosos blogs http://luisdhein.blogspot.com e http://ideiaseatividades.blogspot.com.

16 de set. de 2008

RPG

Olá Amigos

As duas postagens abaixo mostram que quando se usa jogos, propostas de atividades baseadas em jogos ou programas como o Kilk and Play, onde se pode construir o próprio jogo ou adaptar atividades baseadas em jogos como o RPG o interesse dos alunos é total.

Conheci o conceito do RPG educacional com o meu amigo José Roig do Letra Viva do Roig e do Control Verso. Amei a idéia e comentando sobre ela junto aos meus colegas professores já temos 3 filhos, ainda em gestação, baseados no conceito desenvolvidos por ele e seus amigos.

Os projetos abrangem áreas de geografia, historia, literatura, português e informática utilizando a sala de aula, sala de leitura, biblioteca e laboratório de informática mostrando que o projeto RPG pode representar perfeitamente o conceito de interdisciplinaridade abordados nos PCNs.

Recomento a leitura das postagens abaixo e a visitas aos blogs lá citados.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna