28 de nov. de 2006
Oficina
Amanhã teremos uma oficina para ensinar vocês a fazerem o site da sua escola. Pra quem não se acha capaz de fazer aqui está o site do CE Oscar Batista de São João do Paraíso - Cambuci - RJ. O site foi feito todo usando o Microsoft Office Publisher. O OT da escola está a disposição de vocês para falar como ele foi lá e fez acontecer, pois como disse Cícero "Não basta conquistar a sabedoria, é preciso usá-la."
Equipe NTE Itaperuna
27 de nov. de 2006
Festival Nacional 3
Seguindo a programação proposta pelo nosso blog, segue agora a nova atividade do festival do cinema nacional com filme O Caminho das Nuvens proposto no site Planeta Educação.
O tema é sobre o sonho de prosperidade no sul maravilha, onde deveria estar o pote de ouro no fim do arco iris, está muita luta e decepção.
Esperamos que vocês gostem de nossa proposta pedagógica. Esperamos que nossas dicas ajudem vocês.
Equipe NTE Itaperuna
O Caminho das Nuvens
O Sonho de Prosperidade no Sul Maravilha
As migrações que ocorrem regularmente no Brasil são a prova mais cabal da imensa desigualdade regional de nosso país. Que outro motivo levaria famílias inteiras a abandonarem suas cidades e estados de origem para se aventurar a milhares de quilômetros de suas famílias e amigos em busca de trabalho e melhor condição de vida? Somente a falta de oportunidades pode explicar tão constantes deslocamentos populacionais...
E quando falamos em oportunidades buscadas por milhares de pessoas todos os meses, ocasionando em especial a vinda de um enorme contingente de pessoas do Norte e Nordeste para o Sul e o Sudeste do Brasil, abordamos a questão dos investimentos, da infra-estrutura urbana, das possibilidades de acesso à saúde e educação de melhor qualidade, a concentração de renda em alguns estados da união, a maior força e influência política desses estados abastados nas discussões travadas em Brasília...
O Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e tantas outras importantes cidades brasileiras localizadas no Sul e no Sudeste do país, são consideradas como autênticos “eldorados” para uma enorme quantidade de migrantes que atravessam o país em condições totalmente precárias e indignas em muitos casos. São homens, mulheres, crianças e idosos que se acomodam na boléia de caminhões ou que sacrificam todas as suas economias para adquirir passagens de ônibus e vir para o “sul maravilha”.
O que certamente não sabem é que as condições dos centros para os quais estão se deslocando também são difíceis. Não há acomodações adequadas e a vinda desses migrantes ocasiona o inchaço de periferias e favelas sem os recursos mínimos para uma boa qualidade de vida (faltam água, esgoto, escolas, postos de saúde, asfaltamento das ruas, iluminação pública, rede elétrica regularizada, segurança,...).
O emprego é outro artigo em falta. A situação torna-se ainda mais desesperadora quando o candidato a uma vaga de trabalho possui um baixo nível de escolaridade e informação, caso da maior parte desses milhares de migrantes que se deslocam pelo país todos os anos.
“O Caminho das Nuvens” aborda uma história verídica de uma família que se desloca do Nordeste para o Rio de Janeiro atrás do sonho de uma vida melhor. Ao abordar as migrações e a carência por que passam milhares de brasileiros, a produção do diretor Vicente Amorim ganha vulto e nos permite uma reflexão sobre os rumos de nosso país. Confiram!
O Filme
Romão (Wagner Ramos, em elogiada interpretação) é mais um desempregado que alimenta as estatísticas do desemprego no Nordeste do Brasil. Pai de cinco crianças e casado com Rose (Cláudia Abreu, mostrando toda a sua versatilidade), decide tomar o rumo do Rio de Janeiro e levar com ele toda a sua família. Até esse momento sua história é muito parecida com a de tantos milhares de nordestinos que partem em direção as metrópoles do Sul e Sudeste do Brasil, entretanto, Romão consegue convencer Rose a cruzar o país, com toda a prole, em cima de bicicletas.
Além de toda a complicação relacionada à viagem, é aconselhável lembrar que as crianças de Romão e Rose são ainda pequenas (um adolescente, três crianças entre 7 e 11 anos e um bebê de colo) e que, além disso, eles contam com apenas 5 bicicletas para 7 pessoas. A odisséia da família é feita com carga adicional para Romão (que carrega sua filha em sua bicicleta) e para Rose, que leva o bebê com ela.
A travessia de nosso país nos permite perceber a árida paisagem do Nordeste, composta por vegetação arbustiva, de poucos pontos de apoio (quase não há postos de gasolina, lojas, postos policiais ou mesmo cidades em boa parte do percurso). A escassez de recursos e a falta de condições de transportá-los obriga os viajantes a uma difícil luta pela sobrevivência. Para conseguir o pão de cada dia, novas agruras são passadas pelo grupo.
Singelo e tocante, “O Caminho das Nuvens” comprova a boa fase do cinema nacional. Além da migração ainda nos mostra a pobreza, a violência, a fome e os sonhos que alimentam as odisséias pelas quais passam tantas e tantas pessoas em nosso país. Marcado por boas atuações (prestem atenção no filho mais velho de Romão e Rose, Antônio, personagem de Ravi Ramos Lacerda, outro jovem promissor que já havia se destacado em “Abril Despedaçado”, de Walter Salles), com uma direção séria e competente produção, vale ser visto e revisto. Só há um porém em relação ao filme, ele é muito curto (aproximadamente 80 minutos), e acabamos sempre tendo a sensação de que faltou alguma coisa...
Aos Professores
1- Um exame das correntes migratórias que regularmente povoam as grandes cidades brasileiras poderia ser feito a partir da utilização do filme. Nesse estudo seria interessante que os alunos pudessem averiguar as condições de vida dessas pessoas em favelas e periferias. As possibilidades de sucesso e fracasso, os índices estatísticos referentes a poder aquisitivo, dados relativos a estrutura dos locais onde estão vivendo, histórico das famílias (onde viviam, porque vieram, o que esperavam, o que encontraram). Para tanto, o ideal seria uma pesquisa de campo, associada ao exame dos dados disponibilizados pelo IBGE. Seria possível conciliar a atividade associando os professores de matemática, história, geografia e português.
2- Um levantamento de histórias contadas por migrantes a jornalistas seria outro recurso/trabalho interessante. Ao serem pesquisadas e lidas essas histórias poderia ser realizado um trabalho comparativo entre os depoimentos extraídos de jornais e as imagens do filme. Como fechamento dessa proposta os alunos poderiam compor um texto coletivo, escrito por todos, cabendo a cada aluno a produção de um parágrafo ou de uma página, com base nos dados coletados nos jornais e no filme.
3- A miséria vivida por boa parte dos brasileiros é cotidianamente registrada por diversos órgãos noticiosos. Há muitas fotografias retratando a desgraça vivida por milhares de pessoas. O resgate e a editoração eletrônica dessas fotografias, utilizando-se os recursos disponíveis em softwares específicos para esse tipo de atividade, podem permitir aos alunos a produção de arte eletrônica. Para tanto seria fundamental a articulação dos esforços dos professores da área de códigos e linguagens (português, redação, artes) com os responsáveis pela informática na escola. Essa atividade poderia gerar uma grande exposição.
4- Poderiam ser feitas leituras paralelas de clássicos da literatura brasileira que demonstrassem as dificuldades vividas nas regiões mais áridas do país ou ainda na periferia das grandes cidades, superpovoadas de forma desordenada, sem que a infra-estrutura local possa suprir suas necessidades. Como exemplos de obras que poderiam ser utilizadas poderíamos sugerir “Os Sertões”, de Euclides da Cunha, e “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo.
João Luís Almeida Machado
Mestre em Educação, Arte e História da Cultura (Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo);
Professor universitário atuando na Faculdade Senac em Campos do Jordão; Professor de Ensino Médio e
Fundamental em Caçapava, SP; Editor do Portal Planeta Educação
Ficha Técnica
O Caminho das Nuvens
País/Ano de produção: Brasil, 2003
Duração/Gênero: 85 min., Drama
Direção de Vicente Amorim
Roteiro de David França Mendes
Elenco: Cláudia Abreu, Wagner Moura, Ravi Ramos Lacerda, Sidney Magal,
Cláudio Jaborandy, Manoel Sebastião Alves Filho, Cícera Cristina Almino de Lima,
Francioly Luciano, Cícero Wallyson Ferreira, Cícero Wesley Ferreira.
Links
http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/filmes/caminho-das-nuvens/caminho-das-nuvens.htm</a>- http://www.cinemaemcena.com.br/crit_editor_filme.asp?cod=2694
http://www.ocaminhodasnuvens.com.br (site oficial)
http://cineclick.virgula.terra.com.br/criticas/index_texto.php?id_critica=747
22 de nov. de 2006
Proposta de Site
Olá OTs e CPs
Como ontem mandamos um link sobre física hoje estamos mandando um bem legal sobre biologia , O Invivo. Ele e elaborado pela Fundação Oswaldo Cruz que tambem mantem o Museu da Vida.
Csperamos que a dica seja bem utilizada por vocês.
Equipe NTE Itaperuna
21 de nov. de 2006
Planos de Aula
Aqui está um site que vale a visita, pois trás alem do já tradicional conteúdo educacional, tem também vários planos de aula e um laboratório virtual...DEMAIS.
O nome do site é Sala de Física,não deixe de ir e divulgar na sua escola.
Equipe NTE Itaperuna
20 de nov. de 2006
Festival Nacional 2
Seguindo a linha proposta na semana passada, segue agora a nova proposta do festival do cinema nacional com filme Redentor proposto no site Planeta Educação.
O tema não pode ser mais atual, Corrupção, o grande câncer do Brasil.
Atenção vocês podem participar do blog mandando suas idéias via e-mail, que eu as posto aqui, sua atividade pode ajudar um montão de colegas. Vamos participar e comentem, mandem sugestões, etc.
Equipe NTE Itaperuna
19 de nov. de 2006
Redentor - Para rir e refletir sobre a corrupção
Rir da desgraça alheia é reprovável. Rir dos dramas que afetam sua própria vida é, por outro lado, atitude recomendada. Dizem os especialistas que chorar não só não resolve os problemas, mas ainda resulta em diversos outros contratempos para a estrutura psicológica do indivíduo, além de deixar pronunciadas marcas e mais marcas no rosto de quem verte lágrimas. Nós, brasileiros, parecemos entender bem do assunto, por isso mesmo preferimos as risadas e não as lágrimas quando temos que pensar a respeito dos nossos próprios dramas sociais, políticos e econômicos.
Isso não quer dizer que estejamos acomodados em relação às dificuldades que nos cercam. Pelo contrário, os desempregados correm atrás de novos empregos, os doentes enfrentam as deficiências crônicas do sistema de saúde público, os pais acordam cedo para enfrentar as filas e matricular seus filhos em escolas melhores ou mais próximas de suas casas, os operários se viram com os salários achatados que são apenas atualizados e nunca realmente aumentados,...
O que nos causa indignação tem sido alvo de protestos e mobilizações que tem marcado a história de nosso país. Que o digam os Cara-Pintadas que foram as ruas protestar contra o governo de Fernando Collor ou as multidões que lotaram as ruas e os palanques em cidades de todo o país manifestando-se em favor das eleições diretas para presidente nos primeiros anos da década de 1980.
Apesar disso, não podemos deixar de reconhecer que os brasileiros sabem levar com muito bom humor uma série de dificuldades e problemas que assolam seu cotidiano. Fazer piada da corrupção, do trânsito caótico, das medidas econômicas do governo, do excesso de viagens do presidente ou ainda das desastradas manobras políticas do Congresso Nacional já são parte corriqueira do dia a dia dos nossos patrícios.
O estreante diretor Cláudio Torres (filho de Fernanda Montenegro e Fernando Torres) veio a público trazer justamente essa verve cômica dos brasileiros em relação aos dramas vividos diariamente por boa parte de nossa população. Para isso escolheu uma temática das mais amargas para os nossos bolsos, ou seja, a corrupção. Problema que é cada vez mais endêmico em nossos municípios, estados e até esferas do setor público federal e que corrói o orçamento estatal de forma voraz a ponto de impedir a melhoria da qualidade dos serviços públicos e aumentar a voracidade dos governos em relação ao pagamento de impostos.
Dados divulgados por algumas ONGs especializadas na análise dos efeitos da corrupção colocam o Brasil numa péssima colocação mundial neste quesito. Afirmam esses estudos que se a corrupção em nosso país fosse reduzida a índices semelhantes a países desenvolvidos como o Canadá ou a Austrália, a população brasileira teria o equivalente a 2 salários mínimos a mais por ano em seus bolsos. Em se tratando o Brasil de um país que tem uma grande quantidade de pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza, esse dinheiro seria muito bem vindo...
Outra conseqüência muito positiva seria a diminuição dos impostos. De acordo com dados divulgados pela Rádio Jovem Pan em sua campanha pela diminuição da carga tributária nacional, arrecada-se no Brasil o equivalente a 26 mil reais por segundo entre impostos diretos e indiretos... Esse índice é avassalador para o poder de compra e, consequentemente, significa que o setor produtivo e os consumidores poderiam estar vivendo muito melhor...
“Redentor” resgata esse tema que nos é tão caro (literalmente) e ainda aborda a nossa transcendente religiosidade, a marginalização das periferias, o movimento dos sem-teto, as migrações regionais e ainda, de quebra, o sistema carcerário. Tudo isso sempre provocando risos da platéia, mesmo que, muitas vezes, esses risos sejam amarelos...
O Filme
Célio Rocha (Pedro Cardoso) é um jornalista devotado e dedicado a sua profissão que em sua infância foi amigo de Otávio Sabóia (Miguel Falabella), um empreiteiro enriquecido à custa de tramóias no setor imobiliário. Foram justamente essas negociatas que fizeram a amizade entre os dois se romper de forma definitiva quando o pai de Otávio vendeu e não entregou um apartamento ao pai de Célio. Enterravam-se ali as esperanças de ter uma casa própria por parte da família Rocha e também qualquer possibilidade de relacionamento futuro entre os descendentes das duas famílias.
Aparentemente suas relações estavam cortadas para sempre, mas a história de vida dos dois personagens se cruza anos depois quando Célio é mandado por seu chefe para uma entrevista com Otávio. Apesar de relutar e refutar a possibilidade desse novo contato, Célio é obrigado a ir ao encontro do desafeto confesso.
Arruinado por seus empreendimentos, desvios, negociatas e ciente da possibilidade de ir preso, Otávio precisava de um “laranja” para retirar de suas contas em paraísos fiscais o dinheiro que havia desviado de centenas de pessoas que pagavam prestações por imóveis prometidos por suas empresas.
O suicídio do pai de Otávio o torna o responsável por todas as dívidas em relação aos compradores dos imóveis e também quanto aos encargos trabalhistas. O resgate do dinheiro que está no exterior representava a chance de fugir e de ter uma vida tranqüila no exterior, longe das autoridades brasileiras que o cercavam. Para convencer Célio a fazer o serviço sujo para ele, Otávio se compromete a lhe dar 5 milhões de dólares, pagando com juros a dívida do apartamento que não foi entregue a sua família.
Os caminhos de Célio são, no entanto, espinhosos e os negócios não dão tão certo. A consciência de que os milhões de dólares de Otávio pertencem a trabalhadores que deram seu suor e muitas horas de trabalho para construir os prédios e que também cabem aos compradores dos imóveis, atormentam o jornalista. A prisão e o encontro com Deus tornam sua situação insustentável. O que fazer?
Qualquer semelhança com casos como o da empreiteira Encol ou com as dívidas do ex-deputado Sérgio Naya não são apenas coincidência. “Redentor” conta com elenco principal de atores de grande sucesso com comédias como Pedro Cardoso e Miguel Falabella, além disso tem um elenco de apoio dos mais tarimbados e luxuosos, com nomes importantes como Fernanda Torres, Fernanda Montenegro, Stênio Garcia, Camila Pitanga, José Wilker e Fernando Torres.
Aos Professores
1- Que tal trabalhar com estatísticas sobre corrupção? Uma boa alternativa é pedir aos estudantes que rastreiem a Internet atrás de notícias divulgadas em jornais e sites de ONGs que apresentem dados sobre a corrupção no Brasil e no mundo (como a Transparência, Consciência e Cidadania ou ainda a Transparência Brasil). De posse desses dados seria interessante avaliar o que representaria para o país a utilização desses recursos em setores carentes como educação, saúde, habitação popular, transporte público, saneamento básico ou mesmo na área da cultura em termos de vagas oferecidas nas salas de aula, escolas e hospitais que poderiam ser construídos, casas populares que poderiam ser colocadas à disposição da população carente, novas linhas de ônibus ou metrô, construção de galerias de esgoto ou redes de água,...
2- Um outro bom exercício quanto ao tema seria a criação de uma linha do tempo dos últimos 15 anos em que fossem listados os principais casos de corrupção no país. Além de apresentar os dados mais importantes sobre cada um desses desvios, os alunos teriam que tentar descobrir através dos artigos divulgados pela grande imprensa o que aconteceu com os corruptores e com o dinheiro que foi desviado dos cofres públicos...
3- Comparar a situação vivida pelos países que estão nas duas pontas do ranking internacional de países quanto a corrupção é dado interessante que pode envolver alunos sob a batuta de professores de geografia, português e matemática para a composição de textos explicativos que sejam enriquecidos por tabelas e estatísticas. É muito interessante perceber o que cada centavo desviado pode representar em termos de melhoria geral da qualidade de vida do cidadão...
4- Que tal mobilizar os estudantes para tentar acompanhar de forma perene os trabalhos realizados pela câmara municipal ao longo de um período determinado de tempo (de dois a quatro meses) afim de avaliar a aplicação das verbas da cidade e os custos dos projetos encaminhados e comparar esses dados com os de outros municípios? Criar consciência política e estimular a participação ativa dos jovens na comunidade também é um importante dever da escola e dos professores.
João Luís Almeida Machado
Doutorando pela PUC-SP no programa Educação:Currículo; Mestre em Educação, Arte e História da
Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie-SP; Professor universitário e Pesquisador atuando
no Centro Universitário Senac em Campos do Jordão; Editor do Portal Planeta Educação
Ficha Técnica
Redentor
País/Ano de produção: Brasil, 2004
Duração/Gênero: 95 min., Drama/Comédia
Direção de Cláudio Torres
Roteiro de Cláudio Torres, Fernanda Torres e Elena Soáres
Elenco: Pedro Cardoso, Miguel Falabella, Camila Pitanga, Stênio Garcia,
Fernanda Montenegro, José Wilker, Fernando Torres, Toni Tornado,
Mauro Mendonça, Lúcio Mauro, Paulo Goulart, Tonico Pereira,
Guta Stresser, Fernanda Torres.
Links- http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/filmes/redentor/redentor.htm
http://cineclick.virgula.com.br/criticas/index_texto.php?id_critica=8869
http://e-pipoca.cidadeinternet.com.br/filmes_zoom.cfm?id=9877
12 de nov. de 2006
Proposta de Atividade
Quarta-feira é dia de Festival Nacional na Globo, e os filmes que vão passar no festival dão muito boas aulas tanto na sala de aula convencional como no laboratório de informática.
Segue abaixo uma atividade proposta pelo site Planeta Educação, onde ele toma os filmes como base das atividades propostas.
Esperamos que a dica ajude vocês.
Equipe NTE Itaperuna
9 de nov. de 2006
Cazuza – O Tempo Não Pára
“Meus heróis morreram de overdose Meus inimigos estão no poder”
Toda vez que colocamos nosso corpo no limite extremo de suas forças estamos muito próximos da linha divisória que separa a vida e a morte. Depois que atingimos a idade adulta percebemos isso com muito mais clareza. Enquanto somos crianças a idéia da morte nos parece tão distante quanto o Brasil do Japão, ou seja, do outro lado do mundo, praticamente inatingível. Quando atingimos a juventude e deixamos para trás a candura da meninice começamos a pensar que somos imortais, eternos.
A força que brota em nossos corpos na medida em que crescemos nos faz parecer fortes como os adultos, mas com um fôlego muito maior. Nenhum desafio que se coloca a nossa frente parece inatingível. Tudo o que for “legal” pode e deve ser experimentado. Passamos a pensar que mesmo o extremo de nossas habilidades e forças pode ser testado sem que conseqüências nefastas possam advir dessas práticas.
Depois do Festival de Woodstock e da liberação sexual vivenciada pelos jovens durante a década de 1960, resolvemos experimentar de tudo. Orgias sexuais, utilização do ácido lisérgico (LSD), fumar baseados, aspirar carreiras de cocaína ou ainda drogar-se com heroína tornaram-se práticas corriqueiras para uma parcela de jovens que se consideravam arautos da modernidade e da plena liberdade.
Mesmo a morte de ícones da liberalização dos hábitos e costumes como Janis Joplin ou Jim Morrison não pareceram mostrar aos jovens ávidos por grandes revoluções nos hábitos e costumes que algumas de suas “conquistas” eram um tanto quanto perigosas...
O início dos anos 1980 e o surgimento da chamada (naquela época) “peste gay” também não intimidaram os mais “valentes” e desmedidos, mesmo no caso daqueles que se mostravam inteligentes e vanguardistas (talvez por isso mesmo eles não tenham perdido o ímpeto e a vontade de transformar radicalmente tudo o que se encontrava ao seu redor).
Entre esses jovens que resolveram desafiar o establishment estava, sem sombra de dúvidas, o cantor e compositor brasileiro Cazuza. Filho de uma bem posicionada família de classe média alta carioca, Cazuza não era do tipo que admitia qualquer enquadramento ou regra. Desafiava os pais e os ditames sociais através de suas músicas e também de seu comportamento. Apresentá-lo como um herói seria realizar uma leitura isolada da sua obra distanciando-a da vida de seu criador. Tornar Cazuza um vilão aos olhos do grande público faria com que cometêssemos uma tremenda injustiça com um dos mais destacados compositores do rock nacional.
Sua vida, transformada em filme de grande sucesso pelos cineastas Sandra Werneck e Walter Carvalho, entretanto, merece um exame por parte de educadores e estudantes. Através dessa obra cinematográfica ficamos a nos perguntar o que compelia um jovem de obra tão reconhecidamente qualificada a atirar-se de tal forma do alto do precipício que delimitava o morrer e o viver?
O Filme
Já se passaram 15 anos da morte de Cazuza. Uma nova geração de jovens vive num mundo onde a batalha ideológica entre o capitalismo e o comunismo já parece conversa de outra era. “Ideologia”, um marco a sua época, perdeu um pouco de sua sonoridade e alcance numa época onde prevalecem o consumismo e os shoppings centers. A produção do filme “Cazuza – O Tempo Não Pára”, baseado no romance “Só as mães são felizes” de Lucinha Araújo (mãe de Cazuza), surge num momento em que as obras do cantor e compositor precisavam de um impulso para conquistar novos fãs.
Mas, nem por isso, Sandra Werneck (a diretora do filme), procurou amenizar o discurso e transformar Cazuza em monumento a ser cultuado. Ele não era, definitivamente, uma pessoa que estava em busca de espaços oficiais onde pudesse se tornar estátua ou nome de escola. Cazuza queria mesmo era aproveitar a vida em tudo que ela podia lhe dar. Noitadas intermináveis, muita birita, maconha em profusão, relacionamentos íntimos com diferentes parceiros (dos dois sexos) e tantos outros abusos do verdadeiro “exagerado” fazem parte de sua cinebiografia.
Há, realmente, uma preocupação de não extrapolar as situações apresentadas na tela para não ofender ao grande público e não tornar o filme proibido para menores de 16 anos. Por isso, as seqüências mais “fortes” foram abrandadas para comportar públicos maiores.
Em Cazuza, temos a nítida impressão de estarmos vendo a história de muitas pessoas que estiveram aos nossos lados durante os anos 1980. Como sobrevivente daquela época, devo admitir que não foram poucas às vezes em que estive muito próximo de todos aqueles descaminhos. Minha sorte (ou azar, para alguns...) é que nunca tive talento para compor ou cantar e, por isso, minha rota foi a dos estudos, da caretice. O surpreendente, depois de tudo o que vivemos, é constatar que os “caretas” daquela época vivem (ainda que anônimos) seus sonhos, enquanto os “porras-loucas” já partiram dessa para uma melhor há algum tempo...
Obs. Muita atenção para a impressionante atuação de Daniel de Oliveira como protagonista, é realmente notável como ele conseguiu dar ao papel principal uma interpretação tão aproximada do verdadeiro Cazuza.
Aos Professores
1. Não dá para deixar de lado um assunto tão forte e presente na realidade dos jovens como as drogas. A escola tem um importante papel no sentido de divulgar o conhecimento adquirido acerca das conseqüências nefastas dos tóxicos para a vida de qualquer pessoa. A organização de eventos em que sejam feitos relatos de experiências vividas por ex-dependentes, médicos, enfermeiras ou pessoas especializadas no tratamento de viciados pode ser muito útil. A apresentação de filmes como “Cazuza”, “Bicho de Sete Cabeças” ou “Christiane F.” com a subseqüente organização de projetos de pesquisa também pode auxiliar e muito nesse trabalho de esclarecimento.
2. A AIDS é outro tema importante trabalhado na cinebiografia de Cazuza. Projetos que envolvam um estudo da doença, sua proliferação, as pesquisas em busca de medicamentos, a evolução histórica dessa enfermidade ou ainda o mapeamento mundial da epidemia podem envolver professores de diferentes disciplinas como biologia, geografia, história, redação ou química.
3. Um outro trabalho muito interessante que poderia ser desenvolvido a partir do filme “Cazuza” seria o estudo e contextualização das letras das músicas do controvertido compositor. O que Cazuza queria dizer com composições como “Brasil”, “Ideologia”, “Burguesia” e tantos outros hits que marcaram época? Ainda é possível observar nessas letras o mesmo país de 15 ou 20 anos atrás?
4. Quais são as raízes do Rock Brasileiro? Rita Lee e os Mutantes? Raul Seixas? E a repercussão do trabalho de nossos principais artistas nessa ramificação de nossa música? Uma coisa é certa, a obra dos precursores e também a de seus herdeiros estabeleceu uma nova e rica fatia da cultura nacional. Que tal descobrir um pouco dessa história fazendo uma pesquisa aprofundada da história do rock em terras tupiniquins? O que seria do Brasil sem Legião Urbana, Capital Inicial, Paralamas do Sucesso e companhia limitada?
João Luís Almeida Machado
Mestre em Educação, Arte e História da Cultura (Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo);
Professor universitário e Pesquisador atuando no Centro Universitário Senac em Campos do Jordão;
Editor do Portal Planeta Educação
Ficha Técnica
Cazuza – O Tempo Não Pára
País/Ano de produção: Brasil, 2004
Duração/Gênero: 98 min., Drama
Direção de Sandra Werneck e Walter Carvalho
Roteiro de Fernando Bonassi e Victor Navas
Elenco: Daniel de Oliveira, Marieta Severo, Reginaldo Farias, Andréa Beltrão, Leandra Leal, Débora Falabella, André Gonçalves, Cadu Fávero, Emílio de Mello.
Links
http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/filmes/cazuza/cazuza.htm
http://www.cinemaemcena.com.br/crit_editor_filme.asp?cod=1529
http://cineclick.virgula.com.br/criticas/index_texto.php?id_critica=8832
Sejam bem vindos
Esperamos sinceramente que vocês possam postar suas duvidas, seus comentários, seus desejos num lugar onde as idéias fervilham sempre, onde vamos trocar nossas experiências e frustrações, fazendo desse Blog um verdadeiro Caldeirão de Idéias.
Abraços
Equipe NTE Itaperuna