31 de jul. de 2008

Ano Internacional da Astronomia 2009

Olá Amigos


2009 será o Ano Internacional da Astronomia e esse é o vídeo do lançamento da comemoração. O programa tem um site próprio e pode ser acessado pelo link http://www.astronomy2009.org .

Assista o vídeo abaixo e vejam que maravilha de imagens e quantas boas aulas poderemos ter em 2009.



Abraços

Equipe NTE Itaperuna

Obs.: Meu amigo José Antônio Klaes Roig editor do Letra Viva do Roig, amante de ciência, fissurado por astronomia e fã de carteirinha do Carl Sagan vai amar essa postagem.

30 de jul. de 2008

A era digital está mudando o mundo

Olá Amigos

As duas postagens abaixo mostram como a tecnologia está mudando, para melhor ou pior só o tempo dirá, o mundo e os seus costumes.

A educação como é o principal meio de transformação do ser humano, não podia deixar de ser afetado pela tecnologia e até o lazer mais simples como assistir televisão também esta sendo afetado pela tecnologia.

Propor uma análise crítica deste fenômeno e destacar tendências dentro deste universo, especialmente como as novas tecnologias alteram a maneira de se lidar com os objetos, a informação e produção de conteúdo. Mudanças essas que cada vez mais definem novos padrões e comportamentos.

O que acho interessante nesse processo de transição que vivemos é perceber que as pessoas já aceitam que tudo é mídia, que mídia é conteúdo e que tudo está mudando. Uma forma simples de responder a essa questão é entender que novas mídias são tudo o que está aparecendo em formato digital.

A era digital está mudando a maneira como as pessoas consomem a mídia. E isso veio para ficar. É para sempre. O que eu vejo é que a maneira como as pessoas consomem mídia vem mudando aceleradamente.

A tecnologia é um dos mais fortes agentes de transformação do mundo moderno. Em particular, a tecnologia da informação é uma das mais poderosas formas como a tecnologia se manifesta. Ela viabiliza novas formas de pensar, de se relacionar, de fazer negócios, de trabalhar, de gerenciar, de comprar, de vender, etc.

Essas formas rapidamente se constituem em novos paradigmas,em alguns casos tão superiores aos anteriores, que às organizações pode não restar outra opção a não ser adotá-las.

Pagando um preço muitas vezes bastante elevado, as organizações estão descobrindo que somente a tecnologia da informação não basta; seus plenos benefícios, só podem ser alcançados, através das pessoas que dela se utilizam.

Sempre disse que o homem sempre foi é sempre será o grande agente transformador.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

Obs.: a imagem foi tirada do Blog da Miriam Salles e retrata exatamente o que eu disse acima e também uma homenagem a Gibiteca da Natania Nogueira - professora e historiadora.

Um quinto dos americanos assiste TV pela Internet

Ter, 29 Jul - 16h11

NOVA YORK (Reuters) - Um quinto dos norte-americanos que assiste TV estão deixando de lado seus controles remotos e clicando um mouse em seu lugar para assistir programas no horário nobre, em especial mulheres que trabalham, segundo uma pesquisa.

O estudo mostrou que 50 por cento das pessoas que assistem TV pela Web optam por essa via para ver programas assim que eles se tornam disponíveis e "demonstram estar começando a usar o computador como um substitutio de seus aparelhos de TV", disse a Integrated Media Measurement Inc. (IMMI), que conduziu o estudo.

A outra metade usa a Internet para assistir programas que eles tenham perdido na TV ou para assistir de novo programas e episódios que eles já tenham visto, segundo a IMMI.

"Este é o primeiro estudo que mostra que há uma quantia significativa de pessoas assistindo programas no horário nobre pela Internet e que não estão assistindo parte desses programas pela televisão", disse Amanda Welsh, chefe de pesquisas da IMMI, em um comunicado.

O estudo mostra que o maior grupo de pessoas que assistem TV pela Internet é formada por mulheres brancas, de alto poder aquisitivo, de nível escolar elevado e que trabalham, da faixa etária de 25 a 44 anos.

A IMMI disse que as mulheres estão mais ocupadas com seus empregos e vida pessoal e não têm mais tempo para ficar presas à grade de programação das TVs. Por isso, elas apelam aos episódios online para ver os programas que perderam.

Foram pesquisadas 3 mil pessoas em Nova York, Chicago, Los Angeles, Miami, Houston e Denver para a pesquisa, que tiveram sua navegação na Internt monitorada por um software instalado pela IMMI.

(Reportagem de Michelle Nichols)

Fonte: http://br.tecnologia.yahoo.com/article/29072008/5/

noticias-tecnologia-quinto-dos-americanos-assiste-tv-pela-internet.html

Acostumados a digitar, estudantes têm aulas de caligrafia


Qua, 30 Jul - 08h53

Por Gislaine Ceregatti

O problema foi detectado quando uma grande quantidade de alunos foi reprovada nos exames para a High School (o equivalente ao ensino médio no Brasil) simplesmente por não conseguirem escrever. A não ser que comprovem algum fator limitante no dia dos exames, os estudantes passam de 15 a 20 horas respondendo provas que são aceitas apenas preenchidas à mão.

Segundo publicação do The Syndey Morning Herald, esses estudantes apresentam grandes habilidades de digitação e facilmente superam os mais velhos na velocidade com que escrevem mensagens de texto no celular. A troca da caneta pelo teclado vem dimiuindo a habilidade destes jovens em lidar rapidamente com o papel e consequentemente afetando seu desempenho acadêmico. Isso vem levando escolas australianas a incluir aulas de caligrafia no currículo dos 11º e 12º anos do ciclo escolar básico (o equivalente ao ensino fundamental no Brasil, que tem apenas 9 anos).

Professores afirmam que tiveram que monitorar alunos a fim que tornassem suas letras no mínimo legíveis para os examinadores, diz o The Inquirer. John Vallance, da escola Sydney Grammar reforça que a caligrafia é uma parte importante da personalidade do estudante, e essa geração não deve perdê-la. Vallance lembra ainda que a escola somente aceitará os exames preenchidos à mão.

Contudo o NSW Board of Studies, órgão supervisor do currículo escolar das instituições australianas, diz estar analisando a incorporação de computadores às aulas, bem como ao exames. Por enquanto os alunos utilizam teclados apenas no teste de habilidades com o computador, no 10º ano escolar.

Fonte: http://br.tecnologia.yahoo.com/article/080730/7/gjqi48.html

29 de jul. de 2008

O Computador como Tecnologia Educacional

Eduardo O C Chaves

Peter Drucker afirma, em seu livro Novas Realidades, que estamos vivendo numa Segunda Renascença. Vou aqui refletir um pouco sobre essa interessante idéia de um dos mais criativos pensadores deste final de século XX.

A primeira Renascença revolucionou a educação -- e, através da educação, revolucionou o mundo. E a força motriz da primeira Renascença foi uma tecnologia educacional, o livro impresso, tornado possível pela imprensa de tipo móvel inventada por Guttenberg em 1450.

Antes da Renascença, a maioria das pessoas era analfabeta, até mesmo grande parte da classe dirigente. A leitura e a escrita eram em geral dominadas apenas pelos intelectuais, que, na Europa, eram quase todos religiosos. Havia uma razão muito básica para esse analfabetismo generalizado na Idade Média: não havia o que ler. Livros, embora existissem antes da invenção da imprensa, eram poucos, pois tinham que ser copiados a mão, e, dado o clima intelectual da época, ficavam trancafiados em bibliotecas de mosteiros (vide O Nome da Rosa).

O livro impresso, relativamente fácil de produzir, mudou tudo isso. Em pouco tempo o livro se tornou popular. Depois da Bíblia, primeiro livro impresso (em Latim, naturalmente) por Guttenberg, vieram outros: tratados religiosos, ensaios filosóficos, e, em seguida, a ficção. (Não é por acaso que a literatura da maioria dos povos, inclusive dos que falam português, tem sua origem nesse período).

Mas o livro também tornou possível, pela primeira vez, o ensino a distância e o auto-aprendizado. Antes de existirem livros em grande quantidade, se alguém quisesse aprender algo, tinha que achar alguém que o soubesse e se locomover até ele, para que ele lho ensinasse. Se quisesse aprender Teologia, tinha que ir até Paris, para que Tomás de Aquino lhe ensinasse teologia… Com o livro, as pessoas passaram a poder aprender com outras pessoas, distantes no espaço -- e no tempo. Depois do livro, não houve mais necessidade de que as pessoas aprendessem apenas quando quem ensinasse estivesse presente e disposto a ensiná-las: elas passaram a poder aprender por sí próprias, com o auxílio de uma boa biblioteca. (E tem gente que pensa que ensino a distância requer satélites, antenas parabólicas, etc….).

Hoje os livros fazem de tal forma parte de nossa educação que são saberíamos ensinar e aprender sem eles.

Mas o livro mudou não só a educação. Sem a imprensa provavelmente não teria havido a eclosão da Reforma Protestante, o surgimento da Ciência Moderna, o fortalecimento das diferentes línguas, e, conseqüentemente, o florescimento das culturas regionais e nacionais e o aparecimento dos Estados modernos.

A Segunda Renascença em que fala Drucker tem sua força motriz em outra tecnologia educacional: o computador. O computador, que nasceu como tecnologia bélica, e se popularizou como tecnologia industrial e comercial, é hoje, eminentemente, meio de comunicação e tecnologia educacional.

O computador se tornou meio de comunicação ao se infiltrar, subversivamente, nos meios de comunicação tradicionais, provocando a digitalização dos conteúdos por eles veiculados. Digitalizaram-se os meios de comunicação impressos: hoje livros, revistas, e jornais estão disponíveis na Internet, e, não importando onde estejam fisicamente armazenados, é possível aceder a eles instantaneamente de virtualmente qualquer parte do planeta. O som se digitalizou, e a popularização do som digital disponível em CDs e a universalização da Internet estão fazendo das rádios tradicionais emissoras globais. A fotografia digital já está aqui, e o vídeo-fone e a televisão digital estão às portas. Nos países mais avançados já se trocam mais mensagens eletrônicas do que cartas pelo correio convencional. Até a telefonia tradicional está ameaçada pelo "Internet Phone". É a revolução nos meios de comunicação. Cinco anos atrás ninguém sabia o que era multimídia: hoje todo mundo sabe que multimídia tem que ver com a comunicação, mesmo à distância, usando textos, gráficos, desenhos, sons, imagens estáticas e dinâmicas, tudo isso num ambiente de interatividade.

Essa revolução certamente não vai deixar de afetar a nossa educação, pois vai alterar drasticamente as maneiras em que aprendemos -- fora e dentro da escola. O mestre e a escola estão se virtualizando e a educação a distância vai ser a regra, não a exceção.

É por isso que cerca de 70% das pessoas que compram um microcomputador para uso doméstico o fazem pensando na educação dos filhos. Mesmo que não tenham uma idéia muito clara de como isso se dará, os pais estão convictos de que o computador é, hoje, a mais importante tecnologia educacional de que podem lançar mão, porque engloba todas as outras.

E o computador está revolucionando não só as maneiras em que aprendemos, mas as formas em que trabalhamos, o modo em que nos comunicamos uns com os outros, e até o jeito em que nos divertimos. A revolução que o computador está causando em nossa vida será muito mais ampla e profunda do que aquela que o livro provocou.

Vai levar algum tempo até que as escolas assimilem o computador às suas rotinas de sala de aula. Levou séculos para que o livro se tornasse tão popular a ponto de toda escola ter sua biblioteca e de um clássico ser vendido em banca de jornal por cerca de dois reais, tornando o acesso à informação impressa virtualmente universal. Vai levar muito menos tempo para o computador se tornar um eletrodoméstico tão ubíqüito quanto o rádio ou o televisor e para a informação multimídia estar "na ponta de nossos dedos", como há anos vem preconizando Bill Gates -- CD-ROMs, que custavam centenas de dólares há três ou quatro anos, hoje já são distribuídos gratuitamente, como brindes, em bancas de jornais. O problema é que o rádio e o televisor, embora onipresentes, foram mantidos em grande parte fora da sala de aula. Não podemos permitir que o mesmo se dê com o computador. O preço será a obsoletização da escola, como instituição pedagógica, e sua eventual transmutação em instituição de mera guarda de menores. Se isso se der, a expressão "Microsoft University" deixará de ser mera metáfora.

Mas o caminho do computador para a sala de aula passa pela familiarização do professor com ele (os alunos, nessa questão, o mais das vezes tomam conta de si mesmos). Para o professor se familiarizar com o computador ele precisa usá-lo nas mais variadas atividades, mesmo que elas não sejam de especial significado pedagógico nem voltadas para a sala de aula. Quando os professores tiverem com o computador a intimidade que hoje têm com o livro, descobrirão ou inventarão maneiras de inseri-lo em suas rotinas de sala de aula, encontrarão formas de criar, em torno do computador, ambientes ricos em possibilidades de aprendizagem que propiciarão aos alunos uma educação que os motivará tanto quanto hoje o fazem os jogos computadorizados, os desenhos animados, os filmes de ação, e a música estridente do rock.

© Copyright by Eduardo Chaves

Fonte: http://www.chaves.com.br/TEXTSELF/EDTECH/zoom.htm

28 de jul. de 2008

Uma janela para o mundo digital

Metade dos 42 milhões de internautas brasileiros – das classes D e E – usa a internet nos milhares de lan houses espalhadas pela periferia

Martha Mendonça e Peter Moon

Felipe Varanda
SEGUNDA CASA
Thiago (em primeiro plano) em lan house no Engenho de Dentro, Rio de Janeiro.
“Venho aqui dez vezes por dia. Aqui me sinto melhor que na minha casa”, diz

Thiago Cristófaro tem 16 anos e não se lembra de quando foi apresentado à internet: “Quando eu nasci, ela já não existia? Não sei como os garotos da minha idade viviam sem isso”. Thiago é estudante do 2º ano do ensino médio, mora no Engenho de Dentro, na zona norte do Rio de Janeiro, e freqüenta os centros públicos de acesso à internet, conhecidos como lan houses (do inglês LAN, sigla para “rede de acesso local”). Ele diz que gosta do clima das lans. “Todos os dias faço amigos. Parece que é festa o tempo todo.” Thiago afirma gastar boa parte de sua mesada na lan house, que cobra R$ 2,50 por hora. Conta que passa horas com os amigos em jogos com nomes estrangeiros como Counter Strike e Need for Speed. Diz que também usa a rede para pesquisar trabalhos da escola e visitar o site YouTube atrás de clipes de hip-hop. “Eu me correspondo pelo MSN com amigos da Bahia, trocamos fotos, vídeos e idéias”, afirma. “Venho dez vezes por dia. Aqui me sinto melhor do que em casa.” Para Thiago, estar na internet é uma forma de aprendizado: “Ela é uma janela para o mundo, não é o que dizem por aí? Quem não está na internet, está fora do mundo”.

Thiago é um dos 20 milhões de internautas brasileiros de baixa renda que não têm computador. Para eles, a principal alternativa para acessar a rede são as dezenas de milhares de lan houses encravadas em favelas ou espalhadas pela periferia das grandes cidades. “A Rocinha, na zona sul do Rio, tem mais de cem lan houses”, diz Antonio Carvalho Cabral, do Centro de Tecnologia e Sociedade da Faculdade de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV) do Rio de Janeiro. Em Antares, na cidade de Santa Cruz, extremo oeste da Grande Rio, Cabral conta que viu sete lan houses, mas nenhuma padaria. Em Fortaleza, no Ceará, há uma rua onde as lan houses ficam uma ao lado da outra – e cada uma é de um dono diferente.

Um estudo recente do Comitê Gestor da Internet (CGI) afirma que em 2005 apenas 4% dos membros da classe E, que ganham até um salário mínimo, usavam lan houses como meio de acesso à rede. Em 2006, o porcentual pulou para 46%. Foram 78% em 2007. O fenômeno se repete na classe D, que ganha até dois mínimos. Em 2005, 25% usavam lan houses. Em 2007, 67%. “No ano passado, as lan houses se tornaram o principal local de acesso da população”, diz Mariana Balboni, a responsável pela pesquisa do CGI.

A principal razão para a explosão das lan houses é o aumento de renda da população de baixa renda nos últimos anos. Mas essa não é a única explicação. A explosão na venda de computadores, impulsionada pelo corte nos impostos promovido pelo governo federal, tornou o país o quinto maior mercado de PCs – foram 10,5 milhões vendidos em 2007. Só o Programa Computador para Todos, em que o governo financia máquinas de até R$ 1.200 para famílias de baixa renda em até 24 prestações, respondeu desde 2003 pela venda de 300 mil PCs. Com essas condições, eclodiu uma febre de empreendedorismo nas comunidades carentes. Milhares de pequenos comerciantes compraram computadores e inauguraram lan houses. A multiplicação das lans resultou no enorme salto no total de brasileiros que acessaram a rede pela primeira vez desde 2005.

Em paralelo, o governo está implantando telecentros de acesso gratuito nos 5.500 municípios brasileiros. Eles já atendem 6% dos internautas. A demanda parece ilimitada. “Apesar de gratuito, o telecentro impõe várias restrições de acesso. Não se pode jogar nem acessar os sites de relacionamento como o Orkut”, diz Cabral, da FGV. “Isso afasta os jovens, que preferem as lans.” Cabral afirma que a maioria das lan houses que cobram R$ 1 a hora só consegue oferecer um preço tão baixo porque trabalha na informalidade, não paga impostos e usa software pirata. Muito da proliferação das lan houses se deve ao papel que desempenham nas comunidades. “São ambientes familiares. Os donos não vendem cerveja nem deixam os jovens visitar sites pornográficos”, afirma Cabral. É comum ver os pais deixando seus filhos na lan antes de ir trabalhar. “É melhor deixar os filhos na lan house do que na rua, correndo o risco de ser aliciados pelo tráfico”, diz Cabral.

Felipe Varanda
VISÃO DE MUNDO
A babá Rosilândia, fotografada em lan house do Rio, afirma usar a internet para conhecer o mundo.
“Não sei se um dia vou sair do Brasil, mas não preciso conhecer só a Rocinha”

A pesquisa do CGI revela que 60% dos jovens entre 16 e 24 anos têm nas lan houses o principal local de acesso à rede. Elas são na maioria das vezes a única forma de lazer dos jovens da periferia. “As lan houses estão onde os jovens estão. É lá que eles se encontram para conversar e flertar. Parece um shopping de periferia”, diz Balboni. Era natural, portanto, que passassem a oferecer novos serviços ao público jovem. Festas de aniversário, que aconteciam nos restaurantes da rede McDonald’s, agora são celebradas nas lan houses. Segundo Cabral, na Rocinha aconteceu até uma Festa das Lan Houses, onde centenas de freqüentadores se reuniram vestindo camisetas com o nome de sua lan.

Se de dia o público é formado por jovens, à noite chega a vez dos adultos. “Sou apaixonada por moda”, afirma a babá Rosilândia Carvalho de Freitas, de 25 anos. É pela internet que ela fica sabendo das novidades nas badaladas Fashion Weeks do Rio e de São Paulo. Moradora da Rocinha, ela pôde ver o que Gisele Bündchen mostrou na passarela e ficou por dentro da moda do próximo verão. Para navegar na internet, Rosilândia gasta R$ 1 por hora. Com um salário de R$ 600, ela paga um curso técnico de enfermagem e não tem computador em casa. Fica até tarde da noite em frente ao PC de aluguel. “É nessa hora que conheço o mundo.”

“É melhor deixar os filhos na lan house do que na rua,
correndo o risco de ser aliciados pelo tráfico”

Além das novidades da moda, Rosilândia usa e-mail e programas de mensagens instantâneas para se comunicar com os parentes em Reriutaba, sua cidade natal, no Ceará. “Fala” com a mãe, irmãos e primos a 3.000 quilômetros de distância. “Por causa da internet, eles fazem parte da minha vida, sabem o que acontece comigo. Agora não me sinto tão só”, diz. Na lan house, Rosilândia pesquisa para o curso de enfermagem e sonha com um universo além de seu cotidiano. “Na semana passada, conheci um museu lindo em Paris. Também passei pela Dinamarca e é lindo”, diz. “Não sei se um dia vou viajar para fora do Brasil, mas nem por isso preciso conhecer só a Rocinha.”

A expansão das lan houses pelas periferias traz um desafio: elas já chamam a atenção dos poderes paralelos. “A milícia e o tráfico começam a cobrar taxas dos donos das lans a título de segurança”, diz Cabral. “Há PMs que, por causa do software ilegal, pedem propina para manter a lan house aberta.” Transformar a realidade das comunidades de periferia não é o papel das lans. Mas, ao criar uma janela virtual para fora dela, contribuem para dar esperança de que essa mudança seja possível.

Fonte: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI8900-15224-2,00-UMA+JANELA+PARA+O+MUNDO+DIGITAL.html

26 de jul. de 2008

Câncer mata professor que ficou famoso pelo vídeo da 'última aula' na web

Randy Pausch, de 47 anos, havia sido diagnósticado com câncer terminal em 2006.
Sua 'última aula', uma celebração da vida, se tornou um hit da internet.
O professor norte-americano Randy Pausch, de 47 anos, que se tornou conhecido em todo o mundo por sua “última aula”, morreu nesta sexta-feira (25) no estado da Virgínia, onde morava.

Veja abaixo a reportagem do Fantástico com trechos da palestra



Pausch havia sido diagnosticado com câncer terminal no pâncreas, e fez uma palestra marcada pela superação, em que celebrava a vida com que tinha sonhado, em vez de se concentrar na proximidade da morte.

Professor de ciência da computação na Universidade Carnegie Mellon, Pausch descobriu a doença em setembro de 2006.

Sua última aula foi dada um ano depois e se tornou um dos vídeos mais populares da internet.

“A aula era para meus filhos, mas se outros estão achando valor nisso, é maravilhoso”, escreveu ele antes de morrer.

O professor chegou a ser considerado uma das cem pessoas mais influentes do mundo pela revista "Time", e suas mensagens, colocadas na internet, tiveram 10 milhões de acessos, além de terem aumentado as vendas de seu livro, "A Última Aula", escrito pelo jornalista do "Washington Post" Jeffrey Zaslow.

Assista à palestra na integra no vídeo abaixo (sem legendas)


Assista à palestra compacta no vídeo abaixo (com legendas)



A obra, vendida em 32 países, vendeu mais de cinco milhões de exemplares.

Galileu: As lições de Randy Pausch e da ciência sobre a morte

Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL701303-5602,00-CANCER+MATA+PROFESSOR+
QUE+FICOU+FAMOSO+PELO+VIDEO+DA+ULTIMA+AULA+NA+WEB.html

25 de jul. de 2008

StorYBook: Software Livre para Escritores

Olá Amigos

Foi-se o tempo em que a tarefa de escrever era realizada de maneira mecânica. O exército de papéis amassados e sacrificados após inevitáveis erros não pode mais competir com a praticidade da tecla "Delete" e o milagre multiplicatório de funções como "Copiar" e "Colar".

Verifica-se neste recém-entrado século o aposentamento de diversos dispositivos e, entre eles, a clássica máquina de escrever e, a exceção de uma minoria conservadora, praticamente não há quem não escreva usando o computador.


StorYBook é um aplicativo gratuito que oferece um suporte auxiliar para aqueles que escrevem no micro de maneira profissional ou amadora. É destinado principalmente à escritores, novelistas e roteiristas, mas pode ajudar na organização de outros tipos de tarefas.

A visualização do projeto pode ser exibida de forma cronológica, que se assemelha a um calendário, ou em forma de livro, que separa os acontecimentos por capítulos, narrativas ou espaços de tempo.

Para facilitar a lapidação da estrutura da sua história, o programa fornece campos para separar os personagens, tramas coadjuvantes e lugares em que a ação acontece. Desta forma, você pode incluir em cada capítulo os nomes de quem aparece e em que lugares ocorre o desenvolvimento.

Posteriormente, é possível realizar uma procura. Assim, fica mais fácil realizar uma revisão integral de texto e evitar furos ou falta de coesão entre determinadas partes. Qualquer elemento agregado ao projeto (personagem, logradouro ou trama) pode ser explicado resumidamente e conter alguns detalhes que servem como guia.

Na nossa opinião o StorYBook não substitui ferramentas convencionais como o Microsoft Word, até porque não conta com recursos de edição e diagramação. Serve basicamente como um auxiliar de gerenciamento de histórias, sendo útil para manter o fio da meada em histórias compridas ou com vários plots diferentes.

Quem estiver interessado pode baixar aqui o software e aqui um um passo a passo simples . Tem versão para Linux e Windows.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

Obs.: A dica de hoje é para o meu amigo José Antônio Klaes Roig editor do blog Letra Viva do Roig que tem o dom de "fazer as palavras falarem".

24 de jul. de 2008

A Sociedade em Rede

Jésus Beltran Ller


Para entender o que é a sociedade em rede, a sociedade da informação, convém ter claro o que era a sociedade anterior, a sociedade industrial. Enquanto nesta última a ação do homem sobre o meio é direta, se dá em espaços delimitados e em concordância temporal e física, na sociedade da informação rompem-se as barreiras espaço-temporais e é possível atuar à sua margem.

A sociedade em rede se caracteriza pela globalização das atividades econômicas decisivas e sua organização em redes; pela flexibilidade e instabilidade do trabalho bem como por sua individualização; pela chamada cultura da “virtualidade real”; e pela transformação das bases materiais da vida: o espaço e o tempo mediante a constituição de um espaço de fluxos e de um tempo atemporal (Castells, 1999).

Uma expressão resumida dessas mudanças ecológicas, até agora desconhecidas e ainda por explorar, é a que reflete seis grandes dimensões bipolares – já clássicas – que apontam o antes e o agora, o conhecido e o que ainda está para ser revelado: produto-sistema; matéria-energia; codificação analógico-digital; proximidade-distancialidade; espaços-redes, sincronia-assincronia. A primeira das pontas de cada um dos pares representa o passado; a segunda, a nova ordem.


AS COMUNIDADES VIRTUAIS

O tema das comunidades é ventilado, mas é também delicado e levanta todo tipo de suspeitas, ironias e perigos. A verdade é que a Internet é apenas um instrumento que estimula, e não muda, certos comportamentos; ao contrário, é o comportamento que muda a Internet (Castells, 1999). Os estudos de Wellman também mostram que as comunidades virtuais na internet geram sociabilidade, relações e redes de relações humanas, ainda que não seja exatamente da mesma forma que as comunidades físicas. A sociabilidade está se transformando em nova maneira de relação pessoal, por meio da qual se formam laços eletivos diferentes daqueles formados no trabalho ou no ambiente familiar, como andar de bicicleta ou jogar tênis (Castells, 1999).

Natureza

Em linhas gerais, comunidades virtuais são grupos de pessoas que se comunicam, compartilham experiências e temas afins e se esforçam para atingir objetivos comuns.

Traços básicos das comunidades virtuais

Ainda que não haja um padrão definido para as comunidades virtuais, é possível apontar alguns traços comuns aplicáveis a todas elas: a interação se estabelece por meio de máquinas; são comunidades flexíveis tanto do ponto de vista temporal quanto do espacial; há intercâmbio de informação; seus membros compartilham linguagens e interesses afins; a comunicação se estabelece com o uso de diferentes instrumentos tecnológicos: correio, chat, bate-papo, etc.; é uma comunicação multidirecional e mais regular que a do cara-a-cara.

Vantagens das comunidades virtuais


São muitas as vantagens das comunidades virtuais, haja vista sua multiplicação em todos os âmbitos geográficos, culturais e profissionais do planeta. Eis algumas delas: possibilidade de comunicação sincrônica e assincrônica; possibilidade de rever a comunicação estabelecida; comunicação entre pessoas de diferentes áreas geográficas e culturais; interatividade ilimitada e complexa a partir do computador; comunicação livre, sem nenhuma ligação espacial; acesso a uma grande quantidade de textos e gráficos.

Tipos de comunidades

Jonassen e outros (1998) propõem a seguinte divisão: a) comunidade de debate: intercâmbio de idéias e opiniões; b) comunidades pragmáticas: grupos de trabalho sobre temas relacionados à compreensão da vida real; c) comunidades de construção do conhecimento: ajudar o aprendizado; e d) comunidades de aprendizagem.

A seguir, vamos tratar das comunidades de aprendizagem.


COMUNIDADES DE APRENDIZAGEM


São organizações sociais criadas por pessoas que compartilham metas, valores e práticas sobre a experiência da aprendizagem. O potencial da Webno desenvolvimento da aprendizagem colaborativa não possui precedentes ou limitações.

Contexto geral da inserção das novas tecnologias

As comunidades de aprendizagem surgem no contexto da explosão das novas TICs e da insatisfação com o sistema educativo, que não parece oferecer respostas adequadas aos próprios agentes do sistema, alunos e professores.

São três as mudanças mais marcantes que configuram o nosso atual contexto pedagógico no âmbito das comunidades de aprendizagem: educativa, psicológica e tecnológica. A primeira mudança fez com que a educação passasse do paradigma da “instrução”, que acentua o ensino e o professor, a um paradigma “pessoal”, centrado na aprendizagem e no aluno que aprende. Aliás, o importante é que o aluno aprenda, e é esse o processo que deve condicionar todos os elementos do sistema educativo, incluindo professores e ensino.

Outra mudança que nos cabe analisar é a psicológica e conceitual daquilo que significa aprender. A psicologia cognitiva estabeleceu três concepções de aprendizagem: aquisição de respostas, aquisição de conhecimento e construção de significado. A terceira mudança é também a dominante, mesmo que o problema continue sendo a forma como esta construção é entendida, uma vez que os especialistas apontam até sete concepções construtivistas diferentes (Beltrán, 1993).

Por fim, deparamos com a mudança tecnológica. A interpretação da tecnologia como instrumento a serviço da aprendizagem passou por três estágios: aprender sobre tecnologia; aprender pela tecnologia e aprender com tecnologia (Beltrán, 2003). Interessa-nos a terceira. Aprender “com tecnologia”, o que significa dizer que a tecnologia, em geral, e os computadores, em particular, são utilizados como instrumentos cognitivos. O que subjaz a esta nova denominação é uma concepção construtivista de tecnologia a serviço de uma aprendizagem significativa. Segundo Jonassen (2000), os instrumentos cognitivos servem fundamentalmente para ampliar, potencializar e reorganizar as capacidades dos estudantes, transcendendo as limitações da mente. Os instrumentos cognitivos podem cumprir adequadamente as funções de arcabouço, porque guiam os processos de pensamento do aluno enquanto aprende.

É no interior deste contexto pedagógico que situamos nossa consideração sobre as comunidades de aprendizagem.

Os grandes desafios da comunidade de aprendizagem

Uma forma de eliminar o caráter subjetivo de qualquer inventário é identificando os desafios e atendo-se aos elementos essenciais da dinâmica de uma dada comunidade de aprendizagem no contexto tecnológico. Tais elementos são: sujeito, comunidade, objetivo, instrumentos, divisão de tarefas e regras. Da combinação de todos esses elementos, surgem cinco grandes desafios: eleger os elementos adequados para cada tarefa; eleger os elementos adequados para trabalhar em comunidade; conciliar os objetivos pessoais e comunitários; dividir as tarefas em função das capacidades pessoais e dos objetivos almejados; e estabelecer regras adequadas para manter um clima favorável, tudo para que se consigam os objetivos propostos.

Contribuição das comunidades de aprendizagem

Dentro de uma valoração global das comunidades de aprendizado, eis aqui algumas de suas contribuições mais visíveis no âmbito das transformações educativas.

Cultivar a pedagogia da imaginação sobre a pedagogia da reprodução

É preciso que se distingam duas pedagogias. A pedagogia da reprodução e a pedagogia da imaginação. A primeira consiste na apresentação e no desenvolvimento dos conhecimentos que devem ser fielmente reproduzidos. A segunda, ao contrário, utiliza estratégias adequadas para relacionar, combinar e transformar os conhecimentos. Responde ao novo modelo de verdade, centrado na busca, na indagação, na curiosidade e na imaginação.

Nas comunidades virtuais se pode encontrar, pela primeira vez, não apenas o que se vai estudar em um determinado curso, mas tudo aquilo que já foi estudado até o momento e também aquilo que ainda se pode estudar ao longo de toda a vida.

Além disso, a flexibilidade e a versatilidade da Internet nos permite realizar uma verdadeira utopia – sempre sonhada –, a de relacionar dois mundos: o da mente e o do coração. A comunidade de aprendizagem permite aos professores definirem seus trabalhos nas duas linguagens, de modo que se podem transpor as fronteiras entre jogo e trabalho, à medida que cada estudante e cada professor está completamente debruçado no ato de aprender, descobrir e criar, assumindo riscos; os estudantes experimentam sem limites sua paixão pelo conhecimento, as emoções são reconhecidas como parte da vida acadêmica e não se reprime sem sentido; a harmonia e a expressão artística ocupam um lugar privilegiado, e cada membro da comunidade educativa pode compartilhar com os demais a responsabilidade de viver e transmitir esses
mesmos ideais.


Desenvolver a tecnologia mental

A segunda contribuição constitui um projeto de grande interesse e de longo prazo. Trata-se de utilizar as novas tecnologias concretamente, utilizar as comunidades de aprendizagem para desenvolver a tal “tecnologia mental”; ou seja, esse conjunto de habilidades estratégicas que constituem a base do comportamento inteligente. São quatro as chaves estratégicas da nova arquitetura esboçada por meio da Internet:

Pensamento analítico: É o que nos permite analisar e conhecer a realidade. Em nenhum outro meio como a Internet podemos exercitar tão bem estas grandes alavancas da inteligência analítica.

Pensamento dialético: O pensamento dialético ilumina o mistério da vida. É um pensamento flexível, ponderado, distante de dogmatismos. É possível encontrar um espaço intelectual tão diverso, multifocal e contraditório quanto o da Internet?

Pensamento pragmático: É importante resolver os problemas. Mas é muito mais importante saber quais deles merecem ser resolvidos. E é possível exercitar este tipo de pensamento na Internet, porque a história do pensamento e da conduta humana ao longo dos tempos está ao alcance das mãos.

Pensamento conciliador: Faz referência ao pensamento que se propõe a conciliar nossos desejos e os desejos dos outros. O pensamento conciliador nos ajuda sempre a buscar caminhos de entendimento, a aproximar posições e a utilizar estratégias de ganhar-ganhar, em que todos esperam obter algum benefício. Dentro de uma comunidade virtual de aprendizagem, as possibilidades de exercitar o pensamento virtual são inúmeras, com a vantagem de que os conflitos, sobretudo os pessoais, são vividos, virtualmente, de outra maneira.

Redefinir a aprendizagem

Após anos de estudos, os especialistas ainda não chegaram a um acordo sobre a natureza complexa da aprendizagem humana. O que arriscam dizer é que a aprendizagem é uma construção. Aprender é selecionar a informação ou, segundo a linguagem poética de Tagore ao ouvir seu professor que tocava violino, roubá-la. Em nenhum outro lugar melhor que a Internet o aluno pode “roubar” o conhecimento, já que ela é o maior armazém (de informação) que jamais existiu antes.

Aprender também pode ser entendido como forma de organizar a informação; em linguagem coloquial, poderíamos chamar isso de mobiliar. “Mobiliar” quer dizer colocar os móveis adequados em cada parte da casa; analogamente, aprender é colocar cada idéia ou cada conhecimento em seu lugar, e utilizá-los como se utilizam os móveis quando a casa está devidamente habitada.

Aprender é elaborar. Seleciono algo a partir de uma informação recebida (roubar) e o organizo em minha cabeça (mobiliar). Em seguida, é preciso elaborar tudo isso; ou seja, colocar essas informações em contato com os conhecimentos que já tenho e, com base nessa massa de informação, fazer minha própria construção: transformar a informação em conhecimento.

Mas aprender é, sobretudo, experimentar e aplicar os conhecimentos ou habilidades aprendidas. Ao deslocarmos do âmbito da comunidade de aprendizagem esta característica do ensino, deparamo-nos com as possibilidades que a tecnologia oferece para recuperar o sentido lúdico e utilitário do conhecimento aplicado.

A aprendizagem e a construção do conhecimento significam, sobretudo, capacidades; ou seja, poder fazer algo com aquilo que foi aprendido: relacionar, explicar, comparar, criticar e, de maneira especial, mudar e transformar a realidade a que este mesmo conhecimento se refere. A cada conhecimento apreendido, adquirimos uma capacidade que antes não tínhamos. Por isso, agora se diz, acertadamente, que conhecer é poder.

Essas cinco metáforas ou aspectos da aprendizagem não são nada mais do que formas distintas de se descreverem as atividades da inteligência humana. As três primeiras metáforas e atividades da aprendizagem (selecionar, organizar e elaborar) são as grandes habilidades ou componentes da inteligência analítica,de acordo com o modelo de Sternberg (1985, 1993; Beltrán, 1993, 1996). A metáfora do aprendizado, este entendido como experimento e aplicação, corresponderia à inteligência prática ou aplicada; e a aprendizagem, como forma de avaliar ou ponderar, coincidiria com a inteligência sintética, na qual encontramos a criatividade e o pensamento crítico. Em síntese: aprender é pensar, colocar a inteligência em contato com a informação para transformá-la em conhecimento.

Construção do conhecimento coletivo

No contexto das comunidades virtuais, a construção do conhecimento já é uma atividade social e não meramente individual. A ênfase no aprendizado individual é compreensível dado que o último valor da escolaridade se julga por aquilo que os estudantes realizam individualmente e distantes dela. A idéia de conhecimento como uma existência primariamente social não está presente no pensamento educativo. No entanto, esta idéia tem se destacado na filosofia e na sociologia da ciência. Karl Popper fez uma aguda distinção entre o conhecimento existente nas mentes individuais (mundo 2) e o conhecimento como abstração que (à maneira da economia de uma nação ou do clima de uma classe) existe acima do nível individual (mundo 3). Ele percebeu que o sentido da ciência era melhorá-lo e avançar em direção ao
mundo 3.

Por isso, o objetivo das comunidades de aprendizagem deixou de ser a promoção da aprendizagem individual para apoiar a construção coletiva do conhecimento público (mundo 3). A idéia é que os processos cognitivos invocados para articular as idéias e crenças nas interações sociais estejam, depois, disponíveis para a auto-reflexão.

Visualização estratégica do pensamento

O êxito das comunidades deixa claro que este enfoque funciona e melhora a aprendizagem dos alunos. A razão fundamental é que o contexto de interação social e o diálogo permanente permitem que os professores demonstrem estratégias e tornem visível o pensamento, possibilitando, por sua vez, que os alunos estejam conscientes de seus próprios processos mentais e possam controlá-los ao longo da aprendizagem. Usando a terminologia de Bereiter e Scardamalia, pode-se dizer que trabalhar o mundo 3 torna visível o mundo 2.

Construção social do conhecimento

Para os seres humanos, aprender é adquirir cultura na prática e participar das negociações continuas do conhecimento ou da construção do discurso. Tal hipótese está contribuindo para uma revalorização das teorias de Vygotsky, quando este diz que o pensamento é a internalização das condutas sociais e das práticas da fala.

Cazden (1988) apontou quatro grandes valores na utilização das tutorias dos iguais no interior de uma comunidade: o discurso pode atuar como catalisador de outras idéias, à medida que ao debater com outros estudantes tem-se acesso a uma série de pensamentos e perspectivas.

Ao funcionar em rede, a comunidade preenche-se de múltiplas zonas de desenvolvimento proximal por meio das quais os participantes navegam por rotas e limites distintos. Professores e estudantes criam zonas de desenvolvimento proximal, semeiam no ambiente idéias e conceitos valorizados por eles, e cultivam as que se enraízam na comunidade. As idéias semeadas por membros do grupo migram para outros participantes e perduram através do tempo. Apropriação mútua (Brown e Campione, 1996).

Desafios inteligentes

No interior das comunidades de aprendizagem já é tradicional a celebração de alguns desafios inteligentes. Os desafios incorporam traços da avaliação sistemática e dinâmica relacionada com os currículos baseados em certos problemas. Os desafios são elemento substancial da aprendizagem, sobretudo no âmbito da motivação. As possibilidades que oferecem os desafios no interior da Internet não se comparam às de uma sala de aula convencional.

Distribuição da carga cognitiva

As interações comunitárias permitem que os estudantes compartilhem e distribuam a carga cognitiva do pensamento. O grupo torna possível que o conhecimento de cada participante estruture-se de maneira diferente na memória a longo prazo. O que alivia a memória individual, especialmente na hora de recorrer aos conhecimentos. O grupo também tem uma maior memória coletiva de trabalho, de forma que as possibilidades do grupo superam a de cada um dos membros em particular.

Alguém poderia perguntar se as comunidades virtuais de aprendizagem são compatíveis com as comunidades presenciais. A resposta é sim. E mais: são complementares. Os especialistas chegam a dizer que quanto maior a participação virtual dos membros da comunidade, mais presença se deseja.

No sentido contrário, percebe-se que as comunidades virtuais de aprendizagem podem se complementar com as classes presenciais, nas quais se podem encontrar o contraponto das oscilações de voz, entonação, silêncio, gesto corporal (mãos, rosto, olhar), a resposta e a contra-resposta imediata, o controle do processo de pensamento e não apenas do produto, como na aprendizagem
virtual, etc.


CONCLUSÃO

As comunidades de aprendizagem se transformaram no mecanismo mais eficaz que conhecemos para alcançar a adaptação e a mudança no ensino. A mudança adaptativa, hoje em dia, segue o rumo de uma certa estrutura descentralizada, complexa e dinâmica, que permite que os estudantes trabalhem de maneira independente ou colaborativa. E ao trabalhar assim, é possível desenvolver inovações, perspectivas e soluções aos problemas assumidos e compartilhados pela comunidade.

As vantagens são evidentes: entre alunos e professores, a oportunidade de encontrarem-se; aos membros, que pensem e reflitam com tempo, antes de responderem; torna visível e acessível o arcabouço dos professores, ao mesmo tempo em que permite seguir o caminho do raciocínio dos alunos. Enfim, os membros das comunidades julgam seus companheiros pelo que dizem, não pelo que aparentam ser.

Fonte: EducaRede

22 de jul. de 2008

Wikis no Google Docs?

Na última semana, mostrei como é possível usar a ferramenta de Wikis, disponível no pacote de escritórios do Zoho Office. Pois parece que o Google não quer ficar para trás, está preparando o lançamento de uma ferramenta semelhante para a sua suíte de escritórios online. O ritmo de lançamento do Google parece não acompanhar a concorrência nessa área. Já faz um bom tempo que o pacote de escritórios está disponível, mas mesmo assim ainda não temos uma ferramenta para apresentações e wikis.

Enquanto o Zoho já possui uma infinidade de serviços, até ferramentas para gerenciamento de projetos online. Claro que não se compara a sistemas como o AcitveCollab, mas já imaginaram integrar esse tipo de sistema com serviços como o calendário ou o GMail? Talvez essa fosse a oportunidade para o Google se livrar do Adsense, usando o gerenciamento de projetos online como fonte de renda, assim como faz o BaseCamp.

Deixando um pouco o marasmo do Google de lado, voltemos ao assunto principal do artigo.

A ferramenta da Wikis do Google, não foi desenvolvida internamente. Ela será derivada da compra da Jotspot em outubro passado. Para as pessoas que não conhecem o JotSpot, ele era um servidor de hospedagem para Wikis, com varias opções de edição e criação para as Wikis.

Veja nessa tela, publicada no blogoscoped, que mostra como era o serviço do Jotspot:

JotSpot Google Wiki

Repare que a Wiki pode conter:

  • Web Page: Essa é uma página de texto simples
  • Spreadsheet: Tabela para adicionar dados tabulados na Wiki
  • Calendar: Permite adicionar um calendário para a Wiki
  • File Cabinet: Aqui temos uma lista de arquivos para deixar armazenados na Wiki. Caso não existam arquivos para armazenar, podemos fazer links para arquivos externos
  • Photo Page: Página para exibir múltiplas fotografias

Alguns desses serviços poderiam até se interligar com ferramentas do próprio Google. Por exemplo, na página de fotografias, será que poderemos indicar imagens do Picasa Web? Quem sabe usar informações do calendário do próprio Google? Bem, para saber a resposta teremos que esperar o desenrolar dessa semana para saber.

Algumas pessoas que estão usando o serviço do Google Apps, podem até visualizar o logo da Google Wiki, caso não estejam usando uma imagem personalizada no serviço.

O anuncio oficial do serviço provavelmente acontece essa semana, durante a Office 2.0. Um evento que fala sobre colaboração online e produtividade. O Google é um dos patrocinadores.

Fonte: Blogoscoped

Fonte: http://www.colaborativo.org/blog/2007/09/04/wikis-no-google-docs/

21 de jul. de 2008

Letra Inspiradora

Olá Amigos

A letra dessa música do Rappa é demais. Hoje em particular estou me sentindo o verdadeiro Pescador de Ilusões. Tem dia que a gente nem entende por que esta sentindo certas coisas, e hoje em particular e um desses dias onde nem sabemos porque estamos nos sentindo assim.
Lembranças, sonhos abandonados, metas não compridas, negação, alegria, felicidade, amor e uma mistura de sentimentos muito louca.
Por isso postei a letra da musica e o clip. Espero que gostem como eu gosto.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

Pescador de Ilusões

Interpretação e Composição: O Rappa

Se meus joelhos não doessem mais
Diante de um bom motivo
Que me traga fé,
que me traga fé

Se por alguns segundos eu observar
E só observar
A isca e o anzol, a isca e o anzol
A isca e o anzol, a isca e o anzol
Ainda assim estarei pronto pra comemorar

Se eu me tornar menos faminto
Que curioso,
que curioso
O mar escuro trará o medo lado a lado
Com os corais mais coloridos

Valeu a pena, eh eh
Valeu a pena, eh eh
Sou pescador de ilusões
Sou pescador de ilusões

Se eu ousar catar
Na superfície de qualquer manhã
As palavras de um livro sem final
Sem final, sem final, sem final, final
REPETE REFRÃO 2x

Se eu ousar catar
Na superfície de qualquer manhã
As palavras de um livro
Sem final, sem final

Sem final, sem final, final
REPETE REFRÃO 3x


20 de jul. de 2008

A rede lógica e a lógica da rede de amigos...

Olá Amigos

O meu amigo José Antônio Klaes Roig, editor do Letra Viva do Roig me convidou para participar de uma brincadeira bem legal que em homenagem ao Dia do Amigo, que comemora-se hoje (20/07), resolvi aderir a esta pela criatividade e originalidade.

Até pelo fato de deixar livre para quem quiser aderir ou não. E com o Zé Roig diz "também como uma homenagem a alguns amigos que trocam experiências de vida no ciberespaço".

A brincadeira funciona assim:

1. Escrever uma lista com 8 coisas que sonhamos fazer antes de morrer;
2. Convidar 8 parceiros(as) de blogs amigos para responder também;
3. Comentar no blog de quem nos convidou;
4. Comentar no blog dos nossos(as) convidados(as), para que saibam da “intimação”;
5. Mencionar as regras.

O Zé Roig "viajou na maionese" nos pedidos, então como sonhar não custa nada, aqui vão os meus desejos:

1- Ver minha filha crescer , se formar, casar (de preferencia com um cara legal ... assim como o pai) e me encher de netos, ver meus filhos formados e bem casados ou "pegando geral".
2- Fazer bodas de diamante, com a minha linda e querida esposa, guerreira, amiga, amante, confidente vivendo juntos até depois dos 100.
3- Viver financeiramente abastado, tipo Mega Sena, onde o céu é o limite.
4- Me tele-transportar pelo mundo e pelo universo até porque esse negocio de aeroporto lotado ninguém merece.
5- Viver num mundo com mais paz e fraternidade entre as pessoas, onde não haja tanta desigualdade social, onde "bala perdida" seja apenas uma criança que perdeu sua balinha pelo caminho e onde a policia só atire em bandido.
6- Viver num planeta saudável onde não haja a preocupação com a água, com o lixo, com os bichos, com as matas, enfim com o dia de amanhã.
7- Ter políticos não remunerados nas câmaras municipais, nas assembleias legislativas, na câmara dos deputados, no senado federal e na presidência da republica exercendo e representando realmente a vontade do povo, legislando em favor dele.
8- Ver meu Botafogo derrotar o Internacional do Zé Roig na final do Mundial (hahahaha) e que Flamengo seja somente um bairro do Rio de Janeiro e urubu um pássaro.

Bem amigos, brincadeiras a parte gostaria de incluir no meu pedido um pais verdadeiramente educado, onde tenhamos um ensino público de qualidade e de fácil acesso a todos.

Agora repassando para outros 8 amigos (que não precisam aderir a essa brincadeira se não puderem, amigos não reparam isso). O legal é que alguns, por enquanto, incrivelmente só conheço no mundo virtual, através de seus blogs e os outros tive o prazer de conhece-los pessoalmente.

Os escolhidos são : Jenny Horta, Maxileandro, Sibele Maria, Rosane, Nayara, Tataia Araujo, Ana Clara.

Abaixo um poema de Machado de Assis, pois afinal poesia é poesia.

Feliz Dia do Amigo a todos vocês.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

Bons Amigos

Machado de Assis

Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!

Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!

Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!

Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.
Amigo é a base quando falta o chão!

Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!

Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!

Fonte: http://www.pensador.info/p/depoimentos_para_amigos/1/

Quadro Interativo eBeam

Olá Amigos

Retribuindo a vista feita ao Caldeirão de Idéias pelo Jailton Barreto editor do blog Tecnologia na Educação e Educação a Distância encontrei referencia a esse artigo abaixo e olha só o que eu encontrei... um Quadro Interativo.



Uma loucura!!!

O eBeam é uma solução inovadora que torna qualquer quadro branco padrão em área digital de
trabalho, basta fixá-lo no quadro branco, conectá-lo ao computador e, com o auxílio de um projetor, todas as funções de qualquer aplicativo de software podem ser acessadas diretamente no quadro, através da caneta eletrônica, sem precisar usar o teclado ou o mouse convencional.

O eBeam é extremamente portátil, podendo ser transportado até mesmo na maleta de um notebook. Com as vantagens desta solução é possível proporcionar aos alunos, uma maior profundidade na abordagem dos conteúdos aplicados, através de aulas mais interativas. Os softwares de simulação de Ciências, Matemática ou um aplicativo em multimídia para Geografia, por exemplo, tornam-se muito mais dinâmicos com o uso do eBeam.

Funciona com qualquer projetor.
Acesso aos aplicativos de software diretamente do quadro branco.
Permite fazer anotações em apresentações de PowerPoint, sites da Internet e outros aplicativos, com a caneta eletrônica.
Recurso de gravador de áudio e vídeo.
Prático, portátil e fácil de usar

Uma aula assim é capaz de "fazer a cabeça" de qualquer um.

Assistam o vídeo e me digam se eu não tenho razão.



Abraços

Equipe NTE Itaperuna

19 de jul. de 2008

Professor combate uso precoce do computador

Recebi esse texto no meu e-mail e fui conferir. O cara é acido como limão, meio xiita, e tem uma visão bem critica e oposta ao que defendemos no uso da informática na educação.

Aqui sempre foi e será um espaço democrático, onde até as idéias contrarias são colocadas para que possamos ver e ter outras opiniões sobre os assuntos e temas levantados.

Quem quiser conhecer um pouco sobre suas idéias e tiver interesse em analisar sua teoria, o nome é Valdemar W. Setzer, abaixo o texto recebido.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

"Deixe as crianças serem infantis:não lhes permita o acesso a TV, jogos eletrônicos e computadores!"


Professor combate uso precoce do computador

Para Valdemar Setzer, da USP, é preciso barrar a tecnologia na rotina das crianças

Titular do Depto. de Ciência da Computação do Instituto de Matemática e Estatística da USP, ele defende que o computador seja utilizado somente a partir dos 17 anos. Mas admite que isso hoje é ‘meio utópico’.

Contra o Uso de Computadores por Crianças e Jovens é o título de um dos artigos de Setzer, doutor em engenharia.‘Cheguei há muito tempo à conclusão de que o pensamento abstrato forçado pelo computador prejudica os jovens até 16, 17 anos, forçando-os a usarem uma linguagem e um tipo de pensamento que é totalmente inadequado para crianças e jovens antes de terem uma maturidade intelectual adequada.’

A Escola de Educação Infantil Jardim Michaelis, no Catete, zona sul do Rio, é a única na cidade a adotar a pedagogia Waldorf, introduzida pelo austríaco Rudolf Steiner em 1919, na Alemanha, que critica o uso precoce da tecnologia e é difundida no Brasil por especialistas como Setzer.

Ali, não há computadores nem TV.Os dias são preenchidos com atividades artísticas e artesanais. As crianças não usam uniformes, brincam com bonecos confeccionados por elas, sobem na árvore plantada por professores no quintal, ouvem em rodas histórias do folclore nacional, lancham só pratos naturais - feitos com a ajuda delas a partir de receitas dos pais - e fazem teatro de marionetes com cirandas e poesia. E não conhecem as músicas da Xuxa.

A Michaelis existe há 11 anos e tem hoje 22 crianças - de 2 a 6 anos - matriculadas. Todos os cargos - de diretores a secretárias - são preenchidos por professores ou pais de alunos, numa espécie de autogestão oficialmente sem fins lucrativos.

A mensalidade custa R$ 530. A escola não alfabetiza - normalmente, isso ocorre aos 5 anos, mas a pedagogia Waldorf recomenda somente na 1.ª série do ensino fundamental.‘A base é deixar que a criança brinque por si, com o mínimo possível de estímulo externo. É importante que não haja interferência no desenvolvimento, o que não significa falta de limites, pautados sempre na autoridade amorosa do professor. Assim, elas podem criar recursos próprios’, diz a orientadora pedagógica da escola, Rosa Fantini.

Para a professora Nina Domingues, brinquedos manufaturados limitam a fantasia. Elas elogiam as idéias de Setzer. ‘Ele fala radicalmente da tendência de hoje de deixar a criança passiva. Nossa proposta é olhar a individualidade de cada uma e fazer com que desabroche. Por isso temos um grupo pequeno’, diz Rosa.‘A gente tenta preservá-las, mas não somos contra o computador e, sim, contra o uso precoce. É um pouco como se você tivesse tirando a saúde da criança ao exigir muita concentração.

Também não usamos elementos da mídia, não tem Mickey nem Superpoderosas. Tem de equilibrar, isso limita a capacidade criativa’, afirma Nina.‘O que o computador preenche de maneira mecânica, a gente tenta preencher de maneira humana. É difícil colocar que há seriedade, não é uma coisa inventada como tendência, mas temos uma linha pedagógica, baseada em Steiner. No início alguns pais acham esquisito, mas depois percebem que os filhos adquirem um brincar mais tranqüilo, fantasia maior e se sentem acolhidos.’Setzer é categórico: ‘Não existe pesquisa científica que mostre os benefícios do uso do computador como ferramenta didática ou de lazer na infância.

Você pensa que usa o computador, mas freqüentemente é ele que usa você. Em qualquer uso o computador força um raciocínio matemático restrito, lógico-simbólico, e o jovem tem de ter uma maturidade muito grande para se controlar.’Ele diz que imaginação e criatividade não se medem. Portanto, é difícil para alguns acreditar nas teorias.

Para Setzer, a dificuldade de aprendizado seria uma das conseqüências. ‘Quase todo mundo acha uma maravilha o filho usar o computador, mas não sabe que a aceleração da intelectualidade é altamente prejudicial.’MarketingÉ quase um pregador no deserto. Atualmente, a maioria das escolas não só adota desde cedo o computador como tenta atrair alunos com o marketing do uso das máquinas.

No Centro Educacional da Lagoa (CEL), na zona sul do Rio, por exemplo, com mil alunos matriculados no ensino fundamental, crianças de 3 anos já usam computadores nas salas.‘Preferimos que desde o jardim haja familiarização com as máquinas. Durante todo o ensino fundamental eles têm aulas formais de informática.

É uma cadeira que é cobrada como aula formal a partir da C.A. (classe de alfabetização)’, afirma George Cardoso, diretor pedagógico do CEL.‘O George (ele usa a terceira pessoa para se referir a si próprio) é capaz de concordar com essas idéias (de Setzer), mas temos de nos adaptar à sociedade em que vivemos. Se a escola ficar fora disso, está fora do tempo, vai prestar um desserviço à família.

Mas é claro que a gente estimula o uso da biblioteca, que o computador não seja a coisa principal na vida delas.’A coordenadora psicopedagógica de educação infantil da Escola Sá Pereira, no Humaitá, zona sul, Paula Lacombe, adota o bom senso:‘Não temos nada teorizado, a prática foi nos mostrando aos poucos. Usamos computadores só a partir da alfabetização e não para que a criança aprenda programas, mas como ferramenta de apoio às pesquisas.’

Para ela, a máquina não dá possibilidade de interação, e a escola prioriza atividades voltadas para o coletivo. ‘Não há nada mais limitador do que aprender sozinho, sem espaço de socialização, sem troca.’ Paula diz que a escola ainda não definiu se deve manter laboratórios ou instalar computadores em algumas salas, apenas para facilitar pesquisas, nunca para aulas de informática.

A discussão parece não ter fim. Setzer não deixou os quatro filhos terem acesso a computadores na infância. Hoje, um deles, de 32 anos, é diretor da Oracle, uma das principais fabricantes de software do mundo. Para ele, isso prova que o acesso não precisa ser precoce para que o adulto use a máquina - até profissionalmente. ‘Sempre digo que, uma vez, um amigo comprou o computador mais potente para o filho. Tirou da caixa e ele nem quis saber da máquina. Preferiu brincar com a caixa.’

Fonte: http://www.ime.usp.br/~vwsetzer/
http://www.ime.usp.br/~vwsetzer/entrev/entrevista-Veja.html

17 de jul. de 2008

Olhar à frente

Tereza Porto

Nas duas últimas semanas, a Educação do Estado do Rio esteve na berlinda, com a divulgação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) pelo MEC. Os dados não foram favoráveis para nós. Saber o que está por trás desses índices, descobrir por que o Rio apresenta resultados gerais tão distantes de nossas expectativas é, com certeza, necessário. Mas, em vez de buscarmos as respostas no passado, prendendo-nos ao que herdamos de administrações anteriores, estamos nos propondo a olhar para frente.

A Secretaria de Educação do Estado do Rio está criando todas as condições para que as 1.591 escolas que compõem sua rede de ensino, marquem um encontro com elas mesmas, se (re)conheçam. A partir do nosso Programa de Gestão Escolar – resposta do Estado do Rio ao Programa de Desenvolvimento da Educação (PDE) do MEC –, os diretores das escolas, seus adjuntos e os coordenadores pedagógicos, que somam 5.330 profissionais, serão capacitados por orientadores de gestão, para fazer, com a comunidade escolar, um diagnóstico de suas escolas, e traçar um plano de ação a ser concretizado com apoio financeiro, pedagógico e logístico da Secretaria. Esse diagnóstico incluirá também o índice de desempenho dos alunos, por meio de um programa de avaliação interna, por escola, com base em competências e habilidades, como propõe o MEC, e que terá início em agosto. O programa toma os professores como agentes da avaliação de seus alunos.

De posse desses dados, será possível olhar para a Rede Estadual de Ensino de outra maneira. Sejam bons ou ruins os resultados que encontrarmos, esse diagnóstico será um guia para nossas ações.

Estamos investindo também na formação continuada de nossos professores. Entre outras iniciativas, vamos potencializar o uso dos 35 mil notebooks distribuídos ao corpo docente, promovendo uma atualização em serviço a distância desses profissionais, a partir de agosto, com material desenvolvido pelo MEC.

É certo que diagnosticar e tratar do pedagógico não será suficiente se não tomarmos medidas relativas à infra-estrutura, visando ao conforto e ao bem estar de professores e alunos. Já estamos encaminhando a reforma de 143 prédios escolares. Até o fim do ano, todas as escolas do estado contarão com banda larga para conexão à internet. Pretendemos resolver, finalmente, o problema das escolas estaduais que funcionam em prédios compartilhados com o município, com a aquisição de prédios próprios – 28 estão em negociação para compra. Convocamos 8 mil novos professores que já estão nas salas de aula, e outros 2.200 estão prestes a entrar. Está em curso também a atualização da estrutura de dados da Secretaria, com nova organização das informações relativas à Educação fluminense.

Muito mais do que anunciar o que estamos levando à frente, a idéia é compartilhar com toda a sociedade essas iniciativas, para atuarmos juntos em prol da educação estadual e de nossos alunos. Fazer da Educação uma política de estado, não de governo, é um compromisso de todos.

Tereza Porto é secretária de Estado de Educação do Rio de Janeiro.

Fonte: http://www.educacao.rj.gov.br/index5.aspx?tipo=categ&idcategoria=447&idItem=2847&idsecao=13

16 de jul. de 2008

O supra-sumo da tecnologia

Olá Amigos

Hoje vou falar de uma sonho que sempre tive desde os tempos de faculdade: conhecer o Massachusetts Institute of Technology ou MIT, e mas precisamente visitar o Media Lab do MIT .

Imagine uma grande fábrica de idéias e dentro dela uma divisão especial, onde a regra é não aceitar regras, mas pensar com total liberdade sobre como a tecnologia pode se aproximar mais do ser humano. Esse sonho a professora Cristiana Assumpção, do blog Tecnologia e Criança já realizou.

Para terem uma idéia de como é o laboratório e a filosofia de trabalho, vejam o vídeo dessa reportagem sobre Ciência e Tecnologia da Globo News, que passou no programa Espaço Aberto abaixo.



Trabalhar as habilidades e competências que eles estão desenvolvendo vai bem de encontro à filosofia da Web 2.0 e empregos que estão aparecendo no século 21. Para quem tem interesse em saber quais os melhores usos da tecnologia junto às crianças, ver o trabalho desse grupo de pesquisadores é imprescindível.

Espero que outros também possam ter o privilégio que ela teve de ir ver de perto onde todas as idéias fantásticas são geradas.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

XO-2 - Um sonho de máquina


NA abertura da conferência, o fundador da OLPC Nicholas Negroponte, anunciou que a segunda geração do laptop OLPC XO, que será chamado a XO-2.


Negroponte não têm muitos detalhes sobre o XO-2 do hardware, mas o novo sistema tem dois monitores sensíveis ao toque. Como você pode ver a partir do vídeo e as imagens, o XO-2 será muito menor que o original máquina (metade do tamanho, de acordo com o comunicado de imprensa) e terá um desdobrável e-book form factor. "A próxima geração computador portátil deve ser um livro," disse Negroponte.




O XO-2 irá empregar a dupla interior-e-luz solar mostra, que foi iniciado pelo ex-CTO OLPC Mary Lou Jepsen. O projeto irá proporcionar ver um lado direito e esquerdo de página em formato vertical, um laptop normal no formato horizontal, e uma superfície plana e dois de tela superfície contínua para utilização em modo comprimido.


"As crianças mais novas será capaz de usar teclados simples para obter curso, e filhos mais velhos será capaz de alternar entre os teclados personalizados para aplicações, bem como para vários idiomas", diz o comunicado de imprensa. O XO-2 também irá reduzir o consumo energético a 1 watt.


De acordo com Negroponte, o XO-2 está programado para ser lançado em 2010.

Negroponte terminou o seu discurso, anunciando que a Dê 1, Pegue 1 programa da OLPC, que permite que os consumidores de dar um laptop para uma criança no mundo em desenvolvimento e obter um laptop de baixo custo, para si, irá iniciar-se novamente em agosto ou setembro de 2008.

Fonte: http://blog.laptopmag.com/first-look-olpc-xo-generation-20

14 de jul. de 2008

Nos já fazemos assim

Olá amigos

Esse texto da minha amiga de lista a Cybele Meyer é tudo de bom. No texto ela cita que "A capacitação para o uso destes recursos deve colocar o professor na condição de aluno que está ali para aprender a conhecer, a utilizar e a construir sua autonomia quanto a disponibilizar as TICs como mais um recurso no processo ensino/aprendizagem."

Nos alunos do curso de Educação Digital já vimos esse filme por aqui, não? O que tenho dito e repetido a vocês e que sem a mudança na pratica pedagógica de vocês o uso das TICs não será eficiente. O texto cita que "Ao se sentir aluno e desfrutar de uma aprendizagem interativa, o professor percebe que com esta didática ele teve oportunidade de aprendizado e que lhe abriu um novo horizonte, acabando por mudar a sua maneira de atuar em sala de aula, incentivando o aluno a experimentar e a produzir" e assim como eu tenho colocado vocês na posição do aluno para que vocês tenham uma idéia do que é produzir e interagir na construção do conteúdo pode fazer por vocês no curso imagine no dia a dia de seu aluno.

O texto ela finaliza com a escola que sonhamos e desejamos: "O ideal será quando a escola permitir que se leve para a sala de aula o comportamento que se adota na Web, permitindo que os alunos possam ser criativos, responsáveis, autônomos, interativos e produtivos, respaldados no desenvolvimento das quatro competências básicas descritas por Jacques Delors: pessoais, relacionais, cognitivas e produtivas, promovendo o desenvolvimento das inteligências múltiplas favorecendo, assim, a formação de indivíduos capacitados."

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

O professor de hoje sendo o aluno de amanhã

O professor nos dias de hoje se vê motivado a inserir o computador em sua metodologia de trabalho levando para a sala de aula o uso dos recursos multimídias e das ferramentas digitais, em razão destas enriquecerem a forma de trabalhar o conteúdo favorecendo o aluno na
construção da sua aprendizagem. A variedade destes recursos é muito grande. São vídeos, áudios, sites, blogs, animações/simulações, textos e mais uma infinidade de opções que podem tanto ser acessadas quanto ser construídas pelo professor e/ou aluno.

Acontece que para o professor se sentir confortável no manuseio destas ferramentas ele tem que conhecer, pelo menos o básico, para poder não só acessar, mas mediar o potencial de uso dos alunos adequando-as ao projeto proposto.

Não estou mencionando aqui que o professor tem que saber instalar o sistema operacional e muito menos ser responsável pela sua manutenção, mas sim que este deve ter o domínio do objetivo a ser alcançado pela atividade proposta com o uso das ferramentas disponibilizadas na web.

Para conhecer as opções e o potencial destas ferramentas é necessário que os profissionais da educação estejam em constante processo de aprendizagem.

A capacitação para o uso destes recursos deve colocar o professor na condição de aluno que está ali para aprender a conhecer, a utilizar e a construir sua autonomia quanto a disponibilizar as Tics como mais um recurso no processo ensino/aprendizagem.

Nada parecido com as aulas formais do curso de informática em que o aluno tem primeiramente que aprender a mexer no FrontPage, que de repente nunca virá a usar, para depois aprender o tópico seguinte e assim sucessivamente. Ele tem sim que iniciar seu aprendizado enfocando
os recursos passíveis de uso em sala de aula. O aprendizado tem que ser significativo, caso contrário, não acontecerá.

O professor, ao iniciar o seu processo de aprendizagem na posição de aluno, atuará como protagonista de suas produções, uma vez que só se aprende a mexer no computador, mexendo e experimentando. A capacitação deverá unir a teoria à prática e não se limitar somente ao conteúdo teórico como normalmente acontece.

A capacitação deve ser iniciada desde o "como ligar o computador" , uma vez que a grande maioria dos docentes não é nativo digital, e muitos nunca ligaram um computador. Este "começar pelo começo" motivará o docente a interagir com a máquina, superando possíveis barreiras
pré-existentes, além de abrir caminho para futuras perguntas, que na maioria das vezes ficam recolhidas face ao receio de tornar público o não conhecimento do manuseio do computador.

Ao se sentir aluno e desfrutar de uma aprendizagem interativa, o professor percebe que com esta didática ele teve oportunidade de aprendizado e que lhe abriu um novo horizonte, acabando por mudar a sua maneira de atuar em sala de aula, incentivando o aluno a experimentar e
a produzir. Agindo assim, estará se libertando da metodologia arcaica conteudista, e passará a incentivar a autonomia e autoria do aluno, desvencilhando-se de vez do mito de que todos têm que aprender o mesmo conteúdo, no mesmo processo, no mesmo ritmo, seguindo o mesmo itinerário.

Ao vivenciar esta experiência, no momento em que retornar à sua posição de docente, não correrá o risco de adotar o mesmo comportamento anterior em que construía o conteúdo multimídia e o disponibilizava na internet para que o aluno somente o acessasse, sem promover qualquer tipo de interação.

Esta mudança de paradigma propiciará que seu foco passe a ser o aluno (individualidade), levando em conta a diversidade e a não massificação no processo de aprendizagem, propiciando a construção da autonomia deste aluno bem como o desenvolvimento de competências, além, é claro, de motivar a interatividade, quesito fundamental no uso da Web.

O ideal será quando a escola permitir que se leve para a sala de aula o comportamento que se adota na Web, permitindo que os alunos possam ser criativos, responsáveis, autônomos, interativos e produtivos, respaldados no desenvolvimento das quatro competências básicas descritas por Jacques Delors: pessoais, relacionais, cognitivas e produtivas, promovendo o desenvolvimento das inteligências múltiplas favorecendo, assim, a formação de indivíduos capacitados.

O texto é de nossa cadastrada Cybele Meyer, advogada, artista plástica, professora, pós-graduada em Psicopedagogia e Docência do Ensino Superior, escritora e palestrante.

Contato: cybelemeyer@yahoo.com.br

Materia Publicada na Revista Profissão Mestre

Fonte: http://www.profissaomestre.com.br/

12 de jul. de 2008

E viva os Professores e a Escola Pública Brasileira!!!!

Olá Amigos

Que delicia de matéria!!!

Eu quero tentar expressar aqui, a minha alegria ao ler essa matéria, pois só nós, professores, sabemos o quanto é dificil o caminho de toda essa grande vitória. Quem é professor, sabe bem o que eu quero dizer!!!

Eu acredito sim no ensino público, gratuito e de qualidade para todos.

Sempre defendi a a tese de que aluno de professor de escola pública, deve estudar em escola pública para que o professor crie o compromisso de qualidade com o ensino e defenda a instituição.

O ensino da escola pública, tem subido de produção a cada ano, equiparando ao da escola particular!!! Temos professores muito bem preparados e qualificados e acima de tudo, que tem o seu compromisso com o trabalho, com sua profissão... Professores que realmente fazem a diferença, que "vestem a camisa" , "arregaçam as mangas" e dizem: "Vamos lá!"

O governo tem feito avanços sim, tem equipado todas as escolas com laboratorios de informatica de boa qualidade, proporcionado capacitação a todos os "interessados" e dotará todas as escolas urbanas com banda larga até 2010. Além de aprovar um piso nacional de 950 reais.

E pouco?

Pode ser, mas já é um avanço.

Parabéns a todos os professores do Brasil que acreditam no ensino público e fazem a diferença na formação de cada criança, de cada cidadão brasileiro!!!!!!!

Abaixo as escolas do Noroeste do Estado do Rio de Janeiro onde atua o nosso NTE:

RJ ITAPERUNA C.E. LUIZ FERRAZ Estadual 6,5 6,4

RJ BOM JESUS DO ITABAPOANA I.E. EBER TEIXEIRA DE FIGUEIREDO Estadual - 6,2

RJ VARRE-SAI E.M. CARLOS MAGNO FABRI MARTINS Municipal - 6,0

RJ VARRE-SAI ESC CORAÇAO DE JESUS Municipal - 5,9

A sua escola não está na relação?

Que pena!!!

Que pena nada, mexa-se diretor!!

Então providencie as mudanças diretor, comece a mudar sua pratica pedagógica, motive seus profissionais, reduza o número de alunos por turma, trabalhe por projetos, pratique aprendizagem colaborativa, capacite seus professores, trabalhe com a sua comunidade, seja transparente, pratique democracia e orçamento participativo na sua escola.

Lembre-se você é que está no comando da escola, crie um perfil para sua escola. Diretores passam mas a escola fica e você pode ser lembrado pela pessoa que mudou a cara da escola, que fez ela ser hoje o que ela é.

Abraços

Equipe NTE Itaperuna

Quando a pública ganha da particular

Quem são os pais que optam pelas escolas estaduais e municipais. O que eles ensinam a seus filhos – e ao Brasil

Isabel Clemente, Ana Aranha e Nelito Fernandes

Daniela Toviansky
MAIS EXIGENTE
Isaac faz lição na Escola Estadual Blanca Zwicker Simões, de São Paulo. Egresso de um colégio particular, ele teve de fazer aulas de reforço para acompanhar o ritmo da pública

“Você anda tão pão-duro. Como você tem coragem?”

Responder a perguntas assim virou rotina na vida da catarinense Mirna Schwendler, de 38 anos, desde que matriculou os dois filhos, de 10 e 8 anos, numa escola pública de Brasília. Quando alguém pergunta onde seus filhos estudam, Mirna já sabe que a reação será essa. Ou longos silêncios de espanto. Ela, que poderia pagar para os dois estudarem numa escola particular, fala sobre o assunto rindo: “Tem muito preconceito. É impressionante”.

Os filhos de Mirna estão matriculados numa escola pública regular. Não tiveram de enfrentar provas concorridas, típicas dos colégios militares e escolas federais, conhecidos como a nata do ensino público no país. Nada na Escola Classe 314 Sul, onde estudam, lembra um centro de excelência. O prédio é bem cuidado. É limpo, mas requer reparos. No canto do pequeno pátio interno, carteiras empilhadas aguardam conserto. As salas são quentes e contam apenas com velhos ventiladores de teto. A organizada biblioteca tem poucos livros. As revistas são do ano passado. Conquistas como quadros brancos, persianas e máquina de xerox são fruto de doações e receita da festa junina. A escola só tem três computadores.

Você colocaria uma criança para estudar lá? Não? E se soubesse que dessa escola saíram as melhores notas das redes pública e privada do Distrito Federal? A Escola Classe 314 Sul, que vai da 1ª à 4ª série, ficou com média 6,7 no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) em 2007. A média da rede particular foi 6,1. O Ideb, índice do Ministério da Educação, combina o desempenho dos alunos nos exames federais de Português e Matemática (Prova Brasil e Saeb) com o porcentual de aprovação das escolas. Isso significa que a pequena escola pública brasiliense, com carteiras empilhadas e ventiladores velhos, oferece um ensino melhor que muitos colégios particulares com piscina e piso de ladrilho hidráulico.

Como ela, há no Brasil 308 escolas públicas de 1ª a 4ª série com resultado igual ou superior ao da rede particular. Elas estão em cidades grandes como Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Fortaleza e Curitiba. Muitas ainda não ganharam notoriedade e não exigem provas de seleção para a entrada de novos alunos. A qualidade desses colégios, onde estudam 92 mil crianças, explica a decisão de pais e mães como Mirna. Ao trocar o ensino privado pelo público, eles quebraram um tabu. Pagar pela educação não é, necessariamente, um bom investimento. E, apesar da constante necessidade de dar explicações, esses pais não estão arrependidos.

As 308 escolas públicas com médias acima das da rede particular são uma exceção num universo de 38 mil instituições. É importante lembrar que também existem milhares de escolas privadas acima dessa média. Nas últimas décadas, o ensino privado se firmou como uma opção no Brasil justamente porque sua qualidade era superior à das escolas municipais ou estaduais. Na média nacional, as escolas privadas estão com 6 no Ideb, a média dos países desenvolvidos. As públicas têm nota 4,2. Até por uma questão numérica. A rede particular de 1ª a 4ª série possui 2 milhões de alunos selecionados por poder aquisitivo. Já na rede pública há 16 milhões de alunos.

A escola pública costuma abrigar alunos menos favorecidos, moradores de bairros onde o serviço público peca pela falta de qualidade em áreas estratégicas, como saúde, segurança, transporte e assistência social. A renda baixa dos pais, a violência e a falta de acesso a locais onde há emprego e equipamentos culturais são alguns dos fatores que prejudicam o desempenho das crianças. Mas as 308 escolas acima da média revelam que, apesar de todas essas dificuldades, dá para conseguir bons resultados. Seus exemplos ajudam a mostrar um caminho para recuperar a educação no país.

Felipe Barra
ELA É A RESPONSÁVEL
Roberta com seus filhos Henrique e Helena. Ela é a diretora da escola estadual de Brasília onde os dois estudam

Qual é o segredo dessas boas escolas públicas? Parte do sucesso pode ser explicada pela qualidade da gestão. Na Escola Classe 304 Norte, a segunda mais bem colocada em Brasília, a gestão é compartilhada com um conselho escolar, com 30 representantes, entre funcionários, professores e pais. “Muitos acham que dividir a gestão é perder poder. Discordo”, diz a diretora, Roberta Farage. “Isso exige que os pais participem do processo educacional dos filhos e exerçam cidadania. Dá trabalho, mas vale a pena”. Os pais que são membros do conselho vão às reuniões e cobram do governo e da Justiça seus direitos. Costumam recorrer todo ano para fazer valer uma lei do Distrito Federal que estabelece um máximo de alunos por turma, para evitar classes superlotadas. Esses pais já foram chamados de “gangue da 304”. A Associação de Pais e Mestres garantiu a compra de seis computadores para a escola, reforma da fachada e, graças a doações generosas, material escolar e “patrocínio” de passeios aos estudantes mais carentes.

Dá para sentir os efeitos desse tipo de gestão no cotidiano dos alunos. Numa segunda-feira à tarde, mais de cem crianças do colégio estão sentadas no pátio. A assembléia de estudantes atinge seu ápice, com aplausos e gritos, quando um aluno sugere a troca do chão de cimento da quadra para grama sintética.

– Grama sintética é uma boa idéia? – pergunta a diretora.

– Ééééééé... – o coro responde.

– É uma idéia barata?

– Nãoooooooooo...

Depois que as crianças retornam para as salas de aula, Roberta diz: “Estamos decidindo o que fazer com a verba da reforma e ouvimos também os alunos sobre isso”. Quanto eles têm para usar? “R$ 2 mil”, responde. “Pois é, tanta mobilização para decidir como gastar R$ 2 mil que nem chegaram.” E dá risada.

A maior prova de confiança de Roberta no próprio trabalho são seus filhos, Henrique e Helena. Eles estudam lá. A escola também ganhou a confiança do biólogo Eric Fischer, do administrador Roberto Ghiggi e do designer Masanori Ohashy. Esses pais de alunos têm algo mais em comum: eles poderiam pagar por ensino privado, mas fazem questão de participar na gestão da escola pública.

“A escola pública de qualidade só vai existir quando a classe média apostar nela”, diz Masanori, pai de Clara e Alice, alunas da 4ª e da 2ª série da Escola Classe 304 Norte. “Não gosto dessa história de preparar minha filha para o vestibular. Adestrando, você não dá autonomia. Quero que minhas filhas saibam resolver seus conflitos”. O administrador Ghiggi, outro pai de aluno, valoriza o convívio eclético do ambiente escolar público. “Eu queria que meus filhos tivessem uma formação ampla, de convívio com pessoas iguais e diferentes deles, como eu tive”, diz. “Vejo aqui uma inclusão social inversa. Minha mulher diz que sou sonhador, mas esse é um risco calculado, porque a escola é boa”.

O Distrito Federal costuma ser citado como uma exceção nacional no quesito ensino público. É lá que o professor ganha os melhores salários do país. Eles já entram recebendo R$ 3.200. “Um aluno aqui custa R$ 600 por mês para o governo, o preço de uma escola particular. Então, precisamos oferecer um ensino de mesma qualidade”, diz o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM). Isso não significa que o ensino público na capital federal seja uniforme, pois o investimento financeiro não se traduz automaticamente em qualidade. O governador, que vive há mais de 30 anos em Brasília, tem oito filhos. Nunca matriculou nenhum em escola pública.Embora o orçamento por aluno seja o mesmo, há escolas em Brasília com notas bem abaixo das melhores. Por que isso acontece? “Escola com bom diretor é boa. E a boa escola captura os pais para a educação dos filhos”, diz o secretário de Educação do Distrito Federal, José Valente.

Onde as públicas são melhores
Quanto mais alta a nota média da rede particular no Ideb, maior a quantidade de escolas públicas que a superam
Revista Época
Revista Época
Revista Época

Boa direção e pais atuantes são a fórmula que tem compensado a falta de estrutura típica dos estabelecimentos mantidos por Estados ou municípios. “Temos aqui quatro ou cinco pais analfabetos tão presentes quanto os pais com nível superior. Todos buscam a mudança pela educação”, diz Bernadete Caparica, de 47 anos, vice-diretora da escola pública com o melhor resultado no Ideb do Distrito Federal, onde estudam os filhos de Mirna. Segundo Bernadete, 80% dos 356 alunos moram em bairros carentes e distantes do centro de Brasília. Há, ainda, 19 com necessidades especiais. A escola tem dado ênfase à leitura. O projeto Prazer em Ler reserva uma hora por semana para que as crianças leiam, na escola, sem cobranças posteriores. Depois do recreio, o sinal toca várias vezes, até a algazarra dar lugar a um alegre murmurinho de 179 crianças sentadas. Quando a confusão finalmente cessa, elas escolhem o que vão ler, entre livros, gibis e revistas. Parecem se divertir.

“Essa escola foi uma revolução na minha vida. Antes dela, joguei dinheiro fora”, diz Helenice Halbe, funcionária do Superior Tribunal de Justiça. Ela é formada em Direito e Economia e mãe de Bernardo, aluno da 4ª série. Recorreu à escola pública em busca de mais disciplina para o caçula de três filhos. “Percebia um certo receio das professoras da escola privada em ser duras com ele e me desagradar”, diz. Pela escola da filha mais velha, Helenice ainda paga R$ 960 por mês.

Um bom ensino público não é privilégio da capital federal. A mãe Gláucia Saraiva Eugênio, que mora em Anália Franco, bairro de classe média de São Paulo, descobriu que a escola pública podia ser mais forte que a particular. Seu filho Isaac, de 8 anos, estuda no período da tarde na escola Blanca Zwicker Simões, da rede estadual. Gláucia tirou seu filho de uma tradicional escola particular paulistana (cujo nome prefere não publicar) quando percebeu que, na 1ª série, ele continuava fazendo os mesmos exercícios de unir os pontos que fazia no pré. Depois de, com outras mães, reclamar com a direção e não ter resposta, partiu em busca de outra escola. Visitou as melhores particulares da região, mas nenhuma aceitou o menino que ainda não sabia o alfabeto. Sugeriram que terminasse a 1ª série na outra escola e repetisse o ano. “Eu não ia investir mais tempo da vida de meu filho e nosso dinheiro naquela escola”, afirma Gláucia. No colégio estadual, cujos resultados no Ideb de 2007 e 2005 estiveram acima dos da rede particular, ela encontrou uma resposta. “Conversei com os professores e olhei os cadernos. O ensino dado ali era muito parecido com o das particulares que visitei”. Em agosto de 2007, Isaac estava transferido. Para ele pegar o ritmo, sua professora deu aulas de recuperação e lição extra para casa. De manhã, Isaac freqüenta aulas de Português e Matemática no Kumon (curso que usa um método de ensino desenvolvido no Japão), faz aulas de piano e pratica natação. Aos sábados, a família dirige até um município vizinho para as aulas de equitação do garoto. “As pessoas acham que estamos economizando na educação dele”, afirma Gláucia, única entre as amigas cujo filho estuda na rede pública. “Não conseguem entender que, em nosso caso, o melhor investimento foi colocar o Isaac numa escola pública”.

"Existem 308 escolas públicas com desempenho
superior à média da rede particular de seu Estado"

O princípio democrático é outra vantagem da escola pública. Ela não pode fechar as portas a alunos em situação de defasagem, como Isaac. Nem para crianças com dificuldades especiais. “Uma das grandes preocupações do meio acadêmico é essa visão da educação como um serviço”, afirma Erasto Fortes Mendonça, especialista da Universidade de Brasília (UnB) em políticas públicas para educação. “O ensino não é uma mercadoria pela qual você paga. É um direito do cidadão”. E essa é uma das melhores lições que os alunos da rede pública podem aprender.

"Na Escola Classe 304 Norte, de Brasília, os pais evitam a
superlotação das salas e ajudam na compra de equipamentos"

As escolas públicas podem oferecer ainda vantagens menos visíveis. As boas particulares, em geral, oferecem estrutura esportiva e de lazer, além de aulas extracurriculares, como robótica, música e natação. Ao mesmo tempo, podem funcionar como uma barreira que isola os alunos do convívio com colegas de outras classes sociais. “O menino que cresce fechado no universo da escola particular não tem contato com a diversidade”, afirma Romualdo Portela, especialista em política educacional da Universidade de São Paulo (USP). “Ele pode não conseguir sair na rua e se relacionar bem. Isso é um problema num mundo que valoriza a flexibilidade e a capacidade de relacionamento com o diferente”. Romualdo lembra também que, com o dinheiro economizado na mensalidade, os pais podem investir em mais atividades extracurriculares que uma escola pode oferecer.

Felipe Barra
PRESSÃO SOCIAL
Mirna na frente da escola pública de Brasília onde os filhos estudam. Ela diz que muitos têm preconceito. “Eles me perguntam como eu tenho coragem”

Há 23 anos, Maria Emília Gonçalves Gasparetti, diretora da Escola Estadual Marechal Mallet, de Campinas, em São Paulo, mantém sua instituição no topo da lista das melhores do Estado. A escola obteve a nota 7,2 no Ideb em 2007. A Mallet mantém aparência bem diferente da escola pública comum. Tem paredes brancas, quadros com temas infantis pendurados, plantas pelos corredores e assoalho e banheiro limpos. É essa a estratégia da diretora para manter a ordem. “Eles respeitam se vêem tudo limpo”, afirma. Sempre que aparece uma marca de pé na parede ou rabisco na porta do banheiro, a sujeira vira um caso público. “Quando recebemos alunos transferidos de outras escolas, é comum aparecer papel molhado grudado no teto do banheiro”, diz Maria Emília. “Chamamos o pai no mesmo dia para dizer que não toleramos isso aqui. São eles os responsáveis em fazer o filho respeitar a escola”.

Daryan Dornelles
ELA SABE AVALIAR QUALIDADE
Claudia, dona de escola particular no Rio, com a filha Flávia. A menina foi para um colégio público

A mãe Rita de Cássia Mendes Gonçalves já foi chamada várias vezes à escola. A última foi neste verão, quando seu filho Caio Augusto, de 9 anos, fez uma de suas estripulias: tomou um banho de água de torneira com os colegas da 3ª série. No telefone com a diretora, Rita decidiu, como castigo, não levar uma roupa seca à escola e deixou o filho assistindo à aula molhado. “Na minha época, quem rabiscava a parede passava o intervalo limpando com a bucha”, afirma. “Essa diretora conseguiu manter o padrão da escola de antigamente. É nossa responsabilidade manter assim”.

Para alcançar as boas notas, não basta disciplina. A escola montou uma estante de livros em cada sala, para os alunos que terminam a tarefa antes da hora. Não se trata de material didático, mas histórias de autores infantis, como Ana Maria Machado, Monteiro Lobato e Ruth Rocha. Para o intervalo, um cantinho da leitura foi montado no pátio. Um tapete no chão, um banco e uma estante cheia de gibis e livros de leitura rápida estão à disposição dos alunos. Antes de o espaço ser criado, eles saíam para o recreio com livros da estante da sala embaixo do braço.

Formada em Farmácia, Rita tem uma representação comercial com o marido. Ela estudou a vida inteira em escola pública e decidiu colocar Caio na Mallet porque gosta de vê-lo convivendo com pessoas de classes sociais diferentes. “No meu círculo de amigos, todos colocaram os filhos em escolas particulares. Acho que somos privilegiados de ter a Mallet”, diz. Para a 5ª série, porém, já se conformou com a perspectiva de procurar uma escola particular. Tomou a decisão quando uma tia, professora da rede pública, viu um aluno de sua escola cheirando cocaína na carteira da sala. “Nunca vou deixar meu filho estudar em um lugar assim”.

As escolas privadas, em geral, oferecem um ensino superior ao das públicas. Mas a rede particular não está imune à queda de qualidade. A rede privada em São Paulo, Minas Gerais, Roraima e no Distrito Federal apresentou queda no Ideb de 2005 e 2007. O fenômeno ainda é incipiente. Em São Paulo, a nota caiu em 0,1 ponto. Ele pode ser um sinal do início de um processo semelhante ao ocorrido com a expansão de vagas na rede pública. Hoje, devido à imagem desgastada da escola pública, o primeiro investimento dos pais que conseguem elevar sua renda é pôr o filho numa escola particular. Nos últimos anos, a oferta cresceu mais que a demanda, obrigando as escolas a competir pelos alunos. Em São Paulo, de 2002 a 2006, o número de estabelecimentos cresceu 27%, enquanto o de alunos aumentou em apenas 8%. Para cada escola nova, a rede particular ganhava apenas 27 novas matrículas.

Em vez de a competição estimular as escolas a oferecer um ensino diferenciado, ela foi pautada pelo preço. “Infelizmente, a estratégia para enfrentar a concorrência adotada por algumas escolas foi reduzir custos”, afirma José Augusto Lourenço, presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino e diretor do Colégio Padre Anchieta. “Para isso, muitas delas passaram a procurar professores menos qualificados, que aceitassem salários mais baixos.” O Sindicato dos Professores de São Paulo, que agrega funcionários da rede particular, reúne vários processos trabalhistas contra escolas privadas que pagam salários abaixo do piso a seus professores. “Os pais têm a falsa idéia de que colocar na rede particular é garantia. Tem muita escola privada que nem tem projeto pedagógico”, diz Ailton Fernandes, diretor do sindicato.

A divulgação do Ideb ajudou a identificar as melhores escolas públicas. Mas ele ainda não permite uma comparação direta entre cada escola da rede privada. Essas notas ainda não são calculadas pelo MEC. Hoje, ele faz um levantamento por amostragem da rede privada. “Os sistemas de medida são importantes porque permitem que os pais tomem a decisão sobre a escola de seu filho com base em informações”, afirma Portela, da USP. “Para que possam comparar escolas privadas com públicas, os resultados precisam ser unificados nas duas redes”. Esse sistema de comparação já mudou a lógica da rede particular para os alunos mais velhos. O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) revelou que as escolas técnicas federais oferecem ensino melhor que alguns dos mais tradicionais estabelecimentos de ensino da rede particular. O aumento da procura pelas primeiras no ranking do Enem também obrigou escolas privadas a rever suas práticas pedagógicas.

"Na escola pública, o aluno convive com diversas classes sociais.
Uma vantagem em um mundo que valoriza a flexibilidade"

Alguns profissionais de escolas privadas reavaliaram mais que suas práticas pedagógicas. Dona de um jardim-de-infância particular no Rio de Janeiro, a professora Claudia Jordão Terrezo tirou a filha Flávia, de 9 anos, do melhor colégio particular de sua região e matriculou-a numa escola municipal. O problema não foi dinheiro. Claudia e o marido são empresários, e a mensalidade de R$ 380, a mais alta da vizinhança, não pesava no orçamento. “Ouvi muito conselho para não vir, mas me informei bastante sobre a escola. Acertei. Estou feliz aqui e minha filha mudou muito”, afirma. “Em seis meses, ela, que era uma menina tímida, agora conversa com todo mundo de todas as classes. Minha filha hoje faz poesia”. Claudia se emociona ao falar da mudança pela qual a menina passou. Virou militante da Escola João de Deus. “As pessoas têm muito preconceito, mas já convenci alguns pais”, diz.

RICARDO CORRÊA
RIGOR
Rita com Caio, de Campinas. Ensino bom e disciplina na escola estadual

A filha de Claudia é uma das 307 crianças da pequena escola municipal que fica numa pracinha simpática da Penha, bairro de classe média baixa na zona norte do Rio de Janeiro. Dirigida pela professora Luciana Landrino, escolhida por eleição direta há 18 anos e reeleita de lá para cá, a João de Deus obteve média 6,9 no Ideb. Ficou pouco abaixo de nomes tradicionais do ensino público no Rio, como Pedro II e Colégio de Aplicação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Para a diretora, a João de Deus conseguiu a proeza porque tem o objetivo de fazer os alunos pensar. Ela diz que a escola valoriza ao máximo a leitura, a escrita e a análise. Todos os alunos levam para casa dois livros por semana. A escola tem uma professora exclusiva para a sala de leitura e administração da biblioteca. “Acabou a época do ‘quem descobriu o Brasil’”. A criança de hoje precisa saber como foi o descobrimento, as razões que trouxeram Portugal aqui e as conseqüências disso para o país”, diz a coordenadora pedagógica Petronilha Alice Meirelles. A escola não faz processo seletivo. Entram os primeiros da fila que se forma na porta antes de todo ano letivo.

A fórmula da João de Deus atravessa gerações. Luciana, a diretora, foi professora da dona de casa Rosângela Oliveira na mesma escola, onde também estudou seu pai. Agora é a vez dos filhos. “Só não matriculei meus filhos antes porque não tinha vaga. Esperei dois anos, mas vale a pena”, diz Rosângela. Os resultados mostram que é possível fazer ensino de qualidade numa escola pública. “As pessoas acham que escola municipal é de graça, mas o cidadão paga imposto e temos de fazer o melhor para atender a clientela”, afirma a diretora. “Acabou a história de que aluno da rede pública é pobrezinho, coitadinho. Ele merece o melhor como todos os outros”.

Qual é a melhor escola para seu filho?
O desempenho no Ideb não é tudo. Outros fatores que pesam na comparação entre as redes pública e privada
ESCOLA PÚBLICA ESCOLA PARTICULAR

· Permite que os pais economizem dinheiro para investir em outras atividades para os filhos
· Pode transformar a falta de recursos em estímulo à criatividade e à habilidade de resolver problemas
· Permite a pais e alunos participarem da gestão, o que estimula o empreendedorismo e a democracia
· Dá ao aluno a oportunidade de conviver com classes sociais diferentes
· Reforça a idéia de que a educação é um direito do cidadão

· Tem mais recursos de informática. As bibliotecas e os laboratórios são mais completos
· Oferece atividades extracurriculares como línguas estrangeiras, teatro e robótica
· Tem possibilidade de promover excursões a pontos históricos e artísticos que exigem recursos dos pais
· Dá aos pais a segurança de que o aluno fica na escola porque é menor a quantidade de greves e de faltas dos professores
· Há maior controle da violência dentro da escola



Fonte: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI7709-15228-1,00-QUANDO+A+PUBLICA+GANHA+DA+PARTICULAR.html